Questionado sobre a possibilidade de pessoas do mesmo sexo se poderem casar, Santa Lopes respondeu que “vivemos numa sociedade livre que respeita a intimidade das relações de cada cidadão”, acrescentando: «O Estado, enquanto regulador da vida dos portugueses, não deve intervir nesse âmbito, de onde se conclui que não sou a favor da oficialização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo».
De onde concluo que não devendo o Estado intervir neste âmbito, o da intimidade das relações de cada cidadão, Santana Lopes também é contra o casamento entre pessoas de sexo diferente. Ou a intimidade dos heterossexuais é menos intima do que a dos homossexuais?
Uma boa notícia: Passos Coelho e Neto da Silva concordam com a existência de um contrato com os mesmos direitos e deveres do casamento para pessoas do mesmo sexo. Só não lhe querem chamar de casamento. Apesar de ser a mesmíssima coisa, parece que o nome já foi patenteado. Ainda assim, a direita portuguesa parece estar a evoluir.
Sobre este assunto, Patinha Antão quer que se lance um debate mas parece não quer participar nele e nada diz sobre o assunto. Manuela Ferreira Leite não fala, nem sobre este assunto nem sobre nenhum outro. É o estilo cavaquista: opiniões, só depois dos votos.
Publicado por Daniel Oliveira 16 de Maio de 2008 em LGBT, PSD

Só por curiosidade, o que é que o Daniel pensa sobre a poligamia? Se um homem amar duas mulheres e as duas mulheres amarem o homem, deverão poder casar-se os três?
E se proibimos pessoas do mesmo sexo de casar, devemos também proibir pessoas de raças diferentes de o fazer, The Studio? E se proibimos crianças de casar, devemos proibir também os velhos?
É que se é para comparar o incomparável podemos sempre continuar com o disparate.
Nada me repugna no que concerne à intimidade de cada um. O único critério regulador deveria ser o livre exercício da liberdade e da responsabilidade individuais. Se alguém ama mais do que uma pessoa (sim, é possível), essa relação não pode ser alvo de juízos morais. Excluo as relações poligâmicas de alguns países africanos, por exemplo, na medida em que são, na verdade, relações de poder e que expressam um domínio machista efectivo, em que as mulheres não têm direito de escolha. Mas quando uma relação poligâmica é livremente aceite e praticada, deverá ser tão legal quanto uma relação monogâmica, seja hetero seja homossexual.
Repare-se que até o Supremo Tribunal da Califórnia decretou que a proibição de casamentos homossexuais naquele estado norte-americano é ilegal, anulando-a, numa decisão tomada esta semana.
A proibição de casamentos entre pessoas do mesmo sexo tinha sido aprovada por votação, em 2000, com 61% dos votos.
Mesmo assim, o Supremo considerou que as uniões de facto não são um substituto suficiente do casamento, numa deliberação que contou com quatro votos favoráveis e três contra.
Não estou a ver o porquê do incomparável. Não tem tudo haver com a liberdade individual de cada um?
comparar o incomparável
Pois é exactamente esse o problema.
Se o senhor acha que o homem casar com um homem ou casar com uma mulher é igual, então deve achar todas as outras conjugações também iguais e normais.
Afinal não são todas orientações sexuais?
Um Estado que se orgulha de estar no caminho do desenvolvimento deveria ser coerente na condução de políticas sociais e económicas, mas parecemos marinheiros desnorteados a remar sempre contra a maré e a fazer de tudo para nos desviarmos do curso natural do dito desenvolvimento. De facto custa-me entender quer a posição de Portugal, quer a posição de todos os Estados que consideram Inconsideravel o casamento entre homossexuais. Quanto a Santana Lopes, que mais haveria a esperar? Ate a própria afirmação é incoerente: se “vivemos numa sociedade livre que respeita a intimidade das relações de cada cidadão” e ” O Estado, enquanto regulador da vida dos portugueses, não deve intervir nesse âmbito” Deveria ser de concluir que casa quem quer e com quem quer . Há conclusões infelizes que não deveriam ser proferidas por alguém que se candidata à liderança do maior partido da oposição…
Não percebo esta fixação do Sr. Oliveira com o PSD. Então o poder não é, supostamente da esquerda??? Se se juntarem PS, CDU (com as “coubinhas agrupadas”-Pseudo-Verdes) e BE têm maiorias absolutíssima para aprovarem a legislação. Porque não o fazem???
VOCÊ SABE QUE É UMA QUESTÃO DE CONTABILIDADE ELEITORAL, POIS SABENDO A ESQUERDA QUE PAÍS E OS SEUS TUTORES MORAIS NÃO ESTÃO CULTURALMENTE PREPARADOS PARA ESTA EVOLUÇÃO TEM RECEIO DAS CONSEQUÊNCIAS ELEITORAIS.
É POR ESTE PENSAR EGOÍSTA QUE A ESQUERDA, NO PODER, NÃO AVANÇA.
Deixem o pobre PSD em paz.
Por definição, casamento é uma união contratual entre 2 pessoas de sexo diferente. Logo, dois gays não se podem casar. Quando muito podem juntar-se e celebar um contrato que regule essa união. Casados nunca serão.
Aliás nem concordo, com os problemas que o país atravessa, que se perca tempo e energias a discutir esse tipo de problemas. Há questões muito mais prementes a resolver.
Era o que faltava termos o Estado e o Governo a perder tempo com mariquices, cenas aberrantes, e pós-modernismos.
Se se quiserem juntar , juntem façam os contratos que quiserem, ninguém tem nada com isso, mas casados nunca poderão ser.
Pois eu em relaçao ao casamento civil entre homossexuais nao tenho nada contra. O problema é mesmo o show-off em que fazem questao sempre que isso acontece, tal como o jet-set faz para aparecer nas Caras e nas Holas…
Ja agora…acho que a questao levantada por The Studio esta longe de ser disparatada.
Pessoalmente, considero que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo nada tem de mal, sobre a poligamia ja vou falar, como psicologo que sou, e lendo vastos artigos sobre homossexualidade, posso afirmar que nao se chegou a nenhuma conclusão sobre se a homossexualidade é um transtorno ou nao, mas seja como for, creio que as pessoas tem o direito a serem felizes e a mostrarem a sua individualidade afinal é esse o apanagio de uma sociedade “liberal”; quanto á poligamia…em varios estudos efectuados que nao vou estar a enunciar devido à dimensao dos mesmos, comprovou-se que os homens no geral sao poligamos por razões biologicas, tal como os cães e gatos, quanto mais ocasioes se proporcionarem para fertilizar uma femea entao melhor, mas mal estariamos se cedessemos aos instintos, é para isso que serve a racionalidade, a moral, os valores e sendo o casamento um compromisso que eu francamente acho ate meio em desuso (os companheiros podem viver juntos, ter filhos ter uma uniao d efacto) mas sem os beneficios fiscais do casorio, por isso instituir a poligamia e nao os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, é mais ridiculo do que permitir indiscriminadamente a entrada de imigrantes ilegais sem qualquer controlo, legaliza-los a todos e depois dar subsidios de desemprego a todos, ai as correntes da direita e a cegueira da esquerda…
Neste caso, como em tantos outros, PSD e PS seguem a mesma linha, que normalmente passa pelo medo de assumir posições que possam ser mais fracturantes. Para mim, não faz sentido que relações entre pessoas do mesmo sexo não sejam vistas com os mesmos olhos que outro tipo de relações e que tenham salvaguardados os mesmos direitos. Que não lhe chamem casamento, por mim tudo bem… mas isso não passa de um acessório e não percebo sequer porque é que a questão do nome é relevante. Com o mínimo de coragem política esta questão já estava resolvida, mas parece que essa coragem tem sido exclusiva do BE, verdade seja dita.
Quanto à frase de Santana Lopes. Só consigo adjectivá-la de contraditória; mas alguém ainda se surpreende, vindo de quem vem?
Agora é a poligamia, antes era pedofilia, no futuro será a extinção da espécie. A capacidade de raciocínio desta gente faz-me lembrar aqueles cromos que conseguem ver a face de Jesus Cristo numa torrada.
A questão do casamento, ou de um contrato jurídico entre duas pessoas do mesmo sexo de âmbito semelhante ao do casamento, tem realmente de ser considerada pelo legislador.
Aliás, é até preferível que se arranje uma figura jurídica ewspecial para os homossexuais, pois em caso de se aprovar o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo vão depois querer todos os direitos que o casamento confere, como a adopção de crianças. E esse é um direito que além de não poder ser dado a casais de homossexuais, os portugueses, muito bem, também nunca iriam permitir.
“mas mal estariamos se cedessemos aos instintos”
Em que ficamos?
Hoje tenho paciência.
1- “Se o senhor acha que o homem casar com um homem ou casar com uma mulher é igual, então deve achar todas as outras conjugações também iguais e normais.”
Porquê, Fado Alexandrino? Isso tem tanta lógica como eu dizer que se tu achas que um homem casar com uma mulher é normal, também devias achar normal um menino casar com uma menina.
2- Chico da Tasca, a definição de casamento é a que lhe quisermos dar. O casamento civil é um contrato estabelecido entre duas pessoas e reconhecido e protegido pelo estado. Antes não era permitido também entre pessoas de raças diferentes. A tua argumentação agora era também usada, do seguinte modo: “o casamento é por definição uma união contratual entre duas pessoas de raças diferentes”.
O facto do país atravessar problemas graves não significa que não tente resolver os outros problemas. Os cérebros costumam ter mais que um neurónio. E desculpa, mas se achas que o sofrimento causado a uma minoria privada dos direitos que assistem aos demais é coisa pouco importante, és uma pessoa muito insensível e muito pouco democrata.
3- Henrique Morais, os heterossexuais com visibilidade também fazem muito show off com os seus casamentos. Vê os casamentos dos reis… Até são passados em directo nas TVs… Com imensos convidados, festas sumptuosas, etc.
Por outro lado, há imensas pessoas heterossexuais que se casam sem ninguém dar por ela excepto os convidados. Com homossexuais seria igual se o casamento fosse permitido.
Embora ressalve que é normal que um grupo da população que tem sido reprimido seja mais espalhafatoso ao celebrar os seus direitos, durante uns tempos. É compreensível.
4- Sebastião Dias, há imensos homossexuais com filhos… Mesmo vivendo com pessoas do mesmo sexo e criando-os. E não vem daí nenhum mal ao mundo. Quanto aos portugueses não o permitirem… Qual quê? Se já o permitem. Não o permitem é às abertas, assumidamente.
No fundo, não existe nenhum movimento social significativo e que se conheça que reivindique a legalização do casamento poligâmico. E por isso, essa questão não existe. Não existem pessoas a quererem o casamento poligâmico. Mas existem pessoas do mesmo sexo a reinvindicarem o casamento como um direito. O que dá lugar às causas é a existência de pessoas que se batem por elas. Não a sua teorização abstracta.
Não vejo problema no casamento entre pessoas do mesmo sexo (ou em nenhum conceito sinónimo que se traduza nos mesmos direitos).
Exacto, como dizia Inês Pedrosa no Expresso da semana passada, em Portugal um pedófilo que tenha sido condenado por um crime de pedofilia ao fim de pouco anos volta a ter o seu cadastro limpo e volta a estar elegível para poder adoptar uma criança. Mas um casal homosexual com uma vida regular, organizada, estável nunca o poderá fazer. Tem o seu quê de trágico.
Caro /me (que hoje está com paciência),
No país em que alguns dizem que os homossexuais sofrem tanto por causa dos preconceitos contra eles, a coisa mais inteligente a fazer é condenar crianças inocentes (e sem poder de escolha) a ser alvo desses preconceitos horríveis.
Realmente a esquerda gosta de pôr e dispor a seu bel-prazer da vida dos mais fracos. Haverá egoismo maior?
Cara Arquiduquesa de Grayskull:
É de facto chocante. Que se tire aos pedófilos o direito de ficar com o seu cadastro limpo.
Voice Of The Opressed, haja aqui mais pessoas como você, profissionais da psicologia, para dar alguma seriedade à discussão.
Sebastião, o senhor lê os comentários que comenta? Haja paciência.
De resto, também acho que os brancos não deviam poder adoptar crianças negras. Com o preconceito que por aí não podemos deixar que elas sofram. Esse argumento é excelente, porque dá aos preconceituosos todo o poder sobre tudo. Com o seu preconceito fazem sofrer os outros. Como fazem sofrer os outros passa a ser o seu preconceito a lei, para que os outros não sofram.
daniel, que parte não percebeu, que eu terei todo o gosto em lhe explicar?
Sebastião,
vá ler o que escrevi e depois mande as patacoadas que quiser. De caminho não deturpe o que tiver lido.
Chocante é um “ex-pedófilo” estar em condições para adoptar uma criança, e um homosexual com provas dadas de estabilidade e organização a nível pessoal e financeiro não.
Sebastião, estou com paciência para escrever comentários, entenda-se.
O Daniel já respondeu por mim com o argumento principal. Eu posso ainda acrescentar mais algumas coisas. Porque não proibir casais heterossexuais homofóbicos de adoptar crianças que vão ser homossexuais? É que essas crianças vão sofrer muito às mãos desses senhores. E acredite que muitas crianças já são homossexuais desde pequeninas e nota-se. Outras não se nota, mas o seu sofrimento não é necessariamente menor. Dá-las a adoptar a pais homofóbicos é de uma crueldade atroz. Porque se aceita esse tipo de sofrimento?
Por outro lado, as crianças que vivem com homossexuais de que tenho ouvido falar não dizem sofrer o preconceito alheio. Claro que são alvo dele, mas geralmente já têm a maturidade suficiente para o repelir e a sabedoria para o saber calar (as crianças aprendem muito imitando, e é normal que os seus pais homossexuais, tendo chegado ao ponto de ter crianças, tenham maturidade emocional muito grande). E não sofrem as crianças preconceitos por terem sido educadas em lares e institutos, terem tido pouco acesso à cultura, serem pobres? Não serão esses preconceitos muito maiores?
Finalmente, aceitando o argumento dos homossexuais serem alvo de preconceitos, não era de fazer algo quanto a isso? Porque é que esses preconceitos e derivado sofrimento são tantas mas tantas vezes minorados? Mas se for para os filhos eventualmente a adoptar, já contam?
Finalmente, nota bem que eu não sou de esquerda. Sou de centro, tendo até se calhar para a direita.
Nunca poderá haver uma discussão séria sobre o casamento de homossexuais enquanto a generalidade das pessoas continuar a não distinguir homossexuais de pedófilos.Deviam informar-se e, se não gostam de ler, pelo menos observar a realidade.
Quanto ao casamento já faz tão pouco sentido(entre heterosexuais)que não entendo porque quererão os homossexuais casar.Uma união de facto, com todos os direitos inerentes, fiscais, sucessórios,etc, faz mais sentido.Lutar pelo direito da união de facto parece-me justíssimo, que o contrato se chame ou não casamento parece-me irrelevante.Com a agravante que vêm os conservadores lembrar a definição do contrato - casamento( união entre pessoas do mesmo sexo).Se o contrato existir qual a importância do nome? Também me parece reaccionário fazer questão do nome.
As crianças tem um estatuto especial por isso não entram na equação dos casamentos. Ponto final.
Agora se querem alterar a definição de casamento pelo menos façam-no em todos os sentidos, para todos os indivíduos maiores e no seu perfeito juízo.
Dizer que a poligamia não deve ser permitida porque é um instinto do homem é no mínimo absurdo.
Arquiduquesa de Grayskull, com certeza existe muita gente reprimida neste país por não poder praticar a poligamia. lol
Pelos vistos não são tão “modernaços” como querem fazer querer. Quando a coisa choca com o feminismo fica complicada
Vítor,
quando surgir socialmente um movimento a reinvindicar o direito ao casamento dos poligâmicos logo meditarei sobre isso. Como esse movimento não existe, acho perder tempo compará-lo a um movimento que já existe e que reinvindica o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Daniel e desculpa lá, quanto à Ferreira Leite, com todos os silêncios e coisas por dizer, consegue ter muito mais pensamento político que Passos Coelho ou José Sócrates. A recuperação da matriz social democrata, humanista, interclassista e social ainda vai dar algumas dores de cabeça ao PS…
Daniel, qual a sua opinião sobre a situação que agora se encontra em Inglaterra, onde duas irmãs, que vivem juntas há mais de quarenta anos, querem casar de forma a poderem usufruir dos mesmo direitos que um “casal” de lésbicas?
Nota: Elas querem ser um casal porque até pagam impostos!
O casamento entre familiares não é legal e isso tem razões morais profundas, apesar de discutíveis, como todas. A ideia de que se se nega uma limitação se têm de negar todas as outras é absurda. Neste caso, as irmãs não são em simultâneo namoradas, logo trata-se de discutir a mudança da natureza deste contrato, o que não acontece quando defendemos o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.
Não me repugna que o casamento passe a ser apenas um contrato que possa ser assinado por várias pessoas ou por familiares entre si. Um contrato de economia comum, sem nenhum envolvimento emocional. Isso sim (e não o casamento entre pessoas do mesmo sexo, onde o mesmo tipo de afectos continua presente) será, na prática, o fim do casamento. Não chorarei por ele. Mas, apesar de tudo, parece-me que é deslocado para o estado em se encontram as nossas sociedades. Não é o caso das relações homossexuais, que já são relevantes nas nossas sociedades.
Se repararem com atenção, ao mesmo tempo que se legalizam os casamentos homossexuais por uma crescente aceitação social da homossexualidade, a poligamia tende a ser ilegalizada nos países onde ainda é legal, por haver uma crescente censura social. E isto resulta de mutação na velha ideia de família: a de que um homem tem como propriedade a sua mulher e o sexo tem uma função meramente reprodutiva, sendo a reprodução e a maternidade uma das principais funções de um dos lados do casal.
A razão porque não se aceita a poligamia nas sociedades modernas não é tanto a negação da possibilidade de se ter vários parceiros - que hoje até é mais aceite do que no passado - mas pelo facto de a poligamia existir, na realidade, em apenas um sentido (um homem e várias mulheres) e resultar de um direito de propriedade do homem sobre a mulher.
Ao contrário do que muitos pensam, estas mudanças não correspondem a uma dissolução de valores. Correspondem à substituição de uns valores por outros. A aceitação da homossexualidade e a negação da poligamia resultam exactamente do mesma coisa: a valorização da liberdade individual. No caso da proibição da poligamia, a não aceitação de que alguém possa ser propriedade de outra pessoa.
Podemos ter opiniões diferentes sobre a homossexualidade, a poligamia ou qualquer outro assunto. Mas achar que a defesa do casamento homossexual leva à defesa da poligamia é, essa sim, uma posição moralista de quem acha que as duas coisas “são más” e por isso quem defende uma em princípio deve defender a outra.
Finalmente o Daniel lá apareceu com um texto que já se assemelha a uma tentativa de argumentar.
A questão das irmãs é a seguinte: Porque é que duas senhoras que vivem juntas mesmo que há pouco tempo que se declarem como lésbicas não pagam imposto sucessório, ao passo que duas irmãs que vivem juntas desde sempre têm que o pagar. Na realidade as duas irmãs não se querem casar, querem apenas usufriur dos benefícios que as lésbicas usufruem. Ver aqui:
http://politicaxix.blogs.sapo.pt/82050.html
“crescente aceitação social da homossexualidade”
Deveremos convluir que se está a avançar na direcção certa? A crescente aceitação da homossexualidade a que o Daniel se refere deve-se sobretudo à acção dos lobbies politicamente correctos que nos querem impor a homossexualidade como uma alternativa equiparada à heterossexualidade. Isso só por si não quer dizer nada. Já no mundo antigo tivemos sociedades onde a homossexualidade era bem vista e no mundo actual temos sociedades onde os homossexuais são enforcados. A homossexualidade está a ser mais bem aceite porque há uma campanha permanente nesse sentido. Se a campanha fosse em sentido contrário estariamos a assistir à situação inversa.
Logo, este argumento não tem grande significado.
Não estou a ver nenhuma crescente censura social à poligamia. No entanto tal não é muito relevante para o caso, até porque na nossa sociedade não existe poligamia, logo não há nada para censurar.
“a negação da poligamia resultam exactamente do mesma coisa: a valorização da liberdade individual. ”
Então vejamos: duas senhoras amam o mesmo homem, que também ama ambas. Desejam casar-se os três, mas… chega o Daniel Oliveira e afirma que a liberdade das senhoras para se casarem é contra a liberdade delas. Ou seja, elas são livres se não tiverem essa liberdade e não são livres se a tiverem.
Daniel, veja se compreende: Ter liberdade significa ter liberdade para fazer aquilo que nós desejamos, não ter liberdade para fazer aquilo que o Daniel deseja.
Arquiduquesa, não deturpei nada do que escreveu. Acho mal que um pedófilo passados uns anos fique com o cadastro limpo e possa adoptar crianças ao passo que um homossexual nunca pode. Eu acho que um pedófilo nunca deverá poder adoptar uma criança. Acho também que um homossexual também não deverá poder adoptar, óbviamente por razões diferentes - claro está que não confundo homossexualidade com pedófilia.
«Esse argumento é excelente, porque dá aos preconceituosos todo o poder sobre tudo. Com o seu preconceito fazem sofrer os outros. Como fazem sofrer os outros passa a ser o seu preconceito a lei, para que os outros não sofram».
Concorde ou não com ele, o argumento é válido.
A psicologia explica os preconceitos. Preconceitos toda a gente os tem, o Daniel não é excepção, tem preconceitos contra quem é de direita, tem preconceitos contra quem não é a favor do aborto, etc. O Daniel até gosta muito de agitar a bandeira de «eu até tenho grandes amigos de direita», da mesma forma que um racista diz que «até tem amigos pretos».
Vivemos num mundo carregado de preconceitos e, sobretudo, de pessoas que exteriorizam esses preconceitos. Bem ou mal as coisas são assim. Fazem-se guerras em nome de preconceitos. Uma criança não pode ser uma arma contra o preconceito, da mesma forma q
Arquiduquesa, não deturpei nada do que escreveu. Acho mal que um pedófilo passados uns anos fique com o cadastro limpo e possa adoptar crianças ao passo que um homossexual nunca pode. Eu acho que um pedófilo nunca deverá poder adoptar uma criança. Acho também que um homossexual também não deverá poder adoptar, óbviamente por razões diferentes - claro está que não confundo homossexualidade com pedófilia.
«Esse argumento é excelente, porque dá aos preconceituosos todo o poder sobre tudo. Com o seu preconceito fazem sofrer os outros. Como fazem sofrer os outros passa a ser o seu preconceito a lei, para que os outros não sofram».
Concorde ou não com ele, o argumento é válido.
A psicologia explica os preconceitos. Preconceitos toda a gente os tem, o Daniel não é excepção, tem preconceitos contra quem é de direita, tem preconceitos contra quem não é a favor do aborto, etc. O Daniel até gosta muito de agitar a bandeira de «eu até tenho grandes amigos de direita», da mesma forma que um racista diz que «até tem amigos pretos».
Vivemos num mundo carregado de preconceitos e, sobretudo, de pessoas que os exteriorizam. Bem ou mal as coisas são assim.
Os homossexuais têm direitos. Mas uma criança, que não tem idade para tomar decisões, tem também direitos. E eu não acho que os direitos e a vontade de um casal homossexual seja mais forte do que o de uma criança. Feliuzmente a esmagadora maioria das pessoas - eu diria 95% -pensa da mdesma maneira do que eu.
Daniel, quanto a eu ler ou não os posts e comentá-los, digo-lhe que não acho que o Daniel tenha o dom do humor e tão pouco o da ironia, daí ser difícil para si ver quando alguém está a ser irónico. Não se deixe tolher pelos preconceitos em relação a quem pensa diferente de si.
«Podemos ter opiniões diferentes sobre a homossexualidade, a poligamia ou qualquer outro assunto. Mas achar que a defesa do casamento homossexual leva à defesa da poligamia é, essa sim, uma posição moralista de quem acha que as duas coisas “são más” e por isso quem defende uma em princípio deve defender a outra»
Ainda não percebeu que não é disso que se trata.
Se, de acordo consigo, o casamento entre homossexuais deve ser permitido, uma vez que os homossexuais não devem ter menos direitos do que os outros, porque não aplicar a mesma lógica ao casamento poligâmico, se este fôr consensual entre cada uma das partes? Serão eles menos gente do que os homossexuais? Não são estes casamentos celebrados por pessoas que professam outras fés? Se houver um número relevante de pessoas a o exigir, então porque não?
Se as pessoas escolhem amar-se a três, a quatro, a cinco ou mais, quem é o Daniel para dizer o que está certo e o que está errado?
me 16 Mai 2008 às 16:56
O senhor leu mal o que eu escrevi, quem acha normal é o senhor Daniel Oliveira, logo a pergunta deve ser-lhe endereçada.
Eu não acho nada normal, acho até muito anormal, porventura até um bocadinho repugnante, um homem casar com outro.
Fado Alexandrino, eu li bem e percebi a quem foi endereçada a tua pergunta. Mas a mesma pergunta que fizeste continha uma retórica. Esta foi-te devolvida por mim noutra pergunta, que no meu entender é tão pouco lógica como a tua pergunta ao Daniel.
Alguns homofóbicos só terão cura se tiverem filhos homossexuais.Têm que pensar que todos os homossexuais são filhos de uma ligação heterossexual.No limite alguns homofóbicos são homossexuais que não conseguem assumir-se.
«Eu acho que um pedófilo nunca deverá poder adoptar uma criança. Acho também que um homossexual também não deverá poder adoptar, óbviamente por razões diferentes - claro está que não confundo homossexualidade com pedófilia.»
Sebastião, deixe ver se percebi bem: você é contra ambos os pais adoptivos aparecerem como tal, por serem homossexuais. Mas já não é contra apenas um deles aparecer como pai adoptivo legal (e com os direitos a isso inerentes)?
É muito simples: ou é só a favor da adopção por parte de casais heterossexuais e assim também contra a adopção por parte de pessoas solteiras, ou isso que argumenta é pura homofobia.
Ficamos pois esclarecidos Sebastião Dias quanto à tua opinião sobre a liberdade de orientação sexual: uma liberdade condicionada. Ao passo que eu acho que um homosexual (homem ou mulher), até prova em contrário, é um indivíduo digno de todos os direitos e deveres que um heterosexual (assim se define igualdade), tu (se é que te posso tratar por tu) achas que não. Sobretudo achas preferível que uma criança orfã continue institucionalizada se a opção passar por ser adoptada por um gay. Esclarecido. Como é óbvio um “ex-pedófilo” condenado nunca deverá ver o seu cadastro limpo e deverá ser sempre vigiado e nunca deverá readquirir o direito de adoptar.
O dicionário define polígamo como “indivíduo ou designativo de indivíduo que tem mais de um cônjuge ao mesmo tempo”. Nada refere quanto à natureza coerciva da poligamia, donde se conclui que ela poderá ser coerciva ou não. Quando neste post se aludiu ao direito do casamento poligâmico, pessoalmente, entendi que a questão se colocava ao nível teórico da liberdade individual de 3 pessoas quererem por mútuo acordo casar, e não ao nível da institucionalização da poligamia tribal e tradicional. A pergunta seria se quem defende a possibilidade de casamento, por mútuo acordo, entre duas pessoas do mesmo sexo, também seria a favor do casamento entre mais do que duas pessoas, por mútuo acordo, do mesmo sexo ou não. É uma pergunta meramente teórica e à qual o Daniel, no fundo, não responde. De facto, é uma pergunta que se compara mais ou menos a esta: dado existirem pessoas em número suficiente a defender o sistema de ensino para todas as crianças, suponhamos, dos 6 aos 12 anos de idade, deverão também os gambozinos da mesma faixa etária ter o direito de frequentar a escola? Ora, dado sabermos que gambozinos é coisa que não existe, esta é uma daquelas perguntas que serve essencialmente para descentrar o debate.
Só há casamento verdadeiro entre um um homem e uma mulher que assim constituem uma família, célula de base da sociedade e essencial à subsistência da espécie e à transmissão da identidade nacional. Por isso, o Estado deve regular o casamento (o verdadeiro), porque este têm uma relevância social importantíssima. É porque os valores familiares são atacados desde o miserável Maio 68 que a educação é hoje o que é, tal como a delinquência juvenil e o abuso de drogas…
Nada disso acontece com as ligações gay, pelo que estas devem ser irrelevantes para o Estado em tudo o que vá além da regulação por contratos de parceria (e não de casamento) de problemas sucessórios, de transmissão de arrendamento ou outros similares.
Não há nem deve haver “casamento gay” e são muitos os gays que duvidam que o macaquear constante de instituições sociais sérias como o casamento seja uma forma legítima e útil de defender a comunidade gay.
Enrabem-se à vontade mas não chateiem nem tentem desconstruir (ainda mais) as instituições base da sociedade. Porque senão vão provocar um backlash…
/me
17 Mai 2008 às 12:16
Muito obrigado.
É com prazer que vejo a chegada de especialistas em filosofia a este agradável recanto.
Voltei a ler-me.
Ora a questão posta ao dono do blogue era muito directa.
Se ele acha que os casamentos entre pessoas que adoptam uma conduta sexual diversa do habitual (apetecia-me dizer normal) baseada na libertação dos costumes qual seria o motivo para duvidar de que esta conduta deveria ser extensiva a outras manifestações sexuais, livremente aceitas, mas condenadas pela sociedade, como aliás a outra.
Não vejo onde é que esteja a dúvida que lhe assalta o espírito.
Já agora aproveito para lhe pedir que não me trate por “tu”.
Projecta uma proximidade que estraga a polémica.
Fado Alexandrino, desculpe o tratamento por tu. O senhor disse ao Daniel Oliveira:
1- “Se o senhor acha que o homem casar com um homem ou casar com uma mulher é igual, então deve achar todas as outras conjugações também iguais e normais.”
Agora esclarece:
2- “Se ele acha que os casamentos entre pessoas que adoptam uma conduta sexual diversa do habitual (apetecia-me dizer normal) baseada na libertação dos costumes qual seria o motivo para duvidar de que esta conduta deveria ser extensiva a outras manifestações sexuais, livremente aceitas, mas condenadas pela sociedade, como aliás a outra.”
Ora nos seus comentários coloca como corolário lógico que quem aceita a homossexualidade como normal terá também de aceitar também quaisquer outras “manifestações sexuais, livremente aceitas, mas condenadas pela sociedade”.
A sua inferência é inválida. Senão, seria extensível a quem no passado aceitou os casamentos interraciais quando estes eram socialmente rejeitados. Pela sua lógica, também estas pessoas seriam obrigatoriamente a favor de qualquer outro tipo de manifestação sexual.
Estava a ser irónico quando falou da chegada de especialistas em filosofia? É que não o sou.
Euroliberal, disseste:
“Enrabem-se à vontade mas não chateiem nem tentem desconstruir (ainda mais) as instituições base da sociedade. ”
1- vai ser ofensivo para outro lado. Gostavas que alguém te dissesse a ti e à tua mulher “fodam à vontade mas…”? Se o teu objectivo é reduzir as relações entre pessoas do mesmo sexo às relações sexuais é de uma injustiça impressionante e não tens direito de o fazer.
2- Quem quer aceder ao casamento não quer obviamente desconstruir instituições da sociedade. Quer aceder às mesmas. Claro que há homossexuais, bem como heterossexuais, que não acreditam no casamento ou não estão para aí virados. Mas há pessoas homossexuais que acreditam ser o casamento a forma desejada de viver a sua relação a dois. Em que é que isso prejudica o casamento de pessoas heterossexuais? Em que é que menoriza esse mesmo casamento?
Quanto à tua frase:
“Não há nem deve haver “casamento gay” e são muitos os gays que duvidam que o macaquear constante de instituições sociais sérias como o casamento seja uma forma legítima e útil de defender a comunidade gay. ”
1- macaquear é novamente ofensivo
2- os homossexuais fazem parte da mesma sociedade que tu. Vivem no mesmo mundo que tu. Não pretendem imitar mais uma instituição do que qualquer heterossexual o faz ao casar com uma pessoa do sexo oposto.
3- a tua falta de sensibilidade é impressionante. Então desde pequeninas muitas crianças, tanto heterossexuais como homossexuais são ensinadas que o casamento é o projecto ideal de vida. Depois de chegados a adultos, afinal esse projecto já não serve aos homossexuais.
A posta do Daniel retrata bem a mentalidade reinante em Portugal. Há um grupo de pessoas, os homossexuais, que estão privados de acederem ao casamento civil, só porque a ideia não agrada a muitos.
Acontece que há um detalhe nisto tudo: o casamento é um acto celebrado entre 2 pessoas adultas e que não diz respeito a mais ninguém se não a elas.
Dai não se perceber, porque é comentadores como o Chico da Tasca, Fado Alexandrino, Sebastião e Euroliberal, se incomodam tanto com uma coisa que não lhe diz respeito (escrevo isto porque presumo que sejm heterossexuais). Que diferença lhes faz se 2 homens ou 2 mulheres se casam? Em que é que isso interfere com as suas vidas?
Dos comentários que fizeram, depreendo 2 coisas: que querem impor os seus valores morais aos outros, proibindo-os de aceder ao casamento; e que são muito ignorantes em relação à homossexualidade.
Arquiduquesa, claro que acho que é uma liberdade condicionada no que toca à adopção de crianças, a não ser que, como vocês gostam de fazer, se condicione os direitos das crianças que, convém lembrar, são o elo mais fraco e nem idade têm para tomar uma decisão.
A questão da poligamia é pertinente a partir do momento em que se defende que todos, independentemente das suas opções sexuais, devem gozar de direitos iguais. Se para os homossexuais deverá ser permitido o casamento com base no pressuposto referido, porque não então institucionalizar-se a poligamia se existir um número relevante de pessoas que a pratique e que queira que se crie um casamento que formalize este seu relacionamento? E, já agora, porque não permitir também que um quinteto de poligamos adoptem também crianças?
Se a questão se centra apenas na igualdade de direitos e do principio de que se há liberdade de direitos todos temos direito ao mesmo… venha daí o admirável mundo novo.
«Dai não se perceber, porque é comentadores como o Chico da Tasca, Fado Alexandrino, Sebastião e Euroliberal, se incomodam tanto com uma coisa que não lhe diz respeito»
Não lhes diz respeito? Levy, você não pensa bem nos comentários que faz ou então não sabe o que é a democracia por ter sido congelado no tempo do salazar e descongelado agora.
Se você só tem ideias sobre o que lhe diz respeito directamente presumo que seja uma pessoa com muito pouco interesse. Vá ver «Os malucos do riso».
Senão, seria extensível a quem no passado aceitou os casamentos interraciais
O argumento não colhe.
Acontece que nesse caso era sempre (como os tempos mudam, infelizmente) a união entre um homem e uma mulher.
É aqui que bate o ponto.
Quem começa a aceitar uma anormalidade (é normal o que é percentualmente relevante) tem que passar a aceitar as outras anormalidades.
Ou há moralidade ou comem todos!
Fado Alexandrino, em Portugal ou por exemplo nos EUA as relações interraciais eram percentualmente irrelevantes, tão ou mais quanto as relações entre pessoas do mesmo sexo agora.
O que não colhe é o seu argumento: “Quem começa a aceitar uma anormalidade (é normal o que é percentualmente relevante) tem que passar a aceitar as outras anormalidade”. Porque certamente que não me vai dizer que não aceita que as pessoas cegas tenham plenos direitos (e estas são percentualmente “irrelevantes”). E se aceita, segundo a sua lógica, terá de aceitar as outrs situações percentualmente pouco relevantes, como a pedofilia.
Apesar de não ser de filosofia sei o suficiente de lógica para perceber que o senhor está a defender uma posição de forma cega e que os seus argumentos apenas servem para encobrir o seu preconceito.
O diálogo vai longo e por mim vai terminar aqui.
Já lhe expliquei que a minha posição é exactamente a contrária.
Eu não aceito nada daquilo que considero anormalidades no campo sexual.
Quem aceita uma é que deve aceitar as outras.
Por favor, como já disse noutro lugar, nunca use um argumento absurdo para contrariar outro.
Diminui a valor da sua argumentação aumentando a outra.
Essa de vir invocar os cegos só lembraria mesma a um que o seja, intelectualmente.
Sebastião, Sebastião.
“A questão da poligamia é pertinente a partir do momento em que se defende que todos, independentemente das suas opções sexuais, devem gozar de direitos iguais”.
A ver se percebe. Não se defende que todos independentemente das suas opções sexuais devem gozar de direitos iguais, pelo simples motivo de que existem opções sexuais que atentam contra a liberdade ou a vontade individual dos outros, ou contra a capacidade de discernimento dos outros. Defende-se a não discriminação em função da opção sexual que não subjugue ninguém e que aconteça de livre vontade. Não existe o “poligamic pride”. Não existe nenhuma forma urbana de poligamia que reinvindique o casamento.
Diga-me Sebastião, acha que os duendes, se existissem claro, deveriam ter o direito de professar a religião católica? E os ajudantes do Pai Natal? Acha que à semelhança dos trabalhadores deveriam ter direito aos descontos para a segurança social? Claro que coloco a pergunta ao nível do condicional. E se considerar irrelevante perder tempo a pensar nisso, eu compreendo.
De resto, o modo como cada indivíduo vê o casamento, depende do tipo da construção social que assistiu à sua formação. E por isso existe poligamia e poliandria noutras sociedades de cariz tribal, que tinham uma construção social antropologicamente diferente das sociedades ocidentais. Em última instância, o Sebastião defende acerrimamente a exclusidade do casamento para indivíduos do sexo oposto porque, por circunstâncias da vida, nasceu no seio de uma sociedade ocidental.
Se quer a minha opinião sobre a poligamia tribal, que não acontece nas sociedades ocidentalizadas, sou contra por princípio, porque normalmente menoriza a mulher (ou nos casos da poliandria o homem) tomando-o como uma propriedade ou como um elemento de configuração do próprio Poder.
Agora se não se importa vou almoçar ou o meu marido pede o divórcio.
O Fado Aexandrino
Como os (pre)conceitos do Fado Alexandrino não são percentualmente relevantes, logo na sua óptica ele será…….
“Acontece que há um detalhe nisto tudo: o casamento é um acto celebrado entre 2 pessoas adultas e que não diz respeito a mais ninguém se não a elas.”
O casamento é celebrado entre DUAS pessoas adultas de SEXO OPOSTO. E é isto que está em discussão, se se deve restringir a duas pessoas e se se deve restringir a pessoas de sexo oposto.
“Dai não se perceber, porque é comentadores como o Chico da Tasca, Fado Alexandrino, Sebastião e Euroliberal, se incomodam tanto com uma coisa que não lhe diz respeito (escrevo isto porque presumo que sejm heterossexuais). Que diferença lhes faz se 2 homens ou 2 mulheres se casam? Em que é que isso interfere com as suas vidas?”"
E consegue perceber porque é que comentadores como o Daniel Oliveira, a arquiduquesa, etç, etç se incomodam tanto com uma coisa que não lhes diz respeito (casamento poligâmico), ou em que é que isso interfere com a vida deles?
Sebastião Dias
18 Mai 2008 às 2:38
Directamente não diz. Não quis com isso dizer que não podiam comentar tal coisa, nem ter ideias sobre. Apenas me espantei com tanta resistência a uma coisa que não se aplica a si. Reacção das pessoas muitas vezes é mais violenta quando os assuntos mexem directamente com os seus interesses pessoais. Foi apenas essa distinção que quis fazer.
Em relação ao Salazar, não era nascido, por isso não sou nem congelado ne descongelado.
O meu interesse como pessoa, esse é que não lhe diz mesmo nenhum respeito. Nem a si, nem a conversa.
“O casamento é celebrado entre DUAS pessoas adultas de SEXO OPOSTO. E é isto que está em discussão, se se deve restringir a duas pessoas e se se deve restringir a pessoas de sexo oposto.”
É do sexo oposto, porque é assim em lei. E é disso que se esta a falar. Quem colocou o sexo oposto em lei, teria concerta em mente não o estender a pessoas do mesmo sexo. E é isso que não é aceitavel, porque quem fez tal coisa, não pode ser de forma nenhuma dono da vida dos outros, permitindo ou impedindo isto ou aquilo, apenas porque na sua moral, 2 homens ou 2 mulheres não podem viver juntos como casadas civilmente.
As pessoas que hoje argumentam contra os casamento gay, são parecidas com aquelas que no passado gritavam contra o casamento entre raças diferentes, contra o divorcio e contra o concurso miss portugal.
Estas 3 realidades hoje estão ai, e ninguém se maça com elas.
Fado Alexandrino, diz “nunca use um argumento absurdo para contrariar outro”. Pois uma das argumentações mais comuns na lógica é exactamente a redução ao absurdo. É pegar no raciocínio alheio, aplicá-lo a outros casos e ver que é absurdo. Conclui-se que o raciocínio está errado. Foi isso que fiz. Se não deseja que use a redução ao absurdo, não produza argumentos absurdos. Ou então fale sozinho, que aí ninguém o contraria.
É óbvio que a sua definição de anormalidade, contraposta a - cito - “é normal o que é percentualmente relevante”, vai sempre dar origem a que facilmente o contrariem.
Sinceramente acho que apenas se retira da discussão porque não tem pedalada para a aguentar e porque a sua posição de partida é indefensável.
The Studio
16 Maio 2:26
“Só por curiosidade, o que é que o Daniel pensa sobre a poligamia? Se um homem amar duas mulheres e as duas mulheres amarem o homem, deverão poder casar-se os três?”
The Studio
18 Maio 16:15
“E consegue perceber porque é que comentadores como o Daniel Oliveira, a arquiduquesa, etç, etç se incomodam tanto com uma coisa que não lhes diz respeito (casamento poligâmico), ou em que é que isso interfere com a vida deles?”
The Studio,
ou está a querer dizer que as perguntas que faz em forma de argumento são pura e simplesmente para ser ignoradas, ou esqueceu-se que foi o senhor que trouxe o tema “poligamia” como argumento a este debate. O tema incomoda-me na exacta medida em que o senhor o arremessou como argumento plausível contra a igualdade entre homosexuais e heterosexuais no que ao casamento diz respeito. O que, a meu ver, anda próximo de mandar os ingénuos ir caçar gambozinos.
E por que não legalizar o casamento de mulheres com cães ou cavalos ? Na internet há sítios onde se pode ver que há “casais” desses que se adoram… Será preconceito ? Ainda hei-de ver uma mulher de véu e grinalda acompanhar ao registo civil o seu pastor alemão ou o seu garanhão árabe.. com o beneplácito embevecido dos berloquistas “fracturantes”…
Euroliberal
18 Mai 2008 às 20:25
Em Israel uma mulher casou no civil com um golfinho. Parece que ninguém se incomodou com tal facto.
A história e a foto do casamento entre a mulher e o golfinho israelita aqui:
http://www.underwatertimes.com/news.php?article_id=81091306425
Euroliberal, e porque não se defendes casamentos entre homens e mulheres defender casamentos entre um homem e uma égua ou um boi e uma mulher?
Arquiduquesa, desculpe não ter ressalvado no post o que já tinha ressalvado atrás, «quando é consensual».
Sou a favor do casamento (ou da criação de um contrato de âmbito semelhante) entre dois homossexuais, só não sou a favor da adopção de crianças. Mas, como democrata que sou, neste e noutras questões fracturantes fazem-se referendos e tomam-se decisões com base nos seus resultados. aposto que quanto à questão da adopção o NÃO vai ganhar com 90%. Arruma-se assim de vez a questão pelo menos durante os próximos 10 anos. Democracia é isto.
“só não sou a favor da adopção de crianças”
E já agora, não nos quer dizer porque?
“fazem-se referendos e tomam-se decisões com base nos seus resultados. aposto que quanto à questão da adopção o NÃO vai ganhar com 90%. Arruma-se assim de vez a questão pelo menos durante os próximos 10 anos. Democracia é isto.”
Não é só isto a democracia. Está a ser demagogo. Sabe perfeitamente que 99,999% das decisões tomadas em Lei não são referendadas. E ainda bem, não faziamos outra coisa. O critério que parece usar para o uso do referendo, a chamada “questão fracturante”, é altamente subjectivo. Só é usado normalmente por quem lhe interessa e ja conhece de antemão o resultado. A questão da adopção de crianças, deve ser tratada por quem tem competência para tal e não pelo referendo.
Levy: se em iSSrael, não se importam com o islamocídio que dura há 60 anos, iam importar-se com golfinhos fodilhões ? Veja o meu comentário sobre iSSrael e o seu miserável regime nazi-sionista no post aí para baixo…
Levy, olhe, como o comentário está quase a desaparecer, ponho-o aqui. Sente-se bem, para não cair, e leia:
A entidade nazi-sionista (vulgo: iSSrael) é uma excrescência anacrónica que terá que ser removida a bem (mediante o desmantelamento unilateral do regime de APARTHEID e eleições com One Man, One Vote, o que levará ao poder a maioria muçulmana, no país ou exilada) ou pelo mesmo modo que se constituiu: PELA VIOLÊNCIA (mas agora dos oprimidos e desalojados).
Ningém duvide que esse miserável regime ditatorial, racista, fundamentalista, teocrático, apartheidesco, militarista e genocida será afogado em sangue se não se democratizar e aceitar eleições que dêem o poder à maioria; Em todos os cantos do Califado,os homens se preparam para isso, independentemente das traições de fantoches de serviço, que serão apeados a seu tempo. Há dezenas de milhões preparados para libertarem Jerusalém e os palestinianos dos terroristas nazi-sionistas. E isso será feito, INCH’ALLAH…
Por isso, defender iSSrael é defender o apartheid , a limpeza étnica, os massacres de seis décadas, o fundamentalismo judaico, a ditadura dos rabbis do pretenso “povo eleito”, é defender crimes de guerra e contra a humanidade, porque o sionismo é a priori isso mesmo, ao defender a limpeza étnica de um povo para aí instalar um outro sem qualquer legitimidade histórica ou legal para tanto..
É fazer de “polícia bom” do nazi-sionismo, para por outros meios atingir o mesmo resultadoque pretendem os “polícias maus”: impedir o aniquilamento inevitável da entidade satânica que ocupa a Palestina há 60 anos. Só há uma saída, a mesma da Africa do Sul: o desmantelamento do regime do apartheid e criação de uma Palestina democrática e multicultural para muçulmanos, cristãos e judeus não-sionistas. Para os judeus sionistas a forca e o sabre estão bem indicados…
Já expliquei mais atrás.
As questões extremamente fracturantes como esta devem de facto ser referendadas. Não pode ser aprovada uma lei como esta para a qual, aposto, mais de 90% das pessoas estão contra. Mas claro que partidos como o Bloco de Esquerda aprovariam uma lei desta natureza num ápice e sem consulta. Para partidos como este os referendos só servem para consultar as pessoas sobre questões que reunem um consenso alargado, como a adesão ao Tratado de Lisboa. Questões que reunem um consenso contra, como a adopção de crianças por parte de homossexuais, seriam aprovadas automáticamente, tivesse este partido ou você meios para tal. Sou eu que sou demagogo?
“Veja o meu comentário sobre iSSrael e o seu miserável regime nazi-sionista no post aí para baixo…”
Ja ca faltava a propaganda do costume. Fala-se em Israel e fica logo com diarreia… Pode ter a certeza que não perco 1 minuto do meu tempo a ler o que escreve sobre tal assunto.
Oh Euroliberal, a isto: “E por que não legalizar o casamento de mulheres com cães ou cavalos ?” responde-se que os cães e cavalos não têm personalidade jurídica e, por conseguinte, não podem celebrar contratos. Vai ter de pegar por outra ponta.
JH, os cãos e cavalos não têm personalidade jurídica mas têm personalidade sexual que satisfaz aparentemente algumas mulheres (e homens, Maigode!). E na lógica da argumentação berloquista, não será isso um preconceito, uma discriminação inaceitável que deveria ser superada numa sociedade moderna e prá-frentex ?
É que esse argumento legalista também vale para a impossibilidade de casamentos gays: o casamento é ontologica e legalmente reservado a contratantes de sexo diferente… Em que ficamos ?
Nazi-sionista “Levy”: não lês porque não tens contra-argumentos… és como a raposa: “estão verdes”…
Euroliberal, uma coisa que me agrada neste debate e a razão porque, apesar do tom sempre insultuoso e ordinário, publico sempre estes seus comentários, é para que toda a gente perceba que como no resto, o seu discurso sobre os muçulmanos, os judeus, israel ou Palestina, não tem nada a ver com o discurso da esquerda. Assim encarrega-se o senhor, sem ter de ser eu faze-lo, a definir a enorme distância que o separa da esquerda. Ainda bem.
Daniel, você tem razão. Embora goste de o ler quando ataca a politica colonialista dos sionistas, acho sempre insuficientes (do ponto de vista da justiça) as suas posições um pouco troca-tintas, fruto dos seus complexos de esquerda…
Assim, eu não comtemporizo com o sionismo (soft ou hard) porque este por definição é apartheidesco e defende a limpeza étnica de um povo para entregar a sua terra (Santa para três religiões) a uma seita religiosa ultraminoiritária e ultraracista. O SIONISMO É UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE e não há volta a dar-lhe. Defender o estado de iSSrael (um estado fundamentalista judeu que recusa direitos a cristãos e muçulmanos) é, mesmo em termos de esquerda tradicional, inaceitável e contra-natura.
Eu, que sou da direita liberal, não tolero racistas nem “povos eleitos” e seus regimes de apartheid. Esses regimes devem ser aniquilados tal como o regime nazi o foi. Ou forçados a desmantelarem-se como o regime sul-africano do apartheid. E com um Nuremberga no fim.
E depois que “estado palestiniano” é que você defende ? Uns bantustões sem exército, sem controlo de fronteiras, sem água, sem contiguidade terrritorial, uma reservas índias para subhomens em vias de extinção ? As fronteiras de 1967 (22% do território da Palestina) ? Mas aceitaria que nós portugueses fossemos acantonados pela força todos na província de Trás-os Montes, para dar lugarno resto do país a um “povo eleito” qualquer ? Não ? Então se você não o aceita para nós como o quer impor aos palestinianos ? Acha que são subhomens para o terem de aceitar ? Acha que eles não têm dignidade ou sô a têm a 22% ?
Ou é porque o Hamas, como toda a heróica resistência islâmica, é de direita e está a bater por todo o lado a miserável esquerda do socialismo árabe, um coio de ditadures corruptos, sanguinários, torcionários, fantoches e capitulacionistas ? Sim a libertação do mundo árabo-islâmico está a ser conduzida por islamistas de direita, não por secularistas corruptos e colaboracionistas de esquerda…e isso parece que dói muito…
Só a solução “um estado” é viável…
Pendant que la politique européenne continue à faire l’autruche face à la politique israélienne des faits accomplis, des hommes de bonne foi commencent à douter qu’un Etat Palestinien soit encore envisageable. Stéphane Hessel, ambassadeur et résistant déclare que « la solution des deux Etats est devenue caduque ». Régis Debray affirme : « Les bases physiques, économiques et humaines d’un Etat palestinien sont en voie de disparition ». Sans Etat Palestinien digne de ce nom, il ne restera que trois options : un Etat binational, démocratique et laïque, un Etat d’Apartheid - comme actuellement - ou le transfert des Palestiniens. A Israël et à la « communauté internationale » de choisir.
“Nazi-sionista “Levy”: não lês porque não tens contra-argumentos… és como a raposa: “estão verdes”…”
Sionista sim, Nazi nunca. Não leio e já não respondo, porque ja nos encontramos nos blogues há pelo menos 3 anos, e ja lhe disse tudo o que tinha a dizer, e também ja sei tudo o que pensa, porque diz invariavelmente o mesmo. E para além disso, nunca o insultei ou tratei mal. Já dai não se pode dizer o mesmo.
Fim de coversa, escusa de responder.
“JH, os cãos e cavalos não têm personalidade jurídica mas têm personalidade sexual que satisfaz aparentemente algumas mulheres (e homens, Maigode!)”
Defina “personalidade sexual”.
“E na lógica da argumentação berloquista, não será isso um preconceito, uma discriminação inaceitável que deveria ser superada numa sociedade moderna e prá-frentex ?”
Não sei, é? Sinceramente, estou-me nas tintas.
“É que esse argumento legalista também vale para a impossibilidade de casamentos gays: o casamento é ontologica e legalmente reservado a contratantes de sexo diferente… Em que ficamos ?”
Não é inteiramente correcto afirmar que utilizei um argumento legalista, uma vez que a construção que é a personalidade jurídica recorre a elementos exteriores à ordem jurídica para a sua definição. De igual modo poderia ter dito que os animais não podem celebrar contratos porque não são pessoas. E julgo não ter de explicar porque é que isto é assim, a bem da sanidade colectiva.
Por outro lado, também não me parece correcto afirmar que o casamento é ontologicamente reservado a contratantes de sexo diferente, pelo simples facto de que o “ser” do casamento, como o de qualquer outro contrato, é definido, em primeiro lugar, pelo seu uso. Logo, é perfeitamente possível que se o estenda a nubentes do mesmo sexo, bastando que para isso estes assim o queiram. O problema é que tal mudança, se não acompanhada do reconhecimento da ordem jurídica estatal, é deficiente. É esse reconhecimento que é exigível, nos dias de hoje. A manutenção da definição de casamento do 1577º do Código Civil não é mais que um anacronismo.
Levy: se é sionista, então é também necessariamente nazi-sionista, o que não é insulto mas qualificação rigorosa. Porque sionismo significa o direito de uma minoria (o “povo eleito”) religiosa, etnicamente não semita a 90%, de ocupar exclusivamente Sion (a Palestina, Terra Santa de 3 religiões) limpando-a étnicamente (por massacres, expulsões ou guetizações) dos seus habitantes de raiz que não pertençam ao “povo eleito” (isto é, os cristãos e muçulmanos, considerados subhomens ou Untermenschen sem direito ao espaço vital ou Lebensraum da “raça superior”).
Se isto não é nazismo, então…
Aliás é pior que nazismo, porque os nazis anexaram a Alsácia mas não roubaram ou expulsaram os alsacianos, apenas lhes impuseram a nacionalidade alemã, enquanto que os seus discípulos sionistas roubam a terra e expulsam os habitantes… fiz-me compreender ?
J.H.
“Personalidade” sexual: aptidão para copular humanos dos dois sexos. Espécie de “fodo, ergo sum”.
Quanto á personalidade jurídica resulta de convenções sociais recebidas pela ordem positiva. Durante milénios e até há menos de 200 anos a maior parte da humanidade era privada desse reconhecimento (escravos, prisioneiros de guerra…). Logo, numa perspectiva revolucionária que não tenha em conta o peso das tradições e a ordem espontânea da sociedade, e que pretenda fazer tábua rasa do passado e reescrever tudo de novo, é defensável que a privação de personalidade jurídica aos amantes (de quatro patas) de muitas senhoras prá-frentex, e a consequente impossibilidadec legal de contrairem casamento, é uma horrorosa discriminação a precisar de urgente intervenção legislativa… não ?
Estarei de acordo consigo no dia em que os homens emprenharem e puderem constituir uma família (base da sociedade) com outros homens. Ou quando as mulheres desenvolverem por mutação genética o seu clitóris de modo a transformá-lo em verdadeiro pénis fecundador.
Enquanto isso não acontecer, para mim casamento só há um, o heterossexual e mais nenhum…