Quinta Vigia

Há quase trinta anos que por motivos familiares visito regularmente a Madeira. Apesar de em 1981, quando pela primeira vez desembarquei no Aeroporto de Santa Catarina, ainda se sentir na rua alguma relutância em relação ao “cubano” que chegava do Continente – eu era nitidamente um deles – salvo raríssimas excepções fui sempre bem tratado. E ainda que me desagrade a degradação da natureza e da paisagem urbana suscitadas ao longo destas três décadas pelo crescimento do asfalto e do betão, nunca deixei de me sentir bem na ilha. Gosto da Madeira, gosto da generalidade dos madeirenses, e, não fora detestar andar de avião e sofrer de uma certa “insulofobia”, talvez nem me importasse de passar por lá bastante mais tempo.

Nunca fui ao Porto Santo mas conheço bem toda a ilha da Madeira. Sei por isso que, se retirarmos algumas áreas onde reside a população mais pobre e desamparada, por toda a parte se respira um ambiente de prosperidade: vias rápidas e eficazes, cidades organizadas, um serviço de saúde exemplar, excelentes instalações escolares, transportes públicos eficazes, um óptimo parque automóvel, pessoas geralmente bem vestidas, muitas lojas de artigos de luxo, bons hotéis e bons restaurantes. Uma prosperidade bem visível na vida e nas atitudes de muitas famílias. Como não se vê, nesta dimensão, em parte alguma do resto de Portugal. Hoje mesmo no Público Manuel Carvalho apresenta dados irrefutáveis: o rendimento per capita na Madeira é de 128 por cento da média nacional, e enquanto o rendimento nacional ronda os 76 por cento da média europeia, os madeirenses beneficiam de 97 por cento. Como lembra o subdirector do jornal, “no país mais desigual da Europa, só Lisboa está acima”. Desta forma percebe-se que a maioria das pessoas continue a eleger e a adular o aparente arquitecto deste pequeno paraíso.

Só que ao mesmo tempo – não escrevo novidade alguma, mas convém relembrar – não existe no arquipélago, para além de um turismo de massas sazonal (o antigo, regular e “de qualidade”, tem vindo a regredir), actividade económica que aparentemente pague uma situação que nenhuma outra região do país mantém. Não existe uma única indústria (não conta, naturalmente, a produção semi-artesanal de vimes e de bordados), o campo vive quase em regime de monocultura (a videira ou a bananeira ocupam a paisagem cultivada visível), não existe criação de gado significativa ou actividades derivadas, o comércio tradicional definha a olhos vistos. E, pior, não se pensa, não se fala, numa alternativa a este deserto económico. Há, sim, um consumo de bens elevado, condicionado pelo Governo Regional que é o principal empregador e o grande padrinho, e por uma política de subsídios que torna tudo – educação, saúde, transportes – muito mais barato do que em qualquer outra parte do país. Nestas condições, como não apelar em período de crise, à escala nacional, à contenção de quem se encontra em melhores condições para a aplicar? Justamente porque beneficiou da solidariedade forçada de quem manteve o cinto apertado enquanto a partir do palácio rosa da Quinta Vigia se abriam os cordões “à grande e à madeirense”. A ser aplicada, a solidariedade não pode ter sentido único, por muito que o senhor que se sabe vocifere e estrebuche ou se faça passar por engraçadinho. Para o bem de todos, incluindo naturalmente os madeirenses.

Publicado originalmente em A Terceira Noite


38 respostas ao post “Insistir no óbvio”  

  1. 1 1  João

    Gostei muito do seu artigo. Simples, conciso, bem escrito e sem exageros sentimentalistas. Uma argumentação racional e que a apela ao bom senso de todos. E sem laivos de ódios.. Parabéns!

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  2. 2 2  Pinto

    Rui Bebiano, então porque carga de água os Açores não estão em igual situação?

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    Nuno Rebelo Reply:

    Pois é Rui. Pena é que de ontem para hoje a oposição de esquerda tenha mudado de ideias…

    Eu até compreendo: o que são 50 milhões em 1000 milhões?! Eu arrisco: é uma questão de princípio (não os permitir)

    Nuno Rebelo Reply:

    Perdão, inseri comentário em lugar errado…

    Aproveito a boleia e aduzo elementos a Pinto: não esquecer a geografia dos Açores (9 ilhas, logo 9 portos, 9 aeroportos, hospitais…) bem como a não existência de turismo de massas como na Madeira. Ainda assim os números de turistas têm crescido, sobretudo nórdicos, de tal modo que penso existir já um voo directo semanal da SAS.

  3. 3 3  Paulo Querido

    Assino por baixo, mesmo só conhecendo a Madeira (que visito com regularidade quase anual) há cerca de 25 anos.

    Conheço bem Porto Santo, pelas melhores razões. É o parente pobre da RAM. É uma ilha pequena, com uma praia excelente, boa comida (toda importada, não sei porquê, nem a pesca é estimulada). O Porto Santo não beneficiou da distribuição de verbas. Começa, contudo, a ter turismo e — assim AJJ queira, ou pelo menos deixe — pode vir a gerar receitas que desenvolvam a ilha. Sem a subsídio-dependência nem os erros de grandeza notáveis na Madeira.

    Repito: assino por baixo. É um artigo excelente, na concisão como na oportunidade e precisão.

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    zedeportugal Reply:

    Começa, contudo, a ter turismo e — assim AJJ queira, ou pelo menos deixe — pode vir a gerar receitas que desenvolvam a ilha.

    Pelo que escreve, você conhece tão bem Porto Santo como eu conheço o teatro nacional de D, Maria a partir dos cenários que são postos no palco.
    O não “desenvolvimento” (deve querer dizer, urbanização, betonização) do Porto Santo não se deve à falta de “receitas” (dinheiro) mas de condições naturais para suporte das populações, a mais limitante das quais é a não existência de aquíferos capazes de abastecer muito mais do que já por lá está.
    Apanha-se mais depressa um ignorante que um coxo. (Sim, eu sei que o provérbio popular é um pouco diferente, mas assim também é verdade.)

    Maria Carvalho Reply:

    O Porto Santo é parente pobre? Essa é boa! Com uma população fixa de 5.ooo pessoas, 4.999 são funcionários publicos e ganham mais 30% todos os meses. Esta é uma boa pobreza.

  4. 4 4  António P.

    Caro Rui Bebiano.
    Gostei de ler o que escreveu.
    O bom sendo é sempre bem vindo num momento de discussão irracional.
    o óbvio é sempre incomodativo.
    Cumprimentos

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  5. 5 5  Paulo Mealha

    Sou casado com uma madeirense. Conheço bem a ilha. Curiosamente sempre espantou-me a ausência de indústria…

    Ou o facto de, por exemplo, iluminarem tão bem as estradas. Eo que dizer do espanto dos madeirenses, quando visitam o continente, ao notarem que a principal via entre Lisboa e o Porto não é iluminada.

    - Não somos ricos – respondo conformado.

    Subscrevo na íntegra este artigo.

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  6. 6 6  KW6

    E porque não pedir solidariedade a Lisboa??? O argumentário não será o mesmo? Ou olhar para o próprio umbigo é mais difícil? Esta questão da solidariedade é uma falácia, um argumento fácil, um lugar comum usado vezes sem fim. As assimetrais que existem neste país são gritantes e agora lembram-se da Madeira… mas de Lisboa nem uma palavra! Argumenta-se de tal forma que fica a sensação de que a Madeira é a responsável pelos “desertos” que por aí abundam.

    Concordando que o modelo de desenvolvimento da Madeira poderá estar esgotado ou muito próximo, não me parece ainda assim que um aumento de 50 milhões de euros na capaciadade de endividamento seja razão para tanto alarido… tantas outras coisas que se passam neste país… tanto dinheiro mal gasto e ninguem se insurge… Pelo menos a Madeira apresenta trabalho feito e concorde-se ou não com o estilo de AJJ os dados são “irrefutáveis”.

    A Madeira, por exemplo ao contrário dos Açores, tem apresentado níveis de desenvolvimento, mas o engraçado é que ninguém parece querer ver isso. E o argumento que os Açores têm 9 ilhas não é suficiente!

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  7. 7 7  fernando f

    Arrisco afirmar, que todos “contenentais”, subscreveriam este artigo, todos quer dizer., menos 133.

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    Ed Reply:

    Há mais continentais que não subscrevem.

    Este é o verdadeiro estado social. Só se admitem críticas destas a ultra-liberais direitistas…

    Quanto às actividades económicas, pela conversa dos críticos do AJJ vê-se bem que não vêem um boi do assunto. Amiguinhos, assim com o território continental é tão pequeno que não pode ter todas as actividades e mais algumas (devia ser excelente nalgumas poucas, e não é), a Região Autónoma da Madeira, ainda mais pequena, tem ainda menos actividades em que é excelente. O turismo é uma delas.

    Vão ao atraso de vida dos Açores. Aí, sim, a massa do continente é desperdiçada e não se vê prosperidade nenhuma. O que lhes vale é a América.

  8. 8 8  António Cunha

    Já aqui perguntaram e eu reforço. Porque motivo os Açores não estão ao mesmo nivel ?

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  9. 9 9  Rui Bebiano

    Não referi isto, mas o rendimento per capita nos Açores é de 88 por cento da média nacional. Uma diferença enorme portanto.

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    Pinto Reply:

    Pois. E isso baralha um pouco. É que eles também usufruem dos mesmos benefícios. Penso eu.

  10. 10 10  açoriano

    KW6 vide os dados do crescimento dos Açores nos últimos 15 anos comparando com as das outras regiões, a dívida das 2 regiões e os défices orçamentais das duas regiões. Fala-se sem conhecer os dados…

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  11. 11 11  JMG

    Sem pôr em causa o bem-fundado do post, gostaria de ver esclarecida a alegação, que tem sido feita à direita e à esquerda, de que o PIB por cabeça da Madeira está influenciado pelos rendimentos nominais gerados na Zona Franca, o que faria com que as comparações com o resto do País e com a UE induzissem em erro.

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  12. 12 12  larissa

    não nasci numa pequena aldeia do conselho de Seia mas laços fortes familiares ligam-me ao conselho.
    O hospital não funciona senão verdadeiramente em Coimbra que para lá chegar é necessario fazer dezenas de quilometros em curvas e contra curvas apertadas em estradas onde dois carros passam na tangente até encontrar uma IC… A paisagem é fabulosa unica mas quem é que lá vai a vomitar nos ultimos trinta quilometros? A estrada que liga muitos lugares à freguesia espera desde sempre umas condutas para ao menos baterem a terra e maravilha se possivel brita. Cada vez vivem mais apenas velhos porque industria, comercio, serviços são muito longe e raros.
    Porque carga d’água a Madeira vende perfumes, tabaco com impostos reduzidos em relação ao Continente? Porque é que não existe um descontito para o interior não no tabaco nem nos perfumes mas no pão, azeite enfim as mercadorias que as duas mercearias do lugar vendem com um crescento de as irem buscar longe?
    Caramba!

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    zedeportugal Reply:

    Aceite um bom conselho: deve escrever Concelho, quando se trata de uma divisão administrativa do território.

  13. 13 13  açoriano

    Os Açores passaram de 1997 de 77,4% (pib per capita pc) a 88,6% em 2008. Sendo a mais pobre em 1997 passando a ser a terceira ultrapassando Norte e Centro, aproximando-se de todas as regiões excepto a Madeira (não esquecer o factor off-shore).

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  14. 14 14  Hugo

    Tendo em conta que refere que viaja regularmente para a Madeira desde 1981, certamente conhecerá melhor a Madeira do que eu que lá fui umas cinco vezes em lazer ou em trabalho. Contudo, não me parece que não exista uma única indústria, como refere. Na área da alimentação e bebidas, por exemplo, há uma produção considerável de produtos para consumo interno. Conservas, produção de cana-de-açúcar, a Coral, a Brisa, etc. etc. Até porque sendo uma região apelativa para investir devido à carga fiscal, mal seria se não houvesse mesmo nenhuma indústria… Poderia era ter outra dimensão e ser mais diversificada, claro. Só queria fazer esta ressalva.

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  15. 15 15  jade

    Gostei muito da sobriedade e veracidade do seu texto.
    Por motivos idênticos,conheço bem a Madeira e Porto Santo.
    Não sou “jardinista”,nem nunca votei no PSD(aliás,não voto na Madeira).Mas se pretender pôr alguma pimenta,basta uma pergunta:
    a curto ou médio prazo haverá alguém(de qualquer partido) que possa ser líder da Madeira?!

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  16. 16 16  Rui F

    Muito bom o Artigo

    Bloco e PCP tinham aqui uma optima oportunidade de, sem fazer qualquer tipo de frete politico, ficar ao lado do PS.

    Convenhamos!
    Bloco e PCP ajuadam e de que maneira á festa do regabofe!
    Estou triste com o BE…

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  17. 17 17  Rui F

    Bloco e PCP AJUDARAM e de que maneira á festa do regabofe!

    [Responder]

    Fernando Reply:

    Achei piada ao texto e muito mais à maioria dos comentários. Aquilo que tenho a dizer, quer a este senhor Rui F quer aos outros que andam de olhos tapados (e ao próprio Bebiano) é: venham viver para a Madeira em vez de virem de férias e já percebem por que é que tudo (ou quase) o que aqui foi escrito é uma falácia completa…

  18. 18 18  Augusto

    Mas será que o Rui Bebiano conhece realmente a Madeira ou só a parte turistica.

    E a miséria, o desemprego, mesmo no Funchal nalguns bairros , a outra face da dita prosperidade é bem visivel.

    Quanto ao dito rendimento per capita é uma falácia, se não fosse o OFF SHORE certamente a Madeira estaria entre as regiões mais pobres do país, mas desse paraiso de lavagem de dinheiro, a maioria da população da Madeira nada lucra.

    É um erro aquilo que o PS ou melhor a clique do Socrates tenta fazer, virar o povo do continente contra o povo da Madeira, e quem se fica a rir é essa aberração chamada Alberto João Jardim.

    Terminando como comecei, na Madeira há muita miséria, só não vê quem não quer….

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    Rui Bebiano Reply:

    Claro que há muita miséria a combater. Por vezes escondida. Conheço-a muito bem, infelizmente. Mas a maioria da população vive muito acima da média portuguesa, esta é a realidade e é esta realidade que sustenta um poder quase intocável.

  19. 19 19  Paulo M (Johannesburg, RSA)

    My parents are from Madeira. I was born in Johannesburg so I will respond to this post with the disrepect it deserves.

    There is higher inequality em o Continente. Fact.

    I fail to see how an island of 300,000 and encompassing a land area about as large as New York City can be any drag on a country of around 9~10 million – and much, much larger infrastructure commitments.

    If anything, Mainland attitude towards its autonomous regions – Madeira, Açores – are typically European with regards ‘Colonies’ – and really unfortunate at that too.

    Well, as far as egg-on-face goes, for the United Kingdom, there will always be that shinning light that is the United States of America – but also India and of course South Africa (Boer War). And Portugal – well, there’s Brazil (Brasil), Angola and Mozambique (Moçambique). The rest of the richer western Europeans can give themselves a nice big abraço for the general state of affairs in Africa – and Eastern Europe.

    Thank you

    [Responder]

    Paulo Querido Reply:

    As “colonies”, they deserve the independency. Madiera independent – NOW!

  20. 20 20  Isabel Coutinho

    Gostei do post mas, pordoe-me o autor, tem uma incongruência: porque carga d’água os madeirenses haviam de ajudar quem passa a vida a dizer mal deles e do seu líder ? Quando, ainda por cima, o problema do “continente” resulta sobretudo de um nível de corrupção, que – ao que consta – é incomensuravelmente maior cá do que lá (inclusivé ao nivel dos nossos governantes, em que continuamos alegremente a votar!)

    De resto, adoro a Madeira, embora só la tenha ido 2 vezes, uma antes do 25A, outra mais recentemente: a diferença (para melhor) é realmente abissal!
    Não admira pois que os madeirenses gostem e votem no seu líder: é a primeira vez em 500 anos que a Madeira consegue vencer a extrema pobreza.
    Aliás é talvez único, que uma população, em eleições livres, vote continuadamente na mesma pessoa. Isto, em democracia, quer certamente dizer alguma coisa!

    Resta dizer que gostaria imenso de me mudar para a Madeira. Infelizmente não posso.

    PS: para mim, único problema da Madeira: a não ser em restaurantes muito caros, a ementa é sempre a mesma – espetada e espada, espada e espetada, espetada e espada … valha o milho frito :)

    [Responder]

    Rui Bebiano Reply:

    Que visão folclórica, Isabel, desculpe que lhe diga. Essa diferença da qual fala é real, sem dúvida. Mas leu o post todo com atenção? É que o problema que refiro começa mesmo por aí…

    Jorge Ribeiro Reply:

    …gostaria imenso de me mudar para a Madeira.Infelizmente não posso.

    Minha cara, não há impossíveis. Se gosta tanto, vá e que se sinta lá bem!

  21. 21 21  Joana Lopes

    Só fui uma vez à Madeira e não volto lá enquanto Jardim mandar naquilo. Se fosse o caso, também gritaria «Nem mais um tostão para a Madeira», mas tento ser racional.

    Eu sei que o teu «post» não é sobre a discussão do que se passou nos últimos dias, e votado ontem na AR, mas foi certamente isso que o justificou e acabas, implicitamente, por tomar posição por um dos lados. Dei-me ao trabalho de ouvir e ler muita coisa para perceber a unidade de posições e argumentos de TODOS contra o PS e acabei por concluir que este, para além da habitual teimosia, fez um magistral exercício de encenação, provavelmente no sentido de preparar as plateias para a discussão do Orçamento, dentro de poucos dias. Se sair do governo, Teixeira dos Santos tem lugar garantido num teatro perto de nós.

    Claro que a contenção é mais do que necessária nos tempos que correm, mas NÃO FOI contra ela que a oposição em peso votou ontem.

    [Responder]

    Rui Bebiano Reply:

    Percebo alguns dos argumentos da oposição ao PS neste caso em particular (nomeadamente do BE e do PC). Mas não a defesa do reforço do orçamento em nome do “povo madeirense” – pelas razões que invoquei – ampliando, ainda que em escala mediana, os desequilíbrios nacionais.

    Ah, e claro que não sou ingénuo em relação ao combate da actual direcção do PS por uma justiça equitativa. Na próxima oportunidade, se a conjuntura o exigir, não tenho dúvidas que defenderão o contrário…

  22. 22 22  Caty Waves

    O que as Oposições fizeram foi dar uma imagem completamente desastrada com esta votação. O povo do continente não compreende que se peça contenção para os de cá e na Madeira, uma das regiões mais ricas da Europa, as oposições ponham os ‘cubanos’ a pagar mais regabofe. É incompreensivel.
    O que as Oposições fizeram (e ainda estou incrédulo como é que as Outras Esquerdas alinharam nisto) foi dar um valente tiro no pé.

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  23. 23 23  Paulo M

    Mas Madeira não é uma colônia de Portugal – é uma parte integral. Alguém de Madeira é tão igual quanto esses do Porto o de Lisboa. (Mas mais rico, sim.)

    Se qualquer coisa, os que têm de resolver os seus assuntos são os do Continente – como pode ser visto na primeira linha aqui:

    TheEconomist New blog: Buttonwood: Market jitters http://bit.ly/bdPfmC

    A UE apenas afiançado Grécia. Adu Dhabi afiançado Dubai. E o FMI afiançado Islândia. Portugal precisa de olhar para ele os problemas e resolvê-los.

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  24. 24 24  Paulo M (Johannesburg, RSA)

    Eu não sabia que este era um assunto tão sensível. Eu tenho o meu IP bloqueado a partir do site. Peço desculpa pela minha ignorância.

    Mas, eu também gostaria de aproveitar esta oportunidade para lhe agradecer por me permitir testar o software em casos de GREATFIREWALL, como há em países subversivos como a China.

    Esperemos que eu vou encontrar um outro local de ensino. Boa sorte com suas viagems. Tchau.

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  1. 1 Se bem percebo « BLASFÉMIAS

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