Sem grandes apresentações ou explicações, aqui fica o texto de Maziar Bahari, um jornalista iraniano preso por 118 dias, 12 horas e 54 minutos. Um exclusivo Expresso/Newsweek que tomo a liberdade de aqui republicar. Talvez assim algumas pessoas desnorteadas que procuram a luta de classes e o combates ao Imperialismo debaixo de cada pedra percebam que um torturador é um torturador, uma ditadura é uma ditadura e o lugar certo é sempre, sempre e sempre ao lado do torturado e daqueles que arriscam a vida pela sua liberdade. No video, “The Partisan”, de Leonard Cohen, que, com o seu carrasco, foi, durante meses, a companhia Maziar Bahari.

Prisão de Evin, 21 de Junho de 2009 (cerca das 10h)

O interrogador fez-me sentar numa cadeira de madeira, semelhante à que eu tinha na escola primária. Mandou-me olhar para baixo, apesar de eu já estar de olhos vendados. “Nunca olhe para cima, Sr. Bahari. Enquanto estiver aqui — e não sabemos quanto tempo vai estar aqui —, nunca olhe para cima.” Tudo o que eu conseguia ver por baixo da venda eram os seus chinelos de cabedal preto. “Sr. Bahari, você é agente de organizações secretas estrangeiras”, começou ele. Vira-o de relance quando ele e os seus homens me tinham arrastado para fora da cama e prendido, algumas horas antes. Ele era mais pesado — soube depois que os guardas lhe chamavam “O Grandão” —, mais alto e mais volumoso do que eu, com uma cabeça enorme. A sua pele era escura, como a dos naturais do sul do Irão. Usava óculos de lentes grossas. Mas agora só o reconhecia pela voz, pelo hálito e pelo perfume de água de rosas usado pelos homens que fazem piamente as suas abluções diversas vezes por dia antes das orações mas que raramente tomam um duche. Podia ver os chinelos do Sr. Rosewater (Água de Rosas) mesmo diante dos meus sapatos. “Pode-me dizer quais?”, murmurei. “Fale mais alto!”, gritou ele. Debruçou-se sobre mim, com a cara a dois centímetros da minha. Dava para lhe sentir a respiração. “O que é que você disse?”

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“Perguntava se teria a bondade de me dizer quais são essas organizações”, repeti.
“CIA, MI6, Mossad e ‘Newsweek’.” Fiquei espantado pela segurança do Sr. Rosewater. Na altura não sabia para que ramo do dividido Governo iraniano ele trabalhava. Quando fui preso, centenas de milhares de manifestantes enchiam as ruas de Teerão, indignados com a disputada reeleição do Presidente Mahmoud Ahmadinejad. Tinham-se registado cenas de violência. Milícias empunhando bastões, conhecidas como Basij, haviam atacado os manifestantes, homens como mulheres. Alguns dos manifestantes tinham ripostado. O aiatola Ali Khamenei, líder supremo do Irão, mandara parar as manifestações, mas ninguém sabia se isso iria acontecer. Pelo menos, ninguém fora da prisão de Evin tinha a certeza disso. O Sr. Rosewater era outra coisa.

Descobriria mais tarde que fora escolhido pelo departamento dos serviços secretos dos Guardiães da Revolução Islâmica (GRI). Antes das eleições de Junho, esta unidade da guarda era pouco conhecida; sempre que jornalistas e intelectuais tinham problemas com as autoridades, eram interrogados pelo ministério oficial dos Serviços de Informação. Mas os GRI, que reportam directamente a Khamenei, tornaram-se mais poderosos. Muita gente desconfia que foram os Guardiães que falsificaram os resultados eleitorais. Uma coisa é certa: foram eles que aplicaram as medidas de repressão que se seguiram.

Os serviços de informação dos GRI são agora responsáveis pela segurança interna do Irão, o que significa que a sua violenta paranóia se propagou ao regime. Mas há entidades no interior do regime que sabem tomar decisões racionais sobre os interesses externos do Irão; se não houvesse, eu ainda estaria na prisão. Contudo, os Guardiães estão a agudizar os piores instintos da República Islâmica, a sua insegurança e profunda desconfiança. Numa altura em que as potências mundiais tentam levar Teerão a moderar a ameaça do seu programa nuclear, é crucial que compreendam esta mentalidade e o papel dos GRI no sistema iraniano. Aprendi muito sobre ambos enquanto estive nas mãos dos Guardiães.

O Sr. Rosewater ia ser o meu adversário durante 118 dias, 12 horas e 54 minutos. Nunca me disse o seu nome. Só por duas vezes lhe vi o rosto. A primeira foi quando conduziu a equipa que me deteve. “Esta prisão pode ser o fim da linha para si se não cooperar”, foram as suas palavras de boas-vindas. A segunda e última vez foi depois de eu ser libertado — e avisado por ele para nunca falar sobre o que me acontecera na prisão. Se desobedecesse, disse ele, seria perseguido. “Conseguimos enfiar uma pessoa num saco esteja ela onde estiver no planeta”, disse ele, ameaçador. “Ninguém nos consegue fugir.”

Não acreditei nele. Não acredito nele. Mas a dúvida persiste, que é o que ele desejava — e o que o regime que serve deseja para todos nós, afinal.

Avenida Vali Asr, 21 de Junho de 2009 (pouco antes das 8h)

Quatro deles vieram à minha procura. Disseram à minha mãe que tinham uma carta para mim, depois mostraram-lhe qualquer coisa semelhante a um mandato e seguiram-na para dentro de casa. Ela acordou-me com suavidade. “Querido, estão aqui quatro senhores… do gabinete do procurador? Não sei. Dizem que querem levar-te com eles.” O seu tom de voz era sereno. O meu pai fora preso repetidamente na década de 50 por conspiração contra o regime do Xá. Ela sabia o que dizer.

Os homens adoptaram um estranho código de etiqueta. Tiraram os sapatos quando entraram no apartamento e depois, quando fizeram buscas no meu quarto, recusaram a oferta de chá da minha mãe. Disseram-me mais tarde que não gostavam de abusar da amabilidade dos familiares daqueles que prendiam. Porém, a possibilidade de estarem a prender um inocente não os parecia perturbar. Nos começos da revolução, o aiatola Ruhollah Khomeini emitiu um decreto: “Manter vivo o sistema [islâmico] é a tarefa mais importante de um muçulmano.” Nas suas mentes, apenas executavam o seu dever religioso.

Três dos homens tinham um aspecto frio de contabilistas. O Sr. Rosewater era claramente o chefe. Vestia um fato castanho e uma camisa branca. Quando entrou no quarto, avaliou-me como se eu fosse uma presa. Podia ver-lhe um revólver por baixo do casaco, mas a forma como me fixava dava para entender que preferia usar o seu olhar como arma.

Havia cinco carros à espera lá fora, todos sem matrícula. Ninguém estava fardado nem exibia insígnias. Ao afastarmo-nos num carro, perguntei a um dos meus sequestradores se íamos a caminho da prisão de Evin. “Talvez sim, talvez não”, disse ele. Depois mandaram-me tirar os óculos e pôr uma venda nos olhos. Dei uma última olhadela à minha volta. Estávamos na auto-estrada do Curdistão, virados a norte. Íamos sem dúvida para Evin.

Construída em finais da década de 60, durante o reinado do Xá, como cadeia de alta segurança para prisioneiros políticos, a prisão de Evin tornou-se sinónimo de unhas arrancadas e ossos partidos. Os primeiros reclusos eram maioritariamente comunistas e islamitas. Depois da revolução de 1979, os islamitas puseram atrás das grades os seus captores, bem como os seus antigos companheiros de cela que fossem de esquerda. Utilizaram algumas das mesmas técnicas dos antecessores, mas com mais eficácia. Muitos dos que tinham resistido aos torturadores do Xá quebraram em poucos dias sob a nova gestão.

“Bem-vindo a Abu Ghraib, Guantánamo ou o que quer que seja que vocês, americanos, constroem”, disse-me um guarda.
“Não sou americano, meu irmão”, respondi com um sorriso.
“Se trabalha para eles, é um deles”, disse ele. “Mas não se preocupe. Isto aqui não é um mau lugar.”

Fui levado para a minha cela. Em tempos entrevistei um antigo guerrilheiro islâmico que se tornara ministro do Governo. O problema com a polícia secreta do Xá, disse ele, era que pensavam que podiam quebrar a vontade de um preso através da pressão física, mas muitas vezes isso só servia para reforçar a determinação da vítima. “O que os nossos irmãos depois da revolução conceberam foi o modo de sujeitar a alma de um homem sem usar muita violência física.” Ao entrar na minha cela, perguntava-me até que ponto era violenta a tal “sem muita violência”.

Tirei a venda dos olhos. O Corão diz que um dos piores castigos que Alá pode infligir aos pecadores é tornar mais pequenas as suas sepulturas. A minha cela de dois metros quadrados assemelhava-se a uma sepultura. As paredes eram uma imitação de mármore, de um branco sujo, e estavam limpas, mesmo imaculadas, excepto no que respeita a alguns aforismos provocadores e poesia persa numa letra pequena e ilegível. Três frases estavam escritas em letra maior: “Meu Deus, tem piedade de mim”, “Meu Deus, eu arrependo-me” e “Deus, ajuda-me por favor”…

Londres, Novembro de 2009

Paola, a minha mulher, está sentada no sofá a dar de mamar à nossa filha Marianna, nascida há duas semanas. Estamos a ouvir uma das canções que me não saíam da cabeça em Evin e que me ajudaram a encontrar alguma paz dentro de mim: ‘Hey, That’s No Way To Say Goodbye’, de Leonard Cohen: I loved you in the morning, Our kisses deep and warm, Your hair upon the pillow Like a sleepy golden storm. (Amei-te de manhã, Nossos beijos profundos e quentes, O teu cabelo sobre a almofada Como uma vagarosa tempestade dourada.)

Para mim, esses versos representavam Paola. É deste tipo de coisas de que é feita a sobrevivência. A música foi o meu verdadeiro refúgio. Obrigado, Sr. Cohen.

Prisão de Evin, 22 de Junho de 2009 (cerca das 4h da manhã)

Um guarda despertou-me e disse-me que depois das orações da manhã me ia encontrar de novo com o meu ‘especialista’, a palavra que os guardas prisionais tinham de utilizar para designar os interrogadores. Seria a minha terceira sessão no espaço de 24 horas.

Quando o Sr. Rosewater entrou na sala do interrogatório ouvi-o bocejar. Perguntou-me se eu queria metade do pepino descascado e temperado que estava a comer. Quando recusei, sentiu-se insultado. “O que é? Pensa que os interrogadores não lavam as mãos?” Comi o pepino. Ele queria que eu lhe falasse de um jantar onde estivera com mais oito jornalistas e fotógrafos em casa de um amigo em Teerão, em Abril, diversas semanas antes das eleições. “Você faz parte de uma rede muito americana, Sr. Bahari”, disse. “Deixe-me corrigir: você tem a seu cargo uma rede secreta americana, um grupo que inclui aqueles que foram a esse jantar.” “Foi só um jantar”, murmurei. “Sim. Um jantar muito americano. Podia ter acontecido em New Jersey ou noutro local semelhante.” Fez uma pausa. “A sua própria New Jersey em Teerão.”

“Você estava a planear erradicar a religião pura de Maomé neste país e substituí-la pelo Islão ‘americano’. Um Islão de New Jersey… Diga-me, algumas das mulheres no jantar estavam de véu?” “Não.” “Então não me venha dizer que não tinha uma rede secreta americana. Uma rede de New Jersey.”

Nasci em Teerão e vivi lá os primeiros 19 anos de vida, até ir estudar para o Canadá e a Grã-Bretanha e aí começar a minha carreira de jornalista e realizador de documentários. Regressei em 1998 e fiz filmes e reportagens para a “Newsweek”. Mas até ser preso nunca reconhecera plenamente a suspeita corrosiva que está a perverter a República Islâmica desde o seu interior. Os Guardiães vêem verdadeiros inimigos a toda a volta — reformistas no interior do país, centenas de milhares de soldados americanos lá fora. Ainda pior são os supostos agentes-sombra da Grã-Bretanha, Estados Unidos e Israel — aos quais impõem a sua lógica temível e a sua história reinventada. Só os muçulmanos, só eles são vítimas.

O que se passa é que eu devo ser o único realizador iraniano ou mesmo muçulmano que fez um filme sobre o Holocausto (“The Voyage of the Saint Louis”, em 1994). O Sr. Rosewater sentia-se ofendido por isso e esforçou-se arduamente por me ligar àquilo que ele chamava ‘elementos’ judeus e sionistas. No seu léxico, eram raras as pessoas judias. Só havia ‘elementos’.

Prisão de Evin, 26 de Junho de 2009 (depois das orações da tarde)

O Sr. Rosewater não estava só. Podia ouvir que havia mais alguém na sala, outro interrogador. Este queixava-se das minhas respostas escritas a perguntas sobre diversos indivíduos. Quando se aproximou de mim, vi que calçava uns sapatos pretos reluzentes. As calças eram bem engomadas e vincadas. “Sr. Bahari, as suas respostas são muito gerais. Temos esperança que nos possa dar respostas mais detalhadas”, disse ele.

“Eu só escrevo aquilo que sei, senhor. E, se lhe der mais pormenores, isso significa que estou a mentir.”

“Bem”, disse o Sr. Rosewater, que até aí se tinha mantido em silêncio, “nós temos gravações em vídeo de si muito interessantes. Isso pode convencê-lo a ser mais colaborante.” Não conseguia imaginar o que poderia ser. Algo pessoal? Algo que pudesse comprometer os meus amigos? Mas… recordei a mim próprio que não fizera nada de mal.

Poucas semanas antes, centenas de repórteres estrangeiros tinham sido autorizados a entrar no país no período que antecedera as eleições. Entre eles estava Jason Jones, um ‘correspondente’ do “Daily Show”, o noticiário satírico de Jon Stewart. Jason entrevistou-me num café de Teerão, fingindo ser um americano imbecil. Vestia-se como uma personagem de um filme barato sobre mercenários no Médio Oriente — com um lenço palestiniano aos quadrados em volta do pescoço e óculos de lentes muito escuras.

A ‘entrevista’ foi muito curta. Jason perguntou-me porque é que o Irão era ruim. Respondi-lhe que o Irão não era ruim. Acrescentei que, na verdade, o Irão e a América partilhavam muitos inimigos e tinham em comum muitos interesses. Mas os interrogadores não estavam interessados no que eu estava a dizer. Estavam fixados em Jason.

“Porque é que este americano está vestido como um espião, Sr. Bahari?”, perguntou o segundo homem.
“Ele está a fingir que é um espião. Faz parte de um espectáculo de comédia”, respondi.
“Diga a verdade!”, gritou o Sr. Rosewater. “O que é que tem de engraçado sentar-se à mesa de um café usando um kaffiyeh e óculos de sol?”
“É só uma piada. Espero que não estejam a insinuar que ele é um espião verdadeiro.”
“Pode dizer-nos porque é que um jornalista americano a fingir que é um espião o escolheu para ser entrevistado?”, perguntou o homem das calças vincadas. “Sabemos pelos nossos contactos e fontes que lhes disse quem deviam entrevistar para o programa.”

Os outros iranianos entrevistados por Jason — um ex-vice-presidente e um ex-ministro dos Negócios Estrangeiros — haviam sido detidos uma semana antes de mim como parte das radicais medidas de força dos GRI.

“Trata-se apenas de comédia”, disse eu, sentindo-me fraco.
“Também acha que é engraçado ter dito que o Irão e a América têm muito em comum?”, perguntou o Sr. Rosewater, declarando que estava a perder a paciência comigo. Agarrou a minha orelha esquerda entre os polegares e começou a torcê-la como se estivesse a espremer um limão. Depois segredou-me: “Este tipo de comportamento não o vai ajudar. Muitas pessoas apodreceram nesta prisão. Você pode ser uma delas.”

Prisão de Evin, 29 de Junho de 2009 (depois da meia-noite)

Estava a dormir profundamente quando um guarda abriu a porta da minha cela: “Levante-se! Hora do especialista!”

O Sr. Rosewater não me disse olá como de costume. Arrancou-me das mãos do guarda. “O divertimento acabou”, gritou. Empurrou-me com tanta força que quase caí no chão. Depois agarrou-me por um braço e começou a arrastar-me. Sentia-lhe a respiração pesada enquanto ele repetia: “Acabou a bondade islâmica, meu espiãozinho, vamos mostrar-te o que podemos fazer contigo!… Vais ver do que somos capazes.”

Empurrou-me para dentro de uma sala. Parecia haver muita gente lá, sussurrando uns para os outros. O cheiro a suor e a água de rosas era forte. De repente, a sala irrompeu numa cacofonia de saudações. Todos queriam cumprimentar alguém a quem chamavam Haj Agha. O epíteto significa literalmente alguém que foi a Meca em peregrinação, mas entre as autoridades iranianas significa respeito pela hierarquia. Alguém me pegou na mão e a colocou na mão de Haj Agha.

“Salaam, Sr. Bahari”, disse ele. “Sabe porque está aqui?” A voz pareceu-me familiar, como a de um conhecido propagandista do regime que tem um programa na televisão iraniana. Ele não queria decididamente ser reconhecido e disse-me para manter os olhos bem cobertos. Perguntou a alguém: “O carro já chegou?” Depois falou de novo para mim: “Sr. Bahari, é suspeito de espionagem. Esteve em contacto com diversos espiões conhecidos.” Nomeou alguns dos meus amigos, na maioria artistas e intelectuais iranianos no exílio. Um carro vinha-me buscar para me levar para uma unidade de contra-espionagem, disse ele. Aí seria interrogado durante mais de 15 horas por dia e sujeito a “todas as tácticas” até falar. A investigação levaria “entre quatro a seis anos”. Podia ser condenado à morte. Perdi-me nos meus pensamentos sobre a minha mãe, sobre Paola, sobre o nosso filho ainda por nascer. Como é que os tinha colocado nesta situação? Eu era um mau filho, pensei, um mau marido, um mau pai.

“A não ser que”, disse Haj Agha, fazendo uma pequena pausa, “a não ser que esteja interessado numa negociação, Sr. Bahari.”

Pouco tempo depois da minha detenção, para além de me acusarem de trabalhar para diversas agências de espionagem, o Sr. Rosewater repetira que eu tinha “sido o cérebro da cobertura das eleições pelos agentes dos meios de comunicação ocidentais no Irão”. Isto recordava-me um medo que me era familiar. O ayatollah Khamenei gostava de avisar os iranianos sobre uma “NATO cultural” tão ameaçadora como a militar — uma rede de jornalistas, activistas, intelectuais e advogados que supostamente procuravam minar a República Islâmica a partir de dentro.

Qualquer pessoa que passasse pelas ruas de Teerão em Junho perceberia como foram espontâneos — e sem líderes — os protestos que se seguiram às eleições. Mas Khamenei e os Guardiães acreditavam claramente — ou pelo menos queriam que os iranianos acreditassem — que tinham sido orquestrados por estrangeiros. Chamaram à conspiração uma “revolução de veludo” ou um “derrube sem violência”. “Vocês são piores do que qualquer sabotador ou assassino”, tinha-me dito, furioso, o Sr. Rosewater naquele primeiro dia. “Esses criminosos destroem um objecto ou uma pessoa. Vocês destroem a mente e provocam as pessoas contra o Líder.”

Em persa existe uma palavra muito poética, jafaa, que se refere a todos os agravos que cometemos contra aqueles que nos amam. De acordo com o Sr. Rosewater, eu era culpado de jafaa contra Khamenei. Agora devia arrepender-me.

Na manhã seguinte fui levado ao gabinete de Haj Agha. Tinham sido montadas máquinas de filmar em tripés. O Sr. Rosewater estava sentado atrás de uma cortina e dava as perguntas aos repórteres de três meios de comunicação estatais. “Dê as suas respostas tão clara e articuladamente quanto puder… claro, nas suas próprias palavras”, ordenou-me Haj Agha. Eu devia explicar como é que a revolução de veludo era encenada — por estrangeiros e elites corruptas, utilizando os meios de informação ocidentais — e como só a sabedoria e generosidade do Líder Supremo haviam frustrado esta última tentativa.

Tentei manter as minhas respostas tão vagas quanto possível, esperando dar deste modo a impressão de um distanciamento irónico (uma fonte do antigo ministério dos Serviços de Informação dir-me-ia mais tarde que o meu solilóquio foi um “caso de estudo de como não dizer nada”).

Prisão de Evin, 4 de Julho de 2009 (algumas horas depois das orações do meio-dia)

Depois da ‘confissão’, segundo me prometera Haj Agha, seria libertado em breve. Mas na vez seguinte que vi o corpulento Rosewater, ele fechou a porta da sala do interrogatório e, pela primeira vez, começou a bater-me. As suas mãos sapudas atingiram-me com dureza na nuca e nos ombros. “Pensava que tínhamos um entendimento!”, protestei, tentando proteger o corpo.

Os espancamentos continuariam desde esse momento até fins de Setembro. O Sr. Rosewater não me batia enquanto me fazia perguntas. Batia-me antes ou depois. Disse-me que o fazia porque estava zangado. “O que fizeste, Mazi, faz-me ferver o sangue. Eu não quero levantar a minha mão contra ti, mas o que sugeres tu que eu faça a alguém que insultou o Líder?” Afirmava que o seu próprio pai fora prisioneiro político antes da revolução de 1979 e que os torturadores do Xá lhe tinham arrancado as unhas dos pés tão brutalmente que ainda hoje não podia caminhar bem. Devia sentir-me um sortudo, insinuava ele.

Não me sentia. O que eu mais odiava era quando ele me chamava Mazi. Só os amigos mais chegados e a família me chamam Mazi. O diminutivo é familiar, afectivo. Na sua voz, soava obsceno.

Londres, Novembro de 2009

As equimoses tinham quase desaparecido quando cheguei a Londres, mas Paola ficou chocada com a minha magreza. Uma das primeiras coisas que o Sr. Rosewater me prometera fora que enviaria o meu esqueleto para casa. E tinha razão. Perdi mais de 11 quilos na prisão. Compreendi rapidamente que para aguentar os interrogatórios precisava de estar em forma, tanto física como mentalmente. Fazia talvez cinco horas por dia de exercícios na minha cela minúscula. Fazia 500 abdominais e 60 flexões. Fazia ioga.

Durante algum tempo foi-me permitido passear no pátio da prisão durante 30 minutos de manhã e 30 minutos à tarde. Eles punham seis ou sete reclusos ao lado uns dos outros e nós andávamos para trás e para a frente com os olhos vendados. Os guardas chamavam-lhe o hava khori — literalmente, ‘apanhar ar fresco’. Era a única vez que conseguia ver o céu, podia levantar a cabeça e espreitar por baixo da venda. No princípio, não sabia como caminhar de olhos vendados. Mas rapidamente memorizei o número de passos entre as paredes do pátio. E comecei mesmo a fazer corrida. O meu verdadeiro refúgio, contudo, era a música. Tribunal Revolucionário, 1 de Agosto de 2009 (antes do meio-dia) Ia de olhos vendados enquanto seguíamos de carro. “Mazi, hoje podes prestar um grande serviço a ti e ao país”, tinha-me dito o Sr. Rosewater num dos interrogatórios antes de amanhecer. “Queres ficar livre, não queres?” “Sim”, disse eu em voz baixa. “Portanto, tudo o que tens a fazer é repetir o que Haj Agha te ensinou sobre ‘revoluções de veludo’ numa conferência de imprensa.” Depois deu-me diversas palmadas nas pernas até elas me começarem a doer. “Mas desta vez precisamos de nomes. Precisamos de saber quem são os agentes da ‘revolução de veludo’. Precisamos de nomes, Mazi. Sem nomes, significa forca. Compreendido?”

Quando esperava no tribunal, nessa manhã, não fazia a mínima ideia de que noutra sala mais de 100 prisioneiros maltratados — muitos deles destacadas figuras reformistas e ex-ministros do Governo — estavam sentados no banco dos réus enquanto um delegado do MP lhes lia um longo e estranho relato dos seus papéis na suposta “revolução de veludo”. Dois deles — o antigo vice-presidente Mohammad Ali Abtahi e o antigo vice-ministro do Interior Mohammad Atrianfar — foram mais tarde apresentados para ‘confessarem’ os seus papéis aos repórteres dos meios de comunicação estatais.

A minha vez chegou depois do almoço. Comemos frango grelhado e bebemos dough, uma bebida saborosa de iogurte, semelhante ao lassi. O Sr. Rosewater deu-me a sua bebida, dizendo que tinha de ter cuidado com a tensão arterial. “Nomes, Mazi, nomes”, recordava-me ele.

De novo não lhe forneci nenhum. Claro que conhecia políticos reformistas — como qualquer jornalista iraniano veterano. Muitos deles, na verdade, também tinham sido destacados revolucionários; com o tempo, haviam concluído que o que tinham ajudado a instaurar só poderia sobreviver se se modernizasse. Isto era heresia para a nova geração dos comandantes dos Guardiães. Estes conservadores emergiram depois da guerra Irão-Iraque, convencidos de que o Irão não tinha amigos no estrangeiro, apenas inimigos — e era dominado por um Governo corrupto e ímpio. Do seu ponto de vista, a velha guarda precisava de ser expurgada do sistema tão profundamente como tinham sido os amigos do Xá.

Era evidente que o Sr. Rosewater queria que eu implicasse estes reformistas, para os ligar aos meus patrões dos meios de comunicação no Ocidente. Ao meu lado, sentado num estrado, estava outro prisioneiro, Kian Tajbaksh, um académico iraniano-americano que trabalhava para o Open Society Institute, dirigido por George Soros, um verdadeiro papão para os Guardiães. O facto de o Governo nos ter autorizado aos dois a fazer o nosso trabalho apenas confirmava as suspeitas dos Guardiães relativamente ao establishment iraniano. “Aqueles que vos deram autorização são ainda mais culpados do que vocês”, disse-me um dia o Sr. Rosewater.

Quando terminámos, eu sabia o que me esperava de regresso a Evin. Na sala de interrogatórios, o Sr. Rosewater espancou-me sem dizer uma palavra. Nem era preciso explicar.

Prisão de Evin, Agosto de 2009

Dia após dia, horas após horas sem fim, os interrogatórios prosseguiam, cada vez mais
surrealistas nos seus contornos de conspiração infame. Inicialmente, o Sr. Rosewater pedira-me as passwords do meu e-mail e do Facebook, por isso possuía uma longa lista de contactos para me atormentar com perguntas sobre cada um deles.

Prisão de Evin, 17 de Setembro de 2009 (cerca das 9h)

“É muito estranho que ainda ninguém tenha dito nada sobre si”, disse-me um dia o Sr. Rosewater. “Não tem amigos nem parentes?” Pensei que ele estava a fazer bluff, mas não tinha a certeza. O pior pesadelo de um prisioneiro é pensar que foi esquecido. Então, numa manhã de Setembro, o guarda mais simpático da prisão, com quem eu trocava anedotas obscenas, abriu a porta da minha cela e disse-me: “Sr. Hillary Clinton, pode ir agora fazer o hava khori.”

Fiquei perplexo. “Porquê Hillary Clinton?”, perguntei-lhe. “Ela falou sobre si ontem à noite”, disse ele, referindo-se aos comentários que a secretária de Estado dos Estados Unidos fizera ao seu homólogo canadiano. Fiquei eufórico. Isto significava que havia pressão internacional para me libertarem.

Em Setembro comecei a ver sinais de que os Guardiães estavam sob pressão para me libertar. Primeiro permitiram-me telefonar à minha mãe, depois participar num jantar iftar durante o Ramadão. Também me deixaram telefonar a Paola — para a avisar que devia parar de dar entrevistas (felizmente, ela percebeu que a mensagem significava que devia era dar mais). O Sr. Rosewater começou a dizer que queria libertar-me antes de o meu bebé nascer, no fim de Outubro. Onze dias antes da minha libertação, tiraram-me da solitária e levaram-me para uma cela com quatro conhecidos reformistas, incluindo Atrianfar. Tínhamos televisão.

Um responsável iraniano desencantado disse-me recentemente que os Guardiães impediram a minha libertação durante semanas; o Sr. Rosewater estava entre os que mais reclamavam que eu fosse julgado rápida e severamente. Duvido que ele se tenha alguma vez preocupado com as múltiplas campanhas de pressão que a “Newsweek” e outros lançaram em meu apoio — os editoriais e petições, as iniciativas diplomáticas, os discretos esforços pessoais de líderes mundiais. Em Setembro, com o Irão à beira das conversações sobre o poder nuclear, puderam argumentar que eu me tinha tornado um motivo de preocupação. “Na prisão, você era mais um risco do que uma vantagem”, disse-me o desencantado responsável.

Londres, Novembro de 2009

Sinto-me nervoso mas satisfeito enquanto digito as palavras no meu portátil: “Não me contacte mais. Nunca fiz espionagem para ninguém. Não vou agora começar a fazer espionagem para vocês.”

Envio o e-mail para o endereço que o Sr. Rosewater me deu. Nos dias anteriores à minha libertação, ele tinha-me forçado a assinar um documento dizendo que eu teria de “cooperar com os irmãos dos Guardiães da Revolução” quando fosse para fora do país. Deu-me uma lista de nomes sobre os quais devia dar informações, que incluía a maioria dos meus amigos iranianos em Londres e noutras cidades ocidentais. Deu-me o endereço de e-mail para eu utilizar.

Na noite anterior a deixar o país, pediu para me encontrar com ele num hotel da baixa de Teerão. O seu olhar era tão ameaçador como no dia em que me prendeu. “Esperamos ter uma cooperação construtiva consigo no futuro”, disse um outro homem que estava com ele, num tom tranquilizante. Sorri e acenei com a cabeça educadamente. Do sr. Rosewater ouvi: “Lembre-se do saco, Sr. Bahari. Lembre-se do saco”, foram essas as suas últimas palavras.

Em vez disso, é de outra coisa que me estou a lembrar: da minha filha recém-nascida que tenho nos braços. O seu nome é Marianna Maryam Bahari.


48 respostas ao post “118 dias, 12 horas, 54 minutos”  

  1. 1 1  Antonio Cunha

    Esse paraíso na terra que é o Irão.

    Os comunalhas que venham em sua defesa.

    [Responder]

  2. 2 2  estouxim

    Daniel, não arranja melhor para os desnorteados?

    Newsweek correspondent Maziar Bahari, who was arrested on June 21, also appeared in court Saturday. At a news conference later in the day, he expressed regret for his actions.

    “On behalf of myself and my press colleagues, I apologize to Iran’s great nation and supreme leader of the Islamic Revolution for doing harm to the country,” he said. – http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/08/01/AR2009080100432_2.html

    Grande tortura e grande lutador pela liberdade…

    Repetindo, para ver se vc percebe:

    http://www.iranaffairs.com/iran_affairs/2009/12/iran-the-other-sanctions-on-the-other-dictator.html

    A campanha ainda é a mesma e é lamentável que vc a propague.

    Se em vez de recorrer a peças de propaganda tivesse o cuidado de investigar talvez convencesse algum desnorteado.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    estouxim, informe-se o senhor antes de dizer barbaridades. Há até uma entrevista sobre essas declarações que pode procurar (tenho mais que fazer) e perceber porque foram elas feitas. Gostava de o ver a si. É fácil falar quando se vive em liberdade e democracia e se pode dizer o que se pensa sem correr risco de vida nem viver com o receio de ficar sem família. Muito fácil mesmo. OU acredita que algum jornalista pede desculpas assim, de livre vontade. Suponho que consigo as confissões dos julgamentos de Moscovo passavam por sinceras e livres. Estouxim, quando alguma vez vier aqui falar da ditadura em que vivemos durante meio século eu recordo-lhe a sua posição. Lamentável é a sua simpatia por torturadores e assassinos.

  3. 3 3  Augusto

    Estou estupefacto, então para alem do Chavez esse grande paladino do xuxialismo, há tambem em Portugal , quem defende o regime iraniano…..

    Depois de Cuba da China, da Coreia do Norte, há cidadãos que se dizem de esquerda , a defender o regime do Irão?????

    Ser de esquerda é denunciar todas as formas de repressão venham elas de onde vierem….

    Ser de esquerda é defender a LIBERDADE, e repudiar todas as formas de censura.

    Se há quem não entenda isto , então certamente não é de esquerda, nem nunca lutou pela liberdade em Portugal.

    [Responder]

  4. 4 4  mister p

    Salman Rushdie, outro igualmente tenebroso agente da opressão ideológica ocidental (de cariz imperialista ou mesmo medieval) sobre a livre, justa e incorruptível sociedade muçulmana (óbvia vanguarda do desenvolvimento sócio-económico da humanidade), continua com a cabeça a prémio, assim como os autores de uns bonecos publicados em jornais europeus.
    Valha-nos que os nossos fundamentalistas são muito mais civilizados, já que num curtíssimo espaço de tempo (apenas alguns séculos depois) vieram oficialmente aceitar Galileu e revogar os castigos celestiais (os outros não foi ainda possível) decretados.

    [Responder]

  5. 5 5  Antonio Cunha

    4 Augusto

    Voce tem a certeza que e de esquerda ? É que existe por aí uns gajos de extrema esquerda que se julgam os donos do termo.

    [Responder]

  6. 6 6  Rafeiro Danado

    A mim não me espanta nada, é o costume, que muito boa gente de ‘esquerda’ confunda a luta dos povos com os objectivos de certas organizações – Hammas, Hezbolah e afins – que se dizem representantes dos seus legitimos anseios.

    A Liberdade não é um valor de esquerda ou de direita, é algo que faz parte da essência do ser humano, por isso reverencio todos os que, não a tendo, têm coragem de lutar por ela.

    Maziar Bahari, obrigado pelo seu exemplo, obrigado por existir.

    [Responder]

  7. 7 7  antonioNinguém

    o sr. augusto cunha é que é de esquerdadaqueles que defende aramndos varas,coelhos e ,vá lá,é compreensivo para os cardosos e cunha,isaltino e tc e o compadre dias loureiro,pois então!Não há pachorra.

    [Responder]

  8. 8 8  LAM

    Não fosse eu já ter vivido algumas situações e conhecer outras (é das poucas coisas que alguma idade pode trazer vantagem) e ficava deveras perplexo com tanta pedra partida ácerca da “violência revolucionária” implícita numa miniatura da Duomo, e um assobiar para o lado quando não um alinhamento cúmplice com a teocracia iraniana quando as coisas aquecem mesmo. Ontem como hoje.
    Admitindo até (não sei e creio que com as informações disponíveis relativas à oposição iraniana haverá casos diversos), que alguma dessa oposição esteja a ser apoiada por países ocidentais da europa ou mesmo dos EU, o papel de qualquer revolucionário é apoiar essa luta contra a ditadura. E se os EU apoiam tanto melhor. Venham aliados de onde vierem, porque para quem vive sob uma ditadura corrupto/religiosa como a iraniana será sempre melhor qualquer democracia burguesa do que a tortura e a morte.
    Claro que esta violência nas cidades iranianas não dá para vender artesanato.

    [Responder]

  9. 9 9  Vicente de Lisboa

    #8 antonioNinguém

    Essa resposta ali ao seu homónimo Cunha resulta de um conhecimento pessoal, ou é a faixa de mp3 que se mete a correr sempre que alguém corrige Os Donos Da Esquerda?

    [Responder]

  10. 10 10  Antonio Cunha

    Quem é o augusto cunha ?

    Incrivel, como em poucas linhas se escreve tanta bacorada.

    [Responder]

  11. 11 11  cafc

    Uma tentativa de exercício “género separar as águas”.

    Penso que há duas espécies de pessoas que defendem o regime iraniano (nazi, sanguinário e todos os adjectivos que queiram acrescentar):

    1- Os fundamentalistas “al-qaedísticos” que, aqui utilizam um espaço de liberdade que não existe no Irão. Esses, “sonham” pelo dia em que Portugal deixe de existir, para serem os “novos” Migueis de Vasconcellos, torturando e matando todos os infiéis. São a “5ª coluna” do Bin-Laden. Mas, pelo menos, poderão ser coerentes com os seus “ideais”;
    2- Os que, por “cegueira pseudo-ideológica” (os “tais órfãos”), apoiam qualquer “porcaria” que “cheire” aos “seus podres conceitos anti”. Estes não têm, porque nunca tiveram, um princípio mínimo, qual seja o do respeito pelos Direitos Humanos. A sua “cegueira” é de tal ordem que nem querem “ver” que, se o imperialismo dos referidos em 1- se concretizasse, teriam o mesmo destino que tiveram os seus “irmãos do Tuddeh”.

    Ambos armados em arautos, só contribuem para aumentar as “correntes de opinião islamofóbicas” (no 1º caso) e denegrir a imagem de uma “esquerda” de que se arvoram como representantes verdadeiros (no 2º caso).

    Aos que são Seres Humanos, quaisquer que sejam as suas posições (políticas, religiosas, etc), o meu enorme abraço de solidariedade.

    Liberdade sempre!!!

    [Responder]

  12. 12 12  estouxim

    3 Daniel Oliveira

    Há muitas entrevistas, e depois?

    Compare a postura da sua “vítima” com a de Aminatou. Não era de desculpas que se tratava?

    Talvez houvesse, nos 50 anos de que fala, quem pedisse desculpas. Não me lembro de nenhum caso. Alguns falaram, alguns denunciaram. A esmagadora maioria resistiu. Não venderam a sua dignidade por uma libertação.

    Que respeito, que credibilidade, merece quem se confessa culpado daquilo que não fez?

    Na transcrição que fez, ou na tradução do artigo, ficou de fora o que sobre o assunto diz o próprio:

    “London , November 2009
    The morning of my “confession,” I woke up humming “The Partisan,” a Leonard Cohen tune about World War II re-sistance fighters:

    When they poured across the border
    I was cautioned to surrender,
    This I could not do;
    I took my gun and vanished.

    The thought of resisting had crossed my mind, too. But why? I was a journalist, not a freedom fighter. Political prisoners in Iran were forced to make false confessions all the time. I’d always known they had been coerced, and had sympathized with the victims. Surely others would feel similarly about me. But even now, months later, the experience gnaws at me. My father spent four years in prison under the shah without asking for mercy. What would he think of his son apologizing to the Supreme Leader after eight days?”

    Porquê resistir se sou um jornalista?

    O que é isto senão a livre vontade?

    Mas mais do que as desculpas, interessa o que ele disse, que está aqui – http://www.presstv.com/detail.aspx?id=99516 – donde transcrevo isto:

    ““Western media are an inseparable part of the capitalist machine of Western liberal democracies. A Western journalist who comes to Iran… is mainly concerned with the interests of the West, which are defined in relation to each issue at every period of time,” he said.

    The Newsweek reporter said international press set the scenes for velvet revolutions in various countries, adding that the gentle overthrow of a government could not be achieved without their critical role.

    Bahari specifically highlighted the role of the BBC, CNN, Euronews, The New York Times and Newsweek.

    “On the brink of every velvet revolution Western media try to portray the ruling administration as the traditional, bigoted, inefficient and undemocratic side while introducing the Western-inclined trend as a modern, efficient, democratic, and reformist movement that has support among the people,” he said.”

    Quer comentar?

    E o que acha da isenção da “Imprensa Livre”, aqui exposta – http://www.presstv.com/detail.aspx?id=101449

    Transcrevo:

    “Britain’s Channel 4 aired a program that showed a member of Iran’s basseij volunteer unit firing his rifle from a rooftop. Maziar Bahari the journalist who had sent the footage to the news program was located and questioned. The whole footage showed that a group of so-called protestors had broken away from the main crowd and attacked the basseij base with Molotov Cocktails to set it on fire. The base had an armory inside. Had the attack not been stopped the building and half the neighborhood surrounding it would have gone up in a massive explosion.”

    Onde é que eu já vi isto? Lembra-se de Caracas, 2002?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Merecem todo o meu respeito, estouxim. Só fala na prisão quem é preso. Só é preso quem luta. só pode ter medo das consequências dos seus actos quem agiu. Não lhe reconheço é a si, que em democracia e em liberdade usa do anonimato para dizer o que pensa, qualquer autoridade para julgar quem arrisca a vida para ser livre. Quando muitas vezes me acusa de estar do lado de lá sinto orgulho. Estou do lado contrário ao seu: pela liberdade, sempre e sem excepção. De todos os povos. Sabe, sou solidário, internacionalista e de esquerda.

  13. 13 13  José Peralta

    Daniel Oliveira

    Dirijo-me a si, porque aos desnorteados “estouxins” (cujo confortável anonimato os revela tão cobardes, que em situações como as que Magiar Bahari viveu, se borrariam de medo e, previsívelmente, denunciariam amigos e conhecidos), a esses…

    Só os “estouxins” anónimos, desnorteados e fundamentalistas, se permitem ter simpatia, (e o descaramento de torná-la pública !), pelos carrascos de um Povo, seja o Iraniano ou qualquer outro !

    A História está cheia destes “exemplares defensores” da “Liberdade” e da Democracia”…

    Ontem, defensores dos que esmagaram com tanques de guerra, os Povos desarmados e pacíficos da Hungria, da Checoslováquia ou da Alemanha ex-”democrática” (por ex.). Hoje, afirmando que as gigantescas manifestações de um Povo que se revolta contra um regime iníquo, não passam de campanhas orquestradas a partir do exterior !

    “Efeitos especiais” para os “média”…como diria “um” outro !!!!

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  14. 14 14  Rui F

    António Cunha

    O Augusto da Cunha eu sei quem é!
    Como diz o meu sobrinho: há buésssssss deles!

    [Responder]

  15. 15 15  xatoo

    gosto da música do Cohen – e fascina-me a figura do judeu dissidente. Também apreciei o retiro no convento a fazer sopa patra os monjes.
    Mas como hino de combate genuino de partizans prefiro de longe o Bellaciao:
    http://www.youtube.com/watch?v=4Trn4l8_5Tc

    [Responder]

  16. 16 16  estouxim

    Não desconverse, Daniel. Chamei-lhe a atenção para a inanidade do exemplo que aqui colocou. Respondi à sua indignação com as palavras do próprio Maziar Bahari, as que faltam no texto que aqui colocou, mas que vc não pode desconhecer dado que é precisamente nelas que aparece a menção ao Partisan.

    Pedi-lhe um comentário ao depoimento que ele fez sobre o papel dos media com o qual, aliás, concordo inteiramente.

    Sobre isso não diz nada.

    Vamos aos Factos:

    Mais de um milhão de iranianos morreram na guerra com o Iraque. Os EUA e os seus aliados incentivaram, armaram e financiaram Sadam Hussein, participaram directamente na guerra destruindo instalações e navios iranianos. Abateram um avião de passageiros iraniano.

    Os EUA e os seus aliados mantêm bases militares no Golfo Pérsico, patrulham constantemente a fronteira marítima com o Irão.

    Os EUA e os seus aliados Invadiram e mantêm ocupados o Iraque e o Afganistão, qualquer deles com uma extensa fronteira terrestre com o Irão.

    Os EUA financiam abertamente grupos armados que efectuam atentados no Irão. Dedicam centenas de milhões de dólares a acções conducentes à “mudança de regime”.

    Os EUA ameaçam constantemente o Irão de bloqueio e de intervenção militar.

    Os EUA sabotam todas as iniciativas diplomáticas que visam a normalização de relações com o Irão.

    Os media globais, controlados pelos EUA e pelos seus aliados conduzem há mais de 60 anos campanhas permanentes de demonização do Irão, com a excepção do período do Xá.

    Quem são os imperialistas, quem são os agressores, quem é que quer negar ao povo Iraniano a liberdade de seguir o caminho que escolheu em 79 e a soberania sobre o seu território e recursos naturais?

    Quanto aos crimes do “ditador” Ahmadinejad, o principal é ter aumentado o salário mínimo em 40%, é a prossecução de políticas sociais que alcancem todo o país e não apenas os bairros ricos de Teerão, é o ter invertido a política de privatização da economia seguida pelos seus antecessores Rafsanjani e Khatami, os que com Moussavi são a “oposição”. Para não falar da sua origem…

    [Responder]

  17. 17 17  Não Interessa

    Bem, o que é certo é que isto:

    “Eu devia explicar como é que a revolução de veludo era encenada — por estrangeiros e elites corruptas, utilizando os meios de informação ocidentais — e como só a sabedoria e generosidade do Líder Supremo haviam frustrado esta última tentativa.

    Tentei manter as minhas respostas tão vagas quanto possível, esperando dar deste modo a impressão de um distanciamento irónico (uma fonte do antigo ministério dos Serviços de Informação dir-me-ia mais tarde que o meu solilóquio foi um “caso de estudo de como não dizer nada”).”

    “Bahari specifically highlighted the role of the BBC, CNN, Euronews, The New York Times and Newsweek.”

    não se compagina muito.

    Em todo o caso, parecer-me-ia excessivamente ligeiro assumir tudo isto como verdade.

    [Responder]

  18. 18 18  LGF Lizard

    #12 cafc

    Os meus parabéns. Uma excelente análise.
    E sim, é possível ser-se de esquerda e respeitar a democracia, a livre vontade do povo e os direitos humanos.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    LGF, não é apenas possível. É indispensável.

  19. 19 19  LGF Lizard

    Mais de um milhão de iranianos morreram na guerra com o Iraque.

    Se os iranianos tivessem utilizado outras tácticas, teriam perdido muito menos homens. É o que dá quando se tem fanáticos religiosos em cargos militares….

    Os EUA e os seus aliados incentivaram, armaram e financiaram Sadam Hussein

    Errado. Os maiores vendedores de armamento ao Iraque foram a URSS e a França. E o Saddam não precisou de “incentivo”. Bastou-lhe ver o caos resultante da revolução islâmica de 1979. Aliás, ele em 1975 já tinha tido essa ideia… mas aí as forças armadas iranianas rapidamente mostraram a Saddam quem é que mandava.
    E Portugal, tal como outros países, vendeu armas para ambos os lado…

    participaram directamente na guerra destruindo instalações e navios iranianos.

    Errado. Os americanos tiveram um breve conflito com os iranianos derivado à tentativa iraniana de minar o Golfo Pérsico e de tentar destruir petroleiros de outras nações. Resultou na operação “Praying Mantis” e uma grande tareia que os iranianos levaram…

    Abateram um avião de passageiros iraniano.

    Verdadeiro.

    Os EUA e os seus aliados mantêm bases militares no Golfo Pérsico, patrulham constantemente a fronteira marítima com o Irão.

    E depois?

    Os EUA e os seus aliados invadiram e mantêm ocupados o Iraque e o Afeganistão, qualquer deles com uma extensa fronteira terrestre com o Irão.

    Mais uma vez. E depois?

    Os EUA financiam abertamente grupos armados que efectuam atentados no Irão.

    Tal como o Irão financia abertamente grupos armados que efectuam atentados anti-americanos por todo o mundo…..

    Dedicam centenas de milhões de dólares a acções conducentes à “mudança de regime”.

    Tal como o iranianos dedicam e dedicaram milhões a tentar mudar os regimes dos países vizinhos….

    Os EUA ameaçam constantemente o Irão de bloqueio e de intervenção militar.

    Não são os iranianos que estão constantemente a a ameaçar “cortar a mão ao infiel”, “cortar a garganta ao infiel” e blá, blá, blá do mesmo tom?

    Os EUA sabotam todas as iniciativas diplomáticas que visam a normalização de relações com o Irão.

    Completa idiotice, a menos que se acredite religiosamente no que a Press TV (TV oficial do Irão) diz…..

    Os media globais, controlados pelos EUA e pelos seus aliados conduzem há mais de 60 anos campanhas permanentes de demonização do Irão, com a excepção do período do Xá.

    Mas não eram os judeus que controlavam os media? E dado que o Xá caiu em 1979, tal campanha seria há 30 anos, nunca 60… Mossadegh não teve tempo para aquecer o lugar para receber uma “campanha permanente de demonização”.

    Quem são os imperialistas, quem são os agressores, quem é que quer negar ao povo Iraniano a liberdade de seguir o caminho que escolheu em 79 e a soberania sobre o seu território e recursos naturais?

    O povo iraniano nunca teve hipótese de seguir o seu caminho. Muito menos em 1979, dado que os fundamentalistas islâmicos que V. Exa. apoia tão veementemente, impediram que os iranianos pudessem viver em liberdade. O caminho que seguiram desde 1979 foi-lhes imposto, não escolhido.

    Quanto aos crimes do “ditador” Ahmadinejad, o principal é ter aumentado o salário mínimo em 40%, é a prossecução de políticas sociais que alcancem todo o país e não apenas os bairros ricos de Teerão, é o ter invertido a política de privatização da economia seguida pelos seus antecessores Rafsanjani e Khatami, os que com Moussavi são a “oposição”. Para não falar da sua origem…

    Mas quais “políticas sociais”? É entregar o controle de amplos sectores aos Guardas da Revolução (em vez de privatizações)? Aumentar o preço das habitações? Importar petróleo? Ameaçar destruir outros países, falsificar eleições, reprimir opositores…
    Lá por aumentar em 40% o ordenado mínimo, isso dá-lhe carta branca para fazer o que quiser? Olhe que o Sócrates ainda se aproveita da ideia….

    [Responder]

  20. 20 20  cafc

    estouxim

    Desculpe fazer-lhe uma pergunta estúpida:

    O Holocausto existiu, ou não?

    Dispenso-me de justificar esta “estupidez”, porque Ahmadinejad já teve, repetidas vezes, a “sua versão inteligente” (e definidora) sobre esta matéria.

    [Responder]

  21. 21 21  Manuel Monteiro

    É de uma estupidez a toda a prova estar aqui a misturar comunistas com ditadores fundamentalistas religiosos. Até porque as prisões iranianas estão cheias de comunistas que lutam heroicamente contra a ditadura capitalista-teócrática do Irão.
    Se essa ditadura passar a dar-se bem com o imperialismo americano os comunistas e outros resistentes continuarão na prisão, perante o silêncio cúmplice dos dirigentes imperialistas dos Estados Unidos. Como se passa em Israel, na Arábia Saudita, no Iemen, etc.
    Contra a ditadura teocrática-Revolução Popular!
    Manuel Monteiro

    [Responder]

  22. 22 22  estouxim

    23 cafc

    Norman Finkelstein – “The Holocaust Industry”

    Roger Garaudy – “Les Mythes fondateurs de la politique israélienne”

    São príncipios de resposta à sua pergunta.

    Quer especificar qual a “versão inteligente” do Ahmadinejad sobre o assunto?

    [Responder]

  23. 23 23  Almansor

    Que generosa esta esquerda pró CIA, apoiante da ditadura racista e apartheidesca sionista (só votam os que têm a boa religião, que são o “povo eleito”) e que nada diz das ditaduras fantoches e colaboracionistas dos cruzados. Só no Egipto a oposição islamista teria facilmente 80% de as eleições fossem democáticas como as da Palestina, Turquia e Irão.

    Os sionistas mentem sistematicamente. TODAS as guerras no Médio Oriente desde 1948 são provocadas directa ou indirectamente pelos EUA e o seu mini-me israel.

    Também a guerra Irão-Iraque (1 milhão de mortos): Khomeni era na altura o inimigo nº 1 dos EUA e de israel. Saddam era um ditador ao serviço dos camones,como hoje Musaarraf, Mubarak, Abdullah, etc.

    Foram os EUA que incitaram Saddam a anexar o Kuzistão, a provincia iraniana mais rica em petróleo, aproveitando-se da fraqueza momentânea deste. Toda a espionagem, satélites e 5ª Esquadra estavam ao serviço do esforço de guerra iraquiano.

    Mas o fim não era apoiar um ou o outro regime islâmico, mas que os dois mais poderosos estados inimigos do sionismo se destruissem mutuamente. Assim se explica que depois de apoiarem o Iraque, quando este estava quase a vencer o Irão, este tenha passado a receber ajuda militar maciça dos EUA e Israel (sim, sim !!! lembram-se do escândalo Contragate?), e quando o Irão repeliu os invasores e penetrou no sul iraquiano, tenham tornado a apoiar o Iraque.

    O mesmo fizerem com a guerra entre chitas e sunitas no Iraque, entre Fatah e Hamas na Palestina,etc. Sempre dividir para reinar. O Irão aprendeu a lição e há 30 anos que se prepara para nunca mais ser surpreendido e esmagar definitivamente os agressores imprevidentes. Por isso é que as SS Tsahal ladram mas não mordem o Irão que prossegue impavidamente a corrida nuclear.

    A esquerda que aqui diz disparates é a esquerda folcórica e decadente da passa e da sodomia, a mesma que se alia com a CIA (é ela que se manifesta em Teerão através dos ganzados locais), a mesma que em 1945 acabou no poteau em França, a mesma que está sempre do lado errado da história.

    A Revolução islâmica esmagará os colaboracionistas internos da CIA (que nunca manifestam, claro, a sua solidariedade com a Palestina, os patrões não deixam…) e ganhará todas as eleições democráticas que se realizam no mundo islâmico. São os imperilistas cruzados que não goatam da democracia como mostraram nao Irão (depondo Mossadegh), na Argélia (onde oFIS ganhou em 1992 as eliçõespara ser deposto depois por um golpe apoiado pelos “democratas” ocidentais), na Palestina (não reconhecem a vitória limpa do Hamas).

    Quem é que defende a democracia afinal ?

    A resistência islamista, ou os terroristas cruzados ocidentais e os seus atrelados esquerdistas folclóricos da passa, quase sempre ex-estalinistas mal recauchutados, viciados na censura de comentários anti-sionistas ? Santa hipocrisia !

    [Responder]

  24. 24 24  cafc

    estouxim #25

    Se ainda não se apercebeu, quando faço alguma citação ou transcrição de qualquer texto, não só identifico quem o produziu, como está “enquadrado” no “debate em curso”.

    Desculpe mas, indicar duas obras de dois autores, comigo “não pega”. Poderia indicar-lhe muitas mais de sentido contrário. Porém, não vou “por aí” e, muito menos, pelo recurso sistemático a “textos e links” da Internet.

    A minha pergunta era clara e para si (não para os autores que citou):

    O Holocausto existiu, ou não?

    É possível que você responda, claramente, ou não tem a coragem de o escrever?

    Para quem sabe tanto sobre Ahmadinejad, espanta-me que “não saiba” que o seu “herói dos 40% do salário mínimo”, reduziu a 0% os crimes de Hitler e do nazismo. Em repetidas declarações públicas, fez “gala” de repetir a “versão inteligente” de que o Holocausto nunca existiu.

    Já percebeu e já pode “dizer”, de “motu proprio”, se esta é, também, a sua versão?

    [Responder]

  25. 25 25  LGF Lizard

    #26 Almansor

    Tanto blá-blá-blá e apenas demonstras o medo que o regime tem. E como ele está podre….
    Os teus amigos fundamentalistas iranianos que se ponham a pau. O povo iraniano não é como o português…

    [Responder]

  26. 26 26  estouxim

    22 LGF Lizard

    “Completa idiotice, a menos que se acredite religiosamente…”
    Em http://www.iranaffairs.com/iran_affairs/ encontra a desmontagem de todo o processo de negociação nuclear (e não só). Leia se quiser, e veja onde está a idiotice.

    “Não são os iranianos que estão constantemente…”
    Não, não são.

    Compare isto – http://en.wikipedia.org/wiki/Military_history_of_Iran
    com isto – http://en.wikipedia.org/wiki/American_wars
    e diga-me onde está a agressão Iraniana.

    “Mossadegh não teve tempo para aquecer o lugar…”
    http://www.iranaffairs.com/iran_affairs/2008/07/index.html
    Veja os recortes…

    “Tal como o iranianos dedicam e dedicaram milhões a tentar mudar os regimes dos países vizinhos…”
    “Tal como o Irão financia abertamente grupos armados que efectuam atentados anti-americanos por todo o mundo…”
    Quer fundamentar? Que milhões, que regimes, que vizinhos? Que grupos armados, que atentados?

    “Errado.”
    Estarei?
    http://en.wikipedia.org/wiki/Iran_iraq_war#Foreign_support_to_Iraq_and_Iran
    “During the war, Iraq was regarded by the West (and specifically the United States) as a counterbalance to post-revolutionary Iran”

    http://en.wikipedia.org/wiki/Iran_iraq_war#Financial_support
    “In all, Iraq received $35 billion in loans from the West and between $30 and $40 billion from the Persian Gulf states during the 1980s”

    http://en.wikipedia.org/wiki/United_States_support_for_Iraq_during_the_Iran%E2%80%93Iraq_war

    “The Americans often claimed they attacked the Iranian ships only after the Iranians first menaced neutral ships plying the Gulf. In some cases, however, the neutral ships which the Americans claimed to be defending didn’t even exist.”

    “O povo iraniano nunca teve hipótese de seguir o seu caminho.”
    Não? Parece-me que foi a primeira vez na História em que o puderam fazer democráticamente.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Constitution_of_Iran
    “The Constitution of the Islamic Republic of Iran[1][2] was adopted by referendum on October 24, 1979, and went into force on December 3 of that year, replacing the Constitution of 1906″

    “Mas quais “políticas sociais”?”

    http://en.wikipedia.org/wiki/Mahmoud_Ahmadinejad#Economic_policy
    “In Ahmadinejad’s first four years as president, Iran’s real GDP reflected growth of the economy. Inflation and unemployment have also decreased under Ahmadinejad due to better economic management and ending the unsustainable spending and borrowing patterns of previous administrations. Ahmadinejad has increased spending by 25 percent and has supported subsidies for food and gasoline. He also initially refused a gradual increase of petrol prices, saying that after making necessary preparations, such as a development of public transportation system, the government will free up petrol prices after five years. Interest rates were cut by presidential decree to below the inflation rate. One unintended effect of this stimulation of the economy has been the bidding up of some urban real estate prices by two or three times their pre-Ahmadinejad value by Iranians seeking to invest surplus cash and finding few other safe opportunities. The resulting increase in the cost of housing has hurt poorer, non-property owning Iranians, the putative beneficiaries of Ahmadinejad’s populist policies.”

    “In June 2006, 50 Iranian economists wrote a letter to Ahmadinejad that criticized his price interventions to stabilize prices of goods, cement, government services, and his decree issued by the High Labor Council and the Ministry of Labor that proposed an increase of workers’ salaries by 40 percent.”
    “Ahmadinejad has called for “middle-of-the-road” compromises with respect to Western-oriented capitalism and socialism.”

    “Importar petróleo?”
    Essa é boa…

    “Ameaçar destruir outros países,”
    Israel?

    http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_the_Islamic_Republic_of_Iran#Controversy_concerning_remarks_about_Israel

    “Iran’s stated policy on Israel is to urge a one-state solution through a countrywide referendum in which a government would be elected that all Palestinians and all Israelis would jointly vote for; which would normally be an end to the “Zionist state”. Iran’s supreme leader Ayatollah Khamenei, rejecting any attack on Israel, called for a referendum in Palestine. Ahmadinejad himself has also repeatedly called for such solution.”

    http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_the_Islamic_Republic_of_Iran#2009_election_controversy
    “According to a US poll conducted in early September 2009, 80 percent of the Iranians respondents said President Ahmadinejad was honest, 64 percent of respondents expressed a lot of confidence in him, and nine in ten said they were satisfied with Iran’s system of government”

    “falsificar eleições, reprimir opositores…”

    Demonstre-o

    [Responder]

  27. 27 27  estouxim

    27 cafc

    Defina-me Holocausto e eu respondo-lhe.

    Quanto às declarações de Ahmadinejad, refere-se às que ele fez ou às que dizem que ele fez?

    Vejamos as que ele fez:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Mahmoud_Ahmadinejad#Allegations_of_Holocaust_denial_and_anti-Semitism

    “Today, they have created a myth in the name of Holocaust and consider it to be above God, religion and the prophets.”
    ou
    “They have created a myth today that they call the massacre of Jews and they consider it a principle above God, religions and the prophets.”
    “We are of the opinion that, if a historical occurrence conforms to the truth, this truth will be revealed all the more clearly if there is more research into it and more discussion about it”
    “…there are two opinions on this in Europe. One group of scholars or persons, most of them politically motivated, say the Holocaust occurred. Then there is the group of scholars who represent the opposite position and have therefore been imprisoned for the most part.”
    “They have no boundaries, limits, or taboos when it comes to killing human beings. Who are they? Where did they come from? Are they human beings? ‘They are like cattle, nay, more misguided.”
    “I’m not saying that it didn’t happen at all. This is not judgment that I’m passing here”
    “the pretext for establishing the Zionist regime is a lie, a lie which relies on an unreliable claim, a mythical claim, (as) the occupation of Palestine has nothing to do with the Holocaust”
    “If the Europeans are telling the truth in their claim that they have killed six million Jews in the Holocaust during the World War II – which seems they are right in their claim because they insist on it and arrest and imprison those who oppose it, why the Palestinian nation should pay for the crime. Why have they come to the very heart of the Islamic world and are committing crimes against the dear Palestine using their bombs, rockets, missiles and sanctions.”
    “We love everyone in the world – Jews, Christians, Muslims, non-Muslims, non-Jews, non-Christians… We are against occupation, aggression, killings and displacing people – otherwise we have no problem with ordinary people.”
    “How can you possibly be religious and occupy the land of other people?”

    Qual delas é que o choca?

    [Responder]

  28. 28 28  cafc

    estouxim #30

    Parece que leu o meu comentário #27 em diagonal. Ora leia bem o que escrevi nos dois primeiros parágrafos.

    1- Também quer que eu lhe defina Auschwitz, por exemplo?
    2- Também quer que eu lhe defina câmaras de gás, fornos crematórios, valas comuns, etc.?
    3- Também quer que eu lhe defina SS e Gestapo?

    Diga você, sem fugas, qual é o seu entendimento do Holocausto. É quanto basta.

    Quanto ao Ahmadinejad:

    1- O “truque” de “as declarações foram deturpadas”, já é mais velho do que ele próprio. Esta “maldita comunicação social a soldo dos infiéis” já tem mais barbas do que o Bin-Laden;
    2- Se alguma coisa, ainda, me “choca” é ele próprio e os seus “fiéis” seguidores;
    3- As respectivas declarações, apenas, me provocam vómitos.

    Se quiser responder em Português (e com as suas próprias “palavras”), faça o favor.

    [Responder]

  29. 29 29  LGF Lizard

    #30 estouxim

    O amor iraniano pelos não-muçulmanos inclui também os bahais? E os homossexuais?

    E ainda não respondeu se acredita ou não no Holocausto. Basta sim ou não. Até agora apenas esteva a desconversar.

    [Responder]

  30. 30 30  um momento... é pra mim

    Gajos como estes estouxins não existem, só no mundo virtual. Se eles levantassem cabelo de um décimo daquilo que dizem, notava-se por aí.
    Para o bem ou para o mal, de um lado ou de outro, notava-se.
    Mas não, são apenas gentinha sentada em frente ao computador, com uma série de links nos favoritos prontos a usar em caso de emergência.

    «É extraordinário como uma vida sexual empobrecida estimula o interesse pelas actividades culturais. Chega a levar à loucura, ou mesmo à Ópera, nos casos mais graves.»
    (MEC, Cemitério de Raparigas, pág. 177)

    [Responder]

  31. 31 31  estouxim

    31 cafc

    Voltando ao #27 – Não se espante. Não tem razão para isso.

    Vc insinua que Ahmadinejad “reduziu a 0% os crimes de Hitler e do nazismo” e que “Em repetidas declarações públicas … que o Holocausto nunca existiu.” É capaz de me indicar exactamente que declarações são essas, e onde foram produzidas?

    Transcrevi-lhe as que no artigo sobre ele, na rubrica “Alegações sobre negação do Holocausto e anti-semitismo, na Wikipedia, constam. Não há lá outras. Não afirmo que não existam. Se existem, e se é nelas que se baseia para afirmar o que afirma, faça o favor de as indicar.
    Até o fazer, as suas afirmações têm o valor de crenças. Eu não discuto crenças, discuto factos.

    A sua pergunta sobre o Holocausto refere-se, igualmente, a uma crença. Por isso lhe pedi que mo definisse. Para saber que factos lhe estão subjacentes. Sobre eles poderei responder-lhe, sobre crenças não.

    Se quiser discutir com objectividade, aqui me tem.
    Se pretende apenas, como parece ser a sua intenção, colocar-me o rótulo de anti-semita, nazi ou outro qualquer, comigo não pega.

    Finalmente, o #31. As suas antipatias não me dizem respeito. Que o Ahmadinejad, o João Baião ou os 3 pastorinhos e respectivos séquitos o ponham doente é problema seu. Posso quanto muito recomendar-lhe gengibre. Aqui – http://www.botanical-online.com/medicinalsgengibre.htm – dizem que minora os sintomas.

    [Responder]

  32. 32 32  Antonio Cunha

    31 cafc

    Mas você ainda dá trela a este gajo ?

    Amigo cafc o ser humano tem capacidades extraordinárias, e uma delas é a sua capacidade de raciocínio, outra é a capacidade de conseguir arranjar argumentos para rebater até a verdade mais insufismável.

    Estar a falar com esse sr é uma perda de tempo. Vá por mim.

    [Responder]

  33. 33 33  estouxim

    32 LGF Lizard

    Desconversar? Eu? Está enganado. Releia lá o seu #22, o meu #29, vá ao dicionário ver o significado da palavra “desconversar”, conte até 10, respire fundo, e depois diga quem está a desconversar.
    Isto, claro, se o conceito de honestidade intelectual significar alguma coisa para si.

    [Responder]

  34. 34 34  LGF Lizard

    #30 estouxim

    “They have created a myth today that they call the massacre of Jews and they consider it a principle above God, religions and the prophets.”

    Até você mostra que o idiota que governa o Irão acha que o Holocausto é um mito….

    PRICELESS

    E ainda não respondeu: acredita no Holocausto, que consistiu no genocídio de 6 milhões de judeus e de centenas de milhares de ciganos, deficientes mentais e outros “inimigos do regime” e “não-arianos”, em campos de extermínio, pelos Einsatzgruppen, pela fome e por ouros métodos, durante a Segunda Guerra Mundial?

    Sim ou não?

    [Responder]

  35. 35 35  LGF Lizard

    #22 estousxim

    “Em http://www.iranaffairs.com/iran_affairs/ encontra a desmontagem de todo o processo de negociação nuclear (e não só). Leia se quiser, e veja onde está a idiotice.”

    Pois. O mundo inteiro está errado e o Ahmadinejad, esse pobre coitado, está certo. Porra, é preciso ter lata.

    “Não, não são.”

    Então devo ser eu que não sei ler e que leio mal aquilo que vem em todos os media…

    “Quer fundamentar? Que milhões, que regimes, que vizinhos? Que grupos armados, que atentados?”

    Que tal a tentativa de revolução na Arábia Saudita em 1987? A desestabilização do Líbano através do financiamento do Hezbollah? Idem aspas aspas para os palestinianos, através do financiamento do Hamas? Do financiamento, planeamento e execução de atentados terroristas, como os da torres Khobar em 1996, que resultou na morte de 19 americanos?

    “Estarei?
    http://en.wikipedia.org/wiki/Iran_iraq_war#Foreign_support_to_Iraq_and_Iran
    “During the war, Iraq was regarded by the West (and specifically the United States) as a counterbalance to post-revolutionary Iran”

    Ora deixa cá ver: sabe-me dizer de quais os fabricantes das armas que o Iraque dispunha? Norte-americanas? Poucas ou nenhumas.

    “The Americans often claimed they attacked the Iranian ships only after the Iranians first menaced neutral ships plying the Gulf. In some cases, however, the neutral ships which the Americans claimed to be defending didn’t even exist.”

    Porra, esta é facílima…

    Attacks on shipping

    Lloyd’s of London, a British insurance market, estimated that the Tanker War damaged 546 commercial vessels and killed about 430 civilian mariners. The largest portion of the attacks were directed by Iran against Kuwaiti vessels, and on 1 November 1986, Kuwait formally petitioned foreign powers to protect its shipping. The Soviet Union agreed to charter tankers starting in 1987, and the United States offered to provide protection for tankers flying the U.S. flag on 7 March 1987 (Operation Earnest Will and Operation Prime Chance). Under international law, an attack on such ships would be treated as an attack on the United States, allowing the U.S. Navy to retaliate. This support would protect neutral ships headed to Iraqi ports, effectively guaranteeing Iraq’s revenue stream for the duration of the war.

    E o caso do Iran_Ajr, apanhado a minar o Golfo Pérsico?

    “O povo iraniano nunca teve hipótese de seguir o seu caminho.”
    Não? Parece-me que foi a primeira vez na História em que o puderam fazer democráticamente.”

    Democraticamente? Mas você perdeu o juízo? Desde quando que o Irão é uma democracia?

    “Mas quais “políticas sociais”?”
    http://en.wikipedia.org/wiki/Mahmoud_Ahmadinejad#Economic_policy
    “In Ahmadinejad’s first four years as president, Iran’s real GDP reflected growth of the economy. Inflation and unemployment have also decreased under Ahmadinejad due to better economic management and ending the unsustainable spending and borrowing patterns of previous administrations. Ahmadinejad has increased spending by 25 percent and has supported subsidies for food and gasoline. He also initially refused a gradual increase of petrol prices, saying that after making necessary preparations, such as a development of public transportation system, the government will free up petrol prices after five years. Interest rates were cut by presidential decree to below the inflation rate. One unintended effect of this stimulation of the economy has been the bidding up of some urban real estate prices by two or three times their pre-Ahmadinejad value by Iranians seeking to invest surplus cash and finding few other safe opportunities. The resulting increase in the cost of housing has hurt poorer, non-property owning Iranians, the putative beneficiaries of Ahmadinejad’s populist policies.”

    “In June 2006, 50 Iranian economists wrote a letter to Ahmadinejad that criticized his price interventions to stabilize prices of goods, cement, government services, and his decree issued by the High Labor Council and the Ministry of Labor that proposed an increase of workers’ salaries by 40 percent.”
    “Ahmadinejad has called for “middle-of-the-road” compromises with respect to Western-oriented capitalism and socialism.”

    E volto a perguntar: essas “politicas sociais” dão carta branca para se fazer o que quer? Olhe oque o Socrates adoraria tal coisa…

    “Importar petróleo?”
    “Essa é boa…”

    Bolas, deveria ler o artigo da Wikipedia no total…

    In May 2008, the Petroleum minister of Iran admitted that the government illegally invested 2 billion dollars to import petrol in 2007. At Iranian parliament, he also mentioned that he simply followed the president’s order.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Ahmadinejad#Economic_policy

    “Ameaçar destruir outros países,”
    Israel?

    http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_the_Islamic_Republic_of_Iran#Controversy_concerning_remarks_about_Israel

    “Iran’s stated policy on Israel is to urge a one-state solution through a countrywide referendum in which a government would be elected that all Palestinians and all Israelis would jointly vote for; which would normally be an end to the “Zionist state”. Iran’s supreme leader Ayatollah Khamenei, rejecting any attack on Israel, called for a referendum in Palestine. Ahmadinejad himself has also repeatedly called for such solution.”

    Blá, blá, blá. A realidade é outra

    In a speech on June 2nd 2008, the Iranian presidential website quotes Ahmadinejad as saying
    “the Zionist Regime of Israel faces a deadend and will under God’s grace be wiped off the map.” and “the Zionist Regime that is a usurper and illegitimate regime and a cancerous tumor should be wiped off the map.”

    Até o próprio site o desmente…

    “falsificar eleições, reprimir opositores…”

    Demonstre-o

    Ainda mais?

    [Responder]

  36. 36 36  estouxim

    38 LGF Lizard

    “Pois. O mundo inteiro está errado e o Ahmadinejad, esse pobre coitado, está certo. Porra, é preciso ter lata.”
    Não leu, pois não?
    Devemos ter concepções distintas de “mundo inteiro”. Será que queria dizer, como em jornalês, “comunidade internacional” a designação que os imperialistas se auto-atribuem? Para mim, a única entidade que pode legítimamente reclamar-se “do mundo inteiro” é a Assembleia Geral da ONU. Vá lá ver como o mundo vota e talvez fique com uma ideia diferente do que pensa “o mundo inteiro” e que fracturas o dividem.

    “Então devo ser eu que não sei ler e que leio mal aquilo que vem em todos os media…”
    Não precisa de oftalmologista, lê bem. O que lhe falta é espírito crítico e o desconhecimento duma máxima, mal atríbuida a um famoso propagandista, de aplicação prática quotidiana hoje em dia – Uma mentira mil vezes repetida torna-se na verdade.

    “Que tal a tentativa de revolução na Arábia Saudita em 1987? A desestabilização do Líbano através do financiamento do Hezbollah? Idem aspas aspas para os palestinianos, através do financiamento do Hamas? Do financiamento, planeamento e execução de atentados terroristas, como os da torres Khobar em 1996, que resultou na morte de 19 americanos?”
    Tentativa de revolução? Uma manifestação de peregrinos iranianos em Meca que se insurgem contra os EUA e Israel dias depois do abate, por um navio de guerra yankee, de um avião civil de passageiros iraniano é uma tentativa de revolução? Está a brincar?
    Desestabilização do Líbano? Sabe quando começou a guerra civil do Líbano e o que a originou? Sabe quando foi a 1ª invasão israelita? E o Irão é que desestabiliza o Líbano?
    Idem aspas para os palestinianos – http://en.wikipedia.org/wiki/Fatah-Hamas_conflict – “Hamas won the 2006 Palestinian elections. As a result, Israel, the United States, the European Union, several Western states, and the Arab states imposed sanctions suspending all foreign aid, upon which Palestinians depend.” “Over 2006 and 2007, the United States supplied guns, ammunition, and training to Palestinian Fatah activists to take on Hamas in the streets of Gaza and the West Bank in a U.S. effort that cost $59 million and covertly persuaded Arab allies to supply more funding. A large number of Fatah activists were trained and “graduated” from two West Bank camps while Jordan and Egypt trained two Fatah battalions, one of which was deployed to Gaza in May.”
    Torres Khobar? A desmontagem está aqui – http://original.antiwar.com/porter/2009/06/24/us-officials-leaked-false-story-blaming-iran-for-khobar-attack/
    e aqui – http://www.upi.com/Business_News/Security-Industry/2007/06/06/Perry-US-eyed-Iran-attack-after-bombing/UPI-70451181161509/

    “Ora deixa cá ver: sabe-me dizer de quais os fabricantes das armas que o Iraque dispunha? Norte-americanas? Poucas ou nenhumas.”
    Aqui – http://en.wikipedia.org/wiki/Iraqgate

    “Porra, esta é facílima…”
    Que bom.

    “Democraticamente? Mas você perdeu o juízo? Desde quando que o Irão é uma democracia?”
    Não meu caro, não perdi o juízo. Traduzindo – “A Constituição da Republica Islâmica do Irão foi adoptada por referendo em 24 de Outubro de 1979 e entrou em vigor a 3 de Dezembro do mesmo ano, substituindo a Constituição de 1906.” Sabe o que é um referendo?
    A constituição de 1906, a primeira que o Irão teve, foi decretada pelo soberano.
    E já agora, lembro-lhe que o povo português nunca teve direito a tal aberração. Nenhuma Constituição Portuguesa foi referendada. E a única que foi adoptada por uma assembleia eleita por sufrágio universal é a que actualmente vigora. Qual é a forma mais democrática?

    “E volto a perguntar: essas “politicas sociais” dão carta branca para se fazer o que quer? Olhe oque o Socrates adoraria tal coisa…”
    Não, mas explicam quem é e o que quer a oposição e qual a verdadeira natureza dos conflitos no Irão.
    Já agora, se tivesse o cuidado de se informar mínimamente por fontes que não sejam os cabeçalhos dos jornais compreenderia que os poderes presidenciais no Irão são limitados e consequentemente, mesmo que queira não pode.
    “Unlike many other countries, in Iran the president does not have full control over foreign policy, the armed forces, or the nuclear policy of the Iranian state, which are under the control of the Supreme Leader” – http://en.wikipedia.org/wiki/President_of_Iran

    “Bolas, deveria ler o artigo da Wikipedia no total…”
    Eu li, eu li. Sabe qual é a diferença entre “petroleum” e “petrol”? Pois é, as palavras nem sempre são o que parecem. Todos os países que não têm capacidade de refinação suficiente têm que importar gasolina, mesmo os que produzem petróleo.
    Repetindo – “Ahmadinejad has increased spending by 25 percent and has supported subsidies for food and gasoline. He also initially refused a gradual increase of petrol prices, saying that after making necessary preparations, such as a development of public transportation system, the government will free up petrol prices after five years.”

    “Blá, blá, blá. A realidade é outra
    In a speech on June 2nd 2008, the Iranian presidential website quotes Ahmadinejad as saying
    “the Zionist Regime of Israel faces a deadend and will under God’s grace be wiped off the map.” and “the Zionist Regime that is a usurper and illegitimate regime and a cancerous tumor should be wiped off the map.”
    Até o próprio site o desmente…”

    Onde é que está a outra realidade? Que futuro é que o regime sionista tem quando se acabaram os candidatos à Aliyah, quando os filhos dos colonos preferem emigrar, quando a natalidade dos palestinianos é o triplo da dos judeus, quando o mundo exige o fim do racismo e do Apartheid? Que futuro tem um regime em que a corrupção é rampante, que criou uma das sociedades mais desiguais do mundo, racista até entre os próprios judeus. Que futuro tem o regime sionista quando tiver que dar cidadania aos habitantes dos territórios ocupados? O regime sionista vai acabar como o regime branco da África do Sul acabou, como todos os regimes coloniais acabaram. A única questão é saber se o vai fazer pacíficamente ou se numa loucura hitleriana resolver pôr em prática o Grande Israel. Estas são as alternativas que lhe restam e qualquer delas significa o seu fim.

    Mas Vejamos a versão completa – http://www.president.ir/en/?ArtID=10114
    “O dear Imam (Khomeini)! You said the Zionist Regime that is a usurper and illegitimate regime and a cancerous tumor should be wiped off the map. I should say that your illuminating remark and cause is going to come true today. The Zionist Regime has lost its existence philosophy… the Zionist regime faces a complete deadend and under God’s grace your wish will soon be materialized and the corrupt element will be wiped off the map,” said President Ahmadinejad.” Consegue ver a diferença?

    “Ainda mais?”
    Demonstrou-o?

    [Responder]

  37. 37 37  cafc

    Meu caro António Cunha

    E não é que “vou mesmo por si”?

    Esse “gajo” já chegou, por palavras próprias, ao que eu queria saber. Para ele o Holocausto é uma questão de crença. Antes, só debitava (qual “His Master Voice”) o que o “patrão iraniano” teria dito.

    Portanto, vou deixá-lo (a ele) aos “cuidados” do amigo LGF Lizard (enquanto tiver “pachorra”).

    Meu amigo, votos renovados de um grande 2010.

    [Responder]

  38. 38 38  estouxim

    40 cafc

    O gengibre resolveu-lhe o problema?

    [Responder]

  39. 39 39  LGF Lizard

    #39 estouxim

    1. Já percebemos que só lê o “Avante!” e vê a Press TV….

    2. De só ler e ver esses ditos “meios de informação”, é natural que tenha uma visão deformada da realidade. O que não admira, dado que esses “meios de comunicação” são mais “veículos de propaganda”, na qual a verdade é coisa ausente….

    3. Que o Irão financia grupos terroristas, é coisa que toda a gente sabe e completamente inegável.

    4. Os caças MiG e Mirage, os tanques T-54, T-55 e T-72, as metralhadoras AK-47, mísseis anti-aéreos Roland, canhões anti-aéreos ZSU-23-4 e outros são de fabrico americano?

    5. Desde quando o Irão é uma democracia?

    6. Actualmente, quem manda no Irão são os Guardas da Revolução (organização que Ahmadinejad pertenceu) e não o “Líder Supremo”. São os Guardas da Revolução que sustentam no poder o corrupto governo iraniano.

    7. Não vejo os outros países produtores de petróleo a importar derivados de petróleo. Como é evidente, tal acontece no Irão… e de maneira ilegal, pois a população iraniana não deve gostar nada de saber que o seu país anda a importar derivados de petróleo…. é o que dá quando um determinado grupo (Guardas da Revolução) obtêm poder económico, político e militar…

    8. Tudo o que afirma sobre Israel é completamente falso. Aliás, o que parece é que está a descrever o Irão.
    “Que futuro é que o regime sionista tem quando se acabaram os candidatos à Aliyah, quando os filhos dos colonos preferem emigrar, quando a natalidade dos palestinianos é o triplo da dos judeus, quando o mundo exige o fim do racismo e do Apartheid?”
    Para começar os palestinianos só têm que ter o seu estado, ao lado de Israel. Por isso, a natalidade palestiniana não é uma ameaça a Israel. Segundo, a taxa de natalidade israelita é suficiente para assegurar a sobrevivência de Israel. Terceiro, não existe apartheid em Israel e nem o mundo exige o fim de uma coisa que não existe, salvo os tolinhos de extrema-esquerda que se recusam a ver a discriminação existente nos países árabes e no Irão. Gostaria de ser homossexual ou bahai no Irão?

    “Que futuro tem um regime em que a corrupção é rampante, que criou uma das sociedades mais desiguais do mundo, racista até entre os próprios judeus.”
    Você precisa de fazer um exame à vista. Anda a ver coisas que não existem…

    “Que futuro tem o regime sionista quando tiver que dar cidadania aos habitantes dos territórios ocupados?”
    Desde quando os israelitas terão de dar a cidadania? Os palestinianos precisam é de ter o seu estado.

    “O regime sionista vai acabar como o regime branco da África do Sul acabou, como todos os regimes coloniais acabaram.”
    Mais facilmente acaba o opressivo regime iraniano. Israel não acaba porque é uma democracia.

    E ainda não respondeu se acredita no Holocausto ou se segue a linha do seu “patrão” (roubando as palavras do comentador cafc). Era interessante…

    Sinceramente, já desconfiava que o anti-semitismo tinha chegado à extrema-esquerda. As suas palavras confirmam-no. É o que dá quando se juntam aos fundamentalistas islâmicos e aos nazis, só para chatear judeus.

    [Responder]

  40. 40 40  Carlos Martins

    Tanto alarido à volta do Irão porquê? O que faltam por aí são sistemas políticos implantados tão ou mais repressivos que o Iraniano! Esses não os incomoda?
    Não denunciam porque são dos “nossos”!
    Isto como dizia aquele presidente Americano acerca do Somoza. Sabemos que é um grande filho da p….. mas é o nosso.
    Qual a diferença entre Amadineijad e Mubarak? È que no Irão ainda existe oposição e no Egipto este “senhor” vence as eleições com 99%. O sistema politico Iraniano comparado à tirania dos Saud é o mesmo que comparar um hotel de 5 estrelas com uma prisão de alta segurança.
    Haja um mínimo de hombridade com aquilo que se diz.
    Tirem essa mascara. Porque ainda há quem não esteja disposto a aturar trauliteiros por encomenda.

    [Responder]

  41. 41 41  estouxim

    42 LGF Lizard

    “1. Já percebemos…”
    Não me diga! E o que é que v(o)s leva a perceber isso?
    Será que eu citei uma única vez o Avante ou a Presstv na discussão que mantenho consigo?

    “2. De só ler e ver…”
    Lógica impecável…

    “3. Que o Irão…”
    Que a Virgem Maria foi fecundada pelo Espírito Santo é coisa que toda a gente sabe e completamente inegável.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Cren%C3%A7a
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Pensamento_cr%C3%ADtico

    “4. Os caças…”
    E essa parafernália toda compra-se com quê? Feijões?
    http://en.wikipedia.org/wiki/Iraqgate

    “5. Desde quando o Irão é uma democracia?”
    Defina democracia.
    Tem aqui http://www.servat.unibe.ch/law/icl/ir00000_.html o texto integral da Constituição Iraniana. Que foi aprovada por referendo. Cujas alterações têm, constitucionalmente, que ser referendadas.

    “6. Actualmente, quem manda no Irão…”
    Foi o Arcanjo Gabriel que lhe segredou isso ao ouvido, ou tem factos que o comprovem?

    “7. Não vejo os outros países…”
    Não?
    http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=6945
    http://www.reuters.com/article/idUSL24915269
    E já agora, quantos outros países viram as suas refinarias destruídas pela guerra e foram submetidos a um regime de sanções económicas desde então?

    “8. Tudo o que afirma sobre Israel é completamente falso.”
    Se os sionistas quisessem que os palestinianos tivessem um estado estes já o teriam. É evidente para quem tem olhos que os sionistas nunca o permitirão.
    Há 3 tipos de palestinianos. Os que têm cidadania Israelita – http://en.wikipedia.org/wiki/Demographic_threat_(Israel)#Israel
    “The growth rate of the Arab population in Israel is 2.6%, while the growth rate of the Jewish population in Israel is 1.7%.”
    os que vivem nos territórios ocupados – http://en.wikipedia.org/wiki/Demographics_of_the_Palestinian_territories
    “Population growth rate – 2.225%”
    e os que há 60 anos vivem em campos de refugiados, expulsos das localidades onde viviam pelo seu grande farol da democracia – http://en.wikipedia.org/wiki/Palestinian_people#Refugees

    Direitinho do Avante e da Presstv – http://www.idi.org.il/sites/english/ResearchAndPrograms/InequalityinIsraeliSociety/Pages/InequalityinIsrael_lobby.aspx
    “Over the past few years, economic inequality in Israel has soared to unprecedented levels. Roughly 20% of all Israeli families live in poverty, including 54% of Israeli Arabs, approximately 50% of the Jewish Ultra-Orthodox population, 21.5% of Israeli senior citizens, and 36% of Israeli children. Rising levels of poverty and inequality, combined with the acute ethnic and religious divisions that characterize Israeli society, threaten to weaken social solidarity and could ultimately lead to increased crime rates, social strife and an economic crisis. In addition, the destitution of entire segments of the population raises the likelihood of anti-state, anti-political and anti-law-enforcement sentiments.”
    http://www.thejc.com/comment/comment/corruption-undermining-israel%E2%80%99s-democracy
    http://www.haaretz.co.il/hasen/spages/991476.html
    http://www.counterpunch.org/avnery09282006.html

    Ainda acha que preciso da multiópticas?

    Procurei fundamentar todas as afirmações que fiz. Não resultam de nenhuma crença, não sou missionário, não procuro converter ninguém. Tenho, felizmente, uma coisa de que vc comprovadamente carece – espírito crítico.

    Queira ter a honestidade de o reconhecer.

    [Responder]

  42. 42 42  LGF Lizard

    1. Não precisa de citar…. a lógica que apresenta mostra logo quais as suas “fontes”.

    2. Não há lógica que sobreviva à crença que uma luta contra uma ditadura é apenas uma “luta de classes”… como se a “luta de classes” fosse o motor do ser humano.

    3. O Hezbollah e o Hamas conseguem dinheiro como? Á conta do Pai Natal?

    4. Estou a ver os americanos a darem dinheiro aos iraquianos para estes irem comprar armas aos russos….

    5. Lá por haver eleições, tal não significa que se vica em democracia. Em Portugal, durante o Estado Novo, também havia eleições…
    Por exemplo, onde está a liberdade de expressão e de manifestação? A liberdade de associação política? Pois é…..

    6. Não foi nenhum arcanjo ou parecido. Leitura de outras fontes, que não o Avante ou a Press TV…

    7. Têm dinheiro para mísseis e armas nucleares e não têm dinheiro para refinarias? E a guerra Irão-Iraque terminou em 1988 (à coisa de 20 anos)….

    8. E precisa de pergunta: e os palestinianos querem um estado? Eu diria mais que eles querem é a destruição de Israel….
    E os refugiados palestinianos já teriam sido realojados, se os países árabes assim o quisessem. Mas os refugiados são uma arma..
    Se o conflito fosse na Europa, já tinha sido resolvido à muito tempo.

    9. O que diz de Israel pode-se dizer de Portugal. E não é por isso que se diz que Portugal é um estado racista e que irá desaparecer.

    10. Eu é que não preciso de ir à multiópticas. Não sou eu que transformo uma luta contra uma ditadura numa “luta de classes”…. coisa que o obriga a apoiar um regime ditatorial e tirânico só porque este supostamente está contra as “classes ricas”.
    E depois sou eu que não tenho “espírito critico”….

    Apetece-me dizer que o Irão é um paraíso. Primeiro, defende os mais pobres (até lhes dá 40% de aumento). Segundo tem muitos ricos, conforme se vê nas manifestações anti-regime….

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  43. 43 43  estouxim

    45 LGF Lizard

    Não queira atribuir aos outros o que o caracteriza.
    Não fundamentou uma única das afirmações que aqui fez. Todas elas se baseiam únicamente nas suas crenças.

    A sua desonestidade intelectual está patente ao longo de toda esta discussão. Cada vez que vê uma sua proposição demonstrada como falsa refugia-se na periferia e insinua outras, igualmente falsas. Assumir erros não lhe passa pela cabeça.

    Este ultimo comentário é ilustrador:

    Em vez de discutir factos e fontes pretendo desqualificar-me atribuindo-me uma ideologia.

    Em vez de demonstrar a sua afirmação sobre o financiamento iraniano ao Hamas e ao Hezbollah refugia-se na graçola fácil.

    Em vez de refutar o que afirmei e demonstrei sobre o financiamento dos EUA e seus aliados à agressão iraquiana refugia-se noutra crença.

    Afirmar “o Irão é uma ditadura” sem qualquer demonstração tem rigorosamente o mesmo valor que afirmar “creio em Deus pai todo poderoso, etc.” A diferença é que, se na segunda proposição está implícita a fé que a determina, na primeira falta a confissão da mesma. Se a segunda é uma afirmação honesta, a primeira é, além de falsa, desonesta. Desonesta, ignorante e preguiçosa porque se se tivesse dado ao trabalho de consultar o texto da Constituição Iraniana, para o qual apontei, não se atreveria a vir aqui insinuar ausências de liberdade e se se desse ao trabalho de procurar informação básica sobre o regime político iraniano verificaria que lá como cá existem partidos políticos.

    A sua má fé é evidente. Como tal, e a não ser que me demonstre o contrário, esta desconversa acaba aqui.

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  44. 44 44  um momento... é pra mim

    Estouxim, por favor não acabe aqui, ou acabaram-se-lhe os links? Acusar os outros de má fé é absolutamente hilariante. Não pare…

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  45. 45 45  Carlos Martins

    Tratasse tudo de gente que pretende dar uma ajuda a arrombar a porta de acesso ao control da bacia dos hidrocarbonetos do Caspio. Essa porta não é mais nem menos que o Irão.
    Qual democracia qual carapuça? Deixem-se de hipocrisias!
    isto é tudo gente que está alinhada com o capitalismo.

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