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Ao contrário de quase todos os meus amigos, nunca gostei de “O Independente”. Reconheço que deu novo fôlego à investigação – ainda assim, quase sempre a investigação dependente do recado das fontes, a investigação de telefonema. Mas “O Independente” sempre teve o hábito de não ouvir a parte contrária, de estar mal preparado para defender as suas manchetes e de não tratar nenhum assunto com profundidade. Fez bem ao país ao ajudar a fazer cair Cavaco. Mas fez mal ao jornalismo, tornando-o mais ligeirinho e menos seguro. Mesmo do MEC (chamarem-lhe MEC já diz quase tudo), gostava mais quando falava da vida do que quando começou a falar da Vida, quando falava da política do que quando começou a fazer Política. O Esteves Cardoso é leve só porque não quer ser mais do que leve. E isso é irritante.

E nunca suportei aquele estilo de quem “adora” imensas coisas, quase sempre as que já conhece e as dos amigos, e “detesta” todas as outras. “O Independente” representa bem os anos 80. E eu “detesto” os anos 80. O que não é bom, porque, segundo me dizem, é a “a minha” década. E eu acho que quase todos os meus defeitos resultam disso mesmo: também “adoro” algumas coisas (as que já conheço e as dos meus amigos) e “detesto” quase todas as outras. Também eu, ressalvadas as devidas distâncias, como “O Independente”, tendo a sacrificar um bom argumento se não me couber no estilo. E a ser leve por fastio quando sou pesado por feitio. Muito 80’s, muito Indy. E não preciso de “O Independente” para me lembrar como “detesto” tudo isso em mim.


Sem respostas ao post “Bye bye 80’s”  

  1. 1 1  e-konoklasta

    Já somos dois a pensar a mesma coisa e a dizê-lo, e, sou da década anterior…
    Já agora, há problemas com as caixas de comentários, a das inverdades de Putin marca 9 e dentro vejo-a vazia… mistério!

  2. 2 2  PRA FRENTE

    Basta olhar para si para perceber isso. Vê-se que é um deslocado e que devia ter nascido no séc.XIX.
    As pessoas que falam assim do seu tempo é porque não o gozaram e os que não gozam a vida na sua altura não prestam. São os inadaptados (veja o filme).
    Agora já percebi de onde vêm essas atitudes ressabiadas com a vida e os outros. Essa sua arrogância, própria de alguém recalcado. Aposto que gozavam muito consigo.
    Deixe lá! Pode ser que goste mais da década de 2000 ou 2010.
    Eu sou desta década e gosto. É a minha.

  3. 3 3  Anónimo

    o comentador PRA FRENTE terá a noção do quanto é obtuso? quem se julga para dizer quem “presta” ou não “presta”?

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    PRA FRENTE, já você parece uma pessoa de bem com a vida e com os outros. Sobretudo sabe imenso sobre pessoas que não conhece de lado nenhum.

  5. 5 5  Bart Simpson

    Não morri de amores pelo Indy nem pelo MEC, mas preferia que não tivesse acabado e em vez dele tivesse fechado o 24 horas, o Crime, o Jornal de Sexologia, a Maria…

  6. 6 6  Paulo Alves

    Para lá dos pecados d’«O Independente» nada me motiva a concordar com o seu texto. O Independente mudou o jornalismo porque, pela primeira vez, uma direita ousou pensar, mostrar-se e como una afrontar um mundo dominado pela esquerda. Uma golfada de ar fresco num senil e dependente jornalismo de investigação. Creio que deveria gostar «como os seus amigos» desse jornal. Ainda que entenda o seu fecho na perspectiva de uma clamorosa derrota da direita(que é, de facto) e isso o deixe compreensivelmente satisfeito.

  7. 7 7  Zeferino

    Olha acabou o muro da lamentações dos meninos da linha !!! E agora onde é que eles vão falar das festas ??? Como é que vão para as esplanadas exibir o seu anti-esquerdismo ??? Acabou ….que chatice.

  8. 8 8  Daniel Arruda

    Daniel, esta é daquelas coisas em que discordamos. Eu escrevi exactamente o contrário. Em relação ao MEC, ao Independente e á década que também é a minha. São gostos. Cada um tem os que quer.
    É tão bom podermos ser diferentes e no entanto defender a mesma essencia.

  9. 9 9  Quintanilha

    Falta só o 24 horas ir pelo mesmo caminho. O país fica mais limpo!

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