O PS aprovou hoje as alterações ao sistema de voto dos emigrantes portugueses, alegando que o voto por correspondência permitia a existência de “chapeladas” eleitorais. E quem é que o PS escolheu para apresentar este projecto e defender alegado reforço da transparência do processo eleitoral? José Lello. Isso mesmo. José Lello, o dirigente do Partido Socialista responsável pela mais cara campanha no estrangeiro de que há memória, e que está a ser investigada pela PJ depois de ser público que a campanha no Rio de Janeiro foi financiada por um empresário entretanto detido pela justiça brasileira no processo da “máfia dos bingos”. O mesmo empresário que, vá-se lá saber porquê, foi depois nomeado cônsul honorário em Cabo Frio pelo Governo do PS. Para compor o ramalhete, Maria Carrilho, a única deputada do PS eleita pelos círculos da emigração, faltou ao debate que lhe dizia directamente respeito.
Um dia como os outros na bancada socialista.
Por Pedro Sales 19 Set 08 em PS, The show must go on13 respostas ao post “Dia a dia o PS melhora”
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Eles estão mesmo “bué” interessados na emigração, páh!
Podiam começar a inovar e deixarem os emigrantes votar pela Internet
O voto dos emigrantes costuma ser favorável ao PSD.
C’est le PS. Voilá!
José Lello e Vitalino: - paus para toda a obra!
Foram precisos 30 e tal anos para se lembrarem dos “riscos”…
«José Lello e Vitalino: - paus para toda a obra!»
O melhor cartão de visita do PS.
Para deixar de votar no PS, fugir deles.
Bingo.
Fantastico!!!!!! Para ir votar vamos fazer 300 km!!!! quemé que votou a favor???
Acho vergonhosa esta chapelada pré eleitoral. Ou seja agora que o PS acha que pode perder a maioria quer garantir que os deputados por esse circulo não lhe fogem!
Mas ou muito me engano ou o PS (Pedro Sales) já defendeu outra posição
O José Lelo (perdão Lello com dois eles que é muito mais chique) só me faz lembrar um porteiro de uma Cabaré!
O José Lello não é aquele senhor que era presidente do conselho fiscal do Boavista?Bem então já percebi.
Mas há alguém que ainda acredite nos argumentos do PS e nos discursos do Vasco Franco ou do José Lello?
Então, só agora, ao fim de trinta anos, é que o governo descobriu que podia haver “chapeladas”?
Votei durante vinte anos (1975-95) por correspondência e correu sempre bem: recebia o voto um mês antes das eleições, punha a cruz no partido da minha preferência, dobrava o voto em quatro, tornava a pô-lo num envelope fornecido para o efeito e ia ao correio mais perto registá´-lo e enviá-lo para Portugal. A única condição era que o fizesse antes da data eleitoral (o que podia provar através do carimbo dos correios). Se houve “chapeladas”, foi em Lisboa, na contagem dos votos.
Está-se mesmo a ver que o PS tem mêdo de perder a maioria eleitoral e quer reduzir a capacidade eleitoral dos emigrantes. Alguns terão de viajar centenas de quilómetros para poderem votar. Nem o Mugabe se lembrava desta!
Só espero que os emigrantes aprendam a lição e deixem de enviar as suas remessas para os bancos em Portugal…
O voto que mete medo
Por circunstâncias várias, iguazinhas a elevado número de cidadãos de nacionalidade portuguesa, não sinto nem nunca senti a totalidade das possíveis angústias ou alegrias próprias do imigrante ou do emigrante. Mas, claro, senti algumas.
Agora mesmo, sinto que a governança portuguesa continua a não perceber – pior, a não querer perceber – as realidades de quem faz a sua vida fora do País. A completa insensibilidade daqueles senhores e daquelas senhoras que vivem dos “bitaites” governamentais, pela real importância da grande comunidade portuguesa (e até da língua portuguesa) no estrangeiro, para além de absurdamente estúpida, chega a parecer arrogantemente provocatória.
De alguns milhões de compatriotas, somente uns 150 mil estão inscritos para votar; destes, uma reduzidíssima parte adere ao acto eleitoral. Os números falam por si. Para grande e óbvio contentamento da generalidade dos políticos profissionais em Portugal, tanto nos poderes como nas oposições. Nunca se mostraram consequentemente interessados em que as coisas fossem de outra maneira. A gente, cá de fora, sabe bem porquê.
Os portugueses fora de Portugal, embora, por motivos óbvios, continuem a enviar remessas, são sistematicamente empurrados para o abismo da indiferença em relação à Pátria. Resultado, mais de 80 por cento de abstenção for a de portas de cada vez que há eleições legislativas.
O que é que o governo – que, desde sempre, tem lidado gostosamente com essa realidade – vem propor? Curto e grosso: Acabar com o voto por correspondência. Por causa da “segurança”, do “risco da falta de transparência”, por o voto presencial ser um “acto mais digno”. E mais, a nova medida far-se-á contra os “sindicatos do voto”. Empolgante esta cruzada governamental lusitana.
Onde terão ido buscar a ideia? Que estudos foram feitos, onde, quando e por quem? Detectaram-se casos graves, em quantidade e estratagema, de fraude eleitoral, de falsificação, de desvio de votos? A favor de quem ou a desfavor de que força política? Nesta material, há arguidos, acusados ou já culpados?
Em Macau, mesmo nas rapidinhas visitas ministeriais cheias de graça, nunca ouvi falar de que o voto por correspondência era menos digno, nem da existência de “sindicatos do voto”; pelos vistos, nunca se sabe. Ou seja, eles lá sabem… (…)
Lá, pelas urnas da lusitana Europa, para além do projecto de lei do PS visando acabar com o voto por correspondência dos emigrantes, a partir das próximas legislativas, estão previstos outros procedimentos como o voto electrónico, por exemplo? Ou acordos com representações municipais no estrangeiro? É que existem situações em várias partes do mundo, de comunidades de eleitores portugueses a centenas e até milhares de quilómetros de embaixadas ou consulados. Mas isto são minuciosidades para a grandeza dos governantes.
A democracia sempre trouxe riscos. Vai daí, o PS do Rato estudou com profundidade outras propostas, outros mecanismos sugeridos, só pode ser. Ou, em vez de estimular ao voto e ao bom ambiente à volta do eleitor, propiciá-lo a percorrer cada vez melhor os caminhos da cidadania, da ligação à Pátria, não faz nada disso?
Será que o partido e o governo decidiram, desta vez assumidamente, dar uns atrevidos pontapés no rabo em mais de 4 milhões de portugueses que já não têm rabo para aturar tanta aparente incompetência, tolice e ignorância à solta?
Integração dos portugueses com direito a voto, na vida política da Pátria, porquê e para quê, se os centros de decisão em Portugal não gostam nem permitem?
Só se fosse para influenciarmos o eleitorado a acabar com os métodos habituais de reinar, e, pelo modo democrático, correr com aquela espécie de reinóis dos centros de decisão. E influenciarmos alguns políticos a serem melhores pessoas e melhores governantes. Disso têm eles medo, dá-nos uma trabalheira e temos bastante mais que fazer.
Helder Fernando
Publicado no jornal HOJE MACAU, 16-09-08