
Bento XVI defendeu a entrada da Turquia na União Europeia. Mostra mais bom-senso do que uma Europa que continua esta brincadeira irresponsável do rato e do gato com a Turquia. A miopia europeia dá sinais preocupantes de se ter transformado em cegueira.
Por Daniel Oliveira 30 Nov 06 em Sem categoria


“A miopia europeia dá sinais preocupantes de se ter transformado em cegueira.”
Sim, também já tinha percebido isso quando a Alemanha, a França e uma certa anti-direita não quis apoiar a intervenção dos EUA no Iraque. A Europa está mesmo a ficar velha e ceguinha. Coitada!
Acho que a pior cegueira é aquela em que um Daniel prestes a converter-se ao Islão,confunde os seus desejos de auto-mutilação com a realidade.
Quem disse isso foi o Sr Erdogan.
O Vaticano disse apenas que
via com bons olhos os passos que a Turquia está a dar para se adaptar aos padrões da União.
São coisas bastante diferentes, mau caro Daniel e dada a sua responsabilidade mediática convinha-lhe que não polinizasse pelos ouvidos. É sempre útil mastigar a comida antes de a deglutir.
Se o Vaticano fosse cínico, poderia até dizer que se regozija pelos passos que a Turquia está a dar e que garantem que a continuar assim, não entrará na UE nem quando o Capitão Kirk andar a patrulhar a Andrómeda.
Veja-se o recente choque de civilizações com Chipre, levado a cabo justamente por um dos promotores da sapateiral “aliança de civilizações”.
Ah e tal, alinaça e paz e passarinhos e florzinhas e patati patatá, mas quando me toca a mim, bardame..para o Zapatero e as suas bacoradas.
Lidador, Erdogan disse que o Papa o disse e o Vaticano não desmentiu. Apenas a direita europeia veio garantir que não o tinha dito, como se estivesse estado no meio da conversa.
Correndo o risco de ser associado com o Lidador, acho que o Daniel antes de chamar implicitamente de míopes todos os que se opõem à entrada da Turquia na UE, devia pelo menos esforçar-se para justificar porque se acha tão dotado de visão.
Eu sou contra a entrada da Turquia na UE. Pelas razões exactamente opostas àquelas porque Blair é a favor: quero uma UE politicamente mais integrada, com uma política económica (e não apenas financeira) e social comum, e não uma UE que com a Turquia dentro nunca poderia ser mais do que o que agora é, um mercado único inexoravelmente a caminhar para uma neo-liberalização cada vez mais completa e destruidora do tecido social, ditada por uma Bruxelas cada vez mais longínqua e manipulada a bel prazer pelos lóbis das multinacionais. Acha o Daniel que a Europa Social alguma vez será possível com a Turquia na UE? Acha que a UE pode-se tornar mais próxima dos cidadãos, mais democrática, com a Turquia na UE, ou tal entrada iria adiar qualquer reforma democrática da UE por dezenas de anos? Não vê que é isso mesmo que Blair pretende, para lá da lenga-lenga sobre enviar um “sinal” ao mundo muçulmano?!
A Turquia pode properar com a ajuda da UE, sem fazer parte desta. Para que é que o Daniel quer a Turquia na UE? Para que os turcos sejam protegidos deles próprios?!! Para servirem de retrato para o mundo do que é um “bom-muçulmano-ao-estilo-ocidental”? A Turquia não precisa de ser neo-colonizada pela UE.
Tenho grandes dúvidas sobre a justeza da entrada da Turquia na UE.
Mas creio que a Europa Social não irá existir,com ou sem Turquia.
O Daniel acredita naquilo que o satisfaz e tem todo o direito de o fazer.
O Papa não fez nenhum discurso político e nem uma única vez falou públicamente desse tema durante a sua estadia na Turquia.
Erdogan terá interpretado aquilo que lhe convinha, para sacar algum benefício político, num momento em que a colisão com a Comissão Europeia se afigura inevitável.
Quanto à integração da Turquia, não sou dogmático….francamente não sou capaz de avaliar de uma forma simplista a resultante dos prós e dos contras.
As certezas furiosas que o Daniel expende entrincheirado no seu edifício ideológico, são matéria e fé…e talvez de um indesejável perdurar da idade da borbulha.
A entrada da Turquia na União Europeia é o que pode dar força política à no Médio Oriente e Magreb, é que pode fazer a ponte entre a a Europa e os seus vizinhos e é o que grante que o projecto europeu é um projecto plural e não um condominio de luxo. Para a Turquia, era o principal incentivo a reformas mais profundas que retirem poder às Forças Armadas, garantam tolerância religiosa (o que inclui algumas coisas que não estão muito na moda), dêem direitos ao povo curdo e respeitem os direitos humanos. Não quero que a Turquia entre agora. Mas o que se está a fazer é gozar com os turcos. E, já agora, foi um disparate o alargamento ao Chipre antes da resolução do problema cipriota. Temos um país dividido dentro da UE, com fronteiras formais que não correspondem às fronteiras realmente existentes, o que é um pouco absurdo. Fazer da questão cipriota o centro do debate com a Turquia é, como a Europa sabe, garantir que não há acordo nenhum.
O Daniel só vê vantagens… mas ainda não parece ter entendido que aquilo que você cataloga como vantagens, outros classificam como inconvenientes.
A discussão é complexa e por cada uma das suas “evidentes” vantagens, poderia facilmente alinhar aqui outras tantas desvantagens.
Mas nem é isso que está em causa.
O que importa neste caso é que é a Turquia que quer entrar para o Clube.
Como em qualquer clube, terá de se adaptar às regras do clube, se quiser ser admitida
Se espera que seja o clube a alterar as normas para satisfazer os seus caprichos, bem pode esperar sentada.
O Chipre é membro do clube…e tem direito de veto.
Tem de concordar que é uma completa idiotice o Daniel querer ser admitido no clube de golf lá da zona e passar a vida a zombar, a ignorar e a ameaçar um dos sócios cujo voto é necessário.
Que espera a Turquia?
Que os outros sócios batam no Chipre?
Erdogan ainda não percebeu que a coisa não funciona assim e que as relações do Chipre com a União Europeia não equivalem às do Califa sobre as províncias do Império Otomano.
“A entrada da Turquia na União Europeia é o que pode dar força política à no Médio Oriente e Magreb, é que pode fazer a ponte entre a a Europa e os seus vizinhos”
O “reforço” do papel da UE no Médio Oriente através da Turquia é um pau de dois bicos. Primeiro, desde logo acaba com a neutralidade da UE relativamente a um dos casos “bicudos” do Médio Oriente: a mais que justificada aspiração curda à auto-determinação. Se os curdos referenderam a sua auto-determinação a UE alguma vez aceitará com a Turquia dentro? Óbvio que não. Mas se fôr necessário “vender” as aspirações curdas para ter a Turquia na UE… Segundo, a entrada da Turquia na UE faz com que a UE passe a ter fronteira com vários dos mais instáveis países do Médio Oriente, como Síria, Iraque e Irão. Ou seja, a UE arrisca-se a ter uma guerra à sua “porta” para a qual poderá ser sugada se a Turquia nela estiver integrada. E de que maneira a Turquia na UE poderá valorizar a política da UE para o Médio Oriente?… Porque são muçulmanos, e por isso os líderes e povos do Médio Oriente irão ouvir mais o que a UE tem a dizer com a Turquia dentro? Está a gozar… Ainda hoje os Turcos não são bem vistos nos países árabes, não só devido à opressão otomana, mas também pelo facto da Turquia ter uma posição ambígua relativamente ao conflito israelo-palestiniano (até tem acordos militares com Israel!). Por outro lado, os turcos não escondem o desprezo pelo árabes, que vem também dos tempos do império otomano. Se a UE quer ganhar mais respeito no Médio Oriente devia acompanhar as condenações frequentes de Israel com penalizações reais, e fazer mais por promover cidadões da UE de religião muçulmana a ascender a lugares políticos de destaque. A UE seria muito mais bem vista no Médio Oriente se por exemplo aproveitasse melhor o grande número de franceses de ascendência árabe para fazer a ponte com o Magrebe.
“é o que grante que o projecto europeu é um projecto plural e não um condominio de luxo.”
Se o Daniel quer países de religião predominantemente muçulmana e pobres na UE, diria que basta a Albânia e a Bósnia,
“Para a Turquia, era o principal incentivo a reformas mais profundas que retirem poder às Forças Armadas, garantam tolerância religiosa (o que inclui algumas coisas que não estão muito na moda), dêem direitos ao povo curdo e respeitem os direitos humanos. ”
Cuidado… está a argumentar duma maneira muita próxima do neo-conservadorismo e neo-colonialismo. Ou tudo o que o Daniel disse parte da sociedade turca, e se torna consensual nela, ou então não passa duma imposição externa, directa ou indirecta (sob o medo de não entrar ou ser expulso da UE). Cuidado, que há por aí muita gente a argumentar que a Democracia só é implementável em países muçulmanos sob pressão externa, mesmo sob o peso da espada. A Democracia deve ser um processo endógeno, senão resultará em desastre a maior parte das vezes.
Eu quero crer que não, mas parece-me que em parte a posição do Daniel, e de alguma Esquerda, relativamente à entrada da Turquia na UE resulta mais duma reacção à oposição da direita conservadora e extrema-direita (mas não a direita neo-liberal…) a que isso aconteça. Ou seja, se eles são contra, então sou a favor. Os argumentos para apoiar a minha posição encontro-os depois. Eu não tenho nenhum problema de ter essa gente a dizer o mesmo que eu. Faço é questão de deixar bem claro que os meus argumentos são bem distintos dos deles. É um erro ideológico enorme assumir uma posição de forma reactiva.
viana, espero que dê um pouco mais de crédito à minha inteligência. Eu sou afavor da entrada da Turquia na União porque acho que isso é fundamental para o futuro da Europa e das relações da Europa com os seus vizinhos mais próximos.
“A entrada da Turquia na União Europeia é o que pode dar força política à no Médio Oriente e Magreb”
Mas a questão da entrada da Turquia é um problema de fortalecimento ou não da política europeia. Nem todos os europeus estão tão interessados como o Daniel em fortalecer a política do Oriente. Por outro lado, ainda que seja importante fortalecer o Oriente, é ainda mais importante que o enfraquecimento demográfico e económico da Europa possa compensar esse fortalecimento do Oriente. A Europa enfraquecida terá resistência suficiente à uma tentativa de imposição pelo Oriente de valores que lhe são estranhos? A Europa envelhecida vai ter força suficiente para se manter democrática e laica? Poderá uma Europa fragilizada defender-se das contínuas agressões aos direitos humanos que se praticam no Oriente?
Também é preciso pensar nisso.
“Mas o que se está a fazer é gozar com os turcos.”
Bento está certo, porque afirma que os Turcos estão a dar passos importantes no sentido de uma maior democratização. Isso acontece porque querem entrar na Europa, mas mesmo que não entrem, não estaremos a gozar com eles, porque na verdade independentemente de entrarem ou não, só por trabalharem para entrar eles já estão melhor! Independentemente de entrar ou não, o desejo de o fazer, tem garantido à turquia mais condições de democraticidade e com isso mais condições de possibilidade de enriquecimento. São eles também que ganham com isso.
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