Ao fazer, na evocação do Tarrafal, um paralelo entre o fascismo e a lei de financiamento dos partidos ou a proposta de lei eleitoral, Jerónimo de Sousa ajudou, mesmo que involuntariamente, ao branqueamento da ditadura. Há comparações que não se banalizam. Por respeito à memória.


Sem respostas ao post “Banalizar”  

  1. 1 1  dicadasemana

    por respeito à memória !!!!….

    e por respeito à honestidade intelectual, aqui fica a transcrição da noticia:

    Questionado acerca desta comparação, o secretário-geral do PCP lembrava que “nem sempre é em marcha a passo de ganso” (característica das tropas hitlerianas) ou “com hordas nazis” a entrar nas cidades que se impõe o fascismo. “Muitas vezes começa-se devagar”, acrescentava, embora esclarecendo logo não pretender afirmar que, neste momento, “se está a caminhar para o fascismo” em Portugal.

    Na sua leitura, há, contudo, “sinais inquietantes”. E dava exemplos no próprio discurso: “actos aparentemente isolados de intimidação e repressão em centenas de empresas, de proibição de propaganda eleitoral e partidária, proibições de venda do Avante!, lei dos partidos e de financiamento dos partidos [o PCP entende que este diploma foi elaborado contra a Festa do Avante!], leis eleitorais negociadas entre partidos de política única - são factos que apresentam um fio condutor em colisão com o regime democrático e as liberdades consagradas na Lei Fundamental do país”.

    sabe, caro daniel, alterar o sentido das frases retirando-as do contexto é fácil e eficaz, como o próprio daniel afirma no seu post sobre o Sousa Tavares….., mas é intelectualmente desonesto.

    não lhe fica bem.

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    1. Não transcreveu a notícia na integra. Faltou-lhe, veja lá, o primeiro paragrafo:
    «Criticando a actual “ofensiva visando o branqueamento do fascismo”, numa sessão evocativa dos 70 anos da abertura do campo de concentração do Tarrafal, realizada ontem, em Lisboa, Jerónimo de Sousa fez um paralelo com outra, “da mesma família, traduzida na sucessiva adopção de práticas e na crescente aprovação de leis que trazem à memória esses tempos sombrios”.»

    Veja lá bem essa honestidade intelectual.Jerónimo não disse que era a mesma coisa, nem eu disse que ele o tinha dito. Mas estabeleceu, como eu disse, um paralelo. Um paralelo inaceitável.

  3. 3 3  mario lino

    falam tanto no fascismo e no tarrafal e no comunismo ninguem fala,os santinhos dos comunas mais tarde o mais cedo vao ser todos desmascarados.apreposito da festa do avante sao todos uma cambada de drogados e malandros.

  4. 4 4  dicadasemana

    mas daniel,

    a questão é que efectivamente a tentativa de branqueamento do fascismo existe, e não existe apenas na perversão da história oficial, mas principalmente na regressão e retirada de direitos, liberdades e garantias, que foram conquista da revolução.

    a questão da lei dos partidos é mais profunda do que à primeira vista pode parecer, porque a questão das contas das campanhas, é, como o daniel muito bem sabe, areia para atirar aos olhos da malta

    é curioso que, sabendo nós que nenhum partido com assento parlamentar tenha a sua situação financeira de acordo com a lei, são o PS e o PSD (principais defensores da lei) os que apresentam as incorrecções mais estranhas –

    “recebimento injustificado de donativos em data posterior ao acto eleitoral (PS); donativos não titulados por meio bancário que permita a identificação do montante e da sua origem (PSD e CDS); donativos não titulados por cheque ou meio equivalente (CDU); apresentação de documentos de suporte de despesa com deficiências, impossibilitando a confirmação de que a despesa deve ser reflectida nas respectivas contas (BE).” http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=735361&div_id=1730

    ou seja, o objectivo propagandeado da moralização, etc, etc, não passa de treta, de propaganda, porque depois não é cumprido pelos seus próprios defensores.

    no fundo, e reconhecendo que é necessária a regulamentação e controlo das contas dos partidos, esta lei não é mais do que um instrumento de ingerência na vida interna dos partidos, e como tal atentadora da democracia e liberdade de organização.

    E vai dai, que eu acho que na avaliação do actual quadro social e político, estes indícios possam contribuir para a necessidade de estarmos atentos, muito atentos, ao que por aí vem.

    P.S.: um grande abraço para o sr. mario lino, pela gargalhada que me proporcionou ao ler o seu comentário. Grande humorista, sim senhor!!!

  5. 5 5  jal

    Caro Daniel,
    É preciso alguma imaginação para um post dessa natureza - os meus parabéns.
    Dizem que foi feito «um paralelo entre o fascismo e a lei de financiamento dos partidos ou a proposta de lei eleitoral», eu digo que foi feito um paralelo entre o fascismo e um conjunto de situações que significam profundos retrocessos no plano da democracia.
    A lei dos partidos e a do seu financiamento, ou por exemplo a proposta de lei das finanças locais, têm um impacto profundo no próprio regime democrático, empobrecendo-o.
    Mas parece que nem todos estão a ver o filme…

  6. 6 6  Anónimo

    Questionado acerca desta comparação, o secretário-geral do PCP lembrava que “nem sempre é em marcha a passo de ganso” (característica das tropas hitlerianas) ou “com hordas nazis” a entrar nas cidades que se impõe o fascismo. “Muitas vezes começa-se devagar”, acrescentava, embora esclarecendo logo não pretender afirmar que, neste momento, “se está a caminhar para o fascismo” em Portugal.

    Na sua leitura, há, contudo, “sinais inquietantes”. E dava exemplos no próprio discurso: “actos aparentemente isolados de intimidação e repressão em centenas de empresas, de proibição de propaganda eleitoral e partidária, proibições de venda do Avante!, lei dos partidos e de financiamento dos partidos [o PCP entende que este diploma foi elaborado contra a Festa do Avante!], leis eleitorais negociadas entre partidos de política única - são factos que apresentam um fio condutor em colisão com o regime democrático e as liberdades consagradas na Lei Fundamental do país”.
    acho sinceramente Daniel que quis carregar a nota. Injustamente até porque se há partido que conhece bem as atrocidades do fascismo é o PCP! Não em exclusivo é verdade…mas também é verdade que o Jerónimo disse algo de muito diferente do que o Daniel refere.
    Um abraço, está bem?
    Aceita a humildade intelectual da correcção?

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    mário lino, lamentavelmente para si tivemos 48 anos de fascismo, não de comunismo.

    jal,
    Basta ler o seu comentário para ver que não é precisa assim tanta imaginação.
    Eu critico tudo o que Jerónio de Sousa criticou. Mas faço paralelo com o fascismo e muito menos quando estamos a falar do Tarrafal

  8. 8 8  JOSE MOTA PEREIRA

    Questionado acerca desta comparação, o secretário-geral do PCP lembrava que “nem sempre é em marcha a passo de ganso” (característica das tropas hitlerianas) ou “com hordas nazis” a entrar nas cidades que se impõe o fascismo. “Muitas vezes começa-se devagar”, acrescentava, embora esclarecendo logo não pretender afirmar que, neste momento, “se está a caminhar para o fascismo” em Portugal.

    Na sua leitura, há, contudo, “sinais inquietantes”. E dava exemplos no próprio discurso: “actos aparentemente isolados de intimidação e repressão em centenas de empresas, de proibição de propaganda eleitoral e partidária, proibições de venda do Avante!, lei dos partidos e de financiamento dos partidos [o PCP entende que este diploma foi elaborado contra a Festa do Avante!], leis eleitorais negociadas entre partidos de política única - são factos que apresentam um fio condutor em colisão com o regime democrático e as liberdades consagradas na Lei Fundamental do país”.
    acho sinceramente Daniel que quis carregar a nota. Injustamente até porque se há partido que conhece bem as atrocidades do fascismo é o PCP! Não em exclusivo é verdade…mas também é verdade que o Jerónimo disse algo de muito diferente do que o Daniel refere.
    Um abraço, está bem?
    Aceita a humildade intelectual da correcção?

  9. 9 9  Daniel Oliveira

    Lamento, mas Jerónimo de Sousa não conhece as atrocidades do fascismo. E esse conhecimento não se recebe com o cartão de militante e perde-se quando se sai.

    Quanto ao mais, Jerónimo contruiu um paralelo (o que são então os sinais inquietantes?). Como é evidente não há sinais nenhuns inuietantes de regresso a qualquer coisa de semelhante, seja em paço de ganço, seja a trote.

  10. 10 10  JOSE MOTA PEREIRA

    Não sou advogado de Jerónimo. Mas dizer que Jerónimo não conheceu as atrocidades do fascismo…oh Daniel, franca-mentes!
    O homem não foi preso pela PIDE, não senhora! Mas sofreu como muitos portugueses sofreram: foi puto trabalhar para a fábrica; estudou à noite e teve que abandonar os estudos; foi sindicalista e aprendeu o que isso custava antes de 1973; esteve na guerra colonial.
    Dirás Daniel: mas isso passou-se com muitos portugueses!…Sim, é verdade. Por isso a 25 de Abril de 1974 tanta gente saíu para a rua. Quanto a achar que não se caminha para algo de parecido com o fascismo, direi ao seu optimismo: olhe que não…olhe que não!

  11. 11 11  JOSE MOTA PEREIRA

    Do abrupto de pp:
    “LENDO
    VENDO
    OUVINDO
    ÁTOMOS E BITS
    de 20 de Outubro de 2006

    No Público de hoje dizia Francisco Alves, o director da “Rivolução”: “Fomos tratados de forma pidesca, com requintes de desumanidade. Mas se somos os perigosos delinquentes que nos querem fazer parecer, por que é que fizeram isto às 6h00 da manhã, nas costas da opinião pública e dos jornalistas?”.
    Uma daquelas frases que dizem tudo: primeiro, que não sabem o que foi a PIDE; segundo, que não sabem o que é uma “desumanidade”; terceiro, que o que lhes correu mal foi não estar lá a televisão nem os jornalistas para mostrarem as suas qualidades de actores. As duas primeiras, revelam mau teatro, um branqueamento da PIDE insultuoso para quem sabe o que é a “forma pidesca” de tratar alguém. A terceira, a obsessão pela visibilidade televisiva como maneira de transpor o enorme fracasso de adesão à causa que torna irónicas todas as alusões à “opinião pública”.(…)
    Daniel, andaste a ler o Pacheco Pereira?
    Tem uma tese quase igual à tua, aqui aplicada à malta do Rivoli!
    AH Danuiel…esse anti-comunismozinho!

  12. 12 12  Antonio Silva

    “CENSURA NO DOCLISBOA
    Outubro 25, 2006 | por Joana Amaral Dias

    No programa do único festival de cinema em Portugal exclusivamente dedicado ao cinema documental, que vai agora na sua terceira edição, um dos filmes que constava na programação era o de Leonor Noivo, intitulado Excursão. A sua exibição estava prevista para a passada segunda-feira. Mas não houve projecção.
    Ao público foi lido um comunicado em que se “explicava” que a empresa que organiza as excursões com vendas e mais vendas – cuja publicidade é recebida, por muitos de nós, nas caixas de correio – não autorizava a organização do festival – leia-se apordoc – e a Culturgest a divulgar a curta-metragem, ameaçando com uma acção judicial.

    Portanto, o filme foi censurado. Embora, evidentemente, não tenha tido a oportunidade de ver o documentário, sei que se trata da exposição do que se passa nestas excursões, que muitas vezes são mais viagens de extorsão do que de excursão.”

    http://5dias.net/2006/10/25/censura-no-doclisboa/

    Sr. Daniel, se calhar convinha ter uma conversa com a sua colega de partido sobre a existencia ou não de determinados “sinais inquietantes”.

  13. 13 13  Matos

    Ó Mario Lino…
    …tás com um problema grave… meu!!!…
    Tu trata-te rapaz…
    No entanto… vai participando…
    …e já agora… as melhoras moço.

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