Foto de Dias dos Reis
Durante anos o jardim da Praça das Flores quase não teve manutenção. Precisava urgentemente de obras. Não tendo a Câmara dinheiro (e está por fazer a verdadeira responsabilização dos sucessivos executivos), encontrou uma solução. Uma empresa que organiza o lançamento do novo modelo da Skoda queria usar aquela praça para ali fazer os jantares e festas diários para os três mil convidados do acontecimento (300 por dia), que inclui, além do acontecimento, um filme promocional em Lisboa. A Câmara autorizou. Recebeu 150 mil euros de taxas do ruído e utilização do espaço (preço tabelado) e exigiu ainda em troca obras profundas no jardim orçadas em 30 mil euros. A partir das 17 horas e até à meia-noite (e não todo o dia, como tenho lido em vários sítios) durante 15 dias os moradores estão privados daquele que é o principal espaço público deste bairro. Os comerciantes da praça foram compensados financeiramente e através da contratação de serviços. Os restantes foram esquecidos.
Apesar das opiniões se dividirem (há quem esteja satisfeito com arranjo do jardim, abandonado há anos por alguns dos que agora tentam ser porta-vozes do descontentamento) há contestação de muitos moradores e comerciantes (os que não estão na praça). Pela minha parte, não estou, como morador, nada satisfeito com a solução encontrada.
Ao contrário do que tem sido dito por alguma oposição (e a falsidade não é inocente e revela as prioridades nos alvos políticos), este acordo foi feito pelo vereador dos espaços públicos e vice-presidente da Câmara, Marcos Perestrello, e não pelo vereador dos espaços verdes, a quem coube apenas passar a autorização do ruído até às 22.30 (o jantar tem um concerto, péssimo por sinal) e decidir que obras tinha a empresa de fazer no jardim. Não que seja muito relevante (o vereador Sá Fernandes tem manifestado o seu apoio a este acordo), mas este esclarecimento talvez deixe claro que Helena Roseta e PCP não querem fazer oposição ao executivo, mas apenas a um dos vereadores, mesmo quando não é ele o responsável por uma decisão. Prioridades eleitorais.
Percebo que para o pelouro de Sá Fernandes a decisão seja positiva: tem a recuperação de um jardim a custo zero, mais as taxas do ruído (a outra não vai para o seu pelouro). Só que uma câmara não é um conjunto de pelouros e a decisão deve ser analisada no conjunto. Não concordo por isso com a posição de Sá Fernandes.
Como morador do bairro e utilizador diário da praça, envolvi-me pontualmente neste processo. Ouvindo os protestos de alguns comerciantes que lançaram um abaixo-assinado ajudei a organizar um encontro entre eles e o vereador Sá Fernandes (por ser aquele a quem consegui ter acesso mais rápido), para que este ouvisse os seus justos protestos. Houve algumas cedências, como a manutenção da abertura total aos moradores, a todas as horas, de um passeio fundamental para a circulação entre as duas partes do bairro.
Por ter tido este papel e achar que é o que devo fazer como morador (o de simples cidadão), por me ter irritado a oportuna e oportunista alteração de responsabilidades, que me levaram a duvidar da boa-fé de quem dava voz partidária à contestação (a dos moradores é outra coisa) e ouvindo o ex-presidente João Soares, com fortíssimas responsabilidades no estado calamitoso das finanças da Câmara (nem tudo começou com Santana), falar do assunto como se nunca tivesse estado na Câmara, fiquei em silêncio público. Mas não nos devemos mover pela irritação. Porque este, por via do meu apoio ao vereador Sá Fernandes, foi o executivo que elegi e porque vivo neste bairro, esclareço a minha posição.
1 - Não tenho uma posição de princípio contra o uso esporádico de espaços públicos para este tipo de eventos. Na verdade, todas as cidades o fazem. Se não o fizessem não haveria, por exemplo, filmes e anúncios com imagens de exterior. Falar de privatização do espaço público porque ele é a dada altura usado por privados não faz sentido. Todas as cidades e todos os executivos desta cidade já o fizeram. Falar, como já li, de um modelo neo-liberal é um absurdo. Isto é o que se faz há anos (decidido por aqueles que usam agora esta terminologia) com o Rock in Rio, o Paris Dakar (em que a Câmara cede espaço e ainda paga por cima), nas passagens de modelos que se faziam na Rua do Século (zona residencial) e por aí adiante. Nada de novo a não ser que quem achou bem uma coisa passou a achar mal. A questão não é por isso ideológica ou de princípio. O problema é como foi feito e a duração do aluguer.
2 - Tendo em conta a situação financeira da cidade compreendo a necessidade da Câmara trocar alugueres de espaço por compensações em serviços para a cidade. Tenho pena que o tenha de fazer para garantir o mínimo dos mínimos, como um arranjo de um jardim. Mas em relação a isso as responsabilidades são apenas de quem estourou o dinheiro que existia e que não existia em processos arquitectónicos que nunca deram em nada, em negócios ruinosos para a câmara que a fizeram perder rios de dinheiro (como os com a Bragaparques) e em desvarios vários que pagaremos por muitos bons anos. Os mesmos que se opuseram a um pedido de empréstimo, numa demonstração de irresponsabilidade e cinismo sem limites.
3- Se a Câmara puder fazer o seu trabalho sem gastar o nosso dinheiro isso é excelente. Se puder cortar despesas sem reduzir pessoal e sem reduzir os serviços que presta aos munícipes, melhor. E o turismo empresarial é, como se sabe, uma importante actividade económica da cidade (que será abalada pela saída do aeroporto). Três mil convidados estrangeiros que ficam a conhecer a cidade e acontecimentos internacionais sem investimento são bons para Lisboa.
4 - Dito tudo isto, considero um enorme exagero o aluguer de um espaço público numa zona residencial por 15 dias, mesmo que apenas a partir das 17 horas, sobretudo no começo do Verão e durante as festas da cidade, quando as pessoas começam a usar o espaço público até mais tarde. Uma coisa é alugar por uns dias um espaço destes, outra é privar toda a população do seu principal espaço ao ar livre durante meio mês (se acrescentarmos os dias de montagem e desmontagem mais ainda). Ainda mais para uma festa privada guardada por seguranças, o que não deixa de ser aviltante para quem a fica a ver de fora. O espectáculo de uma praça cercada por grades altas, tornando-a numa espécie de espaço isolado, é degradante. Se uma empresa quer usar um espaço público não o trata como se fosse uma sala privada.
5 - As compensações são evidentemente reduzidas. Irrisórias para as despesas gerais do acontecimento e para a dimensão da empresa que o organiza. A Câmara negociou muito mal, mesmo que cumprindo a tabela. Se pôde negociar o arranjo do jardim, podia ter conseguido muito mais.
6 - A população tinha de ser auscultada antes da decisão para que grande parte dos problemas não tivessem surgido. E o contacto com a população e comerciantes tinha de ser feito pela câmara e juntas e não por qualquer empresa privada que, diga-se de passagem, foi leviana e imensamente arrogante com os moradores, como seria de esperar. Foi nos vereadores que votámos, não podem delegar este tipo de funções.
7 - Este tipo de operações têm um limite: o do respeito pelos moradores. Não sendo por princípio contra elas, desde que sejam excepcionais e com excelentes compensações, acho que esse limite foi largamente ultrapassado e que faltou à Câmara o cuidado de envolver a população. É falso que os moradores estejam impedidos de aceder às suas residências. Nem vejo como isso seria possível. Mas tenho ouvido relatos de incidentes com os seguranças do acontecimento, Não é admissível que ninguém que viva na praça tenha de se identificar a um segurança privado para ir para sua casa. Não faltava mais nada.
8 - Como morador, não reconheço a quem esbanjou dinheiro e deixou o cofre vazio e a quem abandonou esta praça durante anos (o executivo anterior até despediu o jardineiro que tratava dela) autoridade moral para ser meu porta-voz. Dou aos moradores e comerciantes, vítimas deste processo mal conduzido e ignorados pela Câmara e pelas duas juntas de freguesia, todo a legitimidade para protestar. Representam-me. O poder local, sendo um poder de proximidade, não tem desculpa para este tipo de autismo. Devia e tinha de ouvir as populações.
9 - Fazendo esta crítica a Sá Fernandes, que esteve mal no apoio a esta decisão, que pressinto que criticaria se a visse de fora, na oposição, reconheço-lhe o gesto de ter arcado com as responsabilidades junto dos comerciantes quando lhe foi solicitado e a hombridade de assumir solidariamente com o executivo a defesa de uma decisão que não foi primeiramente sua. Lamento que Marcos Perestrello tenha ficado confortavelmente calado sobre o acordo que assinou, escondendo-se atrás doutro vereador enquanto este era esfolado em praça pública. Mas não me espanto. Sá Fernandes errou, e não foi pouco, mas tem bom carácter e coragem. É por isso que gosto pessoalmente dele, mesmo quando dele discordo. Pena que estas sejam características que faltem a outros. Sei que esses chegarão longe.
E disse o que tinha a dizer sobre este assunto. O resto continuarei a dizer aqui no meu bairro.
Por Daniel Oliveira 6 Jun 08 em Lisboa60 respostas ao post “Praça das Flores (actualizado)”
- 1 Pingback on 7 Jun 2008 às 0:56




Second Half: Daniel disse:”vereador Marques Prestrelo” Agora disse, Marques Perestrello, já está quase. A próxima já dirá, tenho a certeza: Marcos Perestrello. Força!
PS: Nota-se muito que estou de baixa?
Caro Daniel, sou morador da zona há quase 40 anos (vim para aqui em Janeiro de 1969).
Num comentário a outro post, já disse algo do que penso sobre o que está a acontecer na Praça das Flores.
Gostaria apenas de acrescentar que, tendo-me dado ao cuidado de ir à praça ontem à noite, fiquei profundamente indignado com o que vi.
Do lado de fora das grades que nos impedem a entrada no jardim (com o concurso de dezenas de seguranças e polícias…), partilhei com outros moradores a revolta pelo desprezo que a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia nos dedicam, como se não fosse nosso direito fruir daquilo que pagamos com os nossos impostos.
O sr. Perestrelo, ou lá quem foi, cometeu um crime de abuso de poder ao escorraçar-nos da Praça das Flores, em troca dos interesses de uma marca de automóveis. Deve ser responsabilizado por isso.
Francisco, se leu o meu texto verá que não temos uma opinião diferente.
A ver se percebo:
Um vereador é responsável pelo seu pelouro e ponto final, não tendo quaisquer outras responsabilidades pelo que a câmara realiza - bem ou mal?
É mais ou menos como se o ministro das finanças fosse o responsável pelas finanças e não tivesse nada a ver, por exemplo, com os colegas do trabalho e da economia?
Claro que li o seu texto e concordo. Nem precisava de o dizer, acho eu.
A minha única intenção foi reiterar o que já tinha dito noutro comentário, aliás a despropósito (era diverso o tema do post).
Vale!
Mas isso não foi uma cedência ao grande capital, seja lá da responsabilidade do Marcos Perestrelo ou do José Sá Fernandes?
E baratinho ainda por cima. Se o jardim precisa de arranjos compete ao Estado arranjá-lo, se o Estado tem que estar em todo o lado, aqui também deve estar, nem percebo como é que o José Sá Fernandes não raciocina assim e nem se opôs a isto. Mas para quem também pretende arranjar uns trocos com os tais eventos eólicos em Lisboa, começo a desconfiar que o José Sá Fernandes em termos do papel do Estado e do grande capital anda a deixar muito a desejar.
O Daniel tem razão e como morador ainda muito mais. Isto foi uma cedência total ao grande capital e uma invasão do espaço público/privado dos moradores.
O Daniel não se abespinhe, mas está agora a ver como aquela invasão dos verdeeufêmios para fazer aquela festa rave no campo de milho transgénico foi uma acção que não respeitou quem lá morava ou era proprietário?
Não há nada como as coisas acontecerem à nossa porta para logo termos uma visão mais justa da situação.
Caro Daniel,
Um mail tão longo para justificar coisa nenhuma.
A Skoda comprou a utilização da praça e quem manda na CML (não importa se é o Marcos, Marques ou o Zé) não se importou com os munícipes que os elegeram.
Muito bem Daniel.O verdadeiro serviço público é no arrastão.
O Jardim S. Pedro de Alcântara esteve fechado 3 anos e ninguem se chateou muito.
Agora a Praça das Flores está fechada 2 semanas e ficam logo indignadoa?
E os gajos ainda vão arranjar a praça!
Se a praça fosse para obras e o empreiteiro se lembrasse de só concluir as obras após o pagamento lá se ficava sem praça durante uns anos.
Ainda se os 150 000 E fosse canalizados para o bairro! Mas 15 dias é muito tempo.Mas são importantes estes eventos promocionais para a cidade. Julgo que se deveria acertar as coisas com os moradores que são quem sofre com a coisa.Eu sei bem o que isso é,pois ouço aqui com fragor, o Rock in Olaias!
Daniel Oliveira
Primeiro, estou solidário com os moradores descontentes.
Segundo, não conhecendo os contornos políticos nem do funcionamento da CML (onde não moro), nem deste “negócio”… por aí, nem entro.
Terceiro, o aluguer de um espaço público para uma ou duas cenas de um filme ou de um spot publicitário é de facto normal. Fazê-lo por 15 dias é um abuso!
Agora o que eu quero realmente dizer, depois do susto que apanhei com a imagem deste post, é que por amor da santa, não inicie uma série de fotografias sobre “A passagem do tempo por um banco do Jardim das Flores”.
Mais um, não!
Isto faz-me lembrar o phoenix park em Dublin quando este era apenas usado pelos ingleses, sendo portanto vedado aos irlandocas no periodo colonial.
Deixem de deitar as culpas aos outros, quem se candidata ao cargo e assume as responsabilidades não pode continuar com a guterrização do não poder (saber) fazer. Este Sá Fernandes que eu acredito que seja boa gente não passa de uma barata tonta que tenta resolver tudo com esperteza saloia.
Ó Daniel Oliveira estão a tirar-lhe um espaço vital e não faz nada? Porque que não contesta em tribunal?
Afinal para que paga impostos? suspendeu-se (e bem) um tunel que custou milhões a todos nós e agora vê-se privado por trocos? Olhe que o ordenado dos 12 assessores do Sá Fernades bem que davam para a manutenção da praça!
Se eu votasse em Lisboa sem dúvida nenhuma que
o meu voto ia para a Helena Roseta, vi como fez e
bem o lobbying dos arquitectos enquanto bastonária, sabe o que faz e tem bom senso.
Eu escrevo: «Só que uma câmara não é um conjunto de pelouros e a decisão deve ser analisada no conjunto. Não concordo por isso com a posição de Sá Fernandes.»
Resposta rms: «A ver se percebo: Um vereador é responsável pelo seu pelouro e ponto final, não tendo quaisquer outras responsabilidades pelo que a câmara realiza - bem ou mal?»
Rui Lisboa diz que eu tento justificar quando o que eu faço é criticar.
Às vezes pergunto-me se vale a pena escrever num blogue quando as pessoas que comentam os textos não os lêem o contrário do que lá está escrito com todas as letras.
Samuel e Luis Moreira, estamos de acordo.
Aonde é a praça das flores?
daniel, os habitantes dos bairros de chelas que estão junto ao rock in rio ficam sem parque durante bem mais que 15 dias. eles bem se queixam a quem os oiça. mas ninguém repara — e o rock in rio é um acontecimento tão privado como esse da praça das flores, a única diferença é que se podem comprar bilhetes — e que os habitantes de chelas não têm grandes meios de protesto.
é claro que o que descreves me parece abusivo (embora não esteja certa de que tenha sido mal negociado: 150 mil + 6 mil = 156 mil, o que dá mais de 10 mil euros/dia, fora as tais taxas que não sei a quanto orçam, por um jardim que não é exactamente enorme) — mas tb acho abusivo, por exemplo, que se alugue o castelo de são jorge para fins de semana de festivais que não deixam toda a gente da zona dormir até às não sei quantas da manhã (e nunca ninguém me perguntou se gostava ou recebi um papelinho da junta ou da câmara a avisar).
como acho abusivo que os habitantes do bairro alto — já fui uma deles — passem éne noites por semana de tampões nos ouvidos porque os frequentadores dos bares gostam de gritar na rua.
vê lá que até me enervam as festas da cidade, que me impedem de chegar a casa de táxi, me enchem a rua de lixo e malta aos gritos. costumo ir passar esses dias noutro sítio, se puder.
isto tudo para dizer o quê? que abusos como o que descreves há inúmeros (como aliás reconheces), sendo que não estou bem certa de que esse seja o pior. a grande diferença é que pode ser directamente assacado à câmara. e que tu vives ao lado.
Fernanda, e foi por isso mesmo que fiquei publicamente calado durante tanto tempo e me centrei no que podia fazer como morador, aqui mesmo. Mas sendo assunto debate político achei que devia dizer qual é a minha posição.
caro daniel utilizador que também sou da praça das flores não considero que a praça das flores estivesse mal.mas o seu texto é equilibrado e imparcial e não tenho grande coisa a opor
Daniel Oliveira, começo por dizer que a zona que vai do Principe Real á Praça das Flores a partir de certa hora não é muito recomendável, não sou eu que o digo, são os velhotes das Mercês, que falam em droga, prostituição masculina, bebedeiras arruaças em alguns PUB, etc etc etc.
Por isso o alarido pelo barulho, e pelo impedimento de frequentar o local, parece um pouco sem sentido, a certas horas pouca gente vai á Praça das Flores, e barulho a começar no Finalmente ,e a acabar no restaurante das sevilhanas é coisa que não falta.
Por isso tenho dificuldade em entender toda esta polemica.
O DN de amanhã sabado já titula num artigo, Praça das Flores divorcia Sá Fernandes do BE, desconhecia totalmente que o Bloco se tenha divorciado do Sá Fernandes, mas o DN escreve-o com todas as letras.
Depois um tal José Neves , deve ser pessoa importante, diz-se do Bloco, e votante do Sá Fernandes, conseguiu a proeza de enviar um mail , que foi publicado em pelo menos VINTE blogues, com os do PCP á cabeça ( Lisboa Lisboa, Tempo das Cerejas, etc, mas tambem no Cinco Dias, Spectrum,) , o que demonstra claramente campanha organizada.
E tudo isto porquê….
Porque a Praça das Flores foi utilizada para o lançamento de um carro, nos ultimos 20 anos, Praças monumentos nacionais, foram utilizados para campanhas sem ter havido nenhum protesto.
Porque existe policiamento e segurança privada, mas não é isso que há muito os moradores das Mercês exigem para aquela zona?
Porque alguns comerciantes, são tão poucos na Praça das Flores, se queixam que o negocio saiu prejudicado, eu pergunto porquê, se como se sabe este evento trouxe muito mais gente á Praça.
Até o farmaceu tico já se queixou de que certos clientes deixaram de lá ir, deve estar a brincar, eles não vão lá certamente a certas horas , por causa do problema da droga que começa a ser um flagelo na zona, e da prostituição masculina que existe na zona, e não por causa da festa.
A ultima que ouvi é que impediam pessoas de irem para as suas casas, desconhecia , a não ser algum sem abrigo, que alguem morasse no jardim da Praça das Flores.
Mas nisto tudo é claro uma coisa, o vereador Sá Fernandes, não tem poderes para autorizar a utilização de espaços publicos, isso é da responsabilidade de Marcos Perestrelo vereador do PS, que em todo este imbroglio, raramente é citado.
Por isso Daniel Oliveira, eu em campanhas organizadas contra o Sá Fernandes não alinho, não lhe dou cheques em branco, mas neste caso tudo isto me parece , como se dizia noutro tempo mãozinha da reacção, só que esta tem um nome , PSD-PCP, e eu não farei coro com esta gente, pelo menos neste caso.
E já agora onde para em todo este processo o Presidente da Junta de Freguesia das Mercês eleito pelo PS?
Se o jardim precisa de arranjos compete ao Estado arranjá-lo
O seu erro é muito comum num país onde se julga que é o Estado que tudo deve fazer e que tudo deve pagar.
O confundir o poder de uma câmara com o poder de um governo e o deste com o poder de Estado ainda é mais comum.
Apoio as críticas e lamentos de quem lá vive e só lamento viver modestamente num subúrbio.
Querem queixar-se, vão ao Sheraton Hotel (onde mora) ou a Matosinhos (onde vive) o chefe de gabinete do senhor presidente.
Nada a fazer com este Corvo, está visto.
É mesmo um caso perdido.
Não vive na zona nem entendeu nada do que se tem escrito sobre o assunto, mas permite-se vir para aqui com um lençol de opiniões desconchavadas.
Por mim, passei. O Corvo que vá bugiar!
“A Praça das Flores, em Lisboa, permanecerá aberta aos munícipes a partir de quarta-feira, dia em que arranca naquele local um evento internacional de apresentação de um novo automóvel que se prolonga até 20 de Junho. A garantia é do vereador dos Espaços Verdes da autarquia, José Sá Fernandes, que qualifica de “infundados” os receios dos comerciantes locais de não poderem laborar durante os 17 dias em que a praça será ocupada pela marca Skoda.”
In Público (2/6/2008)
Caro Daniel,
O Vereador que vc apoiou, e que tenta subtilmente defender neste seu post, não só fez parte de uma decisão profundamente errada e ofensiva para os Lisboetas, como também mentiu com algum descaramento - mesmo ontem à noite fui recusado a entrada na praça, cortando o meu habitual caminho para casa, por um segurança privado que tinha na mão uma lista de convidados e moradores. De facto, a praça não está aberta a munícipes a partir de uma certa hora.
Percebo o seu conflito de interesses neste caso: entre se sentir um morador enganado e humilhado e um “spin doctor” clubista que tenta com alguma dificuldade justificar a decisão patética de quem vendeu temporariamente espaço público por três vinténs. Subtilmente, claro. Começa por apresentar as vantagens do negócio, como se tudo tivesse um preço, desde que compense e alivie o erário público. O ultraje que a situação justifica e as palavras fortes e claras a que o Daniel nos habituou, tornaram-se num murmúrio embaraçado a olhar para os sapatos - “não estou, como morador, nada satisfeito com a solução encontrada.” Repare: como morador. Como Lisboeta, como Europeu, como votante no Bloco de Esquerda, como … ainda vá que não vá. Aliás um dos problemas é que o Sá Fernandes negociou mal! Poderemos concluir que se tivessem sacado à Skoda umas massas valentes, o Daniel apaziguaria a malta aí do bairro e até estaria disposto a perdoar que não tivessem sido consultados na decisão tomada?
Não espanta que um “bétinho” dos subúrbios e que anda para todo o lado em Lisboa de “chauffer”, tome esta decisão. Imagino que o incomode que seja com a cumplicidade, ajuda e acordo de um vereador que vc apoiou. Aliás, o vereador que aparece na imprensa a defender a decisão e a explicar aos Lisboetas que a praça “não vai ser vedada” In Público (2/6/2008).
É tb interessante reparar que este tipo de evento se faz em Portugal (tal como o Paris-Dakar) porque deixaram de ser aceites no resto da Europa. Quem sabe se a solução não é pôr o Daniel a negociar com empresas de forma a ir resolvendo o problema da dívida da CML alugando partes da cidade. Imagino que a Absolut gostaria de fazer uma loja para VIPs no Terreiro do Paço. Quem sabe se a McDonalds não estará interessada no Rossio? Mas estejam os Lisboetas descansados, sem problemas de principio, o Daniel saberia sacar uma data de dinheiro. e nem sequer precisaria de contratar um “spin-doctor” para explicar aos Lisboetas a brilhante manobra - quem não age como pensa, acaba por pensar como age.
Desde que o fizesse com coragem, bom carácter e respeite os moradores estaria perdoado.
Já agora repare na ironia, um evento numa zona histórica a um automóvel apoiado pelo vereador do Ambiente que dia sim-dia-não afirma que é necessário diminuir os automóveis na cidade. Ai o vil metal e a sociedade de consumo que compra convicções e contamina os princípios de quem quer defender o “seu” vereador. É chato ser pobre.
João Antunes
João Antunes, eu não tento subtilmente defender ninguém. Critico a decisão de forma clara. É a minha posição, apenas isso. Nem mais nem menos dura. Não me viu ter palavras duras contra outros exemplos em que isto foi feito, alguns dados aqui pela Fernanda Câncio.
E reponho a verdade distorcida por alguns por razões que nada têm a ver com os moradores ou com a Praça das Flores e que o senhor repete aqui: «Aliás um dos problemas é que o Sá Fernandes negociou mal!» Seria o mínimo de honestidade que não repetisse uma mentira depois de ler este texto. Quem negociou não foi Sá Fernandes. E pela insistência cheira-me que não está de boa-fé nesta discussão e soa mal cheirar mentiroso aos outros.
Estes eventos não deixaram nada de ser feitos noutros países europeus.
O que fiz foi um texto que espelha a minha opinião sobre o assunto (não tenho uma posição de princípio contra este tipo de coisas e na realidade, olhando para o passado, nenhuma força política da cidade tem) e é rigoroso nos factos. E é extraordinário que me venha aqui criticar por isso, já que não põe em causa o rigor das informações que aqui dou. E que transforme a minha crítica a estes acontecimentos num apoio, apenas porque sou rigoroso nos factos.
Esta questão acaba por lançar debates importantes sobre a cidade: Ocupação do Espaço publico, publicidade, concessões a privados etc.
Por outro lado esses debates têm de nos convocar para outros: A nossa praça das flores, os nossos jardins e os nossos bairros precisam de investimento público para serem mantidos. Que tipo de receitas a câmara deve lançar mão se prescindir de determinadas taxas e operações? Mais IMI? Mais Imposto sobre veículos? Portagens à entrada da cidade?
Mas o que eu queria sublinhar era: Este episódio tomou as proporções que tomou por mero aproveitamento político.
Claro que a praça das flores não é um sítio qualquer em termos de composição social. Essa é uma grande diferença quando comparamos com o Rock in Rio. O Autor deste blog e o autor do mail que anda a circular e que “o Corvo” referiu não moram na Belavista e isso também conta.
Mas a principal questão foi que o Sá Fernandes – por erro político – se quis associar à reabilitação da praça das flores, colando-se à iniciativa e chamando a atenção de todos os seus inimigos de estimação para a tenebrosa privatização do espaço publico que se estava ali a operar durante 17 dias.
O Daniel Oliveira chama muito bem a atenção: Quem licencia o espaço público é o vereador do espaço público e não o do Ambiente e espaços verdes. Porquê que isso nunca é referido? Não é “sacudir água do capote”. É uma simples constatação que ilustra exemplarmente a tese de que isto é sobretudo campanha antí-Sá Fernandes.
(Vejam lá a minha primeira entrada no google com “Sá Fernandes Praça das Flores”: http://instantefatal.blogspot.com/2008/06/s-fernandes-prostitui-praa-das-flores.html )
Porquê que em situações identicas - lançamento do novo fiat 500 em portugal na praça camões - só 2 dias é certo - não se fêz nenhum alarido? Que eu tenha reparado, fui o único a escrever um post sobre isso no blog «Gente de Lisboa»…
Não digo que se a coisa não tivesse aparecido colada ao Sá Fernandes que não haveria protestos. Haveria certamente. Recebemos dezenas de relamações de moradores do bairro alto por causa do fiat. Não aparecia era em jornais, televisões, artigos de opinião, etc. Não mobilizava tantos rancores.
É assim que está a política hoje em dia: Uma Skoda.
Repare como Eduardo Pitta trata o assunto:
«A Praça das Flores, em Lisboa, vai ficar interdita a peões durante dezassete dias. Porquê? Porque o vereador José Sá Fernandes, responsável pelo pelouro dos espaços verdes, cedeu a praça à Skoda. Segundo Helena Roseta, «as restrições ao nível da liberdade de circulação no espaço público, um direito constitucional, só podem ser justificadas por motivos de ordem pública e de segurança, o que não é o caso». Esta campanha promocional da Skoda não foi autorizada pela Câmara, apoiando-se a sua realização num «despacho individual do vereador Sá Fernandes». O movimento Cidadãos por Lisboa vai exigir à autarquia que averigue a legalidade da decisão, enquanto Pedro Soares, coordenador autárquico do Bloco de Esquerda, rompeu com Sá Fernandes. É de facto inacreditável que os moradores da zona (e são muitos) sofram, durante quase três semanas, sérias restrições de circulação e acesso a suas casas. Era para isto que ele fazia falta? Os estrénuos defensores de marchas & piquetes têm aqui uma excelente oportunidade para tentar impedir a montagem do arraial.»
http://daliteratura.blogspot.com/2008/06/era-para-isto.html
Caro Daniel,
Comparar um jardim no coração da cidade pedonal com um parque pindérico entre auto-estradas não me parece comparável. A f. e vc, com quem geralmente estou de acordo, têm uma posição dúbia sobre o assunto porque é óbvio quem os lê, a decisão partiu da vossa esfera política. Imagine-se se fosse o Santana Lopes! De facto, a sua defesa do Sá Fernandes nem sequer é muito subtil. Nem sequer o facto de ter dedicado o primeiro paragrafo inteiro às vantagens para a cidade desta manobra.
Do que se conclui do seu post, o Marcos Perestrello cobrou taxas tabeladas e o Sá Fernandes negociou a recuperação do jardim (para além de ter ganho algum dinheiro em taxas à custa do seu sossego nocturno).
“Percebo que para o pelouro de Sá Fernandes a decisão seja positiva: tem a recuperação de um jardim a custo zero”
“Se pôde negociar o arranjo do jardim, podia ter conseguido muito mais”.
Que esperar quando a decisão é à porta do “spin-doctor” do contra-regime que subitamente passou a regime: uma compungida afirmação de discórdia, mas…heh pá, até se compreende…o “meu” vereador recuperou um jardim a “custo zero”. Espera que ninguém repare que foi à custa dele e dos Lisboetas. A “custo zero” se vai destruindo as nossas cidades com viadutos, parques de estacionamentos e túneis. “Custo Zero” é a humilhação dos pobres ou a ausência de politica na gestão de dinheiros públicos.
Acredite que o Paris-Dakar acabou em Lisboa porque somos pobres e acabará cada vez mais a sul. Para fechar uma praça por duas semanas só para convidados , a Skoda teria que encontrar uma cidade falida e governada por políticos de esquerda com falta de imaginação, política e escrúpulos.
Sendo a cidade, desde a sua constituição enquanto tal, o centro das mais importantes dinâmicas sociais transformadoras e de reunião das populações, as praças e espaços públicos são o primeiro elemento urbano que os regimes autoritários tendem a procurar dominar.
A venda temporária da Praça das Flores a uma empresa de automóveis, por despacho conjunto dos vereadores Perestrello (PS) e Sá Fernandes (BE), para além de impedir o direito ao descanso de quem vive nas sua imediações atenta contra o direito à livre utilização do espaço público. Nenhuma eleição legitima esta venda.
A questão, ao contrário do que diz o Daniel, é ideológica.
Daniel, estou de acordo no seguinte: o Sá Fernandes é um alvo mais apetecível do que o Marcos Perestrello e isso é injusto. Mas isto não explica tudo. Na verdade, as notícias sobre a Praça das Flores (no jornal Público e no blogue do Sá Fernandes) começaram com o anúncio celebratório da remodelação da praça (e, lamento, mas não creio que se trate de uma “remodelação” por aí além, até porque a Praça não estava num estado muito decadente) e sem fazer qualquer referência à questão da Skoda. Foi o Sá Fernandes que se pôs a jeito, para o bem e - logo - também para o mal.
abç
a questão É ideológica e de princípio. de salvaguarda da LIBERDADE NO ESPAÇO PÚBLICO. lamento que se ilibe este “compromisso” da câmara com o “mas”. “mas” eles, a skoda, pagam a “remodelação” da praça”.
1. a preça não necessitava de urgente recuperação.
2. quaisquer 5.000 euros serviam para limpar a praça.
3. http://khiasma.blogspot.com/2008/06/praa-das-flores-de-ao.html#links
E se a decisão tivesse sido de Pedro Santana Lopes? O que faria o cidadão Sá Fernandes - agora vereador?
Caro Daniel,
Estranha reacção de virgem ofendida. Não estava a discutir factos. Estava a discutir política.
O único facto que mencionei e por isso acusei o vereador Sá Fernando de ter mentido descaradamente aos Lisboetas, foi um único: afirmou que a praça permanecerá aberta aos munícipes - Público (2/6/2008) - quando todos podemos verificar que não está.
O resto é politica. Ou melhor a ausência dela.
0 Daniel anda sempre a chamar sectários a quem defende posições que ele não concorda. Hoje ao ler o artigo sobre a Praça das Flores, caiu-lhe a mácara. Tentou, embora mantendo uma criticazinha, justificar o injustificável.
Nao estarei a exagerar que nem no tempo do ” botas” se tenha passado algo do género. Aliás comparar aquilo com as passagens de modelo na rua do século só revela má fé ou desconhecimento. Eu moro muito perto da referida rua e a situação não é comparável.
O seu sectarismo não o deixa tomar a unica posição digna de alguém com algum minimo de vergonha: Demissão dos Vereadores directa ou indirectamente ligados ao caso, incluindo óbviamente o Zé.
Desta vez o desrespeito pelos cidadãos ultrapassou as marcas. Ontem ao passar por lá senti vergonha de ter uma Camara que permitiu um tal desaforo. Confundir o publico e o privado é inconcebivel. Poque é que o O Zé e o Sr. não disponibilizam as vossas casas para anuncios,quem sabe ao pepsodent, porque será preciso ter os dentes muito brancos, para depois disto abrirem a boca.
“Depois um tal José Neves , deve ser pessoa importante, diz-se do Bloco, e votante do Sá Fernandes, conseguiu a proeza de enviar um mail , que foi publicado em pelo menos VINTE blogues, com os do PCP á cabeça ( Lisboa Lisboa, Tempo das Cerejas, etc, mas tambem no Cinco Dias, Spectrum,) , o que demonstra claramente campanha organizada”
Caro corvo
Também eu recebi esse mail e também eu o publiquei, assim como linkei este post. Votei Sá Fernandes e não faço parte de nenhuma organização política.
Acha então que eu entrei na campanha por arrasto???
Sou apenas mais uma cidadã indignada com este tipo de abusos, a dar um puxão de orelhas a alguém em quem eu depositei a minha confiança.
Bernardino Aranda
Quem não reside na Belavista não tem muita legitimidade para reclamar.
Diz o Daniel Oliveira que a CML cobrou taxa pela licença de ruído. Ora, independentemente do local em concreto e do valor da taxa pela emissão de licença -especial - de ruído, as autarquias, com a actual lei que temos sobre o ruído, parecem desempenhar uma duplicidade de papéis que poderão ser considerados incompatíveis/ antagónicos, a saber: por um lado, são, entre outras, entidades que zelam e fiscalizam a aplicação da lei do ruído( inclusive tratando do expedidente do processo contra-ordenacional) e, por outro, cobram taxas pela emissão de licenças especiais de ruído. Ora, podem colocar-se então várias questões, das quais se destacam as seguintes: quanto mais eventos e mais mais barulho/ruído se fizerem, em determinados espaços públicos, mais taxas são cobradas e receitas arrecadadas pelas autarquias.E , por outro, se há muito ruído cujos limites estão desconformes com o prescrito na lei, quem é que vai fiscalizar? São as próprias C.Municipais? Levantam-se autos de contra-ordenação contra as CM que autorizam e licenciam determinado tipo de eventos? E os moradores desses espaços não têm uma palavra a dizer?
Daniel, numa coisa pode estar certo de ter toda a razão do Mundo: seja o que for que escreva, seja qual for o assunto, haverá sempre gentinha a ler tudo ao contrário e a azucrinar-lhe o juízo, apenas por você ser do BE. Posto isto, sobre o assunto em análise, acho que o Sá Fernandes fez asneira. Daí a passar a ser um energúmeno anti progresso, só vindo da parte de gente de má fé.
o que penso é que Sá Fernandes tem um passado de que lhe será dificil fugir. Os seus erros vão ser sempre alvo de atenção. Não se pode dar ao luxo de falhar muitas vezes e sobretudo de se tornar arrogante, como os outros que combatia. O que se passa na Belavista , agora com o apoio de JSF, é uma vergonha. Aquelas pessoas sofrem e não têm ilustres na zona para lhes dar voz como acontece na praça das flores. O que se passa é que tudo está a venda. Monsanto zona sensivel e cobiçada da cidade tambem já vai ter um festival comercial de musica,de que interessa o coberto vegetal ou os impactos, convidam-se uns vips e plantam-se uma ou duas árvores e já o evento é ecologico, é tudo uma questão de numeros. O que mais chateia é a postura e a diferença entre ser oposição e poder. E a arrogancia.É tramado.
E já agora a propósito do José Sá Fernandes e Marcos Perestrello “venderem” a Praça das Flores à Skoda para fazer o lançamento de um carro…
Sabiam que “skoda” em checo quer dizer: “dano, desvantagem ou perda”. E que a expressão “to je skoda” quer dizer “é uma pena!” ?
como morador da Praça das Flores so me posso manifestar positivamente com este evento. Ha de facto algumas limitacoes naturais de um evento deste tamanho e com este prestigio mas apartir de dia 20 teremos todos um novo jardim.
Pessoas como Daniel Oliveira pouco devem ter para fazer na vida e ocupam o seu tempo a conjurar, a dizer mal e travar o que de bom se faz neste País. se não quer trabalhar deixe trabalhar quem quer e quem faz bem por este País.
Como todos sabem a CML passa neste momento pela pior crise financeira de sempre, sem a iniciativa privada não há volta a dar. Vamos incentivar iniciativas como estas que dignificam a imagem do nosso País.
como morador estou orgulhoso do que está a acontecer no meu bairro.
O problema de tudo isto, é que não é um acto isolado e que para além da Praça das Flores, os Vereadores Sá Fernandes e Perestrello preparam-se para retalhar aos poucos a cidade inteira!
Vi no blog do BE na CML (Gente de Lisboa) que a próxima vítima é o Jardim da Estrela… e imaginem a quem é vendida? Ao CONTINENTE!!!
Inacreditável…
Manuel Gusmão: É isso mesmo. A Câmara vai vender o Jardim da Estrela ao Continente.
Ainda pensou em vender a praça das flores mas o Belmiro virou-se para o Costa e disse logo: “A mim não me enganam vocês. Apraça das flores já foi vendida! Eu também leio blogs”
Então, olha: Foi o Jardim da Estrela.
Eu estava a brincar quando falei do Jardim da Estrela no blog (”os moradores que sKodam”)
“… sempre achei indecente a privatização do espaço público e nem sei o que faria se isto viesse a acontecer no Jardim da Estrela . . . segurem-me!”
Agora é guerra!
Haverá sempre gente como esse alegado Carlos (supostamente morador na Praça das Flores) que faz questão de se orgulhar das próprias limitações…
Nada a fazer, portanto.
Caro Daniel Oliveira,
Uma correcção: não é de todo verdade que as obras tenham sido ‘profundas’.
Por outro lado, e ao que sei, as obras já estavam orçamentadas antes do actual executivo tomar posse. Portanto, a Skoda veio muito depois e apenas juntar o útil ao agradável, vá-se lá saber de quem …
Cordialmente
Paulo Ferrero
Estive a ler os comentários e não encontrei a resposta de Daniel Oliveira ao Corvo E de todas parece-me aquela que mais põe o dedo na ferida. Ficamos a aguardar. Espero é que não demore.
A cidade nunca avançou, nem nunca avançará à custa da venda do seu espaço público, apenas as pessoas perderão o seu direito à cidade…
Este não tem sido o entendimento do Bloco de Esquerda em Lisboa, que tem defendido uma série
de propostas neo-liberais de protocolos com empresas privadas em Lisboa!
Para os que, por um mero acaso não saibam do que estou a falar, é só procurar informação sobre estes protocolos:
1) Praça das Flores (Skoda)
2) Jardim da Estrela (Modelo Continente)
3) Rock in Rio (Better World)
4) Bicicletas de uso partilhado (JC Decaux)
5) Pleno Out Jazz Festival (Tisanas Pleno)
É inacreditável como o José Sá Fernandes entrou nesta lógica
(…e pouco me importa que o tenha feito sozinho ou com outros vereadores do executivo… simplesmente NÃO O DEVIA TER FEITO!!!)
…e perdoem-me o lapso, tinha-me esquecido do protocolo das famosas “ventoinhas”!!!
6) Micro-turbinas Eólicas (SkyStream)
Acho que agora é que está tudo!
(…quer dizer por agora! pois não sabemos se esta “telenovela” de protocolos do José Sá Fernandes terá mais episódios…)
Sou morador da freguesia e é de lamentar que um espaço público seja profanado com tamanha cerimónia.
É um completo absurdo promover um automóvel num jardim, não tem nada a ver, porque não na A1?
Independentemente do estado do jardim (que julgo bastante agradável e cuidado) ou até mesmo das lacunas financeiras quiçá por via dos sucessivos e constantes erros na gestão da Câmara Municipal de Lisboa e da própria freguesia das Mercês, o jardim é de todos, é público, a sua manutenção deve ser feita com o dinheiro dos nossos impostos nunca por via desta ou daquela entidade privada.
A realização do evento vai seguramente servir muita “gente”, não os moradores e muito menos o jardim, porque esse vai permanecer igual, porquê?
Porque se passearmos um pouco por Lisboa e repararmos nos jardins e nas árvores de rua o que se vê?
Arvores a precisar de serem podadas, outras são cortadas (Jardim do Príncipe Real, Liceu Passos Manuel, Jardim da Estrela, junto ao Panteão Nacional, etc, etc.)
A contenção de custos deve ser tão grande, que a manutenção das árvores ficou para trás ano após ano e agora? Caiem, apodrecem, adoecem, cortam-se.
Mas que triste realidade a nossa, onde o capital se sobrepõe a tudo.
Caro Pai Natal
Tanta informação para dar, podia ao menos dá-la de forma correcta.
Desconhecimento?
Na Praça das Flores há uma empresa que quer ocupar um espaço público. Pede autorização e paga a respectiva taxa de ocupação. Não há nenhum protocolo.
O Pleno Jazz são concertos de jazz gratuitos nos jardins de Lisboa, em que os gajos fazem lá publicidade. Tem de ir ver, Vai ver que até gosta.
http://www.plenooutjazz.com/
(não é a primeira vez que se faz. Tem sido um sucesso)
Mas chateia-lhe a publicidade, não é? Tenho reparado que ultimamente há muita gente incomodada com a publicidade, sobretudo quando esta está relacionada com o pelouro dos espaços verdes… O que é que propõe como alternativa? Que não houvesse concertos? Que a câmara pagasse aos músicos de jazz? Que eles fossem obrigados à borla? Que a pleno pagasse mas não andasse lá a dar chazinhos?
As micro-turbinas? Mas ainda há gente com lata de voltar a pegar nessa farsa de debate político? A ultima vez que ouvi falar nisso eram contra por causa do ruido e das colónias de morcegos. Afinal são contra porque as turbinas não feitas por uma empresa privada e não pela câmara?!
Meu Caro Daniel
A verdade verdadinha é que nunca ouvi da sua parte qualquer comentário à situação degradante em que se encontrava a Praça das Flores, até aqui.
Também nunca o ouvi falar ou escrever sobre a frequência pouco recomendável do espaço durante a noite.
A iniciativa é meritória a todos os níveis. Porque recupera um espaço. Porque desenvolve a cidade. Porque recupera a autoestima de muitos moradores da zona que, não sendo a minha, é muito próxima.
Do que fica dito resta uma campanha política pouco dignificante que o Daniel se apressou a subscrever, sem cuidar de verificar que, na realidade, a maioria das pessoas da zona foram informadas e aceitaram a iniciativa.
Para que não se vandalize o que foi feito, sugeria-lhe até que desenvolvesse uma acção no sentido do espaço em causa ser vedado e fechado ao público a partir das 20 horas (22 H no verão) para evitar situações como as que ali se verificam com regularidade.
É uma solução de preservação do espaço que, como seguramente sabe, é praticada em muitos jardins pelo mundo fóra e cá, por exemplo, no da Estrela.
Essa sim seria uma boa iniciativa do Daniel, a quem aproveito para fazer um outro reparo relativo a algumas afirmações depreciativas que fez na SIC sobre os jogadores portugueses de origem estrangeira da selecção de futebol.
São tão portugueses como nós e não é por serem ricos e futebolistas que devem ser discriminados. A xenofobia atinge indistintamente ricos e pobres e é a prima direita do racismo. Realmente, na política, é bem verdade que o extremos (de direita e de esquerda) se tocam.
Cumprimentos
Ó Eddy, deixa-te de parvoíces e fala apenas do que sabes..
Não és da zona, nem alguma vez foste, como sei muito bem e tu mesmo confessas.
Como te permites, então, vir dar bitaites ridículos sobre um assunto a que és completamente alheio?
És assessor de quem neste momento?
Mete a viola no saco e toma juízo, que já é mais que tempo.
Eduardo, eu sei que não foram informadas. Vivo aqui e falo com os meus vizinhos e tenho participado em reuniões com comerciantes e moradores. Receberam (nem todas) um folheto da empresa. Como deve imaginar, não preciso da sua ajuda para me informar do que se passa no meu bairro.
Não faltava mais nada que o jardim fosse fechado depois das 22. Os moradores e visitantes usam as duas esplanadas que são restaurantes à noite. Não quero viver num condomínio privado. Quero vida na rua.
Quanto aos futebolistas, eu não disse (nem nunca diria) que não são portugueses. Estávamos a falar da raça e eu estava a mostrar como o conceito é idiota para falar dos portugueses. Exactamente o contrário do que me acusa.
Meu caro Crispim,
Convinha era em primeiro lugar não se esconder atrás de um qualquer pseudónimo barato.
Quanto ao resto é exactamente como afirmei.
Relativamente às insinuações a respeito de interesses e assessorias é o insulto anónimo do costume dirigido aos que discordam.
Já no tempo da outra senhora era parecido.
Meu caro Daniel,
Dou de barato que tenha feito uma extrapolação excessiva das suas afirmações a respeito dos futebolistas.
Seguramente que não era sua intenção suscitar interpretações como a que eu fiz e poderia manter.
Mas acredito no que diz e isso basta-me, uma vez que tenho em conta de pessoa séria.
Pseudónimo? Barato? Essa agora…
Olha, Eddy, trata-te, pá.
Sinceramente, desejo-te as melhoras.
Pode ser que, depois, passes a ocupar-te apenas daquilo de que tens conhecimento e percas o espírito de assessor de interesses alheios que, pelos vistos, te persegue.
Caro B Aranda (… que calculo que seja o Bernardino Aranda do BE Lisboa)
Desculpe lá as incorrecções… sim?
É de facto “importantíssimo” ter-me corrigido e dizer que alguns são “autorizações” e outros são “protocolos”, e outras demagogias que tais…
E muito vou eu sabendo por jornais, blogs e tal, à laia de me querer informar, pois através do BE Lisboa… é que não consigo nenhuma informação!
E até calculo que muitos mais acordos deste género existam e que não saibamos nada deles! (…espero ansiosamente que me corrija com a sua palmatória por ter usado incorrectamente a palavra “acordo”, num qualquer próximo post…)
… E sim “CHATEIA-ME A PUBLICIDADE”, porquê? Não acha que tenha direito?
… E acho que me chateia ainda mais que alguém que se diz pertencer a um partido de esquerda, diga “O que é que propõe como alternativa? Que não houvesse concertos? Que a câmara pagasse aos músicos de jazz? Que eles fossem obrigados à borla? Que a pleno pagasse mas não andasse lá a dar chazinhos?”
…Acha mesmo que vem aí o fim da vida cultural da cidade de Lisboa se a Coca-Cola, a Vodafone e os chás Pleno não sustentarem uns eventos e não pagarem uns euros a uns músicos?
Caro Bernardino… a vida cultural das cidades sempre foi feita das dinâmicas das pessoas e nunca do dinheiro que alguns pagam para lavarem as suas consciências e acharem que sem eles nada existia…
Para homens de “esquerda” assim… só tenho mesmo abraços gélidos para oferecer,
Pai Natal
P.S.
Quanto às micro-turbinas - que não passa de mais um desses acordos em que uma empresa privada aproveita o espaço público para o lançamento de um novo produto no mercado - estou enganado ou nem sequer produziam energia significativa e só serviam mesmo para fazer promoção comercial?
… quanto à piada “das colónias de morcegos” , não percebi???
pai Natal, podemos não gostar de mecenato (que envolve sempre publicidade). Não podemos é mete-lo no mesmo saco que o aluguer de um espaço ou que a privatização do espaço público. Porque isso é que é demagogia. São coisas diferentes.
Caro Daniel Oliveira
Compreendo perfeitamente que se goste de mecenato, que se defenda o aluguer pontual de um espaço público ou mesmo que se admita a privatização total do espaço público da cidade.
Contudo essa não é minha opinião, dado que não gosto de mecenato cultural (pois por vezes estes apoios financeiros podem condicionar o produto cultural), não defendo o aluguer de espaços públicos (particularmente a entidades privadas com intuito de neles fazer promoções comerciais), nem admito que se privatize o domínio público (pois é o espaço físico e político de vivência comum de todos os seus habitantes e só eles pertence).
Se juntei “tudo no mesmo saco”, foi porque não me agradam nenhum deste processos que actualmente parecem ser cada vez mais comuns nas cidades de hoje em dia (…aliás como outros fenómenos que gostaria de colocar “no mesmo saco”, como a omnipresente videovigilância ou a crescente presença da segurança privada)
… não foi, nem é, por demagogia que falei, ou costumo falar, conjuntamente destes fenómenos.
É, sim, por preocupação!
Preocupação essa que se agiganta, quando não vejo uma esquerda, nem portuguesa nem europeia, capaz de fazer frente a este panorama, que há alguns anos seria tomada como um atropelo dos direitos cívicos e que hoje é tomado como um cenário por todos aceite…
Muita tristeza é o que sinto… e se ripostei às declarações acima mencionadas, e ripostarei a todas que defendam essa mesma linha, foi porque não consigo aceitar que uma esquerda que se diz esquerda, possa defender tais posições…
Saudações cordiais e nada frias,
Pai Natal
Caro Pai Natal
Este seu 3º Comentário traz alguma luz sobre o seu pensamento neste assunto.
No 1º enumera de 1 a 6 as “propostas neo-liberais de protocolos com empresas privadas em Lisboa!”
No 2º, depois da minha correcção que aparentemente lhe causou tanta afronta (não precisa de se chatear assim…) , fiquei com a viva impressão que afirmava, que a única diferença entre as 6 operações, era apenas formal. Estava no nome “protocolo”, “autorização”, etc.
No 3º, finalmente, compreendo que se juntou tudo no mesmo saco, não foi por engano ou para enganar ninguém, nem por demagogia, mas porque não lhe agrada de forma igual, ocupações de espaço público (com ou sem vedação, de entrada livre ou entrada paga, por 1 hora ou 15 dias); tal como não lhe agrada publicidade em geral (mesmo que esta seja paga ao estado e não a privados e mesmo que fique claro para que é que o estado utilizará essas receitas – falo das bicicletas, claro); bem como não aceita o mecenato (que é diferente de publicidade, Daniel), quer quando se dirija ao apoio às artes ou aos jardins.
Por mim estou devidamente esclarecido. A conversar é que a gente se entende.
Em relação à pergunta que lhe pus, creio que me respondeu logo no 2º comentário, quando diz «a vida cultural das cidades sempre foi feita das dinâmicas das pessoas e nunca do dinheiro que alguns pagam para lavarem as suas consciências e acharem que sem eles nada existia».
Isto é: Concertos de jazz em jardins neste final de primavera não podem ter pano de fundo a promover um produto. Têm de ser feitos “da dinâmica das pessoas e nunca do dinheiro”. Músicos que se juntam alegremente ao final de tarde para tocarem. Ainda assim, recordo, a taxa de ocupação de espaço público é devida, a não ser que seja isenta pela Assembleia Municipal, sob proposta da Câmara). A logística destes concertos (PA, transporte, divulgação, etc.) era assegurada também pela “dinâmicas das pessoas”, imagino… No final roda o chapéu.
Por mim estou também devidamente esclarecido.
Também já fui percebendo, pelo parágrafo que fecha os seus comentários, que para si isto é que distingue a verdadeira esquerda da outra… Isso já eu tinha percebido logo até no primeiro comentário. É um clássico.
PS:
Espanta-me que a alguém tão bem informado sobre estes processos camarários, lhe tenha passado ao lado a polémica dos morcegos! Eu explico: A primeira linha de ataque à iniciativa da semana do vento e, em concreto, às micro-turbinas, era essencialmente estética (“a cidade das 7 colinas povoada de eólicas”, dizia a notícia do Expresso) e ambiental (ruído que incomodava as pessoas e afugentava animais, nomeadamente as colónias de morcegos que existem na cidade)
Quando ficou claro que eram 10 a 15 micro-turbinas e não das outras grandes, quando a QUERCUS esclareceu que não havia problemas ambientais com as turbinas e todo o evento eram antes uma importante iniciativa de promoção das energias renováveis, já era tarde demais para os srs. políticos recuarem na sua intenção de voto. Mas o que ficou para a história foi o problema dos morcegos e a fantasia das torres eólicas espalhadas pela cidade. Está agora a compreender o meu comentário?
Respondendo à sua pergunta: Sim, as micro-turbinas em causa são produzidas por uma empresa em concreto que se disponibilizou a montá-las, desmontá-las e pagar a taxa de ocupação de espaço público, claro. Não são ali produzidas pelo estado, ali na serralharia da câmara, nem são fruto da “dinâmica das pessoas” que fazem os tais concertos de jazz aí no pólo norte onde vive.
Caro Bernardino Aranda
Ainda bem que ficou tudo claro para si! Pois, para mim, já o é há bastante tempo…
Não se esqueça também que as “pessoas” e “dinâmicas” com quem tão bem ironizou, são aquelas que fazem mudar o curso da história… e não a energia e tempo que ambos gastamos a escrever post em blogs! …
Penso também que ficou bem claro que acha que a arte, a cultura ou a “dinâmica” da cidade, só existem se houver uns iluminados a despejar-lhe umas notas por cima… mas garanto-lhe, meu caro, que na história de arte ficam é gravados os artistas, tal como as obras e o seu valor e não os nomes dos que acham que sem eles nada daquilo tinha existido…
Ficou também bem claro, o tipo de “esquerda” que você representa… mas sobre isso guardarei os meus comentários “clássicos” - mas sempre na moda - para outra altura!
Um abraço gélido do pólo norte (onde se ouve neste momento um maravilhoso concerto de jazz, e não se vê um mísero jogo de futebol como por aí…),
Pai Natal
P.S.
Essa dos morcegos não sabia!
Soa obviamente a um redondo disparate, mas parece ainda um disparate maior, sensibilizar para as energias eólicas com umas turbinas que não produzem energia. Não acha?