
31 de Maio: De Gaulle procede a uma remodelação governamental. Prosseguem, por toda a província, manifestações de apoio ao general. Nesse fim-de-semana, muitos bens e serviços essenciais voltam a estar parcialmente disponíveis. Durante o mês seguinte, verificam-se confrontos violentos: designadamente, ocupação pela polícia, na noite de 6 de Junho, das fábricas Renault de Flins, morte a 10 de Junho do estudante liceal Gilles Tautin, morte a tiro do operário Pierre Beylot a 11 de Junho, nas fábricas Peugeot de Sochaux, morte do operário Henri Blanchet. Na primeira e segunda voltas das eleições legislativas (24-30 de Junho), a maioria governamental alarga-se substancialmente, alcançando quase 80% dos assentos parlamentares.
Fonte
The End
Por Daniel Oliveira 31 Mai 08 em Maio de 68


“Na primeira e segunda voltas das eleições legislativas (24-30 de Junho), a maioria governamental alarga-se substancialmente, alcançando quase 80% dos assentos parlamentares.”
E porque acabou assim?
«a maioria governamental alarga-se substancialmente, alcançando quase 80% dos assentos parlamentares»
Eis a única utilidade do Maio de 68.
Nunca percebi muito bem que sentido faz dar tanto tempo de antena a uns quantos estudantes que, regurgitando lugares-comuns sobre um Marx que nunca leram, acordaram um dia enfunados porque não podiam fumar haxixe e ir ao vestiário feminino e decidiram apedrejar a polícia. Provavelmente a estudantina que sempre que o PSD está no poder é mobilizada pela extrema-esquerda para práticas de um jaez similar em nome basicamente dos mesmos motivos (a única diferença é que hoje já se pode ir aos vestiários femininos sem que ninguém chateie) venha a receber honras de geração revolucionária na historiografia de meados do séc. XXI. Pelo andar dos acontecimentos não me admirava nada.
«E porque acabou assim?»
Porque as pessoas não gostam de entregar o poder a estudantes podres de bebedeira e «pedrados» de haxixe, sei lá. Preferem políticos. Vivemos num tempo que submete o estético ao ético com excessiva facilidade, é o que é…
Estão isto acaba assim, sem o mês de Agosto ?
Qual foi a reacção do meninos marxistas à invasão da Checoslováqia ?
O Cohen Bandit assumiu que era pedófilo, e continua deputado do parlamento europeu. Pela esquerda da esquerda, é claro.
Isabel, como já lhe disse publiquei três posts sobre a invasão da Checoslováquia. Um com um filme, outro com um depoimento de um português que lá vivia e outro com uma reportagem minha. A segunda parte de cada post era sobre outro assunto. Vá lê-los.
Desculpe, Daniel, mas não reparei neles. Pode deixas os links?
Depoimento de Flausino Torres, pai do arqueólogo Cláudio Torres
http://arrastao.org/maio-de-68/2810/
Imagens da ocupação (narração em checo)
http://arrastao.org/maio-de-68/2800/
Uma longa reportagem (digitalizada) que escrevi para a Vida Mundial nos 30 da ocupação
http://arrastao.org/maio-de-68/2832/
Um documentário sobre o ano de 68 que também fala da ocupação
http://arrastao.org/maio-de-68/2851/
Vários vídeos sobre os mortos deste período, onde há um com Jan Palach
http://arrastao.org/maio-de-68/2835/
Mais uma vez, obrigado Daniel.
É verdadeiramente inpressionante o Depoimento de Flausino Torres. (fiz copy paste e guardei-o no meu arquivo).
Já tinha visto fotografias, mas em vídeo não.
Lembro-me muito bem destes acontecimentos (foi no ano em que o Salazar caiu da cadeira, e em que muitos de nós acreditámos que também podia haver uma “Primavera de Praga” em Portugal).
O que me admira é como é que depois disto ainda continuou, e continua, a haver defensores do regime soviético !!!
Isabel, já afora podia ter lido a minha reportagem. Assim fico sentido.
Daniel, tentei mas não consegui. Experimente fazer um “scaning” em PDF. Aí pode-se fazer “select all” e passar para um documento Word. Depois, apague as fotografias. Podem aparecer letras trocadas, ou alguns “macacos”, mas emenda-se facilmente.
Gostava francamente de ler a sua reportagem.
O programa dá para ler mesmo ali. É so fazer zoom
Pronto, já li. Obragada pela dica.
Li e gostei. Sobretudo do que se passou depois de 68.
A história daquela zona é muito confusa. Penso que nem Checos nem Eslovacos sabem muito bem quem são. É o drama da Europa Central. Descendente do Sacro Império Romano-Germânico, foi sucessivamente dominada e repartida por outros Impérios. Dividida a régua e esquadro, ao sabor dos interesses da “grandes potências” do momento. Povos desmembrados, deslocados, misturados, ocupados.
Espero que fiquemos por aqui. Mas infelizmente não tenho certezas.
O meu receio em relação à UE, é que esta seja o esteio de um novo império. E que tudo recomece de novo.
Mas, pronto, fiquemos por aqui.
Mais uma vez obrigada.