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36 respostas ao post “A avaliadora e a avaliada”  

  1. 1 1  spartakus

    ” Pode criar “? Virgem Maria…outra optimista…

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  2. 2 2  M.

    Quando as afirmações não nos agradam, pega-se num detalhe sem importância.
    Nota – Fraco poder avaliativo. Tente fazer melhor.

    [Responder]

  3. 3 3  Filipe Abrantes

    Aquela parte onde falam da deslocação (de carro! que horror!) mostra bem que os professores não querem qualquer avaliação. São desonestos.

    Depois, a parte onde dizem “adorar” dar aulas mostra como o trabalho de professor é desgastante (em condições normais até o seria, nestas, onde não há avaliação e onde cada um faz o que bem entende, não, daí estas senhoras “adorarem dar aulas à criançada”).

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  4. 4 4  Musicologo

    A avaliar pelo tom irónico com certeza que é a favor do actual modelo, que a professora tão bem explicou na segunda parte da entrevista: acha bem ser assistido a 3 aulas de 45 minutos e levar uma nota por isso? É que não são aulas surpresa: o avaliador sabe a hora e o local e o plano de aula com antecedência. Com certeza que são aulas ensaiadas e fictícias. E como o avaliador a maioria das vezes nem é da mesma disciplina vai avaliar concretamente o quê? Se eu estiver a dizer barbaridades sobre música aos alunos, o meu avaliador de educação visual vai engoli-las igual. Não vai avaliar o rigor dos meus conteúdos. Vai avaliar o quê? Se os alunos estão a gostar? O meu tom de voz? E depois isso serve para quê? Para darmos todos excelente uns aos outros pelas 3 aulas lindas que demos (que não correspondem à realidade do quotidiano, porque ensaiadas), e gastar tempo e dinheiro com uma data de papelada. Isso é avaliação?…

    Porque não se utiliza simplesmente os modelos Franceses, Ingleses, Nórdicos em vez de um modelo pseudo-copiado do modelo Chileno? (Que como sabemos é o país modelo da educação).

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  5. 5 5  Zé do Centro

    Esclarecedor, querem que o recreio continue…

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  6. 6 6  Eduardo Lapa
  7. 7 7  Malacueco

    Lindos, estes comentários a «querer que o recreio continue»…

    São de fazerem vir as lágrimas aos olhos.

    Qual dos «comentadores de bancada» foi avaliado pelos seus colegas alunos, no tmepo em que estudou (ou passeou os livros – riscar o que não interessar…)? – Quem em seu perfeito juízo o defende?

    Qual dos «arRANGELados» comentadores teria aceitado que lhe tivessem dito: “Estudainde p’ra tirardes binte, meus meninos… Bós estudainde, carago, se querendes ir p’á faculdade… Mas no fim do ano só posso dar 2 bintes… São as quotas q’o ministério manda…” E melhor: “Aqui estão os critérios para se tirar binte… Mesmo que os cumprais todos, azar… Só dois é que tiram…” – Ninguém em seu perfeito juízo aceitaria tal, digo eu…

    No entanto, é perfeitamente normal que os professores saibam de antemão os critérios (vejam ao que chegou a «bondade» da ministra…) e, também a priori, que «são muitos os convidados, mas poucos os escolhidos»…

    Se foi assim que a Sr.ª Maria de Lurdes Rodrigues motivou os seus alunos quando foi s’pessôra, s’tôra e depois Sr.ª Professora Doutora, sempre lhes digo que mais lhe valia ter continuado na ceifa a sujar os pés…

    Com todo o respeito que os honestos ceifeiros deste país me merecem.

    Cumprimentos

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  8. 8 8  JDC

    Sr. Maluceco, foram muitos os professores que tive ao longo do meu percurso escolar que me negaram a classificação de 20 porque, segundo eles, “ninguém sabe tudo”. Tive um outro, ainda, que não dava mais do que 14, a menos que o aluno mostrasse que “aprendeu muito mais do que o que foi ensinado nas aulas”. E eu acabei de tirar o curso há 3 meses! Tenho familiares que me contam de histórias acerca de provas orais e notas máximas muito mais interessantes…

    Ou seja, quotas de avaliação já existem há muito tempo…

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  9. 9 9  fado alexandrino

    Muito obrigado.
    Há muito tempo que não me ria com tanto gosto.
    Duas jovens pioneiras entrevistadas por um moço oficioso.
    Até parecia que estavamos em São Petersburgo.

    Já agora como é que aquela senhora conseguiu estar dois anos doente.
    Mas, haja Deus, agora parece estar de óptima saúde.

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  10. 10 10  Daniel Oliveira

    De facto, como é que se consegue estar dois anos doente? Como é que numa sociedade moderna ainda há pessoas que ficam doentes?

    Já agora: oficioso porquê? Solidário! Pode ser?

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  11. 11 11  João

    “Porque se nós fossemos a pôr, aquilo que a Ministra quer que nós pômos”.

    Nem é preciso falar em avaliação. Está chumbada logo à partida. Vá aprender a falar português, minha senhora, e depois talvez possa ensinar.

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  12. 12 12  Malha

    Não entendem nem querem…
    Querem é “auto-avaliação”, “avaliação conjunta” e muita “reflexão” (enfim, tudo como dantes),
    Então: – Avaliação externa e prontes!

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  13. 13 13  Pedro Sá

    Bela lógica. Não tem legitimidade para a avaliar só porque a outra é mais velha. O Salazar não diria melhor.

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  14. 14 14  pedro

    O daniel também foi logo arranjar uns exemplares…não havia ali mais ninguém para entrevistar?

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  15. 15 15  Malacueco

    Sr(.ª) JDC:

    sempre houve palermas, ressabiados e estúpidos em todos os sectores de actividade.

    Os exemplos que aponta constam de que lei? Ou seja: no tempo em que v. foi avaliado segundo esse chorrilho de disparates que os professores lhe apresentaram, era essa a lei institucionalizada no país? Eram orientações superiores do estabelecimento de ensino que frequentou? Pode-me apontar quantos milhares de outros exemplos de situações em que isso não se verificou – ou seja, em que os alunos foram devidamente avaliados e tiveram a nota que mereciam?

    Porque esta é que é a regra, não a excepção que apontou. Concedo: uma excepção que se verificou demasiadas vezes e que prejudicou muita gente.

    Mas a questão não é essa. Pelo que me parece depreender da sua intervenção, v. não acha justo o que lhe aconteceu (nem os seus pais) – ou achou? Parece-me que achou uma alarvidade sem nome, ou não?

    É que se acha bem, termina aqui o diálogo.

    Se acha mal, ou acha mal só para si – e termina de novo aqui o diálogo – , ou acha mal para todos. Se acha mal para todos (como eu penso que acha), nesse «todos» estarão necessariamente incluídos os professores…

    Eu acho que foi mau o que lhe aconteceu – para além de ilegal, naturalmente. ILEGAL – fora da lei. Quem assim procedeu, foi um criminoso, tecnicamente, e merece ser punido. Não há quotas de avaliação instituídas para os alunos – nem nunca houve. Não confunda a diarreia mental de um frustrado com a prática generalizada, recomendada ou instituída por lei – que não é nem nunca foi.

    Cumprimentos

    “Malacueco”, não “Maluceco” :)

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  16. 16 16  Levy

    Estive na manifestação porque não concordo com vários aspectos deste modelo de avaliação: é muito burocratizado; a nota atribuida ao professor vai depender muito das notas atribuidas aos alunos; e não reconheço a colegas meus, que almoçam comigo todos os dias e que até frequentam a minha casa, o distanciamento suficiente para me poderem dar uma nota. Não me parece um processo muito transparente. Este sistema, tanto pode servir para vinganças pessoais, como para amiguismos.

    Estive tamabém lá, para protestar contra o maior problema das escolas: a indisciplina. Mas esse é assunto que nem governo, nem sindicatos ousam tocar. É impressionante como o maior problema de todos, não faz parte da verdade oficial em vigor em Portugal.

    Por fim, resta-me estranhar a presensa de Francisco Louçã e Miguel Portas na manifestação. Podem lá estar, mas não deviam lá estar. Apoios desses são interesseiros e têm apenas como objectivo ganhar votos. Trata-se de aproveitamento político descarado. O BE pode e deve ter uma posição sobre o assunto. Mas não deve andar no meio de uma manifestação, para exprimir essa opinião. Eu e muitos que lá estivemos, não concordamos com a visão do BE em relação a Educação.

    [Responder]

  17. 17 17  Manuel Leão

    Malha:

    «Então: – Avaliação externa e prontes!»

    Por exemplo, feita por si.

    Imagino o ar de vampiro, pronto a fazer sangue.
    Há gente que faz gáudio em alimentar um Torquemada dentro de si.

    [Responder]

  18. 18 18  Sibilogica

    Por que será que o nosso fado (além de muitos outros “fadistas” do nosso portugalito que só sabem a música e desconhecem a letra) ainda temos – ó, inglória! – que aturar o fado alexandrino?!!!
    E, já agora, esclareço – aos ditos fadistas… e a quem nesta vida só olha mas não VÊ! – a existência de doenças de gravidade tal que obrigam algumas pessoas a ausentar-se da profissão por dois ou mais anos. Mas este fado não consta do currículo médico do tal fado alexandrino (para sorte dele… e, quiçá, nosso azar!) que, por razões que a própria razão desconhece, crê que nascemos com o sinistro fado de ter que o aturar “mailas” suas aleivosias. É que – esclareço também – para a estupidez congénita não há cura: nem dois anos de baixa resultam! Nem quiomiterapia, nem radioterapia… nem qualquer outra terapia! É doença permanente, limitante, irritante, bloqueante, que, admito, deve, isso sim, ser um fado de nascença tramado.
    Mas olhe, aconselho-lhe um bom remédio (como não deve sequer saber quem foi Fernando Pessoa, não entenderá a “imagem”… temos pena!):

    Coma chocolates… coma chocolates e vá cantar o seu fado (sem letra…) para o fado que o pôs!

    [Responder]

  19. 19 19  Sibilogica

    Ai, Pedro Sá, Pedro Sá, nem Salazar diria melhor… nem você PIOR!

    Por que não vai comer uns pratitos de bacalhau à Gomes de “Si”? É muitíssimo ruim… mas cada um tem o bacalhau que merece!
    E (Sá)lve-se quem puder!
    Por mim…piro-me “já”! Ou será…”sá”???!!!
    Perdoem-me, temo estar a ser acometida de
    in(sá)nidade aguda… doença que me obrigará a meter baixa vitalícia!
    Mas nem todos podemos (Deus é grande!) ser (Sá)s ou sãos!

    [Responder]

  20. 20 20  Sibilogica

    Malha, malheis, malhem…
    Começo a ter tendências inequívocas para o “tricot” (vulgo “malha”) que, porque não fala nem escreve, não vomita burrices.
    Ainda que uma malha no cerebelo, apontada com certeira pontaria, pudesse fazer milagres!
    E “PRONTES”!

    [Responder]

  21. 21 21  Sebastião Dias

    POderá a avaliação dos professores não ser a melhor mas o que está sobretudo em causa é o medo de perda de status quo dos professores, isto ém, a progressão automática na carreira e a invariável classificação de «muito bom» a que estão habituados, como, aliás, estão todos habituados no funcionalismo público.

    Infelizmente nunca consegui ouvir uma discussão ou um debate acerca do que se faz lá fora no que respeita a esta matéria. Seremos nós o primeiro país a proceder a uma avaliação de professores? A não sermos, será desadequado o modelo de classificação de outros países? Porque não aplicar sistemas similares?

    Já agora, Daniel, apesar de o seu amigo Louçã cavalgar a onda de descontentamento dos professores na manifestação, não me lembro de ter ouvido da sua boca uma proposta em relação a este tema que não seja a suspensão imediata do modelo de avaliação.

    [Responder]

  22. 22 22  Sebastião Dias

    Só umas questões:

    Qual é o mal de uma professora avaliar outra colega com mais anos de profissão? Só os mais velhos podem avaliar os mais novos? E quem avalia os mais velhos?

    Qual o problema de uma professora ir fazer avaliação numa escola a três quilómetros de distância? Há razão para indignação?

    Não é preferível um professor ir fazer a avaliação numa outra escola em vez de fazer na sua própria escola?

    E qual o problema do avaliador só assistir a uma aula do avaliado? Será que os professores acham que deveriam assistir a mais aulas? E não há também outros critérios de avaliação?

    [Responder]

  23. 23 23  F

    Para o Sebastião, com amor:
    A – Avaliação de Professores na Alemanha
    1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem quadros de escola, tal como existia em Portugal.
    2. Aulas Assistidas: Acontecem durante o período de formação e depois de 6 em 6 anos. A aula tem a duração de 45 minutos e é assistida pelo chefe da Direcção escolar. Essa assistência tem como objectivo a subida de escalão. Depois de atingido o topo da carreira, acabaram-se as aulas assistidas e não existe mais nenhuma avaliação.
    3. Horários dos Professores. Não existe diferença entre horas lectivas e não lectivas. Os horários completos variam entre 25 e 28 horas semanais.
    4. Avaliação de Alunos. As reuniões para efeito de avaliação dos alunos têm lugar durante o tempo de funcionamento escolar normal, nunca durante o período de interrupção de actividades ou de férias. Tanto na Alemanha como na Suíça, França e Luxemburgo, durante os períodos de férias as escolas encontram-se encerradas. Encerradas para todos, alunos, pais, professores e pessoal de Secretaria. Os alunos e os professores têm exactamente o mesmo tempo de férias.
    Não existe essa dicotomia idiota entre interrupções lectivas, férias, etc.
    5. Horários escolares: Nas escolas de Ensino Primário as aulas vão das 8.00 às 13 ou 14 horas. Nos outros níveis começam às 8 .00 ou 8.30 e terminam às 16.00 ou, a partir do 10° ano, às 17.00.
    6. Férias: cerca de 80 dias por ano, embora possa haver ligeiras diferenças de Estado para Estado.
    7. Máximo de alunos por turma: 22

    B – Avaliação de Professores na Suíça
    1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem quadros de escola (Professores do quadro).
    2. Aulas Assistidas: Estas aulas só ocorrem durante a formação e para a subida de escalão.
    3. Férias. As escolas durante o período de férias estão encerradas. Total de dias de férias: cerca de 72 (pode haver diferenças de cantão para cantão).
    4. Os horários escolares: Idênticos aos da Alemanha. Até ao 4° ano de escolaridade, inclusive, não há aulas de tarde às quartas-feiras, e terminam cerca das 11.30.
    5. Máxima de alunos por turma: 22.

    C – Avaliação de Professores na Bélgica
    1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem quadros de escola (Professores do quadro).
    2. Aulas Assistidas. As aulas Assistidas só ocorrem quando são solicitadas pela direcção da escola, mas não contam para efeitos de progressão dos docentes.
    3. Avaliação das Escolas. A avaliação dos professores está englobada na avaliação das escolas. Avalia-se o trabalho das escolas, e desta forma o trabalho dos professores que nelas exercem a sua actividade.

    D – Avaliação de Professores na Inglaterra e País de Gales
    1. Categorias. Os professores do ensino público estão divididos em função de duas categorias salariais: A Tabela Salarial Principal (dividida em 6 níveis) e a Tabela Salarial Alta (dividida em 3 níveis).
    2. Avaliação. A progressão nas tabelas depende dos resultados da avaliação contínua e que envolve o director da escola, o conselho directivo e os “avaliadores de performance”.

    E – Avaliação de Professores em França
    1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular.
    2. Aulas assistidas. As aulas assistidas só ocorrem no mínimo de 4 em 4 anos, a regra é de 6 em 6 anos, e são observadas por um inspector com formação na área do professor. O objectivo destas aulas é essencialmente formativo, tendo em vista ajudar os professores a melhorar as suas práticas lectivas.
    3. Progressão na carreira. Para além da antiguidade, são tidos em conta os resultados da observação das aulas e as acções de formação frequentadas pelos professores.

    F – Avaliação dos Professores em Espanha
    1.Descentralização. A única legislação nacional que existe sobre avaliação dos professores e sistemas de promoção contemplam apenas o ensino básico. Cada “Comunidade Autonómica” estabelece os seus próprios critérios para a progressão dos professores.
    2. Avaliação. Embora não existam progressões automáticas, na maioria dos casos as mesmas são feitas com base na antiguidade.

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  24. 24 24  fado alexandrino

    Sibilogica 11 Nov 2008 às 0:13

    Doenças com baixas de dois anos que se curam tão intensamente como o ar rosado da senhora mostra, curam-se divinamente com inspecções.
    Estou a lembrar-me daquela senhora lá numa junta do Norte, com direito a reportagens de televisão muitas lágrimas e suspiros e que miraculosamente ficou boa quando lhe levantaram um processo disciplinar.

    E por falar em televisão, sim senhor Daniel Oliveira o perguntador pode ser solidário em vez de oficioso o que num caso e noutro retira qualquer valor á dita “entrevista” colocando-a num patamar de ridículo.

    O que mais me admira, é não ter visto isso e ter vindo publicitar a mesma

    [Responder]

  25. 25 25  JDC

    Caro(a) Malacueco

    Antes de mais, desculpe a confusão com o nome!

    Posto isto, é evidente que não concordei com as quotas estabelecidas de avaliação que os professores me impuseram, mas a verdade é que, não sendo de lei, é orgânico ao sistema, como que uma lei para lá da lei. Conheço Faculdades onde o conselho pedagógico chama a atenção aos professores que tenham taxas de aprovação muito elevadas nas suas disciplinas (e com muito elevadas, digo mais de 50%). Há, portanto, todo um clima de selecção e “quotização” onde os obreiros são os próprios professores! É ainda muito comum, no ensino básico (com classificações de 1 a 5), não se dar 5 a um aluno no primeiro período, mesmo que ele tenha sempre Muito Bom (nota máxima no meu tempo) a todas as avaliações. Diziam-me que era para não descansarmos à sombra da bananeira.

    Como tal, fico sempre com azia (vá lá) quando ouço professores contestarem aquilo que eles mesmos fazem!

    Comentando agora a regra de quotas de notas máximas. O princípio moral é errado e negativo mas, embora introduza vícios na avaliação, remove compadrios e a solução fácil de ser tudo corrido com nota máxima. O que os professores se têm de mentalizar é que não podem TODOS atingir o topo da carreira de docente. Como em qualquer lado, só os melhores é que chegam ao topo. Não está a ver numa empresa com 5 engenheiros a chegarem todos a gestores de produção, pois não?
    Eu preferia que não houvesse quotas, mas há que garantir que a avaliação é séria. E o argumento de que as pessoas são todas honestas e sérias, não colhe…

    [Responder]

  26. 26 26  Malacueco

    Caro JDC:

    fico feliz por reparar que os exemplos que deu são (quase) todos do ensino superior. Esses, sim, sem qualquer tipo de controlo e arrogando-se do seu estatuto de professores doutores por extenso. Só posso lamentar, porque as situações que refere também me aconteceram. Mas – sabe? – aprendi com elas a não fazer o mesmo a quem eu viesse a avaliar. O ciclo da estupidez tem de ser quebrado. Em consciência, fiz e tento fazer todos os dias a minha parte.

    Quanto à estupidez que refere de haver professores que não dão 5 no 1.º período porque acham que isso iria fazer os alunos descansarem à sombra da bananeira, isso resulta da própria lei! Sabe com certeza que 1, 2, 3, 4 e 5 são níveis, não notas. Diz a lei que, uma vez atingido o nível só com muito trabalho e muita justificação da parte do professor se pode dar ao aluno um nível inferior àquele que atingiu no período anterior? Exemplo: um aluno a quem foi atribuído nível 3 nos 1.º e 2.º períodos NÃO PODE ter nível 2 no 3.º, mesmo que falte a todas as aulas? A um aluno a quem foi atribuído nível 5 nos dois primeiros períodos NÃO PODE ter nível 3 nem 4 e muito menos 2 no 3.º – mesmo que não preste qualquer outra prova no 3.º?

    Pode, ou não, dormir o aluno à sombra da bananeira?

    Se são níveis, como pode um aluno atingir o nível 5 decorrido que esteja apenas um terço do ano lectivo? Em teoria, fez apenas um terço das provas de avaliação, esteve presente em apenas um terço das aulas, abordou apenas um terço das matérias do ano… Se o 5 é um nível e representa algo de onde não se pode descer – porque, segundo a lei, já foi atingido, então, e pela mesma lógica, não pode, em rigor, ter a ele subido. Quando muito, a um nível 2,5, com muito boa vontade: porque se dividir 5 pelos 3 períodos, nem 2,5 dá…

    Temos, portanto, uma lei de avaliação que permite todas as liberdades para subir, e nenhuma para descer… É, quer se queira quer não, uma armadilha, tanto para professores como para alunos.

    Mas a lei da avaliação, meu caro JDC, é imperfeita, porque feita por seres humanos, e interpretada por seres humanos igualmente imperfeitos, aplicada sobre seres humanos que têm, também eles, as suas imperfeições.

    Só a lei da Ministra é que é perfeita! Concordo: tenho sérias dúvidas sobre a humanidade da senhora…

    Diga-me, meu caro JDC: qual é o topo da carreira docente? Quantas categorias existem na carreira? O mal vem de se pensar numa escola como numa fábrica. Um engenheiro chefe de produção tem funções diferenciadas – certo? Um professor com 36 anos de serviço tem exactamente as mesmas funções que um professor com apenas 2… Não há distinção nem diferenciação de funções – nem tem de haver. Não confunda os cargos como a direcção de turma (que é de provimento directo anual) ou de membro do conselho executivo (de eleição trienal): findo o mandato, voltam a ser professores como os outros: nem mais, nem menos. Um DT não o é toda a vida, como um chefe de produção…

    Por isso, diga-me: qual é o topo da carreira docente?… Ai está a referir-se ao escalão máximo de vencimento na carreira?

    Até mesmo um professor compreende que não podem ser todos directores regionais, ou assessores dos directores, ou ministros, ou secretários de estado da educação. E mais lhe digo: nem podem, nem querem. E, isto sim, é o topo da carreira do Ministério da Educação, do qual somos todos funcionários.

    É que na carreira de professor não há categoriaS: só há uma categoria: professor, dividida em 11 escalões de vencimento.

    Quanto ao resto, basta ler o post do F.

    Cumprimentos

    [Responder]

  27. 27 27  JDC

    Caro Malacueco

    Então chegamos a duas conclusões:
    - há um facilitismo crescente na avaliação dos alunos. Se um aluno, adquirindo com nível máximo, todas as competências que um professor propôs que ele adquirisse até aquele momento, porque não dar-lhe nota máxima? Se no 2º período o aluno tiver, digamos, o equivalente a nível 3, porque não baixar o 5? Aliás, a avaliação é contínua, pelo que os níveis atribuídos nos períodos anteriores são de referência, apenas importa a nota do final de ano. Mas isso são outras guerras, como a passagem de ano até ao 6º ano de escolaridade (se não me engano), que eu gostava de ver 120 mil professores a protestar na rua.

    - a segunda conclusão é que os professores, independentemente da sua aptidão, têm todos as mesmas funções. Mas não há conselhos pedagógicos? Não há reuniões para discutir estratégias de ensino? Se calhar o problema é a falta de autonomia das escolas. Numa escola descentralizada, com liberdade e poder para lidar com os seus problemas intrínsecos, haveria, concerteza, cargos bem distintos.
    Sobre os 11 escalões de vencimento, um professor não pode nunca esperar chegar automaticamente ao 11º escalão. Só lá deve chegar quem, de facto, é bom professor e, como tal, voltamos à avaliação. Este sistema é fraco (para não chamar outras coisas), mas incomoda-me que as únicas contra-propostas que ouço por parte dos professores seja a auto-avaliação e a avaliação global de grupo pedagógico. Então eu é que vou decidir a minha nota para subir de escalão de vencimento?

    Cumprimentos,
    JDC

    [Responder]

  28. 28 28  Malacueco

    Ups: só há 10 escalões de vencimento, e o mandato dos CEs é de 4 anos…

    [Responder]

  29. 29 29  Malacueco

    Caro JDC:

    Compreendeu perfeitamente bem a questão das leis que regem (?) a avaliação neste país. Pois é pena que não tenha ouvido tudo quanto os professores têm dito sobre o facilitismo nas escolas – desde a indisciplina à avaliação. Tem sido dito alto e bom som. Só que como são posições mais ou menos individuais, não se liga. Agora, como foram 120.000 (dizem, porque a PSP foi incentivada a não divulgar números: só pode divulgar o número de professores que se pretendem deslocar de autocarro, como no triste episódio de Castelo Branco, lembra-se?), parece que se começa a dar mais atenção. Muito se tem dito e gritado: debalde.

    Quanto à questão da auto-avaliação e avaliação em grupo: é a primeira vez que ouço falar de tal. Estive no dia 8 de Novembro em Lisboa a participar na Manifestação e não ouvi ninguém falar disso. Mais lhe digo: TODOS os professores com quem falei são a favor de uma avaliação EXTERNA. E esta, hem? Nenhum deles aceita ser avaliado pelos seus pares! Acredite, ou não, este é um dos aspectos mais importantes desta luta: a fuga aos compadrios, às revanches pessoais, aos favoritismos de apaniguados e amiguinhos. Também há disto entre professores, não é só nas outras classes… Por que acha que tanto se tem falado do “mal-estar” gerado nas escolas por causa da avaliação? Outro aspecto de contestação diz respeito à avaliação de aspectos que escapam ao controlo do professor, como o abandono escolar. Será o mesmo que responsabilizar os funcionários das finanças pela evasão fiscal; os médicos, pelo facto de haver muitos doentes que nunca foram ao centro de saúde ou não tomam os antibióticos até ao fim; os agentes da Brigada de Trânsito da GNR pelos excessos dos automobilistas.

    E então a responsabilidade dos pais e encarregados de educação? Qualquer dia vão responsabilizar-nos pelo número elevado de gravidezes na adolescência ou pela abstenção nas eleições. Era o que faltava! (Mas já esteve mais longe o dia… olhe o que lhe digo!)

    A proposta que aquela colega fez é uma ideia peregrina, acredite, mas que até pode ter feito alguma escola. A de Maria de Lurdes Rodrigues também. Só que esta é Ministra. Aquela ensina em Gondomar.

    Caro JDC: não queira tomar a nuvem por Juno. Sabe bem que aquela não é a única proposta feita pelos professores. É a única que ouviu, porventura. Mas não é a única.

    Cumprimentos.

    [Responder]

  30. 30 30  JDC

    Caro Malacueco

    “Só que como são posições mais ou menos individuais, não se liga”. Se calhar o problema é não haver uma ordem de professores que possa tomar voz única nestes assuntos, ao invés de termos sindicatos a servirem-se das pessoas para as suas agendas político-partidárias.

    Por outro lado, como vi escrito noutro lado, este ruído todo que se faz sentir tem, efectivamente, bloqueado a transmissão para a opinião pública das contra-propostas dos professores, o que em nada abona a favor da forma como os protestos se têm feito.

    Uma das queixas que os professores fazem é que os colegas de outras escolas nada sabem acerca do seu trabalho precisamente por serem de outra escola. Estou mesmo a ver as vozes de protesto a uma avaliação externa a seguirem este mesmo raciocínio. E, já agora, externa feita por quem? Por professores que não leccionam? As unidades de investigação universitárias são avaliadas pelos comités da FCT que são compostos por pessoas que trabalham noutras unidades de investigação, muitas vezes estrangeiras. É, precisamente, o peer-review.

    Quanto ás questões da responsabilidade dos encarregados de educação, parece-me que é uma situação criada pelos próprios e que, a reboque, o governo vai atrás, e não ao contrário!

    Cumprimentos,
    JDC

    [Responder]

  31. 31 31  Sebastião Dias

    Obrigado, F, pelas explicações esclarecedoras

    [Responder]

  32. 32 32  MrSinister

    A questão da avaliação de professores em Portugal tem sido no mínimo estimulante para leigos (como eu) nesta matéria mas que procuram um pouco mais de informação (além da imprensa nacional). Assim, recomendo uma leitura do estudo “Avaliação do Desempenho e Carreira Profissional Docente”, coordenado por Javier Murillo na UNESCO que consiste num trabalho de análise comparada entre 55 sistemas educativos da América e Europa, com foco na carreira dos docentes do Ensino Básico do sector público, editado em Junho de 2007 e que serviu alegadamente de base à elaboração do modelo de avaliação docente que está a ser implementado pelo Ministério da Educação, em Portugal.

    [Responder]

  33. 33 33  Malacueco

    Caro JDC:

    com ruído ou sem ele, o que importa é avaliar a justiça das reivindicações. E a reivindicação dos professores por um modelo de avaliação mais justo, menos burocrático e, sobretudo, que incida exclusivamente sobre pontos que dependem unicamente do próprio professor é uma reivindicação justa. O ruído é provocado, deixe-me também que lhe diga, por quem tem a responsabilidade de se informar antes de publicar opiniões: refiro-me, obviamente, à comunicação social, que engole muita patranha e que, numa percentagem demasiado elevada, é desprovida de bom senso. Sirva de comparação a forma como a manifestação foi coberta pela imprensda estrangeira, relativamente ao Jornal de Notícias, só para dar este exemplo.

    Infelizmente, as redacções e direcções de informação da nossa praça preferem o sensacionalismo e a anedota (q.v. a «reportagem» que deu origem a este debate) à procura séria de informação.

    Relativamente à avaliação ser feita por colegas de outra escola, desde que incida sobre critérios objectivos até pode ser feita pelas empregadas de limpeza, excepto no que toca à competência científica. O grande problema são as quotas, uma vez que até podem gerar conflito de interesses entre avaliador e avaliado – o que vicia todo o processo.

    As quotas são, por sua natureza, injustas – seja para o número de mulheres na Assembleia da República ou nos filmes de Hollywood, seja para o número de reprovações numa escola, seja para o número de pessoas que podem ter avaliação de excelente, mesmo que cumpram todos os critérios.

    Faz sentido que uma qualquer entidade de controlo de qualidade diga que a sua fábrica só pode produzir 70% de parafusos perfeitos, mesmo que a sua fábrica produza com uma perfeição de 99%? Isto porque Bruxelas (digamos) impôs umas quotas…? No certificado de qualidade final, a sua fábrica só tem uma eficácia de 70%, mesmo que tenha 99… Lindo… Nada disto faz sentido…

    Parafusos não são pessoas. Uma fábrica não é uma escola. Não basta afinar uma peça ou substituir um fusível para que toda a turma passe a ter notas fabulásticas. Era bom. Pelo menos havia menos tratados de patranhas pedagógicas no mercado – o que por si só era uma bênção.

    Cumprimentos!

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  34. 34 34  O Silva

    resumindo…todos querem é mamar mais um bocado… e fazer menos!

    [Responder]

  35. 35 35  Malacueco

    Todos não, caro O Silva:

    v. quer mamar menos… e fazer muito mais… Nem sei como arranja tempo para postar – mas ainda bem que o faz. Ficamos todos a saber que existe pelo menos um cidadão exemplarmente altruísta, que deve ter devolvido ao Estado o estorno do IRS.

    Nós, os chulos da classe professoral, agradecemos o mais que assim podemos passar a ganhar – e o infinitamente menos que teremos de pagar de IRS.

    (A esta hora, pareço um anúncio ambulante da Lacoste…)

    Bem haja!

    [Responder]

  1. 1 É falso que os professores não querem ser avaliados « Anti-tretas

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