As privatizações vão fazer o Estado poupar, todos os anos, 170 milhões de euros em juros da dívida. Só a EDP e os CTT dão ao Estado isso em dividendos. Junte-se a Galp e a Fidelidade… Ler no Expresso Online.


29 respostas ao post “As privatizações que fazem mal ao défice”  

  1. 1 1  António Sequeira

    Privatiza-se o que dá lucro, nacionaliza-se o que dá prejuízo, os Bancos.
    E assim vai este país.

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  2. 2 2  José

    “Quanto vamos poupar em juros da dívida pública com a venda das participações do Estado? Segundo o governo, 170 milhões de euros anuais – 0,1 por cento do PIB. Ora, só os CTT e a EDP (a última é detida em vinte por cento pelo Estado) garantiram, em 2009, mais coisa menos coisa, exactamente o mesmo aos cofres públicos em dividendos (…) percebemos que com a venda das suas participações nestas empresas o Estado perde mais do que o que poupa com o todo o pacote de privatizações.”

    Daniel, independentemente de se ser a favor ou contra as privatizações, este raciocínio está errado.
    Esquece-se que para além de juros da dívida, temos que pagar a própria dívida.
    Se os 6 mil milhões forem usados para abater na dívida, serão bem mais que 170 milhões que se irão poupar anualmente (ou que irão ser pagos antecipadamente, digamos)

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    Daniel Oliveira Reply:

    Como na sua casa, o que abate é os juros da dívida. É isso que está a pagar. É isso que conta no orçamento anual.

    José Reply:

    Daniel, errado. Se eu tiver um empréstimo à habitação, todos os meses parte da prestação é para pagar juros, outra parte é para amortizar a dívida.

    Não acha que seria um absurdo gastar 6 mil milhões para poupar apenas 170 milhões anuais?
    Acha que é isso que está a ser proposto?

    Daniel Oliveira Reply:

    Portugal terá sempre de se endividar. Como qualquer empresa, aliás. O que interessa é a diferença entre o que recebe e o que paga: e a isso chamamos juros.
    O que tem efeitos orçamentais são os juros, não a divida propriamente dita (que está a subir e continuará mesmo depois desta amortização).
    Claro que ter menos dívida pode ter efeitos nos juros que se pagam (uma questão de credibilidade). Mas “pode” é pouco. Se tiramos receitas estruturais e garantidas ao Estado estamos a contribuir quer para a dívida quer pela menor receita, quer para a perda da garantia que a existência de empresas lucrativas dá ao credor.

    José Reply:

    Pronto Daniel, como queira, mas não estamos a discutir a definição de juros nem se Portugal tem sempre que se endividar, nem se é viável ter uma dívida superior ao PIB.

    Estamos a discutir – foi isso que escrevi no primeiro comentário – quanto é que Portugal poupa (deixa de gastar, porque já pagou) anualmente se amortizar de uma vez 6 mil milhões de dívida.
    E será bem mais que 170 milhões anuais.
    Serão (6 mil milhões / números de anos do empréstimo) + (170 milhões x números de anos do empréstimo)
    Ou seja, se for um empréstimo a 10 anos (simplificação), anualmente poupa-se 600 + 170 = 770 milhões.

    Se compensa, não sei. Mas habitualmente quando se está cheio de dívidas, não se conseguem fazer bons negócios.

    Daniel Oliveira Reply:

    José, mais uma vez: a amortização da dívida não tem qualquer efeito orçamental. Só os seus juros. É por isso mesmo que as privatizações têm de servir para amortizar dívida.

    José Reply:

    Corrigindo:
    Obviamente a poupança anual seria (como as contas que se seguiram exemplificaram):
    (6 mil milhões / números de anos do empréstimo) + (170 milhões), assumindo juros constantes – as

    José Reply:

    “a amortização da dívida não tem qualquer efeito orçamental.”
    Se o estado tem uma dívida para pagar e a paga (mesmo se tivesse juros a 0%), o seu pagamento terá que sair do orçamento.
    Se há alguma engenharia financeira para isso não ser reflectido no orçamento oficial, não sei.
    Mas na prática a amortização da dívida sai do orçamento.

    Emprestam-me 1000 euros. Se eu pagar 100 durante os próximos 10 meses, é menos 100 euros que eu tenho no meu orçamento mensal nos próximos 10 meses.

  3. 3 3  João Vasco

    Daniel:

    A ser como descreve, não faz sentido algum a privatização. É algo bastante objectivo: o balanço piora, e isso agrava o défice.

    Querendo acreditar que a decisão não é tão indefensável assim, pergunto-me se a questão não é outra: a própria alteração dos juros.
    Assumindo que os juros sobem se a dívida exceder um determinado valor, é possível que a obtenção de receitas extraordinárias vá, em termos comparativos, beneficiar o balanço.
    Ou seja, o balanço fica pior que o actual, na medida em que se perdem mais receitas do que os juros que poupamos, ficassem estes constantes.
    Mas fica melhor que a alternativa, que seria um aumento dos juros sobre toda a dívida pública, que custaria mais que a diferença entre os dois valores em jogo.

    Devo dizer que mesmo neste último caso acredito que não deveriam ser privatizadas as empresas nessas circunstâncias. Perde-se receita estrutural, para fazer face a um problema conjuntural. Mais valia vender o ouro do banco de Portugal, nesse caso, que as empresas.

    Mas, a ser o caso que descrevo – não sei se é! – a decisão já se torna defensável.
    Não sei como confirmar ou desmentir esta hipótese.

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  4. 4 4  Helder

    Visto por um leigo,
    parece que estou a vender a minha fonte de rendimento para pagar parte de uma divida.

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  5. 5 5  Fernando Rocha Andrade

    Não sei de onde vêm os seus números, mas um serviço da dívida de 170 milhões para um capital de 6.000 milhões implicaria uma taxa de juro de 2,83%; ora, basta ir ao site do IGCP para verificar que as emissões de Obrigações do Tesouro a longo prazo têm uma taxa de juro efectiva próxima dos 4,2%; ou seja, mesmo em período de taxas de juro baixas, trata-se de 250 milhões e não 170.

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    Daniel Oliveira Reply:

    Os meus números vêm do engenheiro sócrates, que disse que correspondia a 0,1% do PIB.
    Terá de se queixar a ele ou ao ministro Teixeira dos Santos que fez estas contas.

    João Vasco Reply:

    Daniel:

    Mas será que Sócrates não se referia já ao balanço?
    Imaginemos que Sócrates poupa X em juros, mas perde Y em receitas às quais já não tem acesso. Será que os 170 milhões não correspondem a X-Y?

    Por acaso parece-me importante confirmar isto.

  6. 6 6  João Vasco

    Há sempre a possibilidade de algo semelhante a isto:

    http://blasfemias.net/2010/02/22/leituras-90/

    Ou seja, as ditas empresas terem andado a dar lucros bem menores que esses, e nós não sabermos.

    Isso basicamente significara que o défice tem sido sempre maior do que aquilo que nos apresentam, e que a justificação para estas privatizações é tentar enganar os investidores depois de ter enganado o eleitorado.

    Prefiro acreditar que a situação descrita apenas se passou na CGD. Alguém sabe como confirmar isso?

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  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Não foi isso que ele disse. E não se esqueça que no bolo estão empresas com prejuízo. Mas para não nos zangarmos: mesmo que fossem 250, junte a ANA, Galp e Fidelidade e passa isso.

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    Libertário Reply:

    Daniel, é até pior que isso.
    Segundo o IGCP a divida portuguesa está bem dentro dos critérios de rating AAA para os proximos anos. Portanto o motivo para estas privatizações é no mínimo duvidoso.
    Basta olhar para este gráfico do IGCP: http://www.imagebam.com/image/23014271412250

    O relatório completo está em http://www.igcp.pt/fotos/editor2/2010/Apresentacao_Investidores/Apresentacao_Bloomberg_2010-02-03.pdf

  8. 8 8  João Vasco

    Daniel:

    O comentário nº 7 é em resposta a qual?

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  9. 9 9  Antonio Cunha

    Então e a CP, ninguem fala na CP ?

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  10. 10 10  José

    E o meu comentário das 12:51 não é publicado porquê, se já há vários com hora posterior?

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  11. 11 11  Tonibler

    Daniel,

    O défice do estado é um problema do país, mas o país não tem que andar a pagar juros sobre posições em empresas e muito menos andar a pagar o diferencial de risco devido ao volume da dívida. Se o valor das empresas para o país é entregue (pouco interessa que seja entregue ao estado), como aliás a sua análise indicia, mesmo que tenha algumas incorrecções, então o estado deve mesmo desfazer-se delas porque, hoje, para andar a vender seguros não anda a pagar saúde. Certo? E o que o país precisa não é do estado a vender seguros, é que preste universalmente saúde. Como faz a primeira e não faz a segunda, não sei como se diz de esquerda e defende o contrário.

    Como sempre, o seu erro continua a ser o estado como objectivo. Não é, o objectivo é o país e devemos todos lutar pelo país, não pelo estado.

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  12. 12 12  Daniel Oliveira

    Isto agora é à vontade do freguês: o problema já não é o défice. Não quer impostos, não quer empresas do Estado que dêem lucro e quer saúde pública. Ainda tem de me explicar como é que isso se faz.
    Ainda me tem de explicar qual é o risco da EDP ou CTT. Se percebi o seu comentário.

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    Tonibler Reply:

    Quero a saúde a produzir a mesma riqueza que os impostos que a pagam ou os impostos que a pagam a ajustar-se à riqueza que produz. Portanto, baixe-se os salários, os custos de funcionamento que se possam baixar ou, em alternativa, ponham o pessoal a produzir saúde de qualidade.
    Passar dinheiro do país para o estado não contribui em nada para o défice porque tira do lado do PIB para meter na receita, o que contribui é melhorar aquilo que faz com os impostos. Se tem um balde furado, a solução é meter mais água lá dentro?

  13. 13 13  Tonibler

    Daniel,

    O risco é o financiamento da posição. Para suportar esses activos o estado tem que assumir dívida que não assumiria se não os tivesse ganha o diferencial ente os juros de dívida e os dividendos. Não é mau, se não precisasse de assumir dívida para as suas reais funções. Quando se tem uma dívida de 20%, a coisa não é má, quando se tem uma dívida consolidada de 110% do PIB, a coisa já pia mais fino porque é todo o estado que está sobre risco e então, não só é mais caro o financiamento das coisas fixes que até dão algum lucro, como o financiamento das reais funções do estado.

    O problema é o défice, mas continua-se a confundir um problema do país com uma solução do país. O país tem que resolver o problema do estado, mas o problema está no estado, não está no resto do país. Cobrar impostos é bom se esse valor servir para cobrir a liberdade, isto é, dar às crianças armas de sucesso económico, defender os activos humanos contra doenças, guerras e agressões. Mas a conta é simples, se o estado é permanentemente deficitário é porque o dinheiro dos impostos não serve para isto, serve para outras coisas.

    E é intuitivo para quê em cada manifestação de professores, enfermeiros e graves de funcionários públicos. O dinheiro dos impostos serve para criar uma classe de gente bem paga para aquilo que produz retirando o dinheiro da criação de riqueza e, consequentemente, de emprego. Os 10,5% de desemprego, as crescentes diferenças sociais, a crescente pobreza não se deve a vivermos num estado ultra-liberal, de certeza absoluta. Vem de sermos um falso estado social.

    A solução para o défice é reduzir os custos do estado ao valor social que ele entrega. Não podemos ter 40 mil professores a mais para a pior educação do mundo ocidental. Não podemos pagar o que pagamos a funcionários do pior sistema de saúde da europa ocidental.

    A medida do PREC deveria ter sido a abolição do 13º e do 14º mes na administração pública por contrapartida da segurança laboral que têm. Ou então, abolir a segurança laboral para que os custos de funcionamento do estado se adaptem àquilo que podemos pagar. Ir buscar mais impostos só vai aumentar o desemprego daqueles que em nada contribuíram para este défice nem lucraram com ele.

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  14. 14 14  cc

    as conclusões do DO parece-me que resultam da suposição que o governo vai passar para os privados a totalidade das participações que detem nas empresas que estão anunciadas.
    ora, para as cotadas, sendo conhecida a participação do estado em cada uma delas, é possivel simular qual a parte a alienar.
    no que respeita às empresas públicas, como os ctt, possivelmente no arrastão existe quem tenha uma estimativa da sua avaliação.
    assim, penso que seria fácil ao DO estimar quanto o governo pretende alienar para atingir os seis mil milhões de euros e assim fazer um juízo mais justo e menos precipitado.
    as análises vão surgir, mais cedo ou mais tarde, com o rigor que se exige.
    porque já todos temos experiência das anteriores privatizações de algumas empresas, penso que privatizar não é só por si um mal.
    o que penso que seria de discutir, é a estratégia e compromisso do estado, para com os cidadãos, no que respeita à sua participação nessas empresas.
    isso não conhecemos e ninguém parece interessado em clarificar.

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    Daniel Oliveira Reply:

    Do que se sabe, é todas as suas participações em todas estas empresas. Nos CTT, 100%

  15. 15 15  Alfredo

    Mais uma vez: fala do que não sabe. Se assim é, garanto-lhe que qualquer banco lhe emprestará o dinheiro para comprar essas empresas. Quando compara os valores que o ministra das finanças referiu, não sabe qual a parte do capital das empresas que o Estado vai vender. Aproveita meia dúzia de “frases soltas” e tenta formular uma ideia para enganar uns tontos. Não sei se o faz conscientemente ou não. No primeiro caso revela desonestidade. No segundo caso revela ignorância.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Repito: as informações dadas são estas: as participações do Estado nestas empresas. Não parte delas, todas as participações do Estado nestas empresas.
    Pode ser que o governo volte atrás, mas foi isto que foi dito.

    LAM Reply:

    Acho que é disso que o governo está a falar (a venda da totalidade das participações), uma vez que em algumas dessas empresas o estado já só detém uma percentagem.

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