
Que sobre a realização de um julgamento de um terrorista confesso se diga que se está a dar ao 11 de Setembro “uma segunda vida” (o conservador Charles Krauthammer, no “Washington Post”); que se avise para os riscos dele ser libertado (Neil Cavuto, na Fox, e Rudy Giuliani); e que se propteste por o julgamento da à “jihad” o palco que ela precisa; diz muito do ponto a que se chegou na falta de naturalidade com que se olha para o Estado de Direito nas democracias. Mas mais extraordinário é que a defesa do julgamento civil se faça na mera presunção de que este será uma boa “plataforma de propaganda” para o “nosso lado” (Steven Simon, no “New York Times”); que se descanse a opinião pública garantindo que a defesa não conseguirá dar relevância às práticas ilegais de interrogatório; e que Barack Obama antecipe já que Khalid Sheikh Mohammed será “condenado” e até que lhe será “aplicada a pena de morte”.
Independentemente do resultado, este julgamento civil, e não em comissões militares e o uso de formas ilegitimas de recolha de prova, é um passo fundamental para a reposição da legalidade. A sua confissão é anterior à sua detenção e por isso a absolvição é improvável. Mas mais do que reduzir, aos olhos da opinião pública, a sensação de risco pela realização de um julgamento justo, é o elogio a esta forma de proceder que devia ser reforçado. Com ou sem riscos, um julgamento civil com todas as garantias é uma vitória da democracia. E, por isso, uma vitória perante tudo o Khalid Sheikh Mohammed representa.
15 comentários 23 Nov 09 em Sem categoria



Um inocente este Khalid Sheikh Mohammed
Cá para mim o advogado do Bibi ainda se vai oferecer para defender este gajo.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 23rd, 2009 at 17:59
António Cunha, não será inocente. Mas é para isso que servem os julgamentos. Ou não?
Não sei lá muito bem o que se passa, pois leio mal inglês e não acredito nas transcrições dos senhores “jornalistas” que ainda o lêem pior.
Como já se falou (a propósito dos casamentos dos LGBT) de eutanásia só tenho a dizer que nalguns casos não discordo e que se a tivesse aplicado a este fulano ao nascer tinha sido uma bênção para a Humanidade.
Já sei que se o post for publicado vão atirar-me imensos calhaus.
Desculpem é assim que eu penso.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 23rd, 2009 at 18:05
Fado, para o seu post irritar era preciso que fosse compreensível.
Se realmente ele é culpado e for absolvido, mesmo assim, não deve conseguir receber indemnizações do Estado, como num certo país que eu conheço e que anda sempre tão baralhado, como lá.
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Fado (Alexandrino), para o seu post irritar era preciso que fosse compreensível.
Só me falta acertar no euromilhões.
Eu já sabia que o senhor tinha duas alternativas, ou irritar-se muito e defender que o GFP deve ter um julgamento imparcial que os estados unidos são o apogeu da democracia e que têm que dar todas as garantias e sujeitar-se a contraditório (uma palavra maldita para si) ou partir para a chalaça.
Escolheu esta e no campo da brincadeira eu realmente não sou muito dotado e portanto ganhou.
Parabéns.
Se na realidade não conseguiu compreender o que eu quis dizer, pergunte, sei lá, aos familiares das vítimas?
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Daniel #5
Vou tentar “traduzir”
“Eu tenho que escrever qualquer coisa mesmo que não tenha qualquer coisa a dizer”.
Para o #2 perceber o que eu te “disse”:
“rezid a asioc reuqlauq ahnet oãn euq omsem asioc reuqlauq revercse euq ohnet uE “.
Abraço.
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De acordo com o post e em desacordo com a tónica dos comentários: O Estado de Direito é o que desejamos para quem não o tem; se agirmos como se o Estado de Direito não fosse aplicável a detidos no nosso território, o que estamos a fazer é reconhecer que os terroristas não fazem terrorismo, fazem guerra; e, de caminho, criamos mártires que legitimam novos mártires. Custa? Pois custa. O que vale a pena às vezes custa.
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Desculpe lá, este é o mesmo senhor que antes de confessar os actos de que é acusado foi submetido a waterboarding 183 vezes de forma documentada? que confessou tambem mais uns nao sei quantos atentados na forma tentada ou consumada? e que o proprio Daniel considera ser representante da anti-democracia (“Com ou sem riscos, um julgamento civil com todas as garantias é uma vitória da democracia. E, por isso, uma vitória perante tudo o Khalid Sheikh Mohammed representa.”)?
ou seja, quem, em seu sao juizo pode considerar que este julgamento civil nao está altamente inquinado? como pode considerar este julgamento uma vitória da democracia?
Traduzindo o seu post quase podia ser algo do género:
“apesar de ter sido torturado, do presidente dos eua já ter vindo dizer que ele seria condenado e executado, que uma série de conservadores terem medo do julgamento porque poderia ser ilibado, pese a defesa nao ir ter o minimo impacto na opiniao publica ao contrario da acusaçao devemos contragular-nos com um julgamento civil porque é a vitória da democracia.”
Porra, raio de democracia, esta…
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Eu não lhe chamo medo, chamo-lhe prudência.
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#9 rafael
“Desculpe lá, este é o mesmo senhor que antes de confessar os actos de que é acusado foi submetido a waterboarding 183 vezes de forma documentada?”
Caro rafael,
Leia com atenção o que o Daniel escreveu; “A sua confissão é anterior à sua detenção”
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11 José Bastos
o homem até pode ser culpado, a confissao até pode ter sido feita antes, mas nao acha que qq julgamento nestas condiçoes está ferido de legitimidade?
e já agora, sem querer pôr em causa a noticia do Publico, estranha-me que alguém que esteja preso há 6 anos e meio e antes disso já havia confessado os crimes de que é acusado, nao ter sido julgado ainda…
estranha-me ainda mais que se a confissao realizada já era prova suficiente para uma acusaçao e eventual condenaçao, o visado ter sido submetido 183 vezes a afogamentos simulados. com que propósito?
sinceramente, esta historia parece muito mal contada…
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 24th, 2009 at 12:15
rafael, estes julgamentos eram feitos através de comissões militares. Só agora começaram em tribunais civis. Por isso mesmo ainda não foi julgado.
O 11 de Setembro ficará para a História, como o “símbolo” dos atentados terroristas.
Como sempre, há duas componentes:
1- Os que executam e, também, morrem;
2- Os “cérebros”, que planificam, mandam executar, despedem-se dos “mártires” e vão congeminar o próximo atentado. Estes, além de criminosos, são covardes.
E como responderam os EUA?:
1- A Administração W resolveu “aproveitar” Guantanamo para “acolher” os principais suspeitos de terrorismo;
2- Até ao último dia do seu mandato, o vice Dick, manteve as posições de defesa da tortura, para obtenção de confissões e a continuação do que se poderá classificar de “julgamentos sumários”.
Como discordo, frontalmente, do princípio de que os “fins justificam os meios”, estive, estou e estarei contra este tipo de “soluções”. Até porque não quero comparar-me a esses “selvagens”, utilizando o método que condeno.
Pelo que percebi, esse tal KSM “confessou” (ou “gabou-se”) do crime, antes da detençao. Depois, foi sujeito a torturas para confessar a sua “qualidade” de organizar mais alguns.
Se, de facto, confessou antes, só pode ser culpado.
A Administração Obama tem, de facto esta terrível herança de Guantanamo, até porque os casos de tortura eram sistemáticos e, muitas “confissões” de outros presos, só foram obtidas à custa deste método.
Como ilustração “tipo humor-negro”, na minha juventude contava-se um “caso ocorrido” no Portugal de então:
Uma professora perguntou a um aluno quem tinha escrito os Lusíadas. O “miúdo” respondeu:
“- Eu cá não fui.”
Depois das aulas, numa “roda” de amigos a professora contou o que se tinha passado.
No dia seguinte, um dos amigos (que era agente da PIDE), disse-lhe:
“- Problema resolvido. O “puto” confessou que foi ele quem escreveu os Lusíadas mas, com a ajuda do pai.”.
Que se faça Justiça!
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ok, até aí posso compreender (entender nao entendo como alguém está 6 anos e meio sem acusaçao formal, mas acho que nisso estamos de acordo) mas de forma alguma acredito que pelas questoes que o Daniel levantou que este seja um julgamento justo e isento…
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