A “Marcha pelo Ensino Superior” decorrerá dia 17 de Novembro, pelas 15h, em Lisboa, entre a Cidade Universitária e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e é organizada por várias associações académicas do país, incluindo a de Coimbra e Lisboa.

“A degradação do Ensino Superior é hoje uma realidade incontornável. Devido a uma política de desinvestimento sucessivo por parte do Governo, as Faculdades sofrem uma crise de financiamento sendo que as propinas dos estudantes servem meramente para despesas de funcionamento, ao contrário do que a Lei prevê. Temos serviços a funcionar a meio gás, cantinas e bibliotecas encerradas para poupar recursos; um parque escolar degradado, não só ao nível do conforto e da higiene, mas constituindo já um perigo real para os estudantes que o utilizam; e um sistema de acção social que não abrange todos os que dele necessitam e que mantém o modelo de atribuição de bolsas por escalões, promovendo a iniquidade.

E é esta a realidade que os estudantes muitas vezes ignoram. A organização das Universidades imposta pelo RJIES resultou num efectivo afastamento dos estudantes da gestão das Faculdades que leva a um igual distanciamento dos seus problemas. Os estudantes estão a ser transformados em meros utentes, retirando-lhes o papel de elemento essencial no funcionamento das Universidades.

A crise de representatividade que assola o nosso país tem que ser combatida e para isso é necessário que todos tomem consciência, primeiro do modo de funcionamento das instituições em que estão inseridos e, segundo, dos problemas específicos que as afectam. Cabe aos estudantes do Ensino Superior especial responsabilidade, na medida em que sempre foi nas Universidades que se pensou o futuro. Não mais podemos continuar inertes e amorfos como até agora.

Optámos nos últimos anos por soluções de diálogo sem que houvesse a mínima abertura por parte do Ministério, está na hora de fazer mais. A manutenção de Mariano Gago como titular da pasta do Ensino Superior é uma afronta para todos nós que temos mantido as iniciativas políticas dentro das Universidades. O programa de Governo não acarreta qualquer esperança ao quase ignorar os principais problemas da Universidade Pública. Está na hora de fazermos mais e de mostrarmos que discordamos com esta forma unilateral de impor políticas educativas.

Apelamos, por isso, aos estudantes da UL que se juntem a nós numa acção de rua que visa alertar para os principais problemas do Ensino Superior, salientando aquilo que queremos que seja feito. Seguindo o lema “Não somos contra, somos por um Ensino Superior de Qualidade” pretendemos marcar a diferença para com o mero protesto e fazer uma Marcha pelo Ensino Superior que aponte soluções concretas para os problemas que detectamos. Terça-feira, dia 17 de Novembro marcharemos desde a Cidade Universitária até ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para entregarmos as nossas propostas a quem tem a obrigação de fazer melhor.”

Associação Académica da Universidade de Lisboa


14 respostas ao post “Pelo ensino superior”  

  1. 1 1  Antonio Cunha

    Falta apenas uma pequena palavra no titulo desse manifesto

    “QUALIDADE”

    [Responder]

  2. 2 2  isagt

    Mais um para o elenco da marmota, no entanto, no nosso filme, ela prevê que não vai acabar bem, porque ninguém quer aprender nada.

    [Responder]

  3. 3 3  Daniel Santos

    Tenho o sonho de um dia em vez de se fazerem marchas se comecem a fazer repousos. Isso de marchas cansa e depois de oito horas de trabalho em pé, pior ainda.

    [Responder]

  4. 4 4  Mouzinho

    O problema do ensino não é de mais dinheiro, mas de exigência.

    15 anos depois de ter passado pelo E. Superior (e na altura o panorama é mau) constata-se que ainda subsistem cursos de ciências ocultas, universidades que passam diplomas como quem passa uma receita de bacalhau (e já morreram algumas privadas depois de escândalos e falcatruas) e professores maus não formam alunos bons. Olhe-se para o governo e veja-se o resultado…

    Com algumas excepções (TÉCNICO, Católica, Fac Direito, alguns cursos da Nova nas áreas da economia e alguns cursos do ISCTE) a maioria dos cursos não vale grande coisa, o grau de exigência é muito fraco. Os governos de Cavaco com a pressa de fazer universidades em todo o lado e a qualquer custo são os grandes responsáveis por isto. As universidades aproveitaram, e engordaram por tachism, vaidade ou coisas menos claras. Quem perdeu? o ensino,

    A minha esposa que se licenciou no ISCTE nos idos 90, quando há tempos voltou reparou que os cursos se multiplicaram, em redundâncias, e afectando o prestígio dos licenciados e a sua preparação

    As boas notícas são que o ensino superior é dos poucos casos onde a oferta pública é melhor que a privada.

    A associação pode começar por exigir que quem ocupe uma vaga que a merece, e que mais do que matriculado possa ser estudante, a sério. O problema é que estes meninos regra geral estão lá para fazer o curso da políticazinha.

    [Responder]

  5. 5 5  Rui F

    O Ensino Superior Publico degrada-se assustadoramente e acima de tudo, os primeiros responsáveis são o governo e o partido que o suporta.
    Uma vez mais, o PS e o sua clientela tomou de assalto o ensino superior.
    Algum desse clientelismo é MAU! “Confrangedoramente” incompetente..
    Em muitas situações, foi o pior clientelismo que tomou o poder nas universidades e institutos politécnicos. O Facilitismo é assustador.
    INDEPENDENTE (mente) das situações, a escola púbica espelha de certa forma a cara de quem nos (Des)governa.

    Por exemplo, a Universidade de Évora (UE) está em falência técnica mas possui N imóveis espalhados pelos 4 cantos da cidade. Até compraram uma fábrica abandonada com uns belos hectares. Afinal temos uma escola ou uma imobiliária? Talvez a segunda…
    Uma reitoria – e seus seguidores – completamente subserviente ao poder nacional e regional.
    Provavelmente, a UE é a recordista de Licenciados no desemprego.
    Seguramente, das que tem mais cursos obsoletos, alguns há, onde existem tantos professores quanto alunos!
    Mordomias que vão desde o telemóvel ao cartão de crédito. Há salários obscenamente elevados para a produtividade apresentada. Qualidade cientifica de certos cursos, muito muito duvidosa.
    Ganham eles.
    Perde o Alentejo e consequentemente o país.

    [Responder]

  6. 6 6  siceramente

    O problema ainda não foi encontrado, e por isso as respostas serão sempre escassas.
    O problema corresponde a um afastamento entre estudantes, a ideia do cada um por si está mais forte do que nunca, ao contrário da ideia de estudantes, de núcleo, de associações, etc.
    Há um desinteresse enorme pela associação de estudantes, os que se interessam importam-se sobretudo consigo próprios. Estive em duas associações de estudantes ( secundário e universidade) e em ambas observei o mesmo.
    Sem a união dos estudantes, é claro que os problemas se agravam.
    Um exemplo gritante é a qualidade das cantinas em Lisboa, estão todas a perder qualidade de ano para ano, e até à data não tive noticia de nenhuma manifestação, apesar de ouvir todos os dias queixas dos alunos.

    [Responder]

  7. 7 7  Libertário

    #5 Rui F
    Para além do que disse esqueceu-se dos professores com horários fantasma que não põem os pés na UEvora à anos…

    [Responder]

  8. 8 8  Rui F

    Libertário

    não me esqueci…não sei (ou não sabemos nós) da missa a metade.

    [Responder]

  9. 9 9  João

    Não falar na manif no Porto e apenas referir Coimbra e Lisboa, deixando de lado só a maior e mais pretigiada universidade em Portugal só pode ser facciosismo e obscurantismo…

    Ai Daniel, a vidinha burguesa é tão boa, tão boa, ah, quem me dera. Assim falava de barriga cheia e falava tão bem sobre as liberdades…

    O mercantilismo galopante que atinge o nosso ensino superior, onde pela primeira vez desde o 25 de Abril se verifica um retrocesso na democratização do acesso ao mesmo, só quer dizer que o aquele mundo que tu tanto criticaste há uns dias atrás ainda tem muito a ensinar a ti e a burgueses como tu…

    A liberdade de expressão é muito bonita, mas quando não te deixam estudar, quando te obrigam a pagar forte e feito para estudares, quando reduzem ao minimo a quelidade no ensino, quando aumentam as dificuldades de acesso à saúde, quando criam condições para a emergência da pobreza e da fome, quando aumentam a precariedade com os olhos no lucro, quando o desemprego atinge os níveis que hoje temos, então percebemos que antes de andarmos feitos doidos a defender toda a porcaria desde que nos deixem falar à vontade, devemos lutar pelos direitos que nos são mais essenciais.

    Porque com fome, sem educação, saúde e emprego, podemos até falar mas só vamos dizer disparates e cada vez mais é-lhes fácil, atribuir-nos o epíteto de arruaceiros insanes até nos cortarem também a tua tão querida liberdade de expressão, que a tornaste como a mãe de todas as liberdades, quando não é, aliás. a liberdade de expressão deveria ser a última das liberdades a conquistar, porque antes dela devem vir outros direitos, esses sim, essenciais ao humano.

    Por isso, a luta pela justiça tem-se feito muito dela, não só só contra os exploradores, mas também contra os burgueses como tu, que, quais sonderkommandos, aproveitam-se dos mais desfavorecidos, dos explorados para viver à grande nesta selva, onde não lugar a fracos. Mas, lembra-te que, para o sistema funcionar, alguém tem ocupar o lugar do explorado, e tu e os teus serão os próximos…

    Porque independentemente do que queiras pensar e do que te limites a aceitar, neste momento só há duas classes. Os exploradores e os explorados. Porque que lado queres lutar?

    [Responder]

  10. 10 10  Bernardo Vidal

    9 João: O Porto não participou na marcha, embora estivesse solidário com a sua mensagem.

    [Responder]

  11. 11 11  João

    Bernardo,

    Então o que se aconteceu às camionetas carregadas de estudantes que saíram da cidade do Porto em direcção a Lisboa?

    Desapareceram no Entroncamento?

    [Responder]

  12. 12 12  Bernardo Vidal

    A Federação Académica do Porto não participou. Sei que houve uma RGA em Letras em que decidiram que iriam participar. Só falei com uma pessoa do Porto durante a Marcha e não me pareceu que estivesse integrado com qualquer associação, talvez com um partido político…

    [Responder]

  13. 13 13  Tiago

    Boas noites!
    Sei que venho um pouco atrasado, visto que a manif. foi já na terça feira!

    Sinceramente, creio que estão todos a cingir-se muito aos corpos docentes das universidades e às “politiquisses” que estes seguem!

    Antes de mais queria frizar um problema do ensino superior chamado “processo de bolonha”. A maior parte dos alunos deve concordar comigo, quando falamos em sistemas de avaliaçao e de faltas, ou então na descredibilizaçao feita na passagem das licenciaturas a 3 anos e da criaçao dos mestrados integrados! Sim porque por esta ordem de ideias qualquer dia paramos num “pós-doc integrado” ou algo assim!

    Depois, mais acção social, menos propinas. Embora, se saiba que ha muita gente “a pastar” (porque anda a passear a pastinha preta) pelas universidades, temos que concordar que tambem ha gente que está para trabalhar, e aí o problema está do sitio donde os meninos que entram nas faculdades vêem (o ensino secundário).

    Por fim, é triste saber que ainda há muito poucos jovens interessados nestas tipo de problemas (que tambem os afecta directamente) e acho que é tambem dai que reside o problema. Enquanto não tivermos todos a percepçao que é preciso lutar por um sistema mais justo e mais organizado, talvez tao cedo as coisas nao devam mudar!

    [Responder]

  1. 1 Pelo ensino superior « Rua do Patrocínio

Leave a Reply