Por Daniel Oliveira
Caridade seria comentar algumas pérolas que por esta blogosfera se encontram.
47 comentários 20 Dez 09 em Sem categoriaCaridade seria comentar algumas pérolas que por esta blogosfera se encontram.
47 comentários 20 Dez 09 em Sem categoria
Cruz credo!
Tem gente que escreve estas coisas e num blogue bastante lido… Começo a perceber porque sou pouco lido.
[Responder]
Eu além do salário mínimo, gostaria de ver aplicado um salário máximo, que imponha um limite nas fortunas que recebem alguns FDP’s deste país.
[Responder]
Daniel,
Teria todo o gosto em receber de si um argumento. Sabe, é que ao contrário do que o Daniel possa imaginar, há muita literatura sobre o ordenado mínimo e nem todos vivem acorrentados ao pensamento obrigatório. Felizmente nas Universidades portuguesas já não se é tão complexado quanto isso.
De qualquer modo, eu entendo que a malta tenha de ser gira e escrever umas coisas giras.
[Responder]
Pedro Sales Reply:
Dezembro 20th, 2009 at 22:21
Tiago,
Curioso, porque o seu post também não avançava com um único argumento para lá da caridade não ser um atributo do patronato que não consegue pagar 475 euros aos seus empregados. Diga lá qualquer coisa que se veja e talvez receba uma resposta para lá das “coisas giras”. Até lá, continuamos neste registo que é para não descer o nível.
corrijo: de ser gira e de escrever umas coisas giras
[Responder]
Explique-me por que razão está a citar um puto que ainda não tem idade para votar. Quer transformar um rato num dragão?
[Responder]
Deplorável!
[Responder]
Já agora o rabinho lavado com água de colónia era qualquer coisa de extraordinário.
A associação Van Zeller, o calhau dos calhaus dos patrões, também diz isso.
[Responder]
adenda: não é rato por não poder votar, mas porque manifestamente ainda não sabe. Ainda confunde valor com preço, ainda ignora as relações de forças na definição do último e acha que o patronato faz caridade (epá, é ao contrário: são os trabalhadores a fazer caridade ao alimentar pesos mortos com parte do valor que criam).
Aprender, aprender, aprender primeiro…e só depois cuspir postas de bacalhau.
[Responder]
O lado desprezivo do Tiago em relação a quem é explorado em Portugal vale mais que mil cretinos implicitados num mero título de post que o cite.
[Responder]
A TMR deram-lhe a ler umas coisas sobre liberalismo económico e depois já pensam no Nobel! A juventude do centro anda perdida.
[Responder]
Infelizmente há ai muito “dragão” a cuspir as labaredas da ganância neo-liberal.
O menino em questão, em vez de mandar bitaites podia ler o Adam Smith, visto que é o mínimo denominador comum para saber do que está a falar quando se acredita no mercado livre.
Já Smith dizia que o trabalhador deve ser remunerado com pelo menos o suficiente para garantir a sua sobrevivência e da sua família, visto que se o trabalhador e filhos morrerem não há pessoas para trabalhar (notem que ele não dizia isto por se humano e ético remunerar alguém de acordo com o trabalho).
Infelizmente temos uma classe de capitalistas que nem a sua cátedra mais básica conhecem e acham que o trabalhador é um número a contabilizar na produção de valor e não um ser humano com direitos, sentimentos e ambições. Não há humanidade nestes senhores, são piores que bestas famintas a cheirar sangue fresco.
[Responder]
O assunto não é tão simples como parece. Parece-me bem o salário minimo para evitar que existam salários muito baixos que não sirvam para o trabalhador suprir as necessidades básicas.
Porém, a subida dos ordenados minimos criará subida de preços e tudo fica na mesma.
É óbvio que não podemos ganhar todos bons salários, isso faria com que os preços subissem e esses mesmos salários perdessem valor real.
Para as coisas se manterem, é preciso salarios baixos (grande maioria) e altos (minoria). Este sistema funciona assim.
Parece bem que exista um minimo! Seria inadmissivel o patronato pagasse 100€… bem se o fizesse à generalidade dos cidadaos… tinha menos lucros…visto o pessoal ter pouco poder de compra… ja nem sei lol
mas axu k sim
[Responder]
E o BE apoia o Alegre? O Prodi cá do burgo… presidente de todos os portugueses!
E o Carvalho da Silva? Anda tudo a dormir? Se o BE e o PC não o apoiam, algo vai mal. Se duvidam da capacidade de Carvalho da Silva ir à segunda volta contra Cavaco ou Alegre e ganhar, simplesmente negam a luta política (e a hipótese de abrir um terceiro campo – os dos trabalhadores) e no fundo estão é interessados em que isto continue tudo na mesma. Ou então embarcam naquela cantiga do fantasma da direita e de quão má ela é ou pode ser… como se o PS fosse muito bom! Portanto eu acho muito bem que mais uma vez se preocupem com o “nicho eleitoral”, que apoiem o candidato do PS, ou que se suicidem politicamente. Felicidades!
[Responder]
Oliveira e Sales,
Qual vocês acham que deveria ser o salário mínimo em portugal? 500 euros? 700€? 1000€? 1500€?
Obrigado
[Responder]
Honestamente cansa-me a expressão “patronato”. Sendo trabalhador por conta de outrem só tenho um patrão: eu próprio.
Quanto ao salário minimo nacional, é verdade que existem outras soluções para se atingir o fim que se pretende, não vejo nenhum drama discutir-se abertamente essa soluções sem dogmas.
Quanto ao valor, bem já escrevi o que sinto sobre esse valor no blogue em que sou co-autor. Nem deveria ser tema de debate…
[Responder]
Há alguns dias que sou o visitante 100.000.
Qual é a pena para publicidade enganosa?
[Responder]
Eu acho que se devia aumentar muito mais o salário mínimo. 2000 euros parece-me um valor porreiro. Mesmo que o desemprego subisse para os 70 ou 80%, pelo menos aqueles que ficassem com trabalho, iriam ter um salário bonzito e faríamos corar de vergonha os Luxemburgueses.
475 euros continua a não para nada. Aumento por aumento, cagando para coisas comezinhas como a produtividade, que seja em grande.
[Responder]
Alguém me sabe dizer se não fosse estabelecido um ordenado mínimo. Qual seria o máximo ordenado que os patrões estavam dispostos a pagar?
O paradoxo é que com o desemprego a estes níveis os trabalhadores em muitas mas mesmo muitas empresas são forçados a fazer horas extras que podem chegar às 60 semanais.
Quem se lixa sempre?
[Responder]
Já cheiram mal estes argumentos que os coitadinhos dos patrões não podem pagar, que a produtividade não sei quê, e bláblá…
Se um patrão não pode pagar um mínimo de 475 euros aos seus empregados o melhor é fechar a loja; se a produtividade é baixa, das duas uma, ou o trabalhador não produz o suficiente ou o patrão não investe o suficiente. O resto é treta para aumentar lucros à custa dos mesmos de sempre.
Vão-se catar!
[Responder]
Tiago, tenho-me mantido informado sobre o que se passou a ler e o que passou a estar interdito em muitos cursos de economia. Houve a excitação marxista, agora vive-se a outra. E isso explica como pode o senhor chamar de caridade a um salário de 450 euros e porque estão as nossas economias no maravilhoso estado em que estão por terem seguido os doutos ensinamentos da ideologia académica dominante. Mas o meu post nem era sobre isso. Era sobre outra coisa. Antes de chamar caridade a um salário com o qual dificilmente se pode comer pense que há quem o esteja a ler. E sobre essa matéria, a minha posição é simples (pode ler outros posts sobre o tema no arquivo do Arrastão num debate com João Miranda): um país civilizado não aceita que haja gente que trabalha e mesmo assim vive abaixo do limiar da pobreza.
[Responder]
Com a entrada de Moreira Ramalho é o Portugal dos Pequeninos que passa a ser mais considerado do que aquilo que vale
[Responder]
Curioso que Moreira Ramalho venha falar do que se ensina nas universidades rejeitando o pensamento obrigatório.
Deve viver num qualquer universo paralelo. Estava convencido que as escolas de economia e a opinião publicada já só ligavam a Chicago, Friedman e outros filantropos sensíveis. Mas não, pelos vistos isto pulula de marxistas e keynesianos.
[Responder]
Daniel, gostava de lhe propor um desafio a médio/longo prazo: compare as situações actuais Grega e Portuguesa com a da Irlanda. Compare as medidas concretas que cada um toma e daqui por 2 ou 3 anos faça-se o ponto da situação para ver quem acertou.
A questão fundamental a que me refiro é a seguinte: a Irlanda optou por, entre outras coisas, “atacar” os direitos adquiridos e os salários de TODOS os funcionários públicos foram diminuídos em cerca de 10%. Longe de mim (e dos Irlandeses, obviamente) pensar que essa “é” a medida mas quer dizer muito sobre a maneira como os povos se governam. É uma medida apenas mas muito simbólica e reveladora.
Era um tópico que gostaria que tivesse tido da vossa parte algum destaque, de modo a que esta discussão se fizesse. São estes os assuntos essenciais da nossa vida e do nosso futuro: as opções que fazemos e as suas consequências.
Mas como disse, podemos agora diabolizar e achincalhar essas soluções,como os adeptos fazem antes dos jogos mas depois do campeonato acabar, a quem perde só resta a desculpa do árbitro. Esperemos pois uns anos…
[Responder]
Não é normal concordar consigo. EM relação à greve e aos salarios minimo…. Estou 100% de acordo. Esta discução, desclupem não é de esquerda, nem de direita. é lógica, é humana, é europeia.
[Responder]
Para além das birras e dos amuos, parece-me parvo ficar à espera do argumento do outro para poder avançar com qualquer crítica… Dizer que a proposta é imoral diz-me pouco.
O Daniel fala da excitação marxista como contraponto a outra qualquer mania… A questão é por que raio o que o TMR está errado ( e neste caso está mesmo errado, não tem que ver com lentes ideológicas ou teóricas, se é que as duas podem ser apartadas)…
Como já alguém disse, o TMR não distingue valor de preço. Mesmo que insista que a base da determinação do valor se faz por via dos consumidores, o que é parcial, estará a dizer uma inverdade, ao afirmar que algo “vale mais do que efectivamente vale”. Custará mais, quanto muito. Mas nem isso é verdade.
Se assim é, o próprio TMR destrói a própria base do seu argumento. Atente-se, se os agentes económicos são racionais, e isto vem no seguimento do primeiro argumento, então aumento de 450 para 475 obrigaria a fechar qualquer iniciativa. Sabe-se que isso não vai acontecer, isto porque ninguém acredita que um trabalhador receba, neste momento, o que produz ou sequer próximo disso. A não ser que na recriação de um mundo novo, o TMR tenha criado o novo agente económico chamado o empregador filantrópico ( esse mesmo que rebentaria com os racionais que são a base de todo o seu argumento).
Por último, e nem quero falar de desequilíbrio de poder entre as duas partes, o patronato, admitir que os compradores de força de trabalho estão a praticar a caridade, junta-se ao ponto anterior para destruir a racionalidade dos agentes económicos.
[Responder]
Como o TMR utiliza a expressão “caridade”, senti uma certa curiosidade em saber qual é a “esmola” mensal do “miúdo”.
[Responder]
Existem centenas e centenas de empresas a pagar o ordenado minimo, por esse mesmo motivo, por ser o minimo.
Como dizia alguem, uma empresa que só consegue pagar isso, devia repensar se realmente faz sentido estar aberta.
[Responder]
#24 PedroM
Simbólico e revelador são estes dois índices comparados, entre Irlanda e Portugal
PIB per capita (Irlanda):135% média UE;
PIB per capita (Portugal): 76% média UE;
Índice de corrupção da Irlanda: 14ª posição;
Índice de corrupção de Portugal: 35ª posição;
Sabendo que a riqueza do meu país estava razoavelmente bem distribuída, e numa de patriotismo e solidariedade, eu não me importaria mesmo nada de ver reduzido o meu rendimento em 10%, se o PIB per capita do meu país fosse 135% da média, e que ocupava uma honrosa 14ª posição no ranking dos países menos corruptos no mundo.
Mas sabendo que estou em Portugal (onde há 2 ou 3 milhões de pobres, mas mesmo pobres) da cunha, da clientela e da corrupção, onde normalmente quem é honesto é que paga o pato, não concordo com as medidas de austeridade afloradas no seu discurso.
[Responder]
…já agora, este PIB per capita da Irlanda é superior por exemplo à Dinamarca, Alemanha, UK, Suécia.
[Responder]
Há aí uns senhores que acham que as empresas que fecharem por não aguentarem o aumento de um salário miserável para outro ligeiramente menos miserável mais valia não terem a porta aberta. E isto não é sequer uma posição de esquerda, há na direita quem, por razões diferentes, diga a mesma coisa. Não contesto o ponto, não por concordar mas por comodidade argumentativa minha. Mas pergunto: E os trabalhadores despedidos ficam melhor a receber o subsídio de desemprego? E quando este acabar arranjarão emprego? E as empresas fechadas por este motivo vão ser NO NOSSO PAÍS substituídas por outras mais eficientes, que por esse facto possam pagar melhor? Desculpem lá fazer estas perguntas, mas a realidade não quer saber da justiça e tende a ser inconveniente.
[Responder]
“Não contesto o ponto, não por concordar mas por comodidade argumentativa minha.”
E a partir daqui ficava caladinho. É como dizer: não contesto que roubei por preguiça minha, mas o que eu roubei fazia assim tanta falta?
[Responder]
Nos últimos 20 anos lidei de perto (como empregado, como cliente, como fornecedor, como parceiro de negócios), com dezenas de PME’s ligadas, directa ou indirectamente, à Construção Civil. Todas, sem excepção, pagavam aos trabalhadores portugueses(1) mais do que o salário mínimo, embora nas declarações para a Seg. Social só constasse o salário mínimo. Se não houvesse este limite, as empresas contribuiriam ainda menos para a S.S..
(1)com os imigrantes a vigarice é outra.
[Responder]
Claro que somos todos livres de escrever e pensar o que queremos, da mesma forma como se quisermos sair a meio de uma noite de nevoeiro em boxers a gritar que somos o S. Sebastião já ninguém se importa, mas não deixa de ser, digamos… estúpido.
Ainda por cima esta discussão já existiu na segunda metade do século passado nos EUA e se na altura foi repudiada, e voltar a ela depois de termos a economia mundial em frangalhos devido ao mercado libertino (sem regulações como o salário mínimo é) se não é estúpido como a cena dos boxers, é mau timing estratégico.
Mas ainda mais estúpido é ter alguém armado aos cagados com as “novas” ideias que se ensinam nas faculdades de economia (só na economia é que os licenciados saem a saber trabalhar pelos vistos) e cometer um erro tão crasso que até eu que até nem sei muito de economia me rio.
Então os preços estão indexados aos salários??? E agora também já se pode definir o valor do trabalho?
É que estamos a falar dos pilares da economia política, o que define os preços é a lei da oferta e da procura e todos os doutos economistas sempre disseram que não se pode definir o valor, é o mercado que o define.
Mas entendo a confusão, como se fala em indexar o aumento dos salários à inflação, deve ter feito alguma confusão na cabeça do rapaz. Mas são os salários que têm de andar atrás da inflação e não o contrário, pois se os salários não sobem o mesmo que a inflação temos perda de poder de compra e logo baixa a procura.
Se calhar sou eu que sou muito burro, mas se é isto que sai das faculdades de economia não estranho o estado da economia mundial.
[Responder]
@JMG
Perguntar não ofende e pode até ser inicio de uma boa discussão.
“E os trabalhadores despedidos ficam melhor a receber o subsídio de desemprego?”
Eu diria que na maior parte das vezes sim. Obviamente no curto prazo é terrivel para a pessoa que cai no fundo de desemprego, afinal fica numa situação de incerteza enorme. Além disso e fruto de decadas de criacção de anticorpos relativamente a esta situação (se à direita apelidam de preguiçosos a quem está no desemprego, à esquerda valoriza-se tanto o emprego que criam um sindroma de incapacidade a quem está desempregado), também existe um estigma social relativo à situação de desemprego.
No entanto a situação de desemprego, apoiada no subsidio pode ser uma oportunidade para o individuo aumentar as suas competências e assim melhorar no longo prazo a sua condição de vida.
Ao contrário quando existe um demasiado proteccionismo ao emprego per si, muitas vezes o trabalhador fica “preso” a um posto de trabalho precário e perde tempo (tempo esse que não recupera) e muitas vezes produz algo que a sociedade já não valoriza.
“E quando este acabar arranjarão emprego?”
A larga maioria encontra, principalmente se aproveitar o tempo do desemprego para melhorar as suas competências. A formação é algo para ser feita ao longo da vida. Mais, num sistema mais fléxivel de relações laborais, o periodo de desemprego passa a ser visto apenas como uma fase de transição e perderá o estigma que actualmente existe.
“E as empresas fechadas por este motivo vão ser NO NOSSO PAÍS substituídas por outras mais eficientes, que por esse facto possam pagar melhor?”
Em principio sim. Um empresa ineficiente que se mantenha artificialmente aberta apenas está a tapar o caminho de outra empresa. Mas para isso é importante que seja facil a criacção de novas empresas, que haja menos burocracia e que a formação dos recursos humanos seja elevada.
[Responder]
@Daniel Oliveira
“um país civilizado não aceita que haja gente que trabalha e mesmo assim vive abaixo do limiar da pobreza”
Concordo. Acrescentaria mesmo que um pais “civilizado” (o que eu adoro esta expressão – será que existe um pais “incivilizado”?) nunca deixaria estes perderem poder de compra, principalmente num contexto de enriquecimento geral da economia (embora esta já seria outra discussão).
A minha questão é: será o salario minimo mesmo a unica solução para esse problema? Será mesmo a melhor solução?
[Responder]
João Cardiga:
Gostava, sinceramente gostava, de acreditar nas suas soluções, e não tenho dúvidas que para alguns trabalhadores que cairam no desemprego elas se aplicam. Mas para a maioria? Considere o seguinte, que não é a aplicação de um conjunto de soluções doutrinárias, aliás respeitáveis, ao caso português, mas uma congeminação pessoal baseada na experiência: i) A formação profissional é, na maior parte das vezes, uma falcatrua que consiste em pôr um grupo de pessoas a ensinar outras pessoas que fingem que aprendem, quando a maioria, por falta de escolaridade capaz, tem precisamente dificuldades de aprendizagem; ii) Dos trabalhadores que cairam no desemprego uma grande parte emigra (o nosso País, por não exportar bens transacionáveis em quantidade ou com valor acrescentado suficiente, exporta pessoas) e outra desaparece do radar das estatísticas (nas quais aliás só por ingenuidade se pode acreditar), por passar à condição de desempregado de longa duração ou outro eufemismo qualquer; iii) Tem desaparecido de Portugal, como aliás de muitos outros países do Ocidente, uma quantidade tal de empresas manufactureiras que é razoável descrever o processo como de desindustrialização; iv) Não é razoável nem sensato imputar esta hecatombe a uma putativa deficiência de competências de gestão ou condicionamentos culturais anti-empreendedorismo, como fazem numerosos economistas, pensadores, especialistas e tudólogos; v) As empresas que fecham, em Portugal ainda mais que noutros lugares, são substituídas por outras sim, como diz: mas não aqui. Na Europa de Leste, na China, no Casaquistão, na Casa do Diabo, mas não aqui. Do seu discurso, ressalvo muitas coisas, em particular a defesa da flexibilidade. Mas lembro que esta conversa começou com o aumento do salário mínimo. E a imposição pelo Estado de um mínimo salarial universal é tudo menos flexível, e aposta num mecanismo automático de substituição de empresas. Esse mecanismo existe, mas o resultado fica muito aquém do necessário. Cordiais cumps
[Responder]
O meu problema não é com a existência de salário mínimo mas sim a sua utilização de forma populista. Não se aumenta salários mínimos para ganhar votos ou a simpatia do eleitorado, é algo que deve ser tecnicamente muito bem pensado porque tem sérias implicações, positivas e negativas. Quem ouvir certos governantes até fica com a sensação de que se trata de uma medida de apoio social paga com o dinheiro dos contribuintes. Já ouvi até que lhe chamasse medida de redistribuição de riqueza. Das duas uma, ou andam a gozar com a gente ou não fazem a mínima ideia daquilo que estão a falar. E é gente destas que tem o poder de decidir.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 22nd, 2009 at 8:37
Caro Joao Pedro, que o aumento do salário mínimo acima do aumento dos restantes salários redistribui riqueza não é matéria de opinião, é matemática.
“ninguém acredita que um trabalhador receba, neste momento, o que produz ou sequer próximo disso. A não ser que na recriação de um mundo novo, o TMR tenha criado o novo agente económico chamado o empregador filantrópico”
Ninguém diz isso. Para que o argumento funcione basta que haja, marginalmente, alguns trabalhadores que produzam apenas um pouco mais do que o seu salário.
Suponhamos, por exemplo, que o trabalhador X custa 450 euros e que tem uma produtividade marginal de 460 euros. Se o salário mínimo aumentar para 480 euros, o trabalho deixa de ser rentável e ele é despedido.
Mas, mesmo que o aumento do SMN seja de apenas 5 euros é possível que haja esse desemprego. Isto porque os 460 euros aplicados num depósito de poupança podem terem um juro superior à taxa de rentabilidade do investimento no factor trabalho (consubstanciado no emprego em causa).
Em suma, o problema aqui está em confundir-se lucro (e prejuízo) económico (dado pelo custo de oportunidade) com o lucro (e prejuízo) meramente contabilístico (dado pelo gasto efectivo): http://en.wikipedia.org/wiki/Profit_(economics)
http://en.wikipedia.org/wiki/Profit_(accounting)
[Responder]
Não Daniel Oliveira. Distribui, não redistribui. Os salários são distribuição primária de rendimento. Redistribuição significa que o estado se apropriou de parte do rendimento através de impostos e posteriormente o redistribuiu na forma de transferências para as famílias ou através da provisão de bens ou serviços. Não se trata de uma prestação paga pelo estado com o dinheiro dos contribuintes.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 22nd, 2009 at 17:24
João Pedro, não percebi que o seu problema era a palavra “REdistribuição”.
É óbvio que o trabalho pode valer menos do que o valor que é pago. No entanto, é ainda mais óbvio que há coisas que não se avaliam só de forma “económica” , caso contrário não deixaríamos, por exemplo, os velhos viver mais tempo – saía mais barato.
Por muito que se goste da auto regulação, ela não é sempre possível, e é um bom exemplo do que deve servir o Estado.
Custa a perceber como é que (ainda mais do que os marxistas) há gente cuja mundivisão são as relações económicas, e como elas explicam e devem ser o centro das relações sociais.
Nota – Há muita, muita gente a receber menos do que o salário mínimo – o imigrante ilegal, carne para canhão, que ajuda a economia paralela, usufriu de serviços do estado e baixa o salário dos restantes.
[Responder]
Hoje estou de “luto” pelo Hot Clube de Portugal.
Por isso, não consigo produzir um comentário que não seja sério.
Agradecia que tentassem explicar como um País pode evoluir, quando, uma enormíssima parte dos seus cidadãos, tem “um poder de compra” de …
[Responder]
JMG,
Antes demais o acreditar depende mesmo só de si
, mas quanto à questão da maioria diria que sim, que a maioria acaba por fazer o “bounce back” para a vida activa. Obviamente o ficar melhor ou pior depende de muitas circuntâncias, umas dependentes da conjuntura outras dependentes da própria pessoa. Obviamente que a maioria é relativo à generalidade das pessoas e não a um grupo especifico.
Respondendo aos seus pontos:
” i) A formação profissional é, na maior parte das vezes, uma falcatrua que consiste em pôr um grupo de pessoas a ensinar outras pessoas que fingem que aprendem, quando a maioria, por falta de escolaridade capaz, tem precisamente dificuldades de aprendizagem;”
Bem eu não gosto de generalizar. Se é verdade que existem muitas “falsas” formações também é verdade que muitas ajudam efectivamente as pessoas a ganhar competências. Uma vez mais também o próprio individuo tem de ser responsável a escolher as formações adequadas a si próprio.
“ii) Dos trabalhadores que cairam no desemprego uma grande parte …”
Honestamente gostava de ter dados reais para discutir este ponto. Julgo que muitas vezes a nossa percepção é condicionada à realidade que nos rodeia e perdemos um pouco a noção do todo. Aliás o fenomeno do desemprego é muito mal estudado em Portugal (ou pelos menos os estudos não estão muito acessíveis) e não consigo ter as certezas que você têm. Todas as pessoas que conheci empregaram-se passado pouco tempo, ou seja nem todos emigram, vão para a economia paralela ou saem fora do radar.
“iii) Tem desaparecido de Portugal, como aliás de muitos outros países do Ocidente, uma quantidade tal de empresas manufactureiras que é razoável descrever o processo como de desindustrialização;”
Não vejo isso como algo necessariamente negativo. E também julgo que a palavra desindustrialização é um pouco excessivo. Existiu foi uma transformação da industria para prestações de serviços e outros tipos de actividades.
“iv) Não é razoável nem sensato imputar esta hecatombe…”
pessoalmente julgo que ambas têm uma razoavel quota parte de responsabilidade. não tanto na hecatombe mas mais na dificuldade em sair da mesma. Existe ainda muitas areas a serem desenvolvidas para pensarmos que as unicas industrias importantes são as tradicionais…
“v) As empresas que fecham, em Portugal ainda mais que noutros lugares, são substituídas por outras sim, como diz: mas não aqui.”
Bem eu sou daqueles que acredita no espirito inventivo do ser humano e da sua propensão para a acção. Existirá certamente alguma incerteza de curto prazo mas a longo prazo será efectivamente substituida por outras locais. Não acredito em “fins de mundo”, a história tem nos demonstrado que o ser humano recupera sempre das crises…
Quanto à flexibilidade tem razão
mas também deveria ter dito que defendo a famosa “flexisegurança”.
Honestamente, talvez fruto da minha tenra idade, julgo que as relações laborais já se estão a modificar, lentamente é certo. Penso que seria positivo no futuro que o individuo não se definisse tanto pela sua profissão e actividade. Julgo que o trabalho é apenas uma pequena parte da nossa vida. Importante sem duvida mas não nos é definidora.
Assim julgo que seria benefico introduzir um sistema que permitisse ao individuo não ficar preso a uma relação laboral, que a empresa na sua carreira fosse uma mera alavanca para algo mais importante.
Eu pessoalmente defendo que as empresas vão e ficam mas que o individuo é a base central da construção das diversas relações. Neste sentido não vale a pena nos focarmos tanto na manutenção do emprego.
Já agora gostaa de lhe lançar um desafio: diga-me uma industria que tenha desaparecido e que nos faça realmente falta actualmente?
Melhores Cumprimentos
P.S. Desculpe as minhas divagações mas o cansaço já é muito, e se quiser pode-me tratar por tu que eu até prefiro.
P.S.2 Adorei a expressão tudologo
[Responder]
João Cardiga:
Para ilustrar as minhas afirmações, baseadas no que conheço (e é bastante) na minha região teria que ir pescar números, que nem sequer sei se existem; e, se existissem, teria que conhecer detalhes sobre a forma como se chegou a eles, por desconfiar de dados estatísticos que suspeito muitas vezes não serem neutros. Uma trabalheira, João, Deus me livre. E provàvelmente não chegaríamos a lado algum, do mesmo modo que economistas, aqui na blogosfera e noutros lugares, não se põem de acordo não obstante trabalharem sobre os mesmos números e rodearem as suas teses de grande aparato de erudição económica. De resto, prefiro só escrever por prazer e quando me dá na veneta. Se alguém me quer envolver numa polémica, mesmo alguém simpático e pertinente como tu, cavo. É preguiça e se calhar cobardia, mas enquanto os donos deste e doutros blogues não se cansarem do dandy e o barrarem … Dito isto, e quanto ao “desafio”, na minha região desapareceu a indústria de curtumes e a do linho. E, aqui como no resto do País, desapareceram empresas exportadoras em número suficiente para a nossa dívida externa ser argumentàvelmente o nosso maior problema, e um problema que nos vai estourar nas mãos. Mas oxalá a tua visão consideràvelmente optimista seja a correcta. Um abraço.
Ps: Ok, desde que recíproco:
Ps2: Não fui eu que inventei a palavra, acho que a pesquei há tempos no portadaloja.blogspot.com e gostei.
[Responder]