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Bento XVI defendeu a entrada da Turquia na União Europeia. Mostra mais bom-senso do que uma Europa que continua esta brincadeira irresponsável do rato e do gato com a Turquia. A miopia europeia dá sinais preocupantes de se ter transformado em cegueira.


Sem respostas ao post “Bento certo”  

  1. 1 1  Anti-matéria

    “A miopia europeia dá sinais preocupantes de se ter transformado em cegueira.”

    Sim, também já tinha percebido isso quando a Alemanha, a França e uma certa anti-direita não quis apoiar a intervenção dos EUA no Iraque. A Europa está mesmo a ficar velha e ceguinha. Coitada!

  2. 2 2  Lidador

    Acho que a pior cegueira é aquela em que um Daniel prestes a converter-se ao Islão,confunde os seus desejos de auto-mutilação com a realidade.

    Quem disse isso foi o Sr Erdogan.
    O Vaticano disse apenas que
    via com bons olhos os passos que a Turquia está a dar para se adaptar aos padrões da União.

    São coisas bastante diferentes, mau caro Daniel e dada a sua responsabilidade mediática convinha-lhe que não polinizasse pelos ouvidos. É sempre útil mastigar a comida antes de a deglutir.

    Se o Vaticano fosse cínico, poderia até dizer que se regozija pelos passos que a Turquia está a dar e que garantem que a continuar assim, não entrará na UE nem quando o Capitão Kirk andar a patrulhar a Andrómeda.

    Veja-se o recente choque de civilizações com Chipre, levado a cabo justamente por um dos promotores da sapateiral “aliança de civilizações”.

    Ah e tal, alinaça e paz e passarinhos e florzinhas e patati patatá, mas quando me toca a mim, bardame..para o Zapatero e as suas bacoradas.

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    Lidador, Erdogan disse que o Papa o disse e o Vaticano não desmentiu. Apenas a direita europeia veio garantir que não o tinha dito, como se estivesse estado no meio da conversa.

  4. 4 4  viana

    Correndo o risco de ser associado com o Lidador, acho que o Daniel antes de chamar implicitamente de míopes todos os que se opõem à entrada da Turquia na UE, devia pelo menos esforçar-se para justificar porque se acha tão dotado de visão.

    Eu sou contra a entrada da Turquia na UE. Pelas razões exactamente opostas àquelas porque Blair é a favor: quero uma UE politicamente mais integrada, com uma política económica (e não apenas financeira) e social comum, e não uma UE que com a Turquia dentro nunca poderia ser mais do que o que agora é, um mercado único inexoravelmente a caminhar para uma neo-liberalização cada vez mais completa e destruidora do tecido social, ditada por uma Bruxelas cada vez mais longínqua e manipulada a bel prazer pelos lóbis das multinacionais. Acha o Daniel que a Europa Social alguma vez será possível com a Turquia na UE? Acha que a UE pode-se tornar mais próxima dos cidadãos, mais democrática, com a Turquia na UE, ou tal entrada iria adiar qualquer reforma democrática da UE por dezenas de anos? Não vê que é isso mesmo que Blair pretende, para lá da lenga-lenga sobre enviar um “sinal” ao mundo muçulmano?!

    A Turquia pode properar com a ajuda da UE, sem fazer parte desta. Para que é que o Daniel quer a Turquia na UE? Para que os turcos sejam protegidos deles próprios?!! Para servirem de retrato para o mundo do que é um “bom-muçulmano-ao-estilo-ocidental”? A Turquia não precisa de ser neo-colonizada pela UE.

  5. 5 5  aminhapele

    Tenho grandes dúvidas sobre a justeza da entrada da Turquia na UE.
    Mas creio que a Europa Social não irá existir,com ou sem Turquia.

  6. 6 6  Lidador

    O Daniel acredita naquilo que o satisfaz e tem todo o direito de o fazer.
    O Papa não fez nenhum discurso político e nem uma única vez falou públicamente desse tema durante a sua estadia na Turquia.
    Erdogan terá interpretado aquilo que lhe convinha, para sacar algum benefício político, num momento em que a colisão com a Comissão Europeia se afigura inevitável.

    Quanto à integração da Turquia, não sou dogmático….francamente não sou capaz de avaliar de uma forma simplista a resultante dos prós e dos contras.

    As certezas furiosas que o Daniel expende entrincheirado no seu edifício ideológico, são matéria e fé…e talvez de um indesejável perdurar da idade da borbulha.

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    A entrada da Turquia na União Europeia é o que pode dar força política à no Médio Oriente e Magreb, é que pode fazer a ponte entre a a Europa e os seus vizinhos e é o que grante que o projecto europeu é um projecto plural e não um condominio de luxo. Para a Turquia, era o principal incentivo a reformas mais profundas que retirem poder às Forças Armadas, garantam tolerância religiosa (o que inclui algumas coisas que não estão muito na moda), dêem direitos ao povo curdo e respeitem os direitos humanos. Não quero que a Turquia entre agora. Mas o que se está a fazer é gozar com os turcos. E, já agora, foi um disparate o alargamento ao Chipre antes da resolução do problema cipriota. Temos um país dividido dentro da UE, com fronteiras formais que não correspondem às fronteiras realmente existentes, o que é um pouco absurdo. Fazer da questão cipriota o centro do debate com a Turquia é, como a Europa sabe, garantir que não há acordo nenhum.

  8. 8 8  Lidador

    O Daniel só vê vantagens… mas ainda não parece ter entendido que aquilo que você cataloga como vantagens, outros classificam como inconvenientes.

    A discussão é complexa e por cada uma das suas “evidentes” vantagens, poderia facilmente alinhar aqui outras tantas desvantagens.

    Mas nem é isso que está em causa.
    O que importa neste caso é que é a Turquia que quer entrar para o Clube.
    Como em qualquer clube, terá de se adaptar às regras do clube, se quiser ser admitida
    Se espera que seja o clube a alterar as normas para satisfazer os seus caprichos, bem pode esperar sentada.

    O Chipre é membro do clube…e tem direito de veto.
    Tem de concordar que é uma completa idiotice o Daniel querer ser admitido no clube de golf lá da zona e passar a vida a zombar, a ignorar e a ameaçar um dos sócios cujo voto é necessário.

    Que espera a Turquia?
    Que os outros sócios batam no Chipre?

    Erdogan ainda não percebeu que a coisa não funciona assim e que as relações do Chipre com a União Europeia não equivalem às do Califa sobre as províncias do Império Otomano.

  9. 9 9  viana

    “A entrada da Turquia na União Europeia é o que pode dar força política à no Médio Oriente e Magreb, é que pode fazer a ponte entre a a Europa e os seus vizinhos”

    O “reforço” do papel da UE no Médio Oriente através da Turquia é um pau de dois bicos. Primeiro, desde logo acaba com a neutralidade da UE relativamente a um dos casos “bicudos” do Médio Oriente: a mais que justificada aspiração curda à auto-determinação. Se os curdos referenderam a sua auto-determinação a UE alguma vez aceitará com a Turquia dentro? Óbvio que não. Mas se fôr necessário “vender” as aspirações curdas para ter a Turquia na UE… Segundo, a entrada da Turquia na UE faz com que a UE passe a ter fronteira com vários dos mais instáveis países do Médio Oriente, como Síria, Iraque e Irão. Ou seja, a UE arrisca-se a ter uma guerra à sua “porta” para a qual poderá ser sugada se a Turquia nela estiver integrada. E de que maneira a Turquia na UE poderá valorizar a política da UE para o Médio Oriente?… Porque são muçulmanos, e por isso os líderes e povos do Médio Oriente irão ouvir mais o que a UE tem a dizer com a Turquia dentro? Está a gozar… Ainda hoje os Turcos não são bem vistos nos países árabes, não só devido à opressão otomana, mas também pelo facto da Turquia ter uma posição ambígua relativamente ao conflito israelo-palestiniano (até tem acordos militares com Israel!). Por outro lado, os turcos não escondem o desprezo pelo árabes, que vem também dos tempos do império otomano. Se a UE quer ganhar mais respeito no Médio Oriente devia acompanhar as condenações frequentes de Israel com penalizações reais, e fazer mais por promover cidadões da UE de religião muçulmana a ascender a lugares políticos de destaque. A UE seria muito mais bem vista no Médio Oriente se por exemplo aproveitasse melhor o grande número de franceses de ascendência árabe para fazer a ponte com o Magrebe.

    “é o que grante que o projecto europeu é um projecto plural e não um condominio de luxo.”

    Se o Daniel quer países de religião predominantemente muçulmana e pobres na UE, diria que basta a Albânia e a Bósnia,

    “Para a Turquia, era o principal incentivo a reformas mais profundas que retirem poder às Forças Armadas, garantam tolerância religiosa (o que inclui algumas coisas que não estão muito na moda), dêem direitos ao povo curdo e respeitem os direitos humanos. ”

    Cuidado… está a argumentar duma maneira muita próxima do neo-conservadorismo e neo-colonialismo. Ou tudo o que o Daniel disse parte da sociedade turca, e se torna consensual nela, ou então não passa duma imposição externa, directa ou indirecta (sob o medo de não entrar ou ser expulso da UE). Cuidado, que há por aí muita gente a argumentar que a Democracia só é implementável em países muçulmanos sob pressão externa, mesmo sob o peso da espada. A Democracia deve ser um processo endógeno, senão resultará em desastre a maior parte das vezes.

  10. 10 10  viana

    Eu quero crer que não, mas parece-me que em parte a posição do Daniel, e de alguma Esquerda, relativamente à entrada da Turquia na UE resulta mais duma reacção à oposição da direita conservadora e extrema-direita (mas não a direita neo-liberal…) a que isso aconteça. Ou seja, se eles são contra, então sou a favor. Os argumentos para apoiar a minha posição encontro-os depois. Eu não tenho nenhum problema de ter essa gente a dizer o mesmo que eu. Faço é questão de deixar bem claro que os meus argumentos são bem distintos dos deles. É um erro ideológico enorme assumir uma posição de forma reactiva.

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    viana, espero que dê um pouco mais de crédito à minha inteligência. Eu sou afavor da entrada da Turquia na União porque acho que isso é fundamental para o futuro da Europa e das relações da Europa com os seus vizinhos mais próximos.

  12. 12 12  Sinfonia do disparate consonante

    “A entrada da Turquia na União Europeia é o que pode dar força política à no Médio Oriente e Magreb”

    Mas a questão da entrada da Turquia é um problema de fortalecimento ou não da política europeia. Nem todos os europeus estão tão interessados como o Daniel em fortalecer a política do Oriente. Por outro lado, ainda que seja importante fortalecer o Oriente, é ainda mais importante que o enfraquecimento demográfico e económico da Europa possa compensar esse fortalecimento do Oriente. A Europa enfraquecida terá resistência suficiente à uma tentativa de imposição pelo Oriente de valores que lhe são estranhos? A Europa envelhecida vai ter força suficiente para se manter democrática e laica? Poderá uma Europa fragilizada defender-se das contínuas agressões aos direitos humanos que se praticam no Oriente?

    Também é preciso pensar nisso.

  13. 13 13  Sinfonia do disparate consonante

    “Mas o que se está a fazer é gozar com os turcos.”

    Bento está certo, porque afirma que os Turcos estão a dar passos importantes no sentido de uma maior democratização. Isso acontece porque querem entrar na Europa, mas mesmo que não entrem, não estaremos a gozar com eles, porque na verdade independentemente de entrarem ou não, só por trabalharem para entrar eles já estão melhor! Independentemente de entrar ou não, o desejo de o fazer, tem garantido à turquia mais condições de democraticidade e com isso mais condições de possibilidade de enriquecimento. São eles também que ganham com isso.

  14. 14 14  rui novo

    turquia na uniao

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