Num dos momentos mais desconcertantes d”As faces de Harry”, um dos personagens, interpretado por Robin Williams, sofre de uma estranha doença que o vai tornando progressivamente desfocado. Ao seu lado, colegas, amigos e familiares vão dizendo que ele se encontra “out of focus”. Sem saber o que fazer para resolver a sua situação, obriga toda a família a usar óculos para que o possam ver correctamente. Perante a radical solução, uma mulher acaba por reclamar: ”You expect the world to adjust to the distortion you’ve become!”
Manuela Ferreira Leite está cada vez mais parecida com o personagem de Woody Allen. Depois de garantir que as suas aparições seriam poucas, para maximizar o impacto de uma mensagem centrada “apenas nas questões que verdadeiramente preocupam os Portugueses”, as energias do PSD têm sido gastas com o voto dos emigrantes e o Estatuto dos Açores, dois assuntos que suspeito importarem tanto aos portugueses como a secreta vida sexual das sardinhas em lata de conserva.
Há dois dias, na terceira declaração de Manuela Ferreira Leite nos últimos dois meses, as suas palavras foram destinadas à opulência do comício do PS e ao relevante facto de José Sócrates fingir que não lia o discurso quando o fazia através de um power-point (sic!). Código de trabalho, desemprego, OE, preços da gasolina ou o impacto da crise financeira e do BCE nos juros que vão comendo o orçamento das famílias portuguesas, isso, claro, são assuntos que ainda não mereceram uma palavra do PSD. Como, ao contrário dos filmes de Woddy Allen, as pessoas teimam em não querer mudar para fazer a vontade aos outros, a resposta parece vir na volta do correio, e concentrar cada vez mais à esquerda a oposição ao governo.
Por Pedro Sales 27 Set 08 em PSD


Pedro Sales,
“as energias do PSD têm sido gastas com o voto dos emigrantes e o Estatuto dos Açores, dois assuntos que suspeito importarem tanto aos portugueses como a secreta vida sexual das sardinhas em lata de conserva.
A sua SUSPEITA é com base em quê? Convicção pessoal ou num estudo cientifico? Brilhante, passam agora pela Sede do BE os portugueses a dizer aquilo que é para eles importante?
Pois é o facto em si, o voto dos emigrantes, não interfere com a vida dos portugueses, agora o que está por trás da coisa sim é importante. O que acho brilhante é que passados 30 anos, sim 30 anos virem umas mentes brilhantes descobrir a gravidade da situação. PS tenha dó!
Que o Partido Socialista o faça, compreendo, trata-se de sobrevivência agora que outros vão na onda é que eu já não vejo bem os motivos.
Ah já agora dê-nos a sua douta suspeita, o casamento entre pessoas do mesmo sexo importa assim tanto aos portugueses? Ou será que o BE está só a fazer algum favor a uma parte seus clientes?
Vá lá PS responda, não ignore, pois, isso por si só é já sintomático!
Meu Caro,
Creio bem que se tenha esquecido da hipótese de que os tais assuntos «…ainda não mereceram uma palavra do PSD» porque este concorda em absoluto com a forma como eles têm vindo a ser geridos, não?…
Roberto Ivens,
Claro que não me esqueci, e até acho que é isso mesmo. O PSD não tem nada para se distanciar do PS no que é essencial, levanta estas questões de forma como os gastos do comício e o teleponto, vulgo powerpoint para a MFL.
Caro Ibn Erriq,
Baseio nos estudos de opinião, vulgo eurobarómetro. Vá lá procurar pelo voto dos emigrantes e pelo Estatuto dos Açores, que o PSD votou favoravelmente!. Desejo-lhe boa sorte.
Quanto ao Bloco, é capaz de não ter reparado mas tem uma campanha de outdoors na rua contra o código do trabalho, fez a marcha contra a precariedade nos dois últimos fins-de-semana, e no debate com o Sócrates falou de juros e preços da gasolina. O PSD falou do quê?
um escândalo de declarações…..
http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/411269
avisem o Falcão sff
Bom já vi que não quer responder à pergunta. Ok está no seu direito, mas isso demonstra muita coisa!
Como já disse muitas vezes compreendo agora porque deixei de votar no BE.
Mais, certo dia uma pessoa que conhecia no BE disse-me qualquer coisa do género “Se um dia o Bloco chegasse ao poder emigrava” na altura não compreendi, mas é agora claro.
Facilitava-nos imenso que nos desse os links para “estudos de opinião, vulgo eurobarómetro”, para podermos confirmar as suas opiniões. Aproveitávamos também para ver a importância que os portugueses dão ao casamento entre pessoas do mesmo sexo!
Estou a borrifar-me para os cartazes do BE, os PowerPoints de Sócrates e até para as “avózices” de MFL, não só por serem pormenores como por não terem um papel prático no dia a dia.
Porém, quando Pedro Sales lista as prioridades do momento (realmente prioridades: Código de trabalho, desemprego, OE, preços da gasolina ou o impacto da crise financeira e do BCE nos juros), não vejo o dedo do BE, porque estou num blog privado, não do partido (por muito que os escribas tenham ideias coincidentes seja com o partido que for) e revejo nessa lista as minhas preocupações gerais (embora o preço da gasolina e os juros façam parte das minhas preocupações mais particulares).
Se alguns comentadores acham o voto do emigrante e o estatuto dos Açores, temas mais importantes, então o seu estilo de vida está bem salvaguardado. Benza-os Deus.
Cumprimentos
Von
Não percebe o silêncio de MFL? Não perde pela demora, o JPP deve estar a gravar o “bolero” do costume e então entenderá!
Ibn Erriq,
Respondi-lhe às suas questões. Não tenho culpa que entenda que o desemprego, as taxas de juro e os preços da gasolina não são das principais preocupações dos portugueses. É isso que dizem os estudos de opinião e esperava não ser necessário andar a espalhar isto de links: http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1333406&idCanal=57
Portugueses são os mais pessimistas da União Europeia
O “Eurobarómetro” da Primavera, realizado entre finais de Março e finais de Abril, revela que os portugueses são, entre os 27, os que perspectivam com mais pessimismo o que vai ser a sua situação de vida em termos gerais e a situação do agregado familiar nos próximos 12 meses, apresentando ainda dos valores mais baixos quando convidados a antever a situação de emprego e a situação económica no país.
A ausência de uma oposição credível é um cenário desesperante para todos os que não se revêem nem na Socracia nem no PSD das manobras (pessoais) interinas.
Aí vem outra onda de abstenção…
Pedro Sales, o voto dos emigrantes é assunto importante mesmo que só um deles tivesse vontade de votar por “carta”.
Achei muito estranho a abstenção do Bloco.
É curioso que nas eleições internas do Bloco ( concelhias, distritais e delegados à Convenção) se use este método. Os emigrantes são menos confiáveis que os aderente do BE?
aderente do BE.
José Manuel Faria,
É normal que o PSD se oponha ao PS no método de voto dos emigrantes e até do Estatuto dos Açores (que, no fim, até acabou por votar favoravelmente…). O que não é normal, digo eu, é que se fique exclusivamente por esses temas numa altura em que a crise financeira, desemprego, precariedade e preços da energia tomam conta do quotidiano dos portugueses. Nesse contexto, sim, o Estatuto dos Açores e o método de voto dos emigrantes tornam-se assuntos completamente menores.
Ainda há 32 bestas a favor de menos regulamentação.São burros, a evidência é clara-é um fracasso,tem sido um fracasso para a comunidade menos para os ladrões de colarinho branco pq o jogo está viciado.
“ O que não é normal, digo eu, é que se fique exclusivamente por esses temas numa altura em que a crise financeira, desemprego, precariedade e preços da energia tomam conta do quotidiano dos portugueses. “
Pedro Sales,
Altura em que a crise financeira, desemprego, precariedade e preços da energia tomam conta do quotidiano dos portugueses, com muita, para não dizer toda a responsabilidade da governação Sócrateana, digo eu.
A Manelona não é flor que se cheire, mas a sua proposta de se pagar o IVA após o recibo e não após a factura, até que nem é má de todo…digo eu que estou a anos-luz do laranjal, roseiral e afins.
a diluição maccain-obama está para a liquefação socrates-mfl/jpp.
venha o diabo e escolha.
“Respondi-lhe às suas questões. Não tenho culpa que entenda que o desemprego, as taxas de juro e os preços da gasolina não são das principais preocupações dos portugueses.”
Pedro Sales, algum dia lhe disse o que entendo ou deixo de entender, onde escrevi isso. Se a sua forma de debater é fazer slalom estamos “conversados”!
Parece que foi pelo caminho fácil
“É isso que dizem os estudos de opinião e esperava não ser necessário andar a espalhar isto de links”
Reponho a questão para a totalidade da resposta
“Facilitava-nos imenso que nos desse os links para “estudos de opinião, vulgo eurobarómetro”, para podermos confirmar as suas opiniões. Aproveitávamos também para ver a importância que os portugueses dão ao casamento entre pessoas do mesmo sexo!”
Olhe que as palavras escritas não as leva o vento
O tema do seu post é “out of focus”, vamos admitir que o PSD está, de facto, desfocado.
Já o BE para evitar estar desfocado usa uma grande angular, assim vê tudo, dispara em quase todos os sentidos. O problema é que como vê tudo pela sua grande angular não vê o detalhe de coisa nenhuma. Nem sequer vê o problema da alteração do votos dos emigrantes.
Ou será que vê? Mas como esses não são os seus eleitores, nem as suas minorias, (ou será que é por não serem uma minoria?) pura e simplesmente está-se nas tintas! É isso que devemos esperar de um partido politico?
Por outro lado dispersa energias a discutir assuntos de extrema importância para os portugueses!!
Um dia destes valeria a pena, mas fora desta polémica, discutir o voto dos emigrantes. Por mim, digo já, tenho todas as dúvidas sobre o direito de voto a quem não tem de pagar com os seus impostos as medidas aprovadas pelas pessoas que elege, que não tem de cumprir as leis que os seus eleitos aprovam e que, na maior das vezes, tem uma ligação distante com a realidade nacional.
Na realidade, sou favorável a acordos bilaterais entre países que dêem o voto aos imigrantes e o retirem aos emigrantes.
“No taxation without representation”. Quem paga impostos (ou quem está abrangido por eles e só não os paga porque está desempregado ou ainda não trabalha), e aqueles que terão de sofrer quotidianamente as repercursões de cada medida, deve ser quem vota.
Porque raio alguém que é sobretudo afectado pelas políticas seguidas no país onde reside vota para os eleitos do país onde não vive há muito tempo (às vezes há décadas) e não para os eleitos no país onde está e que decidirão, esses sim, o que fazer ao seu dinheiro e que leis terá ele de cumprir?
DO, concordo consigo que se devia discutir o voto dos emigrantes. Mas não é isso que está em discussão, o que está em debate é que os emigrantes podiam votar por correspondência. Agora alguém se lembrou que isso punha em causa a democracia. Porquê agora?
Quanto ao voto dos emigrantes eu sou daquelas que acho que deviam votar nos sítios onde residem (eventualmente só em alguns actos legislativos) e nos países de origem. Uma boa parte deles vai voltar ao seu país e o que aí se fizer vai influenciar o seu futuro.
Não quer parecer presunçoso, mas se o DO conhecer emigrantes saberá que um grande parte trabalha uma vida inteira para construir um futuro no seu país, aplicam as suas poupanças, criam negócios, constroem casas, etc.
São muitas vezes e em alguns locais parte importantíssima da economia local, mesmo mantendo-se à distância.
Mas já agora o DO concorda com esta chapelada de bastidores?
Ah se vir por aí o Pedro S. diga-lhe para vir dizer qq coisa
Pois. Esta conversa de que certos assuntos (o voto dos emigrantes, o estatuto dos Açores) não interessam aos portugueses faz lembrar a conversa do Pacheco Pereira, de que não se deve agora discutir agora o casamento entre pessoas do mesmo sexo porque não é esse o assunto que mais importa aos portugueses neste grave momento.
Em suma, o Pedro Sales utiliza o mesmo argumento que a direita: quando não lhe convem falar de um certo assunto - no caso do Pedro Sales, para não ter que confessar que o Bloco de Esquerda também fez merda nesse assunto - diz que esse assunto não é o que mais interessa aos portugueses neste momento.
Luís, a questão, parece-me, não é falar de todos os assuntos. A questão é escolher aparecer muito pouco para não banalizar e depois escolher estes assuntos específicos para falar. Os líderes do Bloco, ou o PCP ou até o CDS vão falando de quease todos os assuntos. A líder do PSD decidiu falar apenas de três coisas. Ou seja, foi ela que criou uma hirarquia. Aí está a diferença.