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Gostaria de uma lei como a espanhola. Em que cada estabelecimento decida se nele se pode fumar ou não. Estando obrigando a publicitar a sua escolha e, sendo para fumadores, a investir numa boa exaustão do ar. Cada cliente decide onde onde quer ir. Cada bar e restaurante decide que clientes quer ter. Ninguém incomoda ninguém. Sabendo-se que há mais clientes que não fumam e que o investimento para não fumadores terá de ser maior. Mas deixando que alguns invistam nesse nicho de mercado para que fumadores e não fumadores vejam respeitados os seus direitos.

De uma vez por todas: acho muito bem qualquer lei que defenda os direitos dos não-fumadores à sua saúde e a não ter de aturar o meu fumo. Acho um abuso qualquer lei que tenha como objectivo obrigar-me a deixar de fumar ou a orientar as minhas opções de vida.


Sem respostas ao post “Amigo não empata amigo”  

  1. 1 1  José

    O problema é esse: os fumadores esquecem-se que fumar é um acto de lazer que prejudica tanto a sua saúde como a de todos à sua volta. Considero ainda que o tabaco ainda é barato, mas essa será uma guerra que ninguém quer combater…
    De facto, o ideal seria essa discriminação positiva, dando liberdade ao mercado de se ajustar e definir públicos alvo. O problema é que nenhum dono de um café se vai chegar ao pé de um cliente que esteja a fumar e pedir-lhe que não fume ali, mesmo sendo um local para não fumadores. Ou seja, ficaria tudo na mesma…

  2. 2 2  Eduardo

    O ‘gesto de liberdade individual’ já é dificultado pela carga fiscal sobre o tabaco. Aliás, o tabaco só não é mais caro porque um aumento dessa carga fiscal provocaria uma diminuição da receita fiscal por via de uma diminuição do consumo superior ao aumento da carga fiscal. O que é uma hipocrisia. Das duas uma: ou há liberdade e não há carga fiscal ou a carga fiscal deve tornar proibitivo o consumo de tabaco (colocando os maços a 5 euros, por exemplo).

  3. 3 3  Minerva McGonagall

    Daniel, não acredito que existisse um único estabelecimento onde fosse proibido fumar. Sem proibição, esta situação não vai mudar. Diz-me, conheces algum restaurante ou bar onde seja proibido fumar? A existir, devem contar-se pelos dedos de uma mão…

    Devido à minha bronquite asmática, já deixei de sair muitas vezes, principalmente à noite.

    Não me parece uma lei assim tão grave. Quem estiver num bar ou num restauranre, sempre pode sair para a rua por 5 minutos para fumar. Dessa forma, fica satisfeita e não incomoda ninguém!

    Parece justo, principalmente quando durante décadas imperou a ditadura do fumador sobre o não fumador!

    PS: desculpa lá tratar-te por tu, mas como te vejo todos os Sábados no Eixo, é como se já fosses da família!

  4. 4 4  alal

    O problema também é a da ditatura do automóvel poluente e péssimo para a saúde das pessoas(para além de outras coisas).
    Tambem ele já tem uma carga fiscal mas proibido não foi.

  5. 5 5  Luís Lavoura

    Penso que ha um erro no post - o investimento para fumadores e que e maior, uma vez que tem que se fazer uma sala com boa extracao de ar.

    O Daniel esta a lutar uma batalha sem qualquer interesse. Quando a nova lei for aplicada, passara a ser considerada tao normal como o status quo atual. Ninguem se queixara de nao poder fumar num restaurante, tal como atualmente ninguem se queixa de nao poder fumar dentro do metropolitano ou de um autocarro. Toda a gente achara normalissima a proibicao de fumar nos restaurantes, tal como toda a gente acha normalissima a proibicao de fumar nos comboios e avioes. E so uma questao de habito.

    Os inqueritos mostram que, em todos os paises onde estas proibicoes de fumar foram implementadas, o pessoal ficou, na sua grande maioria, e incluindo os fumadores, contente.

  6. 6 6  Luís Lavoura

    Nao fumar num local onde estao outras pessoas que nao se conhece e a quem nao se pediu autorizacao para fumar, e onde a qualquer momento podem pretender entrar outras pessoas que eventualmente nao gostarao que se fume, e uma simples regra de boa educacao e sa convivencia. O Daniel tambem nao se poe a gritar palavroes num restaurante, nao se despe da cintura para cima no restaurante, nao tira os sapatos e as meias para estar mais a vontade, nao apara o bigode no restaurante, nem poe perfume no restaurante. Porque compreende que todas essas atitudes sao potencialmente agressivas para o gosto dos outros convivas.

    Durante muitos anos, infelizmente, os fumadores recusaram se, militantemente, a compreender este facto trivial - que ao fumarem estao a incomodar os outros. Infelizmente, entao, tem que se fazer uma lei para os obrigar a compreender o facto trivial. E pena que se tenha que fazer leis para obrigar as pessoas a compreender coisas que elas deveriam compreender e aceitar sem a necessidade de leis.

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Eu não me queixo de não poder fumar nos autacarros. Mas se não posso fumar no trabalho, no restaurante e no bar, quando posso fumar eu?

    O vir a ser aceite a mim não me diz nada. eu, quando o condutor fuma, continuo a a achar idiota que duas pessoas (condutor e passageiro de um táxi) fumem não o possam fazer se não está nenhum não-fumador presente. E, ainda assim, está na lei e é aceite.

  8. 8 8  radioactivo

    é uma atitude de extremo egoísmo não aceitar que em nome da saúde daqueles que tomam a opção pessoal de não fumar, essa decisão seja respeitada. Queres fumar? Eu quero respirar ar puro. Eu com o que quero não te prejudico. Tu ao fumares prejudicas-me.

    E esquecem-se das pessoas que têm problemas de saúde e que não podem tolerar fumo de tabaco.

    Eu fiz um tratamento de radioterapia por causa de um cancro, levei radiação na zona pulmonar e era muito bom evitar o maior fumo possível. Que ao menos com a lei se possa estar em restaurantes sem ter que aguentar com os fumadores em cima. Façam o que quiserem a vossa saúde, só não brinquem é com a minha…

  9. 9 9  Tiago

    Alguns pontos a notar.

    1. Uma (boa) parte dos fumadores são completamente incivilizados (completo desrespeito por terceiros…).

    2. O fumo não é só desagradável (só essa razão basta), potencialmente causa cancro.

    3. Já pensaram nos trabalhadores dos locais onde se fuma? São obrigados a ficar com o cancro dos outros… Se houver lugares públicos onde é permitido fumar, quem lá TRABALHA fica exposto. É também uma questão de direitos laborais. Que eu saiba, a filosofia geral do código do trabalho não permite a um trabalhador abdicar dos seus direitos (para protejer os trabalhadores de abusos dos patrões. Pensem em abdicar do direito de trabalhar no máximo X horas).

  10. 10 10  Tiago

    Ah… e onde podes fumar? Em casa, no meio da rua…

    Está frio? Lembro-me de colegas meus, no meio do inverno, no meio da inglaterra a fumarem no meio da rua, no intervalo do trabalho. A empresa era pequena demais para ter uma zona de fumadores.

    Para não dizer: por que é que o patronato tem que subsidiar esse tipo de actividades tendo salas especificas (custo de espaço e ar condicionado)? Em última análise isso seria um benificio que os fumadores teriam em relação aos não fumadores. Enquanto não fumador gostaria de ter em compensação o valor desse benificio reflectido no meu salário.

  11. 11 11  Maria João

    Na esteira do que diz Luís Lavoura, grande conhecedor dos costumes instituídos, cabe-me dizer que o Daniel foge do ponto fundamental de debate, o cerne da questão, está a ser descurado. Falo do trágico ritual de fumar um cigarrinho depois de praticar sexo. Aquela mania desagradável que certos homens tem de puxar o cigarro após o acto consumado, e de ficarem ali feitos parvos com ar de beatitude a fazer círculos de fumo, como se estivessem a pensar em algo verdadeiramente metafísico. Isso é que deveria ser fortemente censurável. Contra tal sórdido costume nem à direita nem à esquerda uma voz se levanta!

  12. 12 12  João Gundersen

    O problema, caro Daniel, é que nunca foi a Espanha com crianças e teve que almoçar ou jantar num restaurante que resolva cumprir a dita lei.

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    Tiago,
    As salas de fumo servem para proteger os não-fumadores, não para subsidiar os fumadores. O senhor fala e com razão dos direitos dos não-fumadores mas recusa-se a aceitar qualquer solução equilibrada.
    Mas a sua tolerância resume-se nesta frase: «Uma (boa) parte dos fumadores são completamente incivilizados».

  14. 14 14  Budapeste

    “O problema também é a da ditatura do automóvel poluente e péssimo para a saúde das pessoas(para além de outras coisas).
    Tambem ele já tem uma carga fiscal mas proibido não foi…”

    Fumar ao ao livre também não é proibido…

    E experimenta ligar o carro dentro de uma garagem fechada e vê o que acontece…

    E é isso que fazes com o tabaco… fumar em espaços fechados…

  15. 15 15  Budapeste

    “As salas de fumo servem para proteger os não-fumadores, não para subsidiar os fumadores.”

    Já viram as condições de trabalho no Google?

    youtube.com
    /watch?v=zHu3hXSl7M4

    As salas de fumo não servem para proteger os não fumadores , para isso basta a proibição do fumo…

    As salas de fumo servem para os fumadores gozarem um momento de pausa, de uma forma que lhes é agradável…

    Seria desejável que os restantes trabalhadores, não fumadores, pudessem fazer as suas pausas num local que também lhes agradasse…

    Isso é que seria justo.

    E há muito a fazer nesse sentido…

    Quero ir trabalhar para o Google…

    Não admira que um milhão de pessoas por ano se ofereçam para ir trabalhar lá…

  16. 16 16  Daniel Oliveira

    Sabe, na vida tentamos sempre defender os direitos de uns afectando o menos possível o dos outros. Se você é não fumador e não quer ser incomodado pelos fumadores, porque o incomoda que eles fumem longe de si? Ou será apenas que você acha inaceitável que alguém tenha um vicio que você desgosta?
    Chama-se a isso ser mesquinho.

  17. 17 17  Hugo Carreira

    [tinha enviado este comentário. Não foi publicado, espero que por algum problema informático. Reenvio-o, então]

    Não fumo e sou asmático.
    Também eu gostaria que não fosse necessário recorrer à proibição, que bastasse o bom-senso e o respeito pelos demais. Infelizmente, sem legislação nesse sentido e, inevitavelmente, sem imposição dessa mesma legislação, não haverá qualquer alteração nos comportamentos. Cansei-me de sofrer com os “prazeres” e “liberdades” dos meus conterrâneos, tal como me cansei de ter que pedir para que me respeitem (está para nascer o dono ou funcionário de um estabelecimento que diga a um cliente seu que não pode fumar ali, o que me leva a pensar que pouco mudará). Abstenho-me frequentemente, por isso, pura e simplesmente de sair à noite. Pelo que leio nestes comentários, não sou o único.

    Não concordo com a diabolização dos fumadores. Mas também não aceito que me tratem a mim, e aos que partilham da minha opinião, como uma flôr-de-estufa apenas com vontade de chatear os outros. É frequente que resvale nisto a posição dos que fumam (não que seja esta a posição expressa pelo Daniel).

  18. 18 18  viana

    O Daniel embirrou com o facto do Tiago ter escrito que “Uma (boa) parte dos fumadores são completamente incivilizados”, algo que Luis Lavoura claramente demonstrou nos seus comentários. Mas o mais interessante é que o embirranço do Daniel serviu-lhe para ignorar um aspecto que na questão em causa devia ser central em alguém que se assume de Esquerda: os direitos dos trabalhadores.

    Repito o que Tiago disse:

    “Já pensaram nos trabalhadores dos locais onde se fuma? São obrigados a ficar com o cancro dos outros… Se houver lugares públicos onde é permitido fumar, quem lá TRABALHA fica exposto. É também uma questão de direitos laborais. Que eu saiba, a filosofia geral do código do trabalho não permite a um trabalhador abdicar dos seus direitos (para protejer os trabalhadores de abusos dos patrões. Pensem em abdicar do direito de trabalhar no máximo X horas).”

    E aguardo pela resposta do Daniel.
    Acha ou não que a saúde de um trabalhador deve ser protegida no local de trabalho, e se um trabalhador deve ter possibilidade de abdicar desse direito em particular, e de um direito em geral.

  19. 19 19  Daniel Oliveira

    Perante a questão dos direitos dos trabalhadores, como resolve os direitos das pessoas que trabalham nas portagens das auto-estradas. Vamos proibi-las?

  20. 20 20  viana

    Se o Daniel me indicar precisamente que direitos básicos dos trabalhadores que cobram portagens estão a ser infringidos, talvez possa responder.

    Mas, o Daniel continua sem responder à qustão levantada pelo Tiago…
    Devia saber que lançar uma pergunta “em resposta” a outra pergunta é sinal de fraqueza argumentativa e tentativa de mudar de assunto.

  21. 21 21  Budapeste

    “Perante a questão dos direitos dos trabalhadores, como resolve os direitos das pessoas que trabalham nas portagens das auto-estradas.”

    As autoestradas não podem funcionar sem carros…
    mas ao ar livre a poluição dilui-se… deve até ser mais problemática na Av. da Liberdade que no posto de trabalho de um portageiro…

    Quanto aos restaurantes, mesmo sem fumo, podem continuar a servir comida…

    E os bares podem vender bebidas…

    Penso eu de que…

  22. 22 22  radioactivo

    “Perante a questão dos direitos dos trabalhadores, como resolve os direitos das pessoas que trabalham nas portagens das auto-estradas. Vamos proibi-las?”

    Este comentário desiludiu-me muito. Tinha-o em melhor consideração. Faz-me lembrar aqueles que em tempos bem recentes argumentavam que se se ia legalizar o aborto porque a proibição não o impedia, então também se devia legalizar o homicídio…

  23. 23 23  Vitor

    O fumar só poderá ser um direito individual qd os fumadores assumirem o pagamento integral das doenças que essa “liberdade” lhes causa. Enquanto for o Estado a subsidiar a 100% o tratamento do canro do pulmão, não se pode falar de um direito individial, uma vez que ele tem consequências colectivas.

  24. 24 24  Daniel Oliveira

    «O fumar só poderá ser um direito individual qd os fumadores assumirem o pagamento integral das doenças que essa “liberdade” lhes causa.»

    Aplica essa máxima às gorduras, ao sal, ao açúcar, ao stress… Se não, o que escreve fazm pouco sentido. Se sim, não gostava de viver num país onde o senhor mandasse.

  25. 25 25  Vitor

    Daniel, é um demasiada presunção da sua parte, atribuir-me fantasias totalitárias. Mas em fim, a melhor defesa é o ataque, qd não nos restam outros argumentos.
    Mas voltando ao cerne do meu post, existe um grupo de doenças designadas por “doenças de mau comportamento” as resultantes do abuso do tabaco, do alcool, das drogaso, do mau estilo de vida, em que a vontade do doente, foi fundamental para o seu aparecimento. E quer se queira quer não a evolução vai no sentido que eu refiro. O Sistema de Saúde Alemão, baseado em Seguros de Saúde, está a caminhar no sentido de exigir aos doentes que apresentem esse tipo de doenças, maiores co-pagamentos, e essa vai ser a evolução no futuro, quer isso agrade ou não aos adeptos de comportamentos de risco. Não é só sexo sem preservativo que é comportamento de risco. Fumar também é. Toda a gente sabe. Logo não é justo que sejam os não fumadores ( a maioria dos cidadãos) a financiar as consequências dos ditos “direitos e liberdades” aos vícios individuais.

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