O debate no PSD deixa claro que a partir do momento em que Sócrates se apoderou da agenda da direita, o PSD teve que ir mais longe no seu programa anti-social-democrata. Se um diz mata, eles têm de dizer esfola.
Mas, sem entrar no já estafado debate sobre o que acontece aos serviços públicos, incluindo o Serviço Nacional de Saúde, quando se dirige exclusivamente aos pobres (fica como eles, miserável), vale a pena deixar esta pergunta existencial aos candidatos à liderança do PSD: tirando propor o emagrecimento de tudo o que o melhorou as condições de vida dos portugueses (do serviço nacional de saúde à escola pública) o que construiu a direita portuguesa nos últimos 30 anos de que se possa orgulhar? E o que pretende construir? Que herança deixou o PSD ao país? Nem serviços públicos, nem impostos baixos, nem as contas em ordem. Nem Estado social, nem menos Estado.
Por Daniel Oliveira 26 Mai 08 em PSD


Deixou betão, e agora inda vai deixar mais
o que construiu a direita portuguesa nos últimos 30 anos de que se possa orgulhar?
Deve estar a incluir o PS neste pacote. Ou não?
O problema é o que resta à esquerda. o PCP?! Ou o BE sózinho? Ou o BE e o PCP juntos que resulta, obviamente, na golpada do PCP sobre o BE?
http://criticademusica.blogspot.com/
Deixou betão, e agora inda vai deixar mais
Então a direita está tb na esquerda. Bem me parecia…
Mas continuamos na mesma…
Quer pôr o PCP no poder para ele fazer como faz com o movimento sindical e o BE ficar a ver passar os navios?
Ao PS podemos, num passado longínquo, atribuir o SNS. É verdade que está apostado em dar cabo dele. Mas está na sua herança.
A propósito de ricas heranças, fiquem-se com esta:
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1329970&idCanal=57
O bloco de esquerda acaba por criticar muito e propôr muito pouco. No fundo é o maior crítico do “estadão” para depois, com pena minha, não conseguir imaginar a vida sem ele. Um partido que acredita que tudo na vida pública começa e acaba no estado. Da saúde à educação. Que, em coro com o PCP, distorce a iniciativa privada e sistematicamente faz dela um bicho papão. Que pelos vistos, confia imenso no estado, tanto que está convencido que este deve gerir tudo e mais um par de botifarras, da educação à saúde, à segurança social e por aí fora. Um partido que passa a vida a defender valores como a independência e o pluralismo mas que depois tem renitência e pudor em aceitar que é com menos estado na gestão pública que a sociedade se torna mais plural, independente e justa. Quanto ao sistema nacional de saúde, qual afinal a proposta do BE para o financiar? Pode manter-se a situação actual? Ele é sustentável? Bem gerido? Um SNS vocacionado para os mais pobres, não se torna “miserável”, torna-se, pelo menos em teoria e quando há honestidade, mais eficiente, dando atenção a quem realmente precisa de um sistema nacional de saúde e não pode virar-se para as seguradoras. Mas o que entreleio nas suas palavras é que a iniciativa privada na saúde não é bem vinda, nem que, por via das dúvidas, sirva apenas para evitar o congestionamento das urgências dos hospitais por uma classe média que muitas vezes precisa de pouco mais que um benuron. Sucede que a esquerda em Portugal limita-se a rejeitar e a não propôr. Ao passo que a direita, na qual se inclui um híbrido PS, limita-se a pôr em prática um modelo de iniciativas privadas em regime de monopólio que muitas vezes mais não são que o prolongamento disfarçado dos bracinhos tentaculares do próprio estado. Sucede nos entretantos que a minha geração vai ficando orfã politicamente. Demasiado cansada da retórica da direita e demasiado esquecida pela retórica da esquerda que, por estes dias, quase só vai equacionando os direitos da função pública à qual suspeito 90% dos portugueses nem fazem parte. É assim que vamos andando por estes dias.
Duquesa, mais estado, menos estado, mais privados , menos privados, isso já não interessa…
O que interessa é que 200 individuos detêm 40% da riqueza do mundo ao passo que 850 milhões sofrem com fome.
Por isso com ou sem estado eu gostava era que ninguém tivesse fome, percebe?
Portugal é todo Estado.
Emprega directamente mais de um milhão e meio de pessoas, incluindo forças armadas de segurança e militarizadas, e indirectamente todas as restantes.
Na verdade tudo em Portugal gira à volta do Estado, e as pequenas excepções servem para isso mesmo, para dar o tom.
Até na saúde as próprias iniciativas privadas vivem em grande parte de acordos que fazem com o Estado.
O que é que em Portugal não vive de um acordo, um negócio, um subsídio do Estado?
Alguém consegue vislumbrar uma ideia, uma, nos discurso dos candidatos do PSD? Têm, em comum, o mesmo chavão: é preciso menos estado!
E menos estado onde? Na saúde, na educação e em todos os vectores “proteccionistas” das gentes que quase vivem no limiar da pobreza.
E onde é que eles não tocam no estado? Na sagrada segurança (GNR, PSP, PJ e similares)! Porra, que nesse aspecto a direita não é burra!!!
Oh Daniel Oliveira, o actual SNS comparado com o que foi criado e desenvolvido pelo António Arnaut não passa de uma farsa. Mesmo assim, há muita gente dentro do PS que bem gostaria de o privatizar.
Tem razão o Fado Alexandrino quando diz que «tudo em Portugal gira à volta do Estado». Nomeadamente os banqueiros, os construtores de betão, os distribuidores alimentares, os agricultores de fato e gravata, etc, acrescento eu…
João Gomes,
a saúde rebenta pelas costuras. A educação, seríamos simpáticos se dissessemos que está dez anos atrasada em relação à Europa. Aquilo a que chama “proteccionismo” eu chamo no fundo “casmurrismo” já que nem as gentes no limiar da pobreza este modelo está a ser capaz de proteger.
Arquiduquesa de Grayskull,
É verdade que estamos muito mal na saúde e na educação - e em tantos outros sectores. Culpa dos governos mas, sobretudo, culpa dos portugueses que expressam a sua indignação e revolta nos actos eleitorais, ora votando no PS ora votando no PSD, afinal a mesma moeda mas com duas caras. Convenhamos, em Portugal não existe uma opinião crítica suficientemente forte na defesa dos seus próprios interesses. Daí o estado de coisas a que chegamos…
Não há casmurrice nenhuma da minha parte. A iniciativa privada em Portugal é um mito. Ela quer ganhar dinheiro seja de que modo fôr e quanto mais depressa melhor. Ela não investe o seu dinheiro, investe o dinheiro dos outros, dos bancos e do estado. E já provou à saciedade que é incompetente, pedinte, falida. Portugal não tem só o pior de tudo da Europa, tem também os piores empresários dessa mesma Europa: há estudos internacionais que comprovam isso.
É por isso que considero que deve ser o estado a assegurar os serviços básicos de subsistência daqueles que tão pouco ou nada têm…
“o que construiu a direita portuguesa nos últimos 30 anos de que se possa orgulhar?”
Infelizmente muito, ou melhor decidiu e penhorou muito. A decisão estratégica escolhida pelo governo de Cavaco e depois pelos outros executivos foi, no minimo, desastrada.
Enquanto no passado ainda não era visivel as suas consequências, hoje está a nu as consequências negativas da decisão de desenvolver Portugal através da aposta do sector de construção civil.
Decidiu-se seguir uma politica de curto prazo apostando num sector que se veio a revelar péssimo para todos, excepto para os poucos que lucraram com essa decisão. É também, muito provavelmente, este sector que mais financia os partidos e que mais proveito tira do nosso sistema, no entanto agora que começa a acabar o dinheiro para construção estamos com um país que não tem competitividade a nível internacional, que tem uma divida brutal e que pouca margem de manobra tem para contrariar os ciclos economicos negativos.
A nossa riqueza foi fomentada não pela produtividade e produção/exportações mas sim pelo crédito e consumo interno e por este motivo mais cedo ou mais tarde teriamos de começar a pagar o que gastamos anteriormente.
Portanto, voltando à questão, o legado da direita é brutal e brutalmente negativo.
João Gomes,
concordo inteiramente consigo quando diz que temos uma classe de empresários incompetente. Uma classe que no fundo não quer uma economia de mercado a funcionar. Quer, isso sim, as panelinhas de costume com o Santo Estado, protegidos por tudo o que é política laboral e orçamental e subsídios, e etc. No fundo, a classe empresarial não é diferente da função pública: exclusivamente preocupados com os seus direitos, pouco interessados nos seus deveres, como se o país fosse só empresários e funcionários. A iniciativa privada é um mito em Portugal porque não tem margem de manobra para poder funcionar. Um cenário: um indivíduo apanha uma gripe e vai às urgências do Hospital da sua área. Paga 10€ pelos serviços prestados pelo estado. Se a sua entidade patronal tivesse a obrigação de lhe pagar um seguro de saúde privado (com um limite no prémio, concedo), mas um seguro que servisse para o trabalhador fazer pelo menos face às sazonais gripes e alergias, às análises de rotina, ao planeamento familiar, etc. Pergunto-me se o sistema nacional de saúde não ficaria menos sobrecarregado. Se não ficaria mais disponível para se ocupar dos idosos e excluídos e desempregados que não podem recorrer aos seguros. Uma consulta através do seguro de saúde a esse mesmo indivíduo custaria 11€. Os serviços básicos de susbsistência têm de estar com aqueles que pouco ou nada têm. Mas não é o que acontece por exemplo na saúde, onde metade das consultas não são verdadeiramente graves, não se ocupam verdadeiramente com aqueles que menos têm, mas que atrasam e oneram o funcionamento dos hospitais.
Sérgio, claro que percebo. A dada altura temos que tentar perceber qual é a melhor forma de evitar esse problema da falta de equidade e da pobreza extrema: é concentrando no estado todas as decisões, toda a política de investimento, toda a administração, ou delegando responsabilidade e poder de decisão na sociedade civil e nos sectores privados?
Um país que se resume mais ou menos a isto:
Prós e Contras de ontem:
Basílio Horta:
Nós gostaríamos que a burocracia do estado ainda não fosse tão pesada e nós sentimo-nos por vezes frustrados porque passam várias comissões da CAPIN, onde são vistos esses projectos e as coisas não se resolvem com a rapidez com que nós gostaríamos que fossem resolvidas. E a verdade é esta: muitos se resolvem (…) porque este governo, o primeiro ministro e o ministro da economia se empenham pessoalmente nos projectos. Pessoalmente nos projectos. (…) em trinta anos de vida política, eu nunca vi um governo (…) um primeiro ministro que metesse as mãos na massa da economia tanto como este tem feito. Agora na Venezuela (…) a notícia foi que o primeiro ministro fumou no avião, mas eu vi o primeiro ministro, com o ministro da economia e o secretário de estado a discutir a exportação de produtos alimentares: do esparguete, e do leite, e tal. (…) bom pode-se dizer, não é essa a função … eu sei, não é só esta. Mas isto representa o empenho com que as coisas estão a ser feitas. Agora há realmente uma máquina pesada, é necessário criar uma mentalidade que é a seguinte: quando se vê um investimento o ponto de partida a um investidor não é obstaculizar, é ajudar (…).
(…)
Nogueira Leite
Eu como tive (nesses oito meses) a hipótese de conhecer a União Europeia tenho realmente uma consideração muito limitada sobre a burocracia Europeia. Penso que tem havido um esforço muito grande em captar investimento directo estrangeiro para Portugal e em reter investimento português em Portugal e investimento estrangeiro em Portugal. Isso é um aspecto muito importante (…) Eu acho que nos últimos anos de facto (…) tem havido uma dinâmica em que quer os investidores nacionais (…) quer os investidores internacionais têm notado um esforço muito grande no ministério da economia e na AICEP em particular para debelar um conjunto de constrangimentos de que a economia portuguesa ainda hoje sofre e que são estruturais e enquanto não os resolvermos vamos ter este problema sempre.
Fátima Campos Ferreira
Mas o Soutor concorda com o que disse o dr. Basílio horta, ou tem conhecimento do empenho pessoal quer do ministro da economia quer do primeiro ministro?
Nogueira Leite
Tenho conhecimento directo de situações que se desbloquearam porque houve o empenhamento pessoal do primeiro ministro e do ministro da economia e do dr. Basílio horta.
Medina Carreira
Então mas isso é uma vergonha.
Nogueira Leite
Eu sei que é uma vergonha mas o que é facto é que …
Medina Carreira
Mas o primeiro ministro é que vai desencalhar um papel?!
Nogueira Leite
Soutor mas alguém tem de o fazer, são trinta e quarenta anos de burocracia que…
Medina Carreira
Então e essas reformas que se têm estado a fazer ainda é preciso o primeiro ministro ir lá com o papel na mão aprofundar?!
Mas vocês acham isso bom?! (…) O problema é ser preciso isso! É uma vergonha.