Vitalino Canas é deputado do PS. E como deputado do PS fez, quando foi discutida a lei do trabalho temporário, uma declaração de voto: “é com inquietação que constato que, em aparente contraciclo, o novo regime de trabalho temporário é mais restritivo do que aquele que o PS apresentou inicialmente. (…) É o caso da responsabilidade do utilizador por dinheiros devidos ao trabalhador quando a ETT não lhe paga. Que utilizador quer correr esse risco?”. E criticava a limitação dos contratos de trabalho temporário a um máximo de dois anos quando no projecto inicial do PS o prazo era de três anos

Vitalino Canas é, desde 2007, um obscuro Provedor do Trabalhador Temporário. E quem lhe paga? A Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego (ou seja, a associação das empresas de trabalho temporário). Este ano resolveu dar a cara de forma mais desabrida por esta nobre causa.

Vitalino Canas é porta-voz de um partido que diz que é socialista. Fala para a comunicação social, umas vezes em nome dos socialistas, outras em nome de empresas de trabalho temporário. Vitalino Canas é deputado da Nação. Faz declarações de voto em defesa das mesmas empresas que lhe pagam. E em nada disto vê Vitalino nenhuma incompatibilidade. Nem política (a de se dizer socialista e representar empresas que têm como única função sugar parte do salário de quem trabalha quase à jorna), nem ética (a de fazer declarações de voto no Parlamento em defesa de quem lhe paga), nem de imagem (a de ser uns dias porta-voz do PS e outros das ditas empresas).


44 respostas ao post “Deputado temporário”  

  1. 1 1  JD

    É a social-democracia no seu esplendor máximo, procurando “equilibrar” as contradições entre capital e trabalho.
    Vitalino, sempre sagaz, que deve ser trabalhador temporário na associação do dito, sabe que tem de mostrar serviço rapidamente, senão arrisca-se ao despedimento com justa causa.

  2. 2 2  portela menos 1

    (…) Em muitas questões essenciais, o actual PS e o PSD são gémeos separados à nascença. Mas há um aspecto fulcral que os distingue: o PS tem mais facilidade em fazer a vida negra ao mundo do trabalho que a direita propriamente dita. Ou seja: o PS liquida direitos laborais em nome dos trabalhadores o que, por razões históricas e de registo de patente política, condiciona a contestação às suas políticas (…)

    todo o artigo em:

    http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1103735.html
    jpguerra

  3. 3 3  rosinha dos limões

    Eis a razão que me leva a escolher o seu blog como uma das leituras que não quero perder!
    Este caso (e muitos outros) do Vitalino Canas envergonha o PS!!!
    Não sei porque razão o homem não foi substituído!!!
    Se ao menos fosse um bom comunicador, mas só diz disparates!!!!
    Acho que muitos militantes, simpatizantes e votantes, não o podem ver nem ouvir!!!Ou melhor, alguns dirigentes chegam a ter “medo” do que ele possa dizer quando solicitado pelos jornalistas!!!Então em directos, o pessoal parece que fica suspenso e a sussurar entre eles …2qual vai ser agora a bacorada”..
    Despedi-lo por fazer Indecente e má figura, era o mínimo! Deve mudar-se de vez, para as Empresas de trabalho temporário!!
    Não há vergonha neste político!!!!

  4. 4 4  laranjalima

    Enquanto “a precaridade nos congela a vida” (um :) para esta ideia!!) estes senhores (socialistas?!) ofendem, sem o mínimo de pudor, aqueles que vêem, de facto, a sua vida adiada por via da dita precaridade, enquanto os Belmiros deste país apresentam lucros fabulosos. Tudo exemplos de boa gestão a que todos temos que nos habituar para, dizem eles, aumentar a produtividade e sermos mais competitivos…. mas, também, para quê perder tempo com os erros (deles) se fizeram tantas coisas boas?!!!!
    PS: no que depender de mim estão todos a prazo.

  5. 5 5  João Dias

    Este facto faz-me lembrar o “Sicko” de Michael Moore, em que ele põe umas etiquetas virtuais sobre os (se não estou em erro) congressistas, exibindo quanto as empresas investiam neles para assegurar que os seus interesses não eram vilipendiados por uma qualquer súbita vontade democrática.

    Acho que o Vitalino Canas também já tem uma etiqueta, ao menos podia mostrá-la para sabermos quanto custa, depois podemos fazer uma “vaquinha”/petição nacional para comprar um socialista que no parlamento defenda o SNS…por exemplo. A esquerda tem de se modernizar…cof cof

    P.S. Estava a pensar no Manuel Alegre, mas esse já está “comprado pelo lobby do ar condicionado

  6. 6 6  rosinha dos limões

    O homem não vale o tempo que se perde a falar dele!
    Se há pessoas na política que devemos ignorar este é um deles!!!
    È vergonhoso o que faz, mas ele estã-se nas tintas!! Interessa-lhe o tacho e dar nas vistas!!!
    E consegue os dois objectivos, embora pela negativa!!!
    Os “patrões” só o querem enquanto consiga influenciar alguém no seu partido, mas acho que já não consegue!!!Só se for o porteiro!!!

  7. 7 7  João Dias
  8. 8 8  H V&P

    Não me parece relevante o facto de ser ou não socialista (também teoricamente o PM é socialista) mas uma questão de ética e pudor! Ainda que seja legal, um deputado que faz declaração de voto num caso em que está directamente implicado é imoral e vergonhoso! Mas, num país que adora gritos momentâneos e prolongados silêncios, amanhã será apenas mais uma velha notícia!

  9. 9 9  antes destruir que chorar...

    É começar a saber onde é que estes gajos moram e juntar malta…

    Eles roubam o país aproveitando-se da puta da democracia representativa partidocrática, com dualidades e duplas personalidades polítcas.
    O Bilderberg é quem decide quem é que manda e quem é que pode roubar.
    Ferreira do Amaral, Carmona Rodrigues, Vitalino Canas, Bragaparques, e o CDS inteiro… cambada de chulos que nos roubam com um sorriso nos lábios.

    Por onde é que começamos?

  10. 10 10  Z.

    Brave new world! Será que os amigos e descendentes (não sei se existem ou não) de Vitalino Canas também recorrem às agências de trabalho temporário? Ou será que recorrem antes À Agência de trabalho permanente, leia-se PS e restantes ramificações?

  11. 11 11  Pedro Sá

    Se excluirmos a consideração feita sobre as empresas de trabalho temporário, estou totalmente de acordo. Vitalino Canas deveria desde já demitir-se das suas funções de porta-voz do PS.

  12. 12 12  Pedro

    Parabéns pelo post. Esta execranda figura do PS tem a expressão canina de um verdadeiro ‘His Master’s Voice’. Representa tudo o que não deve ser um político, é um aparelhista trauliteiro e vendido abominado dentro do próprio PS, onde a democracia interna não é o que propaga o seu secretário-geral.

  13. 13 13  Nuno Rebelo

    Tão simples quanto isto: Vitalino, agora que já lançou os foguetes, vá apanhar as Canas, bem longe, e faça-nos um favor, a mim especialmente, não volte para porta-voz, no mínimo isso…

  14. 14 14  Arquiduquesa de Grayskull

    Existem três coisas a minar actualmente o funcionamento saudável do mercado de trabalho:

    1. A existência das empresas de trabalho temporário, que piscam os olhos e levam metade do salário dos trabalhadores (que sem a empresa de trabalho temporário não arranjam emprego);

    2. Os falsos trabalhadores independentes: aqueles que são obrigados a trabalhar a recibo verde precariamente;

    3. A “mama” dos estagiários saídos das faculdades que se sujeitam a tudo nas empresas, muitas vezes não remunerados e que são grande parte da força de trabalho activa qualificada deste país; ou seja, quando acaba um estágio, as empresas têm à disposição centenas de milhares de estagiários dispostos a ocupar a mesma função a troco de um bocadinho de experiência e sem serem sequer remunerados;

    Enquanto não houver uma lei que:

    1. Acabe com as empresas de trabalho temporário ou que limite dramaticamente a percentagem do ordenado do trabalhador que podem “confiscar”;

    2. Acabe com os recibos verdes (sendo preferível que se façam contratos a termo para todos, mesmo que por prazos mínimos, desde que contemplem os descontos para a segurança social e o IRS);

    3. Proíba uma empresa de dar mais do que 2 estágios com a duração de 2 meses por ano; ora, se há quem esteja sempre disponível a trabalhar de graça, porque motivo há-de uma empresa querer pagar a alguém para trabalhar?

    Enquanto uma lei deste género não se fizer, nunca o trabalho jovem e qualificado sairá da precaridade em Portugal. E sinceramente, já chateia a CGTP e a função pública, como se os únicos direitos que urge defender em Portugal fossem os dos trabalhadores da função pública.

  15. 15 15  jj

    Simplesmente… miserável.
    É isto que justifica a abstenção nas eleições, porque um tipo vai votar em quem, afinal…!?

  16. 16 16  rosinha dos limões

    Para a arquiduquesa de grayskull:

    Totalmente de acordo!!!Fui membro de comissões de trabalhadores numa empresa durante 12 anos, e de facto convivi com os aproveitamentos que refere!! Alguns mesmo ao arrepio das leis vigentes, com empresas simplesmente a “alugar pessoas” sem alvará para prestação de trabalho temporário!
    Mas quando chamadas a intervir as Inspecções do Trabalho, referiam sempre que o mapa de prioridades definidas pelo Governo não incluía essas matérias!
    Continua a ser assim, e então agora com o Vitalino como PROVEDOR, será ainda melhor!!!

  17. 17 17  Isabel Coutinho

    Bravo Arquiduquesa!
    Totalmente de acordo.

  18. 18 18  Francisco Crispim

    O Canas faz-me enjoos - e confesso que não estou grávido.
    Mas convém que o PS o mantenha. É que há o perigo de vir a seguir alguém que pense.

  19. 19 19  Fado Alexandrino

    Fui ler a notícia e os vários links associados.
    Em nenhum lugar descobri que Vitalino Canas é pago pelo função de provedor.
    Esta função, prestigiante, destina-se a resolver problemas entre as entidades empregadoras e os empregados como seria natural em qualquer parte do mundo.
    Ser provedor seja do que for é uma posição social de alto pretígio e de independência.
    Honra qualquer um.
    Mas aqui parece que é pecado.

  20. 20 20  Daniel Oliveira

    Fado Alexandrino, sim é pago, como aliás todos os provedores são. Pode confirmar na declaração de interesses do deputado e numa entrevista ao Semanário Económico em que ele confirma que é remunerado.
    Não, não é prestigiante, já que não é independente da associação do sector. A função de Vitalino é garantir os interesses das maiores empresas do sector contra as pequenas, não é defender os direitos dos precários neste negócio inacreditável.
    É ramo de negócio que para o Fado pode achar magnifico, mas para um socialista não pode ser visto da mesma maneira. Sabe qual é negócio destas empresas e onde vão buscar o lucro? Ao salário já miserável do trabalhador precário que a única coisa que ganha é trabalhar sem qualquer direito. Se as empresas de trabalho não existissem o trabalho estava lá na mesma, mas com menos escapoatória à lei geral de trabalho. E o salário era recebido por completo. A declaração de voto de Vitalino é já por si só a demonstração de qual é o seu papel como provedor.
    Acho normal que o senhor aplauda. Mas o Fado não é socialista, pois não? O seu aplauso só prova a vergonha política de um dirigente e deputado socialista aceitar este lugar.

  21. 21 21  rosinha dos limões

    FADO: As empresas contratam hoje nas “temporárias” mão de obra há hora, sem direitos nenhuns, sem segurança social, sem seguro de acidentes de trabalho, e por aí fora, para reduzirem os custos com o pessoal, e ao mesmo tempo baixam o total gasto na conta “Ordenados e salários”, porque os custos das empresas de trabalho temporário entram em “Fornecimentos e Serviços de Terceiros”!
    Quando as empresas utilizam mão de obra não especializada, recorrem a estes serviços, e sempre ficam com folga para aumentarem os ordenados e regalias de Administradores e Directores, sem fazer subir a tal conta de Ordenados e custos com o pessoal!
    Para além de todas as outras imoralidades, fique a saber que esta tem um peso enorme!! E é nela que os promotores do trabalho temporário apostam, porque sabem que tem acolhimento superior!
    Já assisti na empresa ao seguinte: 3 trabalhadores despedidos ao fim de um contrato de 6 meses, são contratados dias depois por uma empresa de trabalho temporário, que os coloca no mesmo local de trabalho, a fazer a mesma tarefa, mas com o ordenado (e regalias sociais inexistentes) reduzido em 40%, sem subsídio de turno, nem horas extraordinárias, etc,etc! Os trabalhadores queixaram-se, mas estava tudo legal!!!
    Não acha isto uma vergonha???
    Isto é trabalho desregulado, e não há santo provedor que lhe valha!!
    E é por isto que nenhum político de esquerda, se devia pavonear numa causa destas!!!
    Tal como diz Daniel Oliveira , na resposta sublime que lhe deu!

  22. 22 22  Fado Alexandrino

    Daniel Oliveira

    Muito obrigado.
    Na verdade não consegui descobrir que é pago, se o é está mal.
    Li as regras do seu funcionamento.
    Parecem-me iguais às de qualquer provedor e sim, continuo a achar que o lugar de provedor é altamente prestigiante.
    Em nenhum momento da minha intervenção escrevi sobre o valor positivo ou negativo destas empresas.
    Não, não sou socialista.
    Se alguma coisa sou, sou realista, como as empresas que se deslocam para outros sítios que esses sim são socialistas.

  23. 23 23  Daniel Oliveira

    Fado, não tenho problema nenhum que as empresas de trabalho temporário se desloquem para o outro sítio. Não produzem nada, não criam emprego e baixam o salário de muitos trabalhadores sem que sequer isso reduza os custos das empresas onde eles realmente trabalham. São um problema, não uma vantagem.

  24. 24 24  Guimarães

    Aos senhores que enchem o bolso a vender o trabalho dos outros não se chamava antigamente NEGREIROS?

  25. 25 25  Isabel Coutinho

    “Aos senhores que enchem o bolso a vender o trabalho dos outros não se chamava antigamente NEGREIROS?”

    Chamava-se sim senhor. E o trabalho que vendem é trabalho de escravo.
    Eu também não sou socialista, nem acho que isto tenha a ver com qualquer “ismo”. É uma questão de decência e de honestidade.
    Infelizmente estas são palavras que já não se usam.

  26. 26 26  Fado Alexandrino

    Daniel Oliveira

    Não compreendeu o que eu queria dizer.
    E que era:
    Com a actual legislação laboral é impossível despedir um trabalhador faça ele o que fizer.
    Com a instabilidade de mercado se uma empresa precisar de despedir parte dos seus empregados não o pode fazer até ir à falência e ai serem todos despedidos.
    Logo não se vê nenhuma razão para podendo ter um trabalhador temporário se meter na aventura de o ter como definitivo.

    Eu sei que isto para si é muito difícil de perceber
    Porque:
    Há duas maneiras de ver a sociedade, a liberal e a estatal.
    Curiosamente as empresas deslocalizam-se de onde há garantias de emprego por esta legislação para outras onde não há garantias nenhumas o que se traduz num paradoxo interessante.

    Onde há lei não há emprego e há emprego onde não há lei.

  27. 27 27  Daniel Oliveira

    «Com a actual legislação laboral é impossível despedir um trabalhador faça ele o que fizer.»

    Como conheço várias pessoas que foram despedidas, suponho que devem ter cometido homicídio ou coisa assim. As coisas que se dizem mesmo quando o quotidiano aí está apara as contrariar.

  28. 28 28  Fado Alexandrino

    Eu também conheço várias pessoas que fumavam três maços por dia, bebiam uns valentes copázios tinham duas amantes e duraram até aos noventa anos.
    Agora trabalhadores não temporários despedidos com justa causa não conheço, e já agora deixe-me dar-lhe um conselho.
    Quando estiver ao pé desses que conhece, mantenha a carteira bem agarrada na mão.

  29. 29 29  Daniel Oliveira

    Fado Alexandrino, esta sua resposta diz tudo. Acha portanto que alguém que foi despedido é porque é ladrão. Isso explica muitas das suas opiniões.

  30. 30 30  Isabel Coutinho

    Fado Alexandrino:

    Eu conheço casos de despedimentos com justa causa. Fiz parte de 2 Comissões de Trabalhadores e, como sabe, quando um processo disciplinar pode conduzir a despedimento, tem obrigatoriamente de ter um parecer da Comissão de Trabalhadores (pelo menos, nessa altura tinha).
    Num dos casos, até se tratava de um quadro superior, mas, por não aceitar que o seu serviço fosse incluido noutro, sabotou o sistema informático, obrigando os trabalhadores da Contabilidade a trabalharem pela noite fora, para processarem os salários à mão, de forma a serem depositados até ao último dia do mês. Três funcionárias do mesmo serviço, solidarizaram-se com ele. Foram despedidas também.
    Noutro caso, um trabalhador, molestou sexualmente a neta de uma contínua, de 9 anos, que estava com a avó porque estava de férias, e os pais não tinham onde a deixar. A miúda queixou-se, e ficou provado que era verdade. O dito foi para a rua, obviamente.
    Soube de mais 2 ou 3 casos, mas não falo deles, porque não me passaram pela mão.
    Em nenhum deles foi roubado o que quer que fosse.
    A Lei do Trabalho prevê várias circunstâncias em que o trabalhador pode ser despedido com justa causa.
    Também está previsto o despedimento por manifesta incapacidade económica da empresa, mas essa incapacidade, é preciso prová-la.
    Esses casos, eu aceito.
    O que eu não aceito é que se mantenha gente a trabalhar sem contrato, para a poder despedir sem justa causa.
    Nenhum trabalhador quer ver a sua empresa ir à falência. Para isso fizeram-se os acordos.
    Os trabalhadores não são inconscientes, mas também não são parvos. Ninguém acredita que uma empresa tem dificuldades económicas, quando o patrão, por exemplo, acabou de comprar um carro topo de gama.
    Pronto: desabafei.
    É que, infelizmente, eu sei como elas mordem!

  31. 31 31  laranjalima

    Fado, essa mentalidade, que transparece das suas intervenções, é que nos está a asfixiar, é que faz de nós um país terceiro mundista. A culpa da falência das empresas não é dos trabalhadores. A culpa da falência das empresas é da má gestão, da descapitalização das empresas para bens pessoais, não garantindo que as mesmas possam sobreviver aos ciclos de baixa, que qualquer pessoa sabe que existem. As empresas têm que capitalizar para se aguentarem quando os lucros descem. Muitas das falências são como sabe fraudulentas, fecham aqui e abrem além com outo nome. O trabalho precário é, do ponto de vista social, um drama que só não vê quem não quer. Sabe que o liberalismo selvagem já provou, históricamente, a sua ineficácia, o neoliberalismo selvagem vai, infelizmente para todos nós, no mesmo caminho.
    Quanto à deslocalização, é a mais baixa chantagem que se joga hoje contra os trabalhadores. Sabe, nunca tinha percebido muito bem a eficácia das teorias marxistas no que se referia à política sindical - “trabalhadores de todo o mundo uni-vos”. Começo a perceber agora.Está mais actual que nunca.

  32. 32 32  Fado Alexandrino

    Isabel Coutinho

    A sua resposta responde a Daniel Oliveira.
    Não sei o que é que hei-de fazer, mas infelizmente as pessoas cada vez conseguem menos interpretar um texto onde, se não se puser um aviso, se usem imagens literárias.
    Devia ser evidente que a imagem do ladrão estava lá para isso mesmo.
    Não foi!

    Mas o que é evidente e a sua resposta assim ajuda a perceber é que se não for ladrão tem que ter praticado um crime bem doloso para poder ser despedido e mesmo assim o processo em Tribunal pode demorar anos.

    O que eu não aceito é que se mantenha gente a trabalhar sem contrato, para a poder despedir sem justa causa.

    Como a senhora compreenderá é para isso mesmo que a empresa contracta nas empresas de trabalho temporário, para poder gerir a sua força de emprego de acordo com as necessidades.
    Aqui não se trata de haver ou não justiça.
    É o mercado e este código de trabalho que forçam esta situação.
    Como já expliquei a Daniel Oliveira, julgo que isto ele percebeu, a alternativa é um modelo estatal.

    Por favor não use o argumento do carro espampanante.
    Isso é um caso de polícia e quem o faz devia ser preso.
    É uma árvore (atenção isto é uma imagem literária).

  33. 33 33  Daniel Oliveira

    Fado, acontece que eu conheço também muitas empresas, muitos sindicalistas e muitas realidades e a experiência da Isabel Coutinho está longe de abarcar todas as realidades. Nem sequer as mais significativas. A maior parte dos despedimentos resulta de razões da empresa e muita gente acaba por, em vez de ser despedida, ser levada a despedir-se. Posso contar-lhe muitas histórias.

    E esqueceu-se que existem despedimentos colectivos.

    Eu percebi a sua imagem: se alguém é despedido é porque fez qualquer coisa de muito grave. É falso. Apenas isso.

  34. 34 34  Isabel Coutinho

    Isabel Coutinho
    A sua resposta responde a Daniel Oliveira.

    Não, a minha resposta era para si. Quando disse “Com a actual legislação laboral é impossível despedir um trabalhador faça ele o que fizer.” Apenas pretendi provar-lhe que isso não era verdade. Utilizando a minha própria experiência.

    Não sei o que é que hei-de fazer, mas infelizmente (…) interpretar um texto onde, (…) se usem imagens literárias.

    Um conselho: não use imagens literárias que possam ofender as pessoas. Acredito que não terá sido esse o seu propósito. Mas foi no que resultou.

    se não for ladrão tem que ter praticado um crime bem doloso para poder ser despedido e mesmo assim o processo em Tribunal pode demorar anos.

    É evidente que a justa causa para despedimento é sempre consequência de um acto doloso. Antes disso há uma série de sanções disciplinares que a empresa pode usar. Mas sempre depois de instaurado um processo disciplinar, em que o trabalhador é ouvido, e tem direito à sua defesa.
    Os Tribunais de Trabalho não são mais morosos que os outros Tribunais em Portugal. Infelizmente. Mas estão longe de dar sempre razão ao patrão. Se o Tribunal der razão ao trabalhador, este pode optar, entre se reintegrado ou receber uma bruta indemnização. Que corresponde, pelo menos, a tudo o que receberia se não tivesse sido despedido. E até ao dia da promulgação da sentença. Até por isso os patrões evitam ter de se confrontar com os Tribunais de Trabalho.
    Esta é mais uma razão para o recurso às Empresas de trabalho temporário: sabem de podem despedir sem ter que alegar razões e ficar impunes.

    é para isso mesmo que a empresa contracta nas empresas de trabalho temporário,

    Óbvio: nisso estamos de abordo, como lhe disse acima.

    Mas já não concordo consigo na seguinte afirmação:
    para poder gerir a sua força de emprego de acordo com as necessidades.
    Aqui não se trata de haver ou não justiça.

    “Gerir” implica planear e prever, como bem disse laranjalima na sua resposta. Uma empresa bem gerida não age conforme as necessidades do dia-a-dia. Quando há um acréscimo de trabalho, os trabalhadores normalmente correspondem. Porque é que quando há decréscimo a empresa não corresponde também? Tenho visto trabalhadores aceitarem cortes dos seus salários para sustentarem empresas. Já é mais raro ver empregadores aceitarem corresponder com os seus bens pessoais. Ou com um corte no seu estilo de vida.

    É aqui que bate o ponto da justiça e injustiça.

    É o mercado e este código de trabalho que forçam esta situação.

    A esta só lhe respondo assim: o mercado e o código de trabalho têm as costas largas …

    xxxxxxxxxxxx

    Com isto não pense que o estou a hostilizar. Infelizmente a sua é a visão dominante neste mundo de capitalismo selvagem.

    Só mais uma coisa: a empresa onde trabalhei 38 anos era e é privada. Enfrentou desafios tremendos, mas nunca despediu ninguém sem justa causa. Acontece que sempre foi bem gerida.

  35. 35 35  Fado Alexandrino

    Isabel Coutinho

    Muito obrigado.
    Explico-me, quando disse que a senhora respondia a Daniel Oliveira estava a querer dizer que a sua resposta servia para ele.

    Como escrevi e repito há duas maneiras (de uma maneira simplista) de ver o mundo. Uma a liberal outra a estatal ou ainda de uma maneira mais simplista a privada e a pública.
    São diferentes, são mesmo antagónicas.
    Eu prefiro uma.

    Na Opel da Azambuja a empresa era muitíssimo bem gerida só que os carros que produziam ficavam mais baratos noutro lugar.
    Para evitar que a empresa fechasse os trabalhadores resolveram fazer….greve.
    O resultado viu-se.

    Deixe-me agora abandonar a floresta e ir para uma árvore.
    Tive um amigo que trabalhava numa empresa privada.
    Cansou-se de lá estar, penso mesmo que se cansou de trabalhar.
    Meteu baixa e como tinha pessoas amigas conseguiu que a mesma fosse prorrogada ad infinitum.
    A empresa cansou-se de esperar por ele e teve que meter outro fulano a fazer-lhe o lugar.
    Penso que ainda está de baixa.

    Claro que isto é um caso isolado, será?
    Mas penso que todos nós conhecemos um caso ou outro muito parecido.
    Até talvez a senhora lá na sua empresa.

  36. 36 36  Francisco Crispim

    Alguns dos comentários, designadamente os de Fado Alexandrino, revelam profundo desconhecimento do Direito Laboral.
    O Código do Trabalho em vigor estabelece as situações em que é possível o despedimento sem que tenha havido qualquer comportamento inadequado por parte do trabalhador. Por exemplo, em caso de extinção do posto de trabalho devidamente fundamentada pelo empregador.

  37. 37 37  Eduado Rocha

    Nem amigos e sequer conhecidos.

    Já agora a título de participação e contributo para a discussão, sou a dizer que fui despedido por “mútuo acordo” depois de apresentado um projecto de despedimento colectivo de parte dos trabalhadores.
    Acontece que eu pertencia á manutenção da fábrica o que normalmente é visto como um encargo para as empresas, esta decidiu contratar pessoal temporário para “ocupar” os respectivos lugares deixado em aberto pelos despedimentos.
    Isto acontece porque assim não têm de pagar subsídio de refeição , diuturnidades nem anuidades, assim como horas extraordinárias quando a isso era necessárrio recorrer.
    De facto a empresa ficou a ganhar, teve menos custos com o pessoal.
    Agora deixem-me só a dizer uma coisa, eu vim para o fundo de desemprego porque a isso tenho direito, mas por incrível que pareça ainda não vi nenhum patrão ficar desempregado, eheheheh.
    Já alguem viu um bicho desses ficar com as rendas do andar em atraso ou a ter que pedir dinheiro emprestado aos pais e amigos para poder dar continuidade á escolaridade dos filhos?
    Pintem a manta da cor que quiserem, mas esses gestores ou outra coisa qualquer que lhe queiram chamar (para mim, filhos da puta) só vivem á custa do suor da gente.
    Tenho dito e espero que o senhor dos comentários que se diz liberal perceba que se pode despedir se assim os gajos o enternderem.

    Nota, fuidespedido e não cometi crime nenhum, aliás até passaram carta de recomendação.

    Obrigado pelo tempo que lhes roubei, mas tb é temporário.

  38. 38 38  Fado Alexandrino

    Muito obrigado pelos esclareciemtnos dos dois últimos postantes.
    Com esta intervenção me despeço, ou me despedem sei lá.
    O senhor Francisco Crispim fazia-me um grande favor se me indicasse outras situações além da que mencionou.
    O senhor Eduardo Rocha de quem lastimo a situação, explica que se despediu.
    Mas há um ponto interessante na sua análise.
    Ele se acha que ser patrão é bom (bem as mães não devem gostar, paciência)porque é que ainda não o tentou ser?

  39. 39 39  Manuel Leão.

    O Sr. Fado Alexandrino disse:

    «São diferentes, são mesmo antagónicas.
    Eu prefiro uma».

    Eu prefiro as duas.

    Já agora, faça-me um favor:

    Traduza-me esta sua frase para português, para eu poder comentar:

    «Curiosamente as empresas deslocalizam-se de onde há garantias de emprego por esta legislação para outras onde não há garantias nenhumas o que se traduz num paradoxo interessante».

    Agradeço que, para além da tradução, esclareça:

    1- O que são”garantias de emprego por esta legislação”;
    2 - A que é que se está a referir quando utiliza a palavra “outras”. “Outras” quê?

    Peço-lhe encarecidamente que nunca se deslocalize.
    Seria uma perda irreparável!

  40. 40 40  Fado Alexandrino

    Manuel Leão.

    Muito obrigado.
    Eu também prefiro duas soluções.
    Por exemplo o Benfica joga contra um qualquer. Quero que ganhe o Benfica.
    No mesmo dia o Sporting defronta o Porto.
    Quero que percam os dois.

    O meu post fala por si.
    Esta legislação garante o emprego perpétuo (salvo se a empresa falir por causa dele) a quem pique o ponto.
    Eu, agora, já ninguém me deslocaliza.
    O senhor, se é empregado, acautele-se!

  41. 41 41  Manuel Leão.

    Sr. Fado Alexandrino:

    V. Exª disse «Eu, agora, já ninguém me deslocaliza.
    O senhor, se é empregado, acautele-se!».

    Depois de muito trabalho a tentar decifrar o que escreveu, pergunto: É uma ameaça ou quer dizer que já não trabalha por conta de outrém.

    Mas do que eu continuo à espera é da traduçãozita que lhe pedi, anteriormente.

    P. S. - Quando escreve sobre futebol, V. Exª é muito mais eloquente!

  42. 42 42  simon claude

    Dans le cadre de CULTURE ARGENT CENSURE

    « Résistances, alternatives, revendications »

    Samedi, le 12 avril de 14h30 à 17.00
    Centre Culturel de Rencontre • Abbaye de Neumünster • 28, rue Münster • L-2160 Luxembourg-Grund

    Les coupures dans les budgets culturels, l’introduction de nouveaux critères affectant la liberté d’expression et d’expérimentation, l’échec d’une politique culturelle ayant recours à des fonds privés ont conduit beaucoup d’artistes à financer des projets nouveaux ou novateurs en s’organisant en marge de la culture établie. L’impact de l’idéologie du néolibéralisme sur nos relations sociales, notre rapport avec
    l’environnement et nos valeurs a amené beaucoup d’artistes à repenser leur rôle dans la société et à se placer de nouveau au centre des discussions publiques.
    Leurs regards sont essentiels, leurs expériences sont enrichissantes, leurs revendications en matière de politique culturelle sont déterminantes.

    L’initiative du Parti de la Gauche Européenne se propose de soutenir ces combats pour un monde humain en réunissant des acteurs culturels à Luxembourg afin de donner une plus grande visibilité aux projets, d’entretenir le débat et d’alimenter sa propre réflexion culturelle.

    Nous vous invitons à participer au colloque et particulièrement aux ateliers du samedi après-midi consacrés aux « Résistances, alternatives, revendications ». Ces ateliers permettront de dépasser la simple analyse et seront une occasion pour présenter et discuter chaque projet particulier.

    les ateliers proposés, modérés par :

    • Gert Gampe - présentation de son projet artistique en guise d’introduction

    • présentation du manifeste de Guy Wagner
    • - financement de la culture, des artistes (public, privé, droit d’auteur…)
    • Norry Schneider, animateur de la plate-forme culturelle LX5, Luxembourg Gert Gampe, responsable de la culture au sein de « Die Linke », Berlin - mettre la culture sur la place publique, prendre position
    • Baudouin De Jaer, compositeur, Bruxelles - démocratiser la culture - relation avec un public actif
    • Daniel Oliveira, blogueur, Lisbonne - emploi divers et varié des moyens de communication électronique

    • Marc Baum, metteur en scène, Luxembourg - conclusion et discussion (en introduisant les rapports des ateliers)

    Rencontre internationale organisée par le Parti de la Gauche Européenne en partenariat avec le CCRN

    Infos et contact: +352 26190001
    http://www.culture-argent-censure.eu

  43. 43 43  José Silva

    O problema quer existe em Portugal relacionado com os despedimentos nas empresas estrangeiras a operar em Portugal, está relacionado com a deficiente interligação parafuso-rosca; sempre que há harmonização neste binómio, como é o caso da prostituição, o Vitalino Canas, mais um provedor de qualquer coisa, nada faz, como nada faz em relação aos despedimentos que há anos se vêm a verificar na indústria. As leis laborais cada vez são mais dúbias, como dúbia é agora a questão da criação do secretário geral da segurança. A harmonia atrás referida só poderá funcionar desde que as leis sejam feitas a pensar em todos e não em meia dúzia de cidadãos:
    O Parafuso e a Rosca
    a estas coisas toscas
    que têm os seus usos
    dá-se nome de roscas
    e nome de parafusos!
    -
    O parafuso tem ponta
    que se mete na rosca
    deve metê-lo à conta
    e no fundo se enrosca!
    -
    para tapar a vedação
    de uma rosca já alta
    há que ter em atenção
    a rosca faz tanta falta!
    -
    aperta o teu parafuso
    com a chave inglesa
    vais ver um bom uso
    na rosca portuguesa!
    -
    usa a chave de fenda
    para o mesmo apertar
    s’é algo que se venda
    nada podes entornar!
    -
    a cabeça do parafuso
    pode-a apertar à mão
    e para ter o bom uso
    deve ter lubrificação!
    -
    e há vários parafusos
    e há cá tanto modelo
    que conforme os usos
    na rosca deve metê-lo!
    -
    e a porca de verdugo
    é uma rosca especial
    aproveita um refugo
    dum parafuso normal!
    -
    usa rosca de encosto
    de um lado fechada
    que te dá mais gosto
    ficando bem untada!
    -
    se queres bom aperto
    numa qualquer rosca
    tens de ser um esperto
    não faças coisa tosca!
    -
    e a rosca a duas mãos
    que um parafuso meta
    não deve ter uns vãos
    pode ter óleo de greta!
    -
    Pisco

  1. 1 Arrastão: Dois anos

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