Por Daniel Oliveira
As privatizações vão fazer o Estado poupar, todos os anos, 170 milhões de euros em juros da dívida. Só a EDP e os CTT dão ao Estado isso em dividendos. Junte-se a Galp e a Fidelidade… Ler no Expresso Online.
29 comentários 10 Mar 10 em Sem categoria


Privatiza-se o que dá lucro, nacionaliza-se o que dá prejuízo, os Bancos.
E assim vai este país.
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“Quanto vamos poupar em juros da dívida pública com a venda das participações do Estado? Segundo o governo, 170 milhões de euros anuais – 0,1 por cento do PIB. Ora, só os CTT e a EDP (a última é detida em vinte por cento pelo Estado) garantiram, em 2009, mais coisa menos coisa, exactamente o mesmo aos cofres públicos em dividendos (…) percebemos que com a venda das suas participações nestas empresas o Estado perde mais do que o que poupa com o todo o pacote de privatizações.”
Daniel, independentemente de se ser a favor ou contra as privatizações, este raciocínio está errado.
Esquece-se que para além de juros da dívida, temos que pagar a própria dívida.
Se os 6 mil milhões forem usados para abater na dívida, serão bem mais que 170 milhões que se irão poupar anualmente (ou que irão ser pagos antecipadamente, digamos)
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Daniel Oliveira Reply:
Março 10th, 2010 at 11:29
Como na sua casa, o que abate é os juros da dívida. É isso que está a pagar. É isso que conta no orçamento anual.
José Reply:
Março 10th, 2010 at 11:34
Daniel, errado. Se eu tiver um empréstimo à habitação, todos os meses parte da prestação é para pagar juros, outra parte é para amortizar a dívida.
Não acha que seria um absurdo gastar 6 mil milhões para poupar apenas 170 milhões anuais?
Acha que é isso que está a ser proposto?
Daniel Oliveira Reply:
Março 10th, 2010 at 11:41
Portugal terá sempre de se endividar. Como qualquer empresa, aliás. O que interessa é a diferença entre o que recebe e o que paga: e a isso chamamos juros.
O que tem efeitos orçamentais são os juros, não a divida propriamente dita (que está a subir e continuará mesmo depois desta amortização).
Claro que ter menos dívida pode ter efeitos nos juros que se pagam (uma questão de credibilidade). Mas “pode” é pouco. Se tiramos receitas estruturais e garantidas ao Estado estamos a contribuir quer para a dívida quer pela menor receita, quer para a perda da garantia que a existência de empresas lucrativas dá ao credor.
José Reply:
Março 10th, 2010 at 12:08
Pronto Daniel, como queira, mas não estamos a discutir a definição de juros nem se Portugal tem sempre que se endividar, nem se é viável ter uma dívida superior ao PIB.
Estamos a discutir – foi isso que escrevi no primeiro comentário – quanto é que Portugal poupa (deixa de gastar, porque já pagou) anualmente se amortizar de uma vez 6 mil milhões de dívida.
E será bem mais que 170 milhões anuais.
Serão (6 mil milhões / números de anos do empréstimo) + (170 milhões x números de anos do empréstimo)
Ou seja, se for um empréstimo a 10 anos (simplificação), anualmente poupa-se 600 + 170 = 770 milhões.
Se compensa, não sei. Mas habitualmente quando se está cheio de dívidas, não se conseguem fazer bons negócios.
Daniel Oliveira Reply:
Março 10th, 2010 at 12:25
José, mais uma vez: a amortização da dívida não tem qualquer efeito orçamental. Só os seus juros. É por isso mesmo que as privatizações têm de servir para amortizar dívida.
José Reply:
Março 10th, 2010 at 12:18
Corrigindo:
Obviamente a poupança anual seria (como as contas que se seguiram exemplificaram):
(6 mil milhões / números de anos do empréstimo) + (170 milhões), assumindo juros constantes – as
José Reply:
Março 10th, 2010 at 12:51
“a amortização da dívida não tem qualquer efeito orçamental.”
Se o estado tem uma dívida para pagar e a paga (mesmo se tivesse juros a 0%), o seu pagamento terá que sair do orçamento.
Se há alguma engenharia financeira para isso não ser reflectido no orçamento oficial, não sei.
Mas na prática a amortização da dívida sai do orçamento.
Emprestam-me 1000 euros. Se eu pagar 100 durante os próximos 10 meses, é menos 100 euros que eu tenho no meu orçamento mensal nos próximos 10 meses.
Daniel:
A ser como descreve, não faz sentido algum a privatização. É algo bastante objectivo: o balanço piora, e isso agrava o défice.
Querendo acreditar que a decisão não é tão indefensável assim, pergunto-me se a questão não é outra: a própria alteração dos juros.
Assumindo que os juros sobem se a dívida exceder um determinado valor, é possível que a obtenção de receitas extraordinárias vá, em termos comparativos, beneficiar o balanço.
Ou seja, o balanço fica pior que o actual, na medida em que se perdem mais receitas do que os juros que poupamos, ficassem estes constantes.
Mas fica melhor que a alternativa, que seria um aumento dos juros sobre toda a dívida pública, que custaria mais que a diferença entre os dois valores em jogo.
Devo dizer que mesmo neste último caso acredito que não deveriam ser privatizadas as empresas nessas circunstâncias. Perde-se receita estrutural, para fazer face a um problema conjuntural. Mais valia vender o ouro do banco de Portugal, nesse caso, que as empresas.
Mas, a ser o caso que descrevo – não sei se é! – a decisão já se torna defensável.
Não sei como confirmar ou desmentir esta hipótese.
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Visto por um leigo,
parece que estou a vender a minha fonte de rendimento para pagar parte de uma divida.
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Não sei de onde vêm os seus números, mas um serviço da dívida de 170 milhões para um capital de 6.000 milhões implicaria uma taxa de juro de 2,83%; ora, basta ir ao site do IGCP para verificar que as emissões de Obrigações do Tesouro a longo prazo têm uma taxa de juro efectiva próxima dos 4,2%; ou seja, mesmo em período de taxas de juro baixas, trata-se de 250 milhões e não 170.
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Daniel Oliveira Reply:
Março 10th, 2010 at 12:23
Os meus números vêm do engenheiro sócrates, que disse que correspondia a 0,1% do PIB.
Terá de se queixar a ele ou ao ministro Teixeira dos Santos que fez estas contas.
João Vasco Reply:
Março 10th, 2010 at 12:45
Daniel:
Mas será que Sócrates não se referia já ao balanço?
Imaginemos que Sócrates poupa X em juros, mas perde Y em receitas às quais já não tem acesso. Será que os 170 milhões não correspondem a X-Y?
Por acaso parece-me importante confirmar isto.
Há sempre a possibilidade de algo semelhante a isto:
http://blasfemias.net/2010/02/22/leituras-90/
Ou seja, as ditas empresas terem andado a dar lucros bem menores que esses, e nós não sabermos.
Isso basicamente significara que o défice tem sido sempre maior do que aquilo que nos apresentam, e que a justificação para estas privatizações é tentar enganar os investidores depois de ter enganado o eleitorado.
Prefiro acreditar que a situação descrita apenas se passou na CGD. Alguém sabe como confirmar isso?
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Não foi isso que ele disse. E não se esqueça que no bolo estão empresas com prejuízo. Mas para não nos zangarmos: mesmo que fossem 250, junte a ANA, Galp e Fidelidade e passa isso.
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Libertário Reply:
Março 10th, 2010 at 14:04
Daniel, é até pior que isso.
Segundo o IGCP a divida portuguesa está bem dentro dos critérios de rating AAA para os proximos anos. Portanto o motivo para estas privatizações é no mínimo duvidoso.
Basta olhar para este gráfico do IGCP: http://www.imagebam.com/image/23014271412250
O relatório completo está em http://www.igcp.pt/fotos/editor2/2010/Apresentacao_Investidores/Apresentacao_Bloomberg_2010-02-03.pdf
Daniel:
O comentário nº 7 é em resposta a qual?
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Então e a CP, ninguem fala na CP ?
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E o meu comentário das 12:51 não é publicado porquê, se já há vários com hora posterior?
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Daniel,
O défice do estado é um problema do país, mas o país não tem que andar a pagar juros sobre posições em empresas e muito menos andar a pagar o diferencial de risco devido ao volume da dívida. Se o valor das empresas para o país é entregue (pouco interessa que seja entregue ao estado), como aliás a sua análise indicia, mesmo que tenha algumas incorrecções, então o estado deve mesmo desfazer-se delas porque, hoje, para andar a vender seguros não anda a pagar saúde. Certo? E o que o país precisa não é do estado a vender seguros, é que preste universalmente saúde. Como faz a primeira e não faz a segunda, não sei como se diz de esquerda e defende o contrário.
Como sempre, o seu erro continua a ser o estado como objectivo. Não é, o objectivo é o país e devemos todos lutar pelo país, não pelo estado.
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Isto agora é à vontade do freguês: o problema já não é o défice. Não quer impostos, não quer empresas do Estado que dêem lucro e quer saúde pública. Ainda tem de me explicar como é que isso se faz.
Ainda me tem de explicar qual é o risco da EDP ou CTT. Se percebi o seu comentário.
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Tonibler Reply:
Março 10th, 2010 at 22:54
Quero a saúde a produzir a mesma riqueza que os impostos que a pagam ou os impostos que a pagam a ajustar-se à riqueza que produz. Portanto, baixe-se os salários, os custos de funcionamento que se possam baixar ou, em alternativa, ponham o pessoal a produzir saúde de qualidade.
Passar dinheiro do país para o estado não contribui em nada para o défice porque tira do lado do PIB para meter na receita, o que contribui é melhorar aquilo que faz com os impostos. Se tem um balde furado, a solução é meter mais água lá dentro?
Daniel,
O risco é o financiamento da posição. Para suportar esses activos o estado tem que assumir dívida que não assumiria se não os tivesse ganha o diferencial ente os juros de dívida e os dividendos. Não é mau, se não precisasse de assumir dívida para as suas reais funções. Quando se tem uma dívida de 20%, a coisa não é má, quando se tem uma dívida consolidada de 110% do PIB, a coisa já pia mais fino porque é todo o estado que está sobre risco e então, não só é mais caro o financiamento das coisas fixes que até dão algum lucro, como o financiamento das reais funções do estado.
O problema é o défice, mas continua-se a confundir um problema do país com uma solução do país. O país tem que resolver o problema do estado, mas o problema está no estado, não está no resto do país. Cobrar impostos é bom se esse valor servir para cobrir a liberdade, isto é, dar às crianças armas de sucesso económico, defender os activos humanos contra doenças, guerras e agressões. Mas a conta é simples, se o estado é permanentemente deficitário é porque o dinheiro dos impostos não serve para isto, serve para outras coisas.
E é intuitivo para quê em cada manifestação de professores, enfermeiros e graves de funcionários públicos. O dinheiro dos impostos serve para criar uma classe de gente bem paga para aquilo que produz retirando o dinheiro da criação de riqueza e, consequentemente, de emprego. Os 10,5% de desemprego, as crescentes diferenças sociais, a crescente pobreza não se deve a vivermos num estado ultra-liberal, de certeza absoluta. Vem de sermos um falso estado social.
A solução para o défice é reduzir os custos do estado ao valor social que ele entrega. Não podemos ter 40 mil professores a mais para a pior educação do mundo ocidental. Não podemos pagar o que pagamos a funcionários do pior sistema de saúde da europa ocidental.
A medida do PREC deveria ter sido a abolição do 13º e do 14º mes na administração pública por contrapartida da segurança laboral que têm. Ou então, abolir a segurança laboral para que os custos de funcionamento do estado se adaptem àquilo que podemos pagar. Ir buscar mais impostos só vai aumentar o desemprego daqueles que em nada contribuíram para este défice nem lucraram com ele.
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as conclusões do DO parece-me que resultam da suposição que o governo vai passar para os privados a totalidade das participações que detem nas empresas que estão anunciadas.
ora, para as cotadas, sendo conhecida a participação do estado em cada uma delas, é possivel simular qual a parte a alienar.
no que respeita às empresas públicas, como os ctt, possivelmente no arrastão existe quem tenha uma estimativa da sua avaliação.
assim, penso que seria fácil ao DO estimar quanto o governo pretende alienar para atingir os seis mil milhões de euros e assim fazer um juízo mais justo e menos precipitado.
as análises vão surgir, mais cedo ou mais tarde, com o rigor que se exige.
porque já todos temos experiência das anteriores privatizações de algumas empresas, penso que privatizar não é só por si um mal.
o que penso que seria de discutir, é a estratégia e compromisso do estado, para com os cidadãos, no que respeita à sua participação nessas empresas.
isso não conhecemos e ninguém parece interessado em clarificar.
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Daniel Oliveira Reply:
Março 10th, 2010 at 21:10
Do que se sabe, é todas as suas participações em todas estas empresas. Nos CTT, 100%
Mais uma vez: fala do que não sabe. Se assim é, garanto-lhe que qualquer banco lhe emprestará o dinheiro para comprar essas empresas. Quando compara os valores que o ministra das finanças referiu, não sabe qual a parte do capital das empresas que o Estado vai vender. Aproveita meia dúzia de “frases soltas” e tenta formular uma ideia para enganar uns tontos. Não sei se o faz conscientemente ou não. No primeiro caso revela desonestidade. No segundo caso revela ignorância.
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Daniel Oliveira Reply:
Março 10th, 2010 at 22:49
Repito: as informações dadas são estas: as participações do Estado nestas empresas. Não parte delas, todas as participações do Estado nestas empresas.
Pode ser que o governo volte atrás, mas foi isto que foi dito.
LAM Reply:
Março 10th, 2010 at 23:18
Acho que é disso que o governo está a falar (a venda da totalidade das participações), uma vez que em algumas dessas empresas o estado já só detém uma percentagem.