Quando o prémio Nobel da literatura é dado em quem queria que o genocídio dos arménios fosse discutido na Turquia, o genocídio dos arménios passou a ser indiscutível em França.
Por Daniel Oliveira 13 Out 06 em Sem categoriaQuando o prémio Nobel da literatura é dado em quem queria que o genocídio dos arménios fosse discutido na Turquia, o genocídio dos arménios passou a ser indiscutível em França.
Por Daniel Oliveira 13 Out 06 em Sem categoria
Na Mouche! Em França o Genocídio Arménio está ser nitidamente utilizado como arma de arremesso contra a Turquia, com o objectivo claro que impedir a entrada da Turquia na União Europeia. A instrumentalização do Genocídio é antes de mais uma falta de respeito para com as vítimas.
Já agora outra coincidência, o ano passado em França foi o ano do Brasil, este ano (começa agora) é o ano da Arménia, assim como quem não quer a coisa.
A entrada da Turquia coloca questões que mais do que as guerras Ocidente/Oriente passam pelos Direitos Humanos.Só quando temas como o Chipre turco,o Curdistão,o genocídio e os direitos do Homem estiverem resolvidos é que se deve discutir a questão turca.A UE ou é um espaço geopolítico de liberdade e democracia ou senão mais vale acabar,pois desde a introdução do euro só tem dado azo a retrocessos e perda de competitividade.
A entrada da Turquia coloca questões que mais do que as guerras Ocidente/Oriente passam pelos Direitos Humanos.Só quando temas como o Chipre turco,o Curdistão,o genocídio e os direitos do Homem estiverem resolvidos é que se deve discutir a questão turca.A UE ou é um espaço geopolítico de liberdade e democracia ou senão mais vale acabar,pois desde a introdução do euro só tem dado azo a retrocessos e perda de competitividade.
Os Franceses são muito cobardes. Não têm coragem de assumir as verdadeiras razões porque não querem a Turquia na UE. Então vêm com essa do genocídio arménio (hororoso, com efeito). Mas continuam a considerar Napoleão - responsável pelas maiores barbaridades, milhões de mortos, e o mais absoluto desrespeito pela vontade dos povos europeus -. como um herói nacional !
É verdade que a entrada da Turquia na União Europeia coloca questões que ainda não estão resolvidas; direitos humanos, Chipre, Curdistão e - já agora, a propósito do Prémio Nobel - a liberdade de expressão. Ninguém disse o contrátrio. No entanto isso não é razão para se instrumentalizar o Genocídio Arménio, ainda para mais através de uma lei que é uma clara violação da liberdade de expressão.
E agora passo para a defesa dos franceses: o que diz Isabel Coutinho não se aplica a todos os franceses, aplica-se apenas à direita francesa (que é quem está no governo). Tanto a entrada da Turquia na UE, como a idolatração de Napoleão são questões que separam a esquerda e a direita em França.
Se dá cadeia negar o genocídio de Judes pela Alemanha Nazi (e bem), também tem de dar cadeia discutir o genocídio arménio. Ponto final - não há barbaridades de primeira porque são feitas por Europeus, e barbaridades de segunda porque são feitas por escurinhos-muçulmanhozinhos-coitadinhos…
JV, eu sou contra a criminalização da opinião, incluindo a do negacionismo, da homofobia ou do racismo. Só os actos e não as opiniões devem ser criminalizados. Se assim fosse, queria que a negação do Tarrafal e do massacre de Wiriamu fossem crime. Você quer?
A julgar pelas suas afirmações, nada lhe diz o sofrimento dos milhares de pessoas que padeceram nas mãos de um bando de canalhas sanguinolentos por terem determinada etnia ou fé, e ainda vêem um energúmeno qualquer, um David Irving da vida, chamar-lhes mentirosas.
A sua ética fala por si - fique com ela…
eu sou contra a criminalização da opinião, incluindo a do negacionismo, da homofobia ou do racismo
Então porque é que disse no Eixo do Mal, quando se constituíram milícias populares para espancar homossexuais algures na Beira, que o simples incitamento a estes actos já era criminoso? Incitar é tentar convencer os outros a tomar uma atitude, não é agir…
O comentário anterior é meu, e devo dizer que concordei com as suas afirmações na altura.
Incitamento a actos concretos de violência e a expressão de uma opinião não são a mesma coisa.
O contrário de uma coisa não me dizer nada não é mandar prender quem a diz. Queria que a negação do Tarrafal e do massacre de Wiriamu fossem crime? Não me respondeu
Incitamento a actos concretos de violência e a expressão de uma opinião não são a mesma coisa.
Se eu disser “peguem em armas, saiam à rua e matem todos os sodomitas que vos aparecerem à frente!” não estou a agir, mas apenas a incitar a actos, a tentar convencer as pessoas a tomarem determinada atitude: e é o Daniel que diz só os actos (…) devem ser criminalizados. Um incitamento é uma argumentação, uma tentativa de convencer os outros - o que difere e muito de um acto, e não anda muito longe de emitir uma opinião.
O contrário de uma coisa não me dizer nada não é mandar prender quem a diz.
Mas o que a si não lhe diz nada pode dizer e muito a outros. É mera questão de respeito pelos Arménios que foram trucidados pelos turcos proibir que se negue este horror; é mero respeito pelos Judeus trucidados pela extrema-direita Nazi não permitir que se negue Auschwitz; é mera questão de respeito pelos dissidentes soviéticos proibir a negação dos Gulags, etc. .
Queria que a negação do Tarrafal e do massacre de Wiriamu fossem crime? Não me respondeu
Pensei que fosse evidente que a resposta é sim. Mas enfim, se a quer escrita, ela aqui está - negar que houve um massacre em Wiriamu ou um campo de concentração no Tarrafal devia ser crime.
JV, a diferença de uma opinião e do incitamento a um crime é evidente e existe na lei. Quanto ao mais (incluindo o Tarrafal e Wiriamu) não concordamos. Disse-lhe que o negacionismo diz-me muito e não o contrário. Repugna-me profundamente. Mas isso não me chega para defender a prisão de quem o pratica. A prisão é para mim um acto extremo e não uma trivialidade. As opiniões combatem-se pela opinião.
Gostei desta: “As opiniões combatem-se pela opinião.”
Caso contrário, não tardaria muito teríamos de ter meia humanidade a prender a outra…