
Numa reportagem ontem apresentada pela SIC a propósito da crise financeira internacional, e o colossal financiamento público para segurar a seguradora que tem em carteira a reforma de 74 mihões de americanos, o vice-presidente do PSD, António Borges, não pestanejou e mesmo assim continuou a defender a privatização da segurança social portuguesa. E ainda há quem diga que António Borges é um sisudo tecnocrata. O mundo financeiro a ruir à sua volta, e o homem quer entregar as reformas dos portugueses às seguradoras. Em todo o caso, e como não se sabe o que Manuela Ferreira Leite tem a dizer sobre este assunto, é justo pensar que o vice-presidente do PSD expressa a opinião do seu partido e que este continua a defender o disparate (que já deu estes lindos resultados no Chile) que apresentou no Parlamento há três anos. É esta a vantagem dos dogmas. Escapam à necessidade de se confrontar com a realidade.
Por Pedro Sales 20 Set 08 em PSD, estes liberais são uns brincalhões, é a economia estúpido19 respostas ao post “O mundo a ruir e o PSD a assobiar para o lado”
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A ruir? Ontem eu vi muita gente a ganhar dinheiro…
News Corp. chairman and CEO Rupert Murdoch said he doesn’t regret the New York Post endorsing John McCain …I like Sen. Obama very much…But his policy of anti-globalization, protectionism, is going to be — and card checks — are going to do two or three things. It’s going to give us a lot of inflation. They’re going to ruin our relationships with the rest of the world.”
Coloca-se este pequeno extracto para que as pessoas, os pobres inocentes portugueses, que pensam que os jornais americanos são como os portugueses se desenganem.
Por outro lado é horrível ver que quando o capitalismo ruiu por completo como o senhor Pedro Sales nos ensina, as bolsas de todo o mundo estejam a subir.
Fado Alexandrino,
Onde é que disse que o capitalismo ruiu? Nem uso a palavra capitalismo, veja lá.
Quando à subida das bolsas, não sei se reparou mas foi porque o Estado, sim o Estado, injectou somas astronómicas de dinheiro para nacionalizar uma parte significativa do sector financeiro. Se acha que o pior já passou, compre a Economist de hoje para ver que não ando a ensinar nada a ninguém. O título é sugestivo “quem é o próximo?”[a ir abaixo, claro]
Só um reparo, o Pedro meteu um tag a dizer “Estes liberais são uns brincalhões”, logo, falou do capitalismo.
Depois, a proposta de António Borges é possível. Não estou a dizer que concordo com ela, até porque não sei se concordo, teria de pensar bem no assunto, mas a verdade é que o Estado é pura e simplesmente uma seguradora muito grande que pode ir abaixo tal e qual uma seguradora privada. Para além disso, mesmo que a seguradora fosse à vida (coisa difícil no nosso Portugal), o dinheiro das pessoas não iria à vida, dado o facto de o estado repor esse dinheiro às pessoas. Não sei se numa situação como a actual em que a ruptura do sistema de segurança social tal como o conhecemos é iminente, a privatização do sistema (ou uma situação híbrida, não sei) não seria vantajosa…
cumprimentos,
TMR
E já agora, o governo americano não injectou dinheiro, quem o fez foi o BCE. O governo americano usou dinheiro da reserva federal.
Tiago Moreira Ramalho,
1. Nunca disse que o capitalismo está a ruir. O que esta crise representa, no meu entender, é a queda do credo liberal de que o privado é sempre mais eficiente do que o sector público.
2. O Estado não repõe o dinheiro das pessoas quando uma seguradora vai à falência. Garante até 25 mil euros. A partir daí, azarex.
3. Se no fim do dia, é o dinheiro dos contribuintes que tem que garantir a solvência dos fundos privados que estoiraram quantias loucas em prémios para os seus gestores quando o barco se estava a afundar, por que razão não ficamos por um sector público que até apresenta taxas de rentabilidade semelhantes e garante mais dinheiro para os pensionistas? Qual é a vantagem do privado? Injectar dinheiro nos mercados de capitais, aumentando a espiral que transforma estas empresas em “monstros” que depois não podem cair por causa do efeito domínó que geram na economia mundial?
4. Nunca disse que o governo americano injectou dinheiro. Falei do Estado, do qual a reserva federal faz parte.
5. O plano do PSD significava, para além do mais, o aumento da dívida pública em mais 9000 milhões de euros para financiar os primeiros anos - altamente deficitários - da transição do sistema.
Quando se critica a intervenção estatal, que não foi nem nada que se pareça com uma nacionalização, estão a esquecer-se que os maiores beneficiados são, tcham! O povinho.
Este povinho divide-se em dois sectores muito importantes.
Um que simplesmente aposta, não esquecer este termo, em produtos de bolsa e ou investimento onde o risco é uma certeza.
Não me consta que quando ganhem venham todos a correr dar uma parte dos lucros a obras de beneficência.
O outro é aquele que entregou parte ou a totalidade das suas reformas a fundos de pensão geridos por uma miríade de instituições.
Estes sim são dignos de pena, e foram estes que o Governo Federal salvou.
O problema das pensões em Portugal, cujos reguladores parecem ser mais eficientes, pode explicar-se no seguinte:
Parte da reforma seria sempre assegurada pelo estado que receberia a competente dedução nos vencimentos.
A outra parte seria aplicada pelo empregado da maneira que o mesmo entendesse, sendo que aplicada num produto financeiro do estado, o mesmo garantiria o seu reembolso com juros no prazo acordado.
Lembremo-nos entretanto do seguinte.
Joe Berardo pediu centenas de milhões de euros para comprar acções do BCP.
Estas acções desvalorizaram-se, creio que certa de setenta por cento.
Temos portanto que ele estaria na situação de pagar uma dívida sempre a aumentar tendo por seu lado um capital sempre a diminuir.
Estará ele preocupado?
Não.
Porquê?
Eis uma boa pergunta.
Como é óbvio nada disto prenuncia a morte do liberalismo ou capitalismo.
Fado Alexandrino,
Não critico a intervenção estatal. Critico a desregulação dos mercados que levou a que a única solução possível, para salvar a economia e as poupanças de milhões, tenha sido a injecção de capitais públicos para não deixar cair “monstros” que são demasiado grandes para poder ir abaixo.
Caro Pedro
Se a opção da Segurança Social é puramente redistributiva, o estado chega.
Se há uma opção por capitalização, ser o estado ou serem os privados a gerir é indiferente. O estado tem que aplicar os fundos que gere nas mesmas empresas que os privados.
Acha que o Fundo de Capitalização da Segurança Social está imune aos mercados internacionais?
JCD,
O fundo de capitalização da segurança social não pode investir mais de 25% nos mercados internacionais, investimento maioritariamente em títulos do tesouro, encontrando-se assim muito mais protegido das flutuações bolsistas. Mesmo assim, ou talvez por isso, desde o virar do século que apresenta taxas de rentabilidade ao nível, ou superiores, às dos melhores fundos privados.
A escolha não é indiferente. O Estado garante mais dinheiro aos pensionistas, como se pode ver pelo exemplo chileno.
Pedro,
Como nota prévia, importa deixar claro que não defendo a transferência das reformas para o sector privado.
Permita-me uma correcção: os 25.000 garantidos são para o caso das falências de bancos, estão garantidos os depósitos até esse valor.
No caso das seguradoras, estas têm a obrigação legal de investir o dinheiro dos prémios em fundos nacionais e com baixo risco. É justamente por isso que o ISP emitiu um comunicado dizendo que os segurados da AIG não têm motivo para se preocuparem com a eventual falência da AIG nos Estados Unidos.
Errado Pedro.
1. As rentabilidades do Fundo de Capitalização da Segurança Social só são mais altas devido a um tratamento fiscal diferente. Se os privados tiverem os mesmos benefícios fiscais, a rentabilidade do fundo público seria mediana.
2. As regras que se aplicam aos fundos públicos podem ser as mesmas que se aplicam aos fundos privados, para lá de diferentes opções de investimento entre diferentes fundos que ficariam à opção dos subscritores.
3. O que é que te diz o exemplo chileno? Claro que o estado paga mais. Tira aos activos para dar aos passivos. Só que, com esta opção, não me parece que no longo prazo o estado possa continuar a pagar mais num sistema redistributivo que qualquer sistema de capitalização.
JCD,
Se o regime fiscal fosse diferente talvez os privados fossem mais rentáveis. Mas o regime fiscal que temos é o que temos, logo não vale a pena dizer que eu estou errado argumentando com um regime fiscal que não existe. O que sabemos hoje, com o regime fiscal que temos, é que os privados não são mais rentáveis e estão mais expostos às flutuações dos mercados bolsistas. Foi o que disse.
Quanto ao Chile. Não são só os contribuintes que recebem menos, foi o Estado que teve que intervir para compensar a quebra das reformas privadas, gastando ainda mais dinheiro do que se tivesse optado por um modelo público. É um fiasco, olhe por onde se olhe. Tanto assim é que, quando foi confrontado com esse facto no Parlamento, Marques Mendes nem respondeu.
Teresa,
Pelo que percebi dos comentários do editor de economia da SIC, a garantia para as falências bancárias são 20 mil euros, 25 mil para as seguradoras. Em todo o caso, e isso tenho a certeza, essa garantia cobre o dinheiro que o fundo vale no momento da intervenção estatal. No caso da AIG, e dada a queda em flecha do seu valor, isso pode ser menos de metade do dinheiro que as pessoas lá colocaram.
Para os comentadores que ainda percebem menos de economia do que eu e que argumentam com a subida da bolsa nos últimos dois dias, talvez valha a pena perceber que não é grande alegria, para um mercado que perde metade do seu valor num ano, ter subido 6% em dois dias. Continua a faltar um trilião de dólares. São muitos zeros não é. É assim: 1.000.000.000.000.000
Para quem quiser, pode ver esta infografia do New York Times com a dimensão das perdas do sector financeiros de Wall Street:
http://www.nytimes.com/interactive/2008/09/15/business/20080916-treemap-graphic.html
“Mas o regime fiscal que temos é o que temos, logo não vale a pena dizer que eu estou errado argumentando com um regime fiscal que não existe.”
Pedro, há por aí alguma confusão. Se o estado e os privados têm regimes fiscais diferentes, não pode argumentar que um é melhor do que o outro porque teve yields maiores. Esses yields são puramente devidos aos benefícios fiscais. Descontando esse factor, a rentabililidade do fundo de capitalização foi mediana.
Por outro lado, o que se passou no Chile foi que se entendeu que as reformas garantidas pelo regime de capitalização, nalguns casos, eram baixas. Pois eram. Mas foi o que se arranjou. Tudo o resto é insustentável porque é impossível gerar mais fundos com aquele nível de descontos. A alternativa é, mais uma vez, mais redistribuição com o consequente empobrecimento futuro.
Parece que o Pedro quer menos descontos e mais reformas. Eu também. Mas como é que isso se faz?
1. Gostava que ele tivesse tido oportunidade de explicar as razões que o levam a ter tal posição. Apenas disse «claro que sim», concerteza as explicações viriam a seguir.
2. Achava correcto que o estado desse mais liberdade de decisão ás pessoas sobre o que fazer com o seu dinheiro, apartir de certo limite. Parece-me um atestado de estupidez o estado achar que as pessoas não têm cabeça para gerir o que é seu.
3. O privado não é sempre mais eficiente que o publico, mas é o na maioria das situações.
4. A grande maioria do dinheiro da FED ou de qualquer banco central não é dos contribuintes mas sim de todos os bancos do sistema financeiro dessa economia. Existe uma coisa que é a taxa de reserva obrigatória.
5. O dinheiro dos contribuintes é dinheiro retirado dos mercados pelo estado, portanto o normal é que ele lá regresse.
6. Parece que se esqueceram do melhor metodo de poupança para longo prazo: acções das melhores empresas portuguesas, imitar o psi-20. Sem querer parecer bruxo, parece-me impossivel que ao fim de 30 ou 40 anos o indice cresça menos de 7% em termos médios anuais. Se o banco central fizer o seu trabalho que é contêr a inflação, isto é bastante melhor que o sistema público.
Fado Alexandrino:
Vá dizer essas das bolsas a subir, a todos os que perderam o emprego na Lehman… Talvez ouça alg que merece.
Sabe, por muito que sejam importantes as convicções de cada um, as evidencias deviam ser grandes professores…
Von
Se o senhor acha que desceram queira fazer o favor de telefonar para o NYSE e avisá-los que o seu argumento contraria os factos.