Em poucos momentos nos apercebemos melhor do provincianismo serôdio e deslumbrado que afecta grande parte da classe política nacional, como nas cartas que marcaram a semana que passou. Primeiro foi Cavaco Silva, a empertigar-se para aparecer na fotografia do momento, assumindo como uma mensagem de reconhecimento individual uma impessoal circular de Obama para todos os chefes de Estado a que não se deu ao trabalho de telefonar. Há coisa de três dias, foi Luís Amado a explicar, em página e meia, como é que funciona o centrão em Portugal. O Parlamento Europeu tinha-se dado ao dislate de referir o “governo Barroso” no relatório sobre os voos secretos da CIA. Ai não, que não pode ser, então onde é que fica o bom nome do país? Tratem lá de apagar essa linha que isto aqui é tudo gente séria. A imagem externa de Portugal é uma das várias senhas que permitem, entre nós, a suspensão do escrutínio de todo e qualquer acto público. Uma mão lava a outra e, daqui a uns anos, pode fazer falta ao PS igual compreensão laranja. É assim que nada acontece num país em que, não fosse Vale e Azevedo, julgaríamos ter índices de corrupção e nepotismo inferiores à da mais isolada e pequena aldeia da Finlândia. Depois falam em crise do regime e na defesa do bom nome das instituições. Pois. Já me tinham contado.


3 respostas ao post “As cartas”  

  1. 1 1  Minhoto

    O ministro Luís Amado é o único membro deste governo por qual tenho apreço e respeito, é culto, capaz e responsável.

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  2. 2 2  Perplexo

    Não percebi nem o objectivo do texto, nem a ilustração. Começo a não conseguir acompanhar os intelectuais…

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  3. 3 3  Estremenha

    o Luís Amado que conheço como ministro do meu país é: inculto,arrogante,mesquinho, mentiroso,invejoso e tem dificuldade em estar em posição vertical sem lhe sair um papo tipo pombo.
    Tenho pena de dizer isto mas é assim que o o vejo todos os dias.

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