
Não conheço bem a militância do PSD e ela habituou-nos a muitas surpresas. Pode ser que entre os militantes funcionem coisas diferentes do que funciona com o resto país. Ainda assim, custa-me perceber a avaliação feita pelos comentadores que ouvi na SIC Notícias, que consideraram Patinha Antão e Santana Lopes vencedores do debate.
Sim, talvez Patinha Antão tenha brilhado com as suas propostas económicas. Dizer uns números funciona sempre, sobretudo se as pessoas não fizerem a mais pálida ideia do que se está a falar. E ajuda ainda mais se não conhecerem o deputado. Quem sabe quem é Patinha Antão tem alguma dificuldade em leva-lo a sério. Isto apesar de na sua equipa ter alguns veteranos. Até lá está um morto. De resto, esteve demasiado indignado com Manuela Ferreira Leite, sobretudo tendo em conta que ela quase não esteve no debate. Não se trata uma senhora por “a senhora, a senhora”. Mas isto sou eu, que sou um beto. Acabou a apoiar Passos Coelho.
Será que ainda funciona o choradinho de Santana Lopes, que finge que o estão a atacar mesmo quando ninguém lhe está a ligar pevide? É possível. No PSD tudo é possível. Espremido, espremido, nem uma opinião sobre coisa nenhuma, o que, sendo Santana Lopes, até foi uma boa estratégia. Só mesmo as pequenas querelas internas o parecem entusiasmar. Ficámos a saber que o PSD é uma família. Aquela que uma vez deixou o seu filho estroina sozinho em casa a tomar conta do país.
Passos Coelho esteve apagado. O rapaz tem boa figura. Só duvido que o filão do jovem liberal esteja a pegar. Definitivamente, quando as modas chegam aqui à província já estão a passar de moda lá no estrangeiro. Ainda assim, continuo a achar que o ideal para o PSD era mesmo este líder vazio. Depois enche-se com alguma coisa. E ele está à altura da tarefa de candidato insuflável. Apesar de tudo, os ataques a Ferreira Leite foram educados e tiveram algum conteúdo. Mais chá do que Patinha. Um betinho como eu, portanto.
Ferreira Leite não disse realmente nada. E por isso, como sempre, conseguiu manter o seu ar respeitável de ministra competente que mandou apertar o cinto mas deixou um défice generoso e acha que nunca ninguém vai ter o topete de o recordar. Tem uma falta de jeito assinalável para tudo o que envolva televisão. Tão assinalável que joga a favor dela, porque lhe dá um toque de sinceridade. Mas é bom que o PSD se prepare: seria esmagada, sem dó nem piedade, por José Sócrates. Na verdade, quase foi esmagada por Patinha Antão, o que é um feito histórico. E por favor: nunca mais lhe perguntem o que é a social-democracia. Com Ferreira Leite é mais finanças. E mesmo isso…
O melhor do debate: não estava lá Manuela Moura Guedes.
Por Daniel Oliveira 28 Mai 08 em PSD


Já o escrevi antes algures: acho injusto culpar Manuela Moura Guedes por aquela coisa na TVI! O que não compreendo é como pseudo candidatos a PM se submete a uma coisa daquelas!!!
Ferreira Leite bem “fraquinha” a sua prestação; tudo é inevitável a priori, a especulação nos Combustiveis, Alimentos, Banca diz ela; temos que nos “Habituar”, o desmatelamento de qualquer Rede de Serviço Público; porque é muito caro; mas não é muito “mais caro” um especulador intermediário que ganha um balúrdio, e só ele é fica bem e não me venham com a estória de que sem “traders” intermediários os negócios não funcionam ; Ferreira Leite a única coisa que foi capaz de dizer é que “não há nada a fazer” e “temos que nos habituar”, realismo tudo bem, agora um pouquinho de ideologia não faria bem?
Manuela Ferreira Leite comporta-se como aquelas pessoas muito obedientes a uma certa força “invisivel” superior em que se “eles assim decidem” é porque não há nada a fazer. Já agora podiamos voltar a trabalhar 16 horas seguidas de trabalho como os chineses o fazem, porque se eles têm disponibilidade para tal os Europeus também têm que se “habituar” ao ritmo chinês de trabalho; pronto para Ferreira Leite a expressão que melhor a define a sua ideologia é “temos que nos habituar”; e já agora também até podiamos não ter Férias e não haver dias de descanso Semanal e Lúdico porque a competitividade a isso obriga; temos que nos “habituar” não é Doutora Ferreira Leite?
Concordo em absoluto com a sua análise. Só me parece que está a ser demasiado brando com Ferreira Leite.
A resposta à pergunta sobre a Social Democracia é confrangedora e reveladora da total ausência de ideias. Fica na história.
Cumprimentos
É uma excelente análise, sim senhor.
Diria mais: Quem ganhou o debate foram o PCP e o BE.
Excelente análise.
Manuela Ferreira Leite, está a fazer um frete e “morta” por perder como forma de sair desta cena onde foi obrigada a se meter.
Passos Coelho, é um ponta de lança de certos interesses empresariais, ou seja, convém que seja “insuflável” para depois encher.
De Patinha, fiquei a saber que é irrelevante estar morto desde que ainda se consiga assinar.
Santana Lopes, está a fazer pela vida, pelo que não “desgruda”, mas com a pateteira que por aí anda não me admiraria que haja surpresa, para azar meu, que vou ter que andar com o comando da TV na mão para o poder desligar.
E vem aí um congresso!
Qualquer congresso de qualquer partido tem sempre a mesma atmosfera de depressão, ansiedade e euforia que une os participantes que escutam, horas seguidas, discursos que variam entre o monótono/conformado e o exaltado/lutador. É precisamente desta dualidade que os militantes se alimentam e, enquanto isso, resolvem, aparentemente, uma série de problemas que trazem cuidadosamente escondidos atrás da militância deles. Digamos que o congresso do PSD é, a este título, exemplar naquilo que tem de separação de sentimentos, mas muito original na forma como se apresenta ao público, sobretudo através dessa figura carismática chamada Santana Lopes. Este serve-se da realidade como argumento para o confronto político interno, o que, por um lado, é surreal quando exagerado, mas também pode ser muito exaltante e reconfortante quando doseado. No fundo SL serve-se da simbologia do inimigo interno para criar um efeito quase paranóide que lhe serve que nem uma luva. E é, precisamente, aqui que o PSD se revela enquanto partido com poucos recursos e ideias e ideais. Porque, em boa verdade, alguém retira destas laranjas secas muito mais que comportamentos?
Da mesma maneira que puxou do curriculum do Prof. Pureza para valorizar o seu (economicamente) bizarro* artigo sobre a fome no mundo, haverá de convir que o Prof. Patinha Antão tem curriculum suficiente para saber alguma coisa de economia.
Mais do que um sobranceiro “dizer uns números”.
Não conheço os (de)méritos do deputado Patinha (e interessa-me muito pouco a eleição no PSD) mas, no campo económico, sabe o que diz. O facto das pessoas não o perceberem chama-se iliteracia. É outro assunto.
*sei o suficiente para dizer isto sem receio. E também posso abanar curriculum.
Uma análise do melhorio daquilo que realmente se passou no vidro do televisor. Tentei uma outra abordagem de análise, digamos mais hilariante daquilo que foram os ultimos dias de campanha para ver aqui:
http://aviscosidades.blogspot.com/
Continuação
Concordo com a análise. Discordo apenas do facto de que, apesar de MFL não ter muito jeito para a televisão, ela continua a ser é apesar disto, a candidata mais séria e credível.
Mas no entanto, tenho um feeling (ok isto é coisa de beta também) que vai haver alguma coisa inesperada, nas directas ou nas legislativas.
A matriz do PSD parece-me óbvia: criar uma economia forte onde a iniciativa é dada ao sector privado, que aliás é um reflexo da sociedade civil. Adicionalmente, manter o cariz social-democrata e ajudar aqueles que realmente precisam.
Houve quem deixasse algumas ideias (soltas, reconheço) de como actuariam para tentar impulsionar a economia — a vigente foi a descida de impostos. No entanto, não compreendo como é possível descer impostos e, ao mesmo tempo, manter uma estrutura Estatal tão grande.
Mas reconheçamos, contraposto ao discurso da esquerda reaccionária ou da esquerda abundante em traulitadas, o PSD peca por defeito não esmioçando todas as medidas que visa implementar, mas ganha nas questão conjunturais — reconhecendo que é preciso uma economia forte para se manter um Estado social (ou então uns poços de petróleo e muito gás como na Noruega).
Portanto, embora eu saiba de cor e salteado todas as medidas propostas pelo BE ou PCP, nunca foi é explicado como é que essas medidas são efectivamente alcançáveis no plano real…
O que Portugal precisa é terminar com a dependência do Estado e entregar aos empreendedores, empresários e à sociedade civil os comandos da nação. O Estado deverá então dedicar-se a servir aqueles que realmente precisam — mas bem servidos.
Exactamente!
A esquerda voltou a ganhar, tudo o mais foi mais uma vez muito pouco interessante.
Não entendo as opiniões unânimes sobre a ‘branca’ da Ferreira Leite quanto à definição de social-democracia. Acaso se perguntassem o mesmo a Cavaco Silva ele responderia, célere? O próprio Pacheco Pereira, ontem, comentando precisamente a incapacidade de Ferreira Leite definir, em tempo recorde (como se estivesse num concurso do Malato) o que é a social-democracia, foi incapaz de a definir. O problema não é de Ferreira Leite. O problema é da social-democracia propriamente dita. Ao contrário do comunismo ou mesmo do socialismo, a social-democracia não é um programa político teórico. O próprio socialismo, convém lembrar, é uma espécie de comunismo moderado, enquanto a social-democracia é uma espécie - sempre foi - de socialismo moderado, com uns toques de humanismo cristão lá pelo meio. Sá Carneiro, lembre-se, apoiava a nacionalização das empresas e no programa original do PPD constava o caminho inexorável para a sociedade socialista. De facto, nem Manueela Ferreira Leite nem ninguém consegue definir, em dois segundos, o que é a social-democracia. A social-democracia não é uma teoria, é uma prática, e define-se, basicamente, pelo que não é: não é socialismo, mas também não é democracia-cristã. Não é assistencialista, mas também não é liberal. Daí a propensão dos sociais-democratas para os números e as estatísticas e a alergia a discussões ideológicas. Quanto a Passos Coelho, não me parece mal que tente arvorar-se em Fukuyama. Só não parece que essa aposta pegue em Portugal, onde a simples menção à ausência do Estado lança o pânico generalizado, desde o beneficiário do rendimento mínimo garantido cuja renda é paga pelo Estado ao empresário milionários cujos negócios são feitos precisamente com o Estado e dele dependem. Passos Coelho não tem ideologia, nem ideias? Sim, como também Cavaco Silva, quando foi eleito líder do PSD na Figueira da Foz, também não tinha. O que me leva ao mais alarmante. Exceptuando Santana Lopes, que não sabe falar de outra coisa que não seja o ‘PPD-PSD’, praticamente nenhum dos candidatos falou sobre o PSD. Quem ouvisse o debate de ontem poderia pensar que eles estavam a falar para o País. Os militantes do PSD, essa massa informe de difícil definição, não se importam com o que Passos Coelho pensa sobre a liberalização da economia nacional. O que querem saber é o que ele vai fazer para ‘colocar a casa em ordem’. Apenas Santana Lopes parece perceber isso. O que, do ponto de vista do PSD, é trágico. Quem deve ganhar o PSD? Como diria o Clark Gable, ‘frankly, my dear, I don’t give a damn’.