
A pordata, a excelente base de dados paga pela fortuna da família que controla o Pingo Doce, a que já aqui tinha feito referência, continua a dar que falar. Desta vez é Pedro Lains a chamar a atenção para os detalhes que se tendem a esquecer nos romances de mercado: a base de dados parte de investigação dinamizada por António Barreto no Instituto de Ciências Sociais, facto que não merece suficiente destaque, claro. O Estado cria ou ajuda a criar e os “privados” ficam com os lucros ou, quando não é caso disso, com o que importa: a estima e os louros que o dinheiro consegue comprar em sociedades demasiado desiguais. Enfim, agora alguns grupos têm músculo suficiente, noutros casos é mais desespero, para que a cooptação de quadros do sector público e o condicionamento do conhecimento e das políticas públicas se intensifiquem: da investigação à destruição do Serviço Nacional de Saúde. Isto só pode ser revertido quando deixarmos de ler romances de mercado, prestarmos mais atenção às organizações do capitalismo e ao perverso poder do dinheiro concentrado em poucas mãos e nos mexermos. Não se habituem.
13 comentários 7 Mar 10 em Sem categoria13 respostas ao post “Do romance de mercado”
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- 2 Pingback on 16 Mar 2010 às 8:25
- 3 Pingback on 16 Mar 2010 às 12:38



Este nossa ditadura neoliberal de mercado onde o estado consome 50% da riqueza tem que acabar…
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Haja pachorra para as tuas imbecilidades e má educação.
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“O Estado cria ou ajuda a criar”: não é esta uma das funções do Estado?
“Os privados ficam com os lucros”:certo, mas também criam os empregos, pagam os impostos, etc.
Alternativa: o socialismo, mas acho que isto poucos ainda defendem, até porque só muda o “patrão” e não há possibilidade de contestação (costuma dar cadeia ou pior)
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Muito interessante a menção que o João faz aqui ao Pordata.
Seria muito interessante que o grosso da população portuguesa pudesse conhecer aqueles dados, que convido os leitores deste blog a ver, e que pudesse reflectir, como sociedade activa, em como combater as falhas graves que uma qualquer simples análise verifica.
Falou o João em desigualdade. E estou certo que o que quis focar foi a pobreza.
João, a pobreza existe e existirá sempre num país que promove a redistribuição sem promover a criação de algo que se possa redistribuir.
Não me oponho à ideia de alguma distribuição mas nem me preocupo com ela se puder colocar todos os esforços a tentar compreender o que poderia criar essa riqueza, que a partir de patamares objectivamente altos, e não num ataque à classe média, se pudessem redistribuir.
Focou o João ainda um outro ponto importante. “os privados ficam com os lucros ou, quando não é caso disso, com o que importa”.
Vamos analisar.
O que temos hoje em Portugal é grave. Uma fobia contra a ideia empresarial que é profundamente contra-producente, e uma ajuda, Às vezes a fundo perdido a empresas que tinham que falhar para que uma nova e sólida ideia viesse por fim a vingar.
O que é que isto provoca? A manutenção de empresas com empresários pobres em valores pessoais, e que, naturalmente os exportam para a forma como lidam com os trabalhadores, aliás facto que dá suporte à argumentação de alguns sectores políticos que acabam por, espero eu, ingenuamente, a subverter a questão.
O problema, espero ter aqui demonstrado, não está na empresa e sim no empresário que não foi treinado em valores e em técnicas.
Este problema, em sociedades que “culturalmente” pecam pela falta de iniciativa, tem que ser resolvido na escola e pela escola.
Só assim os números necessários “destes” empresários aparecerão.
Um abraço
GMCC
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Destruição do Serviço Nacional de Saúde:
Privados (convencionados): farmácias, laboratórios de análises, centros de hemodiálise.
Exclusivos do Estado: centros de saúde.
Perguntas:
Onde é melhor recebido? Quais deles pode escolher? Onde não tem listas de espera?
ADSE (convencionado) versus SNS (não convencionado): ADSE mais barato 30%, com liberdade de escolha, sem listas de espera.
Os privados ficam com os lucros, o Estado fica sem o prejuízo: ficamos todos a ganhar
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Guimarães Reply:
Março 7th, 2010 at 17:43
Essa de comparar a ADSE com o SNS é comparar universos muito diferentes – 800.000 com 10.000.000 -. Claro que o argumento funciona num país que vive de estatísticas enviesadas…
Esse velho Alexandre Soares dos Santos é um perfeito imbecil: devia era pegar nos seus lucros e fazer um Pordata na Polónia – um Poldata, portanto. E lá o intelectual Barreto devia pôr as suas capacidades ao serviço do que é de propriedade pública, só pública e exclusivamente pública. E se não houvesse dinheiro, nem interesse, mas apenas dificuldades, entraves e inoperâncias, então era melhor não fazer nada. Agora fazer coisas privadas de utilidade pública – isso nunca. O privado é um horror: não é verdade que a latrina também se designa por – privada?
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Guimarães Reply:
Março 9th, 2010 at 0:51
Eu também defendo o sistema ADSE para todos como, por exemplo, no Canadá, há já décadas. O erro está em assumir que o papel fundamental dos centros de saúde, que de facto apresentam deficiências estruturais confrangedoras, são as consultas. O grande papel desses centros são os cuidados primários de saúde, com principal incidência na prevenção. E aí, só ao estado deve competir.
Guimarães, estás enganado. Os valores são por cabeça (o número total não interessa). Depois, essa de que o SNS cobre 10 000 000 também não é verdade. Socorrem-se do SNS 60% dos potenciais utilizadores (o resto são subsistemas). Se as contas do SNS fossem feitas em função do n.º real de utilizadores, então seriam ainda mais desfavoráveis.
E que dizer dos aspectos qualitativos?
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Tonibler: o Estado que consome 50% da riqueza produzida somos nós. Somos nós que consumimos esses 50%. Ainda não tinha percebido?
Mas não os consumimos por igual. A maior parte dessa riqueza volta para alguns privados. Duma forma ou de outra, o Estado redistribui sempre a riqueza; a diferença está que o Estado neoliberal a redistribui para cima.
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