No seu blogue dedicados às eleições de Angola (os posts são repetidos aqui) o correspondente da RTP, acabado de aterrar, dizia ao que ia: “Sei que esperam que vos fale das misérias de Angola, mas… e se vos mostrar também o que há de bom e o que está a mudar?” E não nos desiludiu. Sobre a presença da banca portuguesa em Angola: “Estamos juntos!, como se diz por cá”. Sobre as eleições: “Ah, e garantiram-me que não há qualquer hipótese de fraude!” Sobre a segurança: “E garanto-vos: sinto-me mais seguro nas ruas de Luanda do que nas ruas de Lisboa.”

As peças que passam na RTP parecem da Televisão Pública de Angola (ver vídeos no blogue), só que um pouco mais militantes. Só coisas lindas e riqueza e prosperidade. Bancos, centros comerciais, obras, bons empregos. Tirando o trânsito, trata-se do Paraíso. Nem corrupção, nem pobreza, nem os vários incidentes que têm sido relatados na imprensa independente.

E no fim da campanha Luís Castro conclui: “Pelo que vi, meus amigos, Angola prepara-se para calar muitas vozes que continuam a olhar para este país com a mesma atitude de há cinco ou dez anos”. De facto, já calou algumas: as dos seus colegas da SIC, Público, Expresso, Rádio Renascença e Visão, a quem não foi autorizada a entrada em território angolano durante a campanha. Acompanhando o trabalho que a RTP África vai fazendo nos PALOP e a prosa apaixonada do correspondente, com completa inexistência de qualquer contraditório, percebe-se porquê. Uns fazem diplomacia, outros podiam querer fazer jornalismo.

Luís Paixão Martins destaca, no seu blogue, o que Luís Castro vai escrevendo. Não espanta. É responsável pela imagem do governo angolano. Que tenha cuidado. Com trabalhos como este a LPM pode começar a parecer dispensável.

Fotos retiradas dos blogues de Luís Castro


60 respostas ao post ““Calar muitas vozes””  

  1. 1 1  jtmota

    O homem tinha o trabalho encomendado. E como bom profissional cumpriu a encomenda nos moldes solicitados.

    É tão legitimo cumprir esta encomenda como cumprir a encomenda de que tudo em Angola está mal.

    Em ambos os casos, quer a coluna quer a ética, de quem o faz ficam afectadas.

    O consumidor no final dirá de sua justiça.

    So me chateia o facto de pagar do meu bolso este fantochada.

  2. 2 2  PR

    Abjecto. Ponto final.

  3. 3 3  toulixado

    Eu até compreendo que eles lá queiram ir e que o estado angolano deveria conceder-lhes os vistos, agora que seja para fazer jornalismo vou ali e já venho. Eles nem aqui são capazes de o fazer.

  4. 4 4  Minhoto

    Ó Daniel não acha que está a ter uma atitude paternalista colonial? Hum,hum…hum? Eu acho que sim Daniel! Acho que sim.
    Angola é um país soberano, eu por exemplo na minha casa entra quem eu quero, sendo assim entra quem os angolanos querem e não quem os outros querem.
    Ao Chavez amigo do Soares o senhor aplaude, os outros não.

  5. 5 5  Pouco Iluminado

    A liberdade é tanta que quem se insurge contra o sistema mesmo que de forma passiva fica à porta.

  6. 6 6  Minhoto

    “eu por exemplo na minha casa entra quem eu quero”
    Na minha casa entra quem eu quero (assim está melhor, é o que dá estar a ditar ao caseiro enquanto estou a alvejar um pato bravo com a James Purdey)

  7. 7 7  fado alexandrino

    Aproveito este momento em que não há nenhum assalto a decorrer, e uma vez que este é um post sobre política internacional, para perguntar quando é que muda o inquérito e apresenta os resultados deste.

  8. 8 8  joao

    O escrutínio das eleições angolanas irá ser feito apenas por países da União Europeia

  9. 9 9  Dinis

    Já o mesmo “género” de jornalismo transparece na “peça” de ontem do Público. Sem lá estar…!

  10. 10 10  Diogo MD

    Angola não é um grande exemplo para nada, a pobreza é perturbante, as assimetrias são violentíssimas e aparentemente tendem a intensificar-se, algo que choca ainda mais em contraste com a riqueza do país. Mas para quem conhece o país sabe perfeitamente que ele mudou nos últimos anos e é triste falar de Angola com o mesmo discurso eurocêntrico de há alguns anos atrás. Está longe de ser uma democracia, mas as condições para que esta se desenvolva melhoraram significativamente e é com estas brechas que ela se pode construir. É realmente infeliz, da nossa parte, que teimemos em limitar o nosso discurso sobre Angola à pobreza e à corrupção, quando esta também existe e cresce todos os dias em Portugal. Infelizmente, está longe de ser um exclusivo angolano e pelo andar da carruagem não me admiro se daqui a uma década ou duas a situação for pior em Portugal do que em Angola. Portanto, entre ir para Angola com o discurso encomendado de apenas falar mal de tudo o que se vê – das obras, do trânsito caótico, da pobreza, das assimetrias –, não vejo porque é que há de ser pior ir para Angola com o discurso encomendado para falar bem e esconder o resto. Objectivamente, são duas tendências equiparáveis e muito lamentáveis. O ideal seria que se apontassem as falhas grosseiras que ainda existem em Angola, um país em construção, para que outras condições próximas das ideais ali possam emergir, ao mesmo tempo que se apontam os pequenos progressos que foram feitos até ao momento. Talvez estejamos a perpetuar a desgraça ao apenas falar dela e ao menosprezar os outros passos em frente que foram dados até ao momento. O olhar paternalista que se assume neste tipo de tópicos, de achar que em Angola funciona tudo mal e na Europa funciona tudo bem, é que já cansa um pouco. Não se pense que aqui temos a democracia só porque podemos votar livremente de quatro em quatro anos. Também há muito para fazer em Portugal.

  11. 11 11  Henrique Morais

    O bom disto tudo é que só o jornalista acredita no que diz, sendo tambem o unico que faz figura de idiota….

  12. 12 12  Tonibler

    Aquilo que me faz confusão é que se continue a esperar honestidade de um jornalista. E não me venham com aquela história que “em todas as profissões há bons e maus”. A honestidade nos jornalistas é como a heterosexualidade nos bailarinos. Existe, mas não como regra…

    Se todos olharmos para um jornalista como um sujeito que, ou vai dizer asneira, ou mentira, a nossa vida é muito mais fácil e com uma percepção da realidade muito mais correcta.

  13. 13 13  Luis Moreira

    Tonibler, essa dos bailarinos é preciosa mas está à vista nem eles querem que se pense outra coisa.Quanto aos jornalistas,são os maiores. Nunca, mas nunca são desonestos.Ao seviço do interesse público.

  14. 14 14  Antónimo

    Luís Castro trabalha no canal público mas não é isso que o torna um agente do estado português. Como explicar o telefone satélite que em tempos, dizem as más línguas, entregou ao Ansumane Mané? Não pude certificar-me mas não foi também ele que filmou em Timor um tiroteio entre milícias e soldados portugueses?

  15. 15 15  nuno fernandes

    Como espectador não consigo dizer que a RTP seja, em termos de programação, uma televisão diferente da SIC-TVI. Na sua vertente informativa, suposto prato-forte, também não noto uma diferença de qualidade significativa face aos aos outros canais: se a bajulação dos correspondentes em África ou em Bruxelas face face ás chefias dos PALOP ou da União Europeia são evidentes até ao menos informado, para avaliar a generalidade das linhas de informação eu, que não sou jornalista, tenho de levar em crédito o Daniel Oliveira: é que não notei que tenha colocado a RTP de parte quando, no último mês criticou as coberturas em torno dos olímpicos portugueses ou da criminalidade. Embora uma (ou duas) andorinha(s) não façam a primavera, se tirar de tudo isto um padrão posso tomar a informação da RTP tal como o resto da sua programação, ou seja, a par da SIC-TVI ou do canal que aí vem.

    Aliás, eu só consigo dizer que a RTP é diferente dos outros canais, porque o grupo
    recebe uma choruda indemnização compensatória: 480 milhões de euros + IVA entre 2008 e 2011 para cobrir o défice operacional em nome do serviço público prestado a Portugal (e, no caso do post, pelo ´serviço` prestado a Luanda através da RTP África). Com o 5º canal há até boa hipótese de as audiências se repartirem mais e os prejuízos a cobrir aumentarem, portanto é uma situação sem melhoria à vista.

    Daniel, 480 milhões de euros é o preço de um dos novos submarinos da armada. Quais são os argumentos políticos em prol de que se pague uma televisão pública como se se estivesse a comprar submarinos? Será que se vendiam na mesma loja de elefantes brancos?

    Cmpts

  16. 16 16  Daniel Oliveira

    Nuno, o problema aqui não é a informação da RTP, que não se distingue das dos restantes canais. É a relação que mantém (seja pela proximidade em relação ao poder, seja por causa da RTP África) com os regimes dos PALOP. Quando chega a esses países a RTP deixa de fazer jornalismo. E neste caso é tão evidente que até dói.

  17. 17 17  Francisco Crispim

    Simplesmente vergonhoso, o comportamento desse “jornalista” (entre aspas, claro).
    E não se diga que se limita a cumprir as ordens que levou de Lisboa.
    Se fosse verdadeiramente um jornalista, não as acataria.
    Infelizmente, não há em Portugal um órgão que sancione tal comportamento. No caso, com a irradiação definitiva da profissão.

  18. 18 18  Teresa

    Rangel - José Fragoso - RTP - Angola - Rangel … e assim sucessivamente …
    Está a ver, eu que discordo tantas vezes de si, acho que deu agora um tiro certeiro !

  19. 19 19  Antónimo

    Daniel, Mas acha que o encargo de levar telefones-satélites, ao Ansumane Mané, foi dado ao Luís Castro por ele ser jornalista? Duvida-se, não é? Ele não está em Angola para fazer jornalismo. Há altos interesses de Estado, envolvidos.

  20. 20 20  fado alexandrino

    Antigamente a função do jornalista era muito clara.
    Devia relatar os factos com a maior isenção de modo a que o leitor pudesse “ver” claramente o acontecimento.

    Com o advento da imagem a função do jornalista passou a ser a de ajudar a compreender aquilo que as pessoas viam.

    E nesta mudança começou a diferença.
    Os jornalistas passaram a ser intervenientes na notícia.
    Passaram a ter “causas”.

    É por isso que hoje a todo o momento o jornalista deixou de o ser para passar a ser um político ou, no pior dos casos, um veículo de transmissão da política de quem lhe paga.

  21. 21 21  cavalosentado

    Ó Daniel, mas doi-lhe o quê? Porque tenta desesperadamente falar de um jornalismo que já não existe e gosto muito da sua expressão: nem os vários incidentes que têm sido relatados na imprensa independente. Tem aí o catálogo?

  22. 22 22  cobardolas

    Alguém viu e ouviu a besta do Pezarat Correia no jornal do Mário Crespo?

  23. 23 23  ruimventura

    Que pena o “eixo do mal” e os seus desbocados (onde o contraditorio é regra)não irem a Angola fazer a VERDADEIRA cobertura.
    Haja decencia.
    Já agora você (Daniel) em vez de ter ido para a America em férias assistir aos desfiles “Gay” bem podia ter tentado ir a Africa.
    Ficava-lhe bem e fazia-lhe igualmente bem.

  24. 24 24  Daniel Oliveira

    A imprensa que não tem relações institucionais e políticas com o regime.

  25. 25 25  PDuarte

    100% de acordo. nada mais a dizer.

  26. 26 26  João Gomes

    fado alexandrino,
    fado acertado, o seu. E sem mácula!

    Daniel Oliveira,
    também lamento que o poder angolano impeça qualquer OCS de entrar no seu território, seja para o que for.
    Mais, até convidaria o Daniel Oliveira, a Clara Ferreira Alves, o Luís Pedro Nunes e o José Judice para cobrirem não só o acto eleitoral, mas toda a realidade angolana.
    Só não estou certo de que manteriam a coerência do que afirmam em Portugal sobre Angola (corruptos, ladrões, ditadores e outros adjectivos similares) sob pena de terem de provar o que afirmam.
    Eu, aqui no alto do meu Minho, mas antes residente em Angola durante uma década, posso dizer que em Angola há corrupção e ladroagem. Como em todos os países do mundo, sem excepção… Mas não dou nome aos bois, porque nada posso provar.
    Angola está a dar passos tímidos no sentido da democratização? Pois está, e prenhe de contradições e incongruências. Mas são passos, apesar de tímidos, titubeantes, trémulos.
    Também já sei que se o MPLA ganhar foi porque houve fraude. Se for a UNITA vencedora, venceu a democracia. Em Portugal, felizmente, ganham todos, quer os vencedores quer os vencidos, eleitoralmente falando, é claro.

  27. 27 27  Maria

    Sobre verdadeiros jornalistas vale a pena ver a reportagem “America’s New Frontier - Angola”. Esta não foi, de certeza, uma reportagem encomendada pelo partido do poder.
    Por vezes é arrepiante, não concordam?

    http://www.youtube.com/watch?v=kMOxUZAHNLk

  28. 28 28  Miguel F. Carvalho

    Já estive várias vezes em Angola e dizer que “sinto-me mais seguro nas ruas de Luanda do que nas ruas de Lisboa” é algo absolutamente idiota!!!

  29. 29 29  Joaquim Teixeira

    Tudo isto, é fruto de 48 anos de obscurantismo, ainda por cima num país de pequenitos, onde ainda se vêem tiques de feudalismo.

  30. 30 30  Daniel Oliveira

    João Gomes, há coisas demasiado visíveis: a presença da filha de Eduardo do Santos na economia. Há coisas em Angola que estão provadas à nascença, porque são visíveis.

    É verdade que há corrpução em todos os países. MAs Angola é um dos recordistas mundiais, como provam todos os estudos. JES e a sua filha não são ricos por herança e não consta que ordenado de presidente sejam muitos altos. E, no entanto, estão entre as maiores fortunas de África. Ou lhes sairam milhares de totolotos, ou roubaram.

    Não era por ter de provar o que digo que não poderia dizer isto em Angola.

  31. 31 31  Mouzinho

    Porreiro, mais um exemplo a seguir

  32. 32 32  pedro oliveira

    Peço desculpa de não ir na mesma linha da maioria, para além de Jornalista o Luís é editor do Telejornal,logo um homem com responsabilidades acrescidas e não o vejo a “vender-se ” a JES.Acho lamentável o teor de algumas afirmações que atingem o carácter deste homem.

    Quanto a Angola,basta olhar para os números.

  33. 33 33  João Gomes

    Daniel Oliveira,
    mas alguns jornalistas e jornais angolanos tipo “Folha 8″ não se cansam de afirmar que há roubalheira e corrupção por todo o lado e, em alguns casos, chamam os bois pelos nomes. Só que depois, nas barras dos tribunais, apresentam provas subjectivas, como aquelas do teu comentário 30.
    É óbvio para mim que os detentores do poder angolano (e repara que não digo do MPLA, porque este partido tem muita gente séria no seu interior) se apropriam da riqueza nacional de uma forma que eu consideraria quase convencional e comum a muitos países: criando empresas e negócios, atribuindo-as aos seu familiares e amigos. É certo para mim, que nenhuma empresa estrangeira faz negócios ou contratos com o estado angolano sem previamente combinarem a respectiva “comissão”. Mas tudo isto não te soa a familiar, não há muitos anos, aqui em Portugal?
    Achei piada a esta tua tirada: «Ou lhes saíram milhares de totolotos, ou roubaram». Deve-se aplicar também a alguma gente em Portugal, não? Quem foi que disse que por detrás das grandes fortunas está sempre um grande crime? Não me lembro…

  34. 34 34  Daniel Oliveira

    “É óbvio para mim que os detentores do poder angolano (e repara que não digo do MPLA, porque este partido tem muita gente séria no seu interior) se apropriam da riqueza nacional de uma forma que eu consideraria quase convencional e comum a muitos países: criando empresas e negócios, atribuindo-as aos seu familiares e amigos. É certo para mim, que nenhuma empresa estrangeira faz negócios ou contratos com o estado angolano sem previamente combinarem a respectiva “comissão”. Mas tudo isto não te soa a familiar, não há muitos anos, aqui em Portugal?”

    Não, não soa. A filha de Sócrates, Durão, Cavaco ou Santana não é dona de metade da economia portuguesa. Nenhum destes homens é o homem mais rico do país. As suas respectivas mulheres não andam em visitas oficiais a gastar fortunas intermináveis em compras.

    Claro que há corrupção em Portugal, como todos sabemos. Mas há uma diferença entre corrupção e um regime cleptomaníaco. As coisas têm graus diferentes. Assim como há graves problemas na democracia portuguesa e, no entanto, Portugal não é a Coreia do Norte.

    A corrupção em Angola quase não precisa de provas por uma simples razão: é feita à frente de toda a gente. A posição de Isabel dos Santos na economia angolana é, por si só, a prova de um regime que vive da corrupção e para a corrupção. Num país normal nem tal seria possível.

    Claro que há pessoas muito diferentes no MPLA. Eu conheço algumas. Ainda assim, quem se matém no partido, depois destes 33 anos, calado perante o abuso, a prepotência e roubo, é cúmplice, mesmo que seja apenas por omissão.

  35. 35 35  Daniel Oliveira

    Pedro Oliveira, em nenhum momento eu disse que se vendeu.

    Vamos ver os números de Angola: os de saúde pública, de habitação, de distribuição da riqueza, de pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza num país que nada em dinheiro… Vamos?

  36. 36 36  jtmota

    Discutir se existe ou não corrupção em Angola, e fazer comparações com Portugal, ou outro qualquer estado europeu, é de uma perda de tempo inacreditável.

    Angola é um estado corrupto!

    Angola tem tido um forte crescimento económico!

    Qual o destino desta conjugação explosiva, é a questão que deve preocupar Portugal!

  37. 37 37  Henrique Morais

    Aconselho o video postado pela Maria… De facto da pra ter uma ideia do que por la se passa.

  38. 38 38  João Gomes

    Daniel Oliveira,
    Sobre a “distribuição” da riqueza em Angola, parece-me, não estás assim tão bem informado. Sei de alguns com muito mais dinheiro e poder económico do que Isabel dos Santos. E sem qualquer parentesco com a família dos Santos…
    Mas queres saber mais sobre “distribuição” de riqueza? Averigua a SONANGOL, a tal que gere as receitas do petróleo. Ficarás surpreendido com quem lá está a chafurdar, empresas e Estados, Estados muito democráticos…
    Vá lá, no que toca a corrupção e roubalheira, no essencial, estou de acordo contigo. Porque as vítimas são para aí uns 90% da população angolana que vive na mais miserável das pobrezas.

  39. 39 39  armando s. sousa

    Não se pode augurar nada de bom vinda de um país governado por José Eduardo dos Santos e a sua “entourage”.
    A única actividade de José Eduardo dos Santos, nos últimos 28 anos, foi ser Presidente de Angola, com esta actividade, tornou-se no homem mais rico de Angola e frequentemente apontado, como um dos 20 homens mais ricos do mundo, apesar de ser difícil, quantificar uma fortuna ilegítima. Como é isso possível?
    A explicação, para o enriquecimento ilícito do presidente angolano, talvez esteja no facto de Angola ser considerada em 2003 ” como um dos cinco países mais corruptos a nível mundial”, no relatório da Transparência Internacional; Madagáscar, o Paraguai, a Nigéria e o Bangladesh são os outros quatro países que disputam com o Estado angolano o triste lugar de nação mais corrupta.
    Como disse, Lord Acton, na sua carta ao Bispo M.Creighton, “quando se tem uma concentração de poder em poucas mãos, frequentemente homens com mentalidade de gangsters detêm o controle. A história provou isso. Todo o poder corrompe: o poder absoluto, corrompe absolutamente.”
    Mas o jornalista da RTP não está lá para pensar e fazer jornalismo, está mais interessado nos seus “sapatos sujos do pó da terra angolana”.

  40. 40 40  Francisco Crispim

    Tive um calafrio quando li o nome Pedro Oliveira a assinar um comentário sem pés nem cabeça. Mas, afinal, não havia razão para isso: o jornalista Pedro Oliveira não escreveria tal coisa. É outro Pedro Oliveira. Este acha que o facto de alguém ser “editor do Telejornal”, como diz ser o Castro, o põe a coberto de cometer indignidades…
    Santa ingenuidade!

  41. 41 41  O Psiquiatra de serviço

    Se não havia classe empresarial angolana, é normal que esta tenha aparecido e com ela grandes fortunas. Ou só os chineses têm direito a ser ricos em Angola? Tenha paciência, Daniel, mas essa sua postura tornou-se um clichet da esquerda caviar. Só há riqueza se houver corrupção. Olhe, reparta os seu rendimentos (que não o fazem propriamente uma pessoa remediada, com os mais necessitados. O que vos falta (esquerda caviar) é coerência e a assumpção de uma prática em conformidade com a teoria.

  42. 42 42  Dalila

    Compreendo que esteja aborrecido por os funcionários do seu patrão não irem cobrir as eleições angolanas,mas que fossem fazer jornalismo é que eu não acredito porque tambem não o fazem aqui.Além da RTP devem estar lá orgãos de comunicação social de outros países bem como os observadores internacionais portanto não corremos o risco de não saber como decorre o acto eleitoral.Digo-lhe mais,em minha casa tambem não deixava entrar os funcionários do Balsemão.

  43. 43 43  pedro oliveira

    Daniel oliveira,

    quando eu digo basta olhar para os números,não estou a dizer que são os melhores do mundo, digo por forma a cada um tirar as suas conclusões, sem colocar no pelourinho um Jornalista de “mão cheia” que foi muito mal tratado aqui no seu espaço,como Homem de carácter que é.

    P.S. só conheço o Luís do seu blog e para mim chega para fazer uma avaliação do ser humano, sei que hoje em dia isso vale zero.é da vida!

    saudações bloguisticas

  44. 44 44  Ana de Lisboa

    O que sei é que em Angola, muita gente pouco ou nada tem, nem sabe se vai conseguir comer amanhã. E a familia Eduardo dos Santos compra apartamentos de luxo em Portugal, começando no edificio do El Corte Inglés e acabando nos apartamentos do Estoril Sol, os mais caros do país.
    Maria Antonieta também disse “Se não têm pão, comam bolos”.

    Este ano e só por um mero acaso, tive o privilégio de passar oito dias em Moçambique, fora do Polana, fora dos circuitos turisticos e dos resorts, fora do ‘circulo dourado’. Andei clandestina pelas ruas, no meio do ‘povo’, dos mercados, da confusão. Arrisquei um possivel roubo e algumas chatices, no meio de muitos avisos. Mas começamos a entender um pouco melhor o que é um país de 3º mundo. Começamos a perceber que os pontos brilhantes que se vêem da janela do avião, são palhotas com telhados de zinco e pedras, durante Km e Km2.
    Um dos portugueses, resistentes à guerra e à história, que ainda lá se encontra (e que nunca saíu de África) comentou de forma curiosa: “Em África o mais dificil são os primeiros 20 anos. Depois, a gente habitua-se. A nossa sorte é não ter petróleo nem diamantes, senão estávamos ainda mais lixados”. Referia-se a Angola, claro.
    Sim, de facto deve ser isso.

    Todos nós estamos muito longe desta realidade.
    Portugal, afinal, é um dos ’sócios pobres’ de um clube de ricos, de um condominio fechado chamado União Europeia.

  45. 45 45  JAlves

    Realmente só quem não conhece o Luís Castro pode dizer o que dizem dele neste blog.Haja elevação e honestidade! Experimentem dizer-lhe na cara algumas coisas que dizem aqui…
    E é com mentalidades destas que este País (Portugal) avança…Irra!

  46. 46 46  fado alexandrino

    A corrupção em Angola quase não precisa de provas por uma simples razão: é feita à frente de toda a gente

    O post era sobre jornalismo e mudou de rumo, abordando a corrupção em Angola.
    Gostaria de deixar a minha opinião.
    O conceito de corrupção é diferente se visto de um café no Rossio ou da savana em África.

    Deixando de lado dois ou três exemplos de democracia africana, a generalidade dos líderes africanos são uns torpes ditadores, entendem o exercício de poder como uma coisa pessoal e consideram o respectivo país como um feudo de onde tentam extrair o mais possível em bens e dinheiro.

    Na maioria dos países africanos o conceito de Estado não existe e partes muito significativas das suas populações apenas sabe aquilo que tem que dar ao soba local.

    E, claro está, as débeis oposições normalmente baseadas na força militar que oscila entre quem está e dá e quem vem e dá mais, quando chegam ao poder fazem exactamente o mesmo.

    Esta verdade não é agradável de dizer e muito menos de ouvir, por aqueles que acreditam no Pai Natal.

  47. 47 47  Daniel Oliveira

    JAlves,

    Espero que não se refira a mim. Eu fiz uma crítica profissional baseada no trabalho que Luís Castro está a fazer em Angola. Suponho que todos estamos sujeitos à crítica. E não terei qualquer problema em dize-lo pessoalmente. Se tem dúvidas, só mesmo não me conhecendo.

    Para o Pedro Oliveira o mesmo: respondo apenas pelos meus comentários (o meu post), que são uma crítica profissional e não de caracter.

  48. 48 48  Daniel Oliveira

    Dalila, vá uns posts abaixo e veja o vídeo e o que escrevi sobre o trabalho dos jornalistas, dando como mau exemplo a televisão onde trabalho (não tenho patrão). De resto, imagino pela sua conclusão, se por cá mandasse mandava fechar a televisão que não é do seu agrado.

  49. 49 49  Dalila

    Está enganado não considero correcto que os governantes mandem encerrar televisões e jornais.Eu só disse que na minha casa não os deixo entrar o que é muito diferente,felizmente vivemos em democracia e podemos escolher os canais que nos interessam.Se como diz trabalha num canal de televisão,tem que ter um patrão porque não acredito que o seu contributo seja gratuito.

  50. 50 50  Francisco Crispim

    JAlves:

    “Experimentem dizer-lhe na cara algumas coisas que dizem aqui…”

    Fiquei cheio de medo. Ele chama-se Castro ou Tarzan Taborda?

  51. 51 51  Daniel Oliveira

    Dalila, colaboro com SIC e com o Expresso, não sou empregado de nenhuma delas. Não é a mesma coisa.

  52. 52 52  john

    O Daniel já
    nasceu como
    os zangões e as
    vespas com o veneno
    atrás ou à frente. Despeito
    e inveja ou não saber
    outra coisa. Que só
    ele é que sabe,
    só ele é impoluto, sério e a virgem
    prestes a sangrar da ferida.

    Ai, Daniel, longe que você está da sabiduria!

  53. 53 53  Jorge

    JORNALISTA é o Rafael Marques. Homem de coragem.

    O Luís Castro… está bem no posto que ocupa neste Portugal dos pequeninos.

  54. 54 54  john

    o Rafael Marques. Homem de coragem.

    ó Jorge, eu estava a ouvi-lo, na Sic Not, ao Marquês Rafaela, e disse comigo, olha outro zangão, tipo DO, sempre intempestivo, agressivo, louco. Não vai ganhar eleições, amigos, nunca, se não rouba todo o mundo, como o busha.

  55. 55 55  john

    Que nunca nada mais se ouviu dizer a esse Rafa, como ao LBieira, senão blasfemar contra toda a gente e deitar cá fora atoarda de queixas. Mas perdia-se, se fosse nos States, cá, mesmo, agora em terra de cegos… E deus o ajude, má rês como é, que montes de sorte já teve.

  56. 56 56  JAlves

    Francisco Crispim

    O “dizer na cara” não quer dizer andar à pancada! Só uma mente um pouquinho deturpada pode entender isso!

    Cuide-se…

  57. 57 57  Daniel Oliveira

    JAlves, voltou aqui e não me esclareceu. Referia-se a mim?

  58. 58 58  JAlves

    Não, Daniel…
    As críticas são sempre de enaltecer quando são justas! Mas há pessoas que criticam só para deitar abaixo alguém…Ninguém é dono da Razão! (só clichés!) Eu só posso criticar quando tenho conhecimento do tema e sempre de maneira construtiva…não com o punho estendido (estilo wrestling quero dizer!)

  59. 59 59  Jorge

    john,

    Ainda bem que Rafael Marques provoca essa reacção tão emocional! É sinal de que não me engano a respeito dele…

  60. 60 60  Carlos

    Não digam mal de Angola. Tudo é relativo. Subretudo em comparação com o jardim (mal) plantado, aqui à beira-mar. E quem sabe, um dia pode ser que tenhamos que imigrar para lá. Alias, o processo já começou…

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