Indústria diz que para sobreviver precisa de aumentar 50 por cento o preço do pão. Os nossos liberais explicarão que é assim mesmo o mercado. O pão é caro? Comam brioches. Já dizia a Maria.
Por Daniel Oliveira 27 Fev 08 em PobrezaIndústria diz que para sobreviver precisa de aumentar 50 por cento o preço do pão. Os nossos liberais explicarão que é assim mesmo o mercado. O pão é caro? Comam brioches. Já dizia a Maria.
Por Daniel Oliveira 27 Fev 08 em Pobreza
Dá-se o subsídio a quem, então? Há um ano e meio um gajo com quem trabalho vendia o trigo a 18 “paus” o quilo (escudos, a malta ainda trabalha em escudos), agora vende a 50 ou lá o que é. Subsídio ao consumidor? Ao industrial? Lei a fixar o preço máximo?
Se o problema está nos investidores que inflaccionam os mercados, devia fazer-se qualquer coisa para cortar uns “middle men”.
No clima actual dificilmente se poderá fazer qualquer coisa remotamente eficaz, nesse sentido.
Há por aí um ofendido que não se importaria nada.
Pelos vistos, seremos todos obrigados a comprar máquinas de fazer pão…
Um pequeno pormenor: a frase nunca foi proferida pela Maria Antonieta. Tinha sido atribuida um século antes uma outra princesa, e durante um século foi sendo atribuida sucessivamente a diferentes rainhas e princesas em França para mostrar a sua futilidade, até que se colou a ela com a revolução francesa com a propaganda anti-monarquica. Como agora com certos mails.
Se a procura de trigo aumenta, e a produção mantem-se a um nível mais ou menos constante, o preço tem de subir. É racional o aumento de preços no produtor e as únicas maneiras de reverter a situação é ou aumentar a produção, ou diminuir a procura( esta última não faço a mínima ideia como, nem acho que seja aconselhável). Para evitar aumentos só se o estado tabelar os preços e oferecer algum tipo de compensação aos produtores.
Não é explicação de liberal, é senso comum
Então não se lutou tanto contra o nuclear como o mal maior? Então tomem lá os biocombustíveis. Se em Portugal dói, então imaginem em países pobres.
Não estando a defender o nuclear actualmente (renováveis sim!) é de notar que a consciência “verde” fez muito mail ao mundo (pela manutenção passiva da importância do petróleo e pela preferência implicita aos biocombustíveis). O nuclear é mau, mas o que temos hoje (peak oil e comida a ser transformada em combústivel) é BEM PIOR.
Mas, adiante, precisamos de um plano Marshall para as renováveis.
Parca verdade ou mentira, a frase esta colada á Maria Antonieta…
Quanto ao aumento do pão, já era altura de este governo definir um cabaz de bens essenciais, cujo aumento de preço não poderia ser superior á inflação.
E competiria ao Ministério da Economia, ressarcir, se fosse caso disso, os industriais.
E isto nada tem de socialismo, é só JUSTIÇA SOCIAL.
A ver se entendo.
A tonelada de farinha subiu 43% segundo o Público de €350 para €450 ou €500.
Utilizemos os €500, dando de barato os €50!
O pão é de 40 gramas, q suponho não ser só de farinha. Para facilitar imaginemos q fosse! Uma tonelada dá para 25 mil pães de 40gr!
Portanto a contribuição da farinha para o preço do pão €500/25′000 pães é de €0,02 centimos por carcaça!!! Acho q estamos conversados! €0,02 por carcaça seria mais q suficiente!
Portanto a farinha aumentou 43% e este senhor quer aumentar o preço final em 50%, sabendo nós todos que a contribuição da mão de obra é decerto superior para o preço final e esta não aumenta a estes níveis!
Deve ser para meter ao bolso, simplesmente não nos tome por estúpidos?
Como já disse noutro blogue, o preço do pão é um factor psicológico. Está intimamente ligado à sobrevivência (mesmo que isso não seja verdade).
A falta de pão, já originou muitas guerras e revoluções. (Mas talvez seja mesmo disso que Portugal está a precisar.)
Factor psicológico? 10 pães dia x 0,10€ = 1€ dia = 30€ mês, são seis contos em pão por mês para uma família de quatro pessoas que não seja muito “panática”. E o que esses senhores dizem é que passarão a ser doze contos por mês em pão. Factor psicológico? Para quem ganha bem.
Claro que é assim Nuno.
O governo tem uma boa oportunidade para fazer a tal “justiça social” que tanto publicita.
Das ultimas vezes esta “justiça” traduziu-se em diminuição de reformas,aumento de impostos, degradação do nível de vida da grande maioria dos Portugueses, aumentos dos desniveis sociais, etc.
Quem vai roubar se o pão subir 50%?
Tomam-nos por imbecis.
Estando de acordo com as contas do Nuno, acrescento mais uma: a farinha representa 5% (cinco por cento) do preço final do pão…
Porra Daniel, quando é que estuda um bocadinho de economia? Acha que as padarias podem cobrar o preço que entenderem pelas carcaças? Não vê que o pessoal muda para o panrico se as carcaças aumentarem muito? Ou para o pão de centeio?
-De facto é mesmo assim o mercado. E por ser assim, é que o preço dos cereais tem implicação em 5% do preço do pão. Sendo assim quanto é que representará 50% de 5%? As declarações de responsáveis sectoriais valem o que valem…
Ainda ninguem respondeu ao maradona. Fixa-se um preco maximo, promovendo a escassez do produto e a criaccao de um mercado negro ? Da-se subsidio, transferindo o custo para o contribuinte ? E da-se o subsidio a quem ? Tambem se pode financiar o subsidio com um imposto especial aos “lucros especulativos” de quem produz trigo (depois de muitos anos em que nem sequer valia a pena produzir trigo, pois o preco era muito baixo).
E à falta de brioches, para certos liberais…
Ó Daniel, só mesmo um homem de esquerda para imaginar que alguns estereótipos continuam a funcionar.
O pão era a base da alimentação das pessoas. Hoje, não é; chega-se ao ponto de se dizer que uma dieta saudável deve limitar-se a pequenas quantidades de pão, que se deve comer menos pão (até há o sulfuroso McDonalds, que também tem pão, vc sabe, não que vá lá, claro, mas têm-lhe contado)
Mas o Daniel prefere ficar-se por imaginários que empolgam alguns tipos de cérebro. Desta vez traz-nos uma frase que uma rainha não disse e a relevância de um alimento que há vários anos não é básico na alimentação, antes um artigo com peso menor nas despesas das famílias.
Mas para um tipo de esquerda a verdade não é o mais importante, e realidade é um tropeço que é preciso pôr de lado para se poder seguir em frente. Para um tipo de esquerda o que importa é a excitação de haver malvados e coitadinhos.
Só um detalhizinho: alguem já fez as contas aos custos de adaptção dos espaços de fabrico de comida para obedecer normas européias tão bem fiscalizadas pela ASAE?
..detalhezinho…
eu proponho uma medida à hugo chaves: obrigar as padarias a vender o pão abaixo do preço de custo. Se os comerciantes não acatassem a ordem, as padarias deveriam ser todas nacionalizadas. que vos parece? genial, não?
Nuno, bora lá abrir umas padarias? Será muito estúpido não abrir. E se n tivermos dinheiro que chegue para montar o negocio, garantimos facilmente o emprestimo.
Acompanha aqui: se subirmos o preço só 25% face aos 10 cent, a carcaça de 40 g dá-nos um lucro de 12,5-10-0,02=2,48 c. Ou seja, em cada 25 mil carcaças lucramos 620 €.
É brilhante, os 10,2 cent cobrem os custos de produção e ainda temos 620€ de lucro por cada tonelada de farinha, que após os impostos, ainda deve resultar para aí nuns 465€ liquidos para ajudar a abater o empréstimo.
Nuno, bora lá?
Nuno, em relação ao preço da farinha os seus dados são eloquentes. Porém a argumentação, segundo ouvi, tem a ver com os combustíveis. Já não há fornos de lenha. Penso que grande parte deles funciona a derivados do petróleo, nem sequer a electricidade — mas não sei muito sobre isso.
Tendo a concordar que é um preço sobretudo psicológico, como referiu Isabel Coutinho. Nesse sentido, o Governo devia ter sido mais cuidadoso com este assunto. É daquelas coisas em que desvalorizar não vai ser suficiente. E não estamos a falar dos comentadores de televisão…
Para análises a estas e outras alarvidades, atitudes tendenciosas, falta de trabalho de casa, má fé e pura ignorância dos jornais, jornaleiros e demais me(r)dia é só ir a
http://apentefino.blogs.sapo.pt/
É quase serviço público
Pode ser uma medida em cartel,condenável,a dos industriais da panificação.Mas olhem para a cara do governo preocupado!O exemplo do pão é identico ao de muitos outros: uma vaga generalizada de aumentos a que temos assistido desde que este governo tomou posse.Faz parte do timbre neoliberal desta governaçao,os agentes economicos aproveitam-se,abusam e noutros casos é tambem porque as empresas estão á rasca com a conjuntura:ela é criada por governos como este e o efeito bola de neve aí está.Razao tem o general Garcia Leandro…
é tão linear o pensamento destes colectivistas. Vocês já conheceram mercados regulados, na vossa saudosa URSS, RDA, Albania, etc. O unico resultado foram fichas de racionamento e oferta inexistente. Se vocês não conseguem aprender com o passado vejam lá se aprendem com o presente (Coreia do Norte, Cuba e Zimbabué). Se mesmo assim não chegar podem ainda aprender com o futuro. Para isso, vão olhando com atenção para o que se vai passar na Venezuela, Bolívia e mais recentemente Chipre.
…completamente off-topic, mas já alguém leu isto?
As cheias em portugal estão explicadas:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/7255657.stm
“…mas o que vejo pelo país fora é só erva.”
Pois, o que faltava mesmo, e acho que nas declarações á televisão este senhor implorava por isso, era o regresso ás “campanhas do Trigo”. Isto sim, é olhar para a frente! Não haja dúvida de que Salazar está na moda, vejam lá se no tempo dele havia falta de pão.
As contas do Nuno batem certo (embora não conte com a subida dos combustiveis, que também é para aqui chamada). E tal como os combustiveis, os aumentos do preço ao consumidor dão-se muito antes de os preços das matérias primas de facto afectarem o preço da produção.
Cada vez penso mais no antigamente…é que nesse tempo havia fome, mas o pãe de trigo ou de milho havia sempre e para muitos sabia a lagosta, mesmo sendo só uma códia.
Que herança vamos deixar aos nossos fillhos e netos?
é mesmo!
George Steiner: “admito-me por que é que as populações não se revoltam”
aliás, sugere mesmo “a revolta social violenta” como cura. E o homem nem sequer é marxista para conseguir apreender as estruturas do mundo na sua totalidade. Apenas um pacato churchilliano de Cambridge
Podemos sempre fazer como Chavez e obrigar a vender o pao a um preço abaixo do preço de custo…Os nossos socialistas explicarão que é assim mesmo a economia fechada.
Eu nao percebo nada de paderias nem sei se o preço e justo ou nao, seja como for isto nao tem nada a ver com a lei de mercado, muito pelo contrario…
Em vez de “brioches” podem servir “broches” que não me incomodo!
Expliquem-me uma coisa que não estou a conseguir acompanhar.
Sabendo que a maioria da venda de pão não se faz em padarias (digo, como dantes) mas sim em “Pães Quentes”; sabendo que um reles pão com manteiga custa a brincar 0,50€; sabendo que as margens nos outros produtos: bebidas, refeições, etc, é exorbitante, expliquem-me lá a lógica da margem que eu não percebi.
Se o problema é social, eis uma boa ocasião de aplicar solidariedade: quem tem €€ para comer pães com manteiga fora de casa, que pague o que não podem pagar aqueles que vão ao “pão quente” comprar os pãezitos e sonhar com Croissants com fiambre.
… que era o que acabaria por acontecer se o preço fosse regulado.
Históricamente, Portugal nunca foi auto-suficiente em trigo, embora durante a campanha do trigo de Salazar, tenhamos estado próximo. Mas à custa da utilização indevida de terrenos esqueléticos, que acabaram por entrar em erosão. Em milho, eramos quase auto-suficientes, graças aos pequenos agricultores do Norte e Centro (o milho dos “espigueiros” e das “arcas”) complementado, a partir de determinado período, pelo que vinha das colónias. O centeio e a cevada ajudavam também à produção. Mas, nessa altura, além da produção de cereais e fabrico do pão ser quase exluisivamente manual, havia muita gente na agricultura. O que hoje já não acontece.
Além disso, durante muito tempo recorremos ao mercado americano. Hoje, os americanos produzem sobretudo milho trangénico, que a EU não deixa importar.
Lindo sarilho …
Vergonha!!!!Pão aumentar 50%??? LADRÕES…..mas não são os panificadores que têm a culpa.
Quem permitiu que a nossa agricultura chegasse a este extremo???Mas que raio sucedeu aos nossos campos?…e já agora á nossa pesca…. e á nossa…etc.????Porque não temos alguma autosuficiencia???UE para que afinal???Pagam-nos para tudo, para deixarmos de produzir leite,para não pescar,etc. Já agora “pagem-nos” para não comermos o pâo.Ah!!! claro que brioches haverão sempre para alguns senhores previlegiados. Façammmmm favorrrr! Não nos LIXEM mais.
“UE para que afinal???”
Para isto.
O que eu estranho é que alguém ainda tenha dúvidas.