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Seis coisas sobre as declarações do director da PJ a propósito do caso McCann:

1. A PJ é incapaz de fazer uma investigação com o mínimo de silêncio. Não gere o que diz, limita-se a reagir à pressão mediática como uma barata tonta. Ou seja, o Estado e os seus organismos de investigação exigem ao investigados, suspeitos e arguidos o respeito pelo segredo de justiça que eles próprios não cumprem, transformando-se o segredo de justiça numa forma desleal de quem deve investigar mas não tem o poder de condenar conseguir sentenças na praça pública, muitas vezes com efeitos mais graves para a vida das pessoas do que a sentença de um tribunal. Isto não é novo. Aconteceu com os McCann, com Paulo Pedroso e com Ferro Rodrigues. Isto nos casos mais mediáticos. Mas acontece com milhares de suspeitos que nunca chegam a ver o seu nome limpo e vêem as suas vidas destruidas para sempre.

2. A PJ prepara-se para a mais monumental barraca da sua história. Prepara-se para envergonhar de forma clamorosa todo o país, ao ter de reconhecer que fez cair sobre dois inocentes a suspeita mundial de que teriam matado a sua filha. Nas guerras internas que caracterizam a nossa justiça, será uma machadada sem precedentes na Polícia Judiciária. É injusto que por os suspeitos e a vítima serem estrangeiros isto tenha maiores repercussões? É. Mas é um facto indiscutível.

3. Os tablóides, jornalistas e “especialistas” que participaram no linchamento público dos pais devem ser identificados pelos seus próprios leitores/ouvintes/telespectadores para que a partir de agora sejam lidos, ouvidos e vistos com a enorme reserva que merecem. Não é o primeiro nem o segundo caso em que cumprem este triste papel: o de inventar quando não sabem o que dizer. E não será o último. São um cancro na comunicação social e na democracia. Só leitores informados, que se recusem a dar crédito a quem não o merece, os podem neutralizar.

4. Caso se confirme a má investigação, a PJ deve explicar porque perdeu tanto tempo com pistas aparentemente sem cabimento, num tipo de caso em que o tempo é tão valioso. Caso se confirme as asneiras, mais importante do que o bom-nome dos pais é a vida da rapariga desaparecida.

5. A PJ tem de aprender a lidar com casos mediáticos, o que exige uma estrutura mais profissional de comunicação e o respeito escrupuloso pelo direito dos arguidos à real presunção da sua inocência. O caso Casa Pia e este demonstram que quando as investigações são mediáticas, PJ e Ministério Público são elefantes numa loja de porcelana. E que isso pode ter efeitos calamitosos para a credibilidade da justiça.

6. Os McCann são inocentes. Já eram inocentes. Até prova em contrário. Muito mais num crime desta natureza.


Sem respostas to “Barraca internacional”  

  1. 1 1  josé Manuel Faria

    O ministro Alberto Costa está sereno, porque te preocupas!!!

  2. 2 2  FSilva

    Prefiro ver os cidadãos conscientes e precocupados do que os ministros serenos (aparentemente).
    Bom artigo.

  3. 3 3  e-ko

    perfeitamente de acordo com o que escreves… também eu já escrevi algumas coisas sobre o assunto e tenho exactamente a mesma visão sobre o caso e sobre o desempenho da PJ em particular e das nossas polícias em geral!

  4. 4 4  H V&P

    No auge da polémica, quando em Portugal se exigia o linchamento dos MacCann, escrevi um post em que dizia porque os achava inocentes (ou, que tal se devia EFECTIVAMENTE presumir!).
    Não se trata de querer ter razão: muitas vezes não tenho e isso não me choca; o que me entristece é esta capacidade lusitana para repetir incessantemente os mesmos erros…

  5. 5 5  vasco

    ó Daniel sexta-feira houve uma carga policial, ainda não escreveu nada sobre isso…

  6. 6 6  Leme?

    Escreveste “caco” em vez de “caso” e falta um parágrafo a separar o ponto 5 do ponto 6.

    Continua o bom trabalho.

  7. 7 7  Fourtet

    Este vai ser mais um caso de tudo acabar em nada por erros processuais ou má investigação e não porque fique provada a inocência.

  8. 8 8  on

    Daniel,
    os McCann forma constituidos arguidos. So what? é-se inocente até prova em contrário, não é?

    Não ser condenado em tribunal prova a inocência?
    Pedroso é inocente só porque não foi constituido arguido no processo Casa Pia?
    As decisões dos tribunais são a pedra final no assunto?

    Ou teremos de ser nós, opinião pública, a ter de formar a nossa opinião sobre cada casoimportante, independente das voltas e reviravoltas dos processos?

    Reservo o direito de ter a minha opinião sobre o caso McCann. Não posso?

  9. 9 9  rui mota

    Há uma coisa que eu ainda não percebi: a PJ que é “uma das melhores polícias do Mundo” (dizem) não consegue descobrir os casos das crianças desaparecidas, como o Pedro, a Joana ou a Maddie…terá a ver com a tipologia dos casos ou com o mito da polícia, que não será tão boa assim?…

  10. 10 10  J.H

    A inocência dos McCann, ou de qualquer outra pessoa, é averiguada por juízo de facto. Ou cometeram o crime, ou não. As opiniões dos investigadores de sofá são desnecessárias, se não mesmo prejudiciais.

    Que as investigações judiciais em Portugal deixam ainda muito a desejar, é opinião há muito tempo e parece, em cada caso mediático, comprovada. Mas esta opinião não implica automaticamente “opinar” sempre que a conclusão contrária à tomada pelos investigadores é que é a correcta. Pois se eles, com o treino e equipamento que têm, mal lá conseguem chegar, não é quem está por fora que, por milagre, apura a verdade.

  11. 11 11  João

    Essa do paulo pedroso era para rir, não???

    É um dos casos evidentes da podridão deste nosso sistema judicial!

    Safou-se porquê? Por ter sido ministro? Ou por ser amigo dos ministros??

  12. 12 12  Sérgio A. Correia

    Caro Daniel

    Não sei se a PJ irá envergonhar o nosso país. Afinal de contas, a identidade de Jack, o Estripador, também nunca foi descoberta pela polícia britânica.

  13. 13 13  Patricia

    Andou muito mal quem passou algumas dicas para a comunicação social,mas aqui há muito poucos inocentes,não sei se aquilo que apareceu nos jornais é só obra das fontes ou como se costuma dizer,quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto.Nas televisões apareceram uma série de entendidos,criminologistas,psicologos criminais,ex-menbros da PJ a darem vários palpites e interpretações.Os jornalistas no local cada um dava a sua versão,lembro-me de uma jornalista da RTP ter crismado o Murat de pedófilo.Quero ver a quem é que os vários orgãos de comunicação social vão ter que pagar indemnizações por interpretações abusivas quando o processo vier a ser arquivado como parece ser o seu destino.Será que alguns jornalistas e orgãos de comunicação vão tirar daqui lições para o futuro,espero bem que sim.

  14. 14 14  Xico

    Se os McCann são inocentes não sei e julgo que nem o Daniel. A presunção de inocência não quer dizer que o sejam. É uma defesa de direitos.
    Se a PJ andou mal, também não sei? Não estava presente! Pelos vistos a PJ não tem o mesmo direito de presunção de inocência que os McCann.
    A única coisa que sei foi o que vi pela TV. Uma colossal campanha mediática!
    Uma pressa estranha em contactar os media!?
    A contratação de conselheiros bem colocados políticamente!
    Passeios pela praia para português ver! Religiosidade qb para português ver!
    Dinheiro a rodos!
    Omissões e ausências mal ou nunca explicadas!
    Interesse em demasia da Skyknews, até em arranjar culpados!
    Detectives privados que sabem tudo e cheios de certezas, a receberem dinheiro, e até agora nada!!!
    Apetece perguntar: Alguém (que não os chegados)viu a menina durante aqueles dias em Portugal antes do desaparecimento?

  15. 15 15  Dalila

    Faz-me muita confusão os grupos de pessoas que vão para a porta dos tribunais ou da PJ neste caso,para bater palmas ou assobiar.Acho que ainda há pessoas que gostavam de fazer os julgamentos na praça pública e aí logo castigar aquele que achassem que era o culpado.Quando a mãe da menina desaparecida foi depor a PJ e foi constituida arguida,as pessoas vaiaram-na,não gostei de ver aquela cena.

  16. 16 16  Fado Alexandrino

    Não alinho no coro geral.
    Se correu bem no caso do desaparecimento da pequena Joana é evidente que a PJ pensou que podia usar os mesmos métodos.
    O problema surgiu porque a mãe da pequenita inglesa não fala a língua lusa e assim não pode confessar em tempo útil.
    Tivessem dado mais um tempinho à Judiciária e ela confessava, nem que fosse em chinês.
    Quanto a culpabilidade ou não da mãe, o que aliás nem sequer se põe em causa, porque a cara diz tudo, o presidente da câmara de Santarém já explicou tudo cem vezes.
    Será que ainda há alguém que duvide que houve um arranjinho entre o casal, o técnico de informática e o paspalho que vive sozinho com a mãe?
    Se há, perguntem a uma jornalista do Sol.

  17. 17 17  dsm

    “Os tablóides, jornalistas e “especialistas” que participaram no linchamento público dos pais devem se identificados pelos seus próprios leitores/ouvintes/telespectadores para que a partir de agora sejam lidos, ouvidos e vistos com a enorme reserva que merecem. Não é o primeiro nem o segundo caso em que cumprem este triste papel: o de inventar quando não sabem o que dizer. E não será o último. São um cancro na comunicação social e na democracia. Só leitores informados, que se recusem a dar crédito a quem não o merece, os podem neutralizar.” (Daniel Oliveira)

    1. “Devem se identificados pelos seus próprios leitores/ouvintes/telespectadores”. Ah sim? E pelos seus colegas, não? E os políticos, também “devem ser identificados pelos” eleitores”? Ou, nesse caso, o Daniel já está disposto a dar uma ajudinha? Essa coisa da auto-regulação é mesmo uma treta monumental, não é?
    2. “Não é o primeiro nem o segundo caso em que cumprem este triste papel: o de inventar quando não sabem o que dizer.” Então, como é que o Daniel tem tantas certezas sobre o facto de a PJ se reagir como “uma barata tonta”? Quantas afirmações de “fontes” são pura invenção dos jornalistas?
    3. “Só leitores informados, que se recusem a dar crédito a quem não o merece, os podem neutralizar.” E como é que eles se informam? Lendo jornais que inventam “quando não sabem o que dizer” (”não é o primeiro nem o segundo caso”, Daniel? É o terceiro? O quarto? Ou é mais ou menos vulgar?)? Lendo blogues - cada vez mais nas mãos dos boys do Balsemão e do Belmiro?
    4. A última questão do n.º anterior qualifica-me fatalmente como assessor do Governo. Não se esqueça de me denunciar ao Luís Pedro Nunes, que me há-de denunciar a alguém; talvez a coisa acabe por sair em Diário da República. Antecipadamente grato, etc.

  18. 18 18  tonibler

    Não é bem assim. O facto é que a estúpida lei portuguesa impõe um estatuto (curiosamente, sem tradução para outros idiomas) de arguido que, não sendo exactamente suspeito, é público e violador dos direitos das pessoas. Andaram anos numa missão de renovação do código penal e saiu a merda que saiu.
    A PJ não vai conseguir aramar mais barraca que o país já armou e um casal de ingleses não me parece mais impotante e merecedor de comentários que todos os portugueses que são vítimas deste semi-feudalismo em que vivemos.

  19. 19 19  Daniel Oliveira

    João, sabe alguma coisa sobre o caso Casa Pia? Se sim, deve comunicar à polícia. Se não, tenha vergonha.

  20. 20 20  rosinha dos limões

    OH FADO ALEXANDRINO: Então a jornalista do SOL sabe quem são os responsáveis pelo desaparecimento e não disse à Polícia Judiciária??
    É que tudo leva a crer que eles não sabem!!!

  21. 21 21  Victor Rosa de Freitas

    Em 18 de Setembro de 2007 (poucos dias depois da constituição como arguidos dos Mc Cann), foi escrito em

    http://vickbest.blogspot.com/2007/09/o-meu-caso-o-caso-mc-cann-justia.html

    o que se passava com este caso, em paralelo com o de um magistrado.

    Vale a pena reler os arquivos de Setembro de 2007 de

    http://www.vickbest.blogspot.com

  22. 22 22  jm

    O mister Brown já disse tudo quando veio assinar o tratado de Lisboa, (ia falar do assunto com o pm português, este por sua vez diz que não falaram no assunto). Isto foi cosinhado com o governo ou ainda há dúvidas? O direct. da pj foi o bombo para encerrar a festa.

  23. 23 23  Isabel Coutinho

    De uma coisa aqueles pais têm certamente culpa: de terem deixado três crianças a dormir, sozinhas, num quarto que, ao que parece, nem sequer estava fechado para irem jantar com amigos.

    Isto, segundo a lei portuguesa configura, ao menos, crime de negligência.

  24. 24 24  Arquiduquesa de Grayskull

    Se estivemos à altura deste caso, com eficiência, brio, organização, independência, profissionalismo, rigor e ética, é a pergunta que merece ser feita a esta altura do campeonato. Com tantas trocas e baldrocas, não é o que parece.

    Em termos de investigação criminal, alguém, sem ser o próprio Estado, sabe dizer se os métodos actualmente utilizados pela PJ são adequados? Se são actuais? Se a PJ está tecnologicamente apetrechada como convém e se, acima de tudo, sabe usar essa tecnologia?…

    E outra questão: foi possível fazer esta investigação de forma independente? Se sim, como encarar o interesse manifestado por Gordon Brown a José Sócrates neste caso McCann especificamente? Com naturalidade?!

    E uma investigação que dispensa, a meio do caminho, o seu principal coordenador, não fica ferida de morte?

    Finalmente, a cereja no topo do bolo: as nossas estruturas policiais foram capazes de gerir com ética e profissionalismo a forte mediatização do caso? Pese embora o sigilo das fontes, quem é esta gente, que durante meses e anonimamente andou a alimentar a imprensa com detalhes sórdidos, caluniosos, mesquinhos e que indiciavam os McCann como culpados? Tudo faz crer que foram pessoas de dentro da própria PJ, o que deixa a desejar a instituição em termos éticos. E quanto aos orgãos de comunicação social que participaram no linchamento público dos pais de Maddie, não tenho a menor dúvida, de que nenhum escapa. Dos menos sérios, aos mais sérios, por todo o lado se transcrevaram suspeitas, com mais aspas, ou menos aspas, mas cujo propósito era sempre o mesmo: garantir audiências desenfreadamente. Seria importante, depois do tanto que se escreveu sobre o caso, que ficassemos pelo menos a perceber, se não o que se passou com a pobre menina de 4 anos, pelo menos o que se andou a passar durante quatro meses com a investigação da PJ. A PJ, por sua vez, podia internamente fazer um esforço para separar o trigo do joio. Livrar-se daqueles que, enquanto agentes de investigação criminal, vestem a pele de ovelhinha de vez em quando e anonimamente deixam caír para os jornais uma série de patacoadas que para além de intoxicarem o inconsciente colectivo para lá do limite do suportável, pelos vistos, nem ponta têm de verdade.

  25. 25 25  Victor Rosa de Freitas

    “A PJ, por sua vez, podia internamente fazer um esforço para separar o trigo do joio. Livrar-se daqueles que, enquanto agentes de investigação criminal, vestem a pele de ovelhinha de vez em quando e anonimamente deixam caír para os jornais uma série de patacoadas que para além de intoxicarem o inconsciente colectivo para lá do limite do suportável, pelos vistos, nem ponta têm de verdade.”

    Ora, ora:

    A PJ actua SEMPRE assim. Faz parte das suas “tácticas” de investigação deixar cair certos “factos” para a Imprensa, para ver como se mexe o “peixe” de que suspeita e apreciar os seus passos, na expectativa de que cometam “erros” para os apanhar com a “boca na botija” ou em “contradição”; por outro lado, mas não menos importante, para preparar a opinião pública no sentido que lhe “convém”: quando o Popularéu começa a acreditar que uma determinada história é “verdadeira” está meio caminho andado para condenação na “justiça” dos seus protagonistas e actores.

    É sempre assim, ou já esqueceram o “caso” Joana?

    Qual o interesse da PJ em fazê-lo? É simples: “resolver” o caso que “queima”, arranjar um bode espiatório, seja culpado ou inocente, e salvar a sua IMAGEM de eficiência (mas às vezes falha, porque ainda há “vozes” que denunciam a “marosca”).

    Mais uma vez recomendo a leitura de

    http://vickbest.blogspot.com/2007/09/o-meu-caso-o-caso-mc-cann-justia.html

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