que bem que me caiu no goto o disco de estreia dos OqueStrada, colectivo que palmilha terreiros e coretos, arraiais e salões de colectividade há coisa de sete anos, eles, que guardaram as pérolas mais ou menos longe dos incautos, folia escondida com rabo de fora, e agora lançam a rodela com o nome de Tasca Beat, arriscando uma salada de frutas muito borderline, entre o neurótico e o psicótico como manda a tradição, deitando para a gamela cantares, instrumentos e assobios de vários quadrantes e assim se faz uma alquimia do catano, refunda-se uma parcela da música à portuguesa, tecem-se loas à identidade a partir de uma guitarra dedilhada mas também sovada em registo flamenguito, quadras lisboetas e crioulo diletante, acordeão e um contrabaixo arraçado de pau de vassoura. E que produz som, diabos o levem e tragam.
Pelo meio faz-se a barba à chapada a um ou dois amores vigorosos, sopra-se nos metais, molha-se a sopa nas outras línguas, francês, castelhano, um ou dois ciganos aterram de soslaio sem ser para vender caldo-knorr-a-fazer-de-haxixe, glosa-se o billy idol (I kid you not) e as rotundas, Almada e o killing me softly, uma pitada de brasil, cabo verde e madragoa, há umas cordas em “eu e o meu país” a lembrar o al-andaluz, os terraços de beja ou os meus vizinhos da rua de santa marta, é possível modernizar o cancioneiro sem querer trazer as modinhas da amália para o trip-hop, para as vocalizações banhudas, homenagem ao estilo elefante em loja de porcelanas como uma ou outra que rodam por aí, glória aos fadistas, à hermínia, dizem eles, glória à OqueStrada, proponho eu, toma lá nota ó sam the kid, eles não querem ser os moonspell, não querem novos horizontes, mas aqui a tasca beat, é um granel , é quinta da fonte. E que bem que eu me dou com as rimas, foda-se. Então não?
7 comentários 16 Jun 09 em Sem categoria



Gostei imenso.
Agora já percebi porque é que a Marisa Mathias foi escolhida para o Parlamento Europeu.
Ela canta realmente muito bem
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Sinceramente parece-me que a música que eles tocam é uma e a melodia que a rapariga canta é outra. Não jogam muito bem uma com as outra. Separadas até soariam bem.
A letra não é grande coisa, parece vir directamente da Escola de Letras “João Pedro País” ( infelizmente uma escola com grande sucesso no nosso meio musical), e só parece um bocadinho melhor, porque a roupagem instrumental é realmente boa.
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Há algum tempo assisti a uma actuação deles e achei muito interessante esta abordagem músical! Muito bom mesmo!
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Os OqueStrada são do melhor que se faz por cá!
As maiores felicidades e muito sucesso ao projecto que bem merece.
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Foda-se digo eu, isto é Madre-de-Deus!
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Cá para mim não há nada melhor do que um rap de alentejano à mistura com algarvio, aqui vai:
A BARRACA
vende empreita
vende o esparto
o povo espreita
disto está farto!?
-
vou ao Seu Café
ver a barracada
bebo lá um café
sai bica pingada?
-
e é tanto um pó
qu’anda p’lo ar
que já mete dó
a gente lá estar!
-
e se a gente sai
vai a outro lugar
lá vem a A.S.A.E.
A tudo estragar!
-
vou num T. G. V.
d’alta velocidade
e nada lá se vê
é já desta idade?
-
e já estou morto
com tanto calor
e num aeroporto
rebenta o motor!
-
o meu País é belo
linda é a Câncio
e um Nuno Melo;
dá a Constâncio!?
-
e vejo uma garota
aí d’uns dezoito
essa que é marota
me faz já no oito!
-
já lá dizia meu Pai
em sua vida tirana
vai lá José vai, vai
qu’a barraca abana!
-
Pisco
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ahh grande pedro!!!
sigaaaaa
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