Ainda sobre a carga policial à pequena manifestação de “anarquistas”, no 25 de Abril, vale a pena dar uma vista de olhos a este post do República e Laicidade. Volto a deixar claro que muito pouco me une a estes manifestantes, quer nos seus propósitos (se é que existem alguns propósitos) quer nos seus métodos, mas não deixo de ficar curioso em saber se estamos perante uma compensação dada por algum sector da PSP às recentes investigações da PJ ao crime organizado ligado a um partido de extrema-direita. Não é preciso uma longa e fastidiosa busca de imprensa para perceber que a dúvida está longe de ser descabida. E algumas das descrições da forma como decorreu a intervenção (e de frases supostamente proferidas pelo comandante da força durante a acção) não nos podem deixar descansados. Isto, independentemente da já habitual excitação de pessoas que, na minha opinião, confundem a tradição anarquista e libertária com uma moda tribal adolescente e que se comportam como qualquer hooligan de uma claque de futebol. Ainda assim, não confundo a criminalidade organizada da extrema-direita, liderada por homicidas, com disparates de adolescentes. Espero que esta intervenção, evidentemente preparada antes de qualquer “excesso” ou provocação, seja devidamente explicada.

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Foto via Spectrum.


Sem respostas ao post “Ainda dúvidas”  

  1. 1 1  Fado Alexandrino

    Porque é que não deixa ler os comentários ao post anterior que fez sobre a brutal carga policial que originou milhares de feridos?

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    Não deixo ler o quê? Que milhares de feridos?

  3. 3 3  carlos

    Daniel

    que raio é isto das aspas e das considerações paternalistas sobre se os manifestantes são, ou não, “anarquistas verdadeiros”? Podes demarcar-te como quiseres dos manifestantes, das suas ideias ou das ideias que achas que eles deveriam ter (penso que nunca ninguém te terá acusado de anarquista ou de libertário, fica descansado), mas deixa de lado o paternalismo e a superioridade moral (já cá faltava o refrão de se andar a “fazer o jogo da extrema-direita”!!!). O comentário do Rui Tavares ao post anterior sobre o assunto é bastante esclarecedor acerca da diversidade de atitudes, ideias, estratégias, análises e práticas que existem entre os libertários. Eu também sou libertário (a qualificação policial “anarco-libertário” é de génio!!!) e dificilmente alinho em manifs como esta do 25 de Abril, até porque já sei que o resultado final costuma ser este, mas não me parece que possa haver muitas dúvidas sobre o que de substancial se terá passado…

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    As aspas no “anarquistas” corresponde ao facto de eles assim se intitularem e eu ter muitas dúvidas sobre se essa familiaridade política faz qualquer sentido. O paternalismo de que fala corresponde não a divergências ideológicas, mas ao facto evidente de esta manifestação, da forma que foi feita, ter sido um inestimável favor que fizeram à extrema-direita. Sei que não era a intenção. É por isso que é infantil.

    Quanto ao que se passou, não tendo estado lá, tem lido o que tenho escrito. Tento não deixar que as divergências ofusquem a minha capacidade critica.

  5. 5 5  a.pacheco

    As viúvas de Salazar foram hoje em romaria á cova do ditador…

    Têm saudades do CACETE….

  6. 6 6  Borges

    Daniel, este é o seu arrastão!

  7. 7 7  Ricardo

    Daniel, volto a colocar a mesma pergunta do post anterior:

    Dada a atitude dos “manifestantes” qual teria sido então na sua opinião a forma de os fazer dispersar?

  8. 8 8  Ricardo

    Se fizeres uma pesquisa no you tube sobre manifestações da AFA percebes que o mais comum, em situações de confronto nazis vs anarquistas, é serem os segundos a apanhar da polícia. Isto explica-se, quanto a mim, por os anarquistas, regra geral, serem bastante mais numerosos e exuberantes, criando-se a situação caricata em que a polícia tem de proteger os nazis. Estes adoptam uma postura mais “civilizada”, que decorre da inferioridade numérica e da sua estratégia de cinismo e vitimização. (Neste caso, obviamente, só uma das partes estava envolvida, e é por isso legítimo pedir explicações).

  9. 9 9  Daniel Oliveira

    Não sou nem quero ser instrutor de polícia, mas suponho que deveria fazer o que a polícia faz e deve fazer para prevenir o pior. Identificar e se necessário deter para identificação quem parte montras. Se o uso da força deve ser proporcional, é inaceitável espancar alguém para evitar um grafitti. E ainda mais bater numa manifestação inteira, sendo certo que a maioria não estaria a causar nenhum tipo de distúrbios. E ainda menos bater em tudo o que anda. Ninguém sequer já discute que o uso da força foi desproporcionado.

    E já agora, se a acção policial foi uma reacção a distúrbios porque havia agentes infiltrados entre os manifestantes? Porque cercaram os manifestantes impedindo a dispersão dos mesmos? Parece-lhe que isto é o procedimento de quem quer evitar distúrbios ou de quem quer que eles aconteçam?

    De resto, registo que considera a “caça ao preto” no Bairro Alto e os espancamentos um atitude “mais civilizada”. Porque é isso que os skeans fazem depois das suas acções. Vai continuar tudo a fingir que não sabe de que pessoas estamos a falar?

  10. 10 10  henrique

    Depois de ouvir hugo chavez, essa verdadeira besta, na rtp a dizer as “estupidezes” a que nos tem habituado ( que diz Daniel Oliveira sobre isso, ja que so comenta o que lhe convem), fico com a impressao que a policia teve toda a razao em actuar contra esses hipocritas dos anarquistas

  11. 11 11  type

    “O paternalismo de que fala corresponde não a divergências ideológicas, mas ao facto evidente de esta manifestação, da forma que foi feita, ter sido um inestimável favor que fizeram à extrema-direita. Sei que não era a intenção. É por isso que é infantil.” Daniel Oliveira

    Essa mesma extrema-direita de que fala o Daniel deve deleitar-se ao ver-vos(Daniel e Rui Tavares) de pernas assim trêmulas e caudita recolhida face aos acontecimentos do passado dia 25. É pena ver a esquerda portuguesa manifestar tão repetidas vezes esse tipo de insegurança e complexos face ás chantagens da extrema-direita. Convenhamos que manifestações de malta anarquista são mais que habituais por esta Europa fora e nos Estados-Unidos(ainda ontem houve uma semelhante na Noruega contra a Nato) e não consta que as opiniões públicas nessas paragens tenham por esse motivo passado a tolerar mais - ou a ‘normalizar’, como diz o R. Tavares - os crimes e homicídios executados pela extrema-direita. Por norma, os desacatos desencadeados por esses anarquistas são previsíveis e decorrem à vista de todos(jornalistas, fotógrafos, câmaras de televisão). Tão previsíveis que acabam irremediavelmente antecipados e esmagados por magotes de polícias armados até aos dentes. Trata-se de um ritual mais ou menos idiota e sado-masoquista, com mais ou menos danos colaterais materiais. Só num país dominado pelo culto das «aparências» e do «respeitinho» pode alguém imaginar concebível qualquer sugestão de equivalência entre desacatos anarquistas e crimes neo-nazis. Bastará, para tanto, reler algumas alíneas do código penal. Oliveira e Tavares, se calhar é outro o verdadeiro problema. Segundo o jornalista espanhol que durante um ano viveu infiltrado entre skins, Portugal é o único país da Europa em que skins dão impunemente a cara junto a um partido político. A bandeira portuguesa foi o único símbolo estrangeiro alguma vez erguido em manifestações pró-apartheid na África do Sul. É esta a chantagem.

  12. 12 12  Diogo

    No programa «Expresso da Meia Noite», passado na Sic Notícias no dia 27 de Abril de 2007, o «jornalista» Luís Delgado fechou de vez o dossier do caso da «licenciatura» de Sócrates:

    Ricardo Costa: Este caso sobre Carmona acabou por calhar na melhor altura possível para Sócrates.

    Luís Delgado: Nem Mais. Um desvio completo de atenções. É certo que o assunto também morreu. Morreu por natureza. Depois da entrevista foi perdendo gradualmente o interesse. (…) É uma daquelas matérias que já ninguém se lembra do que é que falávamos há quinze dias atrás.

    Vídeo – 48 segundos

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    henrique, já aqui escrevi tantas vezes sobre o que acho em relação a Chavez que já enjoa. E é pelo menos um pouco absurdo acusar-me de silêncio. Lamento se não faço de cada vez que ele abre a boca e a pedido.

  14. 14 14  palhaçadas

    Rui Tavares,
    Se bem que poderia ser possível entender “sistema” por “estrutura política instituída”, entendamo-lo aqui apenas na sua acepção mais lata. Nesse sentido, a anarquia que se define a si própria como uma corrente que opera de “fora do sistema”, não tem evidentemente qualquer sentido conceptual ou retórico ou lógico se quiser. É precisamente por isso que não sou anarquista: por existir uma ala de anarquistas que defende esta ideia nada consistente de se “estar fora do sistema”, “fora da estrutura”, etc. Nem mesmo um pintor se encontra fora da linguagem, ou fora dos signos da interpretação. Acredito contudo que o Rui tenha tecido a sua noção de anarquia com a lã de outro tear. Que tenha sedimentado o seu ideal anarquista num oceano mais profundo, menos óbvio. Ora acontece, que no meu espírito também não faz grande sentido conceptual, ou retórico ou lógico, dizer que se é anarca sendo ao mesmo tempo deputado. A menos que a anarquia, ou o grupo dos anarcas de determinado país estivesse convenientemente representado na arena política e tivesse devido assento parlamentar, o que a meu ver também não deixaria de ser estranho. Suponho que a heterogeneidade que diz caracterizar a anarquia contribua para a nébula em que soçobrou o conceito. tive a minha dose de anarquia e cerveja fria. nunca fui anarca. A maioria das pessoas anarcas que conheci defendiam claramente acções de violência contra as mais diversas instituições. Nas suas palavras de ordem havia de facto muito pouca substância. Alguns, muitos, veneravam a ETA. Não veneravam nem a Chomski, nem a Tolstoi, nem a Murray Bookchin. Por acaso, nenhuma dessas pessoas admitia votar, pagar impostos ou de alguma forma considerava que um anarca poderia defender os seus princípios exercendo a função de deputado ou por outras palavras a partir “de dentro da estrutura”. Qual estrutura? A política, neste caso. Mas admito que para além desta anarquia assumida nos corredores dos extremismos, haja outra, mais bonita.
    1. Quando diz que algumas pessoas se prestam bipolarmente à invenção de pretextos para se deixar reprimir, espancar, prender, humilhar, a propósito deste episódio em concreto, não deixo de achar exagerada a sua leitura. Ora se eu vejo a minha loja ser devassada, por um grupo de desordeiros que por mero capricho juvenil no dia da liberdade decidiu danificar a minha mercadoria, não será razoável achar necessária a presença policial? E as outras pessoas? Estarão mesmo a prestar-se à invenção de pretextos para se deixar “reprimir, espancar, prender, humilhar” quando acham que a policia deve actuar numa circunstância semelhante? Não terão alguma razão por achar que a polícia existe para resolver este tipo de desacatos? Não se está em boa verdade a reprimir nada nem ninguém quando se prendem indivíduos que atentam contra a propriedade privada ou contra a integridade física ou psicológica de alguém. Nestas circusntâncias, a polícia pode e deve intervir. Aliás, assim está-se é a impedir o recrudescimento dos extremismos de direita. citando o último dos chavões: liberdade não é libertinagem. A ideologia fascista infelizmente tira dividendos desta má face que, a meu ver erroneamente, se associa à esquerda, bem como destes episódios diria de falta de maturação cívica. Não é de admirar que assim se vão perdendo espíritos para as fileiras das ideologias mais extremistas .
    2. Por outro lado, como é possível não utilizar como “mau exemplo” este exemplo de uns jovens, que a pretexto político, decidiram atirar tinta para dentro de lojas de roupa? Quer-se dizer. Mas isto tem alguma coisa de esquerda? Ou alguma coisa que valha a pena defender? Este exemplo tem uma conotação mediática negativa e não é devido a nenhuma conspiração dos media ou da polícia ou do big brother. Tem uma conotação negativa porque na verdade são actos com uma carga negativa. E ao defender-se que esses actos não têm uma carga negativa, está-se de alguma forma a empurrar uma série de espíritos menos clarividentes para as fileiras do fascismo.
    3. Mas há outra face desta história. A violência não se detém com violência. Alguns agentes policiais estão a precisar de formação não apenas física, mas também cívica, política e histórica adequada. A autoridade policial hoje em dia é exercida assente no princípio exclusivo da força, da sobranceria, muitas vezes do “paga o justo pelo pecador”. Isto está errado e deve-se sobretudo à falta de preparação “humana” de uma boa parte da nossa polícia. Há formas e formas. Há muitos exageros no que toca à actuação de alguns agentes policiais e muita falta de formação que começa logo na forma como os próprios agentes são triados antes da sua instrução. Creio que a democracia que se quer continuar a construir precisa rever o conceito de formação profissional das polícias, e também o conceito que pauta a sua conduta, e que devia basear-se o mais possível no respeito pelo cidadão, na transparência de actuação e no uso da força proporcional.
    4. De resto, para mim ser masoquista é achar que não é possível defender a liberdade condenando ao mesmo tempo quer a atitude desordeira que se verificou, quer a descarga de força bruta que, pela notícia do expresso, ficamos a suspeitar que foi utilizada.

  15. 15 15  Ricardo

    “De resto, registo que considera a “caça ao preto” no Bairro Alto e os espancamentos um atitude “mais civilizada”. Porque é isso que os skeans fazem depois das suas acções. Vai continuar tudo a fingir que não sabe de que pessoas estamos a falar?”

    Se esta resposta era para mim (e como vem logo a seguir ao meu comentário, parece), acho que é precipitada, Daniel.

    o mais “civilizado” no meu comentário referia-se apenas à postura da extrema-direita em certas manifes (em vídeos que estão no you tube: alemanha, itália, estados unidos), e que é geralmente acantonada e rodeada de polícias. A iniciativa pertence à AFA, mais numerosa, e acredito que seja esse o motivo das cargas incidirem sobre eles.

  16. 16 16  ze

    Não nos deixemos levar pelas cacetadas a distrair do essencial. Uma manifestação de reduzidas dimensões mereceu à polícia portuguesa (2007)uma única resposta: bater. O argumento da polícia aos media é que faltava a autorização. A verdade é que não soube, ou não quis, actuar de outra forma. Não importa aqui tanto quem são os que levaram cacetada. Já importa mais como se dá a notícia, e aonde (jornais, indymedia, blogs incluídos) e, sobretudo quem acha “natural” que situações de confronto, com esta dimensão, se resolvam assim, ou sejam assim resolvidas pela polícia que todos pagamos (e não apenas os senhores do governo).
    Cartaz ou manifestação, o que importa é a autorização?

    O Rui Tavares já aqui falou de anarquistas & libertários, e nas suas palavras me revejo. Mas o ponto não é, de facto, esse.

  17. 17 17  Cravado no Carmo

    Atenção,
    Foi criado uma plataforma de recolha de material sobre o que aconteceu na Rua do Carmo no dia 25 de Abril.
    http://www.CravadoNoCarmo.pt.vu

    Se alguém tiver um relato, fotografias, videos, por favor contacte-nos…

  18. 18 18  sofia

    o unico acto de vandalismo que ocorreu foram alguns grafitis, ninguem partiu montras. após uma meia hora da carga policial ter acalmado eu fui dar a volta pela rua onde supostamente uma montra foi partida (uma vez que a rua do carmo continuava bloqueada em baixo e eu queria saber dos meu amigos que foram detidos), e n vi nada partido, por isso suponho que tenha sido partido horas depois e é de frisar que é numa rua em que a manif n passou! fora isso… n entramos nas lojas para as vandalizar, entramos para fugir à policia! eu fui uma dessas pessoas.
    “anarquia que se define a si própria como uma corrente que opera de “fora do sistema”, não tem evidentemente qualquer sentido conceptual ou retórico ou lógico se quiser.” hã? consigo perceber o ‘fora do sistema’ o resto escapa-me! n sei que raio de anarquia é essa.

  19. 19 19  palhaçadas

    Sofia,
    que consegue, como muitos dos seus amigos, compreender o “FORA DO SISTEMA” já eu sei. Que lhe escapa tudo o resto que escrevi, também já sei. como o seu nome augura esperança, sei que vai querer continuar a interessar-se por estes assuntos, e em breve apaixonar-se-á pelo paradoxo. Agora acontece que nem que todas as pessoas do universo esgravatassem pelas paredes acima, poderia alguma vez ser possível “estar fora do sistema”… repare, a ideia é mais ou menos esta: considere o seu fígado como um sub-sistema do seu sistema organismo; considere o seu organismo como um sub-sistema do sistema planeta terra e considere o planeta terra como um sub-sistema do sistema galáxia e considere a galáxia como um sub-sistema do sistema universo; vê onde vai dar? a todo o lado, e a lado nenhum ao mesmo tempo. É aí que porventura estará a sedução: no paradoxo. a anarquia será sempre um sub-sistema ideológico dentro do sistema ideológico instituído. de resto, não me vai dizer que eu não vi o que vi. o que vi foi uma polícia mal formada, a carregar a torto e a direito sobre uma data de pessoas, bem como tb vi, com estes olhinhos que a terra há-de comer uns quantos jovens a atirar tinta para dentro de lojas de roupa no chiado. se a sofia e os seus amigos tanto prezam a liberdade como dizem, separem o trigo do joio e sobretudo não defendam aqueles que pisam o risco em nome da liberdade. isso é que é essencial para travar o fascismo.

  20. 20 20  José Castro

    Finalmente um blog com algum sentido crítico em relação à manifestação. Houve violência sim, violência verbal (morte a capitalistas, fascistas nazis etc é diferente de morte ao capitalismo, fascismo etc.). E houve de facto lançamento de um verylight e fabrico de cocktails molotov.

    Foi uma manif claramente tribal, e resultado de discussão e reflexão nula.

    E foi, como já vi antes pelo mesmo grupo de pessoas um abuso cobarde do facto de ser 25 de Abril.

  21. 21 21  Fado Alexandrino

    O senhor sabe bem que durante muito tempo estavam lá dezenas de comentários e quando se abriam nickles pickles ou era o meu PC (salvo seja) que era sectário?

  22. 22 22  Miguel Miranda

    Parece-me incrivel que alguem consiga pedir uma investigação à acção policial e não critique abertamente o vandalismo dos manifestantes. Pode ser que um dia o vandalismo o atinja a si e a PSP passe horas depois para preencher o relatório. Pelos vistos, a imbecilidade de defender os extremos não tem limites…

  23. 23 23  Pedro Manuel

    Para comentar alguns “factos” que muitos usam como justificação (que mesmo sendo verdade não seria justificação para o comportamento selvagem da policia) para a carga policial.
    1. Muitos dos manifestantes tinham a cara tapada: Pois, é por medo natural de represálias e de violência por parte da extrema-direita (aqueles que muitos agora elogiam por se “portarem bem” em manifs (apesar de com simbologia ilegal), é que foram delas….). E é direito por motivos, que cada um saberá, não quererem ser identificados numa manif, essa velha “quem não deve não teme” é uma charlatanice que só funciona nem no “pais das maravilhas” funciona.
    2. 3 Cocktails Molotovs: Já alguém os viu?? MENTIRA, não havia nada mas mesmo nada do género… e se a policia apanhou os tais cocktails respondam, porque que é que eles apenas fazem parte do circo da comunicação social e não aparecem em parte alguma das acusações feitas aos detidos? respondo facilmente entretanto.. porque eles são apenas mencionados para a comunicação social para “ajudar” as pessoas a criticar os manifestantes. Onde andam os cocktails? onde? LADO ALGUM.
    3. Bastantes paus e ferros: eram os suportes das bandeiras apenas e só, ninguém tinha ali apenas os paus e ferros, eram TODOS suportes… na manif da Av. de liberdade então ‘tava tudo armado… se nesta manif eram mais rústicos é porque os manifestantes fizeram as bandeiras eles mesmo sem apoio de nenhuma força politica.
    4. Simbologia anarcolibertaria: sim… é proibida?! Nem deveria ter sido apreendida porque não é ilegal.. só foi apreendida porque…. ah.. ‘tavam nos “ferros e paus”… então em que ficamos??
    5. Agressões a transeuntes durante a manif: Mais uma coisa que ninguém viu, ninguém sabe.. e já que a policia diz que a viu por não a impediu? porque não houve nada para impedir.. não houve qualquer agressão às pessoas.. o mesmo já não se pode dizer de transeuntes “azarados” na Rua do Carmo que “comeram” tal como os manifestantes.
    6. Agressões partiram dos manifestantes: O grupo quando encurralado juntou-se todo ao meio.. e a policia simplesmente começou a correr de bastão em riste… se a primeira agressão foi dos manifestantes, só se foi alguma cabeçada num bastão…
    7. Montras partidas e caixotes virados: Mais uma coisa que ninguém viu.. ONDE ESTÃO ESSAS MONTRAS PARTIDAS AFINAL?!?!?!
    8. Ordem de dispersão: Não houve nenhuma… se calhar não se ouviu por causa do barulho dos bastões nas cabeças das pessoas… é a única hipótese que agora ‘tou a ver…
    ouvi coisas como “filhos da puta” “vamos vos foder todos” “carreguem nesses cabrões”…

    Eu fui manifestar-me pacificamente e se calhar os slogans da manif não são habituais por cá por serem actuais e directos, mas muitas das pessoas por quem se passou aplaudiam e algumas mesmo se juntaram à manifestação, de todas as idades, sexos e raças..
    Isto talvez fez com que a policia tivesse todo este trabalho nos meios de comunicação e com a carga que fizeram.. é que a manif correu bem e foi bem recebida e isto não lhes agradou.. sorrisos só foram vistos durante o espancamento..

  24. 24 24  Pedro Manuel

    “E houve de facto lançamento de um verylight e fabrico de cocktails molotov. ” ena ena… já houve muitos fabricos de cocktais molotovs sim pois claro que é facto… se calhar já milhões durante a história.. mas agora ‘tamos a falar de um local e uma altura especifica…. e na que se fala não houve e acredite que isso é “facto”, não sei onde foi buscar o seu “facto”… como perguntei no meu comentário anterior. se houve fabrico de cocktais molotovs, onde estão eles? porque não fazem parte das acusações aos detidos? e se havia cocktais molotovs para serem usados… “ó meus amigos”, eles já vinham feitos e prontos para serem usados, não se fazem a meio de uma carga policial… não lhes pareçe óbvio?!

  25. 25 25  henriquez.alfredo

    Estive na manifestação e observei como a psp preparou meticulosamente a sua embestida. Os que estavamos de “fora” sentiamos no ar que algo aconteceria.
    Minutos antes ja estava decidida a sorte desta manifestação.Com polícias à paisana infiltrada nos manifestantes, o que podem verificar nas própria rtp.

    Será um treino para a Greve Geral ?
    Acho bem que os jovens se protegam a utilização abussiva da força policial

  26. 26 26  Beatriz Sniehzena

    Serem anarquistas ou não, é indiferente. Não é uma questão, é uma não-questão, um fugir ao assunto.
    Nem os anarquistas, nem os seus ideais, nem os seus estandartes estão o foram proibidos (excepto no estado novo).

    comentários acerca da anarquia ou dos anarquistas normalmente redunda em discursos ignorantes, escritos por pessoas que não sabem o que é a anarquia para além do que os media lhe dão e a escola e os pais lhes ensinam.

    Portanto, ou se trata de ignorância ou de provocação.

    Na maioria dos casos é pura ignorância… seja como for o resultado é o mesmo, por isso, não vale a pena analizar a provocação.

    Bom, mudando de assunto. Há muito que muitos sabem o que se vai passar. A monstruosidade do nosso dia a dia actual vai rebentar, está a rebentar.

    Quantos dos aqui presentes sabem que a polícia de intervenção patrulha DIÁRIAMENTE certos bairros e zonas, de semi-automática em punho, que fazem rusgas, buscas e prisões não autorizadas nem justificadas de todo?

    Quantos de vós?

    Eu não estou para aqui para fazer juízos de valor, mas a cegueira… porque sim, porque não se quer abrir os olhos é irritante.

    O que se passou em frança não é estranho, não é único, vai repetir-se, vai escalar, e só tenho pena que as pessoas só se limitem a criticar os monstruosos pretos ou mulçumanos ou o que quer que seja que queimaram mais de 1000 carros numa semana.

    Sabem quem é que provocou isso? Sabem porque é que aconteceu, ou limitam-se a acreditar que as pessoas são pura e simplesmente más (umas) e boas (vocês e os vossos amigos)?

    Falam de violência como de quem bebe um copo de água… magnífico.
    Como diria no outro dia uma pessoa que sente diáriamente na pele essa mesma violência:

    “Não podemos estar sempre a apanhar porrada porque a certa altura já não há espaço no corpo.”

    O que é que está a acontecer lá fora?

    Sabem? E sabem o suficiente para opinar com tanto à-vontade?, com tanta fúria anti-manifestantes, anti-esquerda, anti o que quer que seja que vocês não se dão ao trabalho de compreender…

    O que sabem dos movimentos independentistas sul-americanos?

    O que sabem acerca de Seattle?

    O que sabem acerca de Génova?

    Do G8, do WTO, do IMF?

    É triste, muito triste ver a ignorância tão fortemente defendida, quando descobrir o que se passa não custa nada, está aí, disponível, na net, nos blogues, nas acções de cada um.

    Neste momento, a polícia alemã decidiu que deve montar a maior operação de sempre para defender a reunião dos g8, que irá acontecer daqui a uns dias.
    A polícia explicou já por diversas vezes que esses grupos que querem fechar o g8 são na verdade perigosos grupos terroristas, tornando assim legal, aceitável toda a violência que utilizarem contra os manifestantes.

    Será que isto não provoca contestação? Adivinhem o que é que irão ver e ouvir nas vossas fiéis Tv’s quando ocorrer o g8…

    Putos rebeldes, os anarquistas, os vestidos de negro, destruição de capital, invasão de propriedade privada, ligação a grupos extremistas terrivelmente perigosos.

    A realidade só é real para a quem quer ver. Infelizmente a maior parte das pessoas contenta-se com a simulação da realidade.

    como diz o pessoal da Indymedia:

    “Don’t hate the media, be the media”.

    Passar bem

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