Como era previsível, Pedro Passos Coelho vai contar com o apoio dos “menezistas” (estranha coisa para se ser) que não perdoam a Santana a sombra que fez ao líder demissionário. E com o apoio daqueles que, não querendo Ferreira Leite, ainda têm alguma noção do país onde vivem e sabem que um regresso de Santana será motivo de chacota nacional. É provável que Passos Coelho precise do apoio de gente como Marco António para ganhar parte do partido e colocar-se em boa posição para, a prazo, vir a substituir ou Santana ou Ferreira Leite depois da derrota do PSD nas próximas eleições. Mas estar associado a figuras como estas terá sempre o seu preço.

Como personagem política, Pedro Passos Coelho tem muito pouco interesse. A sua notoriedade fez-se na liderança de uma “jota”, a sua imagem está colada à de um homem de aparelho sem currículo, o seu discurso é redondo e baço. Mas parece ter a inteligência de perceber que ou o PSD encontra um espaço ideológico claro ou está condenado a viver de crise em crise. Ele escolheu uma espécie de liberalismo mitigado. Não sei se resulta, mas é um caminho. Ter um passado político pouco marcante, ser facilmente moldável, ser relativamente jovem e parecer ter poucos anti-corpos fora e dentro do PSD joga a seu favor num partido que parece perdido e ansioso por começar do zero. A sua imagem não está assim tão distante da de Sócrates, quando se candidatou à liderança do PS. É um cabide onde se pode pendurar uma nova roupagem.

E uma coisa parece provável: dividindo votos, vai dar a vitória a Ferreira Leite e afastar Santana do regresso à liderança. Talvez o PSD ainda não o perceba, mas ficará a dever esta a Passos Coelho.


12 respostas ao post “O candidato-cabide”  

  1. 1 1  josé manuel faria

    PPC é um vazio sem obra sem currículo. Será o 3º mais votado. Na JSD era convencido e arrogante com uns anos em cima talvez tenha sossegado.

  2. 2 2  militante do PSD anti-santana

    espero sinceramente que Pedro o (Passos Coelho) ganhe, porque isso acontecendo, trará alma e sangue novo ao PSD, coisa que o outro Pedro não traz, pelo contrário, levará o PSD para um fundo, onde poucos conseguirão chegar, para o salvar. quanto a Manuela F. Leite será sempre uma boa alternativa, mas tem um senão, não vai trazer o tal sangue novo que precisa o PSD. sobre os outros nada a dizer. João Jardim, como militante do PSD e “cubano” só tenho a dizer três coisas. deus nos livre.

  3. 3 3  Méndez

    Pedro Passos Coelho tem uma coisa que mais nenhum outro candidato neste momento apresenta. Um discurso para dentro e para fora. A comparação a Socrates não é de todo des(cabida). Em relação a Alberto João Jardim, citando Almada Negreiros “Se ele é português eu quero ser espanhol”. Livre-nos o PSD de ter esse homem a concorrer nas legislativas.

  4. 4 4  António de Almeida

    -Pedro Passos Coelho até poderá ganhar, por uma qualquer circunstância á qual será certamente alheio, mas uma eventual vitória sua, seria uma tripla vitória de Menezes:
    1-Calaria de vez os “notáveis”, e terminava com o mito Manuela Ferreira Leite, uma militante consensual, capaz de federar em si mesma sensibilidades e personalidades diferentes.
    2-O mais certo seria Santana ficar em 3º lugar, dificilmente constaria das listas para deputado nas próximas legislativas, e o seu fim político quase certo, embora há que perceber que o homem tem 7 vidas políticas.
    3-Pedro Passos Coelho, encarado como reserva para futuro, obrigado a ir a votos, caso perca com Socrates (altamente provável), deixaria de ter futuro, passaria a ser passado, libertando o partido para em 2010 Menezes surgir qual D.Sebastião num deserto, onde talvez apenas Rui Rio, iria depender do resultado autárquico do Porto, ou Marcelo, mais interessado em preparar uma candidatura presidencial para suceder a Cavaco, mas tendo pela frente que afastar Durão Barroso dentro da mesma área política, lhe poderiam fazer frente.
    4-Não é uma 4ª razão, mas as três primeiras só serão válidas caso não se dê uma implosão do PSD, a qual não sendo iminente não pode ser descartada, e a acontecer causará igual efeito no CDS-PP. Espanha e Itália, em circunstâncias e conjecturas diferentes, são disso exemplo.

  5. 5 5  Arquiduquesa de Grayskull

    PPC é o único candidato capaz de trazer alguma mudança ao PSD. Todos os outros são passado. Todos os outros dão ao PS a possibilidade de perpetuar a defesa ao ataque: quer Santana, quer Ferreira Leite, quer Jardim têm um passivo que é útil ao PS.

    Uma questão: um apoiante da linha de Alberto João Jardim é um jardinista ou um jardineiro?

  6. 6 6  Pedro Braz Teixeira

    Não estou nada a ver essa dívida. Manuela Ferreira Leite deve ganhar com mais de 50% dos votos.

    Equívocos na renovação do PSD:
    Há quem fale na necessidade de renovação do PSD e elabore alguns equívocos sobre o tema. É para lá de evidente que o PSD precisa de retirar de cena os inenarráveis Santana, Menezes e “sus muchachos”. Que esses devem sair, não há qualquer dúvida.

    Mas há quem defenda renovação nos protagonistas seguintes. Antes de mais, convém lembrar o que a última renovação trouxe (Menezes, Ribau, etc.) para se perceber que, se a renovação poderá ser um bem, não o é necessariamente e não será, assim, o principal critério de avaliação. É-me muito mais importante uma direcção com qualidade, responsabilidade, rigor do que com “renovação.”

    Mas há um outro equívoco de “renovação”. Pensar que é preciso trocar uns protagonistas do PSD por outros do PSD é um equívoco. O que é preciso é renovar o próprio PSD e abri-lo ao exterior. O que é preciso é renovar com pessoas de fora, com experiência nos seus sectores e com contributos válidos para uma agenda reformista. Manuela Ferreira Leite tem, de longe, a melhor imagem junto dos profissionais qualificados e é capaz de atrair o maior número deles, transmitindo-lhes a credibilidade de irem participar num projecto sério. Mas não só é capaz de atrair mais, como está mais disponível para os receber. Sempre a tenho ouvido falar dessa necessidade de abertura do PSD ao exterior. Por isto tudo, e ironicamente, é a pessoa mais velha a que poderá trazer maior renovação, para além da qualidade, qualidade, responsabilidade e rigor.

  7. 7 7  p.heinz

    As acusações a PPC de que não tem currículo (de que espécie for) são um pouco injustas. Pelo que me é dado a conhecer, o homem foi líder da JSD antes de se ter licenciado. Qd deixou esse cargo, voltou aos estudos, entrou no mercado profissional e agora anda por aí com vontade de fazer qq coisa em política. O facto de ser alguém que não fez a sua vida profissional no “partido” é, no panorama geral, um ponto a favor.

  8. 8 8  Minhoto

    Portugal é sem dúvida um pais estranho, PPC se ganhar no psd tira votos ao BE, pois ao dar sangue novo ao partido este (promete) vai sair da àrea cinzenta, chata e monótona a que estamos acostumados e onde muita gente não se revê, gente essa que votou no inicio no BE quando nasceu e agora de certa forma está orfã e anseia por caras novas na politica, senão fosse assim porque escreveria assim o DO.

  9. 9 9  joe Mike

    Neste 25 de Abril estive a almoçar em Vila Real com a família e à minha frente estava o P. P. Coelho com o mayor de Vila Real…é claro que andava à procura de apoios e estou certo que face à indefinição dos …istas ficará a algumas décimas de Manuela F. Leite o que lhe dará alguma notoriedade no partido. Se for inteligente talvez a Manela o convide para seu mandatário da juventude…

  10. 10 10  Daniel Oliveira

    Minhoto, leu com atenção o post. Ele no fundo é positivo para PPC. O senhor é que não é muito perspicaz. Mas eu já tinha dado por isso.

  11. 11 11  H V&P

    Do pouco que falou, PPC mostrou que tem o seu caminho! Por acaso, revejo-me no caminho e cheguei a escrever que seria o líder ideal para o pós-derrota de 2009! Mas… é com tristeza que vejo a sua colagem ao PSD-Gaia e a inacreditável escolhe do filho do Menezes…
    Começou bem, mas…
    PS - Sobre a analogia… parece-me mais correcta com Zapatero do que com Sócrates

  12. 12 12  Maria

    A menos que apareça la do fundo da alma de
    Pedro Passos Coelho algo capaz de surpreender tudo e todos nao o vejo a destronar ninguem e muito menos Socrates.

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