Antes de reentrar na actualidade, tive de actualizar o blogue. Os meus seis textos do Expresso das três semanas anteriores já estão disponíveis na página do costume. O link para o desta semana já está na coluna da direita. O selo para os resultados das primárias americanas saiu mas ficámos no mesmo país. Até surgir qualquer coisa de interessante, fica um link para os posts da minha viagem aos Estados Unidos.

Saiu o inquérito sobre o tratado europeu. Votaram 489 pessoas. Recordo que cada uma tinha direito a escolher até três possibilidades o que correspondeu a 1086 votos. Olhando para esses, o “Não” obteve 729 votos (67%) e o “Sim” 357 (33%).

Dos 489 votantes, 44% (214) disseram que votavam “não” porque o processo que levou ao Tratado foi pouco democrático; 36% (178) porque o Tratado impõe uma política neo-liberal; 33% (159) porque o Tratado reforça o poder dos países mais fortes instituindo a Europa do Directório; 12% (60) porque não querem que os estados percam soberania; 9% (45) porque a integração europeia deve seguir um caminho mais lento e cauteloso; 9% (44) porque o tratado é mau para Portugal; e 6% (29) porque são contra a participação de Portugal na União Europeia.

Do mesmo universo, 19% (91) votaram “sim” porque o Tratado reforça a Europa; 16% (78) porque o Tratado simplifica a tomada de decisões numa União a 27; 12% (60) porque o Tratado reforça as instituições europeias eleitas, como o Parlamento Europeu; 12% (60) porque o tratado permite que a Europa tenha uma política externa comum; 9% (43) porque se o Tratado não avançar a Europa entra num impasse; 3% (17) porque o Tratado é bom para Portugal; e 2% (8) porque o Tratado de Lisboa dá prestígio ao país.

Ou seja, as principais razões do voto “não” são pela falta de democracia no processo e pelo conteúdo do Tratado, que os votantes consideram neo-liberal e facilitador de uma concentração de poderes nos principais países europeus. As principais razões do voto “sim” são o reforço da Europa e a simplificação das decisões democráticas. De um lado e do outro, as respostas relacionadas com os interesses de Portugal, com a sua sua soberania ou de oposição à construção europeia são residuais. Talvez ajude a recentrar o debate.

Novo Inquérito:
Qual a solução que mais lhe agrada ou menos lhe desagrada depois das próximas eleições?
Um governo de maioria absoluta do PS; Um governo de maioria simples do PS; Um governo do PS coligado com o PCP; Um governo do PS coligado com o BE; Um governo do PS coligado com o PCP e com o BE ; Um governo de maioria absoluta do PSD; Um governo de maioria simples do PSD; Um governo do PSD coligado com o CDS; Um governo de coligação entre o PS e o PSD.

Este fim-de-semana participei no fórum 1001 culturas, organizado pelo grupo da Esquerda Unida (GUE) do Parlamento Europeu. Debati com David Ferreira (editor musical) a propriedade intelectual na era digital. Acho que foi uma discussão interessante. E com contraditório. Um dos bons instrumentos para debater e manter informação regular sobre este assunto é o Remixtures, do Miguel Caetano. É o blogue da semana.


6 respostas ao post “Artigos do Expresso, Inquéritos e blogue da semana”  

  1. 1 1  Miguel Caetano

    Daniel,

    obrigado pelo destaque :-)

  2. 2 2  Bruno

    sei lá digo eu:
    Um governo de maioria absoluta do PS, ainda que o Daniel seguramente se incline mais por Um governo do PS coligado com o BE.

    Gostaria de ver:
    Ana Drago na pasta da Administração Interna;
    Louça nas Finanças e claro está o meu estimado amigo Daniel no Ministrerio da Presidência ;)

    Abraço,

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    Não, eu votei num governo de maioria simples do PS. Pelo menos enquanto Sócrates for o seu líder.

    De nada Miguel, até porque o teu blogue foi uma excelente ferramenta para o meu debate.

  4. 4 4  João

    Bem se falamos em agrado, e se me agradar um governo do BE coligado com o PCP? Já que estamos no domínio do “supônhamos”, o Daniel podia ter facultado aos leitores essa hipótese.

  5. 5 5  Neubauten

    Díficilima prova para o BE:
    Maioria PS - PCP.
    Fim do BE e da esperança:
    Maioria PS - BE.
    Possível fim da esquerda e da esperança:
    Maioria PS - PCP - BE.
    Fim da Democracia:
    Maioria PS - PSD.
    Fim de Portugal:
    Maioria PSD - PP.

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