Este é um comentário irónico ao facto de eu criticar a existência de publicidade encapotada em manuais escolares do primeiro ciclo. Repito: publicidade não identificada como tal em livros de estudo para crianças com menos de 10 anos. O comentário é coerente na defesa da absoluta liberdade do mercado, que está tão em voga. E merece aplauso por isso mesmo. E eu nem faço comentários. Nunca seriam tão eloquentes como o post que me critica. Nenhum limite é aceitável.
Por Daniel Oliveira 31 Jan 08 em Mercado e LiberaisSem respostas ao post “Tragam a mim as criancinhas”
- 1 Pingback on 31 Jan 2008 às 16:55



Eu acho muita piada ao argumento do “eu não sou fraco, não faço o que a publicidade me diz” … as empresas é que devem ser parvas porque investem 500 000 000 000 $ por ano em publicidade e esta, pelo que diz esse comentador, é ineficaz a criar pulsões consumistas.
como disse uma vez:
Sei bem que as suas dendrites perspicazes filtram singularmente a manipulação, retendo apenas a informação relevante. E é por haver tantos como o caro leitor, é devido a esta manifesta ineficácia da publicidade, que o investimento mundial neste negócio se limita a uns míseros 500 000 000 000 $ anuais.
Uma coisa que me faz confusão é esta reacção “anti-proteccionista”.
Se as pessoas fossem sempre racionais a propaganda e a publicidade pura e simplesmente NÂO FUNCIONAVAM. Ponto.
Ser publicitário implica precisamente dominar a linguagem e os estímulos necessários para gerar a resposta pretendida.
Se se apelasse exclusivamente ao racional, não seria publicidade, mas sim informação.
Se a informação bastasse para estimular comportamentos, não havia SIDA nem fumadores nas sociedades modernas, nem excesso de velocidade, nem familias individadas com créditos pessoais fáceis.
O consumidor 100% informado e racional é um mito. Ainda para mais se é um pré adolescente que não leu manuais de psicologia social.
Se os manuais tem publicidade, quer dizer que são patrocinados, e se são patrocinados, é suposto para reduzir os custos dos mesmos, certo? Se não reduzem os custos (e nem sequer estou a discutir a simples questão de os manuais deverem ser neutrais e não espaços de publicidade), para que serve a publicidade?
Repito, não li em lado nenhum que a publicidade seja paga. As conclusões parecem ser abusivas uma vez que desde sempre os manuais mostram ilustrações com e sem marcas.
Por honestidade, valeria a pena mostrar também a minha resposta ao comentário:
“Sou totalmente contra se essas imagens forem pagas, caso contrário, qual é o problema? Não são coisas naturais do nosso mundo? Qual a diferença entre uma lata de coca-cola num manual escolar e outra num caixote do lixo?”
O post foi escrito antes de ler a sua resposta. Ainda assim, está o link em que as pessoas podem ler o seu comentário. Já agora: como sabemos se pagaram ou não? E mais: do ponto de vista do consumidor, qual é a relevância de saber se pagaram ou não. E qual a vantagem de ter marcas?
Daniel, sempro me lembro de ver garrafas de coca-cola nos meus manuais. Muito antes de 1995. Assim como sempre me lembro da imagem ilustrativa do 25 de Abril ser a forografia do Otelo.
Qual é a diferença para os dias de hoje? Porque é que isso há-de ser fomentado pelas empresas? Onde está neste “estudo” a intervenção directa destas na elaboração dos manuais? E se existe, porque não o refere a notícia do Expresso?
Parece-me que o que demonstra bem os tempos vivemos é esta tendência de disparar contra tudo o que mexe em defesa da educação das nossas criancinhas. Se ao menos olhássemos primeiro para dentro das nossas casas… talvez não precisássemos que o regulador subsituísse a família!
Claro que é vergonhoso, inadmissível e irresponsável fazer publicidade a produtos nos livros escolares.
Se a publicidade não for paga, excluída a intenção lucrativa dos responsáveis, só sobra mesmo a tontaria de uma atitude dessas.
Outro dia num jornal qualquer um pai lamentava-se que o filho de oito anos tinha copiado tudo da internet sobre um trabalho que lhe tinham mandado fazer na escola sobre a escravatura.
Fiquei aterrorizado ao ler a notícia e não foi pelo problema do pai.
Sobre este assunto li uma explicação que remete para a necessidade de focalizar a atenção das crianças, (parece-me que o falado manual é para o segundo ou terceiro ano), em casos concretos apelando a objectos reconhecíveis.
Acho bem.
«Se os manuais tem publicidade, quer dizer que são patrocinados, e se são patrocinados, é suposto para reduzir os custos dos mesmos, certo?»
Não. É “encapotada”… Que eu me lembre, até nem é assim tão comum, mas a minha referência não são os livros de 1º ciclo…
Faço votos que leiam Freinet, ou que se inteiram sobre a Escola de Palo Alto, percurssores do Movimento da Escola Moderna…