Como, na carta que endereçou à Assembleia da República, Dias Loureiro garante que “não tem nada a esconder”, o PS já garantiu que inviabilizará novamente a sua audição. Dias Loureiro foi administrador e a “cara” mais visível do grupo BPN, no preciso período em que este comprou um banco às escondidas para “lavar” o dinheiro nas operações mais esdrúxulas. Mas, como alega que não tem nada a esconder, o PS considera o caso encerrado. Pegando nas já célebres palavras de Vítor Constâncio, se é tudo gente respeitável por que razão querem alguns deputados importunar o senhor conselheiro de Estado, pretendendo apurar explicações públicas sobre uma questão que vai custar centenas de milhões ao erário público?
Por Pedro Sales 17 Nov 08 em O país em inho, PS


O problema no mundo em que vivemos - e especialmente em Portugal, é que já se perdeu a vergonha.
Enquanto uns “engordam”, a maioria vive na indigência ou sobrevive na escravidão do trabalho precário.
Os que acumulam dinheiro não lhe dão outro fim que não seja manter na miséria mais e mais seres humanos.
Conheço um motorista que sempre que a administração da empresa onde trabalha exagera na opolência exclama, - “Que se lixe!!! Nós trabalhamos para isso tudo”…
O que eu realmente não compreendo é o que anda a fazer o PGR.Ainda não dei conta de nenhum destes Srs.tir sido chamado a depor.Será que está á espera que eles fujam para o Brasil?
Pedro Sales,
Envie o seu CV à PJ, já que acaba de descobrir um criminoso, e cumplíces também.
Digam-me uma coisa : a Assembleia da Republica é Policia de Investigação Económica ?
É que o que eu ouvi foi : O PS, assim como o PSD, não aceitaram a ida de Dias Loureiro à AR, porque esta não era a sede indicada para ele ir prestar declarações, uma vez que as autoridades competentes, ou seja, as Policias, estavam a investigar o assunto, e seria aí o lugar certo para o senhor ir dizer o que sabe.
A mim, parece-me correcto.
E quero esclarecer o seguinte : num país capitalista a sério, com uma justiça a sério, como por exemplo os EUA, este tipo de crimes dá prisão acima dos 25 anos.
O que se passa é que, como em tudo, neste país, capitalista ou sem ser capitalista, nada funciona. A Justiça não funciona porque é um quintal das Corporações de Juizes e da dos Funcionários Judiciais. A Educação não funciona porque é um quintal da Corporação dos Professores, e por aí diante…
Portanto, o que é que o homem ia fazer à AR ? Dar uma deixa para que o Demagago de serviço, o Louçã, pudesse debitar mais uma homilia das dele ?
Mouzinho e Chico da Tasca,
As audições parlamentares não pretendem apurar as implicações criminais, mas sim as responsabilidades públicas sobre uma questão que vai custar centenas de milhões ao erário público.
Será que não reparam que, existindo uma investigação judicial nos EUA, os adminsitradores da AIG e Lehman Brothers já foram ouvidos pelo Congresso dos EUA?
“ouvir” não resolve a questão
e quantos compinchas são na verdade condenados?
salvo o da Enron que se suicidou não vimos nada;
e mesmo o Kenneth Boy, como o bush amigavelmente lhe chamava pode ser considerado um ícone santificado da economia fraudulenta: é assim, as mais das vezes o sistema engole os seus melhores filhos - mas por cada um que se sacrifica salva-se um milhão
Sem querer desculpar quer Dias Loureiro quer a rapaziada do PS, já estou farto de audições parlamentares que ainda conseguem ser mais inconclusivas que as investigações da ERC.
A audição de Dias Loureiro pela AR, nesta altura do campeonato e, para mais, a pedido do próprio, seria obviamente uma jogada de antecipação do figurão:
por enquanto, não deve haver casos concretos e susceptíveis de prova a imputar-lhe e, com a táctica (em que é useiro e vezeiro) do “só sei o que vem nos jornais”, seria certamente muito difícil comprometê-lo.
Lembrem-se do caso SIRESP, ou dos rumores de 2005 em que surge como sócio do libanês Abdul Rahman
El-Assir, citado como “traficante de armas”, e, segundo a imprensa
internacional, uma das personalidades mencionadas numa mega-investigação
que nos anos 80 envolveu um banco ligado ao narcotráfico
internacional ou, ainda, as negociatas em Marrocos com o então seu homólogo Ministro do Interior do Hassan II.
Em todos estes casos, passou, incólume, entre as gotas de chuva de uma tempestade.
Eu concordaria com uma audição parlamentar quando as coisas estiverem mais claras, a não ser que alguém já possua provas suficientes (mesmo que insusceptíveis de serem acolhidas em Tribunal) das responsabilidades desse tenebroso personagem.
Se forem estas as razões do PS - e parecem sê-lo - estou de acordo.