O Governo tem um plano para exterminar 7 raças de cães perigosos. Pretende proibir a criação e importação dessas raças de cães. Os donos dos cães existentes terão que os esterilizar sob pena de serem multados. Um Estado que concebe e implementa um tal plano de extermínio é bem mais perigoso que os 5000 cães ditos perigosos que existem em todo o país. Eu sei que são cães, mas os planos para exterminar pessoas não diferem muito dos planos para exterminar cães. Por uma questão de precaução é preferível que o Estado não possua nem os meios, nem o know-how, nem o hábito do extermínio.
João Miranda

Já eu, devo dizer, sou completamente favorável à proibição de criação, importação e reprodução de raças de cães perigosos (chamar a isto de extermínio é no mínimo forçado), que se estão a transformar em armas mortais autorizadas, muitas vezes nas mãos de adolescentes. Vem é tarde.


47 respostas ao post “O bitoque dá-te o know-how para o canibalismo”  

  1. 1 1  caodeguarda

    Lamentável, é o mínimo que se pode dizer desta iniciativa legislativa… por favor referenciem-me os ataques de filas brasileiros, amstaffs, staffordshire bull (também conhecido como nanny dog) e tosas (os dois que há em Portugal).
    Rotweillers lembro-me de ter feito uma estatística em 1998 em que a percentagem de ataques quanto à população estimada (+- 30.000) era de cerca de 0,003%, claro que a fonte não era da “competentissima” DG Veterinária mas sim o Livro de Origens Português regido pelo CPC (www.cpc.pt) e tutelado por esta… mas temos um governo que mente e distorce os números para tomar medida cujo alcance não entendemos e de benefício duvidoso…
    Faz lembrar o ministro jaime silva (minúsculas intencionais) a diminuir os danos do dono do campo de milho trangénico que foi arrasado pelos criminosos do “verde eufémia” para passar a crime semi-público e assim branquear a falta de actuação da GNR…

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  2. 2 2  tardes de bolonha

    Ja que falamos de proibiçoes,trago agora um assunto que nao tem nada a ver com os caes perigosos:a proibiçao de piercings.O PS prepara-se para apresentar na A.R um projecto-lei sobre a regulamentaçao da actividade de tatuagens e piercings.
    Uma das medidas passa pela proibiçao. Ora,ja temos regulamentaçao para esta actividade,que como se sabe,tem que ser praticada com instrumentos descartáveis,para evitar contaminaçoes. Mas esta gente da maioria absoluta vai mais longe e está-se nas tintas para os direitos individuais.Quer a PROIBIÇAO.
    Bem que muitos comentadores alertaram para o facto de atras das leis fascistas sobre o tabaco,viriam outras proibiçoes,para alem das que existem,controversas,da ASAE.Ora aí está! Será que nao tenho o direito de colocar um piercing onde muito bem me apetecer?!Quem manda no meu corpo?É o engenheiro Socrates?!

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  3. 3 3  Zenóbio

    Daniel,

    O problema não é tão simples e linear como quer apresentar. Não é por haver assaltos violentos e mortes com armas de fogo, que se decreta a proibição de TODAS as armas existentes no país.

    Do mesmo modo, quem treina cães para fins criminosos, ou aqueles que, por avidez criam cães sem o mínimo cuidado ou conhecimentos, deveriam ser colocados em pé de igualdade com a ESMAGADORA maioria dos donos conscienciosos ou dos criadores habilitados e profissionais.

    Os verdadeiros culpados são os donos, nunca os animais, tomados por atacado.
    A propósito, o Daniel já leu sobre diversidade genética? Quer condenar os portugueses amantes de cães, a terem um cão segundo os gostos e ademanes do ministro da Ingricula?
    Como se podem condenar sete raças de cães só porque alguns deles, morderam ou mataram alguém? Qual foi o critério? Quais são os estudos que respaldam tamanha aberração legislativa?

    O drama destas medidas é que só servem de ruído de fundo, na tentativa de desviar a atenção daquilo que é verdadeiramente importante.

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  4. 4 4  Fado Alexandrino

    Os verdadeiros culpados são os donos, nunca os animais, tomados por atacado.

    Tem muita razão.
    Mas como é muito difícl açaimá-los, apoio totalmente a iniciativa do governo.

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  5. 5 5  L. Ortigão

    Em boa verdade vos digo que a questão é muito simples: se não houver cães perigosos, não há ataques de cães perigosos. A extinção funciona: quem é que se lembra de um ataque de dinossauros carnívoros nos últimos, vá, 65 milhões de anos?

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  6. 6 6  Carlos

    Pois estatisticamente falando em 62 anos só “estouraram” duas bombas nucleares logo porque é que se há-de impedir o Irão de ter uma arma nuclear.
    Fascistas estes tipos da Comissão de Energia Atómica!

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  7. 7 7  mimi

    Arrasar um campo de milho transgénico é crime?!Uma planta manipulada que põe em causa as plantas naturais…Tou a ver:para a Monsanto e outras empresas democráticas(linguagem de merda de mercado)cujas sementes têm que ser compradas aos accionistas da Monsantopara se poder comer?!-se isto não é fascismo,totalitarismo não sei pra q tou a escrever-talvez para abortos mentais e terroritas pura e simples!!!!Bardamerda para os Bilderberg e esta mole de gente quie pensa mas não pensa com o cérebro-simplesmente não merecem que liguemos a eles

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  8. 8 8  Zé Bonito

    Afinal de contas, o ministro Jaime Silva tinha que tomar uma medida qualquer, já que quanto à agricultura estamos conversados. Dedicou-se aos cães, mas também não parece que tenha grande futuro.
    Quem usa esses animais, ilegalmente, como armas, vai continuar a fazê-lo. Digamos que o negócio até vai melhorar, já que o risco vai aumentar o preço desses cães. Se queriam diminuir o risco de ataques, deviam ter pensado em penalizar, a sério, os seus proprietários.
    Já agora: não tenho números, mas pelos casos que conheço, penso que o maior número de acidentes graves com cães ocorre com outras raças, como o pastor alemão.

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  9. 9 9  rvn

    daniel,
    Lamento ver preconceito onde julguei existir inteligência. A ignorância é a mãe de muitas opiniões, concordará no geral. Se isso se aplica à sua análise quanto à autorização legislativa de existência (sim, pois, reprodução, ok) destes cães em Portugal ou não (último parágrafo do post), poderá discordar, aceito. É humano. Mas e se eu lhe dissesse que existe todo um mundo de disparate e falsas verdades na qualificação governamental das raças, que existem caminhos alternativos exequíveis para esta incapacidade governamental de fazer aplicar lei (mais que publicá-la) capaz de permitir a existência de todos, cães e pessoas, sem a estupidez que condena a evolução de toda uma espécie animal, se eu lhe dissesse tudo isto e se fosse verdade, será que você, independentemente do que possa pensar de mim ou achar do tom do meu discurso, ponderaria a essência do que lhe digo e poupar-se-ia enfim à repetição da triste figura que fez neste post?
    Sem arrogância, acredite, e com a simpatia que tinha antes de ler isto.
    Cumprimentos.

    rvn

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  10. 10 10  JLS

    Talvez assim seja Daniel, mas uma certeza: estas medidas têm de ser acompanhadas pela responsabilização penal dos donos. Porque não também não é todo e qualquer cão “destes” que é ensinado e incitado a atacar pessoas. É evidente também que cães “destes” tem muita energia e essa energia tem de ser libertada. É evidente que pessoas com casas pequenas e sem espaço para os cães andarem e correrem livremente não podem ter cães “destes”. Por isso são liminarmente contra esta proposta de irradicação. E serei até se surgirem as propostas legislativas mais do que necessárias para responsabilizar quem só pela lei ainda não o é. Se depois se ainda se achar necessária esta proposta de irradicação, que se avance com ela. Mas está-se a saltar – já à anos – uma parte importante e essencial deste processo.

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  11. 11 11  Tarzan

    «sou completamente favorável à proibição de criação, importação e reprodução de raças de cães perigosos»

    Estará favorável também ao extermínio do lobo? E de felinos perigosos? e de paquidermes perigosos? e de esqualos perigosos? e de ursos perigosos?

    Esta sua posição precisa de uma revisãosita, não?

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  12. 12 12  Bento X

    “PS quer proibir colocação de “piercings” na língua”

    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1322617&idCanal=23

    Depois do tabaco, agora os piercings, depois será a maneira de vestir, e depois de 2009 será criada a policia dos belos e bons costumes.

    Um saudavel amplexo,

    Bento X

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  13. 13 13  Isabel Coutinho

    “Os verdadeiros culpados são os donos, nunca os animais, tomados por atacado.”

    Um cão que ataca uma pessoa e a mata, é abatido. Quer fazer o mesmo aos donos?

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  14. 14 14  CavaloSentado

    Desculpe meu caro Daniel mas parece-me um raciocinio um pouco taralhoco.

    As cascaveis, os tubarões, os leões, os leonardos, os jacarilhos (etc) também matam. E daí?…

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  15. 15 15  Paulo Alexandre

    Cumpra-se a Lei. Já existem muitas leis (Lei nº 49/2007, Portaria nº 421/2004, os Decretos-Lei nº 312,3,4,5/2003) sobre o mundo canino e sobre os cães potencialmente perigosos. Só que quase ninguém cumpre a lei. Já por diversas vezes tenho vindo a alertar o Sr. Ministro da Agricultura bem como a Direcção Geral de Veterinária para esse facto.

    As Câmaras Municipais (CM) e o Estado e a DGV não deveriam fiscalizar pelo cumprimento das leis?

    Segundo o art. 18º do Dec. Lei 313/2003, compete à DGV, às DRA, à Inspecção-Geral das Actividades Económicas, às Câmaras Municipais, aos médicos veterinários municipais, às juntas de freguesia, à GNR e a todas as autoridades policiais assegurar a fiscalização.

    É de lei registar os cães na junta de freguesia de residência (Portaria nº 421/2004).

    O Clube Português de Canicultura (CPC) só regista (não obrigatório) no Livro de Origens Português (LOP) os cães com pedigree e cujos donos não estejam suspensos por este (CPC) de todas as actividades cinológicas. O LOP é da responsabilidade da DGV mas delegada no CPC. Veja-se o exemplo dos registos do gado bovino.

    E já agora, quantos cães existem em Portugal? Quantos estão registados (perigosos ou não)?

    As Polícias (PSP, Municipais, …) multam o dono do cão por não trazer a trela, não ter açaime se for caso disso, se defecar em espaços públicos, …? Muito provavelmente não. Mas se as anteriores infracções são fáceis de detectar, punir o facto do cão não estar registado, é mais complicado.

    Deixo uma sugestão, solicitem à pessoa que passeia o cão, o nome e morada do proprietário do animal e enviem os dados para verificação para a Junta de Freguesia (JF) e apliquem a lei. A DGV através das CM e das JF faz a vacinação anti rábica. Verifiquem se têm o registo e o microchip. Até os próprios médicos veterinários o podem fazer. Isto tudo é uma questão cultural e de civismo.

    As CM e as JF pactuam com estas irregularidades e só quanto existe uma desgraça é que actuam e os senhores jornalistas já têm matéria para páginas nos seus jornais e abertura de notícias na rádio e televisão.

    “LOP – Livro de Origens Português, pedigree, o registo de nascimento dos cães de “raça pura”. O LOP foi criado em 1932, para fazer o registo genealógico, para a identificação dos cães de raça pura, existentes em Portugal, conforme despacho ministerial de 29 de Março de 1939 (Diário do Governo, nº 91, 3ª Série de 20 de Abril de 1939) – ponto 1 do art. 1 do Regulamento do LOP, http://www.cpc.pt/cpc/regulamentos/lop_ri.pdf .”

    O registo na junta de freguesia de residência é obrigatório para qualquer cão, mas é autorizado, por parte do CPC e das autarquias, onde são realizados os eventos caninos, participarem sem o devido registo e ninguém solicita autorização à Direcção Regional de Agricultura, conforme, o Dec.-Lei nº 314/2003 de 17 de Dezembro. Nestes eventos não existe fiscalização, apesar dos folhetos de divulgação constar o nome de um médico veterinário. O médico veterinário, em muitos casos, não aparece, e quando aparece, faz uma verificação do boletim de vacinas de uma forma aleatória e/ou com a presença do microchip, esquecendo-se da vinheta da junta de freguesia e se acontecer não ter a vinheta da junta, não acontece nada ao prevaricador.

    Será que o médico veterinário (se aparecer) vai ver (artº 5 Decreto-Lei nº 314/2003) todos os cães? Talvez não, e se fizer alguma verificação, esta é aleatória e itinerante, segundo as regras do CPC (www.cpc.pt/?exposicoes/2007/info/veterinario).

    Será que o médico veterinário municipal vai ver selo ou carimbo do licenciamento de cães, “potencialmente perigosos” ou não, no boletim sanitário? Talvez não. E se o médico veterinário der pela falta do selo ou carimbo? Passa à frente, porque esta responsabilidade é do Presidente da junta da área da exposição.

    Os cães considerados “potencialmente perigosos” vão andar de açaime no espaço público da exposição? Não. É punido? Não.

    As exposições e ou concursos caninos pedem autorização às Direcções Regionais da Agricultura (nº2 do art. 4º do Dec. Lei nº 314/2003)? Talvez não.

    PS – Por falar em cães, existe um buraco no Decreto-Lei nº 74/2007 – cidadãos portadores de deficiência com cães de assistência pois este não é possível de ser cumprido. Quais são os “estabelecimento idóneo e licenciado que utilize treinadores especificamente qualificados” em Portugal? A profissão de treinadores de cães é reconhecida oficialmente?

    Para ser mais fácil a vossa consulta, junto envio o enquadramento legal.

    A Portaria nº 421/2004, de 24 de Abril, obriga a que os proprietários de cães tenham a licença de residência, dos seus cães, passada pela junta de Freguesia. No nº 2 do art. 6º, da mesma Portaria diz:” A junta de freguesia, ao proceder ao registo e ao licenciamento de cães e gatos, colocará um selo ou carimbo no espaço para isso reservado no boletim sanitário de cães”.

    O Decreto-Lei nº 313/2003, de 17 de Dezembro, obriga à identificação de todos os animais de companhia, bem como ao registo de licenciamento na junta de freguesia, da área de residência.

    O Decreto-Lei nº 314/2003, de 17 de Dezembro, estabelece as regras relativas à posse e detenção, exposições, …

    O art. 5º diz o seguinte: Compete à organização da exposição:

    a) Assegurar a presença do número de médicos veterinários necessários ao cumprimento do disposto neste diploma;

    c) Salvaguardar os aspectos de segurança, no caso de animais potencialmente perigosos, que deverão estar convenientemente açaimados ou protegidos do contacto com o público, quando fora do concurso;

    d) Disponibilizar os meios que os médicos veterinários considerem necessários ao bom desempenho das suas funções.

    O art. 6 obriga os médicos veterinários a examinar a documentação sanitária.

    Segundo o art. 16º compete à junta de freguesia da área da prática da infracção (falta de registo) a instrução dos processos relativos às contra-ordenações previstas nos nºs 1 e 2 do artigo 14º e o produto das coimas é distribuído em 10 % para a entidade que levantou o auto e 90 % para a entidade que instruiu o processo.

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  16. 16 16  xatoo

    resumindo: nem o cão tem a mesma lógica de raciocinio do João Miranda, nem o Estado pode proibir os Ministros de usar piercings anti-falantes na lingua.

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  17. 17 17  corvo

    Se quem discorda desta medidas tivesse filhos atacados por bestas destas , certamente quereria que este tipo de cães fossem proibidos.

    Aliás algumas destas raças foram apuradas pelos NAZIS, na Alemanha de Hitler.

    Têm por isso uma boa origem….

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  18. 18 18  ...

    Caro Daniel Oliveira,

    Em 1989, tinha eu doze anos, fui violentamente mordido durante uma aula prática de «hortofloricultura», numa escola preparatória pública estatal, por um cão que guardava as estufas.

    Durante uma aula, repito.

    (E digo violentamente porque enfim, sempre fui cosido com trinta e tal pontos, ainda hoje tenho um buraco numa perna, e passei na altura duas semanas no hospital.)

    Não havendo imprensa digna desse nome nos Açores, Correios da Manhã e televisões privadas, o caso nunca fez notícia.

    O director da escola não encontrou outra forma de escapar a uma eventual inspecção do seguro escolar (aquelas dezenas ou centenas de escudos que todos os anos pagávamos, no ensino gratuito, não é) que não fosse a de enviar a conta do hospital para os serviços de assistência médica do banco onde a minha mãe trabalhava.

    Meses mais tarde, o mesmo director seria eleito presidente da câmara, cargo que aliás ainda ocupa.

    O cão, pelo qual tive de passar algumas vezes depois disso, lá ficou.

    O cão, diga-se, não tinha sequer nenhuma vacina, porque, explicou o senhor director presidente, «tinha menos de seis meses». O pobre do cão morreu de velhice não muito tempo depois…

    O cão era um reles rafeiro, cruzado disto com aquilo. Era só grande. Não teria direito portanto ao extermínio, pois não?

    Eu sou das primeiras pessoas a terem suficiente medo dos bichos para achar que muito mais de metade dos idiotas donos de cães não os deviam ter. Não imagina o pânico que era depois da mordida andar pelas ruas e estradas rurais dos Açores — ou passear a pé ou de bicicleta por sítios infestados de vivendas vigiadas, como Sintra, como Óbidos. E se o cão resolve saltar, a merda da vedação não chega, pois não?! E se um cão se atira a ladrar contra o portão, o mais natural é que eu vá parar ao meio da estrada para debaixo de um carro. É quase pior do que ter medo de um assalto no meio de Chelas ou do Casal Ventoso, mas sobrevive-se.

    Sobrevive-se mesmo quando, à porta da Quinta da Atalaia num primeiro fim-de-semana de Setembro, é um polícia que pára com a sua carrinha e pergunta: «É preciso tirar o cão?» (Às vezes há coisas mais assustadoras do que só um polícia.)

    *

    Dito isto, não acredito que passe pela cabeça de alguém proibir ou eliminar uma ou outra raça de cão. Ou muito menos esta meia dúzia. Então e os pastores-alemães? Então e os cães-de-fila-de-são-miguel? E os estúpidos dos rodinhas-baixas de vários feitios que ladram que se fartam e me dão taquicardia?

    Que haja um controlo sobre o grau de responsabilidade dos donos destas e outras raças, muito bem. Que se proíbam os cães de guarda em absoluto ou que haja alturas e distâncias mínimas relativamente ao espaço público. Que não haja cães famintos ou acorrentados ou em matilha por aí.

    Finalmente, a sanidade legislativa deste país: ainda não há três anos, ou menos, foi emitido um decreto de regulamentação dos cães perigosos. Alguém se deu ao trabalho de o aplicar?

    Em grande parte dos jardins de Lisboa, é proibido passear os cães sem trela. Alguém alguma vez é interpelado por fazê-lo?

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  19. 19 19  Daniel Oliveira

    «Desculpe meu caro Daniel mas parece-me um raciocinio um pouco taralhoco. As cascaveis, os tubarões, os leões, os leonardos, os jacarilhos (etc) também matam. E daí?…»

    Não me leve a mal, mas esse raciocínio é que é um pouco taralhoco. Sabe que não pode andar na rua cascaveis, otubarões, leões, leonardos e jacarilhos, não sabe? Nem com trela. Serve o mesmo para o Tarzan. Tente andar com um lobo ou um felino perigoso na rua. Acho que vai ter problemas.

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  20. 20 20  Zenóbio

    Isabel Coutinho,

    A mania de humanizar os animais dá nisto: as pessoas querem ver qualidades e defeitos onde não devem. Alguém pode falar em leões maus, crocodilos cínicos, esquilos bons ou cães assassinos? O cão é um animal e comporta-se como tal. O cão é condicionado pela educação, (adestramento) fornecida pelo criador ou dono. Quando se juntam no mesmo animal, características morfológicas, temperamento, treino e estímulo, o cão pode ser uma arma, e esse facto só reforça o que eu disse. Se o dono tiver um comportamento intencional ou negligente, levando o cão a ser agressivo e perigoso, a reponsabilidade deve ser totalmente imputável ao dono, e não ao cão. Matar o cão e deixar o dono em paz é uma omissão criminosa. Abater o dono não seria má ideia, mas não é muito prático. Mandar prender, sim.

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  21. 21 21  António Gonçalves

    Eu também sou da opinião, de que a culpa não é dos animais, mas dos donos que, na maioria das vezes se revelam mais irracionais do que os ditos.
    Se as leis existentes fossem aplicadas, ao invés de não passarem de letra morta e só se lembrarem do assunto aquando da ocorrência de mais um incidente, este assunto não mereceria destaque.
    Pena é que não exista uma lei de aplicação “real” para a prevenção da imbecilidade de muitos donos que detêm estas “armas” muitas vezes em apartamentos conjuntamente com crianças, descem com eles nos elevadores, na rua não utilizam nem trela nem açaime, e quando interpelados, respondem: “este não faz mal, é muito mansinho, está treinado etc.” Isto sim, é mais perigoso que os animais em si, e infelizmente é o que mais se vê por aí!
    Cumprimentos

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  22. 22 22  Vítor

    Pela primeira vez concordo consigo Daniel. Como já disse algures, quando se passar a realmente responsabilizar as pessoas, aí sim passo a apoirar todo o tipo de liberdades.

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  23. 23 23  Tarzan

    «Tente andar com um lobo ou um felino perigoso na rua. Acho que vai ter problemas.»

    Exacto, caro Daniel! Vou ter problemas. Mas isso resolve-se acabando com as ditas espécies? ou proibindo-as de circular livremente e sem regras?

    Era desta “revisãosita” que eu falava no comentário anterior. Não me parece necessário cortar a cabeça para acabar com a enxaqueca.

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  24. 24 24  Zé Bonito

    “Se quem discorda desta medidas tivesse filhos atacados por bestas destas , certamente quereria que este tipo de cães fossem proibidos.

    Aliás algumas destas raças foram apuradas pelos NAZIS, na Alemanha de Hitler”.

    Se tivesse, queria que o dono desse animal sofresse as consequências de modo tão claro que nunca mais pensasse em ter outra coisa que não um ursinho de peluche.

    Uma dessas raças, foi a dos Doberman. Um dos animais mais fáceis de integrar num ambiente familiar, desde que se saiba.

    Ou seja, vamos sempre parar ao dono do animal. É aí que é preciso a actuar, sem dó nem piedade. Qualquer criador honesto dessas raças que querem extinguir, pode explicar que aqueles animais não são para qualquer um. Também dirá que é necessário reunir condições de espaço fora do comum. Então, consulte-se quem sabe, para se fazer uma regulamentação (e fiscalização) a sério.

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  25. 25 25  FA

    Não podia estar mais em desacordo consigo Daniel! Quando não se consegue regular e responsabilizar, proíbe-se. É essa a postura que mais critico em qualquer governo.
    As “raças” nada têm a ver com o comportamento animal. Os donos são os principais responsáveis pelos seus cães. Ponto final.
    Repare na quantidade de “raças perigosas” que faltam a essa lista. Já teve algum encontro com um pastor alemão descontrolado? Pois, é um cão popular, da moda. Já reparou que não está ali o doberman? Pois, esse cão já passou de moda. Não se ouve falar dele.
    Para umas coisas somos todos muito críticos da construção mediática de ideias feitas, para outras engolimos a papinha premade e engolimos sem mastigar. Haja paciência.

    Um brinde:

    http://br.youtube.com/watch?v=MfPC0FMFu0A&feature=related

    A propósito, não tenho nenhum cão. Sou mais dado a gatos.

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  26. 26 26  Daniel Oliveira

    Tarzan, como não temos cães selvagens, eles andam na cidade e no meio de humanos. Não é o caso dos tigres, pois não?

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  27. 27 27  Isabel Coutinho

    Zenóbio,
    Parece que não me compreendeu bem. Eu não quero mandar abater os donos dos cães perigosos (embora às vezes apeteça). Quero que pura e simplesmente estes animais sejam tratados como feras que, efectivamente são. E, como tal, deixem de ser considerados animais domésticos, ou de estimação.
    Essas raças, não são naturais, são fabricadas. É frequente esses animais enlouquecerem (tumores no cérebro) e atacarem os próprios donos.
    Li há tempos num artigo que os donos desse animais são normalmente homens de meia idade, que usam o cão como prova da virilidade que já não têm. (Na verdade, não me lembro de ver um desse cães com uma mulher).
    Eu, que sou alérgica a proibições, acho que há coisas que é mesmo necessário proibir. Esses cães, por exemplo.

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  28. 28 28  Zenóbio

    Isabel,

    Acho que a entendo bem – cão que ataca, é cão abatido.

    Mas que fazer com aqueles que provocam o ataque?
    Que fazer com aqueles que continuarão a ter animais como extensão do ego?
    A mais mirabolante legislação nada adiantará enquanto não se responsabilisarem os donos ou criadores.

    Sobre esses casos de doenças oncológicas, não se pode fazer muito, há raças que são genéticamente predispostas a determinadas patologias.

    É engraçada essa dicotomia homem/mulher raça pequena/raça grande.
    Na verdade sempre tive cães grandes: Schnauzer gigante ( que não está na lista, embora tenha uma boca grande lol),nunca lhes chamei Viagra e nunca me senti mais ou menos masculino por isso. Complexos e banalidades, são coisas que não convêm generalizar, não acha?

    [Responder]

  29. 29 29  Isabel Coutinho

    “A mais mirabolante legislação nada adiantará enquanto não se responsabilisarem os donos ou criadores.” Zenóbio

    É óbvio. Mas como se pune o dono de um cão que matou ou mutilou uma pessoa? Quando muito esse dono apanha uma multazita … E, se lhe abaterem o cão, irá arranjar outro. Que eu saiba, mas posso estar errada, esse dono não é condenado por assassinato.

    Quanto a generalizaçoes, tem razão: vendi a notícia como ma venderam.

    [Responder]

  30. 30 30  João Mendes

    Ele há coisas do caneco!
    De quando em vez lá vem o jornal dizer-nos que mais um(a) foi atacado(a) por um destes “bisontes” domésticos.
    Logo vem um venerador da mentira estatística e acalma o pessoal referindo que a média de agressões é de 0,003%. Como se calcula o(a) agredido(a) face a este número aceita a agressão com bonomia… se não fizer mesmo graça sobre o assunto.
    Se se quer eliminar os ditos “bisontes”, lá vem outro dizer que pelas mesmíssimas razões vamos ter que eliminar cascavéis, jacarés etc. etc. como se estes bichinhos sejam frequentadores assíduas do espaço público…
    Mas há mais… a sacrossanta biodiversidade interpretada de forma vesga, também aconselha a que continuemos a ter estes “bisontes” por perto não vá o planeta “perder o Norte”. Finalmente aparecem os que entendem ser os donos os culpados da agressividade pelo que devemos educar estes (mais uma tarefa a entregar às escolas?) embora não sejam eles que me mordam um dia destes.
    Todo este arrazoado para concluir que só a proibição pura e simples é que pode ajudar a resolver o problema. Tudo menos do que isto será encanar a perna à rã e… tudo como dantes, quartel …. Abrantes.

    [Responder]

  31. 31 31  rvn

    daniel,
    Lamento que não tenha achado a minha questão digna da consideração de uma resposta.
    E lamento pelo tema, (não por ser A ou B a ignorar-me, tragédia a que sobrevivo) pelo assunto que me interessa ver o mais debatido possível e com abertura de espírito e inteligência, a ver se esta questão dos “cães perigosos” não fica resumida a duas falácias: ao preconceito (justificado ou não) de uma população assustada com aquilo que desconhece, por um lado, (a diferença sempre provocou o medo no povo), e por outro à estupidez de um carreirista qualquer que, na gota de água temporal de um mandato político, se propõe decretar medidas (que um outro carreirista qualquer de diferente côr política um dia substituirá pelas contrárias, se isso lhe der votos) que comprometem todo um mar de evolução de sete espécies animais. Ditando o fim da autorização do Estado à sua existência entre nós. Negando o seu direito à Vida em nome de uma demagogia alarmista (aplaudida e incentivada por posições de opinion makers como a sua neste post) que mal esconde a incompetência de quem, não sabendo como fazer aplicar uma lei, se propõe substitui-la por outra que dite o mais fácil e que dê menos chatices: o radical extremínio a prazo de sete raças de cães. Tudo por decisão e ordem de um Silva qualquer que é ministro hoje.
    Não me espantam por aí além os disparates dos Silvas políticos deste Portugal que somos. Já sei com o que conto. Mas desgosta-me, confesso, a soberba dos Oliveiras que fazem a apologia do debate de ideias em teoria, mas que na práctica a ele se esquivam (por critérios insondáveis) sem a delicadeza de uma escusa polida, pelo menos. Uma lição, para mim. Mesmo na blogosfera, o debate inter-pares carece de alguma condescendência por parte dos ímpares. Nem que seja pela maçada em perder tempo com pessoal menor.
    Cumprimentos, claro. E desculpe qualquer coisinha.

    [Responder]

  32. 32 32  JLS

    «Não me leve a mal, mas esse raciocínio é que é um pouco taralhoco. Sabe que não pode andar na rua cascaveis, otubarões, leões, leonardos e jacarilhos, não sabe? Nem com trela. Serve o mesmo para o Tarzan. Tente andar com um lobo ou um felino perigoso na rua. Acho que vai ter problemas.»

    Daniel, parece que concorda, então, com a afirmação de que existem pessoas responsáveis por esses animais. Já é uma evolução tremenda em relação ao post que serviu de base a todos estes comentários. Pessoas que já são responsáveis de toda e qualquer perspectiva menos a legal.

    [Responder]

  33. 33 33  rvn

    errata:
    ‘extermínio’ e outras gralhas.

    [Responder]

  34. 34 34  Isabel Coutinho

    rvn, não me leve a mal se lhe respondo. Não sou o Daniel, mas, enfim, é à falta de melhor.
    .
    1 – pelo assunto que me interessa ver o mais debatido possível e com abertura de espírito e inteligência
    - não sei se o meu QI lhe chega, mas também me interessa ver o assunto debatido (embora me pareça que é isso mesmo que tem acontecido neste post e neste blogue)
    .
    2 – esta questão dos “cães perigosos” não fica resumida a duas falácias
    - não há aqui falácia alguma: há cães que são mesmo perigosos. Atacam, mordem e são mesmo capazes de matar. É natural que a sociedade se queira proteger desses animais, não acha?
    .
    3 – ao preconceito (…) de uma população assustada com aquilo que desconhece
    - Não é por desconhecimento. É o conhecido que assusta e não o contrário. Logo, não há aqui qualquer preconceito. Há o conceito de legítima defesa.
    .
    4 – comprometem todo um mar de evolução de sete espécies animais
    - Não se trata de espécies animais, mas do resultado da manipulação genética de animais. Feita com o propósito de os tornar mais ferozes e agressivos.
    .
    5- Negando o seu direito à Vida
    - Vida, com letra grande, aplica-se a humanos. Com que direito se pode apelar para o “direito à Vida” de animais, quando se nega esse direito a seres humanos, pela opção descriminatória de mães e pais ??????
    .
    6 – radical extermínio a prazo de sete raças de cães.
    - Estes cães não são de raça: são arraçados. E arraçados propositadamente, com o objectivo mencionado em 4. O que se pretende proibir, é arraçar quaisquer animais de modo a torná-los um perigo para a humanidade. Qualquer arraçamento de animais sem outro objectivo que preencher o ego de uns tantos, é um atentado à dignidade desses mesmos animais.

    [Responder]

  35. 35 35  Zenóbio

    Isabel,

    Vejo com pena que você entende pouco de pessoas e nada de cães. Daria uma óptima ministra da agricultura.

    [Responder]

  36. 36 36  rvn

    isabel,
    fico-lhe grato pela atenção. Vamos então aos seus pontos:

    1.Dispensável, a ironia. Mas seja. E sim, houve aqui contributos tão válidos que, como terá visto, citei como fonte na (muito mais escassa) troca de ideias que tive no meu próprio blog.

    2.Acho naturalíssimo, desejável e essencial que a sociedade se proteja contra qualquer ameaça ao aseu equilíbrio e bem estar. Que é exactamente o que a sociedade nacional fez e faz ao produzir legislação que nem um ano tem (a mais recente e específica para as tais sete raças), pese embora a sua incapacidade para fazer aplicar as leis que produz, caso evidente desta. Esse é sem dúvida um problema, o verdadeiro problema na minha opinião. As disposições legais em vigor são, concordará por certo quando as ler, suficientes e bastantes para criar um quadro de segurança social que permite a existência dos cães a que se refere a lei, sem pôr em risco as pessoas.

    3.Não, não é o conhecido. Nem no geral, opino, nem muito menos no seu caso, constato ao ler o ponto 4.

    4.Minha senhora, perdoará, mas quem foi que a arrastou para tamanho embuste? Quem lhe deu essa informação, onde a leu, onde diacho foi a senhora desencantar um disparate tão…. tão tão? Não me leve a mal, peço-lhe, não há qualquer intenção de desrespeito ou sarcasmo no que lhe digo. Mas informe-se, por favor. Consulte aqui mesmo, na internet, pesquise ‘fila brasileiro’, por exemplo, e perdoe que passe à frente na resposta. É demasiado embaraçoso comentar este seu ponto 4, tal como vai ser o ponto 6. Mas lá chegaremos, temos o 5 de permeio, que fala do direito não à vida, mas à caixa alta.

    5.Por sistema, retiro-me envergonhado de qualquer conversa que discuta o direito ao maiúsculo do v de vida a todas as formas de vida que me rodeiam neste planeta; por norma são filhas da imensa soberba do Homem. É um hábito que adquiri, depois de perceber que nunca sei onde me esconder, tão pequeno fico quando vejo um ser humano arrogar-se ao divino na qualificação do existir de toda a forma de Vida que há sobre a Terra, na comparação com o seu umbigo. Sim, com T grande, também. Umbigo? Esse com letra pequena, naturalmente, a Isabel que me desculpe.

    6.O tal. Mais uma vez o seu pensar assenta num disparate que acredito diga com a melhor das intenções. Mas para si, não para os outros. Porque se “o que se pretende proibir, é arraçar quaisquer animais de modo a torná-los um perigo para a humanidade.” então estamos de acordo, não podemos estar mais. E continuamos, aqui: “Qualquer arraçamento de animais sem outro objectivo que preencher o ego de uns tantos, é um atentado à dignidade desses mesmos animais.”; claro que sim.

    Mas foi isto que a Isabel ouviu ao senhor ministro? Não foi. Foi a condenação de sete raças de cães no nosso país, a prazo. Mas e se as fontes de informação do senhor ministro tiverem a mesma informação que a Isabel demonstrou, por exemplo? Eu sei que a Isabel não tem que ser especialista em cães para se pronunciar como cidadã sobre o problema, mas não acha que quem informa quem faz as leis devia perceber do que diz?

    Se respondeu que não à pergunta que lhe fiz, a nossa conversa não tem sentido e o debate é uma anedota. Não creio, parece-me decente, apenas assustada. Se respondeu que sim, que o governo deve estribar-se em pareceres de especialistas em cães, especialmente nesses cães, para legislar siobre a matéria (muito mais quando legisla um ponto final, melhor, sete pontos finais), então por favor responda só a mais uma questão, por delicadeza: explique-me, ou explique antes a si própria, por que razão nem um especialista em cães, nem uma associação, clube, escola, com o Clube Português de Canicultura à cabeça, foi ouvido ou sequer consultado nunca? Não foi só agora, que é para ponto final. Foi já antes, no ponto e vírgula, no dispor e nas características dos animais ao longo de todo este processo, que vem sendo gerido no ritmo dos acidentes que vêm acontecendo com rotweillers e pitbulls. E que não podem ser mais graves, são criminosas as condições em que alguns desses animais eram deixados até acontecerem os acidentes, também crimes. E quando digo criminosas digo para as pessoas, que para mim vêm e virão sempre antes dos animais ou dos seus direitos, se é assim que quer pôr as coisas. Não há qualquer confusão sobre essa questão na minha cabeça, e sim, tenho um cão de fila brasileiro que é um animal diferente, excepcional no sentido de único entre as características da sua própria raça. Mérito dele, não tenho nada a ver com o facto, não o provoquei, apenas o constato. Mas não deixo que me turve as ideias quando reflicto sobre este tema. E o que vejo é muito disparate, muita histeria e pouco acerto no sentido da preocupação, o que não só prejudica a verdade e os animais que forem erradamente avaliados, como desprotege os seres humanos dos animais que ficam, perigosos ou em condições perigosas (como essa da craição/apuramento de raças, que existe, sim senhor, e deve ser combatida, sim, mas não tem nada a ver com as outras raças em questão), e livres para criarem mais acidentes fatais até outro Silva acordar para a realidade dos factos e não das modas. Ou da vontade da rua, questão muito sensível a todos os governos e a este em particular.

    Aceite os meus cumprimentos, Isabel, e entenda o meu falar como próprio, não agressivo ou intencional neste ou naquele tom. Se puder, esqueça o como eu digo. Mas pondere aquilo que eu digo, isso sim. Depois jogue fora, se quiser, não lho levo a mal. Ou aproveite só isto ou aquilo. É consigo. Assim converso.

    [Responder]

  37. 37 37  Rebéubéu pardais ao ninho

    Cara Isabel Coutinho

    Fica aqui o TOP 10 dos seus disparates. Para reflectir, se capacidades disso tiver.

    1.“Um cão que ataca uma pessoa e a mata é abatido. Quer fazer o mesmo aos donos?”

    Esta comparação, de tão idiota que é, lembra-me algo que, pelo menos em Portugal já foi abolido: a pena de morte. ’Mataste? Agora também irás morrer.‘ Como se a segunda morte desse vida à primeira. Disparates, quando se tenta explicar-lhe que de facto não são as raças que são perigosas mas os donos.

    2.“Quero que pura e simplesmente estes animais sejam tratados como feras que, efectivamente são. E, como tal, deixem de ser considerados animais domésticos, ou de estimação.”

    Opta pela generalização. Só é pena que generalização ande de mão dada com a ignorância e a incapacidade de raciocinar.

    3.“Essas raças, não são naturais, são fabricadas.”

    Uma simples pesquisa iriam deixá-la mais elucidada, e quem sabe, poder debater melhor sobre o assunto. Refere-se a que raça? Ao cão fila brasileiro com mais de 3 séculos de existência? Ao American Staffordshire Terrier com pelo menos 2 séculos (apesar de considerado apenas independente há um). E depois de exterminados estes, o que impede que se “fabrique” (expressão sua) outros?

    4.“Li há tempos num artigo que os donos desse animais são normalmente homens de meia idade, que usam o cão como prova da virilidade que já não têm. (Na verdade, não me lembro de ver um desse cães com uma mulher).”

    Lá está. A tecla da generalização. Eu que sou mulher sinto-me ligeiramente constrangida. Aliás porque tenho uma dessas provas de virilidade em casa. Dócil e meigo. Virilidade e cães. Freud deve ter reencarnado no séc XXI para escrever um artigo.

    5.“Eu, que sou alérgica a proibições, acho que há coisas que é mesmo necessário proibir. Esses cães, por exemplo.”

    Eu cá por mim proibia mesmo era a ignorância. A estupidez também.

    6.“Que eu saiba, mas posso estar errada, esse dono não é condenado por assassinato.”

    Claro que não é condenado por assassinato porque não é de um assassínio que se trata (peço-lhe que reveja a sua definição de assassínio). Mas obviamente que é condenado. Existem nomes para as coisas e cada coisa tem o seu nome. Preciosismos.

    7.“Quanto a generalizações, tem razão: vendi a notícia como ma venderam.”

    Péssimo negócio, avanço eu. E de saída, alerto-a que é assim que nascem os mitos urbanos: pessoas desinformadas que vendem noticias como as compraram.

    8.“não há aqui falácia alguma: há cães que são mesmo perigosos. Atacam, mordem e são mesmo capazes de matar. É natural que a sociedade se queira proteger desses animais, não acha?”

    Tive que ir procurar o sujeito da segunda frase. De repente achei que estava certa, se falasse dos políticos. Ou dos humanos, em geral.

    O que é natural é que a sociedade, como lhe chama, os respeite (aos cães). E isso inclui os donos que os treinam para a violência. São muitos mas são muitos mais os que os tratam bem.

    9.“Vida, com letra grande, aplica-se a humanos. Com que direito se pode apelar para o “direito à Vida” de animais, quando se nega esse direito a seres humanos, pela opção discriminatória de mães e pais ??????”

    Logo vi que tínhamos fundamentalista na área. Infelizmente, eu e os fundamentalistas não falamos a mesma língua. É uma pena porque adoraria ver como é que desenrolava esse novelo de confusão: aborto, cães perigosos e direito à vida tudo no mesmo saco.

    10.“Estes cães não são de raça: são arraçados. E arraçados propositadamente, com o objectivo mencionado em 4. O que se pretende proibir, é arraçar quaisquer animais de modo a torná-los um perigo para a humanidade. Qualquer arraçamento de animais sem outro objectivo que preencher o ego de uns tanto é um atentado à dignidade desses mesmos animais.”

    Lá está. Desinformada. Ignorante. Sugiro que se informe sobre a origem destas raças. Raças, mesmo. Não arraçados.

    Saudações caninas

    [Responder]

  38. 38 38  Arquiduquesa de Grayskull

    Dado que a regulamentação aprovada anteriormente nunca foi nem aplicada nem fiscalizada (a obrigação de registar os animais, de ter um seguro de responsabilidade civil, de lhes colocar um chip electrónico, de não permitir que estes circulem sem trela e sem açaime), parte-se agora para uma medida extrema e de contornos civilizacionais terroríficos. Legislar no sentido de acabar com uma raça é uma medida ignorante, desastrada, arrogante e que acima de tudo resulta de uma preguiça enorme por parte das autoridades. Se não se fez um esforço para que as medidas anteriores fossem aplicadas, o governo acha agora que a solução ideal será passar do 8 para o 80, adoptando uma lei que, ou muito me engano, ou não irá travar a criação ilegal! Obviamente, quem vai cumprir a lei, são precisamente os donos que hoje em dia já a cumprem, e que mantêm os seus animais devidamente registados, com chip, com seguro, com açaime e com trela! Diz muito da nossa civilização. Este Natal, indo na rua, assisto a uma cena grotesca: um grupo de jovens de ar rufia fazia-se acompanhar de um pittbull. Sem trela e sem açaime. O animal decidiu atacar um outro cão, de menor estatura, que se passeava também livremente por ali; um outro rapaz, ao assistir à cena, tentou afugentar o pittbull no sentido de proteger o outro cão. Acabou a ser espancado, em plena rua, em plena luz do dia. O grupo de mânfias continuou o seu caminho serenamente. Passado nem três minutos, por sorte, passou um carro patrulha da PSP. Os transeuntes fizeram parar o carro da polícia a quem puseram ao corrente da agressão; indicaram a direcção seguida pelos agressores, e era evidente que, maçando-se, a polícia teria conseguido detê-los, identificá-los e recolher o cão. Sucede que aquele carro-patrulha optou por seguir noutra direcção… e enquanto as autoridades continuarem a seguir noutra direcção que não a da fiscalização das leis que se criam, não percebo porque raio continuamos a fazer leis. Cada vez mais extremas e absurdas. Actualmente, bastava cumprir e fiscalizar o que já está na lei, para que os problemas com os cães perigosos diminuíssem.

    “O Rottweiler figura entre as raças mais antigas. Sua origem remonta à época dos romanos, onde foi criado como um cão de guarda e boiadeiro. Esses cães imigraram com as legiões romanas através dos Alpes, guardando homens e tocando o rebanho. Nos arredores de Rottweil, eles se encontraram com os cães da região. Houve, então, uma miscigenação. A tarefa principal do Rottweiler voltava a ser a condução e a guarda de grandes rebanhos, de grandes animais e a defesa do seu dono e seu patrimônio. Ele recebeu esse nome por causa da antiga cidade de Rottweil: Rottweiler Metz-gerhund (Cão de açougueiro de Rottweil).”

    [Responder]

  39. 39 39  Arquiduquesa de Grayskull

    Esta medida é completamente populista. Só encontra apoio popular porque vai exactamente beber aos medos básicos e primitivos das pessoas, alimentando a ignorância e o absolutismo. As autoridades deviam começar por identificar quem tem cães de grande porte. Abordando os donos desses animais na rua (como se faz por exemplo aos condutores), criando uma lei que possibilite aos veterinários comunicar às autoridades os cães de grande porte que conhecem. Dessa forma, e antes de partir para o controlo populacional de uma raça com vista ao seu “extermínio”, faziam-se duas coisas que nunca se fizeram em Portugal: identificavam-se os donos dos cães, e criava-se uma estatística. Multava-se quem não estivesse a cumprir a lei e recolhiam-se os animais que não fossem aprovados num teste de sociabilidade. Nada disso foi alguma vez feito. Por outro lado, há o caso óbvio de cães de grande porte que não estão na lista: o pastor alemão, o serra da estrela, o doberman, bull terrier, o mastim napolitano, o pastor belga, o leão da rodésia entre outros! Querem aumentar a lista ou estes são “fofinhos” e merecem um tratamento especial por parte do legislador? E os cães arraçados de ? Um labrador com pittbull, um Setter com Rottweiller ? Esta medida é ignóbil simplesmente por isto: é possível ter qualquer cão sem pôr em risco ninguém. Só é necessário cumprir a lei. Para cumprir a lei, é preciso fiscalizar. Para fiscalizar, meus senhores, é só as autoridades quererem. Infelizmente não querem. Só é lamentável que para algumas pessoas, nas quais certamente se inclui o Sr. Daniel Oliveira, a acção do Homem urbano pode e deve substituir-se à diversidade das espécies, tenha essa diversidade os séculos que tiver. Generalize-se um procedimento, mesmo que isso signifique acabar com uma sub-espécie. Daí que, muito provavelmente, para essas pessoas os únicos cães aceitáveis sejam os labradores chocolate se, e apenas se, condisserem com o tapete persa lá de casa. Senão. Haja paciência.

    [Responder]

  40. 40 40  Rebéubéu pardais ao ninho

    Arquiduqesa

    clap, clap, clap.

    (aplaudo de pé)

    [Responder]

  41. 41 41  rvn

    O grande problema aqui é o de qualquer mito urbano e resume-se a dois factores que pairam sobre toda esta questão, determinando quer o sentir popular quer a agenda legislativa, e sendo a raiz de todo o alarido: a ignorância e o medo. É tão exacta esta afirmação quanto o é a constatação de que a maioria das vozes que se levanta incorre no erro básico de chamar ‘cruzamentos de raças’ a todas as sete raças discriminadas na legislação.
    Aplaudo e subscrevo os seus comentários, arquiduquesa. Eles dizem muito do essencial a fixar neste problema. «Esta medida é ignóbil simplesmente por isto: é possível ter qualquer cão sem pôr em risco ninguém. Só é necessário cumprir a lei. Para cumprir a lei, é preciso fiscalizar. Para fiscalizar, meus senhores, é só as autoridades quererem. Infelizmente não querem.» Melhor que isto? Mais claro, mais elementar? Só não vê quem não quer ou quem não consegue, embalado na histeria do disparate colectivo que vem de cima. Há tempo demais.

    [Responder]

  42. 42 42  Isabel Coutinho

    “Uma criança de quatro anos foi atacada por um Pit Bull, um cão de raça considerada perigosa, na terça-feira, num bairro em Silves, no Algarve. A criança de apenas 4 anos foi mordida na cara, mas já teve alta do hospital. Tanto o dono como o cão desta raça considerada perigosa estão a ser procurados pela GNR.

    A criança foi assistida pelo INEM e depois transportada para o Hospital de Portimão. O menor está a ser acompanhado pelo médico de família. O pai da criança não apresentou queixa por ser amigo do dono do cão, mas a GNR esteve no local. Porém tanto o cão como o proprietário já tinham saído. Até ao momento as autoridades não os conseguiram encontrar. Por ser considerado crime a GNR apresentou queixa no Ministério Público.”
    TVI Notícias

    [Responder]

  43. 43 43  Arquiduquesa de Grayskull

    Isabel Coutinho,

    “Quatro crianças foram atropeladas hoje numa passadeira, no Porto, por um taxista alcoolizado que fugiu do local, revelou a PSP, adiantando que uma das raparigas está internada com ferimentos graves no Hospital de S. José.(…)” TVNet.PT 15 de Março

    Este condutor não foi o primeiro e infelizmente não será o único a conduzir sob o efeito do álcool. Passando a comparação, acha que em virtude deste infeliz acidente produzir, comercializar e consumir bebidas alcóolicas devia ser proibido para todos os cidadãos? Ou será que a solução passará por prevenir, fiscalizar e punir?

    O chihuahua da avó de uma amiga minha quase arrancou a orelha do carteiro. O senhor teve de levar pontos e mais pontos. Acha que se deve proibir a criação, comercialização e importação de Chihuahuas daqui para diante?

    O ênfase dado por alguns orgãos de comunicação a este tipo de episódios é maniqueísta e profundamente parcial. Mas abre bem um noticiário. Isso é mais que certo.

    [Responder]

  44. 44 44  Isabel Coutinho

    Arquidequesa, Madame,
    L’un n’empeche l’autre.

    [Responder]

  45. 45 45  Arquiduquesa de Grayskull

    Isabel Coutinho…

    como gostaria de a ver argumentar.

    Dans l’attente de vous lire,

    Arquiduquesa de Grayskull

    [Responder]

  46. 46 46  Arquiduquesa de Grayskull

    Ó Daniel Oliveira,

    pegando no que ficou por dizer no Eixo do Mal, e pelo que percebi:

    1. o Daniel não quer discutir a lei do ponto de vista técnico…

    2. não quer pronunciar-se especificamente sobre as sete raças escolhidas…

    3. acha que a palavra “extermínio” é excessiva, mas concorda com a ideia de se criar uma lei que proíba a criação, importação e comercialização dos ditos animais (o que não deixa de ser um eufemismo para “extermínio”)…

    4. não lhe ocorre, pelo que parece, que nem toda a gente vive em apartamentos, e que existem casas com espaço ao ar livre para ter cães de grande porte em condições de segurança…

    5. Não critíca a ausência de zelo por parte das autoridades, e que, em virtude dessa ausência de zelo se avance para uma lei mais drástica.

    6. Quanto ao facto de não existirem em Portugal espaços ao ar livre para que os donos possam passear os seus cães sem trela, nem uma palavra.

    Não se trata de defender a ausência de regulação sobre a posse de raças de grande porte; trata-se de criar e defender uma lei razoável e justa e que acima de tudo tenha aplicação. Apenas isso.

    Há animais com determinadas características físicas e comportamentais, com um instinto territorial porventura mais acentuado, mas isso não é um fenómeno urbano recente. Certas raças existem há séculos. E sempre existiram para prestar auxílio ao ser humano; em ambientes inóspitos; para exercerem funções de tracção; para protegerem físicamente os seus donos, em situações de isolamento, etc. Há toda uma História de convivência pacífica com estes animais; o que é um fenómeno urbano recente, é a proliferação descontrolada destas ferazinhas sem registo, sem controlo, e sem fiscalização na mão de adolescentes armados aos cucos.

    Que não se possa ter um Pittbull num exíguo apartamento, sem chip, sem registo, sem seguro, animal esse que seja passeado sem trela, sem açaime, compreendo. Defendo mão pesada das autoridades em situações dessas. Já não compreendo que não se possa ter um Pittbull numa quinta, isolada, devidamente vedada, registado, chipado, segurado e perfeitamente socializado com quem de direito.

    [Responder]

  47. 47 47  joao carlos

    voces tem e que estermina e esses pulicos ladrao que tem pura ai
    e esses monte de bandido solto que vive asaltando dodomundo aqui en casa um desses bandido se deu mau ele pulo meu muro de 2.85 de atura e ele caiu nas garra de meu pit bul de 3 anos treinado pra atacar guase que o mala morre kkkkkk

    [Responder]

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