Os partidos rapidamente perceberão que a eleição directa dos seus líderes é um suicídio político. No partido que está no poder é indiferente. No partido que está na oposição é uma sangria. Com as directas gasta-se dinheiro, energia e racionalidade política. Fecha-se, como se tem visto no PSD, o partido em si próprio e fixam-se as oposições internas nas suas posições. As energias que deviam servir o partido servem cada uma das suas facções. A comunicação para o exterior, que deveria servir para falar do país para o país, serve para falar do partido para o partido.
Sendo má para o partido que está na oposição, as eleições directas acabam por prejudicar a democracia. Parecendo mais democráticas são menos. Porque afastando ainda mais os partidos dos cidadãos fecham a democracia nos fúteis combates internos. A verdade é esta: a eleição directa das lideranças fragiliza a oposição, torna mais difícil o controlo dos financiamentos (que hoje se faz logo nas eleições internas) e fecha os partidos ainda mais em si próprios. Partidos mais abertos são partidos que sejam um pouco menos dos seus militantes e um pouco mais dos seus eleitores/apoiantes. As directas fazem o oposto.
O resultado está à vista no PSD. A um ano das eleições e sem poder à vista assistimos à implosão do maior partido da oposição. Um dia acontecerá o mesmo ao PS. Esperemos que PS, PSD e CDS recuem neste erro histórico. Mas agora não vai ser fácil.
Por Daniel Oliveira 12 Mar 08 em Partidos


este tipo de análises bicéfalas não se enxergam; os comentadores da praça não querem crer que a partidocracia está moribunda. E na falta de iniciativas (e de inapetência da bezerrocracia instalada) para se auto-organizarem grandes movimentos populares em defesa de causas, não conseguem prever que o próximo passo será o lançamento do “grande partido nacional” de iniciativa Presidencial (com este presidente, nomeado pela Nato, que toda a gente aceitou como bom). Como em França. Numa primeira fase, canibalizam clientelas de todos os partidos; numa segunda é o regresso às ruas; e esta parte é que é a mais gira,,,
Nenhum escroque deve ter o privilégio de se sentir seguro integrando governos ultra
E o que será um partido se não houver debate interno? O que será dos partidos políticos quando a ala ortodoxa não debater com as alas mais liberais? O problema do PSD não é puramente interno. O problema do PSD chama-se PS/Sócrates.
Defina racionalidade política. Democracia só é demais para quem tem medo dela.
Se com eleições directas fosse possível irradiar o Louçã, eu comprava disso.
Quando ouvires falar mal dos partidos, não há que enganar: ou é fascista ou é comunista.
O problema não está nas directas,mas sim na péssima qualidade do candidato escolhido.Esta alteração de regulamentos favorece o caciquismo sem o qual estes personagens não conseguem sobreviver.Mas o PSD estava em desvantagem logo á partida,não nos podemos esquecer que aquelas “sumidades”do grupo parlamentar foram escolhidas por Santana Lopes
Tem consciência que eu não falei mal dos partidos, não tem?
Já agora, nem eu sou comunista nem isso que disse bate certo com os comunistas, que têm uma autêntica adoração pela instituição “partido”
Ali …..irradiar o Louçã????
Democracia só é demais…. para quem tem medo dela ……
É exactamente por isso, que não será o Ali ,a decidir, quem deve ou não ser irradiado.
Será o Bloco em primeiro lugar, a tomar essa decisão.
E se realmente respeitamos a democracia,será o povo em eleições livres que dirá se quer ou não,o Louçã como deputado…
Até lá senhor Ali ,só tem de aceitar a democracia que tanta apregoa, mas pelo que escreve…… pouco pratica
Oh Ali, um pouco de reflexão não lhe faria mal nenhum… Eu também não simpatizo com o Louçã, mas isso é um problema das gentes do Bloco( ao qual não pertenço nem simpatizo para que não haja confusões)
O Daniel, felizmente, não mostra medo nenhum da democracia. Você é que parece ter aí uns medos mal escondidos, mas descanse que ninguém quer comer criancinhas ao pequeno almoço. E quanto ao Louçã não entendo porque se assusta tanto. Se não simpatiza com ele não lhe ligue. Se é do bloco exprima-se. Se não é uma coisa nem outra não tem o direito de o tirar de lá, pois aí aparece um cheirinho de fascismo. É verdade. Onde está o seu clamor democrático depois de uma afirmação dessas?
Quanto ao post: Parabéns! Sub-escrevo na totalidade.
Estou a ver que entrámos na lógica do “Democracia é bom, mas assim tanta democracia também não”
O Daniel concentra-se no conceito de directas actualmente existente em Portugal. Há outras possibilidades de organizar directas. O exemplo mais óbvio vem dos EUA. O Daniel não acha que as directas, ou primárias, americanas, tornam muito mais democrático o processo político americano? Acha que fenómenos políticos como Obama teriam qualquer chance de acontecerem se fosse a “elite partidária” a escolher os candidatos presidenciais (e, já agora, a todos os outros lugares eleitos nos EUA)? Acha que uma agenda reformista em “partidos de poder” alguma vez será escolhida pela “elite partidária” a quem apenas interessa ganhar eleições (ao centro, claro) e exercer o Poder?
O problema das directas portuguesas está no facto de serem limitadas aos militantes, que nos “partidos de poder” são essencialmente pessoas que andam à procura de tachos (e panelas). As directas são um passo, pequeno, muito pequeno, mas um passo na direcção duma democracia mais participada pelos cidadãos. Que para mim deve ser o objectivo número um da Esquerda: promover a participação, a tomada de decisões democraticamente, desmantelando as cadeias de Poder que controlam a sociedade a todos os níveis.
Em qualquer sistema de eleição há um prejuízo associado para a plena democracia. Não faz sentido criticar um sistema em particular sem relativizar em relação às alternativas. Na minha opinião o Daniel identificou bem algumas falhas deste sistema, só que estamos perante um mal menor, ou seja dentro dos limitados sistemas de eleição este é o que menos erros propagação oferece ao resultado final. Penso também que incorreu numa “pequena” falácia quando associa as directas a um fecho dos partidos sobre si próprios, quando uma eleição partidária é por definição fechada ao partido e portanto dentro do sistema então não há eleição mais aberta do que as directas. Quanto à generalização do que se está a passar no PSD para esse “teorema partidário” que tentou montar, parece-me um mau ponto de partida tendo em conta as singularidades do sistema laranja.
Miguel, eu acho que é menos democracia e não mais, porque afasta mais os eleitores dos partidos
Viana, o Partido Democrata e o Partido Republicano são federações de eleitores e eleitos, não comparáveis aos partidos europeus. As primárias americanas seriam impraticáveis com cinco partidos parlamentares.
Não, o Daniel não falou contra os partidos. Foram outros aqui, como o Xatoo. Em relação aos comunistas, eles não gostam de partidos, no plural, adoram é o partido deles, o que é muitíssimo diferente.
Eu não preciso de estar no Bloco para dizer o que penso sobre o Louçã e o que desejo a respeito do mesmo. O Nuno Góis tem que estudar mais um bocadinho os conceitos de fascismo, de liberalismo, de democracia, pois a confusão nessa cabeça parece ser muita. Tem sempre o fascismo debaixo da língua?
O Louçã é um chatarrão insuportável, só estou a desejar o bem do BE ao desejar que ele seja despejado em eleições directas e trocado por outro dirigente menos marxistóide, menos dogmático e, not least, que saiba sorrir sem ser com aquele sorrisinho amarelo, mau, confrangedor. Já repararam que o gajo não tem um sorriso natural? Como ele passa a vida na TV há 20 anos, acho-me com todo o direito a aspirar que o homem largue o écran a alguém com um discurso menos sacristista.
Consultei o povo: ele respondeu-me afirmativamente «Não!»
Um deputado citado em Remarques (Junho de 1958)
Daniel Oliveira tem toda a razão.
Não de devem entregar decisões importantes aos filiados de um partido, no fundo o povinho que como todos sabemos é muito permeável à demagogia e pode assim ser levado a votar em quem não deve.
Estas decisões devem ser sempre tomadas por um cúpula dirigente, que ouvindo as bases, decidirá o que é melhor para elas num centralismo democrático.
E como é que se passa das bases para as cúpulas dirigentes.
Não sei e se querem saber perguntem, sei lá, a Francisco Louça?
Eu acho que o meu post é bastante claro. Mas repito: centralizar mais poder nos militantes tira poder ao povo, que são todos os eleitores e não apenas os militantes.
Muito mal comparado: o que é mais democrático? O Procurador Geral da República ser nomeado pelo Presidente da República (que foi eleito) ou eleito pelos procuradores do Ministério Público? O exemplo é muito diferente, mas talvez ajude a perceber que os partidos, não trabalhado exclusivamente para os seus militantes, não devem centralizar todo o poder nos militantes.
A solução americana seria a melhor, mas impossível nestas condições.
Os congressos (sobretudo se se acabar com a inerências) são igualmente democráticos, menos personalizados no líder e conseguem ponderar mais facilmente outros factores para além das questões internas.
Viana disse:
“não acha que as directas, ou primárias, americanas, tornam muito mais democrático o processo político americano?”
só para corrigir uma ideia errada: na América quem vota nas primárias também são apenas e só os militantes do partido.
Foi esse sistema que nos estão agora a obrigar a copiar. O Sócrates já foi “eleito” à americana, por directas, na verdade S. é apenas um produto de lobbying
Quando o Daniel diz que primárias como nos EUA são impossíveis no sistema político europeu, provavelmente esqueceu-se do que aconteceu em Itália há cerca de 2 anos atrás:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/4348120.stm
Não há razão nenhuma para que o processo não seja aplicável a partidos. Compreendo que o Daniel se sinta desconfortável com a ideia de pessoas que são menos interessadas, ou militantes, ou conhecedoras, possam ter influência num dado partido. Mas devia pôr de lado esse receio e ver numa primária aberta a oportunidade para um partido contactar com os seus simpatizantes, ouvi-los, perceber o que os move, quais as suas preocupações, e envolvê-los nas suas actividades.
viana, não me sinto nada desconfortável, pelo contrário. Mas recordo que as primárias da esquerda italiana se deram num contexto de unidade de toda a esquerda. De facto, só assim é possível.
xatoo: isso não é verdade. Não são militantes. São eleitores registados como republicanos ou democratas, o que é muitíssimo diferente. Se fossem militantes os EUA seriam o país do mundo com maior percentagem de militantes partidários. Isto quer dizer que tirando nas primárias esses eleitores não t~em qualquer poder ou participação na vida dos respectivos partidos. Até porque a vida desses partidos é quase nula quando comparada com o funcionamento dos partidos europeus. São realidades incomparáveis.
Ri-me bastante com a expressão “centralizar mais poder nos militantes”. É hilariante, mesmo que não fosse seguida por “tira poder ao povo”, que
é o gag final. Centralizar nos militantes. Lindo.
Como é que uma eleição directa tira poder ao povo? Só se for da mesma maneira que a apresentação de quaisquer candidatos em quaisquer eleições tira aos eleitores a possibilidade de votarem em si próprios, nos primos, no merceeiro, no vizinho e, sobretudo, na vizinha.
Entre directas ( CDS/ PSD/ PS ) e líderes vitalícios (BE /PCP), apesar de tudo a primeira alternativa parece-me ser mais democrática.
Bolas, aprendeste com a Edite Estrela que o povo é demasiado ignorante para decidir coisas sérias?
Oh meu caro Daniel. O Sistema é podre, claro está, porque os militantes increvem-se num partido político (dos grandes) com a mesma esperança e sentido cívico com que se inscrevem no IEFP. É ver o corridinho nas afiliações quando se perspectiva mudanças na habitual alternânci. Mas daí a passar de acérrimo crítico dos caucases e do sistema eleitoral americano a gabá-lo, vai uma interessante reviravolta. Is it the Obama Syndrome? Abraço
claro que “militantes ou eleitores registados” são realidades diferentes, segundo os conceitos europeu ou americano.
O que interessa concretamente é que só eles é que votam e não chegam a 40% dos eleitores americanos possiveis; enquanto regra geral se pretende passar a ideia que a participação é um processo que envolve a totalidade da população, ou que todos podem ir a correr “registar-se”. Não é verdade; e ainda tem mais esta, caucus são uma coisa, primárias outra:
The primary elections are run by state and local governments, while caucuses are private events run by the political parties
http://en.wikipedia.org/wiki/United_States_presidential_primary
xatoo, apenas disse que não eram comparáveis. Dar todo o poder aos militantes significa dar todo o poder não a 40% dos eleitores mas a pouco mais de 5% ou 6%
Caro Ali acho piada a essa de só estar a desejar o bem do BE… Fico com uma certa curiosidade se deseja mal a algum partido ou quer que sejam todos felizes com o melhor dos líderes, isto para si, claro. Se assim for arranjaremos a liderança perfeita e um só partido. Para quê tanta confusão?
Por outro lado não acho que esteja assim tão confuso, se não repare, eu também disse que não gostava do Louçã( aliás não o suporto ) e não sou do BE, só disse que era uma questão que não me preocupava e que achava que você estava demasiado preocupado.
Mais simples do que parece não?
ps: e o Garcia Pereira há quantos anos o ouve? e preocupa-o da mesma forma?