
Foi hoje inaugurado em Berlim o memorial aos homossexuais vítimas do Holocausto, os perseguidos pelos nazis eternamente esquecidos. 54 mil foram para campos de concentração. Aqueles que a memória conseguiu apagar tornando assim e ainda tolerável aos olhos de tantos a homofobia.
A homossexualidade permaneceu ilegal na Alemanha até 1969 e só em 1994 foi formalmente descriminalizada. Só em 2000 o Parlamento alemão aprovou uma resolução reconhecendo que a descriminação existira. O memorial teve de esperar por um presidente de câmara gay para ser construido.
Por Daniel Oliveira 27 Mai 08 em LGBT


Mas estavam á espera de quê? Se ainda hoje em dia há países onde a homossexualidade é encarada como uma doença e uma maldição e que todos os que padecem desta maleita devem ser descriminidados ou ostracizados, não se podia estar á espera de melhor de um país como a Alemanha. Mas o que me dá entristece é saber que foi preciso esperar que elegessem um presidente de câmara gay para que construíssem um memorial ás vitímas dessa vergonha que foi a Soolução Final.
E lembrar as orgias nazis dos altos dignatarios com os rapazes das juventudes hitlerianas.
No Filme do Visconti, Os Malditos, um desses episodios é contado.
Mas outras altas figuras nazis eram declaradamente homossexuais, era a arraia miuda que era enviada para os campos, aliás como é habitual.
Pois… E o último filme do Pasolini, onde os machos pais de família burgueses, dignos cabeça de família das mais respeitadas entre as famílias tradicionais italianas do burgo, aparecem a ser enrabados?
Aliás, o Pasolini foi assassinado logo a seguir ter terminado o filme…
Caro Daniel Oliveira, apenas lhe faço um reparo, se mo permite: não foi pela perseguição nazi aos homossexuais que a homofobia se tornou mais condenável nem foi pelo esquecimento desse lado do Holocausto que a homofobia permaneceu na sociedade…
De resto, felicito o acto em questão pois lembrar todos os que foram perseguidos e tratados abaixo de animais é essencial para que não se repitam os mesmos erros. Mesmo que alguns líderes do mundo muçulmano pretendam negar o Holocausto, mesmo que em países liberais, como é a Inglaterra, se pretenda retirar o Holocausto das escolas…
Estás a confundir duas coisas distintas, caso contrário temos de concluir que a Alemanha permaneceu Nazi depois de Hitler ou que o Nazismo não era assim tão diferente da democracia que se implementou depois da guerra. A desconsideração da homossexualidade pode ser diversamente fundamentada. Depois (em relação a alguns comentários) não percebo o seguinte: a homossexualidade é aceitável, mas se for praticada por nazis ou burgueses deixa de o ser!? Afinal, parece que por detrás de tanta abertura e tolerância esconde-se sempre um moralista de pacotilha.
Cumprimentos
Agora já só falta aos outros todos: ciganos, comunistas, etc etc.
Pelo menos estão a construir a mais grupos massacrados, mas a “hierarquia cronológica” (entre outras) não deixa de falar por si.
Carla Luís, vai ser feito um memorial aos ciganos também em Berlim. Já foi aprovado.
Reduzir “Salò o le 120 giornate di Sodoma” baseado no livro do Marquês de Sade “Os Centro e Vinte Dias de Sodoma” a uma questão de homossexuais é absolutamente redutor.
O filme mostra em toda a sua crueza o que podia ser o fascismo que neste filme ao colocar numa situação abjecta pessoas sob a tirania absoluta de outras se aproxima perigosamente do que foi o comunismo.
O tom decadente em que a história do livro é transposta para esta Itália em dissolução só prova a mestria de Pasolini.
Tenho aliás quer o livro quer o filme.
Quem diria que o Fado é admirador de Pasolini!!? Ainda o vamos ver como militante do Bloco.
Não me surpreende que o Fado goste do Pasolini…
Não é tudo obra do Wowereit, o presidente gay.
Por exemplo, as placas que aparecem nesta fotografia não correspondem ao monumento agora inaugurado, mas a um outro, no edifício do metro na Nollendorfplatz.
O memorial estava planeado desde 1979, mas a empresa dos transportes públicos berlinenses fez todos os possíveis para atrasar a sua instalação. No fim, em 1989, os políticos daquela Autarquia conseguiram impor a afixação da placa.
O que nem estas placas nem o novo monumento dizem é que muitos sobreviventes dos campos de concentração foram presos de novo, após a guerra, porque a homossexulidade era um crime. A perseguição, que já vinha do século XVIII, e só teve uma breve interrupção no tempo da República de Weimar, continuou no tempo de Adenauer, e até mais tarde.
As pessoas que passaram por isso preferem manter-se em silêncio. Pelo que há uma situação jurídica caricata: pessoas que foram presas e têm cadastro criminal por algo que entretanto já não é considerado crime.
Pessoalmente, penso que é pena e é perigoso que os memoriais só lembrem a época nazi, como se isso fosse algo ultrapassado, “deles”.
Besugo e Bang Bang
Estão muito enganados.
Apreciei dois dos seus filmes.
O autor nunca o convidaria para jantar, nem para nada, em minha casa.
Provávelmente o mesmo se passaria convosco com a diferença que não têm obra nenhuma para mostrar.