A decisão da RTP de, por pressão da ERC, diminuir o tempo do programa de Marcelo Rebelo de Sousa e de, nos momentos de opinião, “dar espaço aos outros partidos durante o ano eleitoral que aí vem” para compensar a sua presença, é absurda. Os militantes de partidos não são obrigatoriamente representantes de partidos e o comentário político, mesmo que alinhado, não é um tempo de antena. O que vão fazer quando Marcelo criticar o PSD? Descontar o tempo como se não fosse ele a falar?

A RTP tem obrigação de garantir o pluralismo de opiniões. Mas nem isso se faz com um cronómetro na mão (estou à vontade, já que o último relatório da ERC dava ao partido onde milito muito menos tempo de cobertura do que a outros com igual importância eleitoral), nem o pluralismo se esgota nos partidos políticos. Existe mundo político fora dos partidos, existem opiniões pessoais, mesmo da parte de quem é militante partidário, e o pluralismo é um pouco mais do que a mera medição de tempos.

A ERC quer transformar o jornalismo do serviço público televisão numa repartição pública. Os partidos políticos têm direito a protestar quando se sintam prejudicados na cobertura das suas acções ou no excesso de cobertura das acções do governo. E aí não lhes tem faltado matéria para protesto. Não só os partidos. Também os sindicatos (que representam o maior movimento social português e têm um tempo de cobertura mínimo) e as associações. Todos. Mas há uma diferença entre jornalismo e tempo de antena. E há uma diferença entre regulação e avaliação burocrática. A ERC parece conhecer apenas a segunda e está a transformar-se na ASAE da democracia portuguesa. No pior que isto possa significar.

PS: Os Gatos Fedorentos sairam a tempo da RTP. Um dia destes tinham de passar a cumprir quotas nos alvos das suas piadas.


36 respostas ao post “A ASAE da democracia”  

  1. 1 1  Antónimo

    Marcelo, que tem ambições políticas e nem sequer as nega, há-de concorrer a PR, conta com um tempo de antena a que mais nenhum político português, no activo, tem direito. Joga com o que diz para provocar efeitos nos outros lados. Não dá ponto sem nó. Rui Gomes da Silva, indivíduo a evitar cuidadosamente, e a duvidosa autoridade têm toda a razão do mundo. É tempo de antena, é tempo de antena, é tempo de antena. Nem sequer devia ter um programa num canal televisivo.

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  2. 2 2  milodon

    Ok tudo bem! Mas quem é que tem lugar vitalício num canal de tv? Por amor da Santa existem mais nomes que o de Marcelo. Não me diga que temos que o ouvir para todo o sempre para bem da democracia.

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  3. 3 3  Daniel Oliveira

    milondon, ao que parece há muita gente que gosta de o ouvir. Porque, ache o que se achar, é um excelente comunicador. E tem esse mérito.

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  4. 4 4  Tarzan

    É com posts como estes que você sobe que nem um foguete na minha consideração.

    Clap!Clap!

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  5. 5 5  gdr

    Não tem nada a ver com o post, mas permitam-me os suspeitos desta casa que vos deixe aqui uma informação de última hora, que penso ser do vosso maior interesse como disfarçados admiradores de Palin: http://gazetadarestauracao.blogspot.com/2008/09/o-sponsor-secreto-de-sarah-palin.html

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  6. 6 6  atom

    Sr. Daniel Oliveira:
    Não lhe parece que a afirmação “Mas nem isso se faz com um cornómetro na mão (estou à vontade, já que o último relatório da ERC dava ao partido onde milito muito menos tempo de cobertura do que a outros com igual importância eleitoral)” ficaria mais amena para todos os visados, se substitui-se “cornómetro” por cronómetro?

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  7. 7 7  Ana Hilário

    Sempre gostei de ouvir o Prof.Marcelo nas suas crónicas tanto na TVI como na RTP.Nunca considerei que a sua opinião fosse a opinião oficial do PSD pois não os poupa a criticas quando o entende fazer.Acho que para muitas pessoas,é o meu caso,que não tem grandes conhecimentos de questões politicas e económicas,ele consegue explicar os assuntos de uma forma compreensivel.Não concordo que lhe tenham reduzido o tempo do programa e muito menos com as razões evocadas

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  8. 8 8  bloom

    Qualquer proposta que implique reduzir o tempo do “programa” do MRS só poderá contar com o meu entusiástico apoio.

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  9. 9 9  berto

    Sou contra a redução de tempo de antena do MRS. É só o melhor programa de humor da RTP!

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  10. 10 10  Bang Bang

    A televisão pública é importante demais para ser deixada a cargo de uma única pessoa; neste caso o director geral. E, não vão ser os protestos contra a RTP dos partidos políticos, sindicatos, associações, etc a garantia do pluralismo. Quer se queira quer não tem que se definir critérios.

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  11. 11 11  Bang Bang

    Marcelo é bom comunicador, é certo. Mas é militante do PSD. E este facto por si só basta para que a atribuição de tempo de antena deva ser bem ponderado. Imaginemos que Marcelo consegue ser o analista mais imparcial do mundo. Este facto poderá muito favorável ao PSD. As pessoas dizem para com os seus botões: no PSD há militantes com muita categoria.

    Ou seja ser militante faz toda a diferença.

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  12. 12 12  The Studio

    O Daniel tem razão. Eu normalmente não concordo com o Marcelo, mas o programa dele acaba por ser interessante. E faz mais mossa no PSD que nos outros partidos :)

    “PS: Os Gatos Fedorentos sairam a tempo da RTP. Um dia destes tinham de passar a cumprir quotas nos alvos das suas piadas.”

    E já cumpriam. Não impostas pela RTP mas impostas pelo partido (ou auto-impostas): 0% de piadas sobre o PCP e 0% sobre o BE.

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  13. 13 13  Pacheco

    a ERC só agora se lembrou do MRS, porque como a coisa vai ficar preta para o Governo querem calar todas as vozes dissonantes

    aliás a ERC é apenas uma caixa de ressonância do Governo

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  14. 14 14  Jorge Duarte

    Pelos vistos ninguém vê o programa do António Vitorino…

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  15. 15 15  Manuel Leão

    Daniel Oliveira:

    Mas é notório que há grandes diferenças de “tempo de antena” entre os partidos. Sendo assim, qualquer coisa tem de ser feita. Se é com cronómetro na mão ou não, não sei. Mas que a desigualdade é patente e nalguns canais acintosa, lá isso é.

    Pelos vistos, o Daniel Oliveira não se queixa, mas há quem se queixe.
    Parece-lhe, então, que deva tudo continuar na mesma?

    Os representantes dos partidos não serão, obrigatoriamente, representantes dos partidos, mas acrescentam-lhe visibilidade, mesmo que indirectamente. Ou não? Que raio de ingenuidade é essa, Daniel?

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  16. 16 16  Manuel Leão

    Queria rectificar «Os representantes dos partidos não serão, obrigatoriamente, representantes dos partidos (…)»

    por:

    «Os militantes dos partidos não serão, obrigatoriamente, representantes dos partidos (…)»

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  17. 17 17  dosolmos-aix

    «Os meus comentários são sempre tendencialmente favoráveis ao PSD, mesmo quando não parecem» (durante uma aula aos militantes da secção D do PSD Lisboa – Expresso 21 de Março de 2008).

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  18. 18 18  Carlos

    “A RTP tem obrigação de garantir o pluralismo de opiniões.”

    Defende isso, a todo o custo?

    Pergunta incomóda, não?

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  19. 19 19  Joaquim Teixeira

    Mesmo sendo o melhor comunicador do mundo(há gostos), nunca hei-de aceitar que se ponha um indivíduo, ligado a um partido(seja qual fôr), a dar opiniões pessoais, no canal público de televisão.

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  20. 20 20  fado alexandrino

    A ERC quer transformar o jornalismo do serviço público televisão numa repartição pública.

    O senhor ultimamente está a tornar-se especialista em frases assassinas.
    Com esta retratou particularmente bem a ERC que se as pessoas soubessem quanto custa manter aquela gente toda para os resultados serem nada, deitaria uma das mãos à cabeça e a outra ao bolso a ver se ainda lá estavam os trocos com que tinham saído de manhã.

    Este assunto é muito interessante porque na realidade a ERC é uma coisa absolutamente inútil e até perigosa.
    Regular a comunicação social deve ser feito nos tribunais e não por esta gente que não foi eleita e ninguém sabe quem são.

    Claro que também era útil a RTP desaparecer.
    O que faz, fazem os privados, e mais barato.

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  21. 21 21  ramalho santos

    Daniel Oliveira, a piada da coisa (ERC v.s. MRS) reside em serem filhos do mesmo Deus, ninguém os cala.

    Essa de ser bom comunicador tem que se lhe diga,
    vindo de si, estilo Mussolini ou Zeca Diabo?

    Por graça, um conhecido democrata com muita idade respondia em conclusão de uma bela tirada, “só tenho a terceira classe mas com deficiência em cópia”.

    Faça uma sondagem em “deficiências do Marcelo”
    seguramente são muitas, mas ele não sabe.

    A ERC, essa não se pode nem se deve levar a sério. Marcelo é Jornalista?

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  22. 22 22  xatoo

    agora pela ERC e pela diminuição dos tempos de antena: o Indymedia.pt está há semanas hackerizado – alguém sabe o que está a acontecer ou tudo o que seja mais à esquerda do Rebelo de Sousa já não cabe aqui?

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  23. 23 23  Manuel Monteiro

    Este Marcelo Rebelo de Sousa é conhecido na minha aldeia pelo fala-barato. Sabe de tudo e quando não sabe inventa. No meio jornalistico é conhecido pelo maior fazedor de factos, isto é: mentiroso.
    Nunca vi um tipo deturpar tanto os factos para levar a água ao seu moinho: servir o seu partido, e reforçar a sua carreira de politiqueiro. O Passo seguinte é a presidência da República.
    O Daniel acha bem que estas “qualidades” sejam expressas sem pudor e sem controle num orgão que devia formar opiniões lúcidas.
    É o que dá passar de comunista convicto para “democrata” de esquerda: liberalismo sem critério…

    Manuel Monteiro

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  24. 24 24  fernando antolin

    Já agora,vão também diminuir o tempo do programa do António Vitorino/Judite de Sousa??

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  25. 25 25  Bolota

    Já agora por Vitorino, quem me explica…como é que o PS de Mário Soares foi contra as NACIONALIZAÇÕES pós 25 de Abril e agora o PS de Sócrates/Vitorino/Coelhone está a favor das NACIONALIZAÇÕES para salvar o capital??? É esta a nova esquerda ou a esquerda moderna???

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  26. 26 26  LAM

    Entretanto a ERC continua distraída relativamente ao uso de meios de promoção de alguns programas.

    Sabíamos que era possível vender um Presidente como se de um sabonete se tratasse, a prova está aí.

    Agora, o último passo, foi a utilização de um partido político, o PNR e um novo cartaz, para a promoção do novo programa na SIC dos Gato Fedorento.
    Não me venham falar em “coincidências”

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  27. 27 27  o puma

    Parece que a crise está de saúde

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  28. 28 28  RFF

    Não conheço os motivos que provocaram a sua saída mas os Fedorentos, indepentemente dos Marcelos e afins, sempre tiveram liberdade criativa na RTP…..

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  29. 29 29  Daniel Oliveira

    “Mesmo sendo o melhor comunicador do mundo(há gostos), nunca hei-de aceitar que se ponha um indivíduo, ligado a um partido(seja qual fôr), a dar opiniões pessoais, no canal público de televisão.”

    Esta teoria é extraordinária. Ou seja, os militantes partidários deixaram de ter opinão pessoal, de ser cidadãos e de ter neurónios para pensar pela sua cabeça? É isso?

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  30. 30 30  João

    Haja paciência, considerar comentador alguém que “programa sim programa sim programa não” disserta sobre a possibilidade de regressar à política? Que apoio candidatos a líder do seu partido e atribui pontuações?
    E sim, a militância num partido quando se traduz em intervenção pública é factor a ter em conta no exercício de determinados cargos / tarefas, como o de dissecar a vida nacional no horário nobre de domingo.
    Claro que virão sempre com a história dos “formatos”, mas Marcelo deixaria de ser um excelente comunicador se estivesse acompanhado por António Vitorino, Ruben de Carvalho e Ana Drago? Claro que aqui aconteceria o contraditório e o professor não poderia proferir os dislates factuais com que nos brinda todas as semanas, num programa mal preparado e em que solta boutades sobre tudo e todos na maior das impunidades.
    A democracia não é o voto de quatro em quatro anos, passa também pela igualdade na possibilidade de as diferentes correntes políticas / ideológicas se expressarem, e essa liberdade não existe num país em que não subsiste um único órgão de comunicação social vagamente anti-capitalista.
    A existência de comentadores / opinadores escolhidos a dedo nos órgãos de comunicação social burgueses serve apenas para manter as aparências pluralistas, reduzidos a uma ínfima percentagem da matéria publicada.
    E não, não é por falta de leitores, porque existe uma mão cheia de jornais e revistas sem leitores que são sustentados ideologicamente pelo grande capital.
    Mas sobre isto o DO saberá muito mais…

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  31. 31 31  Filinto

    Faz lembrar a ideia peregrina do Luís Filipe Menezes.

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  32. 32 32  Antónimo

    Daniel, a questão não está no facto de se ser ou não ligado a um partido. a questão está no facto de ele ter ambições e projectos políticos próprios (nada a opôr) e de ter para eles um tempo de antena de que mais ninguém dispõe. e aquilo não é um debate em lado nenhum do mundo, embora tenha melhorado em relação ao que se passava na TVI. as televisões não são como os jornais cujos espaços de opinião não impedem o acesso de outras tendências, projectos e ambições. transmissões televisões ocupam um espaço físico finito que quando está a ser ocupado impede o acesso de outros programas e projectos. quando chegar a altura de concorrer à presidência virá muito mais vitaminado do que outros.
    da mesma forma, “jornalistas” como ricardo costa entronizaram o sabonete cavaco, na parada rumo ao ccb para anunciar a desejada candidatura da maior fraude governante portuguesa.

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  33. 33 33  Bruno Ferreira

    Que desgraça! O melhor programa de variedades da TV portuguesa!
    Ó João! “António Vitorino, Ruben de Carvalho e Ana Drago?” com esses é que o programa deixava de ser de variedades e passava a novela Mexicana!

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  34. 34 34  Bruno Ferreira

    Tem calma Daniel que a maior parte do pessoal ainda não descobriu que és militante de um partido político! E fala baixinho porque se esse partido descobre que és lá militante ainda te envia para um campo de educação em Harvard ou no ISCTE.

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  35. 35 35  José

    Com tanta higiene no país, começo a seintir-me sujo!
    Parabéns Daniel!

    [Responder]

  1. 1 Media | As Quotas Ridículas | : fractura.net!

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