“Mais de 233 mil euros em donativos indirectos pagos pela construtora
Tribunal Constitucional: PSD recebeu financiamento ilícito da Somague em 2002
21.08.2007 - 12h59 Lusa

O PSD recebeu ilegalmente em 2002 mais de 233 mil euros em donativos indirectos da construtora civil Somague, revela um acórdão do Tribunal Constitucional, citado pela Lusa.

O Tribunal Constitucional deu como cabalmente provado que a Somague, SA pagou uma factura no valor de 233.415 euros por serviços prestados ao PSD e à JSD pela empresa Novodesign, embora afirme “ignorar o que fundamentou tal liberalidade”, refere o acórdão, de 27 de Junho passado.

O documento, que já seguiu para o Ministério Público, conclui que o PSD violou a lei do financiamento dos partidos incorrendo em “ilegalidades objectivas” puníveis com coima não só ao partido como aos dirigentes partidários responsáveis, e perda a favor do Estado dos valores ilegalmente recebidos. Por outro lado, as empresas envolvidas estão igualmente sujeitas a coimas, de acordo com a lei.


A factura suspeita foi detectada em 2006 durante uma inspecção do fisco à sociedade Brandia Creating - Design e Comunicação, na qual se integra a Novodesign, Companhia Portuguesa de Design. Os inspectores encontraram uma factura emitida à Somague, com a data de 15 de Março de 2002, no valor de 233.415 euros, e outras sete, com a mesma data, cuja soma dava os mesmos 233.415, com a indicação “por serviços prestados ao PPD/PSD”.

O pagamento por terceiros de despesas que aproveitam a um partido político é considerado um donativo indirecto, ilegal fora dos limites previstos, de acordo com a lei. O TC aplicou a legislação em vigor em 2002, “mais favorável ao arguido”. Donativos de pessoas singulares são aceites mas com um limite de 30 salários mínimos mensais por doador - à altura, 10.440 euros.

Durante a investigação, os inspectores da Polícia Judiciária verificaram que as sete facturas emitidas ao PSD tinham sido anuladas - a sigla tinha sido riscada e substituída pela da empresa Somague, SA. Anexo às facturas, estava um documento interno que, na prática, dava a ordem para transformar as sete facturas emitidas ao PSD numa única, a emitir à Somague-S.G.P.S., SA.

A situação foi denunciada o ano passado pela Direcção-Geral dos Impostos à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), que desde 2005 coadjuva tecnicamente o Tribunal Constitucional na análise das contas partidárias.

A acompanhar a denúncia foi uma informação da Direcção de Finanças de Lisboa com o exercício de 2002 da Somague - Sociedade Gestora de Participações Especiais.

Como os factos datam de 2002, e a ECFP só entrou em funcionamento em 2005, o procurador-geral adjunto em funções no Tribunal Constitucional remeteu os documentos ao Ministério Público, que promoveu a investigação suplementar, num processo que envolveu a ECFP e a Polícia Judiciária.

Nos fundamentos do acórdão, para além das provas documentais, o tribunal valorizou os depoimentos de alguns responsáveis da Novodesign, que confirmam que os serviços foram efectivamente prestados ao PSD e à JSD e que, posteriormente, foram facturados à Somague. “Os elementos constantes dos autos provam que os serviços referidos nos sete pedidos de factura da Novodesign, emitidos em 15 de Março de 2002, no valor global de 233.415,00, foram prestados ao PPD/PSD e à JSD, mas foram facturados à Somague e pagos por esta sociedade, embora se ignore o que fundamentou tal liberalidade”, refere o acórdão.

Contactado pelo Tribunal Constitucional no âmbito do exercício do contraditório, o PSD referiu que uma das sete facturas que lhe foram endereçadas foi liquidada por cheque e acrescentou que não foi encontrado qualquer registo das restantes.

Segundo o acórdão, o PSD acrescentou não estar “habilitado a prestar quaisquer outros esclarecimentos” por falta de suporte documental e por impossibilidade de contactar, “por ponderosas razões de saúde”, o então secretário-geral adjunto, responsável pela área administrativa e financeira.

As contas do PSD de 2002, bem como as dos outros partidos, já tinham sido julgadas em acórdãos de 2005 e de 2006 que multaram os partidos infractores e os responsáveis financeiros por irregularidades.

Apesar disso, o tribunal justificou a abertura de uma investigação suplementar afirmando que os dados novos de que teve conhecimento constituem “uma infracção autónoma” relativamente às infracções que foram sancionadas em 2005″


Sem respostas ao post “E por falar em Lei”  

  1. 1 1  rita

    Não é estranho que esta notícia caia nos jornais hoje, logo quando o Governo está debaixo de fogo por causa dos verdeufémios?

  2. 2 2  a.pacheco

    Começa a perceber-se como foi financiada a campanha de Santana Lopes á Camara de Lisboa.

    Agora é só ver que vantagens tirou a Somague, durante os anos que Santana esteve na Camara, e somar dois mais dois

  3. 3 3  Mentat

    “Agora é só ver que vantagens tirou a Somague, durante os anos que Santana esteve na Camara, e somar dois mais dois…”

    Bem se vão ver as vantagens que a Somague tirou da CM Lisboa é melhor começar no tempo do João Soares.
    E pelo caminho, vejam também Foz Coa, Alqueva, Estádios de Futebol, etc.
    Desconfio que isto foi um tiro no pé… do PS.
    .

  4. 4 4  Gabriel Silva

    O grande interesse da notícia é mais o porquê da mesma hoje, dia 21 de Agosto, sobre um « acórdão, de 27 de Junho passado»/b>….

  5. 5 5  Quintanilha

    Mas, que importância tem isso? Interessante, interessante são as emendas no perfil de José Sócrates, na Wikipédia, onde cada um pode escrever o que lhe dá na real gana (I)! Até lá puseram a data da morte do homem e o estado civil do pai! Se escreverem lá filho-da-puta ou outros impropérios, segundo a opinião da maioria dos blogers (I, II), jornalistas e comentadores da nossa praça, apagar é crime!

  6. 6 6  Pisco

    A Judiciária, o Tribunal Constitucional, os Partidos Políticos,etc…, são máquinas que emperram, porque o comandante do barco não é engenheiro naval:
    CORRIDINHO CONTINUA
    O governo diz que está mal
    A acção de um coordenador
    Por isso Gonçalo do Amaral
    Vai para Faro como director!
    -
    Sabem que isto cá na política
    É o mais forte, é que manda
    S’alguém lhe faz uma crítica
    Vai logo ver como é que anda!
    -
    Critica investigadores ingleses
    Coordenador Gonçalo Amaral
    E diz que eles por várias vezes
    Falaram mui mal de Portugal!
    -
    E tu nunca digas uma verdade
    Uma verdade que não convém
    Que o governo desta sociedade
    Sabe qu’ingleses fazem o bem!?
    -
    Ingleses são uns nossos aliados
    Desde tempo de João primeiro
    Nunca podem ser humilhados
    P’lo Gonçalo que é verdadeiro!
    -
    Director da Polícia Judiciária
    Esse tal qu’é o Alípio Ribeiro
    Teve de mandar a tal alimária
    P’ra Faro por ser desordeiro?
    -
    Ser desordeiro ou ser alarve
    Meus senhores eis a questão
    Este é tal reino do Allgarve
    Onde os ingleses mandarão?
    -
    Eu também quero ser corrido
    Portugal é d’Algarve a Minho
    E o Alípio é um doido varrido
    Que executou só um recadinho
    -
    Quem lhe deu esses recados
    Ai nós sabemos bem quem é
    Para mal dos nossos pecados
    É o engenheiro de nome Zé?
    -
    Quero que me levem tabaco
    Á prisão, por este meu debate
    E que não digam ao Cavaco
    Que o Pisco no primeiro bate!

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