Não gosto da exposição pessoal dos dirigentes políticos. Prefiro não saber nada e sei que fico sempre sem saber nada. A exposição do lado pessoal e “humano” dos políticos é sempre uma encenação. E é irrelevante para a sua avaliação política. Mas quando o resolvem fazer mais vale que o façam bem. Não digo com sinceridade (impossível e sem sentido), mas com algum à vontade. Se as coisas se fazem, que se façam para alguma coisa.
Olhando para Sócrates e para Menezes, não ficam dúvidas: ou porque é mais afável ou porque se sente melhor neste registo, Menezes tem muito mais talento neste terreno do que Sócrates. Ao aceitar entrar neste jogo Sócrates escolheu o único campeonato em que está em desvantagem. Uma das poucas coisas que gosto em Sócrates é a reserva que mantém da sua vida privada. Por isso, melhor seria que tivesse mantido o registo anterior.
Aqui ficam as entrevistas, na íntegra, de Sócrates e Menezes:
Por Daniel Oliveira 15 Mar 08 em Menezes, Sócrates


Menezes esteve muito melhor não foi teatral. Falaram os filhos e a mulher ( vida privada) em casa e fora dela. Sócrates foi um desastre.
Concordo em absoluto consigo. Este é provavelmente o único registo onde Menezes pode sair-se bem, e provavelmente o único onde Sócrates, em termos de retórica, pode ficar bem. Na verdade, Menezes nem ficou assim tão bem - por manifesta falta de assessoria, acabou por confessar pelo menos três defeitos que mesmo isoladamente o impediriam de ser Primeiro Ministro (vai-se muito abaixo com críticas injustas, é teimoso, e havia outro que não me lembro mas era igualmente mau), mas Sócrates conseguiu ser muito pior do que realmente é. Contraído, nervoso, tímido. Ele precisa de um palco - estou a ouvi-lo na tv e parece um afonso costa envolvido por republicanos.
eu prefiro que um político faça o seu trabalho bem feito do que me esteja a mostrar a sua sala de estar…
Luís Filipe Menezes obviamente nunca irá ser 1º Ministro, mas dará sempre um excelente concorrente do Big Brother…
Mal vai um político quando tem que chamar a mãe à conversa para avalizar a sua melhor qualidade: a generosidade…(esta é de ir as lágrimas)
Como correia de transmissão não está mal. Mas, já agora, camarada Daniel, veja lá se arranja uma entrevista com o Paulo Portas
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Sócrates, porque não mostrar a verdadeira vida íntima, porque não a tem ou porque é de esconder?
QUE LAS AY LAS AY
eH PÁ,VOU JÁ A CORRER VOTAR NELES.ONDE É QUE SE VOtA?
Não tem nada a ver com o assunto do post, mas gostaria de perguntar ao Daniel Oliveira o que pensa do facto de o Ministro da Cultura (apontado por alguns como sendo próximo do BE) ter hoje estado presente, enquanto membro do governo, em Elvas, numa cerimónia evocativa do 5º aniversário da Cimeira dos Açores.
Eu vi a notícia no site da agência Lusa, que já não a tem online.
Não estou tão certo que o Menezes não vai chegar a ser primeiro ministro… Mas sempre achei que tinha uma áura de estrela de cinema… confirma-se…
As entrevistas sobre as vidas pessoais de José Sócrates e de Luís Filipe Menezes reflectem a que os políticos se prestam ou a que os media os obrigam.
Quanto ao primeiro fico na dúvida se o fez porque a tal se prestou, ou se não teve outro remédio, indo mais pela última hipótese, e achando que a entrevista não o favoreceu, porque a sua espontaneidade não teve nada de espontâneo.
Quanto ao segundo, e que quer ser primeiro, acho que lhe deu muito jeito, sobretudo porque aproveitou para cortar o cabelo… do pouco que já tem, achando que mais depressa lhe cai o resto do que chega a primeiro-ministro.
Enfim, entre estes dois, prefiro Sócrates, mas com muitas reticências.
Menezes utiliza a família para fazer campanha política. Depois não venha o Daniel dizer que a vida privada é uma questão íntima dos políticos, porque tal como nos EUA, em Portugal esses mesmos políticos fazem para que não o seja. Logo paguem as consequências, e com juros!
O modelo de reportagem, ou lá o que é, parece-me ascoroso, mas comparando o pouco que vi, julgo que Menezes, em quem jamais votarei, foi autêntico, e Sócrates um péssimo actor, cuja invocação da mãezinha para atestar a sua generosidade raiou o abominável.
Acho mal. A proximidade em relação ao BE manifestou-se exactamente quando? É que não deixaria de ser interessante que o BE passasse a ter de responder pelo ministro da Cultura do PS.
Ministro da Cultura , próximo do Bloco de esquerda?
É notável não dei por isso
Ó Daniel, desculpe lá, mas você não se portou bem no Eixo do Mal.
Então, o putanheiro lá do governador de um estado de não de onde lá states não interessa nada!
Francamente, se o menezes ou o sócrates andassem em bordeis, acha que isso não seria importante para que nós saibamos em que políticos votamos?
Sou por uma ideia liberal da moral, mas também acho que existem limites?
Se Sócrates e Menezes fossem a bordeis estar-me-ia completamente nas tintas. Não me aquece nem me arrefece. Nem é por ser liberal, que sou. Apenas não tenho nenhuma opinião moral sobre o comportamento sexual e pessoal dos nossos dirigentes políticos. Quero que cumpram bem as suas funções e interessa-me o conteúdo político das suas acções. O resto é-me indiferente.
Para variar, discordo do Daniel Oliveira! Não vi Menezes por estar em viagem, mas vi boa parte da “exposição” do Sócrates! E acho que foi coerente: de privado, nada vi (nem acho privado aquele cumprimento ridículo ao Zapatero!)! E, não usou a família: o que merece aplauso!
Pode ser puritanismo meu, mas choca-me um pouco a exposição pública dos filhos…
Está no seu direito, Daniel, e respeito isso.
Mas considero que existem limites para o comportamento (a)moral, sobretudo nos políticos, porque está inevitavelmente associado à confiança que possamos ter neles.
Por exemplo, eu não teria nenhum problema em votar num homossexual se com ele me identificasse politicamente, aliás, seria mesmo indiferente que soubesse ou não que o fosse.
Agora, um político com uma família dita normal (seja lá o que isso for nos tempos que correm) e que apregoa os bons costumes, andar a gastar fortunas em bordéis de luxo, seguramente não votava nele.
Mesmo partindo do princípio que todos os políticos apregoam os bons costumes em matéria familiar, acho que:
1. não cabe aos políticos apregoar nada sobre os costumes privados, já que as suas funções são apenas da esfera do que é público;
2. Não cabe aos eleitores saber nada sobre a vida privada dos políticos, já que as suas funções são apenas da esfera do que é público;
3. Mesmo que o político exceda a sua esfera de competências, apregoando valores que são do domínio da vida privada, continua a não caber ao eleitor saber se ele é coerente, porque mesmo falando ele de valores que são do domínio da vida privada não passa a ter competências nesse domínio. A sua hipocrisia continua a ser um assunto irrelevante para os eleitores.
4. A hipocrisia é um defeito universal sem o qual a vida em sociedade seria impossível.
Caro Daniel Oliveira, também eu faço a mesma pergunta. O que eu disse foi “apontado por alguns”, baseado no que li sobre ele aquando da sua nomeação.
Mas nem era isso que eu queria saber e também não pus a questão por o Daniel ser do BE.
Queria mesmo saber a sua opinião sobre ter havido uma evocação formal da Cimeira dos Açores, com a presença oficial de um membro do (deste) Governo.
(o Daniel preferiu comentar o pormenor que estava entre parêntesis).
Costa Nunes, leia de novo a primeira frase do meu comentário. São caracteres a menos para o satisfazer?
Tem razão. Peço desculpa por isso e reforço o pedido de desculpas por ter introduzido um tema que não tinha a ver com o post.
A big brotherização da política à portuguesa está em marcha…nada que surpreenda…
Infelizmente a alguns media interessa muito mais a forma do que o conteúdo, para “agarrar” ainda mais os auditórios de novelas e futebóis.
Pão, circo e alienação das massas.
Quem quiser que compre…
Quanto às entrevistas, mais parecem um episódio do “querida mudei a casa”. Deprimentes. Mas ainda assim, Sócrates muito melhor que Menezes.
Quanto à história do governador, o Daniel continua off topic. A questão aqui não é saber se aquilo que os políticos fazem na sua vida privada é relevante para os cargos que ocupam na esfera pública. A questão aqui passa por saber se é ou não relevante avaliar a esfera moral de um procurador que passou a vida a perseguir máfias económicas, e que, pela sua conduta privada, acaba por “alimentar” essas mesmas máfias. É essa a questão.
Por outras palavras, acharia irrelevante que o coordenador de uma hipotética brigada anti-tráfico de droga consumisse droga no sossego do seu lar? Eu pessoalmente acho que não é irrelevante.
Comovente!
Esta é, seguramente, uma tentação em tempo de Quaresma. A televisão substitui o diabo, no seu papel de tentar enganar quem está debilitado.