
Hoje é dia de festa. Um dos maiores espaços culturais da cidade passou a funcionar como montra da fraqueza negocial do Estado português. A coisa processa-se assim: a colecção Berardo fica nas mãos de Berardo. O Estado oferece o espaço para a exibir. Melhor: paga o melhor espaço que tem para a exibir. Só em 2007, três milhões de euros vindos de um Ministério sem cheta. E todos os anos, sem falhar, enterra centenas de milhares euros para o crescimento do acervo. Se não vier a comprar a exposição foi dinheiro gentilmente oferecido a Berardo.
Como a colecção ia para um dos melhores espaços de exposição do país, não é disparatado pensar que essa perspectiva terá valorizado a colecção. Ou seja, terá prejudicado o Estado. Em troca, o Estado português tem a opção de compra. “O Estado compromete-se, desde já, a comprar a minha colecção, se eu quiser vender”, explicou um dia Berardo, com a enorme vantagem da sua franqueza. E para que este negócio seja possível fica com o CCB a meio gás. Mas não acaba aqui. Quem será o presidente da Fundação que vai gerir a colecção? Berardo, Joe Berardo. Vitalício. Virá agarrado à exposição como um borboto. Resumindo: o Estado paga a valorização, paga a exibição, paga o crescimento para ter a possinbilidade de vir talvez a pagar pela própria exposição com o seu dono agarrado a ela.
Eu adoro o Estado português. Eu adoraria fazer negócios com o Estado português. Mas, infelizmente, o Estado português não é trouxa com todos. Só com aqueles que menos precisam. Enfim, uma injustiça.
Por Daniel Oliveira 25 Jun 07 em Sem categoria


Read my mind!
E qual o critério para atribuir o título de comendador? Serviço em prol da sociedade portuguesa? Então, mas se a sua riqueza é meramente especulativa e em nada produtiva, porque raio…
E não esquecer que o senhor quer-se tornar ele próprio num pop-hero com a OPA - em boa data diga-se - sobre o Benfica.
Boa tarde Daniel,
Por isso é que “cada macaco no seu galho.” ( sem ofensas ).
O Sr. Berardo é rico e bom negociador.
O Sr. Oliveira é um comentador e mau negociador.
A vida é dificil.
Cumprimentos
Para os pequeninos que estão sempre mais preocupados com a riqueza dos outros aqui vai um extracto da história do Museo Thyssen-Bornemisza. Para quem não tem pachorra de ler o Estado espanhol ofereceu, repito, ofereceu, uma vez mais OFERECEU o espaço para a exposição…
Apart from a brief but interesting forerunner in the person of the baron’s grandfather, August Thyssen, the Thyssen-Bornemisza Collection is the fruit of the collectors’ zeal of Baron Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza and his father, Heinrich, the first Baron Thyssen-Bornemisza, who started it in the 1920s. He was interested mainly in ancient art and amassed some 525 paintings until his death in 1947. The first public exhibition of the works he had collected was held in 1930 at the Alte Pinakothek Museum in Munich. Two years later, in order to house an ever-growing collection, the baron bought Villa Favorita in Lugano, Switzerland, from Prince Leopold of Prussia. When the baron died, the collection was divided up among his heirs, and the youngest of his four children and the one who had inherited the title, Baron Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza, bought back works from his relatives and put the collection together again. To start with, he continued to buy antique painting, but later, in the sixties, he began the Modern Masters’ Collection. Initially he focused on German Expressionism, an art form labelled as “degenerate art” by the Nazis who destroyed a large number of these works. Little by little, the baron’s fascination for German Expressionism led to him to acquire the works of Russian avant-garde artists and other pioneers of abstract art. Thus he came to own major Impressionist and Post-Impressionist works, European painting from the start of the 20th century, post-war English painting – Francis Bacon, Lucian Freud, etc. – and North American painting from the 19th and 20th centuries.
The collection outgrew Villa Favorita (where only 300 paintings could be displayed) so the baron decided to look for a new home for his works. The quality of the building in Madrid offered by the Spanish state and, in particular, its proximity to the Prado Museum, influenced his decision to move the collection to Spain. And it was there in Madrid, in the 19th century Villahermosa Palace, where the all but complete collection was showcased for the very first time. The permanent installation of the collection in Spain was thought to be the culmination of that relatively short but very intensive collecting spree, but not so. Carmen Thyssen-Bornemisza picked up the baton and, continuing in the family tradition, has had her own collection for some years now, which includes both the legacy of the works left by her husband and an ever-growing number of new acquisitions.
Caro Daniel,
O parágrafo final do seu post é revelador de um mal que tolhe muitos :
- para negociar é preciso ter dinheiro.
Quando eu diria :
- para negociar é preciso ter algo a apresentar ( uma ideia, um produto, um serviço ) que possa ser interessante para as duas partes.
Assim sendo se não tem dinheiro, como confessa, pergunto-lhe :
- tem alguma ideia, algum produto, algum serviço que possa ir apresentar ao Estado português ?
Pois !
Cumprimentos e alegre-se porque quem tem ideias é idiota
O Daniel devia ser mais consequente. Por acaso o Daniel já se deu ao trabalho de averiguar, quanto é que o Estado gasta com não sei quantas Fundações que por aí há? Sugiro-lhe só para começar, por duas. Fundação Oriente e Fundação Mário Soares. Depois venha aqui apresentar números, mesmo que sejam muito por baixo.
Depois, podemos então começar a discutir o recheio, o miolo.
António P., arrancou-me a maior gargalhada da noite! muito bem dito! é a vida daniel, não acha? eu acho bem o museu berardo, só assim tenho oportunidade de ver algumas obras de arte importantes ao vivo que só poderia ver gastando um dinheirão pra ir de avião a uma qualquer capital e nao so europeia… pois que nos nao tinhamos nada e que agora ja temos qualquer coisa…. a arte deve ser pra todos e nao apenas para alguns… é a vida….
berardo?o outro caíu da cadeira - este deve cair do BANCO
Criei um blogue de opinião que agora estou a divulgar.
Se tiver interesse, não deixe de fazer uma visita: http://www.cegueiralusa.blogspot.com/
Caso goste, por favor divulgue, pois pretende ser mais um espaço de discussão em busca de uma cidadania mais activa.
O meu muito obrigado.
Com os melhores cumprimentos,
José Carreira
Parece que aquela colecção vai ser um êxito.Eu vou frequentemente ao CCB, e francamente, não percebo por que vai a colecção prejudicar.São raras as exposições naquele espaço, e fraquinhas.Será preferível dar algum tempo e ver o impacto da decisão.
Quanto ao negócio, a haver prejuízo, é bem menor que as mais-valias que o Berardo obtem
com a OPA da PT, do BCP…
Caro Daniel Oliveira,
Em primeiro lugar confesso que já fui ao Museu e que aproveitei a abertura por 24 horas para matar a curiosidade! Feita esta pseudo declaração de interesses, concordo em grande parte com as críticas dirigidas ao uso quase exclusivo do espaço do CCB para a instalação do museu, uma vez que se reduz drasticamente a capacidade de programação de exposições e se pode comprometer a atractividade do espaço aos visitantes nacionais. Do que pude constatar ontem, o que sobrará para o resto é, de facto, muito pouco.
Contudo, há alguns aspectos da restante análise que não subscrevo, tendo em conta quer o exemplo muito próximo da Fundação Thyssen, e os seus resultados francamente positivos, quer o disposto no diploma que institui o museu.
De facto, há dados que são apresentados e que não correspondem ao acordado e ao que está consagrado no Decreto-Lei 164/2006.
Em primeiro lugar, aquilo que for adquirido e acrescentado ao acervo através do Fundo para o qual o Estado contribui anualmente até 2015 fará parte do património da Fundação Colecção Berardo e não do coleccionador Berardo. Ou seja, integra logo o património da Fundação (que é entidade tutelada pelo MC) e em caso de extinção da Fundação reverte para o Estado, sem mais.
Em segundo lugar, a opção de compra não existe para o caso de Berardo querer vender: até 2016 é o Estado que tem de dizer se quer comprar. E a comprar, o Estado fá-lo-á pelo preço que resultar do preço apresentado por avaliador por si seleccionado.
Finalmente, a presidência vitalícia de Berardo também não tem o impacto na gestão que lhe é dado. Em primeiro lugar, porque se trata apenas de uma presidência honorária, cujo único poder real é o de propor o director do museu. De resto, o cargo é protocolar e acarreta a presidência, sem direito de voto, do conselho de administração. Já agora, o conselho de administração, verdadeiro órgão gestor do Museu, será composto por 5 membros: dois designados por Berardo, dois pelo Estdo e um terceiro escolhido de comum acordo entre o Estado e Berardo. Caso o Estado adquira a colecção, adquirirá também o direito de designar este último membro do CA, passando a dispor de maioria. Ou seja, uma vez adquirida a colecção, sobrará apenas a presidência honorária de Berardo (vitalícia, é certo), para a qual se encontra paralelo em fenómenos fundacionais em relação ao principal instituidor.
Em suma, apesar de ahcar que não é a solução ideal e de concordar quanto ao problema que se gera ao CCB, discordo do resto da análise - o acordo não tem o carácter leonino que lhe é por vezes atribuído, sendo o benefício liquído para a fruição cultural e para a realização de uma tarefa fundamental do Estado francamente positivo.
Independentemente do que eu acho sobre o assunto, este post cheira a dor de cotovelo.
“E todos os anos, sem falhar, enterra centenas de milhares euros para o crescimento do acervo. Se não vier a comprar a exposição foi dinheiro gentilmente oferecido a Berardo”
Joe Berardo enterra todos os anos 500000 euros numa Fundação que, daqui a dez anos pode vir a ser comprada ao Estado. O valor das obras de arte dessa fundação é de 316 milhões de euros. Daqui a dez anos só a custa do sr. Berardo vai valer mais 5 milhões de euros. O preço pelo qual o Estado pode (e deve) adquirir a coleccão daqui a 10 anos são os mesmos 316 milhões…
“Como a colecção ia para um dos melhores espaços de exposição do país, não é disparatado pensar que essa perspectiva terá valorizado a colecção”
Sinceramente custa-me acreditar que o Daniel tenha dito convencido de que está a falar verdade. A Cristhie’s, como é obvio, limou-se a avaliar as obras de arte contidas na colecção Berardo e não o facto de estas estarem expostas em Belem ou na Calheta…
Hmm, parece-me que o que o Daniel está a dizer é que o Estado fez um péssimo negócio. E que por conseguinte o Berardo fez um óptimo negócio. Assim, os comentadores mais incisivos António e Eva só lhe estão a dar razão.
Berardo é de facto um óptimo negociador com o seu dinheiro. Mas deve exigir-se do Estado que seja bom negociador também. Para não levar banhadas.
pois é, ja não ha mecenas como antigamente, o senhor Gulbenkian doou/legou as suas obras e parte da riqueza ao estado portugues. deixou bens para autosustentar as suas ideias
Comparar a colecção Thyssen com a colecção Berardo, não lembraria ao mais pintado, mas enfim…..
O museu de Madrid, tem uma colecção de arte de um colecionador, e que por isso reuniu, algumas obras maiores da arte pictorica europeia e não só,de vários séculos.
No CBB tem no fundamental uma colecção de alguns nomes importantes do seculo XX e XXI COM OBRAS MENORES, fruto de alguem que investiu em arte como poderia ter investido em barras de ouro….
O sr. Berardo não é um amante de arte, ele proprio vê-se no fundamental como um investidor, e está sempre a sublinhar o valor que lhe atribuem aos quadros ( valor pecuniário diga-se ), e vai conseguir com este negocio, um local, um premio anual para reforçar a colecção , emprego para uns quantos amigalhaços, e no fim depois de ter valorizado e bem a dita , o que ganhará o Estado Português e todos nós?
A colecção ficará para Portugal….
só ficará se o estado português decidir abrir os cordões á bolsa e dar-lhe o valor que ele quer, já com a respectiva valorização.
E sabendo-se a mentalidade do sr. Berardo, veremos como ele vai saber utilizar a colecção, para noutros negocios impôr aos sucessivos governos que lhe dêem o favoritismo, o sr Berardo só dá ( empresta neste caso ) um chouriço a quem lhe dê um porco.
“Independentemente do que eu acho sobre o assunto, este post cheira a dor de cotovelo.
Posted by: Pedro Sá”
eu partilho esta opinião, parece-e que muitos “intelectuais” de treta e “elitistas” ficaram com uma grande dor de cotovelo
o acordo parece funcionar bem par ambas as partes…Portugal, ou seja, nós, “ganhamos” algo concreto: um museu de arte moderna de nível mundial por um custo que se pode dizer baixo em termos relativos (em vez de andar a gastar $ em subsídios a peças de teatro a ou filmes que ninguém vai ver)
Em termos gerais, concordo com o negócio. Se não for assim, jamais poderiamos ter uma colecção com este nível exposta a todos. Só não concordo com o local. Penso que o Pavilhão de POrtugal, no Parque das Nações, teria sido o sítio ideal. Primeiro, contribuiria para dinamizar a zona com uma importante oferta cultural, que falta ali, aliás; depois, estaria perto da magnifica pala do Vieira da Silva, outra obra fenomenal da arquitectura, para além do interesse do próprio pavilhão etc. O espaço é grande, e a própria Fundação, em parceria com o MC, poderia comissariar ali outras grandes exibições de calibre internacional, que faltam tanto, mas tanto, em Lisboa. Por fim, o CCB ficaria livre para regressar a bons tempos, e mostrar, de novo, grandes exposições, o que já não faz há algum tempo, tirando uma excepção aqui, outra ali. Ganhariamos não um, mas dois espaços culturais dignos de uma capital europeia.
depois de ler todos os comentarios, e a excepcao de 2 ou 3, so tenho 2 frases para nos, os GRANDES PORTUGUESES: somos mesmo pequeninos…. e acima de tudo, muuuuuiiiiito invejosos. sera por isso que nao estamos no mapa de coisa nenhuma neste mundo? como dizia o brasileiro, sera do guarana?
Realmente, os surrealistas devem estar às voltas na tumba. Enfim, vamos ver os Magrittes, Picassos, Duchamps, tentando abstrair…
so pra terminar este assunto: EU PREFIRO UM MILHAO DE VEZES QUE O GOVERNO GASTE 300 MILHOES EM 10 ANOS COM ARTE DO QUE 400 E MUITOS ANUALMENTE COM FUMADORES EM DESPESAS DE SAUDE!
obrigada.
Por acaso algum destes comentadores já foi a Serralves…..
Museu de arte contemporânea já existe em Portugal , E BOM…..
corvo, já devemos ter ido a serralves, certamente. só que isso é lá para o porto, certo? lisboa não tinha nada, e de certa forma ainda não tem, que se lhe compare.
Play Girl como alguem já disse noutro comentário eis alguns
Museu Vieira da Silva Arpad Szenes
Museu de Arte moderna da Fundação Gulbenkian
Museu da Culturgest
Colecção Jorge de Brito.
E digo-lhe mais prefiro um bom Pomar, Vieira da Silva, Cruzeiro Seixas, do muita pintura mázinha do Berardo mesmo que os seus autores tenham os nomes de Dali, Miro, Marguerite….
oi…
gostava de pedir uma informação sobre este tema.
Estou a fazer um trabalho sobre barrigas de aluguer, só que nao encontro nenhum filme em k aborde este tema. Será que me sabe dizer algum que possa conhecer??
Os meus amiores agradecimentos:
Tadie