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As empresas têm formas de pressionar os governos quando qualquer política prejudica os seus legítimos interesses. Usam o seu poder económico e político, imensamente superior ao do comum dos cidadãos. Os trabalhadores, que mais não têm que o poder do seu voto, têm, para reforçar o seu poder negocial junto do empregador ou para defender os seus não menos legítimos interesses junto do poder político, um outro instrumento: a greve. Legal em muitos países europeus há mais de século, é a forma institucionalizada dos trabalhadores fazerem sentir ao poder político e ao poder económico o seu próprio poder: o de não produzirem.

Porque uma greve falhada enfraquece o poder negocial dos representantes dos trabalhadores não furo, por princípio, nenhuma greve. Enquanto fui trabalhador por conta de outrem fui sempre sindicalizado. E, a não ser que uma greve ferisse de forma inaceitável os meus princípios, quer pelo seu método quer pelos seus objectivos, faço-as sempre. As divergências que tivesse faria, se necessário fosse, chegar ao meu sindicato, punindo a direcção por ter conduzido mal um processo de luta. Mas, repito, não furo, numa situação normal, uma greve.

A forma como se dirigem as greves, em Portugal, reflecte bem a situação de crise dos sindicatos.

O seu agendamento corresponde, demasiadas vezes, a prioridades políticas externas ao movimento sindical.

Fazem-se demasiadas greves por períodos demasiado curtos. É a greve rotineira e burocrática. O prejuízo para os trabalhadores é o mesmo, mas o efeitos para o empregador são muito menores. Em demasiados casos tratam-se de greves meramente simbólicas e não chegam a afectar aqueles com quem se está a medir forças. São greves para a opinião pública, de impacto económico reduzido, e que não resultam de um longo processo de auscultação dos trabalhadores. Saem por isso muitas vezes fracas e não obrigam o outro lado a ceder.

Não se investe em fundos de greve para garantir que funções chave, que podem paralisar uma empresa inteira, não funcionem.

Aposta-se mais nos sectores de serviços do Estado, estando o sector produtivo e privado com cada vez menor capacidade de reivindicação. Aprofunda-se assim o fosso entre trabalhadores do privado e trabalhadores do sector público, dando espaço à demagogia contra os serviços públicos e os seus funcionários, que Durão Barroso e José Sócrates tão bem souberam aproveitar nos últimos anos.

Estabelecem-se, em greves gerais, objectivos difusos em que, na realidade, é ponto assente que da greve não resultará nenhuma conquista concreta. Se os trabalhadores nunca sentem a vitória depois do sacrifício financeiro resultante de uma greve vão desmobilizando.

São raríssimas as greves europeias de empresa, não tendo o sindicalismo acompanhado a internacionalização da própria economia.

A próxima greve geral é justa nas suas razões, difusa nos seus objectivos e duvidosa na forma como foi agendada. Mas porque é justa nas suas razões, conta com o meu apoio. E por agora é tudo.

Como em todos os posts, mas especialmente neste, escrevo a titulo estritamente pessoal. É sempre bom deixar isso claro. Amanhã regressarei ao tema para falar de uma das principais razões porque apoio esta greve: a flexigurança. Menos mobilizador que os salários, menos trágico que o desemprego, esta é a palavra que vai dominar os próximos anos do debate sindical e laboral.


Sem respostas ao post “A greve”  

  1. 1 1  Luís Lavoura

    De todo o post fica sobretudo um conjunto de críticas extremamente certeiras às greves como elas têm sido feitas em Portugal nos últimos anos.

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  2. 2 2  Roberto

    São palavras a mais e explicações extensas e confusas para apoiar a greve. Parece mais um NIM.
    Serão dúvidas bloquistas?

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  3. 3 3  Sebastião Dias

    Trabalho por conta própria portanto não faço greves. Neste caso também nunca faria, são mais do que justos os ajustamentos que o governo quer fazer na função pública. Não nos esqueçamos também que os sindicatos estão, mais uma vez, a fazer uma greve para proteger os mais beneficiados, todos os que estão na função pública, que têm regalias especiais, que em termos médios ganham mais do que os outros trabalhadores, que fazem mais dias de pontes, que automáticamente progridem na carreira, que têm um emprego garantido até ao fim da sua vida caso assim o queiram e não o façam por merecer.
    Fazer greves por regra ou por hábito? Não. As greves fazem-se por causas justas, porque se tem razão, não por regra ou por hábito.
    Depois de reconhecer que faz greves por regra, acaba dizendo que acha esta greve justa. Pode saber-se então porque acha justa esta greve?

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  4. 4 4  Daniel Oliveira

    Roberto, o meu post é sobre o instituto da greve. Nunca apoio nada com um nim. Apoio a greve e as críticas que diz no fim são claras. Quanto ao “bloquista”, espero que tenha lido o último parágrafo. Parece haver gente com dificuldade um fazer um debate sério.

    Sebastião Dias, como disse esse será o pst de amanhã.

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  5. 5 5  jpt

    Concordo, mas vou mais longe. As infinitas greves de transportes nos anos 80, sem qualquer objectivo imediato que provocasse a adesão dos cidadãos, não fizeram mais do que afastar mutíssimos eleitores da esquerda. Eu andava de transportes públicos e ouvia o que as pessoas, largamente prejudicadas no seu dia a dia, comentavam. Desculpem o mau jeito, mas não adiro a greves que, mais do que objectivos politicos, têm objectivos partidários.

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  6. 6 6  Daniel Oliveira

    jpt, as greves se funcionam prejudicam as pessoas. Esse é um facto inevitável e uma greve que não prejudica ninguém só prejudica mesmo quem a faz e é um disparate. Outra coisa são greves que prejudicam toda a gente menos quem pretendem prejudicar. Não me parece que seja o caso da próxima.

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  7. 7 7  J

    Infelizmente está a alargar-se um fosso na sociedade portuguesa.

    Por um lado temos os funcionários públicos, com melhores condições, melhores horários, garantia de emprego para toda a vida, progressão automática na carreira, etc.

    Por outro lado temos os trabalhadores de empresas privadas e por conta própria, que trabalham mais horas, sujeitos a despedimentos e falências, a funcionarem em concorrência com outras empresas, só são promovidos quando provam que de facto merecem.

    Pelo que tenho vindo a observar, estas greves já são quase exclusivamente do sector público.

    Acabam por ser uma chantagem do sector público, que vive com mais regalias, sobre o sector privado, que tem de sustentar com os seus impostos as regalias dos outros, regalias essas de que os próprios já não beneficiam.

    Não tenho nada contra as greves, bem pelo contrário. Foi uma conquista social importante.

    Mas estas greves lembram-me cada vez mais o conceito de democracia enquanto a ditadura da maioria. O grupo que acaba por decidir eleições (os funcionários públicos, os empregados do Estado) vendem o seu voto através de chantagens sobre o seu empregador, que quer ganhar eleições. Quem paga os privilégios obtidos através dessa chantagem são os que trabalham no sistema privado ou por conta própria, com cada vez mais impostos.

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  8. 8 8  José Manuel Faria

    “Fazem-se demasiadas greves por períodos demasiado curtos. É a greve rotineira e burocrática. O prejuízo para os trabalhadores é o mesmo, mas o efeitos para o empregador são muito menores. Em demasiados casos tratam-se de greves meramente simbólicas e não chegam a afectar aqueles com quem se está a medir forças. São greves para a opinião pública, de impacto económico reduzido, e que não resultam de um longo processo de oscultação dos trabalhadores. Saem por isso muitas vezes fracas e não obrigam o outro lado a ceder.” Completamente de acordo com este parágrafo´. As greves de 1 dia às 6ªfeiras no ensino!.
    Greves no ensino, sim, ás avaliações ou aos exames, greves a doer.

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  9. 9 9  nanda

    Não trabalho na função pública, mas no sector público. Já fiz greves por causas concretas. Greves decretadas por centrais sindicais nunca fiz. Dessindicalizei-me quando o meu sindicato passou a aderir sistematicamente às instruções da Intersindical. Na minha empresa a aderência vai ser residual. Se o ambiente na empresa é saudável, se não há queixas graves.. para quê prejudicar a sua imagem no mercado? Para quê prejudicar a vida de tantas pessoas? Porquê beneficiar a concorrência quando diariamente luto contra ela …A flexisegurança? Pois! Também discordo.Para isso serve o meu voto.Não um dia de greve.

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  10. 10 10  nanda

    Não trabalho na função pública, mas no sector público. Já fiz greves por causas concretas. Greves decretadas por centrais sindicais nunca fiz. Dessindicalizei-me quando o meu sindicato passou a aderir sistematicamente às instruções da Intersindical. Na minha empresa a aderência vai ser residual. Se o ambiente na empresa é saudável, se não há queixas graves.. para quê prejudicar a sua imagem no mercado? Para quê prejudicar a vida de tantas pessoas? Porquê beneficiar a concorrência quando diariamente luto contra ela …A flexisegurança? Pois! Também discordo.Para isso serve o meu voto.Não um dia de greve.

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  11. 11 11  Fado Alexandrino

    Conforme tentei demonstrar no meu blog colectivo o conceito de greve em Portugal morreu.

    Não é feita contra os patrões, aqui os empregados sabem que isso é um suicidio (veja-se a Opel da Azambuja)

    É feita contra o Estado, e como?
    Prejudicando o mais possível todos os outros trabalhadores que o Estado esta-se borrifando para as greves.

    E assim temos que as únicas greves que passam bem em televisão são aquelas que envolvem os transportes públicos.

    As outras são folclore.

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  12. 12 12  João Aguiar

    «A próxima greve geral é justa nas suas razões, difusa nos seus objectivos e duvidosa na forma como foi agendada.»

    Evidentemente que a greve geral é justíssima nas suas razões. De facto, as políticas do actual governo de retirada de direitos sociais, económicos e políticos dos trabalhadores é tal que as razões objectivas para a greve geral são mais do que justas. Não se trata de uma greve apenas da função pública mas de TODOS os trabalhadores. Aliás, quem esteve na última grande manifestação da CGTP no dia 2 de Março verificou a enorme participação de funcionários públicos bem como dos seus colegas trabalhadores do sector privado.

    Quanto à questão de ser «difusa nos objectivos». Não me parece. A greve geral não surge do nada. Ou seja, ao contrário do que se quer fazer crer a greve geral não acontece porque alguém se lembrou de a convocar. Na verdade, a greve geral é o corolário natural do desenvolvimento da luta dos trabalhadores desde a entrada em funções do governo PS/Sócrates e suas políticas. É fácil constatar que face ao enorme sucesso das manifestações de 12 de Outubro de 2006 (com cerca de 100 mil trabalhadores) e de 2 de Março (com 150 mil trabalhadores) que caminho teria o movimento sindical de percorrer? Evidentemente que tal só poderia ser uma greve geral. As lutas que a antecederam – e aqui convém também assinalar a manifestação de 10 mil jovens trabalhadores no dia 28 de Março – não valem por si mesmas. Pelo contrário, demonstraram uma disposição crescente de amplas massas de trabalhadores prosseguirem a luta contra as políticas do governo de destruição de serviços públicos e de destruição do poder de compra e de direitos laborais. Seria uma irresponsabilidade de todo o tamanho não querer dar o passo seguinte. A luta e as greves não estão ganhas à partida mas se no momento exacto não se lutasse então uma coisa seria certa. A perda e destruição de direitos prosseguiria com uma ferocidade ainda maior.

    Sobre a «forma como foi agendada». Foi aprovada por unanimidade no Conselho Nacional da CGTP e por aclamação no plenário de sindicatos que juntou largas centenas de dirigentes sindicais representantes de milhares de colegas seus. Ao mesmo tempo, é só uma questão de se visitar o site da greve geral (em http://cgtp.pt/grevegeral/index.php ) e perceber o elevado número de plenários de trabalhadores um pouco por todo o país que demonstraram o seu apoio à greve geral por unanimidade. Legitimidade dos trabalhadores não lhe falta.

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  13. 13 13  nanda

    Caro João Aguiar,
    Quem é que ganhava com uma greve geral na TAP, por exemplo. Eu digo: a Ibéria, a British Airways, a Air France, a Lufthansa etc. etc.
    Quem é que perdia?
    - O País, os trabalhadores e milhares de passageiros.

    O Governo mudava as políticas? Não acredito!

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  14. 14 14  hugo

    Para começar quero dizer que não trabalho na função pública, mas parece-me que escapa à maioria das pessoas a real natureza do sector público. Fica perdida meio caminho entre a inveja e a mesquinhez. Para essas pessoas vou apenas referir que a concertação social( e o aumento dos salários no provado) faz-se em medida do aumento no público. Que o estado serve como patrão modelar em sociedade, e que estabelece deste modo, a natureza das relações no privado. E que a perseguição ao sector público foi feita com os aplausos do patronato e o aval imbecil da sociedade. E que a degradação constante das condições laborais dos trabalhadores privados e consequente aumento do fosso de riqueza, foi feito à custa dos “previlégios” que foram deslocalizados para as contas de alguns, e da ganância. E que se as greves se fazem no sector público, não é porque no privado não haja descontentamento, mas porque existe o medo e desunião que hoje se tenta também instaurar no público. E que o futuro mais próximo não se afigura muito brilhante, quando as greves são achincalhadas desta forma e servem para discutir os benefícios dos trabalhadores. Quais benefícios?

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  15. 15 15  Pedro Sá

    Flexisegurança é algo que para existir necessitaria de uma revisão constitucional.

    E ao contrário do que os sempre vampirosos bloquistas e comunistas passam a vida a apregoar, nunca o PS aceitará colocar em causa o princípio constitucional da segurança no emprego.

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  16. 16 16  Luís Lavoura

    Daniel Oliveira | maio 28, 2007 05:40 PM

    Grave erro, Daniel. As greves são feitas para prejudicar os patrões, e não as pessoas em geral. As greves são feitas para pressionar os patrões, e não para pressionar as pessoas em geral.

    É com erros como esse, Daniel, que os sindicatos perderam o apoio popular às greves. Porque, sistematicamente, procuram prejudicar a população em geral, em vez de procurarem prejudicar o patrão.

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  17. 17 17  Luís Lavoura

    Aliás, o Daniel deveria reconhecer que um dos principais defeitos de uma economia nacionalizada, de uma economia em que o Estado é dono de uma data de serviços, é precisamente o facto de as greves passarem a ser feitas com o objetivo de prejudicar todas as pessoas, em vez de serem feitas com o objetivo de prejudicar um patrão específico.

    Numa economia privatizada e concorrencial, uma empresa onde se faz greve fica prejudicada em relação às suas concorrentes.

    Numa economia nacionalizada, o patrão, que é o Estado, nunca é verdadeiramente prejudicado.

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  18. 18 18  samir.machel
  19. 19 19  Marco Oliveira

    Daniel,
    Quem melhor que tu para mediar um conflito destes:
    Leões pedem retirada de “outdoor” do Bloco colocado em Terrenos do Clube
    http://www.record.pt/noticia.asp?id=746518&idCanal=24
    :-)

    Sobre a greve: Uma greve bem feita era manter os serviços a funcionar sem cobrar nada aos cidadãos! Aí é que os grevistas viam a sua popularidade a subir!

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  20. 20 20  João Barbosa

    Obviamente que a greve é um direito (ainda bem) e faz greve quem quer (a contra gosto da CGTP e do PCP, que por sua vontade haveria piquetes e cordões de controlo e segurança- há lembranças do PREC).
    As razões da greve são justas. São? Não sei se são! Tenho todas as dúvidas. Aliás, a maioria dos portugueses não se revê na CGTP, que é um braço do PCP. A CGTP tenta nas ruas ganhar o que o PCP perde nas urnas e mais umas franjas à sua esquerda e umas nesgas do PS.
    Por que será que o peso grevista está em sectores que mantém privilégios ou estão economicamente ultrapassados e, por isso, sentem mais a mudança? Resistência à mudança. Sempre a resistência à mudança. A resistência à mudança que se convencionou chamar de reacção ou forças reaccionárias. Hoje é à esquerda que se enfia a carapuça da reacção.
    Quantas pessoas vão fazer greve? Muitas, certamente. Mas não a maioria. Muitas não vão poder trabalhar por não se cumprirem serviços mínimos, porque não podem, porque não as deixam trabalhar.
    Há razão nesta greve? Caríssimo. O mundo mudou. Acorde. Desperte para a vida. Há um outro dia lá fora. O século XIX já foi e os amanhãs que cantam (que vos prometeram) não eram enfadonhos, eram dantescos. O Marxismo foi muito pior do que qualquer capitalismo.
    O que aconteceu em Gdansk, na Polónia, na década de 80? Leembra-se? Onde esteve a CGTP e o PCP nessa altura? Onde ficou o internacionalismo laboral? Acorde e arranje melhores companhias. Ou então deixe-se de hipocrisia e cinismo.
    É óbvio que o mundo e o país não é perfeito. Ajude a mudá-los… Para a frente, não para trás.
    Tenha uma boa greve. Eu e a maioria dos portugueses vamos trabalhar. Este país precisa ainda de trabalho e menos de preguiça.

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  21. 21 21  Miguel Nascimento

    Nenhum português tem o direito de roubar 8 horas de trabalho ao nosso país. Se querem manifestar façam-no sem prejudicar a produtividade do país.
    Fraca cultura a nossa!

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  22. 22 22  Ze Ninguem

    Mas… Já leu o livro de Junho? Não leu? Vai comentar? Quer Chá com Scones?
    Só postar! Só postar!Ai!

    http://absolutamenteninguem.blogspot.com/

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  23. 23 23  cris

    E uma palavrita pelos precários? Eu tenho um contrato de um ano, sinto que não tenho direito à greve. Queria poder assumir essa posição, concordo com ela, mas não vou poder aderir. A precariedade, além de tudo o resto, mina o direito à greve. Além disso, há o sector privado. Como me diziam ainda ontem “não acho justo prejudicar o meu patrão, ele não tem nada a ver com isto”. Que formas de luta para os dias de hoje, de precariedade e individualismo? Espero não ter razão, mas acho que a greve não vai ser assim tão geral.

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  24. 24 24  Ricardo

    Caro Daniel,
    Este seu comentário sobre a prática do exercício do direito à greve em Portugal ignora totalmente as adendas cirurgicas que se foram fazendo à lei laboral e às relações laborais.
    Por força da lei e pela inoperância comprometida do Estado as relações laborais estão claramente distorcida em favor do patronato.
    Como propõe Daniel retomar os fundos de greve a partir do momento que o desconto da quota sindical na folha salarial deixou de ser obrigatória, tal como acontece noutros países europeus?
    Como entende Daniel mobilizar os trabalhadores que perante a ameaça do despedimento (não renovação do contrato, etc.) e perante a ilegalidade nem conseguem que a Inspecção Geral do Trabalho intervenha?
    É verdade que deveremos reflectir sobre a importância e a necessidade de mobilizar e sindicalizar. Mas deixmo-nos de frases feitas, deixemo-nos de frustações de dissidências para nos concentrarmos mais na resistência e na mobilização dos trabalhadores contra a exploração.

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  25. 25 25  Daniel Oliveira

    O terreno em causa é um lingua de terra descampada que não está sinalizada. Estas coisas são comuns. Escreve-se para o partido em causa e ele muda o cartaz. Tenho muita pena que o meu clube esteja à procura de conflitos com uma candidatura à Câmara. Os problemas e discordâncias que o clube tenha com Sá Fernandes por ele fazer o seu papel (o de defender os interesses da cidade como um todo) deve resolve-los de forma normal e não mandando notícias para jornais sobre cartazes. Devo recordar a direcção do Sporting que muitos dos seus sócios são simpatizantes, votantes e militantes de vários partidos, incluindo o BE, e que esta direcção não tem o direito de usar a imagem do clube para confrontos partidários de campanha.

    Recordo uma campanha do BE em que exactamente isto aconteceu e a direcção do Sporting fez o normal: mandou uma carta e o cartas estava mudado dois dias depois. Agora, o Sporting procura o confronto.

    Por fim, acho que Sá Fernandes tem toda a razão em relação aos terrenos do Sporting. Para além de sportinguista sou lisboeta e o interesse comum de todos os lisboetas, para qualquer vereador decente, deve estar acima dos interesses dos clubes. Por mais relevantes e extraordinários que esses clubes sejam.

    Mas estão as pessoas quando põe a sua condição de adepto à frente da sua condição de cidadão.

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  26. 26 26  Daniel Oliveira

    Ricardo, não ignoro as dificuldades. Mas chorar sobre elas vale de pouco. O sindicalismo nasceu em condições ainda mais adversas. E impôs-se. É preciso imaginação e menos automatismos e controleirismo partidário nos sindicatos. Começando por aí talvez se chegue a algum lado.

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  27. 27 27  francisco vieira

    Caro Daniel acha que esta greve vai resolver alguma coisa? Claro que não o Sócrates tenta fazer o que deve ser feito e não será a CGTP a evitá-lo.

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  28. 28 28  Bertha

    Caro J.
    “Por outro lado temos os trabalhadores de empresas privadas e por conta própria, (…)só são promovidos quando provam que de facto merecem”

    Então as promoções no sector privado baseiam-se no mérito?

    O que eu não engulo é que me pintem a função pública como a fonte de todos os males e o sector privado como um paraíso de auto-regulação.

    Tanto quanto me é dado a perceber a meritocracia não é um valor em Portugal, nem no público nem no privado (salvo como é óbvio algumas poucas excepções).

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  29. 29 29  Arrebenta

    Amanhã, não escreverei…

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  30. 30 30  J


    “Por outro lado temos os trabalhadores de empresas privadas e por conta própria, (…)só são promovidos quando provam que de facto merecem”

    Então as promoções no sector privado baseiam-se no mérito?

    Bertha

    Tendencialmente nas empresas privadas as promoções tendem a ser por mérito (obviamente que há excepções, especialmente em empresas familiares). Já trabalhei em 2 empresas privadas e vi sempre uma grande correlação entre o bom desempenho no trabalho das pessoas e a sua mais rápida promoção.

    No sector público existe algo absurdo, promoções automáticas. Mesmo que o desempenho e a dedicação sejam zero, a pessoa é promovida. É a distorção de qualquer sistema de incentivos.

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  31. 31 31  Epicuro

    No sector privado português, quem merece de facto ser promovido emigra. E como se trata de gente de quem a empresa precisa mais do que eles da empresa, quando querem fazer greve, fazem.

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  32. 32 32  Bertha

    J.

    Há-de me dizer quantos operários conhece que foram rapidamente promovidos por bom desempenho. A conversa que já se institucionalizou é que nunca trabalham o suficiente.

    Há pouco tempo, uma empresa cujo nome agora não me recordo, foi notícia na TV porque os seus operários se recusavam a trabalhar em turnos de 12horas!! Parece que esta era a melhor forma de melhorar a competitividade!!

    Normalmente, quando uma empresa está endividada, qual é a ordem com que vai tentando pagar as suas dívidas: em primeiro lugar o estado, depois os fornecedores e por últimos os empregados.

    Se isto é meritocracia…

    É preciso ter algum cuidado quando se defende o sector privado, principalmente quando se é licenciado e não se faz a mínima ideia de como os “outros” vão levando a vida.

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  33. 33 33  Mário

    No dia da greve só não adere quem menos faz durante todo o ano, quem não deve não teme.

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