Rúben de Carvalho escreveu hoje sobre o tema. Acrescento aqui a carta que enviei, como leitor, ao Provedor do Leitor do “Público”.
«Caro provedor,
Na edição do PÚBLICO de 13 de Agosto, no fim do seu texto, Isabel do Carmo escreve: «E de tanto se querer confundir anti-sionista com anti-semita, pretende-se prender as consciências do horror do holocausto e tolhê-las no combate aos senhores da guerra de Israel?» Em nenhuma parte do texto a autora diminui a importância do Holocausto e muito menos o nega. No entanto, o jornal sentiu-se na obrigação de escrever a seguinte nota: «O PÚBLICO não alterou a grafia deste texto, designadamente o facto da autora escrever Holocausto com caixa baixa.»
Primeiro as duvidas: o jornal perguntou à autora do texto se queria mudar a grafia? Se sim, ela recusou? Se recusou, porque não fomos informados da recusa? Se não perguntou, porque optou por uma nota de redacção em vez de o fazer? Por fim: quantas vezes na sua história o “Público” (ou outro jornal português) acrescentou notas de redacção a textos de opinião?
Devo esclarecer que discordo de grande parte das opiniões que Isabel do Carmo produziu durante a guerra do Líbano. Que acho que se envolveu num debate estéril e armadilhado. Mas esta nota representa uma absoluta falta de respeito pela autora e, mais importante, pelos leitores.
É a primeira vez que vejo uma nota de redacção incluída num texto de opinião. Das duas uma: ou o jornal não publicava o texto como estava por não cumprir as suas estritas regras gráficas ou, publicando-o, não se dava ao direito de lhe acrescentar qualquer observação. Ou o espaço é da articulista ou não o é de todo. Mais: a nota parece ser mal intencionada. A irrelevância do problema não parece justificar o acto excepcional de acrescentar a nota. Isabel do Carmo, ao falar do «horror do holocausto», deixa clara a sua posição e dificilmente se poderia inferir da utilização da minúscula qualquer posição negacionista. Caso assim fosse, a nota continuaria a não ter qualquer cabimento. O jornal teria melhor solução: não publicar o texto, liberdade que lhe assiste. Mas o que a nota parece pretender é dar relevância ao pormenor influenciando a leitura do texto e as conclusões que dele se tirem. A nota, pela sua desproporção, só pode ser lida como uma insinuação.
Não está aqui em debate se Holocausto se escreve com minúscula ou maiúscula. Eu escrevo com maiúscula e não faço disso grande manifesto político. Não está aqui em causa se o jornal deve impor as suas regras gráficas a colunistas convidados. Debato apenas esta questão: é legitimo usar o espaço de opinião (não me refiro a cartas ao director, apesar de haver muito a dizer sobre isso) de pessoas externas a um jornal para acrescentar notas e fazer reparos ao próprio texto? Não me parece. Mais a mais quando as notas em causa parecem carregadas de suspeição.
Se a questão é apenas a grafia do jornal, um reparo pessoal à articulista parecia mais sensato e educado. Se a questão, como me parece, não é a grafia do jornal, estamos perante um caso muito mais grave. Substituímos a censura pelo comentario, em simultâneo, a textos de opinião dos quais se diverge, usando como subterfúgio pormenores técnicos. E, quando falamos de assuntos tão chocantes e sensíveis como o Holocausto e de insinuações tão graves como as do negacionismo, um assunto que parece minúsculo ganha maiúscula importância.»
Sem comentários 18 Ago 06 em Sem categoria



E muito honestamente, é igual ao litro se se escreve com maiúscula ou não.
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Uma pequena patifaria de chico-esperto, muito adequada à cáfila de analfabetos que prolifera na gazeta de JMF.
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Daniel,
Esta é a carta que eu gostaria de ter escrito.
O que o Público faz é inqualificável, é pura censura. Uma tristeza.
Até há coisas no Público de que gosto. Mas já o deixei de comprar há algum tempo. Percebe-se bem porquê.
Aguarda-se uma resposta breve à tua carta, e o mínimo que se espera é um pedido de descupas à articulista e aos leitores.
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Acho que já todos estamos habituados a que sejam publicados textos que nem sempre preenchem os mínimos requisitos da coerência lógica ou até mesmo da verdade.
Nesses casos o jornal costuma destacar a sua posição da posição do colunista.
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Mas o director do Publico não está ao serviço da PROPAGANDA do Estado de Israel?….
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A diferença entre escrever com “H” ou “h” é a mesma entre respeitar ou não a morte (industrial) de 6 milhões de seres humanos.
Aceito, com muita tristeza, que as pessoas que apoiem Isabel do Carmo não respeitem e tentem diminuir o Holocausto.
No entanto, só posso aplaudir o Público por se distanciar publicamente da falta de respeito da autora pelo Holocausto.
Com muita tristeza noto que na sociedade em que vivo as ideologias prevalecem sobre o humanismo.
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Que lhe dizia eu, acerca deste comentador “agosto”? Esta é o máximo, “Daniel, esta é a carta que eu gostaria de ter escrito…”. Ele próprio já se coloca numa posição de inferioridade em relação a si. Sente-se inferior, ele gostaria de ter escrito algo assim, mas infelizmente não consegue, a natureza foi madrasta para com ele! Ele, implicitamente, admite que não consegue raciocinar ou escrever como você!!!
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Já agora a minha opinião acerca da maiúscula ou da minúscula. A atitude do Público é idiota. Mas, escreverem, comentarem, indignarem-se, etc., com este assunto como está a ser feito, é tornar a atitude do Público não idiota, mas sómente polémica.
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JM, a razão porque se usa o H grande e não o pequeno não tem rigorosamente nada a ver com aquilo de que você fala. “holocausto” refere-se a qualquer tipo de holocausto, “Holocausto” refere-se a um acontecimento histórico preciso a que se deu esse nome.
Escrevemos “foi uma revolução cultural” e “aconteceu durante a Revolução Cultural”. A maísculas não definem o ódio que temos por alguma coisa (quanto muito o respeito, como Deus, País, etc).
O que aquela nota queria era que pessoas como você começassem à caça das minusculas em vez de fazer debates políticos. Agora já não é apenas a Isabel do Carmo que nega o Holocausto ao usar uma minuscula, são todos os que critiquem uma nota sem nenhum sentido. De facto, é tão fácil excitar os histéricos.
PS: já agora, veja como Pacheco Pereira também nega o Holocausto. Eles andam todos por aí.
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“Caro provedor,”
Você escreve Provedor com caixa baixa? Holocausto ainda vá que não vá, agora Provedor?
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Daniel,
Independentemente do meu acordo com o teu comentário, gostaria de te informar do seguinte:
- escreve-se “razão por que” e não “razão porque”;
- escreve-se “quando muito” e não “quanto muito”;
- escreve-se “minúsculas” e não “minusculas”.
Um abraço.
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Israel tambem nega o Holocausto, por um lado ao praticar massacres, que envergonham qulquer ser humano, tenha ele a religião judaica ou não.
Segundo porque Israel transformou a morte de milhões de seres humanos, em mera arma de arremesso, para justificar todos os seus crimes e pior ainda,para tentar retirar vantagens materiais dessa hecatombe que atingiu não só as pessoas que professavam a religião judaica, como por exemplo a limpeza etnica de ciganos….
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Tende tento meninos… Pensai um pouco!
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O Daniel uma fixação dir-se-ia doentia pelo Público e mormente pelo JMF…
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A partir do sábado em que ofereça uma bússola – “made in China”, claro – aos seus leitores, aí sim, considerarei o “Público” um “jornal de referência”.
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Esta discussão está a resvalar: afirmar ou sugerir que IC quis negar o Holocausto por escrever a palavra com minúscula é uma tolice do tamanho do próprio Holocausto.
O que o Público fez foi uma filhadaputice miserável, uma insinuação torpe.
Alguém pensou que a minúscula pode ter sido apenas um mero erro de teclagem de Isabel do Carmo? Quantas pessoas teriam dado por isso se o Público não fizesse a malfadada nota?
Concordo contigo, Daniel: a nota é mal intencionada e, em si mesmo, revela uma posição (moralista e hipócrita) do jornal, inaceitável numa secção de opinião.
Porque a questão de fundo continua a ser a mesma: o Holocausto é, continua a ser, utilizado como arma de arremesso dos israelitas e seus cúmplices para justificar os massacres cometidos pelo «estado judaico», e para inviabilizar todas as críticas que lhe sejam feitas. Hoje, qualquer posição anti-israelita (i.e., contra a política seguida e praticad por Israel) é à partida encarado como ser anti-judaico. Pessoalmente, os judeus não me merecem mais nem menos respeito do que os cristãos, os muçulmanos ou os animistas. A perseguição de que foram alvo ao longo da História merece-me a maior repulsa. Mas isso não lhes dá o direito de, hoje, fazerem o que fazem. Mais: ao assumirem o papel de carrascos, arriscam-se a perder o respeito que conquistaram enquanto vítimas.
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