O Tribunal de Santarém condenou esta sexta-feira os sete membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrária (ESAS) a multas entre os 640 e os 1.600 euros.

Uma pena simbólica que deve servir de aviso à navegação. A começar pelas associações de estudantes e direcções universitárias, que têm de começar a ser responsabilizadas. A coacção e as agressões, mesmo que lhe chamem de tradição, é ilegal.


20 respostas ao post “Acabar com a bestialidade”  

  1. 1 1  Voice_Of_The_Opressed

    Bem haja o deputado jose soeiro que trouxe o tema para debate quando este ja devia de ter sido debatido desde que as praxes surgiram!!
    Esta practica fascizante de cariz militar surgiu devido ao elitismo ainda associado ao ensino superior onde ser doutor é um previlegio e como tal os alunos tem de se sujeitar a um ritual para pertençer a essa elite, tal como nas tribos primitivas, e hoje tudo contribui para essa elitizaçao; propinas absurdamente elevadas para o ensino publico, e um custo de vida que cada vez mais cria obstaculos ao prosseguimento dos estudos, depois queixam-se que a economia portuguesa nao avança…
    A pena é simbolica, claro que é, afinal a praxe mantem as ovelhas, perdão os estudantes ocupados, mantem a hierarquia é tudo coisas boas e ainda para mais existem tantas empresas que delas tiram proveito, digo eu que desde 2004 luto contra a tradição academica que mais nao é do que elitismo puro no ensino e na sociedade.

  2. 2 2  FA

    A praxe tem vindo a perder alguma força, mas continua a ser uma instituição sólida. Todos os anos se replicam as rotinas, as cerimónias, e os “valores” praxísticos. Não é algo me que agrade particularmente. Diria até que imagino “uma outra universidade”, mas ela não passa de uma utopia minha. Para além das aulas não existe nada mais senão um vazio enorme que é preenchido pelas longas estadias no bar (por alguns), pela AE e alguns grupos poucos dinâmicos que se vão formando, e pelo estudo, que para alguns é contínuo, para outros é temporário; para uns é sério e absorve todo o tempo, e para outros… não.
    Com isto quero dizer que não existe uma âncora integradora e identitária que prenda as pessoas à universidade. Algo apelativo e motivador. Não há alternativa à praxe.

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    E que tal o debate, a aprendizagem, actividades cívicas, fazer um jornal, etc…

  4. 4 4  FA

    Tudo isso existe, mas é paupérrimo. E quando existe é muito pontual ou pouco motivador. Há sessões de cinema ocasionais, existe até um jornal cultural, fazem-se conferências, etc. Alguns alunos participam nestas coisas. Mas não é suficiente, e nem sequer anda perto do suficiente.

    Ressalvando, isto é a minha perspectiva pessoal, e circunscreve-se à minha própria faculdade, como é óbvio.

  5. 5 5  Tárique

    Sendo fortemente anti-praxe, concordo com o que diz o FA - acertou na mouche na causa prevalência das praxes: o aborrecimento.

  6. 6 6  Anónimo

    Sim, um gajo aborrece-se e vai foder os outros. Porque é que não ajuda velhinhas a atravessar a rua? Olhem, puta que pariu!

  7. 7 7  cenas

    O que o FA diz é verdade, mas não deve ser apresentado como uma fatalidade. Os mesmos marmanjos da Comissão de Praxe, podiam fazer coisas bem mais motivantes. Se quando entrei na faculdade houvessem “Actividades de integração dos caloiros”, com passeios pela cidade, jantares com “doutores” etc eu teria ido. Houveram, mas com a diferença que estavamos a ser praxados, e deslocavamo-nos com fatos rídiculos, a cantar músicas absurdas. O Voice fala em cariz militar, mas eu digo que nem isso é. Tenho familiares na marinha, e para mandar é preciso ter algumas competências de liderança. As comissões de praxe estão cheias de filhinhos ricos que se podem dar ao luxo de não estudar, e de andarem a brincar aos líderes, sem qualquer mérito.

  8. 8 8  Manuel A. Fernandes

    O mais engraçado/vergonhoso é assistir a esses ritos pré-históricos e ouvir as gargalhadas de professores catedráticos e intelectuais. De tipos com 30 e tal anos que não aparecem às aulas mas que fazem parte dessas “comissões”. E depois as represálias:
    - Não queres ser praxado??? Entao vais ver o que te acontece… não podes praxar (bestial) na podes ir às queimas, não podes fazer parte disto e daquilo (ninharias).
    E a isto se resume a vida acdémica na universidade portuguesa.
    Claro que existem sempre aqueles apaziguadores que defendem brincadeiras essas sim integrantes, concilioadas com workshop’s, debates, conferencias e secções culturais…como eu. Mas qual quê!! É ver a distinta elite cultural e fomentadora de conhecimento (estou a falar do corpo discente da universidade) deveras excitada com estas propostas. Querem lá saber. A situação em universidade periféricas e mais pequenas é dramática. À custa da palhaçada em que se tornou a universidade, não existe vida nem dinâmica nenhuma para além da copofonia, borga e praxe. Sempre a praxe.

  9. 9 9  Manuel A. Fernandes

    Ah e peço desculpa mas discordo completamente do FA. Só os comodistas e os preguiçosos é que se podem rever nas tuas palavras. Não estou com isto a dizer que segues essas conduta. E sei perfeitamente que os há. Mas deles não reza a história. Pura e simplesmente.
    Estudo na UTAD, colaboro com o jornal universitário, (www.oinformativo.wordpress.com), sou assíduo do teatro, frequento bares não pocilgas, leio e só me dou com quem quero. Há vida para além da praxe.

  10. 10 10  Besugo

    Tentaram “praxar-me” uma vez… eu não me apeteceu, e mais não digo.

  11. 11 11  joão campos

    caro daniel,

    é muito fácil chamar “bestialidade” a uma (sublinhe-se “uma”) prática realmente bárbara e tomar assim uma (pequena) parte pelo todo. a praxe académica é bem mais do que isso, e os casos que normalmente fazem eco nos meios de comunicação social são aqueles em que realmente há abusos, como aquele que refere - e que, por isso, devem ser julgados em tribunal, devendo os culpados ser por isso punidos.

    mas há muito mais na praxe do que isso. é engraçado que, tendo sido estudante universitário até há bem pouco tempo, estou ainda para encontrar uma pessoa que me diga “odiei as minhas praxes, senti-me humilhado(a)” ou “abusaram imenso, fizeram-me coisas horríveis”. conheço, sim, e em várias universidades por todo o país, gente que se divertiu bastante nas praxes, que ficou a conhecer imensa gente que de outra forma provavelmente nunca viria a conhecer, e que se conseguiu integrar muito melhor. evidentemente que para isto acontecer, as praxes têm de ser bem organizadas, tem de haver disciplina *mesmo dentro das “comissões”*, e muito sentido de responsabilidade.

    a história da coacção tem também muito que se lhe diga. um aluno pode, desde o início, declarar-se anti-praxe, e não terá qualquer problema. e ao contrário do que diz o manuel a. fernandes, um aluno anti-praxe pode perfeitamente ir à queima (mesmo de coimbra), assistir aos concertos, etc. não pode é praxar em anos seguintes (evidentemente), e talvez não tenha acesso a mais algumas coisas relacionadas com a praxe. mas não conheço nenhuma universidade onde veja o acesso a algum dos núcleos académicos vedado.

    a grande desvantagem que um aluno anti-praxe terá será na integração, uma vez que a maior parte dos colegas optou por ser praxado e, por isso, conhecerá mais gente, dentro e fora da turma, quando as aulas começarem.

    talvez não fosse má ideia, ao invés de se continuar sempre a escrever a mesma ideia e blogues e em jornais, ir às universidades em época de praxes e falar com os alunos. sim, falar com quem organiza as praxes e, acima de tudo, com quem nelas participa. saber o que é feito, como se sentem. opiniões.

    ou então procurar, agora que estamos a aproximarmo-nos do europeu de futebol, pessoas declaradamente anti-praxe, com aversão a tintas e a músicas parvas cantadas por caloiros, a pintarem-se com as cores da selecção nacional e a irem cantar… músicas parvas para o marquês de pombal. isso sim, seria interessante :)

  12. 12 12  Fado Alexandrino

    Sobre este assunto, mais concretamente sobre a alegada violação ocorrida em Braga, escrevi no meu blog.
    Recebi um comentário que partilho aqui:

    Seria esse o caminho. Serem as jovens das Facs. a exigir anti-praxismo. Mas, não tenhamos ilusões. Com a necessária democratização do Ensino e o pulular de Cursos Superiores nas Privadas, estão na Universidade filhos e filhas de muita mãe e muito pai. Que querem ser “aceites” pelos colegas, mesmo à custa de javardices. A grande percentagem de moças, quer mas é “libertar-se” de uma vidinha familiar mesquinha e sem horizontes.É o país e a herança cultural que temos.
    As juventudes partidárias só querem carneirismo militante e nem sonham em se meter nisso

  13. 13 13  GWB

    João Campos, felizmente discordo de ti em quase tudo.
    Se um anti-praxe tem problemas de integração, ainda acrescentas mais uma perversidade das praxes: só se integra quem passa por um ritual de subordinação, humilhação e de “pôr os que chegam no lugar”.
    É importante o teu testemunho: acaba por fundamentar mais aqueles que querem que um dia a universidade seja aquilo que devia ser - um lugar onde as pessoas chegam e, sem precisar de serem humilhadas, sem precisar de um rito de iniciação, são tratados como iguais.
    Eh pá e misturar o europeu de futebol aí no meio, sinceramente. É certo que cantar no Marquês do Pombal não é muito edificante, mas, pelo menos, não estão a agredir outras verbal e fisicamente.
    Há muito tempo, gostei de escrever isso: http://aldeiablogal.blogspot.com/2003/11/diverso-dos-palermas.html

  14. 14 14  FA

    MAF, é claro que há vida para além da praxe. Mas não há «oferta» suficiente por parte da(s) faculdade(s). E esta fraca «oferta» engloba as condições que não existem para criar seja o que for “lá dentro”. Se se quer criar um grupo de teatro não há espaço (nem um salita disponível sequer) nem verbas; se se quer ter um clube de cinema, um grupo de debate, um grupo musical, etc, não há espaços, nem condições minimamente apelativas.
    Também não existe uma recepção ao caloiro para além da recepção praxística. Não se organizam viagens, convívios, actividades de lazer, etc. E quando se organizam… é a praxe que o faz. É o seu monopólio.
    E muitas pessoas, acabadinhas se chegar à academia, «querem» ou idealizam um tipo de recepção, integração e participação que estão muito próximas daquilo que a praxe oferece. Tão simples quanto isto.
    Quando digo que não há alternativa à praxe, quero dizer que não há uma alternativa minimamente “equivalente”.
    Contudo, é óbvio que é possível combater isto. O meu “diagnóstico” negativo não é inibidor da acção. E é claro que existem grupos de amigos, colegas, etc, completamente à parte da praxe, mas que não deixam de ter a sua”integração” e de participarem em algo.
    Como sabemos, e é mais do que evidente, os alunos universitários não se dividem em dois pólos de incluídos e excluídos, integrados e alienados.

  15. 15 15  Justicialista

    Além de ser contra as praxes em qualquer instituição de ensino, acho que devia ser obrigatório o uso de uniforme escolar no ensino básico. As escolas não podem permitir que se exibam sinais de hierarquia social, e às vezes a boa aparência do aluno conta mais do que os seus verdadeiros conhecimentos. Quase todos os países do mundo obrigam o uso de uniforme escolar, pelo menos nos primeiros anos de escolaridade.

  16. 16 16  joão campos

    o gwb tresleu aquilo que eu escrevi, pelos vistos.

    em primeiro lugar, parte do princípio que praxe é igual a humilhação. o que não é verdade, e poderia arranjar-lhe inúmeros testemunhos que o afirmariam (o meu incluído).

    não há qualquer perversidade naquilo que descrevi. até porque não é intencional, é meramente lógico: se a maioria dos alunos é voluntariamente praxada (sem qualquer coacção - na minha universidade nunca presenciei qualquer coacção), quem não o é vai estar em desvantagem no que diz respeito a fazer contactos com os colegas. aliás, poderia dizer-lhe que não se trata de “subordinação”, ou de “por os que chegam no lugar”.

    o europeu foi introduzido sob o pretexto da ironia, meramente. mas olhe, siga o meu conselho: ao invés de estar aqui a ler as tretas que escrevo, vá em setembro a algumas universidades de todo o país e fale com os caloiros. depois divulgue aquilo que tiver aprendido.

  17. 17 17  cenas

    Terei de discordar do João. Também eu fui praxado, e em Setembro não pareceu nada de especial, mas só com o tempo, principalmente nos anos seguintes, é que vi que aquilo não é mais do que um ninho de aproveitadores, a maioria homens, tentando encontrar alguma caloira mas vulnerável. Quem não houve as histórias de caloirAs que vão arrumar a casa aos senhores doutores… Bem sei que existem casos de praxes que decorrem sem o mínimo problema, mas o ritual é assim tão interessante que valha a pena manter? Apesar dos casos ocorridos? Por mim a praxe já devia ter sido proíbida há muito tempo atrás, fim da história.

  18. 18 18  Metroidsamus

    Acho q foi um aviso fraquinho. Deviam, no minimo, ser multas 10 vezes maiores e com serviço à comunidade de umas centenas de horas. Aí esta maltosa ficava avisada a serio. Agora peanuts destes…

  19. 19 19  GWB

    o joao acha q quem se sente ofendido brada sua revolta na frente dos opressores.
    n é bem assim joao. n ves os imigrantes explorados indo por sistema ao tribunal do trabalho.
    ok, ja sei. tresli o teu segundo texto tambem.

  1. 1 Ricardo.pt

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