No “Expresso” de amanhã, a propósito do conflito na Feira do Livro, traça-se um panorama no mercado livreiro nacional, abalado pela chegada do empresário Pais do Amaral, que com as compras mais recentes controla 25% dos livros editados em Portugal. Diz o Expresso que uma pequena editora pode sobreviver e ser rentável. O mais interessante é a composição do preço dos livros. Os escritores só recebem, por norma, cerca de 10% do preço de capa. E que uma grande livraria pode ficar com 40% do preço.
Por Daniel Oliveira 23 Mai 08 em Livros


Os livros são absurdamente caros em Portugal. Dou por mim a ir às feiras do livro e aos alfarrabistas à procura das pechinchas do costume. Lá vou comprando os clássicos da colecção da visão/novis a 1.5€ cada um.
Se alguém ler um livro por semana pode gastar entre, à vontadinha, entre 60 e 100 euros por mês. Quem é que tem este dinheiro para gastar em livros todos os meses?
ó Daniel, bem sei que é você é novo (eu sou mais veja lá),mas isto sempre foi assim…não mudou por causa do Pais do Amaral.
Tenha cuidado porque o valor que fala é uma média, logo uma medida bem falaciosa, até porque os consagrados ganham bem mais…caso contrário não haveria uns poucos que vivem da escrita.
Já estava na hora de aparecerem alternativas a este sistema de editoras, distribuidoras, copyrights e o raio que as parta.
Há que combater o actual sistema de propriedade intelectual e criar plataformas em que possam disponibilizar os livros mais directamente aos clientes. Que venha a generalizar-se um sistema tipo copyleft que proteja verdadeiramente o autor ao invés das suas “lapas”.
É genial… face até os galeristas que ficam com 50 a 60% dopreçodas obras são uns bons…
enquanto isto…
os Telhados estão Rotos
e
Os pobres estão cada vez mais pobres
http://criticademusica.blogspot.com/
queria dizer, no meio do arrozoado, que os galeristas, face a esses livreiros, são uns bons… na verdade… são uns bons… f - p… porque encargos com as obras, com as quais lucram os tais 50 ou 60%, não têm. Têm outros. Portanto lá vai dar, teoricamente, os tais 10& para os artistas… enfim… n será exatamente assim, mas…
é um parasitismo…
Mouzinho, eu falei de uma coisa e depois de outra (porque serão referidas no trabalho do Expresso), mas não estabeleci nenhuma relação entre as duas.
O que a mim me preocupa é ir à FNAC e vêr o top 10 dos livros mais vendidos…
Quem é o Cristiano Roneldo????
Não tenho grande pena das editoras, apesar de tudo. A esmagadora maioria não paga um cêntimo que seja de direitos de autores. Dizem que não vendeu.
<<<estou com o comentador João Ferreira!
È de facto verdade!
Hoje editar um livro virou moda. E as editoras editam “quem vende” nem que o conteúdo do livro seja NADA!!
E é preocupante, que o Cristiano Ronaldo, e outros tão “letrados” como ele, estejam no TOP 10+ da FNAC!!!Sinais dos tempos…
E depois admiram-se que os CDs e DVDs sejam pirateados.
o que vale é que a Feira do Livro abriu com toda a normalidade na passada 4ª feira, com os seus 65 pavilhões e 96 editoras, podendo ser visitada todos os dias até às 23.30. O que se recomenda.
Não sei se serão as percentagens que incomodam quem consegue juntar algumas palavras, mas sim o que elas podem oferecer com a sua promoção.
Estas “novas páginas” cheiram-me a monopólio de conteúdos.
Quantos autores de poesia recebem direitos de autor em dinheiro, em Portugal?
Daniel, não sei se teve conhecimento desta notícia. Fica aqui, com cumprimentos, e um pequeno lamiré sobre o seu conteúdo: les beaux esprits se rencontrent. E olhe que raas vezes a frase tem tanto cabimento.
É fácil manipular números. Daniel. Parece que Sócrates está a fazer escola.
A percentagem com que fica uma livraria (30 a 38 por cento, conforme os casos) é um problema velhinho. Tão velhinho como a existência do livro. Diria. E um factor de peso na definição do preço de capa de um livro.
Mas é demagogia a utilização da relação 10/90 no título do seu post.
Há, de facto, autores que recebem 10 por cento, mas também há autores que recebem 12, 15, 16, 17… 18. Penso que já ninguém receberá 20. O que elevaria o preço de capa de um livro para preços verdadeiramente astronómicos.
Mas nada disto tem a ver com o Pais do Amaral. Se vir bem as coisas, até fica com a parte mais fraca do negócio. A edição. Mas há outros negócios para além do livro.
Nos últimos tempos, tem-se assistido a uma verdadeira revolução no mundo da edição. Poderá questionar-se se vai no caminho certo. Mas é um mundo em mudança.
mas é fácil falar em percentagens e esbugalhar os olhos. É bom não esquecer que no meio de tudo isto há os mais variados custos.
Experimente pegar na estrutura do preço de capa. Contas redondas.
30 por cento para o livreiro
20 por cento para o distribuidor.
50 por cento ficam para o editor. o Pais do Amaral, ou outro qualquer.
Tire-lhe 15 por cento dos direitos de autor. Sobram 35 por cento para pagar à gráfica, à papeleira, aos trabalhadores da editora, e todos os outros encargos. Tudo encargos fixos. Depois, tente imaginar por que valor os deve multiplicar para ainda conseguir ter algum lucro e qual a percentagem mínima que precisa de vender para não perder.
Mas sem demagogia.
Não defendo a situação, mas é a que existe.
Paes do Amaral. Atenção ao pormenor. Paes do Amaral. Da familia dos Paes do Amaral.
É muito curioso analisar essa porcentagem e ver quem ganha o quê. 10% para o autor… 40% para a editora. Pronto, 50%. Retirando todos os gastos de produção, divulgação e afins, e retirando mais alguma coisa de que certamente não estou a recordar-me agora, sobra aquilo a que se poderia chamar “os honorários do tradutor e do revisor”, os quais, ainda mais curioso ainda, são pagos apenas uns três ou quatro meses depois de o trabalho ser feito, e isto depois de muito se implorar junto da editora para que o pagamento seja feito.
Não sei se a concentração é boa ou má. O que eu gostaria é que a edição em portugal deixasse de ter um aspecto mercenário e que respeitasse mais aqueles que estão na base dos objectos culturais que depois vão ser vendidos a preços exorbitantes e para cuja realização apenas foram concedidos um ou dois meses mais do que apertados.
Mas isto sou eu a puxar a brasa à minha sardinha.
O negócio dos livros baseia-se nos livros escolares e em dois ou três best~sellers.
E aqui Paes do Amaral vai a caminho de ser rei.
Outra assunto é perguntarmo-nos qual é o interesse de uma Feira do Livro que pagamos para existir e onde o lucro é dos livreiros.
A Câmara Municipal de Lisboa financia com uma larga quantidade de dinheiro um evento dito cultural.
Mas é que cultural em quê?
Em alinhar umas centenas de pavilhões a monte e onde de vez em quando um fulano se senta numa cadeira a assinar livros como se estivesse no supermercado?
Em fazer meia dúzia de palestras numa barraca inóspita?
Em depois de umas cotoveladas se poder comprar um livro em super saldo?
Tudo isto tinha algum interesse há vinte anos quando ainda não tinham aparecido a FNAC e os centros comerciais gigantescos.
Hoje transformou-se numa velha romaria.
Daniel.
Ganhei embalagem e escrevi O Livro e o extraordinário planeta das percentagens. Pode visitar. Se quiser.