O sindicalismo não é um hobby. Negociações, acompanhamento de sócios e administração de recursos exigem esforço e profissionalismo. Em países europeus civilizados, onde as empresas querem ter interlocutores bem preparados, isto é valorizado. Mas não o é no Terceiro Mundo. Aí, no lugar da promoção da organização dos trabalhadores está no populismo anti-sindical, de que este governo, que se diz de esquerda, é ferveroso militante.

A administração dos CTT, desrepeitando a lei, obrigou os trabalhadores de licença para ocupar lugares de direcção sindical durante o seu mandato a abandonar o sindicato para voltar para os seus locais de trabalho. Mostrando que a maioria dos sindicalistas está nos sindicatos por convicção, o SNTCT (um dos maiores sindicatos do País) deu a resposta acertada: chamou, para substituir os trabalhadores eleitos, ex-dirigentes que estão reformados. Todos com mais de 64 anos. Os primeiros chegaram hoje. Interrompem assim o tempo do descanso que qualquer trabalhador merece. E depois destes voltarem à sua vida, outra fornada de reformados virá. E assim acontecerá enquanto durar este contencioso com a Administração.


14 respostas ao post “Boa resposta”  

  1. 1 1  dsm

    “Em luta e numa clara posição de força, os dirigentes do SNTCT vão todos para os locais de trabalho dia 10 de Dezembro, por decisão da sua direcção e nas condições por ela definidas, ao abrigo do AE/CTT/2006, que continua em vigor.” (SNTCT, Bol. 51/2008, de 9/12/2008)

    “Por decisão da sua direcção e nas condições por ela definidas”, diz o SNTCT. Mas, para o Daniel Oliveira, são todos uns coitadinhos a quem o governo “populista anti-sindical” fez maldades.

    “Chamou, para substituir os trabalhadores eleitos, ex-dirigentes que estão reformados. Todos com mais de 64 anos. Os primeiros chegaram hoje. Interrompem assim o tempo do descanso que qualquer trabalhador merece”, escreve DO. Penso que o facto em si demonstra grande dignidade e muito mérito. Mas o Daniel logo trata de transformar esses ex-dirigentes, que tomaram uma atitude louvável, nuns coitadinhos que foram “chamados” (há mais “fornadas” à espera) e obrigados a interromper “o descanso que qualquer trabalhador merece”. Coitadinhos!

    Era mesmo de amigos assim que o SNTCT estava a precisar, e o grande objectivo dos trabalhadores dos CTT era, sem dúvida, verem-se promovidos a flores de estufa, como os professores. Quando é que os sindicatos se livram destes amigos-melgas? Destas mamãs-galinha, como as que fazem questão de acompanhar (e de envergonhar) os filhos que se vão matricular na faculdade?

    Que veremos a seguir? A solidariedade de Manuela Ferreira Leite e de Paulo Portas? A bêncão dos bispos numa peregrinação a Fátima?

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  2. 2 2  Fernando

    As empresas em Portugal não querem “interlocutores preparados”, aliás, quantos menos interlocutores melhor, “colaborador” a sério não precisa dessas coisas, basta os mecanismos de “excelência” e “reporting” vertical, crença no Lean Six Sigma e bola para a frente!

    O anti-sindicalismo primário tem várias origens:

    1) O facto de haver sem dúvida sindicalistas que dão aso a que se tenha essa ideia, por muita minoria que sejam
    2) A pequena inveja do trabalhador do “privado”, que sente que todos lhe devém pela fineza de trabalhar “no privado” e que isso de sindicalismo é coisa “de chulos que não querem trabalhar, porque eu nem sindicalizado posso ser senão ui!”
    3) Mais importante de tudo, o interesse concreto do patronato – apoiado no Governo – em descredibilizar o sindicalismo de forma a melhor extender as suas “justas reinvindicações” a favor do fim das medidas que “impedem a competitividade, onde não exagero se incluir o direito aos dias de descanso e o trabalho infantil (que são uma chatice e restringem de forma injusta os nossos estimados empreendedores!)

    Conheci sindicalistas assim a modos que, er, merdosos. Conheci muitos no entanto com quem não trocava de lugar nem que me pagassem o dobro.

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  3. 3 3  Rantanplan

    De enaltecer, esta posição.

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  4. 4 4  fado alexandrino

    Ontem estive trinta e cinco minutos em pé, para fazer o registo de uma carta que queria enviar.
    Esta notícia enche-me de esperança.

    Vamos ter mais pessoal para atender e entretanto velhotes que estavam a jogar às cartas nos jardins desta Lisboa vão voltar a sentir-se úteis.
    Agora é só os outros sindicatos copiarem.

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  5. 5 5  fidel

    “Mais importante de tudo, o interesse concreto do patronato – apoiado no Governo – em descredibilizar o sindicalismo…”

    hehehehehe isto hoje está do melhor.
    Mas será que possivel descredibilizar ainda mais o sindicalismo ?
    Eu penso que não, os camaradas que dirigem as grandes centrais sindicais nesse aspecto fizeram um excelente trabalho.

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  6. 6 6  Pinto

    O problema não é o sindicalismo. Faz falta.
    O problema é a forma de exercer a actividade sindical. Em Portugal os sindicatos da Administração Pública são organismos subsidiários do PCP e BE. Está aos olhos de todos (menos daqueles que não querem ver).

    Também não é verdade que nos países civilizados haja uma total recepção aos sindicatos. Muitas das críticas que se fazem em Portugal relativamente aos sidicatos são exactamente as mesmas que se fazem na Alemanha.

    Interlocutores sim. Representantes partidários em organismos públicos, não obrigado.

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  7. 7 7  Fernando

    Mais uma gonelhice!!! Há que acabar com os sindicalizados, para acabar com os sindicatos.
    So ares de outros tempos!!!

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  8. 8 8  RuideLisboa

    Que triste fado .. 35 minutos de pé … aproveitasse para fazer alongamentos!!!
    Quem manda bocas aos sindicatos é quem nunca precisou deles … talvez porque nunca precisaram de trabalhar!

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  9. 9 9  hb

    Fernando: Bom comentário, o primeiro. Subscrevo integralmente.

    Pinto: Não me lembro de ter visto nos estatutos de qualquer sindicato que só podem ser sindicalizados militantes do PCP ou do BE. Mas devo andar distraído.

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  10. 10 10  portela menos 1

    bom, mesmo bom, é ouvir o pessoal (ainda agora o presidente da CMLisboa,) dizer que “a greve é inoportuna” …
    lindo, lindo!

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  11. 11 11  Pinto

    Não me lembro de ter lido nos estatutos da GALP , Lusoponte, Mota-Engil que os seus administradores deverão ser ex-membros de governos.
    Devo andar distraido.

    É a prova provada que é um cargo onde qualquer um pode chegar pelo seu mérito como gestor.
    Ou então tenho uma auréola por cima da cabeça e umas asinhas nas costas.

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  12. 12 12  portela menos 1

    a respeito de países civilizados:

    “Ocupação de fábrica nos EUA termina com vitória

    … Os 250 operários da fábrica de Chicago, EUA, tinham recebido no dia 3 de Dezembro uma comunicação da gerência a informar que a fábrica iria fechar em três dias, e que todos seriam despedidos, porque o Bank of America se recusava a renovar o crédito. Considerando que a decisão era ilegal, porque, pela lei de Illinois, lhes eram devidos pelo menos 60 dias de salário, além das férias, os trabalhadores decidiram ocupar a fábrica.”

    é só seguir o link:

    http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=9534&Itemid=26

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  13. 13 13  portela menos 1

    O que mais enraiveceu os trabalhadores foi o facto de o Bank of America, beneficiário do famoso bailout (plano de salvamento) do governo dos EUA ao sistema financeiro, se recusar a manter o crédito e, assim, ajudou a extinguir empregos.
    … e um bom exemplo para a banquinha portuguesa:

    Assim, a sede 1110 do sindicato United Electrical, Radio and Machine Workers of America (UE) convocou na quarta-feira uma manifestação diante do Bank of America, à qual compareceram cerca de mil pessoas. “O Bank of America recebeu 25 mil milhões de dólares. Quanto receberam os trabalhadores da Republic? Zero!”, disse um dos dirigentes.

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  14. 14 14  Fernando

    Fernando: Bom comentário, o primeiro. Subscrevo integralmente.
    Obrigado, e aproveito para esclarecer que só o primeiro foi meu…

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