Por Daniel Oliveira
Adaptando esta nota da Conferência Pastoral, aqui fica: “A castidade é um fenómeno conhecido desde a antiguidade, caracterizado pela preferência pela inactividade sexual. Se ela constitui uma etapa transitória no desenvolvimento da criança ou adolescente, o seu prolongamento pela idade jovem e adulta denota a existência de problemas de identidade pessoal.”
101 comentários 10 Nov 09 em Sem categoria


KAPOW!
[Responder]
O senhor ainda é canonizado, mais que não seja pelo tempo que gasta a ler tudo o que a Igreja produz.
Não tarda nada estou a vê-lo a pedir o crisma.
[Responder]
[Responder]
“a comissão europeia acabou de publicar um barómetro sobre discriminação a nível europeu, onde os portugueses apontam a orientação sexual como a principal causa de tratamento desigual (entre outras situações igualmente graves), podendo as medidas eminentes dos nossos governantes sobre o direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo ser uma boa nova para muitos.(…)”
http://imagoverbalis.wordpress.com/2009/11/10/discriminacao-nao-obrigada/
[Responder]
Para falar de temas sexuais não há como a ICAR (et pour cause…). Um colega sacerdote da Fac. Psicologia dizia-me que o maior especialista português em Rorschach era uma irmã freira.Será porque o desejo faz aumentar as proporções?(Uma criança com fome desenha um bolo muito grande).
[Responder]
A minha parte preferida é o Grande Final: …iniciativas que ajudem as “famílias estavelmente constituídas”…
Isto quererá dizer o quê ? as outras que se virem…?
ou será já a avisar…do castigo?
Perdoai-lhes Senhor, por serem tão sensíveis às coisas sem importância e tão insensíveis às coisas importantes.
[Responder]
As opiniões da ICAR por tudo o que é sexo, são sempre uma barrigada de riso.
Deveriam dedicar mais tempo à coisa, as gerações futuras irão achar deliciosas as opiniões passadas.
[Responder]
Alguém recentemente escreveu neste blog que a Islamofobia é uma forma de racismo. A Cristianofobia é outra forma de racismo.
[Responder]
“O primeiro-ministro já disse que vai legislar, não temos que fazer guerra nenhuma”, dizia um dos bispos contactados, a propósito do casamento de homossexuais. “O tema também faz parte do debate cultural e, por isso, não deixaremos de afirmar a nossa posição”
Qual é a duvida? A Igreja deu uma opiniao sobre o assunto como toda a gente, mais ou menos informada, faz. Ou agora tem de andar calada porque o estado é laico?
Olhem que em Espanha a Igreja não tem meias medidas…
[Responder]
Bingo, têm razão. Só não têm em continuar a defender o celibato dos padres, que sempre foi uma impostura. O padres sempre foram os maiores povoadores do reino, em tempos em que não havia televisão ou internet e em que a santidade da função melhor desculpava a fraqueza da carne…
Também no Império, em que os missionários arremetiam valentemente pelo sertão adentro de sotaina levantada…semeando uma sociedade lusotropical fraterna.
E, de facto, o celibato é o culpado de muito mal da cristandade, desde a falta de ovelhas, da pedofilia, da esquizofrenia da distinção entre sagrado e profano.
Deveriam ser os primeiros a observarem a palavra do Senhor: Crescei e multiplicai-vos…
[Responder]
Ai o pavlov….. !!!!!
[Responder]
Cristianofobia??? Mas este post é contra o Cristiano?
[Responder]
#The Studio
“Eu creio no Deus que fez os homens e não no Deus que os homens fizeram”
J-B. Alphonse Karr (1808-1890)
[Responder]
Como uma coisa é concordar com ideias e outra é apropriar-me de palavras que não são minhas, por vezes quando me lembro do autor, sinto-me na obrigação de lhe fazer referência.
[Responder]
Xeque-Mate!
[Responder]
Acho uma nota pastoral bastante equilibrada.
Sou contra qualquer apologia que faça da homosexualidade algo contra natura. É uma das expressões da sexualidade. Mas o casamento é a celebração do encontro entre os dois géneros do ser humano. Considerar tudo igual é desequilibrado e disparatado.
Nesta nota pastoral a Igreja foi exemplar, pese embora considerações de ordem sexual que podia abster-se.
[Responder]
http://video.google.com/videoplay?docid=5302179309927381360#
Daniel. Uns documentarios sobre a RDA feitos pela BBC, nos 20 anos da queda do muro. Ainda não os vi e creio serem os mesmos que a sic noticias esta a transmitir. Podem ser uma boa escolha para os seus “Doc à 6a”.
[Responder]
Liga Sagres – primeiras 10 jornadas!
http://visaodemercado.blogspot.com/2009/11/liga-sagres.html
[Responder]
Boas.
Desculpe fugir ao tema do tópico ou se calhar até não, Daniel, mas não vai aqui falar sobre a captura do poder judicial pelo poder político que no dia de hoje teve o seu “clímax”?
Como o assunto tem a ver com a “tusa”. lembrei-me de lhe colocar esta questão.
Cumprimentos.
[Responder]
“Sou contra qualquer apologia que faça da homosexualidade algo contra natura.”
Não entrando em debate consigo, então e se fosse? E daí? Donde raio veio esta ideia de que aquilo que é natura ou contra natura tem relevância do ponto de vista ético?
Digo isto porque reparo que muita gente, discordando aqui do citado Xico, argumenta que x ou y é contra natura, logo, imoral. Mas porquê?
[Responder]
Talvez não saibam que, não há muito tempo, “essa tropa clerical” metia tamanho cagaço ao maralhal nas “confissões”, que andávamos semanas e semanas sem “arragaçar o galho”. Isto é crime !!!!!!!!!!!!!!!!!
[Responder]
Sou contra qualquer apologia que faça da homosexualidade algo contra natura
Que não é natural, disso não há dúvidas.
Se o fosse todos a praticavam, como pelo contrário é manifestamente pequena em termos porporcionais quem o é, parece natural (lá está) achar-se que não o é.
[Responder]
Caro Daniel
Os bispos têm o direito a ter a sua opinião. É tão válida como a sua.
Não se esqueça que é no ocidente Cristão, onde a Igreja desempenha um papel importantíssimo, que discutimos estas questões.
Não percebo o seu medo e as tentativas permanentes de descrédito através da ironia arrogante e “ares” de superioridade moral e intelectual.
Você tem medo de quê?
Que de repente os padres arrastem aquelas multidões que costumam juntar em Fátima ou nas procissões?
E se assim for, eles não têm direito a isso?
Acha que as manifestações da CGTP são inocentes? Acha que todos os sindicalistas querem mesmo o bem dos trabalhadores?Acha que não os manipulam para boicotar a economia e fazer vingar a revolução marxista?
Pensa que nós não vemos que esta teima do casamento dos homossexuais é unicamente uma questão política? Porque é que não querem um pacto Social? Não lhes chega? Não é protecção social que querem?Ou será que querem abalar os fundamentos duma sociedade que prima e passo a citá-lo “pela liberdade de expressão, de opinião, de associação e de imprensa; pela democracia pluripartidária; pelo respeito pelo indivíduo; pela recusa de que apenas o nosso lugar na produção explica quem somos. Não dou menos relevância a isto do que à igualdade social. Estas são causas primeiras.”
Benvindo ao Ocidente Cristão, onde o casamento foi criando gerações cada vez mais solidárias, respeitadoras de liberdades centradas na promoção da pessoa humana.
Não nos vai fazer crer que nas sociedades marxistas puras e duras esta questão alguma vez se punha.
E era o que faltava que a Igreja não pudesse ter a sua opinião.
E em que é que a sua é melhor que a dela?
[Responder]
Eu destaco o ponto 3 da Nota Pastoral, pelo brilhantismo da análise.
“3. A homossexualidade é um fenómeno conhecido desde a antiguidade, caracterizado pela expressão preferencial da afectividade e da sexualidade entre pessoas do mesmo sexo. Se, por vezes, ela constitui apenas uma etapa transitória no desenvolvimento da criança ou adolescente, o seu prolongamento pela idade jovem e adulta denota a existência de problemas de identidade pessoal. ”
Repare-se bem: “a homossexualidade é um fenómeno”, ou seja, qualquer coisa que Deus não acautelou (ou não explicou) devidamente aquando da Criação. Se Deus estivesse mais atento não teria permitido “fenómenos” destes e pouparia muitas reuniões aos Bispos. Distracções que se pagam caro, é o que é…
Mas há mais: o “fenómeno é conhecido desde a Antiguidade”. Pois é, digo eu. Ainda Deus não sonhava engravidar a Virgem e mandar o Anjo Gabriel avisar o José carpinteiro que tinha de assumir um filho que não era dele, e já o Sócrates, o Platão, o Aristóteles, o Anaximandro, o Tales de Mileto, o Anaxágoras e outros mestres do Saber eram “fenómenos”.
E mesmo de Jesus Cristo, há muito quem diga (eu não me atrevo) que aquela história da Madalena é só para disfarçar o “fenómeno”. Bem vistas as coisas, um gajo que escolhe 12 homens para andar atrás dele por montes, planícies, desertos e praias quando podia ter optado por umas donzelas morenaças (não esquecer que estamos a falar do filho de Deus, um tipo com prestígio), só pode ser um “fenómeno”.
Por último, apenas uma questão que me preocupa e para a qual reconheço não encontrar resposta:
Se a homossexualidade é um “fenómeno”, a castidade é o quê?
[Responder]
“Mas o casamento é a celebração do encontro entre os dois géneros do ser humano.”
Xico, nao , isso nao e’ casamento. A isso chama-se de sexo.
Mas a essa nova definicao (ainda nao me tinha deparado com ela) pode-se chamar tambem de operacao de mudanca de sexo, celebrada na mudanca formal do genero no BI.
Sinceramente, acho absurdo o excessivo lirismo que algumas pessoas tentam colocar a algo tao normal como o casamento, feito por milhentas razoes.
[Responder]
E ‘a pergunta “ser-se esquerdino, seja com o pe ou mao, e’ natural?”, alguem respondeu:
“Que não é natural, disso não há dúvidas.
Se o fosse todos a praticavam, como pelo contrário é manifestamente pequena em termos porporcionais quem o é, parece natural (lá está) achar-se que não o é.”
Sempre a aprender.
[Responder]
Isabel, ofereço-lhe uns padres a sério. Só para que você não diga que os Marxistas querem matar tudo o que cheire a sacristia. Estes exemplos vêm do país irmão – e lá há muitos mais. Por cá, infelizmente, são poucos, e o mais conhecido de todos eles, o Max, também não escapou aos guardiões do sistema.
http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=147:alipio-de-freitas-aconteceu&catid=8:cronicas&Itemid=69
“Alípio de Freitas nasceu em Fevereiro de 1929, em Bragança, Trás-os-Montes. Foi padre em Portugal e revolucionário no Brasil. Jornalista, promotor e dirigente de diversos movimentos sociais e associações cívicas. Sobreviveu ao sequestro, e mais tarde, à tortura em cárcere brasileiro. Hoje é uma lenda bem viva da resistência revolucionária.
Professor na Faculdade de Filosofia de S. Luís. Manteve intensa atividade no «Jornal do Povo» e no «Jornal do Maranhão». Programa diário na Rádio Timbira. A Cúria reprovou a sua atividade revolucionária e desligou-se da hierarquia da Igreja. A seguir assumiu o seu lugar nas Ligas Camponesas e foi eleito para a Secretaria Executiva da Frente de Mobilização Popular. O golpe militar de Março de 1964 apanhou-o no Rio. Exilado em México e Cuba, voltou ao Brasil clandestinamente. Preso em Maio de 1970. Peregrinação pelas prisões brasileiras. Livre em 1979. Depois, apátrida, enleio burocrático. Mais tarde, Moçambique. Atualmente mora no Alentejo.”
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=301&textCode=939&date=currentDate
Dom Helder Camara:
“Devido a sua atuação política e social, sua pregação libertadora em defesa dos mais pobres, seja pela denúncia da exploração dos países subdesenvolvidos, ou pela sua pastoral religiosa em prol da valorização dos pobres e leigos, foi chamado de comunista, e passou a sofrer retaliações e perseguições por parte das autoridades militares. Foi impedido de ter acesso aos meios de comunicação de massa e de divulgar suas mensagens durante todo o período ditatorial. ”
“[...] quando dou pão aos pobres,
chamam-me de santo, quando
pergunto pelas causas da pobreza,
me chamam de comunista [...]”
Dom Hélder Câmara
“O Dom da Paz”
http://www.direitos.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3204&Itemid=2
“Está completando 38 anos que foi encontrado o corpo do Padre Antônio Henrique Pereira Neto, mutilado e castrado pelo Comando de Caça aos Comunistas, no Recife. Padre Henrique era Coordenador da Pastoral da Arquidiocese de Olinda e Recife, professor e especialista em problemas da juventude e desenvolvia atividades junto ao então Arcebispo Dom Helder Câmara. Investigação nunca chegou a termo por causa do envolvimento dos assassinos com a ditadura militar”
[Responder]
Daniel
você censurou-me por eu ter dito que o Islão era uma boa merda ?
Começo a entender muito do que se passa nos “paraísos socialistas”. Vocês são muito progressistas e libertários mas é de boca. Vocês, os da esquerda extremista, são das coisas mais nojentas deste país. Representam tudo aquilo que eu mais detesto. São autoritários e arrogantes, para além de reaccionários e demagogos.
Pois, o Islão não é só uma boa merda, é uma religião de merdosos que só conhecem uma linguagem : a da bomba!
E se quiser censurar-me censure-me.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Novembro 11th, 2009 at 15:43
Chico, isto não é a sua tasca. Aqui usa a linguagem que usaria em qualquer espaço público. E garanto que vou fazer com que este espaço seja de debate e não de peixeirada. E tenho esse direito. Use um blogue seu para isso.
joaquim azevedo
Volto a dizer; sou Cristã, não sou católica.
Isso não me impede de reconhecer que a Igreja tem tido um papel insubstituível na promoção dos mais pobres e desprotegidos.
Só que Cristo veio pregar a revolução através da Paz e não milícia armada, das greves, do corte de ruas e do assalto pelas armas.
Uma diferença de fundo é que Cristo entende a propriedade privada.
O marxismo, não.
Cristo promove o Amor.
O marxismo alimenta-se do Ódio.
[Responder]
A homossexualidade é um fenómeno residual.
Se assim não fosse quem é que iria trabalhar para pagar a sua reforma?
[Responder]
O Daniel Oliveira, objectivamente, não sabe o que significa a castidade. Castidade não significa inactividade sexual!!! Mas também não lhe vou dar o significado. Procure!
[Responder]
Homosexual behavior in animals:
4 Some selected species and groups
4.1 Birds
4.1.1 Black swans
4.1.2 Gulls
4.1.3 Mallards
4.1.4 Penguins
4.1.5 Vultures
4.2 Mammals
4.2.1 Amazon Dolphin
4.2.2 American Bison
4.2.3 Bonobo and other apes
4.2.4 Bottlenose Dolphins
4.2.5 Elephants
4.2.6 Giraffes
4.2.7 Humans
4.2.8 Japanese Macaque
4.2.9 Lions
4.2.10 Polecat
4.2.11 Sheep
4.2.12 Spotted Hyena
http://en.wikipedia.org/wiki/Homosexual_behavior_in_animals
[Responder]
A questão do fundamentalismo gay resolve-se facilmente. Vão todos/as para uma Gaylândia, que terá como rainha a Fernanda Côncia, e onde terão todos os direitos, inclusivamente casarem-se com bonecos insufláveis, garanhões ou pepinos.
E no espaço de uma geração estará o problema resolvido…
[Responder]
Sobre a sexualidade feminina pos-moderna,
“A política informacional da cultura política da actualidade, gira à volta das transformações das relações com base na família, nas relações de género, na sexualidade e na personalidade (Castells, 2003).
Salienta-se que, para as mulheres cibernautas, as redes substituem cada vez mais as famílias nucleares como forma primária de apoio emocional e material e a funcionalidade dos cérebros depende de emoções, crenças, expressividade e mesmo alimentação das culturas. Na verdade, a tecnotrónica moldou as mentes de uma geração a vários níveis (psicológico, cultural, social e económico) e através da utilização generalizada da informática, cria novos processos políticos de poder global.”
[Responder]
Durante a Idade Média, os senhores feudais “inventaram” o cinto de CASTIDADE, como forma de garantir a fidelidade das esposas, enquanto eles iam pelejar.
Conta-se, até, que um deles, com espírito mais inventivo, conseguiu acoplar uma guilhotina ao referido cinto.
Regressado da guerra, constatou que alguns dos seus servos tinham ficado, definitivamente, condenados à ABSTINÊNCIA.
Impressionado, disse ao aio:
-”Meu bom aio, tu que mantiveste a tua fidelidade,
dize-me qual a recompensa que queres.”
O bom homem não conseguiu articular palavra.
[Responder]
Não vejo nada de anormal nesta declaração Daniel, e como você já deve ter percebido, não morro de amores pela Igreja.
[Responder]
Entao quer dizer que os celibato dos padres é uma anormalidade… lol
Quanto à poligamia…. É muito comum nas discussões que envolvem a questão da homossexualidade, as pessoas que defendem uma postura reaccionária usarem determinado tipo de argumentos que já não são novos, e que menos novos são as suas significações de contra-argumentação.
Um dos argumentos mais populares (atrever-me-ia mesmo a dizer: populacho) é a colocação da homossexualidade num grande saco misturando-a com outras realidades sexuais, muitas delas paralifílicas, como a pedofilia, o incesto, a poligamia, a zoofilia, etc. Um bocadinho como acontecia com o equivocado conceito de sodomia (pecado/crime) que prevaleceu até finais do século XIX. E porquê essa colocação? Qual é a base deste raciocínio?
Para os reaccionários só existe uma regra moralmente válida de vivenciar a sexualidade. Aquele que toma como exemplo e decorre de um modelo de sexualidade normativo, portanto, um modelo baseado na heterossexualidade (entre pessoas adultas), na monogamia e na exogamia – os três “pilares da sociedade” -, daí o tabu da homossexualidade (um tabu anacrónico e variável), da poligamia (um tabu variável mas não explícito) e do incesto (um tabu generalizado e raramente variável). Tudo o que extrapole esse modelo tem obrigatoriamente que estar na mesma categoria de (i)moralidade. Ou seja, toda a sexualidade alternativa/minoritária tem que se fundir numa mesma amálgama indiferenciada, como se o próprio modelo não fosse também desconstruível, como um todo ou isolado nos seus três critérios-base.
Começo por esclarecer: não acho que a sexualidade tenha como finalidade a reprodução biológica (embora ela seja importante numa perspectiva colectiva, universal, de continuidade do Estado/sociedade); por outro lado, qualquer pessoa que defenda que o sexo é apenas para procriar, creio estar a ser incoerente consigo mesmo/a. Também não acho que seja tudo relativo. Condeno o relativismo (sexual) mas sou apologista da relatividade (sexual), são coisas diferentes. Qual seria então as minhas “regras sexuais”? Aquelas que defendo em grande escala no que toca às vivências e relações sociais: relações baseadas no pressuposto da liberdade, desde que esta não afecte a liberdade dos/as outro/as. Partindo desse pressuposto:
• Condeno a pedofilia porque estamos a retirar a liberdade de uma criança, a liberdade de opção. E mesmo que esta corresponda positivamente não está na plena usufruição das suas capacidades morais para decidir o que é certo e errado, decidir sobre o seu corpo, sobre o seu sexo, etc. Uma criança é exactamente alguém com as suas especificidades. Mesmo para os/as homofóbicos/as mais radicais pode-se perguntar: considera a homossexualidade mais grave do que a pedofilia? A resposta parece ser consensual (a não ser, claro está, que eles/as desconheçam a diferença entre as duas, o que propositadamente lhes convêm, mas aí reformula-se a pergunta: considera que o sexo entre pessoas adultas do mesmo sexo é pior que o sexo entre um adulto e uma criança?);
• Condeno a zoofilia pelos mesmos princípios acima mencionados com a diferença de que não é uma criança mas sim um animal. Não que a criança seja um animal ou vice-versa mas porque ambos gozam dessa especificidade que faz com que não estejam na plena usufruição das suas capacidades cognitivas (o animal muito menos porque nem sequer domina um modelo de linguagem simbolicamente e significadamente equivalente a ser humano);
• Condeno o rapto e/ou violação pelos mesmos motivos anteriores.
Quanto à poligamia e ao incesto não condeno. Não afecta o princípio da liberdade sexual, não desaprovo. A nível pessoal é uma coisa, a nível da liberdade dos/as outros/as é outra.
Por essa razão sou contra o casamento pedófilo e o casamento zoófilo, aliás, ambos seriam ilegais já na sua base de legitimação. No entanto, não condenando a possibilidade de um casamento polígamo ou incestuoso, por mais que isso seja chocante. Mas ao legislarmos sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo (PSM), e ao compararmos estas realidades, estamos a dar uma ideia de vale-tudo que o conservador povo português desaprovaria imediatamente, numa ideia que se poderia resumir na seguinte premissa: “se algo vai mudar e é possível que conduza ao descalabro sócio-moral mais vale o casamento estar como está, ou seja, entre um homem e uma mulher”.
Este poste do Pacheco Pereira assenta na relatividade do conceito de casamento (o argumento do vale-tudo) e eu passo a desconstruir.
Um argumento que acho quase irredutível é o argumento do casamento polígamo, porque parecendo que não, é um argumento muito bom, mas como todo o pensamento, este têm peculiaridades que torna ilegítimo a sua evocação. E quais são elas? Passo a enumerar:
• As condições históricas (contingentes ou não) fizeram dos homossexuais um grupo identitário irrepreensível, de tal forma, que os polígamos não encontram essas condições necessárias. A forte repressão aos homossexuais, consubstanciada na criminalização, patologização, desqualificação, insulto, perseguição, ódio, agressão e crime de morte, deu-lhes uma estrutura identitária que lhes permitiu a politização adequada para reivindicar direitos, ao contrário dos polígamos Os paneleiros e as fufas puderam assim fazer jus da sua discriminação e do seu preconceito para exigir (a sua) cidadania. Ora, quantos nomes pejorativos vocês conhecem para polígamos/as? Provavelmente 0. E para gays e para lésbicas? Suponho que cinquenta ou mais. Estão aí as condições necessárias para o facto de os homossexuais serem pioneiros na questão da liberdade sexual de sexualidades conceptualizadas como sexualidades alternativas. Sem dúvida, que poderemos equacionar a hipótese de usarmos essa estrutura identitária para polígamos/as mas seria, no mínimo, um equívoco. De qualquer forma, que sejam os/as polígamos/as a tratarem disso;
• Relacionado com o primeiro ponto, temos o principio articulado da Constituição que não permite que ninguém seja discriminado em função da sua orientação sexual. A Constituição ao exprimir explicitamente esse critério torna equivoco o próprio conceito de casamento. E não estamos a falar de essências do conceito nem das suas suposições. Estamos a falar do conceito real nas suas asserções homem e mulher. E porque é que a Constituição passou a expressar o critério da orientação sexual como impeditivo para ninguém ser discriminado? Porque essa é a categoria histórica, tal como outras (“raça”, “religião”, “sexo”, etc), ao qual as pessoas têm sido gravemente e tradicionalmente discriminadas. Como referi no primeiro ponto, a discriminação social foi tanta (se bem se lembram o critério começou com a discriminação laboral nalguns estados dos E.U.A, e a pandemia da sida veio a agravar a questão), que os Estados tiveram que legislar sobre essa discriminação que tomou proporções de ódio. Ora, os polígamos/as nunca tiveram esse tipo de discriminação social. Por outro lado, ao reconhecer esse critério, automaticamente reconheceram a existência de homossexuais, bissexuais e transsexuais o que para os/as polígamos/as tal reconhecimento não é passível de se processar;
• Relacionado com o último ponto: imaginemos que os polígamos são discriminados. Que critério poderíamos usar para protegê-los? A designação “orientação sexual” seria um erro pois a poligamia não é uma orientação mas sim uma prática consciente que assenta em opções convictas. Por outro lado, “orientação sexual” implica um desejo por UM dos sexos (homem e mulher) o que não permite a abrangência da poligamia na sua conceptualização. Poderíamos usar o termo “opções” mas isso implicaria que considerássemos a zoofilia uma opção, por exemplo;
• Outra questão que as divide é a especificidade local de ambas e a sua aceitação inversamente proporcionais, isto é, os países que mais reprimem a homossexualidade (países muçulmanos, por exemplo) são os países que incitam à poligamia e os países que mais toleram a homossexualidade são os países que mais reprimem a poligamia (países ocidentais). Porquê? Por razoes logísticas/estruturais que se referem exactamente ao próximo ponto;
• Quando os reaccionários defendem o casamento tradicional (homem + mulher) separando-o do casamento PSM justificam-se com o facto da possibilidade de reprodução biológica ser só possível no primeiro e não operacional no segundo (como casal monogâmico). Ora, aquilo que eles tanto defendem acaba por ser o seu ponto de ruptura quando, por exemplo, evocam a possibilidade do casamento polígamo, para “desmoralizar” o casamento PSM. Porquê? Porque o casamento polígamo representa MAIS hipóteses de reprodução. Por outro lado, dá também a sensação que os próprios reaccionários estão a defender o casamento polígamo, o que se pode traduzir numa má imagem para a direita. Apetecia mesmo não discutir a questão do casamento PMS e defender o direito ao casamento polígamo e perguntar aos reaccionários: e agora? Defendam o casamento monogâmico (será que utilizariam o argumento da reprodução?!);
• Existe uma impossibilidade de determinamos a origem exacta da homossexualidade (nem faz muito sentido, politicamente) mas podemos concluir que esta seja automática, inconsciente, mecânica, (aliás, tal como a heterossexualidade), ao passo que a poligamia é, sem dúvida, fruto da noção psicológica (qualquer pessoa pode ser polígama porque todos/as nós temos uma atracção multidireccional mas nem toda a gente pode ser homossexual) e fruto de um espectro cultural o que a torna, não numa orientação, mas sim numa prática, ora, as práticas são mutáveis. Isto é, não podemos obrigar um homossexual a sentir desejo heterossexual mas podemos mudar o exercício de concepção de relações de um polígamo (e isso não o conduzira a uma revolta identitária porque nem sequer reprimido, social e legalmente, ele é). A própria questão daquilo que é natural é um equívoco. Porquê? Segundo os reaccionários, a heterossexualidade é natural a homossexualidade não. Ora, a poligamia sempre é mais natural do que a monogamia que é instituída – vejam o caso da maior parte dos animais, e eu bem sei que os há monogâmicos. Agora depende que de espécie estamos a falar e de qual mais convêm;
• O argumento mais forte. Nós sabemos que a lei separa o direito do casamento do direito de construir uma família mas sabemos também (aliás, através dos argumentos dos reaccionários) que simbolicamente não são realidades amorfas nem distantes uma da outra (nem que seja através das práticas sociais verificadas). A minha questão é: que estruturas familiares oferece uma comunidade (note-se que até o conceito de casal é obscuro) polígama? Será uma comunidade uma família? A quem as crianças chamariam mãe, pai? A própria existência múltipla dos parentes produziria na criança uma confusão tal que não faz sentido. Se o casamento polígamo é permitido então quer dizer que TODAS as pessoas do mundo se podem casar com TODAS as pessoas do mundo? – A questão da externalidade – (embora essa possibilidade seja tão estapafúrdia como dizer que o casamento PMS vai tornar as pessoas todas homossexuais). Em suma: um casal gay (ou um casal lésbico) apresenta melhores condições para educar uma (ou várias) criança (s);
• Existe uma disfuncionalidade relativa à idade técnica e ao sexo no casamento polígamo. Passo a explicar: o casamento polígamo poria em causa a igualdade entre sexos porque a própria poligamia advém de um sistema masculinista e patriarcal, razão pela qual a poligamia de um homem com várias mulheres seja esmagadoramente mais comum e isso ameaçaria a igualdade entre homens e mulheres (possessão). Em relação à idade, surgiria uma situação idêntica;
• Em Direito discute-se um assunto de cada vez. De qualquer forma, repito, que sejam os/as polígamos/as a tratarem disso.
Em jeito de conclusão deixo-vos um pequeno excerto de texto do Miguel Vale de Almeida (ISCTE e CRIA) apresentado no Congresso APA de 2009 na Sessão Plenária “Lógicas do Poder” onde este tecia algumas considerações sobre a Teoria Queer:
« (…) ma delas é a crítica à monogamia, apresentando a questão da poliamoria como parte do seu programa de transformação cultural (a poliamoria descreve arranjos amorosos com mais de um parceiro, em mútuo consentimento e sem projecto de fidelidade). Ora, a poliamoria não é, a meu ver, um problema do movimento social LGBT nem de nenhum outro, porque a poliamoria apresenta-se como uma escolha de estilo de vida, uma opção por um determinado tipo de valores nas relações amorosas. Não se apresenta como uma reivindicação política de mudança legislativa ou de direitos. Tal seria verdade se se tratasse de poligamia, a qual tem uma dimensão jurídica. Ora, não havendo uma reivindicação poligâmica (que, a haver, essa sim seria, e bem, contrariada, pois o mútuo consentimento não seria o suficiente para apaziguar o receio de desigualdades de género profundas), há, sim, o perigo de uma leitura social e mediática – errada, claro, mas não menos perniciosa por isso – da poliamoria como poligamia, prejudicando o que alguns (por exemplo, eu) acham prioritário porque mais próximo de ser conseguido. Deixo de lado, por espúria, a questão de a poliamoria pouco ter de verdadeiramente novo, mesmo no campo da crítica cultural: basta pensar-se no libertarismo sexual dos projectos de socialismo utópico do século XIX, do radicalismo sexual de Reich e outros no século XX ou, dando um salto no tempo, no Maio de 68. Do ponto de vista da abertura do possível, da crítica cultural que demonstra existir outras formas de viver, claro que a poliamoria tem valor político. Mas tratando-se de uma escolha ética no campo das relações amorosas nada tem a ver com uma agenda de transformação das condições de cidadania. Muito menos pode servir para alienar quem, no usufruto do direito a escolher, queira seguir outros modelos relacionais (…)»
[Responder]
O amigo António Cunha (há uns “posts” atrás) deu umas “bicadas” numa coisa chamada IURD.
Agora, chegou a minha vez, porque essa associação de malfeitores “religiosos” é muito mais perigosa, na prática, do que qualquer nota da Conferência Pastoral.
Sobre a ICAR já escrevi o que tinha a escrever, em relação a este assunto.
A IURD (com “quartel-general” em Chelas), tem a mesma posição “teológica” que a ICAR. Com a diferença que a IURD (que vende “milagres” a bom preço), até consegue “curar o fenómeno”, desde que o “doente” tenha uns bons milhares de euros disponíveis. Aliás, é condição “sine qua non” da IURD (tens o “pilim para dar, tudo te vou curar”).
Não pensem que este comentário é deslocado, porque, como o anúncio da Coca-Cola, essa “religião” está a entranhar-se.
Mais não escrevo, porque o amigo António Cunha deixou, bem claro, que tem muito material disponível sobre este assunto. Assim ele esteja disponível para o divulgar.
[Responder]
Meu caro Joaquim Azevedo
Se a homossexualidade é um “fenómeno”, a castidade (é pá) é um “epifenómeno”. Elementar meu caro “Watson”…
Um abraço e parabéns pela sua “paciência de santo”
[Responder]
# 29
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
???????????????????????????????????????????????
[Responder]
a homossexualidade está implicita à criação na Biblia;
não é um “facto” assumido pelos padres que a “nossa senhora” mãe de deus engravidou depois de ter tido sexo com uma pomba?
[Responder]
Usar as imbecilidades da igreja é argumento fraco!
Mas diga-nos lá então, defende que haja um casamento entre 3 homens e 4 mulheres?
Todos se amam, todos estão conscientes de que esse é o seu caminho, todos o querem fazer – porquê descriminá-los?
Defende ou não defende?
E se acha que o exemplo é estúpido, ponha 1 homem e 7 mulheres! E porque não uma mulher e 7 homens?
E porque não 5 homens?
É estúpido e anormal? Pois esse é precisamente o argumento que pessoas como eu usariam para o casamento homossexual!
[Responder]
Natcho # 37
Eh pá, temos tratado de “Teoria Queer”, a coisa fia fino… Para quando uma licenciatura e mesmo um doutoramento nessa matéria ? E terá aulas práticas ?
“Quanto à poligamia e ao incesto não condeno”, diz você, ou então é citação… Bingo, já estou a ver que as causas fracturantes não se vão esgotar tão cedo e que a Madrinha Côncio tem ainda muitos afilhados potenciais…Descobriu um nicho de mercado inesgotável, é o que é, teremos mamãs a quererem casar-se com o seu filhote querido, avôzinhos gaiteiros a quererem casar-se com netinhas espigadotas…enfim, um admirável mundo novo…
Mas você repete tantas vezes o qualificativo “reaccionário” para designar os incrédulos, que eu fiquei preocupado…não quero ser confundido com os reaccionários, isso é que não. Acha que é melhor, pelo sim pelo não, começar já a levar no cu ? Diga-me sinceramente.
[Responder]
# 34 Madalena Madeira,
explique-me lá melhor isso da sexualidade feminina pós-moderna…
“para as mulheres cibernautas, as redes substituem cada vez mais as famílias nucleares como forma primária de apoio emocional e material” diz o seu guru, o tal Castells…
Como é isso ? Agora as mulheres já não precisam da família, mesmo da nuclear, e vão passar a dar “bodos aos pobres” à malta toda da sua rede social na internet ?
É isso o que você chama sexualidade pós-moderna ? Ora boas, julguei que já estava desactualizado. Isso já existe há muito tempo…É o que se costuma chamar Putaria….
[Responder]
http://www.publico.clix.pt/Sociedade/populacao-portuguesa-e-a-que-envelhece-mais-depressa-na-ue_1409358
[Responder]
“…a realização de 1,2 milhões de abortos, a descida de mais de 725 mil casamentos por ano e um milhão de divórcios. “O aborto e o cancro são as principais causas de morte”, assinalou. A cada 27 segundos há um aborto nos 27 e a cada três minutos uma rapariga jovem interrompe uma gravidez, refere o relatório….”
[Responder]
Natcho, excelente artigo, parabens!
[Responder]
31 Bracaracesaraugusta
Fui ver ao dicionário. Castidade: virtude daquele que é casto. Casto: o que se abstem de relações sexuais.
[Responder]
Exmº Sr. Comentador-Mor-Porta-Voz-do-bin-laden-portador-da-linguagem-mais-rasca-do-insulto-mais-rasteiro e outras comendas que lhe possam ser entregues.
Como V. Exa. é repetitivo na sua “Guerra Santa”,
permita-me que este comentador menor também o seja quando volta a perguntar-lhe:
Quantas crianças “nazi-sionistas” já matou hoje?
Acho que é melhor seguir um conselho que já lhe dei. Vá sentar-se no topo do minarete da Mesquita de Lisboa (se a Nossa Comunidade Islâmica permitir) …
De V. Exa. (reles imitação de um taliban)…
[Responder]
Isabel, a Sra deve ser aquela que, há uns tempos atrás, dizia que os touros lutavam por prazer.
Deixe-me dizer-lhe: Os “deuses” foram criados para justificar a existência de “pecadores” e pobres.
Foram desaparecendo, à medida que iam perdendo influência e, num desesperado esforço de segurar o que resta, criaram as religiões.
É irreversível cara Sra, as religiões irão desaparecer e, não fosse o mal que causaram e causam na sociedade, só daríam para rir.
[Responder]
Fado Alexandrino, o Sr. já reparou que mais parece um papagaio de cabeça para baixo?
[Responder]
Meu caro Natcho
Desculpe ter escrito primeiro um comentário a essa coisa #44.
Espero que alguém leia o seu comentário, o analise e interprete como “deve ser”.
Pela minha parte, obrigado.
Um abraço.
[Responder]
há aqui neste forum gente muito trapaceira.
mas a mim não me enganam…
[Responder]
Caro Teixo
Desculpe mas, quando fiz o meu comentário #53, ainda não “estava cá” o seu #48.
Como não estava o daquela aberração #45.
Parece “linguagem” jurídica (artª tal…) mas, é para poupar tempo e espaço.
Estamos, pois, de acordo com o excelente comentário do Natcho.
Um abraço, meu caro.
[Responder]
Fado Alexandrino, o Sr. já reparou que mais parece um papagaio de cabeça para baixo?
Acho que acertou, olhe:
Are you sure?
I’m positive.
Only a fool is positive.
Are you sure?
I’m positive.
[Responder]
Meu caro Daniel
Será que esse energúmeno (lembras-te desse “post”) que depositou os “comentários” #44 e #45 (para não mencionar os antecedentes) não merece também uma chamada de atenção (no mínimo idêntica) à que fizeste ao Chico da Tasca?
Um abraço.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Novembro 11th, 2009 at 22:55
cafc, não se preocupe. A partir de agora não farei mais chamadas de atenção. Não serão publicados nem esse tipo de comentários nem as queixas que se lhes seguem. Ponto final.
EuroLiberal; «Também no Império, em que os missionários arremetiam valentemente pelo sertão adentro de sotaina levantada…semeando uma sociedade lusotropical fraterna.
E, de facto, o celibato é o culpado de muito mal da cristandade, desde a falta de ovelhas, da pedofilia, da esquizofrenia da distinção entre sagrado e profano.»
Quer casar comigo? Olhe, vem mesmo a propósito, o PS vai facilitar-nos a vida…. além disso gosto do seu tom frásico…
[Responder]
Natcho # 37
“Condeno a zoofilia pelos mesmos princípios acima mencionados com a diferença de que não é uma criança mas sim um animal. Não que a criança seja um animal ou vice-versa mas porque ambos gozam dessa especificidade que faz com que não estejam na plena usufruição das suas capacidades cognitivas (o animal muito menos porque nem sequer domina um modelo de linguagem simbolicamente e significadamente equivalente a ser humano);”
E se esperar quietinho pelo animal, sentadinho de rabo pró ar, já dá?
[Responder]
Natcho # 37
A sério, boa contribuição. É que a grande maioria do pessoal só abardina e depois “pega-se”. E ainda por cima, o nosso amigo Daniel só responde a bocas e ao acessório e balda-se como gente grande às questões mais sérias que lhe são postas. Boa sorte…
[Responder]
o post original, e que acho que pouco tem a ver com a discussao aqui tida, é uma piada. e até tem graça
mas consegue roçar o ofensivo.
Ou seja, se levarmos à letra a brincadeira o Daniel está a insultar os celibatários (por opçao ou imposiçao ou obediencia a uma ordem, o que seja!) utilizando o argumento da nao-naturalidade do comportamento.
A minha consideraçao é mais ou menos esta: acho que tanto a homossexualidade como a heterossexualidade, para além das questoes fisiologicas, sao essencialmente construçoes culturais e individuais. Se num determinado momento temos uma atracçao seja ela tendente ao mesmo sexo ou ao sexo oposto ou muitas vezes aos dois definimos uma opçao de comportamento relativamente a esse sentimento.
Influenciado pelo meio, claro está, com todos os constrangimentos que (infelizmente) ainda existem para assumir uma sexualidade que nao seja tradicional ou mais representativa, isto é, que nao seja uma sexualidade heterossexual, entre pessoas de idades próximas entre si e monogâmica, sem nenhum grau de parentesco ; esses constrangimentos existem todos…mas é uma opçao de vida.
De aceitaçao, de repressao, de experiencia, mas tomamos uma opçao consciente relativamente a um caminho.
Nesse sentido, e no campo das liberdades individuais, qualquer cidadao tem o direito de reprimir de forma consciente a sua sexualidade. é um direito que lhe assistir.
Por isso é que acho que nao se deve gozar com eles…mas que teve graça, teve.
[Responder]
Isabel #29, cito:
“Uma diferença de fundo é que Cristo entende a propriedade privada.”
Tem razão, Isabel, entende. E é precisamente por entender, que é contra. Ora veja:
1- Apóstolo Paulo:
“Mas, não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós opressão, mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade; como está escrito: O que muito colheu não teve de mais; e o que pouco, não teve de menos” (2ª Coríntios 8:13-15).
2- Apóstolo Paulo, insistindo no tema :
“Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Filipenses 2:4).
3- Jesus Cristo:
““Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras? E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?” (Lucas 16:11-12).
4- Jesus Cristo, mais uma vez:
“Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:33).
5- Mais informações para reflexão aqui:
http://www.elcristianismoprimitivo.com/Pedro%20Rideman%20escrevendo%20da%20prisao.htm
“Para quem fez Deus o sol? Para quem fez os céus? Para quem fez o dia, o ar e as demais coisas criadas, se não que fosse para proveito de todos os homens em comum? Ainda temos em comum os corpos celestes. Isto é devido a que estão tão longe que o homem não pode apoderar-se deles! A maldade é tão grande no homem que se pudesse alcançar o sol, certamente alguém já o teria reclamado como sua propriedade privada.”
“O homem nascido de novo, feito conforme a semelhança ou imagem (reflexo) de Deus, se despoja de tudo o que o afasta de Deus: Nisto inclui o empenho pelas posses e pela ganância. Aquele que não se despoja, não é um reflexo de Deus.
“Como os santos compartilham entre eles todos os dons espirituais recebidos, assim também compartilham os bens materiais que Deus os presenteia. Não dizem que algo seja deles em particular, e nesta liberdade mostram que são partícipes da comunhão de Cristo e que tem sido transformados em reflexos dele. Quanto mais o homem se empenha no material e na propriedade privada, mais distante estará da semelhança de Cristo e da comunhão com ele.”
Eu, Joaquim Azevedo, que em matéria religiosa sou pouco mais do que um ignorante, interrogo-me sobre, afinal, qual será a igreja onde a sra aprendeu tudo ao contrário…
Natcho #37, bem esgalhado, sim, senhor. Pena que alguns só leiam as coisas na diagonal e mal – só assim se compreendem alguns comentários completamente descabidos ao seu texto. Ou é isso (e tem remédio), ou então é iliteracia e, aí, nem as Novas Oportunidades os safam.
Cafc, obrigado pela atenção que me dispensa.
Abraço, companheiro!
[Responder]
joaquim azevedo
Não sei se sabe mas Cristo era um empresário. Tinha, com o seu padrasto, uma fábrica artesanal, talvez de mobilias ou utensílios agrícolas. O negócio devia correr bem e os produtos de qualidade, porque nada ficou em stock para eventualmente chegar aos nossos dias.
Pelo discurso na vida pública, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, ele entendia os impostos.
Mais depressa entra um camelo por uma agulha (pequena porta duma fortificação) do que um rico no reino dos céus, ele como judeu e comerciante entendia o lucro, mas com conta peso e medida.
Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus, o número de moedas é irrelevante, o que importa é o apego que se tem a elas. Há ricos em ouro deprendidos e generosos e há pobres em ouro egoístas e avarentos.
E é nestes parâmetros que assenta a Democracia Cristã ou Capitalismo Social.
Mais importante que os bens é o uso que se lhes dá.
E continue a ler. Não tarda nada sabe mais que eu (se é que não sabe já). E quem sabe, talvez um dia sejamos irmãos em Cristo, porque filhos de Deus já somos.
[Responder]
Não, Isabel, realmente eu não sabia que Cristo era um microempresário artesanal com ligações ao negócio das madeiras e da agricultura. Felizmente que nunca se dedicou às sucatas, aos submarinos e ao milho transgénico. Falta saber se esteve ligado ao negócio do abate de sobreiros, mas isso são contas de outro rosário.
O padrasto e sócio é que não deve ter achado grande piada quando ele (Cristo) se pôs a andar de casa aos 18 anos na companhia de 12 barbudos, só lhe apareceu novamente aos 33, arranjou uma desculpa qualquer e anunciou que ia para o Céu. Se eu fizesse uma coisa destas ao meu pai ele mandava internar-me num hospício.
Quanto ao resto da sua já habitual cassete, não resisto a relembrar-lhe:
“[...] quando dou pão aos pobres,
chamam-me de santo, quando
pergunto pelas causas da pobreza,
me chamam de comunista [...]”
Dom Hélder Câmara
“O Dom da Paz”
[Responder]
Mais importante que os bens é o uso que se lhes dá.
[Responder]
Cristo era “louco” sim, mas um “louco” que mudou o mundo para melhor.
Pelo menos não teve um filho natural duma empregada, que deu para adopção depois de pedir ao amigo Engels para assumir a paternidade.
Coragem, coragem era mandar os outros para a cabeça do toiro.
Ele, tá quieto, que a “Mutter” além de rica não devia ser para brincadeiras.
E nem só de pão vive o homem.
Vive principalmente duma boa mesada.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Novembro 12th, 2009 at 23:21
Isabel, comparar um profeta que tentou fazer da sua vida um exemplo com um filósofo que só deve ser politicamente julgado por o que escreveu faz pouco sentido.
Daniel
Um homem que lutava contra a exploração do homem pelo homem, chamando exploradores a todos os outros, não tinha de dar o exemplo, mostrar como é?
Ele realmente deu.
Explorou a legítima, pôs-lhe os palitos, explorou os filhos, não trabalhava só escrevia e as crianças morreram negligenciadas, explorou a empregada porque tinha empregada e isso já por si era sinónimo de exploração, explorou-a outra vez porque a usou e deitou-a fora, explorou o filho porque o recusou e não lhe deu os direitos naturais, e explorou o amigo obrigando-o a fazer o que não se pede a um amigo, bolas, não havia ele de estar obcecado com a exploração.
Era o que ele mais fazia. Chutando-a para cima dos outros talvez ninguém percebesse quem era ali o explorador.
E o louco era o Outro.
[Responder]
# 68 Daniel Oliveira
“Isabel, comparar um profeta que tentou fazer da sua vida um exemplo com um filósofo que só deve ser politicamente julgado por o que escreveu faz pouco sentido.”
Cristo, um profeta? Eu pensava que o Daniel era ateu, afinal saiu-me um muçulmano. Quem diria?
[Responder]
Isabel diz: Cristo era um “louco” sim, mas um “louco” que mudou o mundo para melhor.
Nada de mais errado! Repare que, depois de ter aconselhado o povo a amar-se, foi preterido em favor de Barrabás.
Ao longo de séculos, andam milhares de seitas a usar e a abusar do nome dele, para melhorar o mundo? Talvez, se exceptuarmos as cruzadas, a “santa” inquizição, o apoio à colonização, a pedófilia etc. etc.
[Responder]
“Cristo, um profeta? Eu pensava que o Daniel era ateu, afinal saiu-me um muçulmano. Quem diria?” Isabel Coutinho # 70
Chiuuu… não me estrague o negócio. Estou quase a convencer o Daniel a renegar os infiéis reaccionários sodomitas do Berloque decadente e a aderir à revolução islâmica…Daí o lapsus linguae…
Ele anda a treinar a shahada (There’s no God but Allah and Mohamed is His Profet), única formalidade para a conversão…Chiuu…
[Responder]
Daniel,
suponho que querias dizer “abstinência” e não “castidade”.
São coisas diferentes. Um gajo pode ser sexualmente activo e ser casto. Basta apenas ter relações com a sua legítima esposa.
Mas quando é para bater nos padres o rigor não interessa muito, não é?
[Responder]
CC
Como estamos no domínio religioso eu tentei explicar isso com a minha “parábola” #35…
Cumprimentos
[Responder]
# 69 Isabel
Oh não, mil vezes não, afinal Carlos Marx era reaccionário, explorador, pequeno-burguês, mau pai, machista e chulo…
“Explorou a legítima, pôs-lhe os palitos, explorou os filhos, não trabalhava só escrevia e as crianças morreram negligenciadas, explorou a empregada porque tinha empregada e isso já por si era sinónimo de exploração, explorou-a outra vez porque a usou e deitou-a fora, explorou o filho porque o recusou e não lhe deu os direitos naturais, e explorou o amigo obrigando-o a fazer o que não se pede a um amigo, bolas, não havia ele de estar obcecado com a exploração”
[Responder]
Meu caro Joaquim Azevedo
Jesus ainda tentou outras actividades. Nas “bodas de Canaã”, transformou a água em vinho e, segundo os relatos da época, com assinalável sucesso.
Não continuou, que se saiba, com essa actividade micro-empresarial. Porquê, é um “mistério”.
Séculos mais tarde, o exemplo frutificou, só que a “qualidade do produto” não era a mesma e os seus autores foram chamados de “mixordeiros” e o produto classificado de “vinho a martelo”.
Esta é uma modesta contribuição para a “estória” que o meu amigo continua, pacientemente, a querer contar.
Um grande abraço.
Moral da “estória”, nem sempre se pode seguir o mestre.
[Responder]
76 cafc
ó meu caro amigo, Jesus regressou à terra e anda a praticar milagres ali prós lados da 2ª circular pertinho do Colombo.
E que milagres.
Estou sempre a ouvir, este Jesus é o(um) senhor !
[Responder]
Meu caro António Cunha
E não é que estou de acordo? Eu também sou do Glorioso.
Mas, só para uma “bicada”, quando Ele voltou à Terra no tempo do MRS, deixou um bocado a desejar quanto às capacidades “milagreiras”.
Um abraço meu amigo e haja boa disposição!
[Responder]
Cafc, se bem me lembro (como dizia o Nemésio), o Cristo também chegou a tentar enveredar pelo negócio da panificação, isto é, transformar as pedras em pão. Felizmente que a ASAE estava atenta e acabou logo ali com a vigarice. Consta que a expressão “pedra no rim” vem dessa história, mas confesso não ter fontes credíveis que mo confirmem. A DECO afirma que, na altura, recebeu várias queixas da parte de uns tipos barbudos com ar de pescadores que se queixavam de dores lancinantes depois de um almoço com um gajo que se intitulava “o filho de Deus”. O processo deu entrada em tribunal, mas a verdade é que 2000 mil anos depois ainda não se encontrou o culpado. Esta lentidão da justiça já não é de agora, caro amigo – vem de longe.
[Responder]
Meu caro Joaquim
Lembro-lhe apenas que estamos a ter esta construtiva conversa, porque vivemos no Ocidente Cristão.
Se vivessemos no Oriente Islâmico provavelmente não a teríamos.
Mas se vivessemos no Leste Materialista/marxista, não a teríamos de certeza absoluta.
“O processo deu entrada em tribunal, mas a verdade é que 2000 mil anos depois ainda não se encontrou o culpado. Esta lentidão da justiça já não é de agora, caro amigo – vem de longe.”
No seu ex-paraíso terrestre consta que a justiça era célere, talvez por sumária.
E execução da sentença então, era “automática” de fabrico soviético.
[Responder]
Meu caro Joaquim Azevedo
Vou terminar, nesta fase, a minha modesta contribuição para a “estória” (amanhã é Domingo),
com outro episódio, revelador de mais uma faceta empresarial do nosso Herói.
Farto dos insucessos micro-empresariais teve uma “visão em grande”. Depois dos “milagres” da super-pescaria e da multiplicação dos peixes, tentou investir nesse ramo.
Primeiro, os protestos dos outros pescadores (concorrência desleal), depois a intervenção do Ministério Público (informação privilegiada que lhe vinha lá “de cima”), liquidaram a iniciativa.
Séculos depois, surge a Docapesca.
Porém, o fim da “estória” assume contornos trágicos.
Conta-se que começou por circular o boato que Jesus tinha morrido afogado, com base na informação de que tinha sido “debalde” que os discípulos o tinham procurado.
Por fim, depois de ter convencido o Tomé, teve que enfrentar a prova popular em como tinha ressuscitado.
Dirigiu-se ao Lago Tiberíades, perante uma enorme multidão. O objectivo era voltar a caminhar sobre as águas.
Porém, afundou-se. Salvo pelos discípulos, exclamou:
“-Desde que me furaram os pés, nunca mais consegui fazer este número!”
E, pronto, foi assim que subiu ao Céu, dando o verdadeiro início à era espacial.
Um grande abraço, meu amigo e até à próxima.
Agora vou “confessar-me”…
[Responder]
Isabel #80, hoje, como estou bem disposto, dedico-lhe um poema de um nome maior da literatura portuguesa. Fernando Pessoa, embora com o pseudónimo Alberto Caeiro.
VIII – Num Meio-Dia de Fim de Primavera
Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
“Se é que ele as criou, do que duvido” —
“Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.”
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.
…………………………………………………………………..
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
…………………………………………………………….
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
……………………………………………………………
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?
[Responder]
joaquim azevedo
Eu gosto imenso deste poema. É um dos “meus poemas”.
Mas é poesia. Talvez porque ao catolicismo lhe falte esta pureza inicial e essencial, eu não seja católica.
No entanto entendo que há uma filosofia tornada doutrina, importante para os não poetas, para os terra a terra, para os mais objectivos, para os mais rudes. É com essa regras que se constrói a democracia e o respeito pelas liberdades e dignidade dos outros.
São regras que cumpridas, levam por caminhos terrenos, ao céu.
Porque, infelizmente, a poesia não é para todos. Poucos são os que são santos sem precisarem de saber as normas.
A simplicidade deste menino Jesus, para mim, é a maior forma de grandeza. É o Cristo vivo. Talvez o da Igreja ainda seja o Cristo da cruz. Mas alguma coisa vai mudando.
Obrigada pela sua boa disposição.
[Responder]
Mas não se esqueça que a Igreja do Alberto Caeiro estava ainda longe do Concílio Vaticano II.
[Responder]
Isabel, eu não quero estragar-lhe a festa, mas no Cristianismo não há nenhuma “pureza inicial”. Já havia muita produção de saber, muita reflexão sobre a relação humano/divino, muitos deuses adorados e rejeitados, muito pensamento metafísico, antes de Cristo. Em suma, já havia de tudo cá na Terra.
Cristo é apenas mais um no meio de muitos. Ainda por cima, não se lhe conhece um texto que seja – nunca escreveu nada. Tal como, aliás, o Sócrates, antes dele, ou o Che Guevara, mais recentemente. Homens de acção certamente, muito mais que de palavra, e que acabaram a vida de forma trágica. Um envenenado, outro cruxificado e outro ainda, executado à bala.
Há muitos “cristos” neste Mundo, cara amiga…
[Responder]
Eu sei Joaquim, eu sei.
Eu sou a primeira a falar em Cristos, até os há marxistas.
São os que morrem por acreditarem numa causa que promova o bem comum, mesmo que eu não concorde com ela. Para mim são Cristos na mesma.
Mas o Che, não. Aquela frase “em caso de dúvida mata”, é imperdoável. Faz dele um mortal cheio de ódio.
É o Amor que distingue os Cristos dos pseudo-Cristos.
[Responder]
Eu quero a lista dos Cristos-Marxistas.
Por piedade para com este mortal “que não está cheio de ódio”.
Eu queria dormir na paz do Senhor.
Mandem-me a lista ou andarei a “penar” até ao “Juízo Final”. Livrem-me desta “Loucura Temporal”.
[Responder]
Ah! Já agora, se não der muito trabalho:
Também é possível enviarem-me a lista dos pseudo-Cristos?
Por favor, por amor de todos os verdadeiros Cristos (eu a pensar que só havia um e, de repente vejo-me confrontado com a “multiplicação”…ou será “clonização”?),tenham dó desta pobre alma angustiada!
[Responder]
Isabel:
Jesus podia ser filho de um carpinteiro, mas não consta que ele próprio fosse um “empresário”.
O Joaquim tem razão nas citações que fez. A Isabel não tem razão na contrposição que faz, falando dos impostos de César, pois o significado dessa expressão era metafórico: alegadamente pretendia distinguir o temporal (o que é de César) do espiritual.
Mas o Joaquim nem referiu o principal, também na Bíblia, no Novo Testamento, nos Actos dos Apóstolos. Fieis aos ensinamentos de Cristo, os cristãos partilhavam todos os bens materiais.
Um casal quer aderir à comunidade cristã, mas não quer abdicar de todos os seus bens para partilhar com os outros cristãos (preferiam ter alguma propriedade privada). Deus mata o marido, e castiga a mulher.
Se o Novo Testamento fosse levado a sério, os cristãos seriam contra a propriedade privada. O que acontece é que os cristãos escolhem ignorar partes do Novo Testamento.
Quando Jesus diz que é tão fácil um rico chegar ao céu como um camelo passar pelo buraco de uma agulha, ele está a ser bastante claro. Quando Pedro diz que quem tem duas camisas deve dar uma; quem tem dois pães deve dar um, ele está a pedir mais do que esmolas: está a pedir partilha.
Note-se que eu acredito na propriedade privada, mas estou à vontade porque não sou cristão. Se fosse cristão (e já fui), teria de ser contra a propriedade privada, pois seria a única forma de ser coerente. Jesus queria que todos abandonassem as suas posses, e partilhassem os seus bens.
Não havia grande preocupação em produzir riqueza, porque o fim do mundo estava próximo. Mas o tempo de Deus é um pouco mais demorado, e o fim do mundo próximo no tempo de Paulo ainda tarda.
[Responder]
Tentando recuperar algo de sério.
Vou transcrever “uma parte do Antigo Testamento” que, sendo em prosa, “diz” algo sobre a propriedade privada:
“A competição é desumana – Vi também que todo o trabalho e todo o empenho que o homem põe nas suas obras é fruto de competição recíproca. Isto também é fugaz e uma corrida atrás do vento. O insensato cruza os braços e consome-se. Mais vale uma só mão cheia com lazer, do que as duas mãos cheias com fadiga, correndo atrás do vento.
A união faz a força – Vi ainda outra coisa vazia debaixo do Sol: um homem sózinho, que não tem ninguém, nem filhos, nem irmãos. Apesar disso, não deixa de se afadigar, nem de se fartar com riquezas. Para quem se afadiga ele e se priva da felicidade? Isto também é fugaz e trabalho inútil. Mais vale estar a dois do que estar sózinho, porque dois tirarão maior proveito do seu trabalho. De facto, se um cai, poderá ser levantado pelo companheiro. Azar, porém, de quem está sózinho: se cair, não terá ninguém para o levantar. Se dois se deitam juntos, um poderá aquecer o outro; mas como poderá alguém aquecer-se sózinho? Se um deles for agredido, os dois poderão resistir, e uma corda tripla não rebenta facilmente.”
Não identifico o autor, porque quero dar algum trabalho de pesquisa à amiga Isabel. E, textos destes há mais, em prosa ou em verso no Antigo Testamento.
[Responder]
«Jesus podia ser filho de um carpinteiro, mas não consta que ele próprio fosse um “empresário”.»
http://www.estudos-biblicos.com/jose-NT.html
«A Isabel não tem razão na contrposição que faz, falando dos impostos de César, pois o significado dessa expressão era metafórico: alegadamente pretendia distinguir o temporal (o que é de César) do espiritual.»
Claro que era metafórico, mas Cristo não disse para não pagarem impostos porque os Romanos eram uns estrangeiros exploradores, nem disse que deviam era ir roubar para a terra deles, coisa que muitos judeus gostariam de ouvir e o BE lá do sítio também. Ele sabia que os impostos faziam parte da gestão pública e Ele como carpinteiro também os pagava com certeza.
Por isso Ele se “passou” com os vendilhões do templo; para se entrar no templo era necessário uma moeda própria, penso até para comprar animais para sacrifício. Quem fazia o câmbio eram os próprios sacerdotes que ganhavam com isso para o seu bolso. E por isso Ele os expulsou da Casa do Pai. Estavam a misturar “César” com Deus.
«Jesus queria que todos abandonassem as suas posses, e partilhassem os seus bens.»
Não sei se já reparou mas esta frase é uma contradição dos termos. Ou se abandonam as posses, que tem um sentido, (a minha roupa velha é uma posse e eu não me importo de a abandonar quando começa a romper-se) ou se partilham os bens, (eu tenho um carro novo e bonito que me custou muitos sacrifícios e ponho-o à disposição da família e amigos sempre que precisarem). São dois conceitos diferentes.
Na doutrina marxista, declara-se por decreto que ninguém tem direito a propriedade privada.
Nas sociedades cristãs, legisla-se no sentido de TODOS poderem ter propriedades privadas. Ora se forem todos a ter, logicamente ninguém pode ter muito, porque tem que dar para todos.
Daí todas as sentenças de Cristo contra a ganância e a favor da partilha. O despojamento material como resolução da pobreza é um mito ( como se viu nos desastres marxistas). É tão só um excelente exercício espiritual porque pelo menos a escova de dentes tem que ser só nossa.
E bom seria que TODOS tivessemos bem mais do que isso.
A propriedade privada é inerente ao Homem. É uma manifestação da líbido.
Bem aventurados os pobres EM ESPÍRITO…
[Responder]
Isabel, você vai de mal a pior:
“A propriedade privada é inerente ao Homem. É uma manifestação da líbido.”
Ora isto significa que ao meu cão, ao meu gato e até ao meu periquito também lhes é inerente o sentido de propriedade privada. Eles também têm instintos libidinosos, os malandros.
E digo-lhe mais: se o Zezé Camarinha soubesse disso, hoje seria mais rico que o Amorim e o Belmiro juntos…
Já agora, avise-me quando for essa “manifestação da libido” – como sabe, eu adoro manifestações. E dessas… ainda mais!
[Responder]
Caro Joaquim
Ainda bem que tropeçou nessa pedrinha que eu maldosamente lhe coloquei no caminho.
Para que fique melhor esclarecido e porque quero que não lhe falte nada, pedi ajuda à nossa amiga WIKI:
- WIKI amiga, diz-me lá o que é a líbido. E ela respoineu-me isto:
Libido (do latim, significando “desejo” ou “anseio”) é caracterizada como a energia aproveitável para os instintos de vida. De acordo com Freud, o ser humano apresenta uma fonte de energia separada para cada um dos instintos gerais.
“Sua produção, aumento ou diminuição, distribuição e deslocamento devem propiciar-nos possibilidades de explicar os fenômenos psicossexuais observados” (1905a, livro 2, p. 113 na ed. bras.)
A libido apresenta uma característica importante que é a sua mobilidade, ou a facilidade de alternar entre uma área de atenção para outra.
No campo do desejo sexual está vinculada a aspectos emocionais e psicológicos.
Santo Agostinho foi o primeiro a distinguir três tipos de desejos: a libido sciendi, desejo de conhecimento, a libido sentiendi, desejo sensual em sentido mais amplo, e a libido dominendi, desejo de dominar.
E no fim deixou uma pista
* Catexia
Fui perguntar novamente e ela respondeu-me isto:
Catexia ou investimento é o processo pelo qual a energia libidinal disponível na psique é vinculada à representação mental de uma pessoa, idéia ou coisa ou investida nesses mesmos conceitos.
Juntamente com o conceito de libido, Sigmund Freud dedicou-se a definir a catexia.
Uma vez que a libido foi catexizada, ela perde sua mobilidade original e não pode mais ser alternada para novos objetos, como normalmente seria possível, ficando enraizada na parte da psique que a atraiu e reteve.
Estudos psicanalíticos sobre o luto interpretam o desinteresse por parte dos sobreviventes sobre as ocupações normais e a preocupação com o recente finado, como uma migração da libido dos relacionamentos habituais e cotidianos e uma catexia extrema na pessoa perdida.
Catexia é relacionada à sentimentos de amor, ódio, raiva entre outros, relacionados ao objeto.
Freud, ao estudar o atributo que os impulsos têm de impelir o homem à atividade, considerou-o análogo ao conceito de energia física, que se define como a capacidade de produzir trabalho. Assim Freud entendeu que uma parte dos impulsos pode ser considerada energia psíquica. Tanto a energia física como a psíquica são hipóteses, já que os estados de energização não são passíveis de medida. Portanto presume-se que há um quantum de energia psíquica com o qual uma determinada pessoa ou objeto estão investidos. A palavra que Freud escolheu para designar este conceito vem do alemão Besetzung, traduzido para o inglês por Cathexis – em português – Catexia. Segundo Terzis (2001), a catexia é nada mais que o desejo. Parece que a motivação inerente ao ser humano possui um continuum de força – que se torna perceptível em suas ações.
Esclarecido?
[Responder]
Continuando a sério:
1- “…Recebestes de graça, dai também de graça! Não leveis nos cintos moedas de ouro, de prata ou de cobre; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem calçado, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu alimento.”
2- “Naquele dia – oráculo de Javé – um clamor levantar-se-á da Porta dos Peixes, gemidos da Cidade Nova e, das colinas um grande lamento.
Gemei, moradores do bairro de Mactes, porque acabaram os mercadores e foram eliminados todos os cambistas.”
Ao que parece, tanto no Novo mas, também, no Antigo Testamento havia falta de um certo tipo de “líbido”.
Bem aventurados os pobres DE ESPÍRITO…
[Responder]
E, de repente, a WIKI despertou em mim um certo sentido “libidinoso” mas, como tenho algumas dúvidas sobre ela, mais por parte do apelido PEDIA,
continuo a preferir os LIVROS:
“(…)Quem me dera que fosses meu irmão,
amamentado aos seios de minha mãe!
Encontrando-te lá fora, beijar-te-ia,
sem ninguém me desprezar.
Eu levar-te-ia e far-te-ia entrar
na casa de minha mãe,
e tu me iniciarias.
Dar-te-ia a beber vinho perfumado
e licor das minhas romãzeiras.
A sua mão esquerda
está sob a minha cabeça,
e a sua direita abraça-me.
Filhas de Jerusalém,
eu vos conjuro:
não desperteis, não acordeis o amor,
antes que ele o queira.
Quem é esta que sobe do deserto
apoiada no seu amado?
Eu te despertei debaixo da macieira,
onde a tua mãe te concebeu,
te concebeu e deu à luz.
Grava-me como selo no teu coração,
como selo nos teus braços;
pois o amor é forte, é como a morte!
Cruel como o abismo é a paixão.
As suas chamas são chamas de fogo,
uma faísca de Javé!
As águas da torrente jamais poderão
apagar o amor,
nem os rios afogá-lo.
Se alguém quisesse dar tudo o que tem
para comprar o amor…
seria tratado com desprezo.(…)”
Ai, Salomão, tu “passaste-te” mesmo, não foi?
Vai lá ao “consultório” da Wiki e, se puderes falar com a “prima” catexia, tem cuidado. Olha bem para o chão, porque andam por aí umas espertalhonas a pôr pedrinhas. Se vires por lá um Besetzung, “pira-te” (o “gajo pode ser da família do “Maosetzung”).
[Responder]
Isabel #93, eu desconhecia que uma cristã poderia ser “maldosa”. Mas, enfim, estamos sempre a aprender.
Curiosamente, você não. Você, por norma, recusa-se a aprender. E, pior, quando o faz não encontra melhor do que a wikipédia. É pena – já alguém lhe devia ter dito que essa fonte carece de credibilidade. A net é fixe mas não chega para tudo, cara amiga. Julgar que com dois cliques se obtém o conhecimento é de uma ingenuidade confrangedora e, além do mais, nota-se ao longe.
Foi exactamente por isso que eu estranhei a sua conversão ao Freud. De facto, não consigo ver de que forma a libido (tal e qual Freud a define) pode ser enquadrada no pensamento católico.
Você não dá conta do antagonismo? Libido (para Freud) é instinto, é animal, é matéria em si, é algo inato. Portanto, não tem nada que ver com espírito, com Deus, com crenças, com nada de imaterial.
Registe que eu não sou, nem pouco mais ou menos, Freudiano. Acho que o sr. teve um papel importante na sua época, contribuiu para acabar com determinados pensamentos conservadores e que, por isso, merece o meu respeito. Apenas isso.
Gosto particularmete desta (está na wiki):
“Santo Agostinho foi o primeiro a distinguir três tipos de desejos: a libido sciendi, desejo de conhecimento, a libido sentiendi, desejo sensual em sentido mais amplo, e a libido dominendi, desejo de dominar.”
Para Santo, não está mal:
libido sciendi – “Vamos ali beber um copo para nos conhecermos melhor?”;
libido sentiend – “Como é? Sexo tradicional, ou podemos ampliar o leque de posições e de penetrações?”
libido dominendi – “Espera aí que eu vou buscar as algemas e o chicote.”
Finalmente, esclareça-me: os bichinhos têm libido? Se um casal de cães estiver a tentar reproduzir-se num espaço público, como eu já vi muitas vezes, é um casal pecador aos olhos de Deus? Devemos evitar que os nossos filhos assistam a essas cenas deploráveis ou, pelo contrário, podemos aproveitar para lhes explicar que é assim que as espécies se reproduzem? Todas, incluindo a nossa.
E se a gata lá de casa se esfregar nas minhas pernas ou nas da minha companheira – pecado maior – quando está com o cio, devo excomungá-la?
Se eu descobrir que os meu hamsters durante a noite, pela calada, trocam carícias, que faço? Denuncio-os ao Santo Ofício? Tiro-os da catequese?
E às centenas de padres reconhecidamente pedófilos, e respectivos protectores, o que se faz? Paga-se às vítimas e espera-se pela “justiça divina”?
Veja lá, na wikipédia, se há respostas…
[Responder]
joaquim azevedo
Soubesse eu que bastava um clique na Wikipedia para lhe causar um abalo destes, eu não o teria feito. Realmente a maldade não tem que ver com o cristianismo e eu vejo na sua resposta a dimensão da minha.
Não lhe vou responder taco a taco, para não aumentar a sua insegurança e porque até gosto de si, não quero que perca credibilidade em público.
PS Gostei imenso daquela parte em que fala da gata e da sua companheira; é um traço característico recorrente destas pessoas muito à frente, muito fracturantes. Fazem questão sempre de dizer en passant, assim como quem não quer, eu defendo os homossexuais, claro, mas note-se, eu não sou.
É um must.
[Responder]
Um must (bem português, aliás), é não responder a coisa nenhuma e ainda por cima querer dar um ar de superioridade intelectual, cara Isabel.
[Responder]
“Orgulho e preconceito” (Jane Austen).
“O verniz estala e descamba para a insinuação (quiçá insulto) do PS #97″ (cafc).
“Afinal quem somos nós, dizendo que somos isto, mas não somos aquilo, sem dizermos o que somos na realidade, dizendo aos outros que são aquilo que não dizem ser, deixando-me dizer que eles são aquilo que não são, embora esteja implícito que são o que não querem ser, embora eu seja o que sou, sem querer dizer o que sou” (Isabel).
Eu quero perder a credibilidade em público e, como tal, vou continuar a minha “missão evangelizadora”, que me foi confiada pelo meu Anjo Protector (S. Marx).
1- “(…) Com elas, também o teu servo se esclarece,
e observá-las traz grande proveito.
Quem pode discernir os próprios erros?
Purifica-me das faltas escondidas!
Preserva do orgulho o teu servo,
para que ele nunca me domine:
deste modo eu serei íntegro,
inocente de uma grande transgressão.
Que te agradem as palavras da minha boca,
e o meditar do meu coração
chegue à tua presença,
Javé, minha rocha e redentor!”
Continua…
[Responder]
…Continuação:
Confesso que estou “apaixonado” por esse “tal” Salomão. Para perder, completamente, a minha credibilidade em “público” (pode ser noutro meio de comunicação social qualquer) “digo” que se o “gajo” fosse vivo, queria que me levasse ao “altar”.
É que escreveu cada coisa. Escolhi esta, porque “mete” alguns bichinhos:
“Como és bela, minha amada,
como és bela!…
São pombas
os teus olhos escondidos sob o véu.
O teu cabelo… um rebanho de cabras
ondulando nas encostas de Galaad.
Os teus dentes… um rebanho tosquiado
subindo após o banho,
cada ovelha com seus gémeos,
nenhuma delas sem cria.
Os teus lábios são fita vermelha,
a tua fala melodiosa.
Metades de romã são os teus seios
mergulhados sob o véu.
O teu pescoço é a torre de David,
construída com defesa:
dela pendem mil escudos
e armaduras dos heróis.
Os teus seios são dois filhotes,
filhos gémeos de gazela,
pastando entre açucenas.
Antes que sopre a brisa
e as sombras desapareçam,
vou ao monte da mirra,
à colina do incenso.
És bela, minha amada,
e não tens um só defeito!
Vem do Líbano, noiva minha,
vem do Líbano
e entra comigo.
Desce do alto do Amaná,
do cume do Sanir e do Hermon,
esconderijo de leões,
montes onde rondam as panteras(…)”
DESCULPEM mas, não posso continuar. O S. Marx disse-me que “leões”, “panteras”… a seguir vinham as “águias” e os “dragões”, era?
Evangelizar é uma coisa. “Misturar” futebol com o Salomão, nem pensar!
Então boa tarde e façam o favor de ser libidinosos.
[Responder]