Nos Estados Unidos e no Reino Unido há o excelente hábito dos jornais declararem o seu apoio aos candidatos. Aqui, o mito da neutralidade, mais do que garantir independência, esconde muitas vezes cumplicidades, simpatias e antipatias não explicitadas. Ao contrário do parece prevalecer na nossa imprensa, é a transparência que favorece a credibilidade. Mas para chegarmos a este ponto não basta que mude a cultura dos jornais. É preciso que mude a cultura dos leitores. Uma cultura democrática que aceite que profissionalismo e neutralidade não são sinónimos. E que clareza e o rigor fazem um excelente par.
Em baixo, roubado ao Mas Certamente que Sim!, fica imagem com link para o google map com os apoios de jornais dados a Obama e McCain com ligação aos respectivos editoriais.
Por Daniel Oliveira 29 Out 08 em Sem categoria



Gosto mais da imprensa em Portugal.
É mais leve, não analisa os assuntos em profundidade, coloca muitas fotos e assim não cansa tanto a ler.
Quanto a isenção vejo hoje por exemplo a página do Público reservada às eleições e o que é que se lê lá?
Campanha de McCain não foi suficientemente negativa”
Ted Stevens embaraça campanha de McCain
Hoje, sei lá porque razões são estes os dois títulos e nada dizem sobre Obama.
Devem estar a preparar o editorial sobre a vitória do mesmo.
E não lhe parece que o financiamento partidário deveria seguir o mesmo caminho?
Um financiamento totalmente privado e transparente.
Assim, ao menos, ao votar no seu representante, o eleitor sabe que interesses é que aquele (realmente) representa.
Eram depois escusadas a estupefacção e hipócrita indignação gerais, bem como o eram os títulos da imprensa, dizendo que fulano tal saíu do governo para a administração da empresa xpto.
“clareza e rigor no jornalismo”? uma ova, quando qualquer jornaleiro-a-dias depende da máquina que está montada - a Censura atinge hoje o estatuto de ciência. Porquê tanto Obama, e um candidato desta estirpe como “adversario”? (e porquê Ron Paul e Kucinnich desapareceram imediatamente do mapa e com eles as momentosas questões que levantaram?: a questão da especulação financeira dominada pela FED e a necessidade de julgar Bush em tribunal)
Quem viu no DocLisboa os documentários “Primary” e “The War Room” viu que os candidatos (qualquer candidato com “sucesso”) é um mero figurino com capacidade para memorizar meia dúzia de linhas; é treinado e está nas mãos de um staff gigantesco que cumpre uma encomenda: a eleição do seu candidato - é um trabalho técnico, de estudo sociológico, que usa o marketing mediático e uma imensa rede de difusão nos media (um bom exemplo é o spin que é o mapa deste post).
Deixemo-nos de fitas: o próprio director de campanha de Clinton disse no final da campanha de 92: “Custa milhões, mas este é o maior acto de masturbação colectiva à face do planeta terra”
Mande os jornais bugiar e descubra por si próprio quem está por trás das encomendas das pseudo eleições que não mudam nada; excepto o estilo e a retórica.
Só tenho pena que tenham postado uma imagem onde leva a crer que McCain tem menos apoios do que na realidade tem.
Não me entendam mal, considero-me um admirador de Obama (sem peso eleitoral é tudo o que podemos ser), mas imagens que não correspondem à realidade é que não me parece que fique muito bem. O McCain no mapa actualizado tem 17 apoios (o Obama tem isso nos “fly over states”), enquanto neste aparece apenas com 9.
Em termos gráficos, é substancialmente diferente. Por isso - e bastava ser só por isso - fica mal.
Se ter mau perder é falta de educação, ter mau ganhar é muito pior.
Um abraço.
http://fiel-inimigo.blogspot.com/2008/10/media-bias.html
António, eu escolhi a imagem que estava disponível na Net. Apenas isso. O que interessa é o mapa, não é a imagem dele aqui. Não será?
O que interessa é o mapa, não é a imagem dele aqui. Não será?
Absolutamente de acordo.
O mapa actualizado mostrava mais um bocado de vermelho.
Não pode ser, não fica bem.
É este o jornalismo de apoio.
Fado, como disse, usei a imagem (o mapa não é a imagem) que estava disponível na Net (que é bastante recente - só que mais apoios estão a surgir) sem me preocupar se havia muito ou pouco vermelho. Mas para quê ir ver o mapa, ler os editoriais se se pode deixar um comentário sobre coisa nenhuma?
Depois de vários desacordos, faço questão de dizer que estou em total sintonia: gosto da transparência americana de assumidamente apoiar um determinado candidato!
http://politicalticker.blogs.cnn.com/2008/10/28/fact-check-did-joe-the-plumber-say-obamas-comment-sounded-like-socialism/
Por favor colar na anterior
… que as televisões para lá enviaram são tudo menos imparciais.
Sem dúvida, devia ser assim em todo o lado e em todos os tipos de comunicação social. No entanto, isto não deve impedir a busca de uma certa imparcialidade mesmo que a sua índole seja à partida conhecida.