
Vi ontem a longa entrevista de Zita Seabra à RTP por causa do lançamento do seu livro de memórias políticas. Valeu a pena. Não para conhecer a história do PCP ou sequer para conhecer o pensamento político de Zita, se é que ele realmente existe. Foi um retrato psicológico muitíssimo interessante. Zita Seabra fez um retrato robot do militante comunista. E, para ela, esse retrato robot só pode ser o retrato do seu passado. É impossível, tem ela a certeza, que alguém fosse diferente. Se diz que era, mente.
Os militantes comunistas, todos eles, são frios, insensíveis, duros, desumanos, incapazes de sentimentos e de solidariedades que não sejam estritamente políticas. Todos estalinistas, todos obedientes, todos prontos para disparar à primeira ordem.
Uma resposta rápida a uma pergunta rápida quase passou desapercebida. E, no entanto, ela é mais esclarecedora do que tudo o resto. “Tem amigos no PCP?” Resposta sem que se tenha apercebido de como era trágica: “Não”. Dá que pensar. Alguém que dedicou toda a sua vida a um partido, que quase só tinha amizades nesse partido, diz que de meia vida não guarda um só amigo? Dirão: foi o que lhe fizeram. Ou dirão: todos a mal-trataram. Ou dirão ainda: quem sai do PCP é excomungado das relações pessoais. E a isso eu respondo que é mentira. Conheço demasiadas pessoas que saíram do PCP. Algumas de forma ainda mais traumática e em tempos mais difíceis do que Zita Seabra. Não conheço nem uma que não guarde de lá amizades para a vida. Note-se que não faço nenhum julgamento moral do facto. Era o que mais faltava. Apenas acho que ele revela uma dimensão que no caso do PCP nunca pode ser desprezada: a dimensão humana.
Por razões que não interessam aqui, reparei na forma como Zita Seabra se referiu a pessoas que lhe foram tremendamente próximas e não só politicamente. Chamou-lhes “camaradas”. Apenas, sem mais. E ao ouvir isso apercebi-me que não sendo o PCP apenas o que Zita Seabra pinta, ela era e continua a ser o que de mais trágico se conhece da cultura comunista. A verdade é que Zita Seabra sempre representou, como dirigente, o pior da cultura estalinista do PCP. E, no lado humano como olha para a sua história, continua a representar. Não mudou a sua natureza: as pessoas como instrumentos, a desumanização do adversário e esquematismo mental. Está lá tudo. Não, não eram nem são todos como ela.
É por isso natural que Zita Seabra olhe para cada comunista à sua imagem e semelhança. A ela não pode passar pela cabeça que o problema não era apenas ideológico. Era humano. E que outros (tantos e tantos) tenham vivido e continuem a viver o “ser comunista” de uma forma diferente. Terá muita razão em muitas coisas que disse sobre a cultura do partido. O problema é que repete uma das mais graves: as pessoas não existem para lá do que foram e do que são no partido. E como é assim que sente, teve “camaradas” e não lhe ficaram “amigos”.
E depois vem o seu precurso pós-PCP. Que fique claro: é tão legítimo como outro qualquer. Mas Zita Seabra acha que não. Os outros saíram para negociar no mercado do PS. Ela saiu sozinha e é livre. Os outros nunca cortaram com o seu passado e mentem em relação a ele. Ela é honesta e diz toda a verdade. O esquema mantém-se: se outros seguem um caminho diferente o problema não é político, é de carácter. O mesmo julgamento de que foi vitima faz ela aos restantes.
Sair do PCP é uma experiência dura. Terá sido especialmente dura para uma mulher com o percurso de Zita Seabra. Mas ao ouvir a entrevista percebi melhor porquê: Zita Seabra saiu do estalinismo que desumanizava o outro. O estalinismo é que não saiu dela. Ela olha para o PCP e o que vê é a sua imagem reflectida no espelho. Que não aceite que podia ter feito diferente, como tantos e tantos fizeram (e muitos deles continuam no PCP), é natural. Seria talvez um processo bem mais doloroso. Mas outros o fizeram. E talvez por isso não sejam tão severos. E talvez por isso do PCP guardem amigos e não apenas ex-camaradas.
A Zita Seabra aconselho “A Vida dos Outros”. Não sei se o perceberia. As pessoas são mais do que as suas convicções. E apesar de tudo o que ouvi ontem e me deixou estranhamente incomodado, por razões que ultrapassam em muito a política, acredito que Zita Seabra também fosse mais do que as suas convicções do passado e seja mais do que as suas convicções no presente. Só que isso complica muito o julgamento moral que fazemos de nós próprios. Se tivermos sido apenas um instrumento da ideologia, parecendo que assumimos todas as culpas não assumimos culpas nenhumas.
Do livro falarei quando o ler.



Quem é Zita Seabra?…
Apetecia-me dizer tanta coisa.
Mas não,por agora não digo nada.
Nem ou ler o livro.
Aplaudo o seu ou teu,não sei,comentário. Muito bom!
também não sei quem é a zita seabra… mas passei a saber que é o daniel oliveira. e foi um enorme prazer que não quero deixar de agradecer (que se lixe a rima…)
também não sei quem é a zita seabra, mas fiquei a saber quem é o daniel oliveira. e foi um prazer que não quero deixar de agradecer (que se lixe a rima…)
Pois eu tambem vi a entrevista, e as conclusoes a que cheguei não têm a ver com Zita Seabra, mas sim com Cunhal e a forma como realmente o PCP em particular e o comunismo em geral funciona. De Cunhal rapidamente nos apercebemos que era um homem calculista, egocentrico e que faria o que fosse necessario para se tornar um lenin portugues, sem olhar a meios. Percebemos tambem que sao esses Estalinistas que controlam o PCP, a linha dura e implacavel. Esses que fazem amizades nao passam de militantes… Nao sei o que o Daniel pretende, quando diz q nao sao tds iguais ( podem nao ser), talvez dizer que o comunismo nao tem de ser feito atraves d colectivizaçoes ou de campos de concentraçao, mas a realidade é essa, e a experiencia do Sec XX em que as barbaridades vermelhas nao tiveram paralelo, parece que em nada alteram o romantismo das causas nobres na luta a contra a “opressao” de trabalhadores que nunca conheceram. É-me particularmente chocante, saber que de facto toda essa gente que pertencia ao PC e pertence, tinha conhecimento de tds as barbaridades que eram praticados por esses regimes sem lhes fazer diferença e estando convictos que fariam o mesmo a propria familia se necessario. Foram tempos em que viviamos em ditadura e em que a luta clandestina, que poucos efeitos praticos teve, era dirigida por ditadores…
Só uma breve nota para lembrar que o actual PS também já tem a sua Zita Seabra…A Zezinha. Só falta formalizar o acto, que, ao que julgo, ocorrerá em momento oportuno e apadrinhado por Socras (que não poderá dispensar mais este troféu pescado à dtª) e pelo Costa na Câmara.
Portanto, aguardemos mais um livro lá para 2010 sobre “A Vida dos Outros”, agora referido ao PP/CDS/Portas…
Isto está a ficar lindo!
Paulo
caro daniel.
Eu também vi a entrevista.
E também fiz a mesma análise…mas que frieza, que calculismo, que pessoa estranha, no mínimo.
Durante 25 anos e não deixou lá amigos??Coisa muito estranha…
Eu não sei escrever como o daniel, por isso se não se importa vou copiar todo o post e editá-lo no meu humilde blog.
Claro que colocarei a proveniência do mesmo.
Abraço. Gosto de o ouvir, a todos, no Eixo do mal, sou fã desde o seu início.
Abraço.
Vi e já comentei no meu blog o que penso.
Acontece que uma vez comunista, comunista para toda a vida.
É quase a mesma coisa que um pedófilo que sai da cadeia e reclama que a vizinhança se possa mostrar indignada com a sua presença porque está “curado”.
Chegou, para ela, a altura de ajustar contas. E fê-lo.
Presumo que para Daniel Oliveira que provavelmente se julga um comunista moderno terá sido doloroso este escancarar de portas.
E para outros também, como mostra exemplarmente a pergunta que o comentador anterior faz.
Excelente post!
Ouvi a entrevista da gaja. Subscrevo o que dizes.
Também ouvi. Valeu a pena, sim senhor!
De facto, em termos de carácter, ela mantém o mais puro estalinismo.
Vi a entrevista, e o que me ficou foi um retrato, do que mais sectario , e negativo existia e existe no PCP.
O que é que este retrato tem a ver, com homens da fibra do Dias Lourenço, ou do Francisco Miguel ,nada.
Há no PCP, felizmente ainda alguns homens e mulheres, cada vez menos por sinal, que vindos dos tempos duros da ditadura, sempre conseguiram ser comunistas ,no verdadeiro sentido da palavra.
Pensavam pela sua cabeça, discutiam, não procuravam cargos, nem medalhas, a sua dedicação ao partido era por convicções,e por elas , estavam dispostos a dar tudo ,até a vida.
Não falavam em sacrificios, porque essa palavra não existia nos seus dicionarios, a entrega era total , porque era essa a única maneira de se alcançar um fim , e por isso era feita sem qualquer especie de sacrificio.
Tinham por todos aqueles que na esquerda lutavam pelo derrube da ditadura, o respeito e a amizade, de quem apesar de não comungar dos mesmos ideais, sentiam como verdadeiros companheiros de luta.
Alguns conheci, e nada tinham a ver com as ZITAS, e as futuras zitas que por lá hoje pululam.
Um bom exemplo dessa mentalidade,sectaria obtusa e seguidista é a forma como o PCP tem insidiosamente atacado a candidatura de José Sá Fernandes.
Estou de acordo na generalidade com o post. Zita Seabra , disse muitas verdades: o controleirismo, o pensamento único, as fragilidades de cada um aproveitadas para o confronto, o julgamento.
Não gostei do modo como se referiu a Carlos Brito com uma insensibilidade extraordinária, mulher fria .
Disse que só se pode ser comunista dentro do PCP é como é este PCP.
Penso que não, pode-se ser comunista neste tempo, sem centralismo democrático, sem leninismo e em liberdade.
Tem razão Daniel. Não é preciso que se exagere para apontar os defeitos da organização do PCP. Tem muito boa gente, e conheço alguns.
Realmente, que a Zita Seabra saia de lá sem um único amigo, revela claramente mais sobre ela do que sobre o partido.
Excelente post.
D.ZITA
Tudo bem, Daniel.
D. Zita não saiu do PCP pelas razões que deixa entrever na entrevista e explicita, diz-se, no livro.
Se assim fosse, a D. Zita teria estado na luta pelo sim ao aborto, criticaria duramente a agressão ao Iraque e à Pales ina, levantar-se-ia fulminante contra Guantânamo e Abbu-Grahib, estaria contra o Código Bagão Félix, a Directiva “Frankenstein”, agora contra a flexi-segurança, lutas absolutamente anti-stalinistas!
A D. Zita apenas é anti-stalinista enquanto o stalinismo não lhe servir a ela e aos seus novos correlegionários. Como a serviu antes. Terá certamente outro nome e até outras parecenças e paralelos históricos, mas a essência é a mesma. E tu caracteriza-la bem, embora incompletamente.
A crítica, (e a autocrítica) do stalinismo só tem sentido se for feita de um ponto de vista da luta pelo progresso, pelos direitos humanos, do serviço público, da liberdade dos que trabalham, pela paz, pela solidariedade e pela transformação social, ou seja pelo socialismo, ou seja por aquela ambição inscrita na história da humanidade, descrita por Marx e deturpada (e invertida) pelos seus detractores: a de que o bem estar colectivo apenas resultará do bem estar de cada indivíduo. Ou seja, é preciso defender a sociedade (Foucault)
O estalinismo lato sensu, como paradigma digamos assim, está inscrito em todo o poder que se auto-justifica com a eficácia e com a necessidade. O poder que põe a sociedade a trabalhar para si próprio porque só dessa forma a sociedade encontra caminho, se salva (o stalinismo não está longe da ortodoxia religiosa). Sá Carneiro com Soares Carneiro em 79/80, Cavaco no seu consulado de 85 a 95, Sócrates hoje (tem piada que Soares com todas as manigâncias que fez nunca caiu nisso, excepto quando se entusiasmou com a Lei de Segurança Ingterna), estão na calha, claro que à maneira modernaça do bloco central.
As condições de prosperidade do capital, desde o Joe Berardo ao Jardim Gonçalves, do vendedor de latrinas Cheney ao vendedor de software Bill Gates, sem incidentes de maior determinarão a maior ou menor incidência da repressão, da vigilância e da honorabilidade da bufaria.
D. Zita encontrou outro centro de interesse (s). Escorre mais daquele lado. Afinal é o seu, esgotada a mama “soviética”.
Passou para o lado do inimigo (desculpa lá mas isto não é só conversa de ideias diferentes, de estar de acordo e em desacordo. Com essa gente, quando eles acham que é preciso, é mesmo a doer; aliás basta olhar por esse mundo fora, não é?), de armas e bagagens, incluindo o estalinismo intrínseco, como bens o dizes, e que bom jeito lhes dá.
E o ter passado para o lado do inimigo é talvez uma das razões porque não tem amigos no PCP.
Felizmente, digo eu.
Excelente post! O seu,Daniel é claramente equilibrado,porque é o testemunho de quem esteve no PCP. Conheci muitos militantes do PCP,gente que não procurou cargos nem bajulou o Chefe para atingir determinados fins.Mas com tantas versões,tantas opiniões,concluo que Zita Seabra é uma anti-comunista primária.No final disto tudo,fico sem saber “o que é ser comunista”.Ler a biografia(nao autorizada) de Alvaro Cunhal e os livros por ele publicados,dá contudo,uma perspectiva do que foram os comunistas.
Caro Daniel, Umas horas depois da entrada com a Zezinha, a Zita do PS, retorno ao post (excelente a análise) e aos comentários, para levantar mais uma questão, que sempre me interrogou na dita personagem Zita: que tem todo o direito a mudar, a ser recebida nos antípodas, a analisar com uma frieza incrível o seu passado - brrr, a mulher mantém a foice e o martelo no lugar do coração- aquela de não ter deixado amigos é de arrepiar os cabelos!!!!. Mas dizia que tudo isso eu compreendo - afinal, a senhora não está a justificar o seu passado, justifica é o seu presente. Tudo bem, tem todo o direito a comer mais vezes no Gambrinus e a vestir-sae na loja das meias, algo difícil nos tempos da clandestinidade…compreendo. Já classifico, no mínimo como estranho e a mercer outros livros e estudos(daria uma boa tese de doutoramento estudar aquele passado…), é o facto de ter vivido tanto tempo assim “enganada” e ter julgado “normal” esse ambiente PC. Comprendo que a pressão era muita, o controle, os controleiros, a clandestinidade, as lavagens ao cérebro com o Suslov(?)e a presença do Cunhal mas, a senhora andava na rua, lia o que se passava no mundo, lia jornais “normais” (sem ser o Reader Digest), sabia o que se tinha passado na gloriosa PCUS desde os anos 50, os estudos independentes sobre o camarada Staline, as purgas, os dissidentes…havia estudos, notícias crediveis, e nunca achou nada estranho em tantos anos. Grande máquina de sugestão era a internacional comunista e aquele PC…percebo que a senhora tenha muito que justificar!!!
Caro daniel,
tens razão, toda a razão, parabéns pelo post!
tenho amigos no psd que já trabalharam com ela e o que me disseram foi isso mesmo: frieza, sectarismo, estalinismo… tão forte que uma amiga minha não resistiu a dizer-lhe: tenho de me despachar que tenho de apanhar o meu namorado que está sair de uma reunião do bloco e combinámos a esta hora! (claro que mentia, mas quis-lhe ver que um certo psd não é assim, é democrata)
Pena é que não a varram de lá!
bom, que tamém aqui como em todas as coisas, segundo o sábio, nem tudo é mau, vendo como de prò velhinha ao menos já não diremos da Zita essas de má da vida mulher ou que tais!…
e deu la guarde assim bem, atão!
Por razões de higiene, não vi a entrevista, pelo que não posso comentá-la.
A minha opinião sobre a senhora (pré-conceito, digamos) sai reforçada pelo artigo (os meus parabéns) e pelos comentários.Só não percebi o comentário de Peter. deixem-na lá estar, que está muito bem!
“Sair do PCP é uma experiência dura”?
Não achei nada: escrevi uma carta, pu-la no correio e não voltei ao centro de trabalho a não ser uma vez, anos depois, para fazer companhia a outra pessoa. Os que me olharam de través depois de sair já me olhavam de través enquanto lá estava, até porque nunca me coibi de dizer exactamente aquilo que pensava, no PCP ou fora dele. Os que não me olhavam de través antes de sair, não passaram a olhar depois de ter saído. E quando voltei ao centro de trabalho ninguém me impediu a entrada.
Quanto à Seabra, tenho desde sempre a mesma opinião sobre a senhora: não vale o ar que respira nem o chão que pisa.
Daniel Oliveira.
O seu post é uma de leviandade infantil.
Você, que julgo não ter sido membro do PCP e, muito menos, seu dirigente, arroga-se a julgar a Zita Seabra e o que ela diz de si própria enquanto membro do PCP, militante empenhada desde a juventude, com anos de clandestinidade como “amiga” (e só depois camarada) das casas do partido e por fim alto dirigente (membro do Comité Central e da Comissão Política) pelo que conhece de militantes comunistas que saíram do PCP. Não lhe parece que não deveria julgar um pelo que conhece de outros? Deveria falar com esses seus conhecidos antes de escrever o que escreveu sobre a Zita Seabra.
Sabe você o que é o comunismo e um partido comunista? Não sabe. Conhece apenas alguns militantes em exercício e outros que saíram. Se soubesse veria que uma seita fanática é coisa séria de mais para ser confundida com a imagem de igreja bem comportada que passa para o exterior, para enganar os incautos.
Acresce que o PCP não era um partido à dimensão do país, extravasava-o. Um partido comunista que tem a liderá-lo por tantos anos uma personalidade como a de Cunhal, que a si próprio se julgava um Lenine, cuja vida estava totalmente subordinada ao partido, que o dirigia implacavelmente e que era reconhecido internacionalmente como grande revolucionário comunista, é uma coisa séria.
Zita Seabra falou de si e das suas experiências pessoais, na primeira pessoa, não de outras pessoas nem por interpostas pessoas. Apresenta-se como exemplo do comunista empenhado, que decerto foi ao longo dos vinte e quatro anos que esteve no PCP. Para si própria, ela foi o exemplo do verdadeiro comunista. E o processo da sua expulsão foi também exemplar. Haverá outros diferentes? Certamente. Não lhe ouvi nada em contrário. E outros mais conhecidos foram de facto para o mercado da política, negociando entradas ou formando novas organizações socialistas. No mínimo talvez tenham permanecido marxistas; e muitos desses ainda lutam pela utopia do comunismo (dizem que sob outros moldes…).
Quando Zita Seabra afirma que o corte com o comunismo não pode ser guardar o bom e rejeitar o mau tem toda a razão. Ela não foi comunista por engano, mas por formação ideológica, por convicção e por acção. Se entra em discordância por divergências menores e depois é expulsa, numa altura em que o comunismo se começa a esboroar, e todo o logro vem ao de cima, só lhe resta efectuar um corte com a ideologia do passado.
Escusa de brandir isso do stalinismo, como o fazem os nostálgicos do comunismo. Stalinismo? O stalinismo foi algo de diferente do comunismo? O comunismo real foi algo de diferente do que foi teorizado? Só pode invocar tal quem pretenda desculpabilizar-se. Ou quem pretenda que o stalinismo é uma coisa, o comunismo é outra e o socialismo, seja humanitário, seja em liberdade, ainda outra, para assim legitimar uma qualquer ideologia de esquerda que professe.
Os revolucionários profissionais não fazem da política coisa de crianças; é luta pelo poder, pela força, pela violência, se necessário, em que o adversário é um inimigo a abater.
Revolucionários profissionais têm amigos no partido revolucionário ou têm camaradas? E, depois, mesmo que alguém mais afectuoso faça amizade, poderá conservá-la se o outro a rejeita e calunia? Ou você esquece as campanhas a que ela foi sujeita após ter saído do PCP?
Zita Seabra é apenas um exemplo do drama do corte total com o comunismo. Sem meias palavras ou meias culpas. Com coragem. E se não desculpabiliza o seu próprio passado, assumindo-o, muito menos terá de justificar o presente. É uma mulher livre e assume a sua vida e as suas opções políticas com plenitude.
Não julgue tão levianamente uma pessoa que dedicou vinte e quatro anos a uma causa, gastou a adolescência e a juventude na clandestinidade e acabou a comprovar que o comunismo é o maior logro ideológico e político da história moderna. Você não tem qualquer direito de lhe julgar o carácter ou as intenções. Respeite-a.
Você revela leviandade, para não dizer ignorância, mas alguns dos seus comentadores não passam da simples estupidez ou do folclore dos aventureiros tolos.
AF, fui militante comunista durante dez anos e dirigente intermédio da juventude comunista. Educado numa família em que toda a gente era militante do Partido, um deles dirigente de topo. Conheci Zita Seabra na minha infância, ainda antes do 25 de Abril e depois. Até por razões que não lhe vou explicar mas que estiveram presentes na entrevista.
Apoiei Zita Seabra quando ela saiu do PCP, que foi no mesmo momento que eu saí.
Conheço o PCP como não conheço mais lugar nenhum. Nasci e cresci (eu sei que soa mal) no PCP. Para o mau e para o muito bem. Por isso, antes de espalhar insultos e me chamar ignorante, informe-se sobre o meu passado. Conheço o PCP, Zita Seabra e muitos dissidentes. Sei do que estou a falar. Pode não concordar. Espero que saiba do que está a falar.
“Os militantes comunistas, todos eles, são frios, insensíveis, duros, desumanos, incapazes de sentimentos e de solidariedades que não sejam estritamente políticas. Todos estalinistas, todos obedientes, todos prontos para disparar à primeira ordem.”
Claro está! Os militantes comunistas até comem criancinhas ao pequeno almoço.
Cumprimentos de um leitor assíduo do seu blog e fã do “Eixo do Mal”
Ainda sobre a Zita, parece aplicar-se uma frase de Cervantes retirada do Dom Quixote:
“Ainda que a traição aplaque, o traidor aborrece.”
Só democratas a comentar aqui… AF, dou-lhe inteira razao!!! Pelos vistos, ainda ha nostalgicos do PREC ( processo revolucionario eventualmente chocante). ” Ou se esta com a revoluçao ou se esta pela reacçao”
“… fui militante comunista durante dez anos e dirigente intermédio da juventude comunista.”
Isto quer dizer que você no 25 de Novembro estava sob as ordens da Zita e preparado para sair para a rua com uma arma na mão? Quer dizer que, depois da revolução de novembro estar perdida, foi para a cama como ela bem mandou?
“Apoiei Zita Seabra quando ela saiu do PCP, que foi no mesmo momento que eu saí.”
Estranho seria não apoiá-la quando você estava a fazer o mesmo. Mas antes de vocês sairem do partido, você achava-a o máximo, não? Achava que ela tinha pensamento político, ou não? Aliás, como tudo o que se intitulava comunista, que não faziam outra coisa se não bajulá-la. Agora é que acham que não.
Lembro-me de uma entrevista (ou reportagem?) com o Bernardino Soares, o tal que tem dúvidas que a Coreia do Norte não seja uma democracia, em que ele afirmava que no PCP não tinha amigos, só camaradas de trabalho. O que dirão dele se algum dia for expulso do PCP? Deixará concerteza de ter pensamento político.
PS. Pelos vistos você também sabe fazer retratos psicológicos. O seu post também é um retrato psicológico?
“Isto quer dizer que você no 25 de Novembro estava sob as ordens da Zita e preparado para sair para a rua com uma arma na mão? Quer dizer que, depois da revolução de Novembro estar perdida, foi para a cama como ela bem mandou?”
Sebastião, que idade é que julga que tenho? Sei que estou um bocadinho estragado, mas bolas!
Quando às perguntas que me faz no paragrafo seguinte, a resposta é “não, muito longe disso” a todas. Zita diz que os comunistas pensavam todos da mesma maneira. Não pensavam e aliás continuam a não pensar. Apoiei Zita quando saiu porque achei indecente o que lhe estavam a fazer e porque nessa altura estávamos do mesmo lado no partido (eu saí uns meses antes). Não gostava politicamente dela antes, como imensas pessoas dentro do partido. Ela acha que todos eram ortodoxos. Mas sabe que não eram e que não foram poucos os que antes a contestaram na UEC. Eu nunca me cruzei com ela na juventude comunista, mas tudo o que soube muito antes dela entrar em ruptura com o Partido me fazia estrar em confronto com ela.
A imagem que todos os comunistas pensavam da mesma forma transforma qualquer um que diga que não pensava como ela e pensava pela sua cabeça em mentiroso. Só que não é verdade. Se um dia se cruzar com alguém que tenha trabalhado comigo no PCP pergunte. Não serei eu a testemunhar em causa própria. Claro que eu e a Zita entrámos para o partido em momentos muitíssimo diferentes história do PCP. E isso faz toda a diferença.
Eu se visse tipos da FARC a passear pelo PC, tambem me punha logo a mexer sem precisar de grandes desculpas…Com esta gente nunca se sabe que é a proxima vitima, ainda por cima com o gosto que tem pela carnificina!!!
Deixem lá de ser maus para com a senhora, ela tadinha só pode ter sido vitima de mais um dos macabros esquemas da CIA .Ninguém no seu perfeito juízo se sujeitaria ao ridículo do modo como ela o tem feito nestes últimos anos
É fantástico falar na dimensão humana do PCP e obliterar a asserção mais forte de Z. Seabra. Que por finais dos anos 80 ainda se acreditava, nas declarações ao comité, na via armada para a instauração do comunismo, nos malefícios da democracia de mercado e no processo revolucionário em curso, finais dos anos 80, relembre-se, e o processo revolucionário em curso ainda estava “em curso”. Será que ainda estará em curso? O que é que um comunista amigo do seu amigo, humano, guarda ainda no seu armário de recordações “em curso”? Zangam-se os camaradas…
Peço desculpa pela gaffe. Julguei-o um pouco mais velho.
Que nem todos os comunistas pensavam da mesma maneira, eu sei. Os que conheci (alguns da minha família), que nunca deixaram de pensar pela própria cabeça, não passavam de militantes de base e quando entenderam sairam do partido sem dramas. E os dirigentes? Também pensavam ou pensam pela própria cabeça?
Parabéns Daniel!
O seu post, como já foi anteriormente dito, está muito equilibrado, e toca de facto todos os pontos mais reveladores da entrevista da Zita Seabra.
eu, menos equilibrada, direi que, apesar de ser militantemente contra o discurso da traição, porque sou, ao ouvir o que aquela senhora foi dizendo ao longo da entrevista, entre algumas verdades factuais por ela ditas, a frase que me vinha mais à mente, era apenas: “mas que grande traidora!”
e perdoe-me a simplicidade do pensamento, mas nesta circunstância, acredito piamente, de que nada vale grandes elucubrações ideológicas…
Zita Seabra,dizem alguns engajados do PCP, é uma traidora. Porque saiu do partido, diz o que diz dos 24 anos que por lá passou e publica-o. Para cúmulo, quando sai vai para o PSD. Não lhe perdoam daí o mínimo ser traidora.
E Humberto Delgado? Também é traidor? Os engajados do antigo regime dizem que sim, à semelhança dos engajados do PCP. E com o mesmo tipo de argumentário.
Este é um testemunho real. Sei Daniel que não és muito partidário de “postar” experiências pessoais, mas este para mim é incontornável. Peço-te que não o censures, pois é real e só queria ver se a personagem deste testemunho teria sequer a ousadia de o desmentir!
Para mim na vida as pessoas são o resultado da soma de várias características mas há uma sem dúvida que destingue claramente o que é uma pessoa do que claramente não o é.
A relação com o poder. Só se conhece a verdadeira essência de uma pessoa quando esta tem em mãos algum tipo de poder.
Aqui há 3 anos ainda Zita Seabra chefiava a secção editorial da Bertrand (sim, a responsável pelo êxito do Harry Potter ter ido parar à Presença: “Isso não vai vender nada!” segundo palavras da própria, recusando dar o prelo à proposta de editar o livro de J. K. Rowling) entra Zita pelo armazém adentro da loja onde eu trabalhava. Viu que eu estava lá dentro, sabia perfeitamente que não podia entrar naquele local, porque para todos os efeitos não era conhecida da loja e a zona era interdita ao público e nem sequer se tinha apresentado. Não pediu licença. Não disse sequer um simples “boa noite”. Claro! Partiu da presunção que todo e qualquer mortal tinha de conhecer sua alteza… e prestar-lhe vassalagem. Nisto disse e passo a citar: “Só têm este papel de embrulho? Vou levar e este livro também.” Assim, sem mais nem menos sai com 1 livro de 60 euros (sem pagar) dentro de um saco, numa coisa que terá durado 15 segundos, entrou, ordenou e levou sem sequer se dignar a apresentar. Ora aquilo era contra os meus princípios e quando ela já ia quase de costas disse-lhe: “Desculpe! Eu presumo que a senhora trabalhe para a Bertrand correcto? “A resposta da senhora: “Sim! Porquê? Não me conhece?” Ao que respondi: “Nunca me foi apresentada.” No dia seguinte entrei ao serviço e o que me diz o meu responsável de loja? “Tu foste mal criado para a Zita Seabra?” A senhora bem ao jeito estalinista “informou” a minha chefia dos “factos” do dia anterior. Tudo, mas tudo completamente distorcido.
Meses depois estava com a loja cheia, com o balcão com 5 pessoas em fila e eis que oiço alguém gritar do meio da loja. E continuou a falar alto. Olhei. Vi que era sua “alteza e disse-lhe: “Boa noite!”. Continuei como é óbvio a prestar atenção aos meus clientes. A senhora decidiu-se então que tinha de fazer um esforço monumental e chegar ela também ao balcão para ser atendida como um qualquer mortal. Altiva vira-se e diz: “O seu chefe? Onde está ele?” 4 meses depois fui o que se pode dizer “exonerado”… Motivo dado pela minha chefia: “Aquele episódio com a Zita!”
Não sei o porquê de ela se julgar supra-humana. Não é bonita exteriormente e muito menos o é interiormente. Não é agradável, simpática, coerente, afável, bondosa… Não-lhe conheço uma única boa característica humana.
A mãe de um grande amigo meu foi militante do PCP e colega de Zita Seabra e no início dos anos 80 disse qualquer coisa como isto: “Eu ainda hei-de viver para ver esta mulher ser contra a Lei do Aborto!” Infelizmente não viveu o suficiente pois morreu há cerca de 5 anos vítima de cancro.
Cancro. É a única palavra que posso associar a Zita Seabra. Tal como os carcinomas tem vários estádios. Ela encontra-se no final. Já não é operável, já não se pode remover, as metástases são já extensas. Resta esperar pelo final.
De figuras como esta só há um caminho a percorrer: esperar que o tempo apague da nossa memória termos tido o infortúnio de termos tido que nos cruzar, nem que por breves momentos fosse, com este lamentável ser humano.
Daniel Oliveira.
Deduzo que considera ter “espalhado insultos” acerca da sua pessoa ter afirmado que o seu post era de uma “leviandade infantil” ou que “revela leviandade”, porque revelar “ignorância” não o será.
Pois, bem, Daniel Oliveira. Reconsidere, se quiser, a qualificação de insultos que atribui às minhas apreciações de leviandade, porque eu não as retiro.
Como a sua eventual ignorância, pelos vistos, não constituiu insulto, sou levado a pensar que a sua leviandade poder ter resultado, entre outras razões que desconheço, da sua real ignorância acerca do PCP, dos comunistas e do comunismo.
Ter nascido e crescido no PCP não lhe confere qualquer atributo especial para conhecê-lo, nem para conhecer os comunistas e o comunismo. O PCP não é um “lugar”, tal como o comunismo não é uma ideologia como as outras. O seu conhecer de todos eles só pode ser superficial. Aliás, você até pode ter militado dez anos no PCP (da sua frase não se depreende se foi militante do PCP durante esses dez anos ou se inclui qualquer tempo em que também foi militante da JCP e seu dirigente intermédio) e mesmo assim pode não tê-los conhecido. Fala você, por acaso, de um partido revolucionário? Fala você, por acaso, de militantes comunistas revolucionários? Fala você, por acaso, do comunismo? Nasceu e cresceu você no PCP “para o muito bem”? Estará falando a sério, Daniel Oliveira?
Embora não dê para acreditar, e eu não acredito, o que o distingue a você da Zita Seabra? Porque você deixou lá amigos? Porque, ao contrário dela, ter militado no PCP foi “para o muito bem”? Que andou você a fazer nesse PCP durante o período de PREC em que lá esteve (porque o PREC, sob moldes mais suaves, continua)? A brincar à política? Pelo modo como você hoje está na política, de facto, naquele tempo só pode ter andado a brincar à política. Ou andou a lutar pela revolução comunista?
Pois bem, Daniel Oliveira. Você demonstra ainda hoje não saber o que é o PCP, os comunistas e o comunismo. E, quanto a verticalidade, está muito aquém da Zita Seabra. Conhecendo-os, ela rompeu com eles. Não os conhecendo, você não rompeu com eles. Só assim se compreende que ainda hoje considere que lá tenha estado “para o muito bem”.
Respeite a Zita Seabra e arranje modo de passar a respeitar-se a você próprio, para que os outros o possam respeitar.
Daniel Oliveira.
O que mais faltava era eu informar-me sobre o seu passado. Tenho lá necessidade disso ou qualquer direito disso?
O seu passado é seu. É você que deverá esforçar-se por conhecê-lo melhor, reflectindo sobre ele.
Eu posso julgar o seu passado, mas pelo que você me diz dele, do que descreve e do que hoje pensa dele.
O tempo da recolha de informações já passou, e não fez nem faz o meu género.
“Que andou você a fazer nesse PCP durante o período de PREC em que lá esteve”
AF, a jogar ao berlinde. Tinha cinco anos.
Esta de compararem comunistas com pedofilos é muito boa… já que eles comiam as criancinhas! ah!ah!
Não posso é deixar de notar que cada um interpreta as palavras à sua maneira… e no caso de Daniel Oliveira, pelos vistos para além de interpretar à sua maneira, espera que todos vejam da mesma forma que ele!
É óbvio que os ex-PC que sairam nas piores alturas continuam a ter amigos comunas! Mas de que interessa isso para o caso… quando estamos a falar de Zita Seabra, que chegou ao Comité Central, e que era afilhada do grande Álvaro Cunhal?!
Penso que as conclusões que se devem tirar deste facto estão mascaradas por Daniel Oliveira, e quero acreditar que não foi intencionalmente!
Meu caro Daniel, permita-me que assim me expresse,você tem um pensamento brilhante e transmite uma intensa e autêntica discordância sobre a postura revelada pela Zita na entrevista.
Mas todo o seu discorrer me provoca a seguinte perplexidade, que eu assim expresso: “porque é que este homem saiu do PCP, se ainda lá tem o coração?”
Bem, Daniel Oliveira, assim estamos esclarecidos.
Você acha, então, que os PRECs param e seguem dentro de momentos, ao sabor dos fluxos e refluxos… Interessante, para quem diz ter sido comunista e ter militado no PCP. Falava com eles, pelos vistos.
Já me tinha apercebido que você era um autêntico artista português da rádio, TV e disco e da cassete pirata. A sua resposta confirma que você nem tem capacidade para ultrapassar a ignorância.
E que tal ler o livro em vez de botar sentenças? E que tal perceber que o comunismo é um totalitarismo, e como tal tem tanta defesa como o nazismo? E que tal entender que pouco distingue os matavam em nome do paraíso na terra dos que matam em nome no paraíso eterno (afinal o eterno ainda deve ser melhor)? Quem não entende que todo o comunismo é uma tragédia sem excepção, quem procura explicações, quem critica quando é fácil criticar, quem não entende que era mais perigoso sair do PCP do que entrar para o PCP, mesmo antes do 25 de Abril, não percebe nem nunca perceberá que para defender a liberdade, a igualdade e a justiça é tão importante ser antifascista como anticomunista. Mas esses são e serão sempre cegos por escolha, pobres de espírito cuja única esperança é alguém um dia prometer-lhes, mesmo que sob outro nome, o Reino de Deus.
Daniel Oliveira, anuncia que viu entrevista de Zita Seabra à RTP. Uma entrevista longa, afirma, mas concede que valeu a pena. Vá lá!
No entanto adverte que não foi para conhecer a história do PCP ou o pensamento político de Zita, que ele dúvida que exista.
Daniel Oliveira, deixa cair a máscara logo no primeiro parágrafo, revelando que o estalinismo não saiu daquela cabeça, pois num só parágrafo lá cai na tentação de desclassificar o adversário e afirmar a sua superioridade moral.
Daniel Oliveira não só não se apercebe disto como se lança numa pseudo análise psicológica de Zita Seabra, cheia de presunções inilidíveis – porque por ele afirmadas, está claro – e onde se retira o que de mais trágico se pode concluir de Daniel Oliveira.
Mudando, como ele já afirmou no passado, permanece igual no que constitui o que de mais patético se retira da esquerda intelectual portuguesa, algo que o livro de Zita Seabra também retrata sem ironia nenhuma. Não é a prática que estava errada, são as ideias.
Daniel Oliveira, como a Zita Seabra que vai pela primeira vez à União Soviética, vê o que quer, ouve o que quer e mais não sabe fazer.
Daniel Oliveira avisa que falará do livro quando o ler.
Parvoíce.
Não vale a pena perder tempo com tal coisa, confie em mim que já o li, não lhe vai adiantar de nada.
Pelo menos enquanto não mudar de ideias.
O Daniel não percebeu que não há amizade sem reciprocidade, basta ler os comentários aqui colocados por gente que presumo comunista. A saída dela foi uma ruptura dolorosa, gerou rancor. É possível ter amizade a quem nos odeia?
Li o livro, confesso que me surpreendeu e passei a gostar um bocadinho mais dela.
Leu-o? Continua a pensar o mesmo?
Li o referido livro. Acheio-o interessante pelas vivencias que relata. Quanto aos comentários depreciativos que lhe são feitos eu pergunto:
Por acaso já foram perseguidos (dentro do partido)humilhados, caluniados,difamados,pelos seus pares recorrendo a mentiras,altrabices para desacreditar os pontos de vista que defendam apenas porque o CC decidiu que a verdade é a sua opinião e quem não concordar é um traidor á classe operária (?)recorrendo a comentários do género:sabemos lá quem é que o mandou vir dizer estes disparates. Eu não vim aqui para ouvir arrasoados de traidores - estes até são comentários civilizados, não transcrevo outros mais impróprios.
Por acaso passa-lhes pela cabeça que se extinguem organismos apenas para não dar a possibilidade dos militantes exprimirem opiniões discordantes? Tudo isso eu vivi durante cerca de 16 anos até me cansar e bater com a porta. o PCP É NA SUA PRÁTICA UM PARTIDO FASCISTA DE ESQUERDA.