11 respostas ao post “A mão invisível”  

  1. 1 1  MBC

    Caro Daniel Oliveira,

    O que eu acho mais curioso é que ainda há pouco tempo, o Daniel e o Bloco de Esquerda se indignavam com o facto da Banca ter enormes lucros e pagar tão pouco em impostos.
    Agora que algumas instituições da Banca estão a dar prejuízo e o sector está em crise, não param de apontar o dedo à Banca, e criticar o modelo de negócio que outrora produziu os grandes lucros que o Bloco tanto queria ver taxado.
    Porque é que há um ano atrás, quando pediam mais impostos sobre esses lucros, em vez disso, não denunciavam que esses lucros eram resultado da especulação e que como diz agora o Francisco Louçã eram “capital fictício”?
    É que esta história faz-me lembrar aquela do João Pinto que dizia: “Prognósticos só no fim do Jogo”. Nessa altura, de facto, toda a gente acerta.

  2. 2 2  Luis

    Podemos questionar a intervenção do estado, neste caso dos bancos centrais, na crise financeira, nomeadamente nos aspectos que se referem à sobrevivência dos bancos. No entanto há que ter em consideraão o seguinte: o dinheiro não existe, é criado artificialmente. Desde que terminao o regime do padrão ouro que os depósitos não têm qualquer correspondência em activos reais. Por conseguinte o dinheiro vale a confiança que as pessoas nele depositam. Isto que dizer que os bancos fazem rodar muitas vezes o dinheiro dos depósitos sob a forma de crédito. Neste momento há três factores combinados: a) grandes investidores por motivos especulativos retiraram quantias elevadas de fundos para investir em matérias primas e petróleo, com as consequências que conhecemos; b) a persistência de taxas de juro elevadas na europa diminuem a atractividade das acções, preerindo os aforradores aplicações com capital garantido c) muito do crédito bancário não deveria ter sido autorizado (nesse caso é crime e os culpados deveriam ser responsabilizados…para a culpa não mnorer solteira). Gera-se uma crise de liqueidez em que todos tentam retirar dinheiro dos bancos sem que ninguém esteja disposto a arriscar investimentos de maior risco. O que acontece a seguir é conhecido na economis: expectativas aceleram os problemas dos mercados sempre… e quanto mais pánico sentem as pessoas mais provocam o estrangulamento da banca, gerando problema de insolvência…. Mas se os bancos / estado decide intervir não é para defender os lucros privados do grande capital, mas sim para minimizar as perdas daqueles que lá colocaram os seus depósitos e aplicaram as suas pequenas poupanças…. ver nisto a falência do sistema capitalista é miopia, trata-se de, pelo contrário, garantir a sua sobrevivência. A falência do sistema financeiro equivale a um regresso à barbárie, ao mundo da troca directa em que ninguém acredita em ninguém e s+o está disponivel a trocar bens reais por bens reais. Sem a intervenção do estado ganhavam aqueles a quem foi dado crédito e perdiam todos os que depositaram. Socialmente injusto e inaceitável. A intevenção deve acontecer até para que seja possivel reunir as condições de cobrança do crédito concedido, imprescindivel para remunerar de forma adequada os depósitos dos aforradores. O problema do sistema é o das famílias: só podemos endividar-nos até ao momento em que alguém acredita que podemos pagar. se perdem a confiança em nós não mais nos emprestam dinheiro e teremos que viver com menos. Daqui se retira uma lição importante: os bancos centrais têm que controlar bem a ganância das instituições financeiras. A mão invisivel continuaria a existir, mas as familias que depositaram as suas poupanças sofreriam. mas de facto o ercado reequilibrar-se-ia. Mas é melhor o estado exercer a sua função social diminuindo o sofrimento das pessoas. Fica provado que a ganância associada ao capital e à gestão deve ser controlada. E, já agora, os gestores deveeriam ser juridicamente responsáveis por isso. Talvez assim diminuisse a pressão para a criatividade e o crescimento exponencial dos lucros. É por acreditar nesta necessidade que defendo a intervenção do estado, numa função reguladora. Outros fivarão ofendidos com isto, mas é neste ponto essencial que o pensamento de esquerda faz a diferença.

  3. 3 3  against big brother

    visitem este blogue. abraços!

  4. 4 4  Lidador

    Até quando?!

  5. 5 5  Manuel Leão

    MBC:

    Se os bancos declararam esses lucros queria que fosse taxado o quê?

    Se você declarar que ganha o dobro do que ganha na realidade, quem tem culpa do resultado? O fisco ou você? A questão é que a taxa de IRC, aplicável aos bancos, é muito menor do que a aplicada a um cidadão com um vencimento modesto.

    O que é relevante é isto que vou referir: - em 2007, a taxa de IRC efectivamente paga pela banca rondou os 13,63%, relacionando o valor dos impostos sobre os lucros com o resultado apurado antes de impostos. Em 2006, esta taxa foi de 19,42%. As empresas, de um modo geral, geral são taxadas em 27%, com a derrama já incluída.

    Acha isto justo?

  6. 6 6  causavossa

    Numa alegada teoria da conspiração diria que desde que a China e a Rússia entraram no mercado global que estranhos descontroles de mercado se têm gerado.

    O pânico e a especulação farão o resto, mas no mercado sempre alguém fica a ganhar. As empresas ainda estáveis produzem lucros, a confiança pode entretanto as abater.

    As minhas poupanças, mesmo que fique reduzido a zero, ficarão no sítio onde estão, pois não alimento pânicos que só alimentarão especuladores gananciosos.

    A regulação se tiver de existir é a regulação da ganância, da manipulação … e em Portugal ela tem nomes e faces visíveis, porque em Portugal a bolsa tem funcionado como palco de criação, através da manipulação, de grandes fortunas.

    A ler o post do Luís, que explica o mecanismo do sistema, sendo que como é óbvio o que está agora em causa é não penalizar o investidor em detrimento do infractor ou do devedor do sistema.

  7. 7 7  Rui

    Li e gostei muito do post do Luis. Completamente de acordo mas com um pequeno parenteses. Apesar de sim senhor ser miopia ver-se aqui o fim do sistema financeiro, pode ser uma boa altura para se ir um pouco mais longe. Claramente o Mercado (letra grande e tudo) não funciona em tudo, cabe ao estado ir um pouco mais além na distribuição da riqueza de forma mais justa. só assim se “cresce”.

  8. 8 8  Luis

    Rui, concordo com o que escreves. é bom ver que há bom senso neste blog. o estado deve intervir para que a riqueza seja distribuida de forma mais justa, pese embora que a “justiça” tem que derivar da sociedade e dos cidadãos. é necessário que as pessoas acreditem e queiram que os rendimentos de todos sejam mais equilibrados. a lógica de consumo em que vivemos parece contrariar um pouco. porque nós todos, os que escrevemos neste blog, somos muito privilegiados no mundo. temos muitas coisas. compramos muitos livros, e jornais e revistas e vemos filmes e vamos a concertos e…e ah e viajamos…e isso são luxos que não existiriam se a distribuição da riqueza à escala do globo fosse “justa”. O problema destas coisas é que muitas vezes nos concentramos em ver a questão da distribuição da riqueza apenas dos muito, muito ricos…mas estatisticamente todos nós somos ricos, vivemos acima de um nível médio de vida, impossível de garantir a todas a humanidade, nas actuais condições de produção de bens e riqueza na terra. Mas é por isso mesmo que devemos lutar para que a distibuição seja mais justa…e devemos acreditar num mundo em que as pessoas tenham igualdade de oportunidades, e possam ser remuneradas de acordo com o valor do seu trabalho e talento. e há muito a fazer neste campo, muitos kilómetros a percorrer, sem ser necessário sair (sequer) das fronteiras e do paradigma da economia de mercado dita capitalista… sim porque mercado existirá sempre, seja qual for a forma de governo.

  9. 9 9  MP

    Grande novidade, tipo o cavalo branco do Napoleão é branco…
    Também não é novidade que o autor deste post não faça a mais leve ideia do que significa injectar liquidez no sistema bancário. Deve julgar que o banco central anda a oferecer dinheiro aos bancos.

  10. 10 10  MBC

    Caro Manuel Leão,

    Desculpe, mas acho que não compreendeu o meu comentário e a pergunta que me coloca é meramente retórica. É óbvio que tem razão quando diz que tem de se pagar em função do que se declara. Mas eu não estou a discutir se a banca devia ou não pagar mais impostos. O que eu digo é que aqueles que agora dizem com tanta segurança que tudo isto era previsível, que os lucros da banca eram na verdade apenas produto da especulação, ainda há pouco tempo viviam encantados com a possibilidade de aumentar as taxas sobre esses lucros (que pelos vistos eram fictícios, nas palavras do Francisco Louçã).

  11. 11 11  Manuel Leão

    MBC:

    Eu não lhe chamaria fictícios.

    O esquema é que era de alto risco (suprime).

    Mas, a menos que as contabilidades estejam viciadas, os lucros eram de facto aqueles. Dizem que em Portugal o “subprime” não tinha expressão e, no entanto, os bancos tiveram lucros “record”.

    Mas o “ponto” do meu comentário era sobre a taxa de IRC aplicada aos bancos, mormente quando comparada com as do IRS e do IRC das empresas em geral. E quanto a isso, o meu caro, não referiu nada. E, no entanto, isso é um caso concreto e insufismável de tratamento diferenciado, mas no sentido oposto. Porque, no fundo, o que produz a verdadeira riqueza é o trabalho e a economia real.

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