
Mentir é feio. E eu menti. Disse que não ia ver o filme de Oliver Stone sobre o 11 de Setembro e fui. Confesso que me surpreendeu. Esperava o pior. Tive ainda pior. Lamechas, básico, patrioteiro, fácil. Nem Nicolas Cage, provavelmente o meu actor preferido no activo, salva aquela estopada. Para desenhar o cartão postal da América, Stone não gastou um neurónio. Está lá tudo: as mulheres chorosas esperando os seus valorosos esposos, a diversidade racial medida ao milímetro, a solidariedade entre os homens que nuca falham, um louco ex-fuzileiro que no fim até salva os protagonistas e diz ao telemóvel “vamos precisar dos melhores para vingar isto”. Alista-se para servir na guerra do Iraque. Ou seja: uma mão amiga e compreensiva aos mais fanáticos, pintando-os como patriotas perturbados mas bem intencionados.
Mas, mais importante que tudo isto, um filme mau, com diálogos idiotas e uma realização absolutamente desinteressante. O Oliver Stone de “Nascido a 4 de Julho” – um filme igualmente fraco e cheio de lugares comuns, mas de sentido inverso a este – voltou a atacar. Mas este retrato idílico da América acossada (que soa a senilidade artística e ideológica), aplaudido pelos mesmos conservadores que se insurgiram por ser Stone o primeiro a retratar o 11 de Setembro no cinema, não é apenas uma «história simples», como disse o realizador, mas uma simplificação da tragédia. A tragédia, o sofrimento e a morte nunca são simples. Nelas se revelam o pior e o melhor da natureza humana. Pois ali só há heróis.
Stone parece pedir autorização para ser o autor do hino ao “americano”. E é de um hino que se trata. Nada contra o “americano” a que o filme ergue uma estátua. Ao contrário do que pensam, aprecio muito do que essa personagem contraditória do conquistador do Novo Mundo significa. A confiança absoluta no individuo, a capacidade surpreendente de realizar feitos impossíveis, o espírito o combativo, a clareza no confronto e a ingenuidade nos valores, inversa ao cinismo europeu. Tenho medo de tudo isto porque tudo isto pode, como se tem visto, ser perigoso. Mas tudo isto me toca. Só tenho tudo contra os hinos e as estátuas. Sobretudo as estátuas ao soldado desconhecido, sem alma nem história. Não são arte, apenas isso. São sempre estúpidas.
Por Daniel Oliveira 29 Set 06 em Sem categoria


realmente, um acontecimento tão complexo e gigantesco nas consequências, merecia melhor.
Eu já tinha avisado lá na minha baiuca que o Oliver Stone vinha de um fracasso comercial, (Alexandre o Grande) e viu-se na necessidade de aceitar uma encomenda duma major. Parte das receitas do filme revertem para o monumento de memória às vitimas do 11/9. Sucesso assegurado, e os elogios dos neocons ao filme não se fizeram esperar.
mas
para já, para desenjoar, é melhor ler, do que ir ao cinema
p/e isto:
O Novo Pearl Harbour
http://en.wikipedia.org/wiki/The_New_Pearl_Harbor
Concordo consigo na análise ao filme, que é aliás partilhada por alguns dos mais acérrimos conservadores de direita como Sean Hannity e Rush Limbaugh.
Quanto aos heróis, acredite que no 11 de Setembro houve muitos, e não só entre os os que perderam a vida como entre aqueles que passaram dias e noites a fio nas operações de busca e salvamento, na maioria voluntários (médicos, técnicos de emergência, organizações humanitárias como a Cruz Vermelha ou o Exército de Salvação, companhias privadas grande e pequenas). Eu vivo perto de New York e, como técnico de emergência estive no Ground Zero, se calhar menos tempo do que deveria ter estado, e por muitos anos que viva nunca vou voltar a assistir a tanta solidariedade e entrega.
A América tem muitos, e causa muitos problemas, mas ninguém pode acusar o cidadão normal de não responder quando chega a hora da verdade. E o 11 de Setembro deu exemplos do melhor, e alguns (poucos) casos do pior porque nestas alturas também há quem aproveite a desgraça alheia.
Um abraço
Rui Geraldes
O filme é tal e qual o que se esperava… e os hinos unem as pessoas, tal como as bendeiras - que o digam os americanos e que o digamos nós!
Mas não entendo a embirração com as estátuas de homenagem ao ’soldado desconhecido’ - claramente são sempre muito menos arte do que são legitimação histórica dos sacrifícios de guerra, mas estão cheias portanto da história do seu tempo e das histórias das pessoas cujas almas foram concertezas também metidas ao barulho.
Hoje temos melhores registos, já não devem sobrar muitos ’soldados desconhecidos’, para seu descanso.
Claro que há heróis. Não é evidentemente essa questão. O Mundo, e os EUA e Nova Yorque, é que não sei feitos exclusivamente de heróis. Foi apenas isso que eu disse.
Daniel, ainda não vi o filme mas tenciono, se não me esquecer
Só uma dica: é normal o cinema glorificar apenas os heróis e esquecer os cidadãos comuns. É também cada vez mais comum Hollywood ser assepticamente correcta. Stone tem desiludido na medida em que há 20 anos me habituara a ver nele mais que apenas um cineasta competente. Mas continua a ser um cineasta competente, uff.
Felizmente estava o Daniel na sala, o combatente da mono-perspectiva, a pluridade em pessoa, o homem que só critica a américa de um modo crítico, enfim, o grande herói da esquerda portuguesa! Na tela era o trabalho do pró-americano (logicamente mentecapto), no público era o brilhante crítico (logicamente anti-americano).
Abro uma garrafa de champanhe quando o Daniel Oliveira conseguir escrever algo positivo sobre os EUA.
Abro outra quando o Daniel Oliveira conseguir explicar qual é a doutrina do Bloco de Esquerda (para além de ser anti bush/eua/israel/
capitalismo).
Será que uma pessoa que é tão crítica com os outros não é minimamente crítica consigo próprio e perceber que o seu pensamento está permanentemente inquinado pela sua ideologia de ódio aos EUA?
Até podia ler neste mesmo texto, se o leu até ao fim. Mas não é boa ideia. Longe de mim querer que o senhor gaste o seu champanhe comigo.
Quando à “doutrina” do Bloco, ainda me há de explicar o que é que quer dizer com isso.
Com Doutrina do Bloco de Esquerda quero dizer
- que valores e princípios fundamentais o bloco de esquerda defende?
- é um partido marxista-leninista, trotskista? defende a revolução do proletariado?
- que visão tem para a organização económica do país? Comunismo puro? Propriedade pública dos bens de produção?
- Se ganhasse as eleições o que faria, nacionalização das empresas? Planos de produção centrais? Prioridade aos benefícios sociais, relegando para 2º plano o controlo do Orçamento de Estado?
- que visão tem das experiências comunistas passadas e actuais, nomeadamente a União Soviética, o período Estalinista, a China, o Maoismo, Cuba e Coreia do Norte?
Tenho alguns amigos do Bloco de Esquerda (acho mais que por moda do que por sentido crítico da sociedade). Dizem-me que não são comunistas e que não defendem o comunismo.
Pergunto-lhes o que defendem claramente para a sociedade. Mas não me conseguem responder (para além de banalidades como “harmonia”, “liberdade”, “respeito pelo outros”, “cooperação”, “fim da pobreza”). Obviamente todos concordam entre eles que o Bush é estúpido, que os neo-conservadores são belicistas, que a América é imperialista, que o capitalismo é desumano (já sabe, a cassete).
Podem não ser uma boa amostra do universo de apoiantes do Bloco. Mas na verdade, ainda não conheci ninguém do Bloco que me desse resposta clara às perguntas que formulei em cima.
Quanto ao elogio, se eu fosse americano não me sentiria nada elogiado pelo seu post, mesmo apesar da pequena concessão que fez.
De resto, se eu fosse americano não me sentiria nada elogiado com o seu blog. Em especial sabendo que para o fazer utiliza tecnologia quase toda inventada e desenvolvida nos EUA.
Caro JM,
O Bloco é um partido que nasceu num momento de transição política e de crise da esquerda. Se fosse claro do ponto de vista ideológico estaria fora do seu tempo. Diria que junta diversas correntes anti-capitalistas, o que não significa que todas elas tenham alternativas ao capitalismo. Eu, por exemplo, sendo anti-capitalista por considerar que o Capitalismo é intrisicamente injusto, não tenho nenhuma aletrnativa global para apresentar. Por isso, sou social-democrata, defendendo que através de reformas se deve contrariar a natureza do Capitalismo, acrescentando-lhe elementos que não só lhe são estranhos como são contrários à sua lógica. Na minha opinião, o aprofundamento Estado Providência, da segurança social, da participação do Estado na economia, de grande parte dos serviços públicos e da regulamentação da globalização são o travão ao desenvolvimento “natural” do Capitalismo. Trata-se de domesticar o Capitalismo, sabendo que ele é por natureza selvagem. Esta domesticação poderá, talvez, com alguns elementos do marxismo, do anarquismo, do movimento ambientalista mais ideologico e da social-democracia fazer surgir alternativas que, mesmo não sendo globais, melhorem francamente a vida das pessoas.
Mas isto sou eu. No Bloco há marxistas-leninistas (uns trotsquistas outros não), marxistas que abandonaram o leninismo, libertários, ambientalistas e defensores de causas específicas, gente que se define apenas como sendo de esquerda e social-democratas de esquerda, como eu. É um saco de gatos? Não, porque, na intervenção que o BE pode ter hoje na sociedade portuguesa, estamos no fundamental de acordo. Partidos como este há pela Europa fora.
Aliás, se vir bem, não encontra muito maior solidez ideológica nos restantes partidos portugueses. O que é o CDS? Liberal? conservador? de extrema-direita nacionalista? Democrata-cristão? O que é o PSD? Social-democrata? Liberal? Social-cristão? O que é o PS? Social-democrata? Liberal moderado? Social-cristão? Apenas o PCP se define ideologicamente de uma forma clara. Mas, ainda assim, é mais dogmatismo do que clareza. Se olharmos para os programas políticos do PCP eles são apenas melhoristas, reformistas. Nada têm de comunista.
Respondendo às suas perguntas:
Que valores e princípios fundamentais o bloco de esquerda defende?
Que a liberdade individual (no que se distingue, por exemplo, do PCP) faz parte de qualquer ideia de igualdade; que o combate ao conservadorismo faz parte do combate à auto-determinação dos individuos e ajuda a construir uma sociedade mais democrática e livre; que o socialismo, nas suas diversas correntes, é o espaço de afirmação e combate à globalizaçã capitalista (não confudir com globalização), que é o Capitalismo que hoje existe; que a democracia formal não dispensa a democracia social e participativa e que a democracia social não dispensa a democracia formal; Que o antagonismo entre igualdade e liberdade não só é um falso antagonismo como uma e outra estão intrinsecamente ligadas.
- é um partido marxista-leninista, trotskista? defende a revolução do proletariado?
Enquanto partido, a resposta é negativa às três. O que não quer dizer que, como lhe disse, não haja no BE muita gente marxista-leninista.
- que visão tem para a organização económica do país? Comunismo puro? Propriedade pública dos bens de produção?
Programaticamente, a única que qualquer partido de esquerda sério pode hoje ter: construção do Estado providência, de serviços públicos e de maior democracia económica.
- Se ganhasse as eleições o que faria, nacionalização das empresas? Planos de produção centrais? Prioridade aos benefícios sociais, relegando para 2º plano o controlo do Orçamento de Estado?
Acho que já respondi. No entanto, se o Bloco ganhasse as eleições necessariamente o país seria outro e o Bloco também. É o genero de discussões absurdas que acho politicamente inuteis.
- que visão tem das experiências comunistas passadas e actuais, nomeadamente a União Soviética, o período Estalinista, a China, o Maoismo, Cuba e Coreia do Norte?
Em todos os casos, mais do que criticas. Foram crimes contra a humanidae. E nisso encontra absoluto consenso entre todas as correntes do BE.
Espero ter esclarecido.
Quanto ao EUA, não fiz um pequeno elogio. Disse o que admirava nos americanos e o que isso, como sempre e com qualquer povo, tem de contraditório. Se queria elogios rasgados, não os encontrará em mim nem sobre os americanos nem sobre qualquer povo. Há uma diferença entre o poder político americano e os americanos. Sobre povos, não tenho em geral nem boa nem má opinião. Ele há de tudo, como em todo o lado. Admiro muitas coisas nosamericanos, não gosto de outras e acho que têm muitos dos defeitos e das virtudes de povos que vivem em países de dimensões continentais: brasileiros, russos, chineses (estes não sei), etc. Conhecem mal o Mundo e os seus países são já um Mundo. Isso é bom e isso é mau. Mas não acho que os americanos sejam estúpidos, não tenham história, etc. E irrito-me quando a esquerda substitui o discurso anti-imperialista por um discurso racista.
… E a juntar a isso uma tradução que não respeita o que é dito em alguns dialogos.
Alguém me quere explicar como é que o wtc 7 cai em 7 segundos com apenas dois fogos isolados ??? Mas, por amor de Deus, não me respondam que foi por demolição controlada ( Que absurdo!!! )…a sanidade no debate é indispensável.
Caro Daniel Oliveira
Antes de mais, agradeço-lhe a resposta.
Aproveito para fazer alguns comentários.
1. Sobre o Capitalismo
Como o Daniel disse, o Bloco de Esquerda resultou de uma transição política e de crise da Esquerda.
A teoria económica em que se baseava o comunismo assenta numa lógica de “soma nula” da economia. O que implica, que a teoria alternativa e antagónica, o capitalismo, só poderia implicar a exploração do homem pelo homem. Logo, seguindo essa lógica, quem defendia o capitalismo só poderia estar a querer criar condições para explorar o proletariado
A proposta que a esquerda comunista apresentava para organizar os meios de produção nas sociedades falhou o teste da História.
Mas a Esquerda continua a ver como “inimigo” o capitalismo, apesar de na prática o estar a incorporar em sistemas mistos.
Penso que um dos motivos desse antagonismo resulta de a Esquerda continuar a ver o capitalismo (e os princípios de propriedade privada, liberdade económica, economia de mercado e competição) numa lógica de luta ideológica, e não pelos verdadeiros objectivos e princípios que a Direita defende (desde Adam Smith): a melhor forma de uma sociedade organizar os seus meios de produção e de trazer prosperidade a todos (numa lógica de “soma positiva”), baseando-se em princípios de liberdade e responsabilidade.
Em socidedades de super-abundância não é humanamente aceitável haver pessoas a passar fome. Daí fazer todo o sentido, como tem acontecido em todos os sistemas económicos ocidentais, criar redes de apoio social que garantam que todos possam viver com dignidade. Naturalmente que aí o Estado tem um papel importante.
No entanto, e a prática tem-no demonstrado, a posse pública de meios de produção resulta em ineficiências, clientelismos, falta de inovação, práticas anacrónicas. Isto resulta em menor produção de riqueza. A criação de redes de apoio social não implica a posse pública dos meios de produção. São assuntos separáveis.
A ideologia que defende o capitalismo tem os mesmos valores que o Daniel apregoa. A diferença não está nos fins, que são os mesmos, a melhoria das condições de vida das populações. A diferença está na teoria de compreensão da realidade (acreditar ou não na “mão invisível”). As intenções e os propóstios são os mesmos.
No entanto, vejo a Esquerda permanente a atacar o capitalismo, não pondo em causa a teoria, mas fazendo um ataque “ad homine”, dizendo que quem defende o capitalismo é explorador da classe operária. E este tipo de ataques “ad homine”, quanto a mim, só pode resultar ou de demagogia ou de ignorância.
Na sua resposta afirmou que o Capitalismo é intrinsecamente injusto? Porquê?
Li recentemente um artigo muito interessante que abordava este assunto. Envio-lhe o link.
http://www.tcsdaily.com/article.aspx?id=092806A
Quanto à igualdade de que fala, pode ter vários sentidos e muito latos. Não sei a quais se referia.
Se era a igualdade perante a lei (totalmente de acordo!), igualdade de oportunidades (apoiado, defendo que o Estado deve favorecer o máximo de condições para a mobilidade social).
No entanto, se estava a falar de igualdade económica imposta por decreto, cai no erro do comunismo, e aí não posso estar de acordo. A igualdade económica imposta por decreto leva inevitavelmente ao colapso das sociedades.
2. Sobre os partidos políticos nacionais
Estou em grande parte de acordo consigo. Há uma falta de pensamento e definição ideológica muito grande. No caso do PS e PSD, prende-se com o realismo cínico de não afugentar eleitorados para ganhar eleições. E com a tristeza das jotas, jovens pré-formatados para falarem o politicamente correcto, e não para verem de forma crítica a sociedade. No caso do PP, um partidos pequeno, onde há menos pressão imediatista de ganhar eleições e mais espaço para o pensamento ideológico crítico, é um triste palco de vaidades pessoais. O PC é um partido de museu, firme nas suas convicções (que hoje quem não é dogmático compreende que estão erradas), mas cristalizado e condenado a desaparecer.
3. Sobre o Bloco de Esquerda
Acredito poder haver espaço político para partidos como o BE, sem uma doutrina ideológica definitiva e global, mas com visões parcelares de assuntos relevantes (como o ambiente ou liberdades de minorias).
No entanto, sou muito crítico às intervenções que o BE tem tido.
Primeiro, e talvez devido à sua tão grande heterogeneidade (da social democarcia ao socialismo revolucionário!), dos poucos assuntos em que todos falam de forma consensual, é do anti-americanismo. E é, quase sempre, um anti-americanismo ideológico e cego. Muitas vezes, não um anti-americanismo pela crítica, mas pelo ódio!
Segundo, porque força permanente no discurso político uma agenda própria em grande parte alienada das preocupações das pessoas, especialmente das mais desfavorecidas.
Terceiro, porque as intervenções dos seus líderes são carregadas de demagogia (ataques pessoais gratuitos e desequilibrados aos principais empresários nacionais, semana de trabalho de 4 dias…).
Quarto, porque apesar de não ter uma postura de governação, mostra-se empenhado em continuar a expandir a sua base de votantes.
Será que um partido que está perto de atingir 10%, não tem de ser responsável perante a sociedade e definir de forma muito clara e séria que políticas iria adoptar caso seja chamado para assumir um ou mais Ministérios?
4. Sobre o discurso da Esquerdas
É com algum espanto (e muita tristeza) que assisto às grandes causas que a esquerda hoje defende.
Não falo só de si, mas também o incluo. Apesar de considerar que tem uma visão mais crítica e lúcida do que muita esquerda e a maior parte dos outros Bloquistas que vejo falar ou escrever, acaba por cair nas mesmas falácias e erros, nem que não seja por uma questão de ênfase e frequência com que aborda certos assuntos.
A Esquerda, pretensamente defensora da liberdade e igualdade, ataca os EUA, Bush, Capitalismo, Israel, Globalização.
Os EUA (e a sua Administração) podem ter muitos defeitos e fazer erros. Mas têm um sistema de governação altamente responsabilizador, crítico e auto-correctivo.
A imprensa é totalmente livre e pode até derrubar Presidentes (como já o fez). Não vale a pena a Esquerda, se está mesmo preocupada em defender a liberdade e igualdade, ser a difusora mundial do ódio anti-americano. Há argumentos muito válidos para criticar a guerra no Iraque, Guantanamo e Abu Grahib. Mas para quê repeti-los até à exaustão e esquecer causas ainda mais nobres e críticas para a vida dos seres humanos. Parece-me que a Esquerda ignora a guerra no Sudão, a auto-determinação no Tibete, os direitos das mulheres, minorias religiosas e homessexuais nos países Islâmicos. A Esquerda subverteu a sua escala de valores em nome do politicamente e do anti-amercanismo. Ataca Hirsi Ali, que poderia ser elevada a um patamar semelhante a Martin Luther King na defesa dos direitos das mulheres nas culturas islâmicas, as feministas andam de hijab (!) nas manifestações anti-americanas, homossexuais defendem incondicionalmente culturas que os condenariam à morte!
Do Capitalismo já lhe falei. De Israel, pode ter feito muitos erros, mas ofereceu acordos sérios de paz aos Palestinianos e elegeu governos que desmantelam colonatos para os abandonar, mesmo que unilateralmente. A resposta: intifada e eleição do Hamas! O povo Palestiniano também tem de ser responsabilizado pela sua situação, e deixar de ser a vítima permanente. Quem dera aos Curdos poder ter tido oportunidades como os Palestinianos. Mas, e apesar de terem sido submetidos a verdadeira limpezas étnicas, a Esquerda ignora-os e pouco quer saber de como o seu estatuto melhor bastante depois da guerra no Iraque.
Globalização: nunca a economia mundial cresceu tanto, especialmente para benefício de muitos antes miseráveis nos países asiáticos. Mas como é defendida pelos EUA, então deve ser atacada como mais uma técnica de imperialismo. Mas a Esquerda não fala da Política Agrícola Comum (e até, em muitos casos, a apoia), esse sim um verdadeiro obstáculo ao crescimento de África.
Parece-me que a obsessão anti-americana pôs os valores da Esquerda de pernas para o ar. Parece-me que a Esquerda vive o chamado complexo dos direitos humanos.
http://www.seconddraft.org/ess_pcp.php
Um abraço
JM