Estas são as primeiras directas realmente renhidas em qualquer partido. E nelas podemos ver todas as desvantagens desta nova moda. Os líderes são eleitos num momento diferente em que a orientação do partido é votada. O debate fica vazio. Os militantes acompanham a discussão pelos jornais. O debate é mediado. Os candidatos falam mais para dentro do que quando se dirigem a delegados, mais preparados para ponderar variantes externas ao partido. O partido expõem-se mais mas fecha-se. Os líderes desgastam-se ainda antes de o serem. E como directas difíceis só acontecem a quem está na oposição, fragilizam sobretudo quem já tem a tarefa dificultada. Os congressos são violentos, mas duram três dias. Dois meses depois de se atacarem, é mais difícil colar os cacos.
É verdade que as directas são, do ponto de vista interno, mais democráticas e mais transparentes. Mas fecham ainda mais os partidos em si mesmos, beneficiam o populismo e fragilizam quem está na oposição. E mais democracia nos partidos nem sempre se traduz em mais democracia no país. Todo o poder para o militante pode mesmo querer dizer menos poder para o eleitor.
O que seria verdadeiramente democrático: directas com o voto do eleitorado. Mas é viável? Se não é, mais valia voltar aos velhos congressos, sem lugares por inerência e com regras mais claras.
Post publicado no 31 da Armada
Por Daniel Oliveira 28 Set 07 em Partidos


As Directas podem ter defeitos, como tudo, mas tornam o processo electivo do Líder muito mais representativo e democrático.
Um dia teremos directas no Bloco de Esquerda.
E daqui a muitos anos no PCP.
As directas impõem-se não só para eleger o líder do partido mas também para eleger todos os candidatos dos partidos a qualquer lugar público. Mas não precisam ser este folclore todo que é em Portugal. Veja-se como se passou a transição Blair-Brown no Reino Unido. Houve directas no Partido Trabalhista, onde não se viu nada do que se vê aqui em Portugal. Triste país, em tudo!